A epígrafe

16/03/2007

Foram as poucas linhas daquela carta de recusa que fizeram Lúcio Nareba, lenda da blogosfera literária nacional, perder a cabeça. Não fosse o veneno destilado – gratuitamente, gratuitamente! – pela famosa editora Bia Escarpin, o adorável Nareba estaria entre nós até hoje, esvaziando dois engradados e meio de cerveja por dia às custas de seus admiradores mais jovens, fumando pelos ouvidos, coçando a bunda agressivamente como lhe parecia apropriado aos gênios irascíveis e rabiscando nanocontos em guardanapos com nódoas de azeite. Mas aquela carta de recusa…

Prezado Nareba,

Abri seu manuscrito com grande interesse e, já na primeira página, fui ao delírio com a epígrafe. Genial mesmo, parabéns. Infelizmente, não consegui passar da epígrafe, motivo pelo qual sou obrigada a recusar a publicação de “Sou phodão & outras modéstias”. Como sinal de boa vontade, uma crítica construtiva: a epígrafe é genial mas precisa ser aprimorada. Os versos “Astros! noite! tempestades!/ Rolai das imensidades!/ Varrei os mares, tufão!…” são do Castro Alves e não do Chacal.

Isso posto, não desista jamais. Ou desista, phoda-se.

Bia Escarpin

Gratuito, não? Mais do que gratuito, humilhante. Típico dessa alta burguesia editorial insensível e decadente que aí está. Mesmo assim, o plano de estrangular Bia Escarpin não teria ido longe se, ao sair do botequim certa madrugada, um cigarro fumegando em cada ouvido e dois engradados e meio de cerveja no sangue, Nareba, numa dessas coincidências incríveis que a literatura aprecia, não tivesse topado com a famosa editora no calçadão do Leblon. Piscou para espantar a aparição, mas o fantasma continuou lá. Sozinha, veias saltadas na testa, Bia parecia nervosa, escarpin tiquetaqueando de um lado para o outro nas pedras portuguesas, celular no ouvido, echarpe de seda ao vento.

Enquanto estrangulava Bia Escarpin com a echarpe, ele pensou naquele personagem de Tolstoi que mata a velhinha – como era mesmo o nome dele, Nabokov? Foi quando se decidiu por uma epígrafe em russo para o seu próximo livro, atualmente em produção, chamado “Meu companheiro de cela é phodão & outras delícias”. Tinha que ser em russo, talvez alguma coisa do Ibsen. Um abaixo-assinado pela imediata libertação de Lúcio Nareba rola na internet.

50 Comments

  • Tibor Moricz 16/03/2007 at 11:19

    Ah, se nós pudéssemos estrangular todos os editores e editoras que nos respondem com ironia e mordacidade, nos humilhando. E não é humilhante aquele negócio de “Infelizmente seu projeto não se coaduna com a linha editorial da empresa?” Como se fôssemos idiotas e enviássemos algo fora da dita cuja?
    O texto me enganou de princípio… Fiquei tentando lembrar quem era Lúcio Nareba… Parabéns. Gostei pra ca#%$&#!

  • clelio 16/03/2007 at 11:23

    Phantástica estorinha!

  • Paulo 16/03/2007 at 11:40

    Imagine se todo o escritor rejeitado saísse por aí estragulando o editor. Não sobraria editor para contar a história. E muitos escritores, como Proust (que teve a obra rejeitada por vários editores), teriam ido para detrás das grades. Isso é o que dá se levar a sério demais, levar a própria genialidade a sério demais. Mas concordo que foi gratuita a resposta da editora.

  • Paulo 16/03/2007 at 11:54

    Jurei que nunca mais comentaria aqui, mas não agüento.

    Tem gente que não entende uma ironia nem quando esfregam uma na cara. Afe!

    abs

  • Saint-Clair Stockler 16/03/2007 at 12:50

    Eu já tenho um editor preferido pra ser estrangulado – e olha que eu ainda nem mandei o meu livro pra editora dele…

    E tenho também uma meia dúzia de escritores: a cabeça da lista é uma mulher (por favor: não me venham com teorias freudianas ou lacanianas a respeito do ódio latente dos homossexuais pelas mulheres – eu adoro mulheres, só não tenho vontade de fazer sexo com elas).

  • Publishers Weekly 16/03/2007 at 12:51

    A nefanda indústria editorial não se cansa de renovar seu arsenal de maldades contra nós, os escritores inéditos — e quando somos brasileiros e torcedores do Olaria, eles aproveitam para nos humilhar ainda mais.

    Outro dia uma prestigiosa casa editorial de São Paulo teve a cachimônia de recusar me romance histórico “Primeiros paços” com a seguinte desculpa: “Seu romance possui inegáveis qualidades, mas infelizmente a decisão foi por não publicá-lo, pois o lançamento do mesmo contribuiria de modo irreversível para o aquecimento global”.

  • Noga Lubicz Sklar 16/03/2007 at 13:10

    Longe de mim querer estrangular alguém, mas o que vem me encucando ultimamente é a por vezes baixa qualidade do que é publicado. Tendo me emocionado com uma entrevista no YouTube recomendada aqui, nestes comentários, estou lendo no momento um dos monstros sagrados da literatura moderna brasileira (já falecida) e, francamente, não entendo a adoração. Quanto à repetida preocupação do Sergio com este tema espinhoso, tb não entendo muito… vc tem problemas para ser publicado? E não é vc mesmo editor aqui no NoMinimo, e editor de editor? Vale pela brincadeira, mas a angústia cotidiana, efeito colateral da opção pela literatura, não tem graça nenhuma.

  • mausoléu 16/03/2007 at 13:32

    “(…) eu adoro mulheres, só não tenho vontade de fazer sexo com elas.”

    Está lá no dicionário: chama-se oxímoro.

  • Cezar Santos 16/03/2007 at 14:06

    Sábia editora, por que esse Naruba ai escreve malzinho pra cacete….

  • Fábio Max 16/03/2007 at 14:15

    O cara deve ser uma lenda da blogosfera mesmo! Nunca ouvi falar dele…

    Que história!

  • Leticia Braun 16/03/2007 at 14:26

    Aliás, é a única coisa que pode fazer toda editora que se preza: usar pseudônimo (Bia Escarpin é ótimo) e jamais de la vie se deixar fotografar.
    Bia Escarpin sintetiza todo o descaso, toda a má-vontade, toda a ignorância, todo o não-entendimento sobre a única coisa que vale a pena o mundo ler: MEU LI-VROOOOOO!!!!!!!!!
    Rolei de rir, Sergio.

  • Saint-Clair Stockler 16/03/2007 at 14:51

    Mausoléu: não é um oximoro (no meu dicionário a palavra não tem acento), é apenas um fato. Gosto de dizer isso sempre que posso, pra desmistificar aquela idéia de que viado odeia mulher. Eu não odeio. Eu adoro! Acho as mulheres a criação mais perfeita e encantadora de Jeová. Só não… bem, você já entendeu.

  • Cláudio Soares 16/03/2007 at 15:12

    Nosso simpático Nareba devia ter se contentado com o que já conseguira (já que não era pouco), ou seja, ser uma lenda da Blogosfera.

    Pra que mexer em time que está ganhando.

    “Bem” comparando: imaginem se o Obina resolvesse ser centroavante do Real Madrid?

  • Cezar Santos 16/03/2007 at 15:58

    Noga,
    Esse monstro sagrado é a Lispector?

  • Jonas 16/03/2007 at 16:30

    Um dia serei editor, só pra pisar num novo autor.

    Por essas e outras, peço Luiz Schwarcz na ABL. Só por ignorar as antas.

  • Jonas 16/03/2007 at 16:30

    E fico com o Paulo: as pessoas têm problemas sérios com ironia, hem? Deve ser trauma de infância.

  • André 16/03/2007 at 16:48

    Caro Nareba,

    Não desista! Não fique louco, não arranque a própria orelha, como Camões, que acabou surdo.

    Vá em frente.

  • Rafael 16/03/2007 at 16:59

    Por sorte, van Gogh, numa batalha contra os Mouros, perdeu o olho direito e assim foi poupado de ler a triste notícia da fatalidade que recaiu sobre Camões.

  • JP 16/03/2007 at 16:59

    Jonas e Paulo, estou com vocês.

    incrível como todo demente recusado por editora se acha Proust! Não que todos os recusados sejam dementes. Assim como nem todos são Proust.

  • Clara 16/03/2007 at 17:15

    Sérgio, faltou mencionar qual é a obra ficcional á qual pertence esse trecho, e o autor dessas mal traçadas linhas.

  • Salve o Idioma Zazenie 16/03/2007 at 17:18

    komo zão burhos us lytores dw zergey jodrigo! num intendiaom ilonia!

    y kuantu au lytor ki dizze ke u lwis xwarz rigeita ãs amtas, devi gustar muxo de xô zoaris y amyl kulink, otoris dha kumpanya dhas lerdas!

  • Sérgio Rodrigues 16/03/2007 at 17:18

    Faltou não, Clara. Pense bem. Está no meu blog, sem crédito, logo…

  • gustavo weber 16/03/2007 at 17:19

    Nareba, continue assim. Corte a perna, corte a orelha, fique manco, fique mouco. E, porque nao, fique louco: rasgue as vestes e, principalmente, seus originais.
    Assim a bia scarpin se apaixona pelo seu lado bad boy e troca o blahnik pelo beatnik.
    (ui, trocadilho infame)

  • gustavo weber 16/03/2007 at 17:30

    Leticia, eu li seu livro. É excelente. Muito bom. Bom.
    Mandei traduzir para o magiar. Não se preocupe, será lançado aqui mesmo no Brasil. Em magiar. A crítica se jogará aos seus pés. (Ok, essa foi sem querer – scarpin aos pés da leticia).

  • Rafael 16/03/2007 at 17:56

    Caolho, míope, maneta – Nareba seria a síntese perfeita de Camões, Borges e Cervantes, o supremo escritor que ninguém jamais rivalizaria.

    O problema é que, na era do politicamente correto, Nareba seria classificado como um portador de necessidades especiais e visualmente prejudicado (sem duplo sentido, este repelido pelo PC).

  • Cláudio Soares 16/03/2007 at 18:03

    Noga: (sobre Clarice) vale a pena dar uma lida em “O Ovo e a Galinha”, esse conto (tem na internet) era um enigma até mesmo para Clarice.

    Nareba é um escritor de faro :-) Nareba é “o último escritor”.

  • mausóleu 16/03/2007 at 18:05

    Escritor de faro… Pois é, pelo menos o cara ficou o nariz.

  • Cláudio Soares 16/03/2007 at 18:05

    Noga: “O ovo e a galinha” (Lispector) : http://www.beatrix.pro.br/literatura/ovogalinha.html

  • Cláudio Soares 16/03/2007 at 18:07

    Tiraram tudo do Nareba, mausoléu, que pelo menos o nariz de Nareba seja mantido.

  • Cláudio Soares 16/03/2007 at 18:10

    já que comentei esse conto de Clarice, mais um enigma: quem veio primeiro Escarpin ou Nareba? Ou Qts Narebas fazem uma Escarpin? E vice versa?
    Qual o segredo de tostines desse mercado editorial brasileiro?

  • Clara 16/03/2007 at 18:26

    Pigarreando um pouco, só me resta perguntar se isso é um microconto. Não vou retirar o que disse, afinal é só uma entre outras opiniões, várias favoráveis. A seu favor, de minha parte, seu texto possui humor. E bom, não sou editora – nem queria ser.

  • joao gomes 16/03/2007 at 18:32

    Liberdade para o Nareba!
    Nareba para a ABL!
    Nareba para Presidente!
    Só Nareba Salva!

  • Daniel Brazil 16/03/2007 at 18:54

    Colunista escreve conto satírico sobre um imbecil que se acha gênio. O protagonista comete um assassinato ao ver a obra recusada. Leitores comovidos se colocam no lugar do personagem, contra a malvada editora.
    O tempora, o mores!

  • Noga Lubicz Sklar 16/03/2007 at 19:14

    Claudio e Cezar, exatamente. O Ovo e a Galinha faz parte do livro que estou lendo a duras penas, Laços de Familia. Não vi nada de enigmático… Apenas… Sorry. Bobo. E ainda Cinthia Moscovich se inspirou nele… Estou muito decepcionada, chega a doer. O texto é datado e, francamente, mesmo nos anos 60 deve ter sido ruim… O que parece estilo para mim soou como pobreza de vocabulário… Ou então sou muito burra mesmo, e não entendo o que não há para entender. Me emocionei demais com Clarice no YouTube, até coloquei a tela no meu blog e pensei que era hora, finalmente, de conferir na prática. Fiquei triste. Mataram-na, comeram-na, e passaram-se anos.

  • Noga Lubicz Sklar 16/03/2007 at 19:17

    Quero dizer, no livro chama-se somente Uma Galinha, será que é o mesmo? Será que alguém arrisca dois contos com o mesmo tema enigmático como ovo de galinha?

  • Bernardo Brayner 16/03/2007 at 19:45

    São dois textos diferentes.

  • vinicius jatobá 16/03/2007 at 20:30

    Um pouco no espírito dessa brincadeira escritor recusado contra editor cruel, acho sinceramente que o Saint-Clair mereceria ser editado por alguma boa editora. Você já leram os contos dele disponível na internet, o ‘Dias Estranhos’? Achei muito interessante e diferente, e Saint-Clair é um ótimo escritor. Pelos comentários aqui não dá pra levar ele muito a sério, ele brinca e parece levar tudo na flauta, mas como autor tem vigor e muita qualidade de prosa e dedicidamente é um autor que mereceria ser editado. Há alguns ótimos contos nesse ‘Dias Estranhos’. O livro me parece acabado; é só editar e distribuir. Outro escritor carioca que não entendo o motivo de ainda estar inédito é Flávio Izhaki, contista adorável e muito talentoso. Não sei como funcionam as avaliações de originais, se lêem ou não os livros que chegam. Acredito que lêem algo; não tudo, claro. Uma pequena fatia. O que acho estranho: um editor que respeito muito costumava me falar (falecido): escritor brasileiro é maravilhoso – não tem que pagar tradução, nem direitos, etc. E ele não conseguia entender o motivo para que as editoras enfatizem tanto autores estrangeiros. Eu tenho uma suposição. Acho que o apelo do livro estrangeiro é que ele, de certa forma, já vem editado. Ou seja, por exemplo, um McEwan, ótimo autor e de quem sou fã, ele conversou e debateu seus textos com seu editoe original inglês, as revisões foram feitas, as mudanças, foram consideradas as sugestões, desconsideradas, trechos foram suprimidos, etc. Então, realmente, editá-lo é fácil (ou menos complicado) porque no fundo é só traduzir e coordenar o processo de capa, release, etc… Ou seja: não se edita um autor estrageiro: o produto já vem acabado. Por exemplo, Saint-Clair: seria o caso de aceitar seu livro para publicação e então ler o original, conversar com ele, sugerir, reler uma nova versão, debater algumas passagens, seria trabalhoso, demandaria tempo; mais fácil, ao meu ver, é: a- escolher um autor jovem estrangeiro que já foi trabalhado pelo seu editor original assim restando apenas traduzi-lo, o que é mais cômodo, ou b- selecionar um autor jovem que já tenha passado por outras pequenas editoras e esse trabalho de amadurecimento do estilo e temas já tenha sido feito antes da chegada desse autor numa editora maior. Não acredito na falta de vontade dos editores em investir em novos autores; acredito, sim, que um novo autor demanda um tempo que o mercado editorial não comporta mais. O mercado é ágil, fluente, internacional; feiras, encontros, bienais; agentes; contratos; não conheci um único editor que fosse apenas editor: acaba sendo um faz tudo. Pelo menos a maneira que eu vejo essa questão… Não sei se procede.

  • Noga Lubicz Sklar 16/03/2007 at 21:38

    Mercado, será que é só isso que interessa? E a sensibilidade, a contribuição inovadora, foram parar onde? Será que tudo tem que virar negócio? Acaba sendo uma realidade muito pobre, se em vez de propor algo nos limitarmos a ouvir a voz do hábito. Já ouvi esta: “o mercado não está pedindo este tipo de assunto”. (F)ui.

  • Noga Lubicz Sklar 16/03/2007 at 21:43

    Essa discussão teórica sobre autores e editores anda me dando um certo enjôo, fazendo mal, interferindo no impulso criativo. Não há quem aguente uma vida de remar contra a maré.

  • Jonas 16/03/2007 at 21:57

    “Faltou não, Clara. Pense bem. Está no meu blog, sem crédito, logo?”

    Pois é. Nego não entende nem isso e quer ser publicado.

  • Clara 16/03/2007 at 22:56

    Talvez não tenha sido suficientemente explícta: não quero ser editada, se neguinho permite essa fútil falta de ambição.

    Não percebi que Sérgio poderia ser o autor do texto, porque 95% do que acompanho aqui, quando posso, se refere a outros autores. Poderia ter ocorrido um lapso, como já vi acontecer em nomínimo, não nesse blog, porém.

    Como último argumento, Sérgio pareceu ter deixado propositalmente – e isso foi interessante – haver uma certa confusão se o relato ocorreu na realidade ou na ficção. Não percebi de imediato, mas em seguida entendi que era ficcional, não tendo ficando claro para mim quem o escrevera. No impulso, disse que não havia gostado do texto, e não vai ser agora que vou retroceder. Falei, tá falado, não tem volta. Esse é só um texto, e para a minha opinião desfavorável deve ter múltiplas em sentido contrário.

  • Anna O. 17/03/2007 at 02:14

    Ô, Clara, jurava que o Jonas tava sacaneando o Sérgio. Alguém lê post antigo?

  • Leticia Braun 17/03/2007 at 09:03

    Ô Gustavo! Pô… Valeu!… Que bom que você gostou! Faz o seguinte: me passa seu mailing list pra eu compartilhar isso com seus amigos. Mando em PDF mesmo. Só pra me vingar daquela v… da Escarpin e mostrar que ela só publica porcaria! Aliás, deus me livre publicar meu livro por aquela editora chinfrim!

  • Sérgio Rodrigues 17/03/2007 at 09:04

    Anna, o Jonas estava sacaneando a Clara mesmo. Mas não entendi o que vc quer dizer com post antigo.

  • Rogge 17/03/2007 at 18:21

    Nunca me diverti tanto lendo um post e seus comentários. Mesmo aqueles mais ingênuos. Mas o ponto constrangedor, foi eu tentar ler “O ovo e a galinha” da Lispector. Não consegui ir adiante. Nem mesmo senti curiosidade. Parando de ler aquele conta, senti um alívio. O meu espanto ao (à?) Noga, por sua capacidade de sofrer.

    Ainda bem que o tal ovo nada teve a ver com o post do Sérgio.

  • Clara 17/03/2007 at 19:03

    Se serve de algum consolo, nem a própria Clarice entendeu esse conto, conforme falou na única entrevista televisionada que deu, na TV Cultura. Está disponível no Youtube e é muto interessante.

  • Noga Lubicz Sklar 17/03/2007 at 19:19

    Bernardo, agradeço o esclarecimento e me desculpo pela ignorância. Hum. Será que me identifico com um desses agentes do impossível? Preocupados com a verdade a ponto de abdicar da vida? Por achar que “a verdade deve ser corajosamente dita”? Fiquei impressionada com o conto. Não achei que fosse um enigma, Claudio, apenas um fluxo de consciência delirante, com uma dor subjacente irremediável, por estar conectada intrinsicamente à propria vida. Pobre Clarice. Até me distraí da literatura.

  • Bernardo Brayner 19/03/2007 at 15:07

    Não há de que, Noga.

  • Avancini 20/03/2007 at 11:36

    Buenas, vamos ver: pelo que entendi, o texto é uma pequena ficção; nem o tal Nareba existe, nem a Bia. Porém – ai, porém! – eles são referências a figuras genéricos que de fato existem: o escritor não-compreendido e o editor irônico. É isso, Sérgio?

  • Sérgio Rodrigues 20/03/2007 at 17:05

    Como quiser, Avancini. Não tem bula.

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