A musa era musa mesmo

10/08/2006

“Para namorar. Quando comecei, era para namorar.” A resposta do poeta Carlito Azevedo à pergunta encaminhada por um espectador, “por que escrever poesia?”, na mesa “Vozes em verso”, hoje de manhã, foi provavelmente a mais desconcertante ouvida até agora na Flip.

A falta de pose também é uma pose? Claro que é. Mas é impossível negar o que há de verdade profunda na confissão de Carlito. “Eu via as minhas limitações, não sou o Marcos Siscar, louro, alto, de olho azul”, disse ele, referindo-se ao poeta com quem ele e Astrid Cabral dividiam a conferência na Tenda dos Autores. “Precisava que prestassem atenção em mim por três minutos, que em geral é o que dura um poema.”

E hoje, passada essa necessidade juvenil de impressionar namoradas, por que continuar a escrever poesia? “Para mantê-las”, responde Carlito.

9 Comments

  • ALFREDO GARCIA 10/08/2006 at 18:54

    ATIRE O PRIMEIRO VERSO QUEBRADO QUEM NÃO PENSOU EM DAR ESSA RESPOSTA, MAS TERGIVERSOU E SAIU COM AQUELA BABAQUICE DE DISCURSO TEÓRICO À IRMÃOS CAMPOS E ETC E TAL.

  • Jorge Maria Sena 10/08/2006 at 19:04

    A mesa de poesia está evoluindo. No ano passado, era só pose sem conteúdo (ou forma, no caso Roquette-Pinto). Esse ano… não há forma nem conteúdo – o que já é uma vantagem. Quem sabe no ano que vem tenhamos forma e conteúdo – mas pra isso será necessário surgir talento de verdade…

  • Saint-Clair Stockler 10/08/2006 at 21:09

    É TREMENDA FALTA DE EDUCAÇÃO ficar escrevendo post EM CAIXA ALTA! Além de revelar certa INSEGURANÇA, pois parece que se quer CONVENCER PELO GRITO da justeza de suas opiniões. E é também MUITO CANSATIVO de se ler. VAMOS MANTER a Netqueta, beleza?

  • Writing Ghosts 11/08/2006 at 01:15

    o ALFREDO não deve ter te ouvido, Saint-Claire: isso é o que dá ficar por todo lado com o iPod na orelha ligado no último volume…

  • Writing Ghosts 11/08/2006 at 01:21

    …mas achei interessante a resposta do poeta.

    a pergunta era igualmente desconcertante: ou se respondia em três horas e meia, ou se saía com uma dessas.

    que não deixa de ser honesta, muito provavelmente. cortar o dedo picando cebola e declamar sobre o monstro marinho que teria causado o estrago é coisa de gente pedante.

    há muito de fra(n)queza humana na literatura, e ela não deve ser negada – pelo autor que dá a cara a tapa.

  • Vinícius Trindade 11/08/2006 at 12:35

    A resposta dele tem a qualidade-mor de todo bom poema: espontaneidade. Por favor, deixem os irmãos Campos em paz.

  • Palhares 11/08/2006 at 12:57

    Faço minhas as palavras do Jorge Maria Sena: a Flip tem bons políticos, alguns bons prosadores, mas na poesia a gente tem que se contentar com Carlito Azevedo!

  • ALFREDO GARCIA 11/08/2006 at 18:37

    Bom, para não ferir os excessos de sensibilidade que aqui afloraram, devo me desculpar pela citação dos Campos – ou devo imolar-me lendo-os em grego, caro Vinícius? -, além de ferir a Netiqueta, que me parece nome de personagem de Haroldo Maranhão, esse sim um grande escritor em prosa que a miopia intelectual Sul-sudeste não chegou ainda a descobrir. Conselho: leiam mais, rapazes, leiam por favor. Sugiro os ótimos Max Martins e Milton Hatoum, gente aqui do Norte, em geral ignorada por muitos. Ah! e deixem o iPod dos outros em paz.
    Hasta la vista!

  • larissa 14/08/2006 at 18:33

    A resposta mais interessante dada no festival.

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