A Turquia ataca outra vez

05/07/2006

O que tem a ver a Turquia com a União Européia? É o que muita gente tem se perguntado diante da reincidência do país nas restrições à liberdade de imprensa e opinião, um dos pontos fracos de sua candidatura a membro do clube. Ano passado, o escritor Orhan Pamuk foi submetido a um processo rumoroso por ter comentado, numa entrevista, aquilo que nenhum historiador sério nega: o massacre de cerca de 1 milhão de armênios pela Turquia, em 1915. Como Pamuk é um autor de renome internacional, a pressão da opinião pública, sobretudo a européia, levou o governo a desistir do processo.

Mas Fatih Tas não é Pamuk. O dono da editora Aram, jovem de 27 anos que já é veterano de outros processos, anunciou numa entrevista divulgada pela agência France-Presse (mediante cadastro gratuito) que está enfrentando acusações de “denegrir a identidade nacional” e “incitar o ódio”, o que o sujeita a uma pena de até seis anos de prisão. Seu crime foi ter publicado, em março, uma tradução de Manufacturing consent: the political economy of the mass media, de Noam Chomsky e Edward S. Herman. Num dos ensaios do livro, Chomsky critica o tratamento dispensado pelo governo turco à minoria curda e a venda de armas ao país pelos Estados Unidos.

9 Comments

  • O Espezinhador 05/07/2006 at 15:40

    Começo a simpatizar com a Turquia! Qualquer lugar onde Noam Chonsky seja repelido tem meu apoio!

  • Giovanni 05/07/2006 at 17:08

    Curioso saber que, por esses critérios da UE, os EUA, com Bush e suas “falcoas”, também não seriam aceitos no bloco. “The land of free”. Sei, sei…

  • Pedro Curiango 05/07/2006 at 17:29

    Giovanni:
    seria bom dar exemplos da restrição de liberdade de opinião nos EUA, sob Bush ou qualquer outro governo.

  • Marcus 05/07/2006 at 18:27

    Os Estados Unidos têm um sistema sólido de respeito à liberdade de expressão, apesar da ofensiva obscurantista de George Bush.

    A Turquia não pode fazer parte da União Européia nessas condições. Mas a Polônia também não é exemplo nenhum, com sua repressão aos movimentos gays.

  • André Pessoa 05/07/2006 at 19:27

    Eu, que sou um democrata radical e não democrata pela metade, não vejo muita diferença entre alguém ser perseguido por dizer supostas verdades ou por dizer supostas mentiras. Na Alemanha, na Áustria e em vários outros países da Europa Ocidental, alguém pode ser preso se disser que não acredita que houve o holocausto nazista.

    A democracia e a liberdade de expressão têm que servir a todos, e não somente aos bonzinhos. Senão, não é democracia de verdade.

  • Writing Ghosts 05/07/2006 at 19:47

    “sistema sólido de respeito à liberdade de expressão”, Marcus??

    Bush ainda nem era nascido e o império que ele julga comandar já tiranizava meio mundo com sua política belicosa, lançando mão do terror de Estado, muito antes de aparecerem os nanicos civis do gênero.

    Lá, entre os “Irmãos do Norte”, a “liberdade” é INTERNA, e mesmo assim, POLICIADA. o que, logicamente, tira qualquer maiúsculo de sua iniciativa.

  • Writing Ghosts 05/07/2006 at 19:55

    … e mesmo que – internamente – a Justiça daquele país se projete contra os abusos de poder de seu próprio presidente, isto ainda não é suficiente para me fazer crer em uma mudança na ideologia que ali vinga desde 1778 (oficialmente), nem no repentino interesse por questões que não digam respeito direto à sustentação de suas fronteiras e seu Estado.

  • confetti 09/07/2006 at 06:08

    espezinhador nao curte noam chonsky…( nao vou comentar sua “simpatia pela turquia” nem a contribuiçao inestimavel de noam chonsky à cultura mundial…so pra nao provocar ondas de odio e histeria no tal carinha)
    por outro lado faço parte dos que nao entendem pq a comunidade européia ta brincando com fogo “examinando” a adesao da turquia…
    anedota : a filha do Erdogan foi estudar numa universidade americana so pra poder usar o véu islamico…o q seria “mal visto” no pais onde seu pai tenta simular uma republica islamica…moderna !

  • sonho bom 09/07/2006 at 15:07

    Neste mundo dos poderosos, as relações se baseiam em: ” Não faça o que eu faço; faça o que eu digo.” É a lengalenga básica da prepotência.

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