Ah, você é escritor? E vive de quê?

24/03/2010

Um dos maiores prazeres da rede mundial de computadores é, no meio da barafunda de informações – que, dizem, logo vai nos afogar – encontrar aqui e ali convergências e cruzamentos, nós de concordância ou de tensão. Quando ligamos os pontinhos para destilar algum sentido da geléia geral, pagamos tributo à etimologia da palavra “inteligência” e adiamos mais um pouco a tal submersão. Isso acaba de ocorrer com a idéia de trabalho remunerado x expressão artística, que de repente parece estar por toda parte. Em outras palavras, como a necessidade de “ganhar a vida” influencia a produção desses bens simbólicos que, quase sempre, têm valor de mercado risível demais para garantir sua dose diária de nutrientes.

Longe de ser uma discussão bizantina, trata-se de algo que qualquer escritor – com exceção dos ricos de berço ou de baú, uma fração tão pequena que chega a ser desprezível – precisa enfrentar desde cedo e provavelmente pelo resto de sua carreira. Um bom emprego público foi, por décadas a fio, a solução da cultura brasileira para o problema. Mas o serviço público já não é o que costumava ser. Atualmente, o dilema dos escritores tem sido posto com maior freqüência em termos de trabalho em área afim – imprensa, mercado editorial, universidade – contra alguma atividade inteiramente desligada das letras, do comércio à geologia, algo que, quem sabe, pode proporcionar maior “independência”.

Mais do que uma questão vil e aborrecida, ainda que inevitável, a necessidade que artistas – como todo mundo – têm de perseguir o tal pão de cada dia é apresentada pelo ensaísta Javier Gomá Lanzón, em artigo (em espanhol) que o “Babelia” publica esta semana, como uma dimensão sempre subestimada e por isso mesmo riquíssima da história das artes:

O imperativo de “ganhar a vida” e desenvolver alguma especialização profissional tem carecido, do romantismo até hoje, de qualquer prestígio cultural e moral. O romantismo nos legou pelo menos dois erros duradouros: o primeiro é compreender a subjetividade segundo o modelo do artista; o segundo, compreender o artista segundo o modelo do gênio. O resultado é a crença persistente de que o homem de verdade é aquele que, como o gênio, vive exclusivamente para seu próprio mundo e suas necessidades interiores. Em conseqüência disso, o modo de ganhar a vida parece a esse sujeito moderno – artista genial em potência – algo repugnante, indigno de si, um acidente da exterioridade vulgar e alheia a seu mundo.

A condenação que Lanzón faz do romantismo me parece um tanto duvidosa. Aquela ênfase na liberdade interior, que na prática se traduzia em boemia e mortes precoces, talvez fosse só uma revolta impotente contra algo muito mais antigo – a tirania ancestral do trabalho, que por séculos fez dos artistas apaniguados da aristocracia – no momento em que o amadurecimento da ordem burguesa exigia novas configurações. Como lembra o filósofo pop Alain de Botton, que lançou ano passado um livro sobre o trabalho, “Aristóteles foi o primeiro dos filósofos a afirmar que ninguém pode ser livre e, ao mesmo tempo, obrigado a ganhar a vida”. Como todo artista, por definição, precisa ser livre, o que fazer? O mecenato, além de andar arisco, não é solução – liberdade é o primeiro dos preços que cobra. Restará apenas o golpe do baú?

Calma, não é bem assim. Esse curioso quadro (em inglês) da revista “Lapham’s Quarterly” revela quanto estariam ganhando hoje em seus empregos alguns escritores ilustres, e ainda especula sobre a contribuição que tais ocupações teriam dado à obra que eles nos deixaram. Se Franz Kafka podia ser secretário-chefe do departamento jurídico do Instituto de Seguros contra Acidentes de Trabalho, encarando todo dia memorandos tediosos, por que você – sim, você aí – se revolta tanto contra aqueles releases/jingles/aulas/cálculos/obturações/cirurgias que, no fim das contas, pagam o aluguel?

Talvez tenha chegado a hora de valorizar o exemplo de Graciliano Ramos, caso raro de artista brasileiro que, mesmo em funções públicas, ralava como um burro de carga por ser essa, em sua visão, a única coisa ética a fazer – e quem poderá dizer que sua literatura maior não se alimenta das mesmas crenças? Essa valorização é feita com todas as letras nos saborosos ensaios que o cientista social Luciano Oliveira, professor da Universidade Federal de Pernambuco, acaba de publicar no livro “O bruxo e o rabugento” (Vieira & Lent, 160 páginas, R$ 35,00), sobre Machado e Graciliano:

(…) Graciliano Ramos nunca desempenhou o tipo do “funcionário patrimonial”, nas vezes em que serviu ou mesmo esteve no poder. Prefeito, despediu servidores que nada faziam; diretor da Instrução Pública, contrariou políticos e praticou um ato de antinepotismo inimaginável: despediu a própria irmã junto com um lote de professoras inabilitadas para a função; inspetor de ensino, não faltou a um dia de trabalho, mesmo sendo amigo do ministro. Caso raro, se não inédito, entre nós, esse homem de caráter percorreu, enquanto funcionário público, uma brilhante carreira descendente! Catapultado da prefeitura de Palmeira dos Índios primeiro a um bom – diretor da Imprensa Oficial –, depois a um alto cargo – diretor da Instrução Pública – no seu estado natal, terminou a vida gastando sapato no Rio de Janeiro, fiscalizando escolas secundárias. Para usar uma expressão que lhe era muito grata, “sim senhor”…

38 Comments

  • Prix Dekanun 24/03/2010 at 12:18

    Texto perfeito, que caiu por aqui na hora perfeita. Acho que grande parte do sonho de se viver exclusivamente da sua arte está no fato de que se você for responsável, o trabalho lhe consome. Todo mundo sabe que é muito difícil trabalhar em áreas irmãs ou alheias, e chegar em casa com capacidade de trabalhar na sua “arte”. Não é impossível, é verdade… Mas passar tanto tempo nesse embate, faz a gente sempre se perguntar “mas será mesmo que não tem uma forma de viver somente daquilo?” – Os poucos que conseguem, garantem a inveja.

  • Miguel Carneiro 24/03/2010 at 12:23

    Sérgio,
    Bom DIA!

    Graciliano Ramos, militante, escritor. político, perseguido, confinado pelo pais dos pobres : Getulio Vargas, é reduntante explaar a sua contribuição na literatura brasileira do ciclo regionalista de 45. Antes, tiveram muitos outros, perseguidos que continuaram com a sua pena mostrando um Nordeste que o Brasil não conhecia na época. Viver de literatura neste país do pré-sal,
    só se você for apadrinhado, pelo qualquer ilustre do Sul Maravilha e escrever o que este suposto “editor lhe exige”.
    Quem abraça a profissão de escritor num país de analfabetos, e de laureados com doutorados financiados pelo pré-sal. opa, ainda nem rolou esta Medida Provisória faz por paixão de ofício. E eu peço que a tal Rosângela (essa palhaça que intervém com um humor brega) sistematicamente coloca sua opinião de leiga, que não me futuce com suas postagens idiotas. Eu não sou flor que se cheire. Receba o meu abraço, Miguel Carneiro.

    • Rosângela 24/03/2010 at 22:05

      O quê? Nâo. Nâo estou questionando o “palhaça”, nem o “humor brega”, muito menos o “opinião leiga”, afinal cada um acha o que quer e me sinto até honrada por ter chamado atenção de pessoa tão ilustre… Mas, vem cá! Futucar você com minhas postagens idiotas? Também não estou a reclamar do “Idiota”, pois já me chamaram de coisa muito pior e fiquei pau da vida mesmo.
      O que está me encasquetando aqui é a questão do “futucar” você. Como assim? Estou sendo sincera. Você poderia me sinalizar ou desenhar para que eu compreendesse melhor? Se tiver que pedir perdão pedirei. Se tiver que me justificar, me justificarei. E dependendo do que for, se for algo que não tenha nada a ver e eu tiver que espinafrar ( rsrs) já tá espinafrado.

      Muito obrigada, mas por favor: onde foi a futucação, hômi? Fala aí.

      Sem mais no momento,

      Palhaça de humor brega com opinião de leiga e precisando de uns desenhos para comprender uma flor que eu gostaria de cheirar sim. Por que não?
      Um abraço,
      Rosângela

    • Rosângela 24/03/2010 at 22:16

      Espera? Você é um dos meus leitores? Meu Deus! Mais um. E eu que pensava que tinha uns 4. Mas são uns 5. E você me desculpa, mas nem sei quem é você. Não me lembro, apesar do Carneiro e do MIguel, dois nomes bem proféticos.
      Gente… tô aqui matutando… tenho mais de 4 leitores… nem vou dormir esta noite…
      Veja só… o Senhor Miguel Carneiro, le o meu patético, ou melhor, profético Blog.

      uê… kikoisa legal… o Miguel… lê … meu blog…
      Ô Sérgio, Sergio???
      Você também lê meu blog? Não?
      Puxa…

      Só o miguel carneiro lê meu blog…
      snif… snif… snif…

    • Rosângela 24/03/2010 at 22:27

      Ah, MIguel, só para deixar você tranquilo, não precisa se justificar pois quando li explanar, li explanar. Você acredita que nem vi que errou. Só vi lá embaixo quando você “acorrigiu”?….
      Fica tranquilo, hoje diante de tantos desamores e corrupção, esses errinhos entendíveis não contam mais não. Se a gente se entende mesmo… para que esforçar, né?
      Um abraço MIguel.

      Você gosta de chá de hortelã ou de marucujá? Hum! Um dia tomei um chazinho de maracujá em Angra, depois do almoço, uma delícia, Miguel.

      É isso, filho… a vida é bela. A gente é que complica ela.
      Saúde e muita Paz para você.

      Ela – acrescente aqui o que quiser, só não me chingue, por favor. ( E se escrevi chingar errado, por favor não faça que não entendeu. Tá? )
      Obrigada.
      Ela – ( idem)

    • Rosângela 24/03/2010 at 22:45

      Miguel, vê se ficou bom? Pronto. Agora você tem razão.
      Não gosto de ficar com a razão, não. É muito soberbo.
      Um abraço<
      http://acridoce-oil.blogspot.com/2010/03/rosangela-servindo-como-instrumento-de.html

  • Gustavo 24/03/2010 at 12:30

    (Essas coisas não são novidades; tampouco já, contudo, qualquer visão ilusória de que o artista da palavra pode viver de sua arte, como diz, desde o XIX centênio.) Assim sendo, nada a comentar.

  • Miguel Carneiro 24/03/2010 at 12:34

    Onde se ler: “explaar”, leia-se: Explanar

    • Rosângela 24/03/2010 at 12:35

      Gente, que gracinha que é o Graciliano… que gracinha… Só mesmo muita graça, não? Pois é… então.

    • Tibor Moricz 24/03/2010 at 13:23

      Onde se lê “futuce”, leia-se “futuque”.
      Onde se lê “pelo qualquer”, leia-se “por qualquer”

  • Miguel Carneiro 24/03/2010 at 12:39

    QUAL É O HUMOR QUE EXISTE NA LITERATURA DE RAMOS? ESSA GENTE NUNCA LEU NADA, VIVE DE OITIVA, DANDO OPINIÕES EQUIVOCADAS!

  • OgK 24/03/2010 at 12:46

    Belo texto … e sim
    artistas, pintores, poetas, escritores…
    temos a chave para adentrar o mundo canibal
    “sim senhor”
    mas nem sempre conseguimos voltar inteiros de lá
    perdemos a chave, maçaneta, cadeado e subsistência
    mas não a porta, nós sentimos a porta…, a tradução vem depois.

  • LAILTON ARAÚJO 24/03/2010 at 13:06

    CARO SÉRGIO…

    Boa pergunta! (rsrs)

    Já filosofei sobre a filosofia filosofada e que virou filosofoda!

    Minha contribuição…

    BRINCANDO DE ESCREVER O ABSURDO…

    ( Lailton Araújo )

    Os minerais, vegetais e animais – incluindo os seres humanos – foram dizimados. Calma… Minerais dizimados (diga-se triturados) viram energia. Se a energia se transforma, os minerais não movem a vida? Como? Se a ciência não explica… A escrita edita o absurdo. Viva a liberdade de escrever. Mesmo sem coerências e métricas. Viva a trituração das palavras.

    A vida e não vidas são criações de um único ser supremo? Sabe-se que a maioria das religiões comenta esse assunto! Talvez por falta de liberdade em questionar, ou medo em provocar. Assim, qualquer dano ao cérebro humano será mera coincidência. A humanidade precisa repensar o segredo da solidariedade… Esse dia chegará? Aleluia irmão! Oxalá seja!

    No mundo globalizado, cada moeda – em real, dólar ou euro – gasto de forma irracional, será pago por um contribuinte morador do belo planeta Terra. Existem alguns que não moram… São os excluídos da sociedade! É hora de usarmos a inteligência: “a ambição e o egoísmo” já não podem conviver de forma harmoniosa. Viva os medíocres e não medíocres! São filhos de Deus! Viva os que escrevem e que não escrevem… São amantes da comunicação. Estamos no mesmo barco! Somos minerais, vegetais e animais. Aleluia irmão! Oxalá seja!

    Com a internet à vista, os homens e mulheres que não sabem repartir o capital e o conhecimento, perdem tudo. Não existem espaços para as atuações de egoístas e ambiciosos! Masturbação mental é crime! Crime contra a procriação do conhecimento. É o Universo em encanto para alguns e desencanto para outros. Viva a vida… Viva ou morta! É arte… É literatura!

    Abraços.

    Lailton Araújo
    (Que ainda vive de sonhos…)

    • Rafael 24/03/2010 at 13:49

      Já filosofei sobre a filosofia filosofada e que virou filosofoda!

      Sou um ardoroso defensor da criminalização da aliteração. O Código Penal precisa ser modificado com a introdução, urgente, de um novo tipo penal: o crime da aliteração debilóide. Todo indivíduo que empregar ardis aliteratórios a fim de passar a incautos a falsa impressão de que é dotado de sagacidade e sutileza incorrerá nesse crime hediondo, cuja pena deverá ser suficientemente gravosa, tendo em vista os efeitos deletérios que essa prática ilícita exerce sobre a inteligência e o bom gosto.

    • pedro curiango 24/03/2010 at 16:02

      Rafael, concordo e submeto uma emenda: inclui-se neste crime hediondo o uso de trocadilho debilóide.

    • Rafael 24/03/2010 at 16:53

      Pedro,
      Sua sugestão foi anotada e, não tenho dúvidas, contribuirá enormemente para o “engrandecimento das letras pátrias” (li algo parecido num destes livros de educação moral e cívica escritos à época da Ditadura).

  • Ricardo Rodrigues 24/03/2010 at 13:12

    É um texto muito interessante, e de que qualquer forma nos dias de hoje basta saber que a classe social e dividida de forma um pouco ou até bastante injusta, pois não só os “artistas” estão vivendo do que, pois tenho uma boa formação e está super ou diria difissílimo trabalhar para comprar o pão nosso de cada dia, o lazer, a educação, entre outras necessidades essênciais para sobrevivencia de qualquer ser Humano.

  • leó mariano 24/03/2010 at 13:38

    Esse texto casa muito bem com outro texto editado po aqui, numTodoprosa passado, em que o Michel Laub e outro escritor papearam, nuna mesa redonda – acho que foi em uma Flip – sobre escrever e ter emprego!

    Pra encerrar, Carlos DRumonnd de Andrade foi um bom funcionário público, já Lins do Rego, viche, só tristeza.

    abs

  • Joel 24/03/2010 at 13:54

    Bobagens! Tem tanto advogado passando fome aqui, como engenheiro colhendo cana em Cuba. É a oportunidade que as vezes se encaixa na vida. Paulo Coelho fatura horrores com suas melhores páginas, copiadas de Carlos Castanheda. Nada a ver com qualidade portanto. Nem com, aptidão: Olhem pro Palacio da Alvorada, por exemplo e me digam se vcs acreditam que “fazem” alguma coisa. Tudo já está feito,m meus amigos, eu só me perguinto a Deus: POR QUE.

  • gabriel spinelli 24/03/2010 at 14:08

    É é isso mesmo , ( sou artista plastico) com a banalizaçao de todas as coisas,com a desvalorizaçao dos “valores” com a destruiçao das hierarquias, com o famoso ” tudo pode “sem um certo e errado, o fim so pode ser a derrocada mesmo.
    em uma sociedade em que as coisas estao cada vez mais rapidas em que tudo visa o lucro,o verdadeiro artista, que faz por amor e nao por dinheiro , nao pode existir , ja que arte é contemplação,enlevação da mente e do espirito , é algo sutil demais para uma sociedade grosseira e brutalizada como a nossa.em toda a historia os artistas ja viviam em dificuldades,hoje se tornou ,para nao dizer impossivel, quase impossivel viver de arte.
    e eu sei do que estou falando!

  • Rafael 24/03/2010 at 14:20

    Sérgio,
    Sinto dizer, mas tudo indica que você acabou de abrir as portas que dão acesso ao muro das lamentações. Prepare-se para as copiosas lágrimas que nos inundarão nesta caixa de comentários.

  • Miguel Carneiro 24/03/2010 at 14:32

    “Vamos pro Nordeste, Anarina,
    vamos viver de brisa…..” In Manuel Bandeira

    Sérgio,
    Boa Tarde!

    Alguém de seus leitores interessados na poesia de Rosângela, criadora de cavalos, cujo equino fala inglês:
    Poderá descobir como é tôla, frouxa a “arte” poética dessa senhora no seguinte blog e deduzi de quem se esconde atrás desse pseudônimo:

    http://www.musadesbocada.blogspot.com

    Receba o meu abraço,
    Miguel Carneiro.

  • Paulo Ilmar Kasmirski 24/03/2010 at 14:50

    E quem não e artista, qual a diferença, se o resto e tudo igual

    As pessoas que somos nos se rodeados de tantas palavras inúteis, que são tom inútil como as palavras o tempo desperdiçado, por falta de ensino básico qualificado

    Se não vai ficar como eu treinando ate aprender se não der tempo antes de morrer vou são saber

    Qual a diferença só todos são artista naquilo que faz, e os artistas são duas vezes artistas

    Como vive um escritor de esperança de um dia ser escritor
    Assim como cada um na sua profissão por isso e bom ter varias profissões assim nem uma tem tempo de ficar sem atividade

  • eu mesma 24/03/2010 at 15:20

    Mais chato que esse artigo só VIDAS SECAS… vou ler toda vez que tiver insônia….. ZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZ

    • Contra as antas 24/03/2010 at 15:39

      Você sabe ler?

  • Joao Gomes 24/03/2010 at 15:27

    …e existem os artistas que sonham com o trabalho.
    Caso do Boton. rsrsrs!

    se nao tem pao, que comam brioches!

    A arte de hoje é antropófoga. Cabe, sempre perguntar:

    a) Neste universo capitalista do cotidiano ainda existe espaco para fruição/contemplação da arte?
    b) Se a arte é “produto” as relações que se colocam são relações de consumo?
    c) No índice de “custo de vida” esta incluso “custo de arte”?
    d) “Nunca na história desse país teve tantos blogueiros aspirando o seu lugar ao sol do panteão das artes nacionais”. Logo, o pre-sal permitirá a edição de nossas plêiades e Brasíla será a nova Paris! A Paris dos trópicos. Metrópole do século XXI.

  • Miguel Carneiro 24/03/2010 at 15:31

    “Historia testis temporum, lux veritatis, magistra vitae, nemini qui litteris operam navat satis commendare potest” , assim reza o brocado jurídico e no Novo Código Penal que está em tramitação no Congresso Nacional, acolher em seu bojo o seguinte artigo: “Toda obra literária (poesia, conto, romance, damaturgia) que seja medíocre e o escritor almeje lucros e não o engrandecimento da literatura nacional, deve ser quimada pelo povo, seu veradeiro leitor e juiz em praça pública”. Convido, novamente, os caros leitores desta Coluna a visitarem o blog baiano e ver como anda a literatura na Bahia. Eis o link:
    http://www.musadesbocada.blogspot.com

    Meu abraço, SÉRGIO!
    Miguel Carneiro

  • Miguel Carneiro 24/03/2010 at 16:10

    Como disse Gabo em: “Ninguém Escreve ao coronel”:

    “Vivo de merda”.
    Miguel Carneiro
    Abraços, Sérgio!

  • Alex Sandra 24/03/2010 at 17:37

    O importante de ser escritor famoso ou desconhecido, é o prazer que cada um sente em ler e escrever o que ninguém leu e escreveu. Esse é o prazer que nos leva a dá significado ao que escolhemos fazer com prazer.

  • Xandre Lima 24/03/2010 at 18:08

    É impossível não associar a arte a algo comercial. Não existe arte ou expressão individual no momento em que o artista resolve incoscientemente que precisa da aceitação do outro.

    Mesmo na “revolta artística”, a indignação mostra o “gênio” não por que ele se acha genial, mas por que os outros não entendem sua posição e por isso não o aceitam, ou seja, ele se revolta pois não é aceito e desta forma se auto denomina gênio (por ele ou por seus pares de um grupo que mesmo presente no meio, não é capaz de dizer exatamente o que isso significa).

    Trabalho em uma equipe de inovação de uma empresa de TI, tenho formação em design, e o que vejo é um brainstorm coletivo de idéias, muita criatividade, muita expressão individual, só que influenciada pelo coletivo, nunca tem sua essência em números ou retorno financeiro.

    Claro que as propostas ditas “criativas”, são depois avaliadas por equipes de Business Intelligence, mas isso não torna o trabalho artístico e/ou criativo menos valioso. O que quero dizer é, frente ao mercado atual, é possível sim ser artista e ser parte do mercado sem se vender e ainda obter a aceitação, não de seus pares, mas de uma audiência de massa (mesmo que de nicho).

    Não é preciso guiar sua arte pelas “novas tendências” só para sobreviver (como a atual MPB faz), é possível fazer trabalhos criativos de expressão individual que encontram no mercado seu espaço para florescer e conseguem ser vendidos a quem os aprecia. O artista de ateliê que é alheio às transformações sócio-econômicas morreu. Este artista precisa ser mais criativo na sua arte, nos seus contatos, no seu modelo de negócio, etc…

    Não adianta ficar em casa fazendo arte e se lamentando sobre a sociedade burguesa e a falta de compreensão do outro. Deve-se entender que todos fazem parte da economia, seja ela capitalista ou não. Fazer aquilo se gosta significa fazer parte do construto social, daquilo que os outros a sua volta precisam de você para continuar como sociedade.

  • isaac 24/03/2010 at 18:28

    graciliano > vida.

  • Renata Lins 24/03/2010 at 19:57

    Tenho a impressão de que o Érico Veríssimo também (ralou), né? Acabo de ler uma entrevista da Clarice Lispector com ele, em que comentam o tempo em que ele era adido nos EUA e ela, mulher de diplomata.

  • Francisco Fagundes 25/03/2010 at 16:30

    Existe uma sutil porém substancial diferença entre escrever e publicar seus escritos. Escrever pressupõe prazer na escrita. Publicar pressupõe… o que?… vaidade? Desejo secreto e constante de ser admirado? De ser sempre unanimidade?
    Vanitas vanitatum…

    • Sérgio Rodrigues 25/03/2010 at 17:12

      Fagundes: a vaidade entra no jogo, mas é só uma parte da história. A diferença que você aponta é a mesma que existe entre o peladeiro de fim de semana e o jogador de futebol profissional, entre o pianista que toca pra família e o que enche a sala de concerto.

  • Tibor Moricz 25/03/2010 at 16:40

    Publicar pressupõe talento suficiente – e valor comercial também, que nenhuma casa publicadora é filantrópica, salvo as publicações de efeito para deixar a casa de bem dentro do establishment. – para chamar a atenção de uma editora.

  • Joao Gomes 25/03/2010 at 21:24

    midia media midia.
    midia mede midia.

    O marketing tem sido, muitas vezes, superior a qualidade de quantia substancial dos titulos dos dez mais de VEJA e outras.

    ex.: depois de uma mulher bonita sair do BBB tem opcao de tirar fotos em revistas ….alcada a categoria de modelo; fazer tv, teatro, etc.

    milhares de outras nao tem a mesma chance simplesmente porque nao “apareceu” na midia e exibiu os seus “talentos”.

  • Miguel Carneiro 26/03/2010 at 06:55

    Para os insensatos e medalhões que se dizem doutores da língua pátria e escritores de verdade (?), estou pouco me lixando para esta gente colunhada com o capitalismo em derrocada de grandes editoras:

    ” Cogito ergo sum”; “Crassa seu supina est nescire id quod quis investigare et scire tenetur et debet, praesertim ratione officii, tunc enim ignorans habetur pro sciente”; “Duobus modis fit injuria:aut vi aut fraude”.
    Meu abraço, Sérgio!
    Miguel Carneiro

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