Alice e outros bichos

20/04/2010

1. Minha contribuição ao (bem-vindo) tsunami de informação provocado pela estréia iminente da “Alice” de Tim Burton, hoje na home de Cultura do iG:

Inspiradas nas histórias orais que Dodgson improvisava para uma amiguinha real, Alice Liddell, de 10 anos, as aventuras de Alice são uma das obras capitais da literatura infantil, com tradução para 125 línguas. Mas são mais do que isso: a fúria com que seu autor, matemático de prestígio, empacotou ali paradoxos, charadas, jogos de palavras e neologismos garantiu-lhes um cartaz talvez até maior com os leitores adultos. James Joyce e Jorge Luis Borges estão entre os grandes escritores influenciados por Carroll, que, sob muitos aspectos, foi o maior precursor do modernismo a escrever no século 19.

2. Meu Kindle está acabando de ler “Solar”, de Ian McEwan, e gostando muito. Assim que ele me contar suas impressões finais, prometo dividi-las com os leitores.

3. Claro e informativo este artigo de Claudio Soares, intitulado “Os leitores brasileiros e o livro digital”.

4. Um dos grandes mistérios do terceiro milênio: por que será que a internet predispõe tantos leitores, que na vida real talvez sejam flores de cidadãos, ao ataque histérico e ao insulto grotesco?

5. E o resenhista anônimo da Amazon que, histérico e grotesco, esculhambava qualquer acadêmico britânico especializado em história russa, menos um, acabou se revelando a mulher deste um. Hum…

18 Comments

  • Rosângela 20/04/2010 at 13:21

    Toda minha leitura começa pelos títulos. Ali já entevejo o que foi aprontado para estar sob nossos olhos… iii …
    Os títulos me fazem rir, pensar, buscar, e às vezes, não ler. Sim, dependendo do título, nem leio. Sei que posso ser enganada pelo título, mas prefiro estar enganada a correr riscos.kkkk

    Aqui, quando vi: “Alice e outros bichos”. Parei. Espera. Alice e outros bichos? Como assim? Por quê? E vamos ler, né? E os outros bichos? Não encontrei os outros bichos… Por que será?

    Quer dizer, no final, o especializado em história russa, o hitérico e grotesco esculhambador… bem…

    E os outros bichos?

    Esse Sérgio… Escreve para a gente pensar. E fazer pensar é a maior contribuição que um escritor possa dar aos cidadãos hoje.

    Te ler, Sérgio, é imprescindível neste tempo de tantos aleatórios…

  • G.H. 20/04/2010 at 14:41

    A internet é a morada do canhestro – mais precisamente as caixas de comentários. Liberam o lado negro da força de muita gente que na vida real tem vergonha até de dar bom dia pro vizinho no elevador.

  • Rafael 20/04/2010 at 14:42

    Eu ia comentar, tinha coisas interessantes para dizer, com exemplos e tudo o mais. Ao entrar na caixa de comentários, porém, deparei-me com a manifestação da Rosângela (que fiz questão de não ler, por causa da minha patológica repugnância a textos com excesso de reticências). Acometeu-me aquela tristeza, pensei em quão desinteressante tem se tornado a leitura dos comentários, sempre vulgares, incultos e banais.
    Desisti de fazer meu comentário.
    Valete

    • Rosângela 20/04/2010 at 21:26

      Ô Rafa, vou me cuidar nisso. Farei texros com menos reticências. Você me lê? è que já tenho tão poucos leitores no meu bloga e tendo não leitores aqui, me sentirei tão carente.
      Desculpa. ( Ui já ia colocar reticências no carente, mas resolvi não te ofender. Quem sabe agora você resolve dar, pelo menos, uma olhadinha. E quem sabe umas críticas para me ajudar a ter mais leitores?
      Um abraço, Rafa. E te ler é um prazer. Quero ver sim, ler as coisas interessantes que você tem para dizer, seus exemplos e tudo o mais.

      Sem mais para o momento.
      Rosângela, jumentinha lógica sem repugnância.

  • Escritavanescrita 20/04/2010 at 17:35

    Olá, Sérgio,
    é a primeira vez que comento neste espaço, apesar de ser leitora assídua já há algum tempo. Resolvi comentar para, na verdade, lhe fazer uma sugestão: não é possível conversar com o pessoal que edita a página inicial do IG para que não sejam publicadas chamadas tão distorcidas sobre os seus posts? Parece ser evidente que os comentários mais alterados vêm de pessoas que chegam aqui por meio do IG e se decepcionam ao ver apenas uma notinha de 4 linhas – com certo tom humorístico que, infelizmente, não é perceptível a todos – quando esperavam uma notícia didática e séria sobre o mais novo fato super relevante do mundo (aquele tipo de fato que só grandes “jornalistas” com alguma coisa na cabeça podem relatar). Enfim, o insulto grotesco e o ataque histérico parecem ser decorrência da falha do IG, ao incutir expectativas não realizáveis nos leitores do portal (não do blog). Se a chamada do post anterior na página inicial do portal tivesse sido o próprio título do post, estou certa de que bem menos gente cairia de pára-quedas por aqui. De mais a mais, é bom que mais e mais pessoas sofram essa queda (e viva a inclusão digital), mas creio que esse ajuste de chamadas na página do IG seja útil para evitar aborrecimentos de ambos os lados, leitores e blogueiro. Assim, talvez, tenhamos mais pára-quedistas com, digamos, um mínimo interesse literário (e que entenda que isso é um blog temático e não o jornal Agora) e menos gente raivosa cuja interferência no debate é puramente destrutiva. Isso tudo para não entrar na discussão substantiva, sobre a “relevância jornalística” da nota (infelizmente, tenho essa tendência reprovável de me ater sempre a aspectos formais). Se não estou muito enganada (e, quer saber, não estou mesmo), entre people e pepper não há diferença de apenas uma letra e nenhum Word do mundo corrigiria uma palavra trocando-a pela outra. Chamar isso de erro “ortográfico” é usar uma interpretação excessivamente extensiva de ortografia.

    • Sérgio Rodrigues 21/04/2010 at 10:00

      Obrigado pelo comentário ponderado, mas acho que não convém superestimar a questão da chamada. Chamadas chamam, existem para isso mesmo, atrair um grande número de leitores. Sim, neste caso ela esquentou o fato um pouco além da conta, concordo. Acontece. Mas foi uma chamada impecável que, falando do Bolaño, atraiu milhares de fãs de Bolaños (Chaves) e deixou-os revoltadíssimos com o “jornalismo barato” (ou elitista, parece haver um racha nesse aspecto) do portal e do autor do blog. Foi um episódio ao mesmo tempo hilariante e desolador, não sei se você acompanhou.

      Não vejo muita diferença entre o caso Bolaño(s) e o que ocorreu agora. Receio que a tragédia educacional brasileira, aliada à grossura que o próprio meio digital parece induzir, agrave os inevitáveis ruídos quando se banca um blog “de nicho” num portal “de massa”. Se for isso, paciência, vale o aborrecimento. Sempre se atinge meia dúzia de consciências no final. E vamos em frente. Um abraço.

  • Marcelo ac 20/04/2010 at 18:55

    O “Todo Prosa” é sempre oportuno e interessante. Está sempre afinado com as últimas tendências. Ótimo o texto do Cláudio Soares, mesmo que não concorde inteiramente com ele.

  • Samuel 20/04/2010 at 22:22

    Flores de cidadãos… confundem internet com porta de banheiro de rodoviária… kkk… gostei !!
    No mais, resolvi fazer silêncio no Tribunal… senão a Rainha manda cortar-me a cabeça.

  • Rosângela 21/04/2010 at 07:58

    Para mim, um blog é muito mais que um espaço para ser discutido tendências. É um espaço para mudanças. É um espaço para ser História enquanto as mesmas vão se passando.
    Tudo bem, um blog Literatura aqui, outro blog de História ali, outro de Jornalismo mais a frente.

    Mas se um blog se limita a ser apenas o “mostrante” de seu propósito e o “discutante” de seus objetivos, não abrindo oportunidades para a interação que um blog permite, ele pode perder o bonde que o levará, amanhã, a ser o blog que se permitiu ponte. E ser ponte hoje é bem mais que fazer história, é ser protagonista das mudanças que ficarão nos livros ou e-books dos nossos netos.

    Quem viver verá.
    E se o que eu falei não é propósito e nem objetivo de blogs, os mesmos não deixarão de ser protagonistas das mudanças por isso, mas também, não já sentirão, com antecedência, o gostinho do amanhã.

    Portanto, todos os leitores que fazem uma crítica aos donos dos blogs querendo pôr limite em suas postagens e comentários, estão, simplesmente, se permitindo ser um “emperrador da história”.

  • Rosângela 21/04/2010 at 08:14

    Ah! E os que fazem suas críticas e ao fazê-lo ( aos blogueiros e não aos assuntos) usam de seus “ego-centrismos”, estão apenas perdendo a oportunidade de aprender, de se avaliar, de ser um protagonista da mudança. Claro que somos livres para nos expressarmos. Mas que nossas expressões nunca sejam uma “disforra” diante de nossas invejas, ciúmes, medos, pois isso nos fará amanhecer amanhã com o gosto amargo do arrependimento tardio. Muitos usam de seus desabafos para deixar um notinha negativa sobre a pessoa que nos incomoda. Não devemos cair na História como vilão mas como o mocinho sim, por que não? Como o mocinho que abriu as portas para o bem passar. Por que não? Afinal queremos o mal? Não queremos nem o mal dos bons, quanto mais dos maldosos, não?

    • Rosângela 21/04/2010 at 08:19

      E sem contar que, amanhã, ainda poderemos ser as vítimas… dos “emperradores”…

  • Rosângela 21/04/2010 at 08:20

    Desculpa tomar este espaço, mas fiquei tão indignada com as criticas sobre o kkk, que não pude me reservar o direito de não pagar este mico.

  • Piemont Vinhos 21/04/2010 at 15:24

    Noss…Alice tem dado uma abrangencia nos blogs q eu visitei

  • Gaúcho 22/04/2010 at 09:44

    Sérgio, sem querer me intrometer no seu blog, você não pode instalar um filtro Anti-Rosângela? Sem querer ofender ou cercear a liberdade alheia, essa pessoa monopoliza os comentários com opiniões que não têm nada a ver com nada. Chego a pensar que essa Rosângela é uma pegadinha, de tão inconveniente e sem-noção que é. Antes eu tinha medo dela. Agora, tenho vontade de bater. Pra ver o que a religião faz com as pessoas. Um abraço.

  • Kleberson 23/04/2010 at 10:00

    A internet permite que o lado mais negro de cada um seja exposto sob o anonimato dos codinomes, apelidos… ser mais um no meio de milhões, protege, não identifica. E a imagem que numa sociedade é tão valorizada, prende as reais falas, pensamentos e desejos. Na internet é possível não ter rosto.

  • Saint-Clair Stockler 23/04/2010 at 21:24

    Sobre o item “2” da sua lista: que engraçado, pensei que era você quem lia os livros, não seu e-book reader. Pelo jeito, o mundo anda mesmo mais estranho do que costumo imaginar. Agora a gente não precisa nem mais de leitores humanos! O Nook, o Kindle, o Sony, o iPad, o [insira aqui o seu maravilhoso gadget eletrônico preferido] já leem por nós! Esta sim é a última fronteira: a morte do leitor.

  • Saint-Clair Stockler 23/04/2010 at 21:29

    Sobre o Médico e o Monstro virtuais, a minha teoria é a seguinte: a maioria desses “bons cidadãos no mundo real” que viram monstros na internet A) se forem homens, são detentores de um pau bem pequeno que os impele psíquicamente a procurar alguma compensação na agressividade desmesurada e “machesca” ou B) se forem mulheres, sem acesso a um belo consolo de uns 18 a 22 cm – detalhe importante: razoavelmente grosso – ou um fogão para fazer deliciosas comidinhas (hipótese a ser posteriormente confirmada: talvez essas mulheres sejam casadas com os homens acima mencionados, no item B).

    Não sou machista, chauvinista ou islamista: sou realista.

    • Amâncio Siqueira 27/04/2010 at 08:12

      Além de realista, é bem guei. Achar que alguém é agressivo por ter o pênis pequeno ou por não possuir um “belo” consolo?
      Tem uma fala interessante no Um gosto e seis vinténs (vai parafraseado, pois não sei decorado): Mulheres e sua falta de imaginação. Amor, sempre o amor. Elas não conseguem perceber que fazemos o que fazemos por outros motivos. Tudo tem que ser por outra mulher. Ao que continuo:
      Gueis e sua falta de imaginação. Tudo tem que ser pau, sempre o pau. E o escambau.

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