Amazon, Apple etc.: está online um e-curso intensivo

14/03/2012

Interessado em compreender melhor as entranhas do novo mundo dos e-books, em especial a luta dos modelos comerciais antípodas oferecidos por Amazon e Apple e como se situam escritores, editores e livreiros diante deles? Bem, levando-se em conta que, a maior parte do tempo, o Brasil ainda age como se nada disso existisse, você precisa em primeiro lugar saber inglês. Cumprido tal requisito, não existe curso melhor e mais intensivo do que ler a carta aberta – pró-Apple e grandes editoras – que o escritor best-seller Scott Turow (foto), presidente do Authors’ Guild, a associação dos escritores dos EUA, enviou aos membros da organização. Depois é só tomar fôlego e emendar, rolando a tela, na longa lista de comentários postados no site da AG, divididos entre o apoio e a crítica ao ponto de vista de Turow. Além de ser didático, o debate dá inveja: fora um papalvo internético ou outro, o grau de civilidade, informação, articulação e até estilo dos debatedores é de derrubar o queixo.

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No momento histórico em que a Enciclopédia Britânica deixa de circular em papel, que tal olhar em volta e medir nosso atraso em relação ao país que ocupa a extremidade oposta da palavra Bric? Na China, segundo reportagem da “Economist”, a internet já mudou o panorama literário de cabo a rabo:

Embora os leitores eletrônicos ainda sejam escassos, a internet afetou enormemente os hábitos de leitura. Cada vez mais o público chinês lê livros em telefones, tablets e laptops. As pessoas com menos de 30 anos, que têm mais probabilidade de possuir tais equipamentos, são os leitores mais ávidos… O resultado é um jorro de ficção de massa, escrita (e lida) em websites, não no papel.

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Somos campeões em consumo de celulares, mas você conhece alguém que leia ficção no smartphone? Eu conheço um cara. É um e-editor.

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Nesse quadro marcado pelo que se poderia chamar de analfabetismo funcional literário, o pior é quando o hábito – mais que resignado, satisfeito – de falar para meia dúzia afeta o juízo do cidadão, levando-o a acreditar que quanto menos leitores tiver, melhor. Nessas horas convém lembrar que…

…Nabokov nunca perde de vista a narrativa, a melodia. Desconstruir ou fazer experiências abandonando o leitor tem sido, desgraçadamente, uma prática frequente demais. Creio que é necessário brincar e experimentar sem esquecer o interesse do leitor, e manter a história em alta sem se submeter a ela.

Isso é Enrique Vila-Matas defendendo, em entrevista ao “El País”, aquilo que chama de “vanguarda feliz”, e que poderia ser traduzido por “literatura esteticamente inquieta que não abre mão do prazer nem depende de teóricos acadêmicos para se afirmar” – conceito simples, mas precioso, que o escritor espanhol trata de aplicar mais uma vez em seu novo livro, Aire de Dylan.

4 Comments

  • Vanessa 14/03/2012 at 16:20

    Vc vem pra Feira do Livro de Joinville, Sérgio??
    http://garotadistraida.wordpress.com

    • sergiorodrigues 14/03/2012 at 18:03

      Yes!!

  • Thomas Hobbes 17/03/2012 at 21:46

    Você tem razão: os comentários, contra e a favor do e-book, são de cair o queixo. Nem de longe temos por aqui uma discussão parecida que envolva os aspectos variados ali presentes – lei antitruste, o fim das livrarias, os direitos do autor sobre a comercialização da obra (no caso de lá pela Amazon), o direito do leitor de escolher como deve adquirir/consumir os livros, etc. Descobrir esse blog aqui foi um achado e tanto. Parabéns.

    • sergiorodrigues 19/03/2012 at 11:43

      Valeu, Thomas, apareça sempre.

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