Antologia flípica

13/08/2006

CABEÇA

“Interrompemos o fluxo das sentimentações agendadas, para que brote a visita de um afeto… Escrever é um combate para encontrar lugar no acolhimento. O acolhimento acontece quando o abismo recebe cidadania… Eu habito sempre entre o abismo e o clamor.”

(Juliano Garcia Pessanha, autor de “Ignorância do sempre”, na mesa que abriu a Flip, quinta-feira.)

MINEIRIDADE

“Nó, mas o ser humano é miserável demais, gente!”

(Adélia Prado, hoje de manhã, traduzindo sua descrença na espécie.)

FOFURA

“Eu não quero ter razão, eu quero ser feliz.”

(Ferreira Gullar, ontem, irritando seu companheiro de mesa Mourid Barghouti.)

CURTO E GROSSO

“O que eu posso dizer para você? Existe uma coisa chamada ironia.”

(Tariq Ali, em sua palestra de sexta-feira, quando alguém da platéia o acusou de ser homofóbico e anti-semita por ter citado um trecho de Proust em que o sionismo é criticado à luz da história de Sodoma e Gomorra.)

CURTÍSSIMO E GROSSÉRRIMO

“Aplaudam, seus f.d.p.! É Lilian Ross que está ali!”

(Christopher Hitchens, aos berros na primeira fila da platéia da jornalista da “New Yorker”, exigindo que o público a reverenciasse no exato momento em que ela entrava no palco.)

QUÍMICO

“O cloridrato de fluoxetina me fez uma pessoa equilibrada e agradável.”

(Lourenço Mutarelli, na mesa que dividiu sábado com Reinaldo Moraes e André Sant’Anna.)

ENGRAÇADINHO

“Não penso em meus personagens como pessoas reais. Perguntar se eu sinto saudade deles depois de terminar um livro é como perguntar se eu vou sentir saudade desse microfone quando a palestra terminar.”

(Jonathan Safran Foer, na mesa que dividiu com Ali Smith.)

5 Comments

  • Writing Ghosts 14/08/2006 at 00:58

    se podemos acreditar que “de perto ninguém é normal”, ao adaptar isso para a ‘espécie’: Escritor(a), talvez soe algo como “de perto nenhum escritor é politicamente correto”, ou o que o valha, dentro de uma margem de erro relativamente estreita.

    perfeitamente sudável, contudo. ainda bem que existem estes ‘monstrinhos’. o mundo ganha mais paixão, com eles. e nós somos obrigados a dar tratos à bola, para os aceitarmos ou refutá-los. brilhante… rs

  • pérsia 14/08/2006 at 14:29

    gostei. rs

  • daniel 14/08/2006 at 19:06

    Bem, eu espero que o Ferreira Gullar seja muito feliz, sinceramente.
    E ainda bem que ele não faz questão de ter razão.
    Porque, venhamos e convenhamos, é só dar uma lida nas abobrinhas e reacionarites que ele vem falando sobre, ahn, tudo, pra gente ver que só lhe resta ser feliz mesmo.

  • ALFREDO GARCIA 14/08/2006 at 20:06

    Caro Daniel:
    Acho que vc pegou pesado com o Gullar. Entendo a frase dele, não acho que seja reacionário, até já li comentários nesse sentido após entrevista dele à uma revista nacional. Mas, convenhamos, Gullar está muitos furos acima de qualquer poeta de hoje em dia, assim como Rubem Fonseca, mesmo em seus piores dias, está a trocentos anos à frente de nossos prosadores contemporâneos.

  • luciano 16/08/2006 at 21:17

    Este Christopher é um bobalhão.

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