Bomba, bomba: Günter Grass foi nazista militante

15/08/2006

Depois de uma Flip encharcada de política, o Todoprosa gostaria muito de mudar a chave da conversa, mas brigar com notícia não dá. Os meios literários alemães estão em tumulto desde que Günter Grass, Nobel de Literatura de 1999, revelou ao jornal “Frankfurter Allgemeine” que foi nazista e chegou a pertencer às tropas da SS em 1945, no final da Segunda Guerra, quando tinha 17 anos.

Grass, autor de “O tambor”, é – ou era? – um dos principais nomes do movimento artístico que ficou conhecido como Vergangenheitsbewaeltigung (algo como “acertando as contas com o passado”). Seu papel de consciência moral de uma geração, desempenhado ao longo de décadas, torna a revelação de agora mais chocante.

Joachim Fest, biógrafo de Hitler, é uma das vozes que criticam mais duramente o escritor. “Não entendo como alguém pode se colocar numa posição de superioridade por 60 anos e só então admitir que também esteve envolvido. Para usar um dito popular, eu não compraria um carro usado dessa pessoa.”

O livro de memórias em que Grass fala de sua adolescência durante a Segunda Guerra, “Descascando a cebola”, sai em setembro. Para justificar o longo silêncio, o escritor disse que sentia vergonha do passado. Se resolveu falar agora, afirmou, é porque o segredo “estava pesando”. Notícia completa do “Guardian”, em inglês, aqui.

47 Comments

  • Marcelo Moutinho 15/08/2006 at 15:38

    Li sobre o mea culpa dele em O Globo de hoje e fiquei como todos ficaram: abismado.

  • joao gomes 15/08/2006 at 15:41

    …mais um motivo para nao le-lo.

  • Marcelo Moutinho 15/08/2006 at 15:46

    Aliás, a questão suscita mais uma vez os célebres versos do Chico: ainda que os poetas sejam falsos, serão bonitas a canções?

  • Te 15/08/2006 at 15:50

    Mas o Papa também não foi? Quanta gente já não fez coisa errada na vida? Como dizia Cristo, que atire a primeira pedra quem nunca errou. Melhor não, corre o risco de acontecer o mesmo que em O grande mentecapto :-).

  • Delsio 15/08/2006 at 16:01

    Corajoso por admitir, mesmo atrasado. O cara tinha 10 anos quando a guerra começou e 17 quando terminou. Como não ter se envolvido e engajado quando seus pais , seus vizinhos tinham a coisa como uma paixão, como a coisa certa a fazer?!

    Ainda bem que trouxe o esqueleto para fora!

    Abs;

  • maria 15/08/2006 at 16:13

    consciência moral era?
    hahahahahaha

  • Vinícius Trindade 15/08/2006 at 17:07

    Pô, o cara tinha 17 anos, cresceu num país humilhado, não dá pra julgar assim, cheio de moral, 70 anos depois e totalmente fora de contexto. Isso não influi em nada a literatura dele. Deixem de ser fofoqueiros ou vão todos ler “Caras”.

  • Edu 15/08/2006 at 17:27

    Uma analogia: aquela turma da bossa nova, no auge da repressão não queria nem saber (coniventes, omissos), ficavam em seus apartamentos de classe média cantando e compondo “odes” ao tédio, assumindo as posturas acima citadas e ninguém os achincalhou, ao contrário. Quem não se arrepende de algo que atire a primeira ofensa barata. Vão ler Contigo e Placar, ô ignorantes de plantão.

  • Dick 15/08/2006 at 17:40

    Edu, como você é burro… Queria o quê, que ficassem cantando “Pra não dizer que não falei de flores”, com o resto da boiada? Adiantou muito…

    Quanto ao assunto que interessa aqui: alguma dúvida de que, em se tratando de Alemanha, também a “consciência moral” só pudesse ser nazista? Uma mancha dessas não se limpa, nunca.

  • Cris 15/08/2006 at 17:45

    Realmente não consigo entender pq uma pessoa, para discordar do argumento de alguém, tenha q começar chamando-a de burra. Haja grosseria!

  • Edu 15/08/2006 at 18:39

    Quando falo em ignorantes de plantão, não me refiro só ao Dick (“Dick”???, ah,ah,ah,ah). É apenas mais um na massa (“sic”, rimou, eh,eh,eh.). Vou dar um “click”, ih, outra, quá,quá,quá.

  • euheim 15/08/2006 at 21:01

    A maioria dos judeus hoje em nome da auto-defesa defendem o direito de Israel bombardear o Libano e matar civis. Com 17 anos o cara nao devia saber das atrocidades de Hitler. Hoje temos a TV e internet nos informando diariamente das mortes no Libano e mutos judeus defendem Israel. Dizem que na guerra pode-se tudo. Pois é a Alemnaha estava em guerra!

  • Neivair Araujo Mascarenhas 15/08/2006 at 22:39

    Uma pessoa que confessa publicamente um erro, qualquer que seja, merece minha atenção, pois neste mundo de falsidade e ilusão, enganar já virou virtude. E se alguém é famoso, pela razão que for, a confissão é ainda de maior valor, é prova que a tal “virtude” ainda não está no trono. Certamente, muito certamente, tiro o chápeu (que uso) para ele, pois desfaz a ilusão na idade certa, quando os derradeiros momentos estão na esquina.

  • Pedro Curiango 15/08/2006 at 23:57

    O importante é considerar o CARÁTER do escritor. E parece-me que não há muita diferença entre o jovem de 17 anos que era voluntário das hostes nazistas e o escritor premiado que toma hoje atitudes às vezes anti-democráticas. Seja de que lado for, o fato é que Günter Grass está sempre defendendo algo que se encoberta na irracionalidade.

  • sonho bom 16/08/2006 at 06:36

    É. O que passou, passou…mas….qual será o pensamento dele sobre o massacre que israel promove, ao vivo e com cores bem definidas?

  • Marcus 16/08/2006 at 08:40

    Não consigo entender como é que alguém pode criticar o Grass por isso. Leio o comentário do Neivair e concordo com cada linha.

    Tinha alguém obrigando ele a confessar? Não! Descobriram o segredo antes dele revelar? Não! Ele tinha algo a ganhar com a revelação? Não!

    Ou seja, a revelação foi ditada única e exclusivamente por sua consciência. Como é que alguém pode achar isso ruim? Gente sem caráter toma decisões assim?

    Cada vez entendo menos esse mundo.

  • leonel de souza 16/08/2006 at 09:20

    A história da humanidade é a história das guerras, em relação à segunda guerra mundial, dois fatos se tornaram estarrecedores, e nos atinge até hoje, o holocausto e a explosão das duas bombas atômicas, no mais, foi igual às outras guerras. Em relação ao escritor, ele tinha somente 17 anos, era um garoto, dificil julgar, ele tambem foi vítima de uma guerra.

  • Sérgio Rodrigues 16/08/2006 at 09:36

    Só para orientar a discussão e esclarecer um ponto que tem provocado confusão: as críticas que Grass vem sofrendo na Alemanha têm a ver com o atraso de sessenta anos da sua confissão, não com a confissão em si. Ele foi um dos artistas e intelectuais que durante décadas pregaram a retirada de todos os esqueletos do armário, transparência total para lidar com as culpas do passado. E demorou um pouquinho além da conta para aplicar a regra a si mesmo. Esse é o centro da questão.

  • leonel de souza 16/08/2006 at 09:54

    Os meus podres eu escondo, mas a muié logo discobre…………….é impressionante não terem descoberto o passado desse escritor antes, certeza que muitos sabiam.

  • maria 16/08/2006 at 11:00

    Contam na Alemanha que a ex-consciência moral gosta muito de dinheiro. E que a confissão é um lance publicitário para vender o livro que ainda será lançado.

  • Paulo Osrevni 16/08/2006 at 11:05

    Quando a guerra começou, ele tinha 11 anos. Quando acabou, tinha 17. O verdadeiramente surpreendente é que depois da guerra ele não tenha se tornado um maluco ou um terrorista neo-nazi. Acho absurdo alguém querer crucificar o cara por não ter sido um adolescente visionário, que no meio do segundo grau ministrado por nazistas percebeu o absurdo que era aquilo tudo em que ele crescia… O cara ainda tem crédito.

  • Saint-Clair Stockler 16/08/2006 at 11:22

    Como alguém já disse aí em cima: o Papa (que é a cara do Imperador do Star Wars, já repararam?) também foi e é agora quase santo. Além disso, antes tarde do que nunca: aceito o fato de que ele não falou antes por vergonha. Ele era um MENINO gente! Tentem se lembrar do que vocês tinham na cabeça com 17 anos. Pois é: ele também era assim. Não dá pra querer cobrar (e culpar, o que é pior) postura ética e moral de um menino de 17 anos quando tanta gente mais velha, “madura” e intelectualmente importante aderiu entusiasticamente ao Nazismo. Por mim, ele tá perdoado.

  • pérsia 16/08/2006 at 12:15

    o comentário do sérgio aqui foi mais elucidativo que na coluna.
    acredito que ainda “são bonitas as canções”, mas é tão “xulé” o confessar agora como o papa perguntando onde estava deus, em visita a um campo de concentração. cinismo puro.

  • leonel de souza 16/08/2006 at 13:14

    O Papa perguntando onde estava Deus é realmente impressionante, é algo pra se pensar e repensar o papel das religiões na história da humanidade, razão de tantas atrocidades.

  • träsel 16/08/2006 at 13:54

    muita gente boa entrou para o partido nazista simplesmente para continuar vivendo naquela época. se grass tinha apenas 17 anos, provavelmente nem sabia do que estava falando.

    por outro lado, sendo ex-SS, ele sabe melhor do que ninguém o que se passou. por que não poderia acertar as contas com o passado?

    na boa, eu também ficaria em silêncio. aliás, mantenho em silêncio muita coisa que fiz até os 21 anos.

  • träsel 16/08/2006 at 14:01

    ah, com a explicação do sérgio fica mais fácil de entender a polêmica, mesmo. bom, nesse caso, realmente, a situação dele se complica mesmo.

  • träsel 16/08/2006 at 14:18

    http://www.zeit.de/2006/34/Leiter-1-34

    o articulista do die zeit diz que a confissão de grass foi “desnecessária” e sugere que ele na verdade deu foi um golpe de marketing, mesmo.

    no último parágrafo, lembra que o passado nazista de grass teria sido descoberto de qualquer modo após sua morte e se pergunta se ele “quis dar a má notícia pessoalmente a seus admiradores”.

    de forma geral, passa uma visão meio patética do escritor.

  • Francisco 16/08/2006 at 18:18

    Deus me livre de alguem ficar sabendo das bobagens ridiculas que fiz ants dos 18 anos (maturidade legal…). Grass provou que é hu-ma-no. “O Tambor” agora é um livro maior e é prova de que o nazismo vitimou até mesmo alguns alemâes.

  • Carlos 16/08/2006 at 20:43

    É por isso que, pessoalmente, eu sempre achei que livro de memórias deve ser de publicação póstuma, já que se vc quiser ser verdadeiro em vida- e de perto ninguém é normal – vc vai ter que aturar os moralistas de plantão como esse Lech Walesa, que ficou milionário pregando o anti-comunismo mais primário, privatizou a Polônia ao capital estrangeiro, foi um eficiente fantoche de Ronnie Reagan, e tem a coragem de criticar quem, aos 17 anos e no meio da debacle de uma ditadura que estava enforcando desertores nos postes, esteve fugazmente na SS…Era melhor ter mentido para não aturar isso, mas, aí, para que escrever memórias?

  • marco 16/08/2006 at 20:52

    ” Se resolveu falar agora, afirmou, é porque o segredo “estava pesando”. ”

    Negativo.
    Resolveu falar agora para ganhar mais dinheiro ainda com sua biografia ( recém lançada) aonde conta o segredo de folhetim.

    \A coisa deu certo. Tanto que sua editora passou a produzir freneticamente os novos exemplares destinados a matar a curiosidade de leitores excitados com a ” controvérsia ”

    Algo assim como MV Bill – que só mostrou seu documentário e seus meninos na poderosa Globo – assim que a editora informou que o mercado estava devidamente abastecido com o livro do MV Bill sobre os meninos do tráfico.

    Nada, mas nada mesmo escapa do dinheiro a qualquer custo de nossos tempos.

    ma
    ma

  • Kleber 16/08/2006 at 21:52

    Pelo menos admitiu… podia levar pro túmulo essa…
    Mas, quanto aos livros dele, não acho nada maravilhoso!!!, mas são bons…

  • Marcus 16/08/2006 at 22:41

    Agradeço ao Sérgio Rodrigues pelo esclarecimento. Tendo a concordar, em parte, com as intervenções do Träsel.

  • Palerma 17/08/2006 at 00:13

    Não entendi a surpresa… Gunter Grass sempre foi um porco, lambe-botas de todos os ditadorezinhos de “esquerda” que empestearam o mundo do pós-guerra; o passado nazista dele é absolutamente coerente com o resto de sua vida; só mudou o sinal.

  • pérsia 17/08/2006 at 00:15

    então francisco, que bom procê, os meus erros da maturidade são muito piores , não tenho a desculpa da pouca idade. pois é perdoa-se o pertencer aos nazi a grass e bento, eram jovens. mas não o cinismo de adultos e falando a respeito esconderem o passado. deveriam ter se perguntado em público onde estávamos nós então?

  • sonho bom 17/08/2006 at 07:00

    Pois é. E hoje; onde estamos que não conseguimos parar este massacre contra o Líbano.

  • Fábio 17/08/2006 at 10:27

    Ou este massacre no Rio, SP, fome no Nordeste e etc…

  • Miguel 17/08/2006 at 12:32

    Sérgio, a “bomba” neste caso não é que ele tenha sido nazista. Ele já dissera em 2000 ter sido membro da juventude hitlerista. A mentira foi sobre como se deu esse envolvimento.

  • pérsia 17/08/2006 at 13:27

    verdade, sonho bom, pecado por omissão.
    estou aqui explicando pros meus alunos que qana é canãa, pra saberem que não é de ets distantes que estamos falando.

  • Pedro Curiango 17/08/2006 at 14:11

    Mais uma vez se comprova o que disse Doriat, ao fundar o partido nazista francês na década de 1930. Perguntado sobre onde iria buscar adeptos, disse: “No Partido Comunista.” Ou seja, a “extrema esquerda” alimenta a “extrema direita” que, por sua vez, alimenta a “extrema esquerda” e assim até o fim dos tempos… É pura geometria euclidiana…

  • Carlos 17/08/2006 at 15:43

    Bom, pelo que parece, ele havia alistado-se no exército regular e foi encaminhado à SS…e mesmo que tivesse sido voluntário, a não ser que ele tivesse se envolvido em alguma atrocidade, o episódio é um podre pessoal que ele não tinha qualquer obrigação de revelar e que não compromete sua obra. Qualidade como escritor e pensador não é garantia de vida privada imaculada. Senão não se poderia ler Céline & Drieu La Rochelle, que foram colaboracionistas assumidos e apoiaram explicitamente a “solução final”.

  • Carlos 18/08/2006 at 10:06

    E gostaria de acrescentar mais uma coisa: Grass nunca pertenceu à Extrema Esquerda, sempre foi membro de carteirinha do Partido Social-Democrata, dentro do qual tomou posições mais a Esquerda. E só.

  • gunnar 18/08/2006 at 10:36

    Grass já fazia parte das forças armadas alemãs ao decidir pelo alistamento na Waffen SS, que só aceitava voluntários.
    Com o ato, vislumbrava a possibilidade de afastar-se da família. Nada de anormal para a idade.
    Melhorem o nível da discussão!

  • Anita 18/08/2006 at 16:39

    Ele tinha apenas 17 anos e com certeza foi manipulado pelo governo que endeusava Hitlher. Hoje, mesmo com Internet, as coisas não mudaram muito, pois Bush, Saddan, Lula e outros são “MARAVILHOSOS” exemplos a serem seguidos. Então atire a primeira pedra quem duvidar!!

  • Carlos 19/08/2006 at 14:54

    Gunnar: A SS só aceitava voluntários, mas nas condições do final da guerra, com o Terceiro Reich perdendo feio, e Hitler querendo minar o poder do exército regular depois do “complô da bomba” (Stauffenberg), a SS ganhou preferência para incorporar recrutados, e pelo que o Grass parece dizer, ele alistou-se no Exército e viu-se incorporado numa unidade SS. Sobre o que era, aliás, o clima geral da época, recomendo um romance que caiu nas provas do Instituto Goethe há alguns anos: Der Eulenruf (o chamado da coruja) de Irina Koschunow (alguém pensa em traduzir, aliás?).

  • Turenne 20/08/2006 at 09:07

    porra. não entendo qual é o problema. o cara tinha 17 anos. todo mundo na época era recrutadao, ele achava que tava defendendo o país dele.
    não vejo qual é o drama. se aqui no Brasil, um adolescente de 176 anos, mata dois jovens, estuprae sodomiza menina e aos 19 estará fora da cadeia, o bom e velho gunther pode ter sido nazista, ainda mais tendo se arrependido

  • Zequinha 22/08/2006 at 20:12

    Tá bom. Em 1945 ele tinha só 17 anos e não sabia das atrocidades de Hitler.

    Mas em 1955, ele estava com 27 anos, e já sabia das atrocidades de Hitler. E nada revelou sobre seu passado.

    Em 1975 ele estava com 47 anos, já sabia das atrocidades de Hitler e faturava os tubos como guru da desnazificação.

    E nada revelou sobre seu passado. Ao contrário, apontava o dedão duro pros nazistas que, ao contrário dele, não conseguiram esconder seus podres.

    Em 1985 estava com 57 anos… 67 em 1995…

    É… não dá pra comprar carro usado dessa carniça… quanto mais livro!

  • Carlos 23/08/2006 at 15:20

    Esconder seus podres é o que?Uma coisa é vc ter passado pela SS no fim da guerra, outra esquecer que comandou um extermínio, não? E ninguém acusou Grass de nenhum ato concreto de denúncia, apenas de não ter feito jus à sua reputação de intelectual de Esquerda. A mim isto tudo me parece muito mofino, muito ilustrativo daquele aforisma do Hegel que dizia que para o criado de quarto não existem grandes homens, porque o criado de quarto só consegue ver neles o que é capaz de ver em si mesmo. O que há é o seguinte: como todo ser humano, Grass tem defeitos (surpresa!) mas ele é também um grande escritor e intelectual, e, sinceramente, ele sequer tinha a obrigação de revelar este acontecimento! Heidegger, que viu em Hitler a realização de sua filosofia e fez um discurso como retor da Universidade de Freiburg nestes termos, morreu 30 anos depois do fim da guerra, e sua sordidez pessoal jamais comprometeu a apreciação geral a respeito da qualidade da sua filosofia. Os moralistas de plantão vão ter de dormir com essa: Grass é um grande escritor, ponto.

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