Borges para ouvir

16/01/2007

O site da Harvard University Press oferece gratuitamente arquivos de áudio com trechos de duas das seis palestras proferidas na universidade americana por Jorge Luis Borges em 1967-68, no ciclo Norton Lectures, sob o título This craft of verse. Para melhor temperar o acepipe, a HUP avisa que só recentemente as gravações foram descobertas nos arquivos da universidade. A qualidade do som é muito boa.

Ali podemos constatar tanto o conhecido talento dramático do escritor argentino, com seu histrionismo contido, quanto um surpreendente – em autor famoso por sua anglofilia – sotaque carregado. Em resumo: imperdível para borgianos e divertido para curiosos em geral.

Quem se interessar pelo áudio completo das palestras pode comprar o CD no próprio site. As conferências de Borges no ciclo Norton foram publicadas no Brasil como “Esse ofício do verso” (Companhia das Letras, 2000).

Via El Boomeran(g).

23 Comments

  • Mr. Ghost(WRITER) 16/01/2007 at 12:26

    Será que alguma editora brasileira se candidata a lançar um cd desses por aqui? Há tantas editoras lançando tanto lixo em forma de livros por ai que penso não custar nada lançar algo assim por aqui…
    Que achas Sergio?

  • Rocker girl 16/01/2007 at 13:11

    Outra coisa que vale a pena para quem gosta de Borges é pegar no DVD e assistir “Um amor de Borges”, filme argentino sobre o romance dele com a primeira namorada, que não chega a se consumar porque ele não consegue transar com ela. Passou rápido pelo cinema e pouca gente viu.

  • Sérgio Rodrigues 16/01/2007 at 13:50

    Caro Ghost, se você se refere ao próprio CD do Borges, em inglês, não vejo como lançar aqui. Um abraço.

  • Saint-Clair Stockler 16/01/2007 at 14:52

    Vocês já viram a edição especial de “A hora da estrela”, que vem com 2 cds, lida pelo Pedro Paulo Rangel e com a participação da Bethânia na leitura da dedicatória? O máximo!

  • Tibor Moricz 16/01/2007 at 15:05

    Clarice em seu melhor momento…

  • Pedro Curiango 16/01/2007 at 16:18

    Tive oportunidade de ver Borges algumas vezes, inclusive tirei um retrato dele ao lado de minha mulher. Nas pouquíssimas palavras que trocamos falamos em espanhol – Borges não sabia português. Ouvi-o pessoalmente falando inglês (sotaque muito carregado) e, numa das vezes, ele estava acompanhado de um mulher com quem se casou, depois da morte da mãe e antes da Maria Kodama, e que, falava-se a boca pequena, seria a tal antiga namorada. Não é de estranhar o sotaque de Borges. Por causa da relativa pobreza do sistema vocálico em espanhol, os que têem esta língua como materna se livram mais dificilmente de sotaques em certas línguas estrangeiras. [Para a percepção comum, o espanhol tem basicamente 5 vogais fonêmicas; o inglês e o português têem mais de dez!] Além disso, Borges vem de uma época em que a palavra falada é quase insignificante em face da palavra escrita. Quando a maior parte da comunicação se fazia pela escrita, o grande conhecimento de uma língua pouco tinha a ver com a habilidade em repetir sons a que não se foi acostumado desde a infância.

  • Clarice 16/01/2007 at 16:19

    Saint-Clair,
    Deve ser bom sim. Mas confesso que não vi o filme e não quero ouvir a voz do narrador pelo Pedro Paulo Rangel.
    Eu prefiro ficar com a voz que escuto (ao ler o livro, claro, não costumo ouvir vozes pelo menos até agora – um dia quem sabe? eu consigo)
    Vou ter de atualizar o Realplayer.
    Ele não lê MP3.
    Agora vou indo que meus filhos estão me chamando.

  • Clarice 16/01/2007 at 16:20

    Ué! Mas eu não tenho filhos.

  • Sérgio Rodrigues 16/01/2007 at 17:04

    Curiango: de fato, até meados do século XX era comum que intelectuais fossem capazes de ler perfeitamente numa língua sem falar uma única palavra dela. Mas Borges, cujo pai tinha ascendência britânica, teve educação bilíngüe na primeira infância, falava inglês e espanhol em casa, lia Shakespeare no original na puberdade. Daí a minha surpresa com o sotaque forte. Um abraço.

  • Saint-Clair Stockler 16/01/2007 at 17:31

    Sei lá, há mais mistérios do que imaginamos nessa coisa de falar uma língua estrangeira: FHC e Jô Soares moraram, respectivamente, na França e na Suíça e o meu francês é muito melhor do que o dos dois juntos – e eu nunca morei na França ou em nenhum outro país que fale francês. Em compensação, meu inglês falado é uma tragédia de proporções bíblicas.

  • Clarice 16/01/2007 at 17:33

    Inclusive sua avó, que era inglesa, falava inglês em casa. Ele leu o Quixote pela primeira vez em inglês. Disse numa pequena autobiografia que quando leu o original em espanhol achou uma tradução mal feita.
    Fiz a transcrição do “Advice to writers” pois acho que todos querem. O sotaque é forte mesmo.
    Não entendi uma palavra que deve ser ou um autor ou um livro de referência:
    Advice to Writters
    (…)So that ready authors give advice to writers, I do not think they need it, because everyone has to find all things by himself.
    I would give them simply this one:
    I would ask them to tamper as little as he can with a homework. I do not think tinkering is any good. I think that the moment comes when one has found out what one can do. When one has found out once natural voice once rhythm.
    And then I do not think that slight imendations should prove useful.
    When I write I think not as a reader, because readers are, of course, an imaginary charachter, I do not think at myself, perhaps I’m a imaginary character also. I think of what I’m trying to convey and I do my best not to spoil it.
    When I was young I believed in expression. I have read _____ nãosei and reading______ did me no good.
    I wanted to express everything. I thought, for example if I needed a sunset then I should find the exact word for a sunset, or the exact or rather the most surprising methafor.
    Now I have come to a conclusion. And this conclusion may sound sad. The conclusion is that I no longer believe in expression. I only believe in ilusion.
    Because after all what are words?
    Words are symbols for shared memories. If I use a word than use our experience of what the word stand for. If not the word means nothing to you. And I think we can only use we can only try to make to reader imagine.
    I think that the reader, if he is quick enough can be satisfied or merely hate something.

  • Clarice 16/01/2007 at 17:35

    esqueci de fechar o itálico no nãosei era para ter ido assim.
    Paciência.

  • Pedro Sette Câmara 16/01/2007 at 17:36

    Sim, a pronúncia também me surpreendeu. Esperava que ele falasse com o famoso Oxford accent.

    Sobre a capacidade de ler em uma língua estrangeira e não falar, há a maravilhosa história do Paulo Rónai, que aprendeu português sozinho na Hungria e, quando chegou a Portugal, não conseguiu entender nada do que diziam pela falta das vogais. Apenas no Brasil, disse, reconheceu a língua que estudou.

  • Pedro Curiango 16/01/2007 at 18:45

    Clarice: o autor que você não conseguiu identificar na fala de Borges é [Benedetto] Croce, filósofo italiano, autor de um dos mais importantes tratados de Estética no século XX, provavelmente o que o argentino teria lido.

  • Fabio Negro 16/01/2007 at 18:49

    Ele tem um livro,l e o talvez o audio esteja rodando por aí, chamdo “Curso de Literatura Inglesa”, que é a transcrição de um… CURSO DE LITERATURA que ele ministrou em alguma universidade americana.

    (porquÊ eu não tenho coragem de chamar uma instituição americanda de “faculdade”, e acho empáfia chamar instituição brasileira de “universidade”?)

  • Saint-Clair Stockler 16/01/2007 at 22:25

    Clarice, você dá aulas de inglês?

  • João Marcos Cantarino 17/01/2007 at 00:34

    Fabio Negro, o livro a que se refere são transcrições das aulas que Borges ministrou na Faculdade de Filosofia e Letras da Universidade de Buenos Aires, no ano de 1966.

  • Clarice 17/01/2007 at 08:35

    Croce, claro. Mas ouvindo “Groiche” ficou difícil e pensei que fosse um autor russo. Eu desconheço totalmente a obra dele e vai continuar assim.
    Obrigada Pedro.

  • Clarice 17/01/2007 at 08:38

    Saint-Clair,
    Não dou aula, deus me livre. Já traduzi, transcrevi fita e fui intérprete em alguns eventos.

  • Paulo 17/01/2007 at 16:05

    Fabio Negro, a isso chamamos subserviência cultural.

  • Saint-Clair Stockler 17/01/2007 at 16:32

    Que pena, eu ia querer ser seu aluno :-(

  • Silvino Ferreira Jr. 20/01/2007 at 15:27

    Fábio, o conteúdo do livro citado por você, não são aulas dadas em alguma universidade americana e sim ao período
    em que Borges lecionou Literatura Inglesa na Universidade de Buenos Ayres. Se não me engano, foram 11 anos e, segundo o próprio Broges, o período mais feliz da sua vida. Aliás, ele conseguiu a vaga com ua carta em que dizia: sem que me desse conta, há 52 anos venho me preparando para ocupar esse posto.

    ab – silvino

  • Antibush 13/02/2007 at 15:35

    Watch subject. Bush and the Republicans were not protecting us on 9-11, and we aren’t a lot safer now. We may be more afraid due to george bush, but are we safer? Being fearful does not necessarily make one safer. Fear can cause people to hide and cower. What do you think? How does that work in a democracy again? How does being more threatening make us more likeable?Isn’t
    the country with the most weapons the biggest threat to the rest of the world? When one country is the biggest threat to the rest of the world, isn’t that likely to be the most hated country?
    Are we safer today than we were before?
    We have lost friends and influenced no one. No wonder most of the world thinks we suck. Thanks to what george bush has done to our country during the past three years, we do!

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