Cachê de Gabriel o Pensador não incentiva a leitura

23/04/2012

Gabriel o Pensador: cachê polêmico (Ana Nascimento/ABr)

O poeta e frasista gaúcho Fabrício Carpinejar criou um fato cultural mais relevante e atual do que a polêmica entre Caetano Veloso e Roberto Schwarz ao cancelar ontem, por meio de uma carta aberta, sua participação na Feira do Livro de Bento Gonçalves (RS). Motivo: a organização do evento acertou um cachê de R$ 170 mil com o rapper e autor de literatura infantil Gabriel o Pensador, depois de, alegando limitações orçamentárias, fechar com Carpinejar e outros escritores um pagamento de apenas R$ 1 mil.

A questão é relevante porque acende um raro holofote numa zona de fronteira típica do ambiente literário dos últimos anos: aquela em que os velhos valores cabeçudos, introspectivos e desprovidos de vintém da leitura se cruzam com os da sociedade do espetáculo, essa senhora rica, espalhafatosa e desmiolada. Uma espécie de metáfora coletiva do casamento de Arthur Miller e Marylin Monroe.

A tentativa de transformar escritores em atores e livros em objetos cênicos da grande peça que hoje se encena mundo afora, chamada “Celebridades”, tem promovido a proliferação de feiras e “festas literárias” pelo país, na esteira do sucesso da Flip. Isso faz de escritores viajantes contumazes e lhes proporciona uma bem-vinda fonte alternativa de renda. O que é bom, mas esbarra em alguns limites.

Escritores, com raríssimas exceções, fazem uma figura pobre como astros pop. Mesmo quando desenvolvem um estilo performático, ebuliente ou histriônico de se apresentar no palco – e o próprio Carpinejar é um dos que se inclinam por esse caminho – costumam perder para qualquer cantor indie do YouTube. Isso não significa que a literatura esteja fadada à derrota, apenas que ela exige ser avaliada por outros critérios. Não é o que vem ocorrendo.

Em nome do “incentivo à leitura”, promotores de cultura de diversos escalões têm optado por lotar auditórios de gente semiletrada ao contratar um nomão que sirva de isca – é disso que se trata no caso de Bento Gonçalves, embora o tratamento de “nomão” dispensado a Gabriel o Pensador cause estranheza. A suposição é que uma pequena parte do público, como migalhas caindo da mesa do banquete, chegará até as atrações menos dotadas de “celebridade”. Muitas destas aceitam o jogo perverso e participam de eventos do gênero sem ganhar um tostão, contentando-se com passagens e hospedagens.

É uma regra do liberalismo econômico que cada um tem o direito de cobrar por seus serviços aquilo que toparem pagar. Tudo bem. Mas parece claro que um “incentivo à leitura” muito mais sério e eficaz – além de mais barato – seria promover a visita de escritores a salas de aula, por exemplo, combinada com programas de leitura e discussão. O problema é que isso não sai no jornal nem se encaixa na trama de “Celebridades”, aquela peça global.

O caso Bento Gonçalves é uma boa oportunidade de abrir a discussão sobre essas questões. O jornal gaúcho “Zero Hora” vem acompanhando o caso.

55 Comments

  • Raquel Sallaberry Brião 23/04/2012 at 14:11

    Sérgio,
    muitíssimo bem colocado. Pode ser bom, mas de fato esbarra em alguns limites.

  • Joselia Aguiar 23/04/2012 at 14:18

    ótimo texto, Sérgio.

  • Raul Cézar 23/04/2012 at 14:25

    Fica claro que o objetivo da feira não é incentivar a leitura. Chamando celebridades, a comissão da Feira só prova que quer oferecer algo parecido com “Pão e Circo” ao povo (embora bem maquiados).
    Se o objetivo é incentivar a leitura, que eles invistam em educação e que chamem (e valorizem) escritores.
    Mas, em nosso amado país, políticos não querem um povo letrado, pois sabem que este se torna crítico e participativo à medida que lê (e esse é o maior de seus pesadelos).

  • Sérgio Rodrigues 23/04/2012 at 14:30

    Obrigado, Raquel e Joselia.

    Raul, como sempre, acabamos caindo na questão da educação. É o nó central mesmo no Brasil.

    Abraços.

  • J.Paulo 23/04/2012 at 15:21

    Meu deus, cada vez mais eu me convenço de que poucos outros meios podem gabar-se de ter mais idiotas do que esses de “incentivo à cultura/leitura”. Eu li direito: R$ 170 mil? O que esses senhores têm na cabeça? Ou eu estou subestimando a obra literária do “Pensador”?

  • Saraiva 23/04/2012 at 15:42

    É absolutamente verdade ser essa uma discussão muito mais séria e urgente do que a pseudopolêmica de meia-tigela Caê X Schw. E acrescento à ida de escritores às salas de aula do país uma reforma séria no ensino de literatura, que não faça da literatura escolar disciplina anexa (e por isso amorfa) à História do Brasil, obrigando um aluno de 14 e 15 anos a ler textos como os de Alencar e Machado e assim tornando-os intragáveis aos jovens.

  • Natália M. 23/04/2012 at 15:46

    Ótimo texto, Sérgio. Parabéns!

  • Ataliba 23/04/2012 at 15:49

    TOTALMENTE APOIADA A ATITUDE DE CARPINEJAR, OS ESCRITORES DEVEM MESMO BOICOTAR ESTE TIPO DE EVENTO. NÃO ESQUEÇO DE UMA VEZ QUE FUI À FLIP E O MAIOR SUCESSO FOI UM CANTOR DE MPB VIÚVO DO PERIODO MILITAR.
    É REALMENTE IRÔNICO QUE EM UM EVENTO LITERÁRIO QUEM RECEBA MAIS ATENÇÃO SEJA ALGUÉM QUE BRINCA DE ESCRITOR.

  • Rafael 23/04/2012 at 16:42

    Sérgio,
    Li a carta aberta do Fabrício Carpinejar. Poxa, o cara está protestando por causa do cachê pago ao Gabriel o Pensador. O grande problema, no entanto, não é o cachê. O problema é ter o autor de “Loura Burra” ter sido convido a uma feira literária, crime que não é atenuado pela circunstância do rapper ter brincado de Monteiro Lobato. Ainda que o cachê do Pensador fosse a mesma merreca oferecida aos demais participantes, sua presença já deveria suscitar algumas reflexões sobre o assalto do mundo das celebridades no universo claudicante da literatura. Os organizadores desses eventos, por mais que façam belos discursos sobre educação e leitura, são os que menos acreditam na capacidade de encantamento e sedução da literatura. Se acreditassem nisso, não se apoiariam em muletas de questionável qualidade estética, as celebridades.
    Um evento organizado por quem não acredita no produto que será divulgado, eu é que não perderia meu precioso tempo com ele.

  • Angela Dutra de Menezes 23/04/2012 at 17:16

    Sérgio, concordo 100% com vc. E tb com o Carpinejar. Uma feira, teoricamente de literatura, q paga mil reais aos escritores e quase duzentas vezes mais à uma “celebridade”, não está cumprindo o seu papel de estimular a leitura. Muito pelo contrário. Acho q a decisão do Fabrício Carpinejar abriu espaço para uma excelente discussão.

  • fernando 23/04/2012 at 17:45

    brincadeira, eu nem sabia que ele tinha escrito livros , só conhecia suas músicas chatas e sem graça tirando uma apenas que tem letra de protesto as demais são repletas de bobagens, por isso esse país continua nesse nível cultural tão fraco.

  • Diogo Zanetti 23/04/2012 at 18:08
  • Fredrico Nunes 23/04/2012 at 18:13

    Conferindo no site da Prefeitura de Bento Gonçalves em matéria publicada no dia 19 de abril, sobre a Feira do Livro não consta o nome do Carpinejar na lista de escritores confirmados para feira. Então ele tá cancelando que participação?!?!?

  • Michelle Strzoda 23/04/2012 at 18:20

    Sergio, excelente contribuição a sua para esse debate sobre as “showfeiras” com celebridades do “showbusiness” ganhando cachês abusivos. Sem desmerecer obras e trabalhos aqui e ali, sem atribuir juízo de valor a um ou outro artista, a questão é o quão se valoriza o trabalho de um escritor x e outro y e como e com base em quê são organizados tais eventos de promoção literária e cultural.
    Fazendo uma comparação ‘grosso modo’ os contratos de adiantamento de direitos autorais estrangeiros negociados antes e durante a Feira de Londres dão conta de valores exorbitantes, na marca de 1 milhão de reais em alguns casos, o que ultrapassa valores relativos de investimento do MinC em polícias de incentivo à leitura.

  • Tuim Jr 23/04/2012 at 18:40

    A palavra é , tragico: Isso é Brasil minha gente !!!!

  • Paulo Fochi 23/04/2012 at 18:40

    E então…o espetáculo começou. Até que enfim, a mentira parece ganhar visibilidade. Já faz tempo, pelo menos 13 anos, que a Feira do Livro de Bento Gonçalves tem sido um palco de qualquer outra coisa, menos do livro. Por sinal, sobre livros, a única coisa que certamente se encontra são os auto-ajuda, interesse pela leitura, ou, por ampliar leitores, ou para discutir sobre leitura / leitores / ler? Não, este não foi e, a priori, parece não ser o objetivo deste evento. Basta circular nos espaços educativos do município que, em especial nos últimos 4 anos, tem esquecido a respeito do que se trata promover práticas de leitura, e tantas outras práticas importantes para a educação, como, formação de professores. Aliás, a Feira do Livro é um retrato claro do que é prioridade nas políticas de investimentos dentro do atual poder. O que é decepcionante, se pensarmos que os lideres (prefeito / presidente da Feira / secretária de Educação) são todos professores. Sugiro: que tal chamarmos de Feira, e ao invés do acréscimo “do livro”, permanecemos simplesmente com título FEIRA. Assim, fica justificável ter um show com o homem que ficou famoso pela música “loura burra”! Evidente descaso, e o pior, feito com verba pública. Mas é o que realmente precisamos: pessoas com menos capacidade de discernir, em especial, as vésperas de eleições.Fiquei louco pra saber qual será o fim de espetáculo…que tal todo mundo esquecer de ir pra feira, e se reunir na praça ler seus livros que se tem casa!!!

  • João Paulo 23/04/2012 at 18:56

    como vc consegue escrever para a Veja?

  • Michelle Strzoda 23/04/2012 at 19:00

    Em vez de ‘polícias’, leia-se ‘políticas’.

  • Rafael 23/04/2012 at 19:05

    Sou de Bento Gonçalves. Este feito do prefeito petista da cidade é uma afronta. A população da cidade está revoltada. Acho que dois aspectos chamam a atenção. 1 – Ser patrono é uma honraria, uma homenagem e não devia ser paga. 2 – O patrono devia ser alguém como notório saber literário, o que não é o caso do Gabriel. E terceiro, o prefeito da cidade admite que queria mesmo criar um show, desvirtuando o espírito e objetivo da feira, e como você citou com propriedade no texto, com certeza deve ter feito isto com objetivos eleitorais. A política do pão e circo.

  • João Barros 23/04/2012 at 19:10

    Bem, não podemos resumir as questões à crítica do espetáculo social de forma fugidia, consideremos necessário incluir os porquês da necessidade deste “espetáculo global”, daí então parecerá que cada um o complementará a sua medida! A fama sisuda, ou difícil, da cultura literária (bem como de toda erudita) é a principal abertura para entrada daquilo, que falaciosamente, convence o público de que é bom!

  • Ana Julia 23/04/2012 at 19:13

    Eu concordo com o escritor. Nada contra o Gabriel mas acho que o evento seria mais interessante com escritores sem estrelismo. Gabriel é mais reconhecido pelas músicas, pelas opiniões chocantes, e não pelas obras literárias que tenha produzido. E a impressão é a de que o Gabriel realmente vai ser um “mascote de ouro” do evento, tornando o menos de inferior qualidade. O cache poderia ser divido entre vários outros escritores, menos “famosos” mas mais inteligentes, criativos, e com maior bagagem literária, e ah…mesmo na oportunidade de atrair novos escritores como a universidade de pelotas faz a cada dois anos, em um evento tanto para escritores renomados onde Chico Buarque foi agraciado (esse pelo menos é um escritor de verdade) e escritores desconhecidos.

  • Lucas 23/04/2012 at 19:16

    Nada disso é tão surpreendente se levarmos em conta que o partido da atual administração de Bento Gonçalves é o PT. Triste, dá para esperar tudo!

  • Bruno 23/04/2012 at 19:17

    Rafael, acho que você já deve ter ouvido lôraburra, mas nunca ESCUTOU o que a mensagem que música realmente passa, sugiro que tente escutar novamente, despido de preconceitos, e tente ouvir outras músicas do Pensador.
    Pra quem se acha intelectual, não entender uma simples crítica ao modo superficial de viver de algumas mulheres chega a ser um crime, uma música que tem quase 20 anos e continua atual.

  • AndrewsHans 23/04/2012 at 19:39

    As pessoas deveriam ser dotadas de critérios para, trazer um ícone para qualquer tipo de evento onde ele se encaixa…..a tal pauta…..sem ser apelativo….com figuras ilustradas para evidenciar somente no âmbito de atrair publico por ser uma pseudo- celebridade….

  • Alan de Azevedo 23/04/2012 at 19:44

    Concordo com a manifestação de inconformidade do Fabrício, Agora, O Pensador influência a leitura nos adolescentes de uma forma que não tem como Carpinejar algum concorrer, isso é o mais importante ? Páreo difícil….

  • Solana 23/04/2012 at 20:08

    Pois é os governantes do Município de Bento Gonçalves deveriam de se envergonhar com tudo isso e usar um pouco desse dinheiro para pagar os artistas que trabalharam na Fenaninho Brasil 2011 e até agora ainda não receberam um vintém. Como diz o Boris Casoy “ISSO É UMA VERGONHA!”

  • Felipe de Vargas 23/04/2012 at 20:22

    Sérgio descordo de você na parte “gente semiletrada” esta administração fez de Bento a cidade que mais investe em educação no estado, na média a população tem um alto nível de formação! Por isso também toda esta cobrança, nada passa despercebido aos olhos dos cidadãos, mas, concordo com você quando diz que vivemos no liberalismo econônomico, onde cada um cobra o que quer e paga quem puder. Acredito que todo este movimento tenha mais esta função de transformar uma simples feira de livro de uma cidade da serra gaúcha em uma festa literária na serra gaúcha, como a Flip por exemplo, não sei se a escolha da “celebridade” foi a mais coerente, penso que estão apostando nesta diversidade, música, literatura, sucesso…, o cache comentado por você é composto por palestras, um show e 2.000 livros infantis para o acervo da biblioteca e escolas públicas, só o show com certeza custaria boa parte do valor, mas temos que refletir mesmo, fico triste só por uma coisa, muito mas muito mais é desviado todos os dias, para os bolsos de políticos corruptos e não vejo a mesma indignação que aparece agora, aonde estas pessoas estão que deixam o elefante passar e se detem na formiguinha!!!

  • fulano 23/04/2012 at 20:26

    Eu naum intendi nada do que ceis cabaro di falá. Ceis fálo bunito dimais ó chente…

  • Marina 23/04/2012 at 20:33

    Belo texto!
    Sou de bento gonçalvense e estou – pra dizer o mínimo – chocada com este valor abusivo para o patrono, que deveria ter este “cargo” como uam honra, não como um “livre comércio”.
    Não tenho e não temos nada contra o Gabriel, mas temos sim contra esse valor… Por que semana passada mesmo estive em nossa biblioteca pública e tenho certeza que este valor todo ajudaria muitíssimo a construir, a comprar livros e melhorar o acervo.

  • targinosilva 23/04/2012 at 20:36

    Brincar de pensar da dinheiro. Vou entrar nessa. Vou escrever o meu livrinho de teorias nunca antes pensadas.

  • Sérgio 23/04/2012 at 20:43

    Sérgio, a meu ver, feiras do livro não devem ser vistas como a salvação da literatura ou da leitura, ou o meio pelo qual o escritor deve ser reconhecido. É mais papel das escolas e dos pais, em casa, estimularem a leitura. Escritor serve para escrever, e não para ficar exigindo que dinheiro X ou Y deve ser destinado a escritores para palestrarem ou participarem de eventos. Errado está Gabriel, O Pensador e errado está quem combate o cachê sem ver o elementar da questão: o dinheiro das feiras deveria ser destinado à compra de livros, mas de todos os autores de qualidade, não apenas de um séquito que se sente escolhido e publica por grandes editoras. O autor em questão, Carpinejar, também aparece na TV, em jornais, publica em grandes editoras, ou seja, tem uma presença midiática e não é nenhum escritor desconhecido. Pode-se, dizer, que está incluído entre as celebridades literárias do país, com uma boa vendagem, pelo que se lê. Certamente, ele já foi em eventos em que era o nome principal. Agora seria Gabriel, com um cachê certamente absurdo para evento do tipo. De qualquer modo, nesta questão, ninguém está certo. Se escritores querem tanto pessoas lendo, devem se especializar para isso, indo dar aulas em colégios onde mal há bibliotecas, e não apenas se interessarem em palestrar para divulgar a própria obra. Eles vão a feiras e escolas para falarem exclusivamente de suas obras, é o que infelizmente se vê, não para falar da importância da leitura, ou seja, o objetivo é a vendagem de seus livros, e não a finalidade em si. Portanto, acho que a discussão parte de um pressuposto equivocado, caro Sérgio. Apesar de escritores lerem e produzirem leitura, não são eles que devem indicar o que deve ser lido, por quem deve ser lido e quando será lido. E ainda é a “gente semiletrada” do qual fala em certa altura do texto que pode formar uma nova base de leitores no país, se colocada em condições para isso, com ou sem estrelas midiáticas. Mas uma coisa em certa: conhecidas ou desconhecidas, essa “gente semiletrada” merece muito mais do que recebe nessas feiras.

  • Helena Livingston 23/04/2012 at 20:49

    Não concordo com a colocação de nenhum dos comentários. Acredito que os organizadores da Feira visaram atrair o maior número possível de visitantes tendo o Gabriel O Pensador como atração. Convenhamos que o público em geral desconhece a maioria dos nossos escritores, mas o Gabriel além de escritor é uma celebridade. Concordo que a disparidade dos cachés é insultante aos escritores, mas o Gabriel não é apenas uma celebridade, ele é um gênio e com sua música direta impacta o nosso povo tão desprovido de ferramentas intelectuais. E Gabriel não está brincando de ser escritor. Ele seriamente está dando uma contribuição importantíssima à nossa nação. Não conheço a obra dele, mas acredito que ele estará ‘alimentando’ intelectualmente os jovens leitores que tiverem a sorte de lê-lo.

  • Victor 23/04/2012 at 20:58

    Desculpe a ignorância, Sérgio, mas o que são mesmo essas feiras literárias além de uma exposição de egos em frenesi? Pode até ser muita coisa além disso para quem é “do ramo” – um convescote para acadêmicos, uma feira de negócios para livreiros e editores, etc – mas para os leitores o que chega são essas notícias que saem nos jornais, de escritores enfatuados, vaidades em combustão, polêmicas ensaiadas, doidos declamando pelado… Exceto quando o Cristopher Hitchens esteve lá, bebeu e insultou todo mundo com umas boas verdades, nada acontece na FliP que não seja absolutamente previsível e enfadonho. Não sou escritor nem professor de literatura nem acadêmico, apenas compro e leio uns livrinhos, portanto tome a minha opinião pelo que ela vale. Mas, sim, nessa história eu apoio o Carpinejar (aliás, o twitter dele é ótimo; recomendo), embora a hipótese de uma dor não me pareça de todo implausível. Abraços.

  • Marin 23/04/2012 at 21:32

    Estimado Sérgio Rodrigues, não querendo ser deselegante com seu Blog e economizando maiores comentários, sugiro aos que se preocupam com o País da Era da Mediocridade que estamos vivendo nestes últimos anos, que acessem no GOOGLE o Blog do LUIZ CARLOS PRATES, e leiam o que ele postou sobre mais essa Feira do Livro de Bento Gonçalves RS, e cada um que tire suas conclusões.
    Podem também acessar direto, colocando o seguinte, http://WWW.PRATESNOSBT.COM.BR, e lá já está o vídeo com o comentário, além de tantos outros.

  • gustavo 23/04/2012 at 21:41

    Carpinejar está certíssimo, a cena literária desse país é uma palhaçada, ninguém dá valor à literatura, e essa foi a prova cabal disso.
    Se querem gastar 200 mil com Grabriel o Pensador, que se contentem em ter meia dúzia de escritores desconhecidos em sua feira de meia tigela.
    Que vergonha para um país que quer ser uma potência! Sem realmente valorizar os livros, jamais sairemos desse estágio pré-histórico em que vivemos há 500 anos.

  • Heitor 23/04/2012 at 22:06

    Falta de organização e falta de respeito. De Gabriel, o “pensador”, vem a falta de humildade. Gabriel, o Cashier

  • Reginaldo Porto Alegre 23/04/2012 at 22:16

    Finalmente descobrí em que o Sr. Gabriel pensa: Money, money. Se alguém mereceria R$ 170.000,00 de cachê seria o poeta Carpinejar, que aliás, tem poesia até no nome. Todavia ele não teria essa arrogância de se intitular pensador, como se um Nietzsche fosse, tampouco estabeleceria o cachê nesse valor absurdo. R$ 170.000,00 É uma ofensa aos trabalhadores deste país, aos leitores que só conseguem ler livros emprestados, à comunidade de Bento Gonçalves, às pessoas desassistidas pelo SUS, ás pessoas abandonadas pelo Poder Público. Creio que o Prefeito deveria renunciar e o “pensador” pedir desculpas à comunidade e ir gratuitamente. Ou, quem sabe, seria melhor R$ 1.700.000,00???

  • Constantin 23/04/2012 at 22:44

    O prefeito que autorizou este cache nunca deve ter lido um livro na vida.
    Coincidentemente o prefeito em questão é do PT.

  • GilRikardo-Blog 23/04/2012 at 22:44

    O rapaz aprendeu com a mãe dele, uma jornalista chapa-branca da era Collor de Melo, a boa vida de se pendurar nas benesses dos governistas… esse é o grande problema deste país. Qualquer iniciativa, por mais nobre que seja, logo é contaminada pelos interesses eleitoreiros de políticos rastaqueras interessados somente em causa própria, essas figuras que patrocinam as outras figuras com nosso dinheiro e sem a nossa autorização… Eta classezinha infame…

  • ANTI-PETRALHA 24/04/2012 at 01:42

    ESSE CARPINEJAR É RUIM DEMAIS,ELE DEVERIA PAGAR,PARA IR À FEIRA DO LIVRO,R$ 170 MIL PARA GABRIEL PENSADOR,É DOSE LER UMA COISA DESSA…….

  • vera 24/04/2012 at 11:50

    de graça sai caro poeta do que gente! deveriam chama o Marcelo D2 aquele e um poeta um belo ser humano vcs não queras saber o que ele ajuda entidades carentes

  • Rodrigo 24/04/2012 at 12:56

    Se esses R$ 170 mil garantirem que Gabriel, o pensador (hahaha) nunca mais volte a “cantar”, serão um dinheiro bem empregado! Pensem bem, pode ser um investimento!

  • Luciano 24/04/2012 at 13:45

    Aquela música do Gabriel, “pega ladrão”, combina bem com a atual administração
    Me sinto arrependido em ter votado neles. (isso que o atual prefeito é professor, está se mostrando mestre em outras manobras nada saudáveis para as finanças de nossa querida cidade)

  • Fredrico Nunes 24/04/2012 at 15:25

    Que falta de vergonha dos bento-gonçalvenses ficarem falando mal da cidade deles e criando polêmica. Em Caxias do Sul, que é vizinha, a gente aprendeu a defender nossa cidade e não criar polêmicas que coloquem o nome do município de forma negativa. Por iso estamos muito além deles. Quem dera ter um prefeito como o eles aqui! Ia fazer muito e nós agradeceríamos! E o mais incrível: existe uma “disputa” histórica entre os dois municípios e Carpinejar é caxienseeee!

  • Antonio Villas 24/04/2012 at 15:47

    Eu sou acadêmico de Letras e hoje, no almoço, comentei com pena o teor desta reportagem. Minha sobrinha de 17 anos me perguntou ‘na lata’: – Mas tio, porque insistem?! Se não hà leitor, porque tem que haver escritor? A mãe dela e eu nos entreolhamos pasmos e engolimos as saladas preparatórias sem líquidos por agora, enquanto ela e sua irmã menor devoravam carnes regadas a coca-cola! O’ tempora, o mores…

  • claudio 24/04/2012 at 15:50

    Inveja é cretina, cada um coloca seu valor de mercado se o do Carpinejar é de R$ 1.000,00 é problema dele.
    Outra coisa o Gabriel além de escritor é músico, não vai ficar só autografando e sim fazendo show…. Larguei de mão este Carpinejar, até onte eu o escutava pelas manhas…. LARGUEI

  • Maria Luisa 24/04/2012 at 18:40

    A prefeitura de Bento Gonçalves está acabando com a cidade, face as inúmeras notícias de corrupção que o município está envolvido.
    Nem sou de Bento e não voto em Bento….e desde que estou aqui, só tenho visto porcaria nessa cidade.

  • Andreane 24/04/2012 at 22:50

    Sou de Bento Gonçalves… e como todos por aqui estamos chocados!!
    Eu tbm quero 170 mil… Será que este tbm será o valor destinado as associações estudantis intermunicipais este ano? Sim né… pq ano passado só veio 30 mil para a nossa!! E depois a prefeitura se diz sem dinheiro!! Dinheiro tem… Só é pessimamente distribuída!!

  • Analu 25/04/2012 at 13:53

    Acredito que tem muita gente sem informação alguma, ele não vai ganhar os R$ 170 mil, neste valor esta incluido o show dele, livros e mais palestras gratuitas nas redes escolares; cada vez mais me decepciona o poco brasileiro garanto que se fosse para pagar um show do michel teló todos apoiariam e outra o incentivo a leitura não vem só de casa e escola, acho que um bom escritor SIM deve chamar a atenção da população ´principalmente e população jovem ao qual estamos com sérios problemas. Se este escritor que não lembro nem o nome diz receber só R$ 1 mil reais deve ser porque ele vale somente isso.

  • Oberdan 25/04/2012 at 15:23

    É vergonhoso ‘cuspir e depois ter que lamber’. Esse ditado é antigo, mas sempre se enquadra em atitudes como essa da prefeitura de Bento Gonçalves. O que essa figurinha iria ensinar em suas ‘palestras’? Como fechar um baseado? Que importancia tão significativa tem os livros dele, para gastarem verbas publicas sem licitação e etc.? É difícil acreditar que o povo gaúcho que já foi, (notem bem: JÁ FOI) considerado o mais politizado do país, tenha que pagar um ‘kingKong desse tamanho’. Mas aqui mesmo ficamos sabendo: O PREFEITO É DO PT. Só podia dar cáca. Sinceramente: BENTO GONÇALVES NÃO MERECE!Mas por outro é bom pensar antes de votar! É dai de perto (Veranópolis) uma intragavel figura chama MARIA DO ROSÁRIO. Pelo jeito os gaúchos perderam o orgulho pelo seu estado. Ja falam que uma comunistóide poderá se eleger prefeita da capital. É ruim hein?

  • Claudio 25/04/2012 at 16:08

    Que vergonha a paparicagem do prefeito de Bento Gonçalves pra cima do Gabriel ‘O fumaceador’ na rádio Gaucha agora pouco. Ele chegou dizer que o cara vai dar ‘palestras’ nas escolas e que ele é quase um bentogonçalvense, que ele se apaixonou por Bento Gonçalves…Ora vamos ter um pouco mais de dignidade, vamos valorizar um pouco as nossas coisas, será que a cultura daquela região está tão defasada assim? O que esse garoto pode transmitir de bom? Ta certo que Bento tem morro, mas não é o do Alemão, tem roça, mas não é a Rocinha? É bom prestar atenção! Isso é coisa de petralha e comuna. Ele já fizeram a cabeça dos menos avisados e há um bom tempo querem tomar conta da molecada. É político pagodeiro (Netinho só perdeu uma vaga no senado por que preferiram a Marta Suplício), político carinha bonita Manoela D’Ávila, tudo para atrair votos. Fabrício Carpinejar não é autor de best sellers, mas fez muito bem em se preservar e tornar público as negociatas dessa figura no cargo de prefeito. Seu Lunelli vê se cria vergonha!

  • Inês 27/04/2012 at 15:21

    É um absurdo ver que quando se investe em cultura muita gente esbraveja e cria tanta polêmica. Por que a cultura e a educação tem sempre que receber tão pouco, aceitar migalhas, tá aí o sálário dos professores para ver o quanto se investe em educação e consequentemente em cultura. Por que não esbravejam criam movimentos saem fazendo passeatas para acabar com a corrupção ou para pedir de volta os milhoões ou bilhões que nós o povo brasileiro avalizamos quando votamos e damos total carta branca para nos roubarem.Se Gabriel Pensador iria ganhar 170 mil é por que ele tem dignidade em se valorizar, pois ele é músico, poeta, escritor, cantor e compositor e tem projeção nacional e internacional. Seu cache deveria ser dobrado após tanta polêmica. Viva a cultura e não a curtura de meia dúzia de recalcados.Ele não é um políco corrupto ou um poetinha recalcado como o carpinejar. Sou totalmente a favor da vinda do Gabriel para a feira do livro de Bento pois acho que Bento merece um patrono de Nome sim. E os que reclamam parem de reclamar ou vão para a rua para protestar contra a corrupção e não contra a cultura. Parabens ao Prefeito Luneli e ao Gabriel

  • Silvio Barreto de Almeida Castro 03/05/2012 at 10:39

    A Veja coloca para depois se lembrarem que o prefeito é do PT. Isso não tem significado nenhum, para quem gosta de ler tanto faz se terá algum evento ou não. O melhor incentivo é dos pais e da escola, se os governos só incentivam drogas na escola com políticas elitistas e estúpidas de achatamento salarial da polícia e do professorado, não será uma feira que resolverá o problema da ignorãncia.

  • Leandro Janjão 14/05/2012 at 22:04

    O objetivo da Feira é propagar e incentivar a leitura certo? Mas para conseguir isso é preciso antes de mais nada que ela RECEBA O MAIOR NÚMERO DE VISITANTES. E ninguém aqui tem dúvida de que o Gabriel Pensador traz MUITO mais visitantes à Feira de Bento Gonçalves do que o famoso Fabricio “quem?” Carpinejar.

    Não sou presidente de fã-clube do Gabriel mas discordo daqueles que NÃO CONHECEM o seu atual trabalho voltado para a literatura infantil através de seus livros e palestras. É algo que vale a pena SIM. E todos deveriam CONHECER antes de falar. Tampouco sabia da existência do tal Carpinejar para fazer alguma crítica ou elogio ao mesmo, creio que seja bom no que faz pelo simples fato de ter recebido o convite para participar da Feira de Bento.

    PARABÉNS AOS DOIS !! E que o Carpinejar saiba aproveitar a oportunidade de estar de frente para tantos visitantes que vieram ver o Gabriel Pensador.

  • Diego 09/08/2012 at 15:20

    Assistam a entrevista de Gabriel o Pensador no De frente com Gabi no youtube…num é nada disso que foi dito por Carpinejar…

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