Cadê o iPod dos livros?

24/01/2007

Antes de mais nada – sim, eu acho que os livros de papel são eternos. Enquanto houver ser humano, haverá quem os leia. Talvez até depois.

Isso não elimina o fato de que uma engenhoca tipo iPod dedicada a livros está demorando a aparecer. Eu, pelo menos, não tenho a menor dúvida de que aparecerá. A questão é: será que o recém-lançado Sony Reader é essa máquina?

Consta que o aparelho tem grandes vantagens sobre os desajeitados leitores eletrônicos do passado recente. Sobretudo pela tela não iluminada, fosca, proporcionada pela tecnologia da tinta eletrônica – ou papel eletrônico – desenvolvida pela empresa E-Ink.

A coisa tem problemas também, parece, sobretudo de navegação. Mas mede o mesmo que um livro fino e permite aquela decisão revolucionária que os fãs do iPod conhecem bem: na dúvida sobre qual título levar para ler nas férias, que tal a biblioteca inteira? Está sendo vendido no site da Sony por US$ 350.

O que sei é que, se não for o Reader a ocupar essa vaga, será outro. Há empresas trabalhando com a tinta eletrônica em suportes flexíveis, mais próximos do papel. Aguardemos.

31 Comments

  • Lucas Murtinho 24/01/2007 at 12:43

    Sérgio, no meu mestrado andamos falando um bocado sobre as possibilidades do livro eletrônico no futuro não muito distante. Um professor apresentou a idéia que me parece mais atraente: um livro muito parecido com o que temos hoje, mas com papel e tinta eletrônicos. Em vez de uma tela, como o Sony Reader e todos os outros aparelhos para leitura lançados até agora, uma ou duas centenas de paginas em que poderemos escrever, sublinhar, procurar palavras, acessar notas instantaneamente. O preço do papel eletrônico ainda é alto demais para permitir um produto desse tipo, mas a primeira fabrica de papel eletrônico começou ou vai começar em breve a funcionar em Dresden. Claro que ha problemas: bateria, durabilidade, a resistência do publico. Mas me parece razoavel pensar que as coisas podem mudar um bocado daqui a uma ou duas décadas. Abraços.

  • Mr. Ghost(WRITER) 24/01/2007 at 12:51

    Nada se compara a ler um livro de papel… textura de papel, cheiro de papael, cor de papel…
    Essa onda de realidade virtual encheu o saco… mundo virtual, sexo virtual, personalidade virtual…
    Há coisas que realmente são legais na forma virtual como as revistas, os jornais… mas há outras que, sinceramente, são um lixo… entre eleas o livro e o sexo…
    Idiossincrasias apenas…

  • Mozzambani 24/01/2007 at 12:56

    Apesar de gostar muito de tecnologia e não saber mais viver sem os imprecindíveis chips, será preciso muita criatividade por parte dos gênios do silício para que eu troque o livro de papel pelo eletrônico.

    Prefiro combater as traças do que os vírus!

    Abraços!

  • Fabio Negro 24/01/2007 at 13:50

    PorquÊ essa ideái tem grandes chances de pegar? Por causa da pirataria eletrônica de livros, que vem crescendo bastante.

    Digamos que 50% da lista de mais vendidos se encontra disponível gratuitamente na internet.

    Eu mesmo li muito Shakespeare sem pagar um centavo.

  • Marcos Salomão 24/01/2007 at 15:22

    Acho que o Sony reader vai ser o começo. Ele ainda não é em cores o que mostra que ainda há muito a evoluir. É lógico que o papel é um veículo muito mais agradável, co-evoluímos com ele desde a idade média! No entanto não podemos desprezar as vantagens tanto quanto ao custo quanto a portabilidade. Enfim é uma questão cultural, estamos acostumados ao papel, mudanças geralmente no início causam transtornos! Quando as pessoas perceberem a economia (papel, tinta, energia) e a comodidade (já podemos nos deslocar com centenas de “e-livros” no bolso) vinda a tona com essa nova tecnologia ela será muito popular. Concordo com o Sergio Rodrigues é um caminho sem volta!

  • Paulo Osrevni 24/01/2007 at 15:42

    Estou só esperando, tenho uma coleção de PDFs na reserva. E são muito úteis mesmo agora, principalmente quando a gente tem que citar obras no original…

  • ana rüsche 24/01/2007 at 15:59

    que dê certo a fábrica em Dresden e que o tal novo I-Pod a gente consiga comprar. de minha parte, só dou graças a ler coisas em domínio público sem pagar!

    e 70 anos da morte ainda é muito tempo… reclama-se que não há muitas traduções para o português de autores do século XX, mas quem pode pagar pelos direitos autorais? ainda mais em reais.

    “pirataria” às vezes é uma palavra muito forte para proteger empresas e familiares muito longe de favorecerem algum artista…

    aguardemos.

    beijos

  • andre lopes 24/01/2007 at 19:20

    Fabio, por que alguém deveria pagar pra ler Shakespeare, de domínio público? Só há direitos autorais sobre a tradução (e isso se ela for nova).

    E eu não vejo porque os livros de papel deveriam ser eternos.

  • andre lopes 24/01/2007 at 19:21

    por que

  • Jonas 24/01/2007 at 22:08

    Ah, eu acho que todas as possibilidades podem existir, ora. O e-book já está aí há quanto tempo, e até hoje não me dignei a ler um deles. Continuo lendo em papel de forma convulsiva. Mas não me incomodo que os e-books existam. Lê quem quer – ora, se tem gente (e nos EUA mesmo é muita gente) que curte ouvir os livros. Continuo com o papel, mas que venha o tal iBook.

  • vinicius jatobá 24/01/2007 at 22:11

    E os escritores mais um vez, como sempre, ficam observando o movimento editorial de forma passiva, deixando que decidam por eles algo que terá um impacto ainda mais brutal nas suas oportunidades de profissionalização. Se já são explorados nos suportes usuais, os eletrônicos serão a desgraça financeira. Os escritores parecem não se importar muito com isso; afinal, são seres de luz, etéreos, sacerdotais e nobres que não se preocupam com coisas vulgares; afinal, fazem fotossíntese, as musas lhes bastam, sua fome é elegante…

  • Fabio Negro 24/01/2007 at 22:29

    Só dei um exemplo qualquer de livro que eu tenho praler de graça. Mas digamos uqe vocÊ queria ler alguma coisa vndida atualmente: Livreiro de Caul, O Caçador de Pipas, Código da Vinci, Casais Inteligentes Enriquecem Juntos, A Cura de Schopenhauer, Marley & Eu…. todos esses livros e uma porrada de outros recentes estão disponíveis na net, pra quem quiser ler.

    Eu não quero, mas pra uem quiser.

    Ah, um que eu quis, baixei, e li metade, até agora: A Jornada do Herói, do Vogler.

  • Saint-Clair Stockler 24/01/2007 at 23:17

    “A Jornada do Herói” é do Joseph Campbell. O do Vogler chama-se “A jornada do escritor” (Saint-Clair tendo seu momento Sérgio Rodrigues).

    Eu tenho o fac-símile em .pdf do “Neve”, da Companhia das Letras, daquele cara que ganhou um Nobel de literatura totalmente político (porque ele não é um bom escritor). Um amigo que mandou.

    Antes de ser lançado o “A Bruxa de Portobello”, do Paulo Coelho, alguém me enviou o livro, em formato Word. Pela cara do arquivo, foi coisa que vazou de dentro da própria editora.

    O foda é que eu ainda não consegui ler um livro inteiro na tela do computador. Só recentemente consegui assistir um filme inteiro no computador. Ainda estou tentando.

  • vinicius jatobá 25/01/2007 at 03:22

    Pamuk não é um bom escritor? Li cinco romances dele… Se ele não é bom escritor, se a imensa maioria fosse ruim como ele, nossa, que riqueza literária teríamos…

  • André Pessoa 25/01/2007 at 04:16

    Bem, eu acho que o iPod fez sucesso mais rápido porque ele veio substituir formatos de ouvir música muito semelhantes, que já existiam anteriormente, como os walkmans e os tocadores de CD portáteis. O livro eletrônico está tentando substituir um formato que é totalmente diferente dele próprio. Vai demorar.

  • Lucas Murtinho 25/01/2007 at 09:29

    Para acresentar ao comentario do André: as vantagens de andar com todas as musicas de que você gosta no bolso são obvias, mas quem precisa de uma biblioteca no bolso? Defensores dos e-books falam de viagens e estudantes, mas é um mercado menor que o do Ipod. Talvez seja um motivo para a demora.

  • Saint-Clair Stockler 25/01/2007 at 12:29

    Vinícius, não li vários livros dele. Dei uma olhada só no “Neve” e não gostei. Não estou dizendo que ele é ruim, mas o fato de a maioria dos outros escritores ser inferior a ele não faz dele um grande escritor. Acho-o prolixo.

  • André Pessoa 25/01/2007 at 12:35

    Lucas, eu tenho o costume de ler vários livros ao mesmo tempo. Posso até ser minoria, mas pra mim essa característica de “carregar” vários livros tem sentido. Sem contar a possibilidade de levar junto livros de referência, como dicionários.

  • Cezar Santos 25/01/2007 at 15:51

    Que venham os Ipods livrescos. Que possamos carregar quantos livros pudermos na geringonça. Que possamos mais, que possamos ter outras formas de usufruir da palavra escrita, em suportes ainda não inventados que serão inventados futuramente.
    Podem vir coisas do arco da velha nesse campo, mas o bom e velho livro de papel continuará. O que não inviabiliza as modernosas coisas que a tecnologia pode proporcionar.
    Comecei a ler hoje o Viagem sentimental, do Sterne. É o tipo de livro que parece “não rolar” na tela do computador. Certos livros exigem mais vagar, mais concentração, talvez. Mas isso é discutível, ou é válido só pra algumas pessoas.
    Saint-Clair, me manda esse pdf do Neve… to doidim pra lê-lo, mas num guento pagar mais de 30 paus no danado.
    E se o Pamuk for ruim, tudo bem… já li Santiago Nazarian …rssss….. e não morri.

  • Paulo 25/01/2007 at 18:41

    Lá vem o Vinicius Chatobá com aquele discurso de sindicalista engajado…

  • Fabio Negro 25/01/2007 at 21:33

    Também gosto de ler vários livros ao memo tempo (atualmente tou só com um, tijolão), mas é aquela coisa de VER o livro, ali, no pé da cama, em cima da geladeira, sei lá, e daí dá vontade de continuar a ler.

    Saber que ele tá dentro do meu bolso não me dá aquele tesão de ler vários.

  • Mr. Ghost(WRITER) 25/01/2007 at 21:55

    Concordo com você caro Fabio Negro, saber que o livro está ali no pc não dá tesão nenhum…
    Tenho umas hqs do Planetary e do Authority no HD da minha máquina, mas não onsegui ler nada… muito sem graça. Sabe o que eu fiz? Comprei as mesmas edições pela net e estou adorando a leitura, o cheiro do papel, as cores dos desenhos, a arte-final… essas coisas físicas… igual a fazer sexo, tem que pegar, tocar, sentir o cheiro, isso é que dá tesão…

  • Fabio Negro 26/01/2007 at 04:14

    Pô, se você pegou os scans de Planetary em português ia ler um texto meu, quando chegasse no final da edição 10 :(
    (um texto que não passou pela revisão e por isso tem uma informação errada, mas enfim)

    Aqui, pra quem quiser saber do que se trata Planetary:

    http://divandothiagaum.blogspot.com/2006_10_01_divandothiagaum_archive.html

    entãos, eu gosto de gibis no computador, porquê eles tem imagem, mas agora ver uma mar de letrinhas numa tela que me faz lacrimejar, eu não aguento muito. Daí tem que ser o papel.

    Ou um ebook reader que venha a surgir.

  • Vinícius Trindade 26/01/2007 at 09:06

    O livro de papel não enguiça, moçada. Pra mim, esse tipo de tecnologia não vai competir com o livro. No máximo irá criar uma nova necessidade e um novo mercado. É disso que o capitalismo vive.

  • Raquel 26/01/2007 at 12:19

    agora deu-me vontade de ter um e-book com e-ink (é assim que se escreve?) e colocar na prateleira… será que ficarria bem, ali do lado do Livro de areia do Borges?
    quem sabe pintar as laterais da maquininha de uma cor do meu gosto, escrever meu nome com um estilete?
    melhor! colocar uma capinha de pergaminho e escrever na lombada, com arabescos em ouro velho, IN (FINITU)… escrito em “Trajan” da Carol Twombly.
    sei lá, vontades…

  • Jonas 26/01/2007 at 14:14

    Nossa, Saint-Clair, que coisa. Faz bem pouco tempo que li o Neve. Não consigo entender onde há prolixidade ali. Pelo contrário, é uma narrativa clássica, que não faria feio se publicada no século 19. E embora seja menos ousado do que o Meu Nome é Vermelho, achei o livro muito bom justamente por essa sobriedade narrativa; dá para notar o domínio do Pamuk sobre a história, fora a polifonia super bacana dos personagens (todos bem delineados, aliás).

  • Mr. Ghost(WRITER) 26/01/2007 at 15:55

    Caro amigo Fábi Negro,
    alegro-me em saber sobre seu texto no final da edição 10, vou atrás do scan novamente para conferir seu texto, tenho o link guardado em um bloco de notas… sabe como é, por via das dúvidas.
    Abraços, e pessoal, confiram Planetary…

  • Fabio Negro 27/01/2007 at 04:14

    Ah, mas pra deixar claro: esse texto foi inserido na versão “pirata”, não na oficial. A gente tava tirando uma onda com a editora antiga que só tinha publicado trÊs números.

    Foi a Planetary que fez explodir a atual febre de tradução de gibis pro português.

  • João Daltro 29/01/2007 at 19:07

    Há quanto tempo foi inventado o livro? Refiro-me a essa idéia, de pegar várias folhas de algum suporte para a escrita, de um tamanho fácil de manusear, e prendê-las pela lombada. Há mais de dois mil anos. De lá para cá não mudou absolutamente nada em sua essência, mudaram apenas as tecnologias para produzi-lo. Por isso é uma invenção mais do que testada, de sucesso mais do que comprovado.
    Certo, quando era menino ninguém sonhava em ter um computador em casa. Hoje é estranho alguém não ter. Pode ser que um livro eletrônico venha a se tornar tão acessível e popular, mas ainda terá as limitações de uma engenhoca eletrônica. Se você não é um bibliófilo, mas apenas alguém que gosta de ler, pode fazer isso na praia, na cama, no banheiro, almoçando, vendo TV com o rabo do olho e comendo alguma porcaria gordurosa. Pode dobrar o livro até que ele fique troncho, pode sujar suas páginas, pode até rasgar alguma e colar com fita adesiva, pode deixar cair água, refrigerante, cerveja, molho de tomate, pode esquecer na varanda quando cai um temporal ou atrás do banco traseiro do carro em dia de sol. Ao contrário dos i- ou e- qualquer coisa, o livro não perece com a umidade, com a sujeira, com a oxidação, com o calor ou frio excessivos, com sobrecargas elétricas, com softwares do mal. E não precisa de pilhas.
    Você pode maltratar um livro a um ponto em que sua mera visão matasse de enfarto um José Mindlin, mas ele ainda poderá ser lido por centenas de pessoas. Só duas coisas dão cabo de um livro: o fogo e pessoas que o pedem emprestado. Por isso, acho que o bom e velho livro de papel vai sobreviver.
    P.S.: Antes que algum leitor indignado queira me bater: eu não trato meus livros como descrevi acima.

  • Paulo Santoro 04/02/2007 at 02:55

    Daqui a, sei lá, 100 anos, quando papel for coisa do passado, e estiverem inventando algo ainda melhor para os leitores, as pessoas (daquela época, pois as atuais terão morrido) comentarão: “Ah, nada vai substituir o cheiro do livro eletrônico” ou “estão querendo inventar um negócio que só vai dar problemas, o livro eletrônico não enguiça” ou “faz 2100 anos que leitura é em essência a mesma coisa” etc. etc. etc.
    Gente: lombada de livro, cheiro de livro é puro fetichismo. Em algum tempo o livro eletrônico será ridiculamente barato, e será uma brilhante ferramenta para permitir abrirmos mais nossas cabeças e corações. Não fiquem para trás. Não pensem que os jovens são meros tolos. A tecnologia de informação está criando uma geração capaz de ir muito mais longe que a nossa – e continuando a ler Machado de Assis, Cervantes, Borges, etc.
    Tenho uns 1200 livros, o que me fascina neles é o seu conteúdo, não a lombada, não o papel, não o cheiro. E não digam que o livro é mais “seguro” do que os livros eletrônicos. Não são. Alguém tem “backup” de seus livros? Eu tenho, em diversos locais, e feitos com facilidade, backup de tudo o que eu considero importante, o que inclui alguns livros eletrônicos. Se minha casa pegar fogo e der perda total (toc toc toc, hehe), os 1200 livros viram cinzas, meu computador também… mas meus arquivos poderão ser recuperados…
    Abraços!

  • Alessandro 05/02/2007 at 11:15

    O livro de papel vai sobreviver, claro que vai. Por quanto tempo, não faço idéia e nem arrisco previsões. Não tenho nada contra livros de papel, inclusive ainda guardo o primeiro “livro” que li: “Meu livro de histórias bíblicas”, (veja ele aqui: http://www.traca.com.br/seboslivrosusados.cgi?mod=LV84196&origem=resultadodetalhada )

    que ganhei dos meus pais e li quando tinha 5 ou 6 anos (precoce, eu sei). Mas desde que descobri os PDF’s e outros formatos do tipo e descobri também o quanto é desconfortável ler na tela do computador, venho pensando seriamente em comprar um “reader”. Já experimentei os palms, mas não gostei. Quando vi as fotos do Sony reader fiquei entusiasmado, mas ao ler as resenhas a seu respeito, nem tanto. O fato é que estou aguardando a hora em que esses readers (assim como os tocadores de mp3) se tornem mais comuns, práticos e baratos pra que eu possa finalmente ler meus (Gigas de) e-books em paz. Com direito a backup e tudo!

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