Cinquenta tons de ódio à leitura

04/07/2015

Membros da Juventude Nazista queimam livros em Salzburgo, na Áustria, em 1938

Membros da Juventude Nazista queimam livros em Salzburgo, na Áustria, em 1938

Os vapores embriagantes da Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), que hoje chega ao clímax, são ótimos, mas não negam: o Brasil é um país que despreza a leitura. Entre obrigações escolares, bobagens de autoajuda, cordilheiras de livros para colorir e milhões de exemplares de uma bomba subliterária chamada “Cinquenta tons de cinza”, o brasileiro médio anda lendo 1,7 livro por ano – mais ou menos. Os números costumam variar um pouco, mas foi este que o ministro da Cultura, Juca Ferreira, em entrevista na última terça-feira, chamou de “uma vergonha”. Concordo inteiramente. Mais do que uma vergonha, um motivo de desalento quanto ao futuro do país.

Ocorre que a proposta de Ferreira para atacar o problema – uma ampla campanha semelhante “à do Fome Zero e à da paralisia infantil” – não chega a empolgar quem conhece um pouco dessa história. Campanhas de incentivo à leitura são feitas regularmente pelo ministério da Cultura: a de 2012, com o bordão “Leia mais, seja mais”, foi lançada com previsão de investimentos de R$ 373 milhões (mais sobre isso aqui). Iniciativas desse tipo são tão bem intencionadas quanto limitadas. Em parte porque o imperativo costuma soar antipático: “Faça isso!”, diz o iluminado, e é garantido que todo mundo finque pé ou saia de fininho. Em parte também porque é quase inteiramente inútil remar contra a corrente de uma educação calamitosa que não ensina a maioria da população a ler nada mais complexo do que lista de supermercado e manchete de jornal popular.

A evolução histórica do analfabetismo funcional brasileiro – aquele que acomete quem, sendo oficialmente alfabetizado, tropeça e se perde na leitura de qualquer enunciado um pouco menos simples – é monitorada desde o início do século pelo Indicador de Analfabetismo Funcional (Inaf), da ONG Ação Afirmativa e do Instituto Paulo Montenegro. Em 2011-2012, a mais recente edição da pesquisa, que leva em conta “habilidades de leitura, escrita e matemática”, flagrou uma melhora no nível básico de alfabetização e uma estagnação no nível “pleno”. Atenção para a obscenidade: apenas um em quatro (!) brasileiros pode ser considerado plenamente alfabetizado. De cada três universitários, um não tem alfabetização plena (!!). É evidente que só a parcela da população que chegou ao estágio mais avançado de letramento está qualificada a ler literatura para valer – o que não quer dizer que necessariamente o faça.

Acrescente-se ao panorama de aridez educacional o fato de que o governo ao qual pertence Juca Ferreira, por meio do Ministério da Educação, vem adiando programas de aquisição de livros didáticos e literários para distribuição a escolas públicas (leia mais aqui). Além disso, telefones tocaram em vão e nem uma Bic se mexeu em Brasília para impedir o cancelamento, por falta de apoio, da edição 2015 de uma iniciativa séria e testada de formação de leitores como a Jornada Nacional de Literatura de Passo Fundo (RS). Em momento tão hostil, campanhas publicitárias se arriscam a parecer pura desfaçatez e desconversa, como no caso do slogan “Pátria educadora”.

Está bem, admito que não ando otimista quanto à “formação de leitores” no Brasil. Espero estar errado, mas vejo um problema ainda maior do que os já mencionados, uma espécie de solo em que todas as outras dificuldades se fincam: nosso anti-intelectualismo profundo, atávico, desavergonhado e pimpão. Sabe qual? Aquele mesmo que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva se fartou de paparicar em seus discursos de menosprezo à educação formal que, exceção entre exceções, ele próprio nunca precisou ter para chegar ao “topo”. Aquele que nossa elite e nossa classe média reforçam quando, podendo ler, não leem xongas nem ensinam seus filhos a fazê-lo. Não esqueço que, tendo me apaixonado por literatura no início da adolescência, logo descobri ser melhor – socialmente melhor, o que naquela idade era vital – ler escondido, mentir que não tinha lido o que tinha lido, zombar sempre que possível de tudo o que parecesse vagamente livresco. O desprezo à cultura e ao espírito, aquilo que Paulo Prado apontou como traço proeminente dos bandeirantes em seu polêmico clássico “Retrato do Brasil”, deixou marcas fundas em nossa sociedade.

Imagino que, no fim das contas, o mesmo substrato de bibliofobia explique este triste enigma: por que a escola brasileira insiste em enfiar José de Alencar pela goela de milhões de adolescentes, geração após geração, garantindo assim – por meio de doses maciças de desconexão com a vida como ela é hoje, extemporaneidade sintático-vocabular e pura chatice literária – a formação de nossas multidões de não-leitores convictos. Em nome da importância histórica do autor, que poderia ser apreendida mais à frente por quem se interessasse, nega-se sumariamente o prazer de ler, salga-se a terra. É por isso que uma notícia supostamente lamentável de duas semanas atrás,‘Diário de um banana’ bate José de Alencar e Jorge Amado em bibliotecas de São Paulo, foi a melhor que li nessa praia em muito tempo.

24 Comments

  • Claudio Faria 04/07/2015 at 10:14

    Catzo, arrebentou, pra variar… O penúltimo parágrafo então, é um desabafo perfeito que explica em parte o quanto nos orgulhamos de ser… ignorantes! A mediocridade sempre existiu, mas hoje ela é exaltada e orgulhosamente assumida. Há exemplos às pencas, mas sempre cito o programa “Esquenta” da talentosa porém obtusa Regina Casé: gostar de merda é “in”, desgostar é preconceito. Paulo Coelho e Augusto Cury, duas farsas, são os escritores nacionais mais lidos atualmente em nosso país…

    Música, esquece? O Zeca Camargo refletiu o sentimento de muitos ao criticar a comoção provocada pela morte do famosíssimo (!?!?!) cantor breganejo e foi trucidade pela imprensa e meios de comunicaçõ. A meu ver seu único erro foi ter se retratado depois.

    Regredimos, com certeza regredimos…

  • Silvio 04/07/2015 at 10:25

    Sérgio, interessante como a FEP – Farsa Esquerdista de Paraty (http://veja.abril.com.br/blog/felipe-moura-brasil/2015/07/03/a-flip-danca-sobre-cadaveres/) – tenha inspirado um post tão excelente. Mas eu vejo esse cenário todo por outro lado. O que é um tanto óbvio, já que você está imerso nesse mundo das discussões sobre livros, e eu sou apenas mais um leitor comum. E não espero que os mais jovens me entendam, pois é norma no jovem discutir, polemizar, confrontar gostos (ainda mais agora com esse modismo das inúteis redes sociais). Pode chamar de escapismo tolo, mas sempre penso o seguinte: nosso tempo aqui é limitado (e não me refiro a tempo livre, mas sim a: um dia morreremos), por que ficar se desgastando com esses assuntos aparentemente sem solução?
    E outra. Por maior que seja a estridência de coisas como analfabetismo e péssima ficção, a longo prazo prevalecem os que “sempre” estiveram conosco e inclusive moldaram nossa forma de pensar e sentir: gregos, romanos, Bíblia, Shakespeare…
    O americano Gore Vidal falava isso com frequência: http://veja.abril.com.br/blog/todoprosa/pelo-mundo/gore-vidal-1925-2012-deixa-a-igreja-mais-vazia/

  • Paulo 04/07/2015 at 11:14

    Ainda ontem li algo parecido sobre os EUA. O fortíssimo anti-intelectualismo brasileiro é reforçado, ainda por cima, por Hollywood, que vê no leitor uma espécie de vilão. https://www.psychologytoday.com/blog/wired-success/201407/anti-intellectualism-and-the-dumbing-down-america

    Nas escolas deveríamos ler Twain, Conan Doyle, Poe, Dumas, Salinger, uma literatura excelente por si, mas que funciona no mundo inteiro, quanto a formar leitores. Do cânone brasileiro, sei lá, Lima Barreto, A Luneta Mágica, de Macedo, mas acho que autores mais recentes funcionaria melhor. José de Alencar até hoje não me desce.

  • Paulo 04/07/2015 at 11:20

    E acabei de ler essa bela defesa da leitura por prazer, do sempre ótimo Roger Ebert. http://www.rogerebert.com/rogers-journal/does-anyone-want-to-be-well-read

  • Alex Mandarino 04/07/2015 at 16:01

    O analfabetismo funcional e o descaso pela literatura de ficção (e pelas coisas do espírito, como apontou Paulo Prado) embotam qualquer futuro possível para o Brasil. Três em cada quatro são analfabetos funcionais. Ou seja, temos sempre 70% de probabilidades de estar trocando emails, posts e comentários online com alguém despreparado para entender a língua escrita. As ramificações disso são incontáveis, todas trágicas.

  • Glicia willingshofer 05/07/2015 at 07:40

    Finalmente um texto enxuto e lúcido, abordando todas as facetas dessa problemática , que nenhum governo jamais quiz enfrentar.

  • Bonifacio 05/07/2015 at 12:20

    Perfeito, a lista de livros hoje colocada nos curriculos dos jovens estão desconectados com a realidade e não ajudam em nada o gosto pela leitura.

  • Dilson Luiz 05/07/2015 at 23:54

    Boa noite!
    Parabéns pelo blog.
    Discordo da sua crítica ao estímulo à leitura da obra de José de Alencar. Se ele ainda está aí é porque tem qualidades. Para se estimular apenas o que é atual, deve-se ler jornais e/ou panfletos, ou o zap-zap. Os clássicos da língua são fundamentais!
    Há anos foi-me dito que em Portugal desde a alfabetização ensina-se/aprende-se Os Lusíadas !
    Suspeito que um dos motivos da nossa deficiência em leitura, seja o mesmo de outras áreas: nunca estimulamos o estudo, o esforço, a dedidação; nossos idolos estão no futebol, na música, ou alguém é admirado e louvado por ser cientista, pesquisador ?
    Saudações,
    Dilson

  • Henrique 06/07/2015 at 10:30

    É sempre com tristeza que leio esse tipo de notícia.
    Não apenas pelo fato em si – o baixíssimo nível de leitura do povo brasileiro. Isso é história antiga, e uma mudança significativa levará gerações para acontecer.
    Muito mais grave é a cegueira de governantes, instituições, professores e “especialistas” no tema. Por que digo isso?
    Muitos dizem que a leitura começa em casa, com o exemplo da família. Desculpem-me os românticos, mas pais com 40 anos de idade que não têm o hábito da leitura dificilmente poderão mostrar o caminho aos seus filhos. E essa é a regra entre as famílias brasileiras.
    A responsabilidade, portanto, fica com a escola. E que tipo de leitura a escola sugere para os jovens? Aquilo que será cobrado no vestibular. E aí está a tragédia maior, a meu ver.
    Moro em Curitiba, e acompanho sempre o vestibular da UFPR. Pois bem: veja a lista de obras a serem cobradas na prova deste ano:
    A Última Quimera, de Ana Miranda
    Claro Enigma, de Carlos Drummond de Andrade
    Eles Não Usam Black-Tie, de Gianfrancesco Guarnieri
    Fogo Morto, de José Lins do Rego
    Lavoura Arcaica, de Raduan Nassar
    Lucíola, de José de Alencar
    O Bom Crioulo, de Adolfo Caminha
    Os Dois ou o Inglês Maquinista, de Luís Carlos Martins Pena
    Poemas Escolhidos, de Gregório de Matos
    Várias Histórias, de Machado de Assis

    Acho um despropósito, uma falta de noção sem tamanho exigir a leitura de Alencar e Adolfo Caminha. Gregório e Martins Pena, por melhores que sejam, podem levar um adolescente de 17 anos facilmente ao desespero. Quem escolhe esses livros são professores do curso de Letras. Que objetivo têm eles com a escolha de O Bom Crioulo? Eles acham que estimularão a leitura ou que formarão leitores com isso?
    Aliás, uma coisa que realmente não dá pra entender no ensino de literatura na escola brasileira é a exclusividade que se dá ao ensino da literatura brasileira (às vezes há algo da portuguesa, vá lá).
    Por que temos que ler Alencar e Adolfo Caminha ao invés de Melville, Shakespeare, Jack London, Victor Hugo, Kafka?
    Isso, para mim, é incompreensível. Seria para valorizar nossa cultura? Se for isso, por que não ensinar apenas a geografia e a história brasileiras? Poderíamos dar uma de Policarpo Quaresma, e ensinar aos nossos alunos apenas a matemática e a física criadas em solo pátrio, deixando de lado Pitágoras e Newton.
    E digo tudo isso mesmo tendo lido com gosto um dos livros de Alencar: Senhora, sua melhor obra.
    Não defendo, obviamente, ignorar nossos grandes autores – pelo contrário: acho que os grandes (Machado, Graciliano, Guimarães Rosa – e mais os gênios portugueses) devem ser priorizados, deixando de lado os medianos, os medíocres, os ruins e os ruins de doer (como Adolfo Caminha).
    E, para cada um dos grandes, devem-se priorizar as leituras que têm mais possibilidade encantar os jovens. Amo Grande Sertão: Veredas, mas sei que é um livro dificílimo para qualquer um, e que pode desestimular – e muito – um jovem de 16, 17 anos. Mas Sagarana ou Primeiras Estórias, por exemplo, são mais fáceis e podem abrir outras portas. Da mesma forma, pedir para um jovem ler Angústia é não ter noção nenhuma de nada, ao passo que Vidas Secas pode ser abordado com muito mais facilidade.
    E isso é culpa do MEC e de seus burocratas e das Universidades e seus professores, que ditam o que é lido nas escolas, escolhendo livros absurdos para o vestibular.
    Por fim, já que você citou a Flip, preciso dizer que também não consigo entender essas festas literárias. Pouquíssimo do que acontece nelas tem a ver com leitura e literatura. O que vejo, em geral, é muita política e debates sociológicos – a arte literária parece sempre estar em segundo plano. Acho que isso tem muito a ver com o seu texto.

  • Artur 06/07/2015 at 12:06

    Na minha opinião, o problema não tá no livro lido em sala: tá no fato de quase nenhum professor se propor a ler o livro em sala, juntos dos seus alunos. Minha irmã tem experiência há mais de três anos com os tais classicos ~~chatos~~ brasileiros e tem um sucesso quase pleno que me admira muito. As crianças arranjam um jeito de terminar de ler a história sozinhas, baixam o restante do livro sei lá de onde, fazem vídeo-resenhas e botam no youtube, encantadas com o simples fato de estarem lendo com a sua “tia”.

    Toda reunião, tem pai e mãe agradecendo o fato de seu filho estar se interessando tanto pela literatura (tem criança que tá até querendo escrever as próprias histórias). E olha que eu tô falando de uma escola da periferia de Belém do Pará!

    Pra mim, grande parte do problema (senão 100%) tá na formação dos professores. Tem graduado em letras que não sabe diferenciar G de J e, pior que isso, tem graduado em letras que não gosta de ler!!! O máximo que pega pra olhar são as resenhas que exigem na universidade. Falo de cadeira porque conheço gente assim e não é pouca! A universidade desestimula metodologias de ensino criativas e ainda tem gente em nível de ensino superior que insiste nesse absurdo que é a periodização literária! E o que acontece depois que essas pessoas se formam? Vão lá e tacam um monte de “características do romantismo”, “características do simbolismo” pros alunos, isso sim completamente descontextualizado e profundamente chato.

    No fim das contas, esse aluno tá pouco se lixando pra literatura, até porque ele realmente não vai usar ~~característica de escola literária~~ pra nada na vida dele. E eu apoio que ele pense assim! Não tem como ele ser hipócrita e ensinar seu filho a ler se nem ele recorda com carinho das aulas de literatura! Minha professora também lia com a turma, esclarecia dúvidas e estimulava atividades que só acrescentavam. Se assim o fizerem com os autores contemporâneos, ótimo! Agora se pegarem um do John Green e tirarem todo o tesão de ler o livro página a página, simplesmente construírem um esquema que explica a história até o fim, é melhor continuar com os clássicos.

  • Paulo 07/07/2015 at 11:47

    Seu post é oportuno e até otimista. Diário de um Banana logo, logo estará na lista da Fuvest. Mas minha pergunta é outra. E os leitores digitais? Um abraço.

  • José do Norte 07/07/2015 at 14:13

    desculpem-me.

    comecei lendo josé de alencar, é um bom autor. O negócio é que brasileiro não tem hábito literário, uma prática do século XIX Até 1950 90% do país era analfabeto, a leitura não era crucial para a massa viver. E hoje continua não sendo. Quem nunca perguntou onde fica tal lugar ou como se preenche tal formulário? Justamente porque não acreditamos no que está escrito, revelando nossa desconfiança da linguagem literária?

    Leitura é apresentada como coisa de janotas chatos. É um fato. A Leitura só se tornará um hábito quando o trabalho de base for feito com amor, perseverança e dedicação. Enquanto pedagogos sectários de paulofreire e marcosbagnos forem despejados nas salas de aula a coisa se tornará pior.

    PS: Que brasileiro leu no 2 grau os textos de josé bonifácio, de gilberto freyre, de vargas e de tantos outros? Textos são idéias? Qual idéia o brasileiro faz de si?

  • Visconde D'Ouro Preto 08/07/2015 at 13:43

    Bravo!

  • Leandro 09/07/2015 at 15:03

    É um caso interessante. Aqui as pessoas preferem aderir a bolsões de opiniões prontas. Tudo que implica reflexão, leitura atenta e estudo é desprezado em nome dessa ânsia opinativa e sem fundamento. Como um país assim pode valorizar a leitura?!!!

  • tiago alves 09/07/2015 at 17:41

    Eu comecei a ler José de Alencar no colégio e nunca fiquei traumatizado, eu não o acho um grande autor, mas reconheço sua importância, e de vez quando até leio algo da obra dele que eu ainda não tenha lido, uma coisa que me fez gostar muito de ler foram as leituras em classe, que geralmente eram crônicas ou contos e aí debatíamos em classe o assunto, ou seja eu tinha uma professora preparada e que sabia difundir o gosto pela leitura, então quando chegou o momento de ler os medalhões eu não tive nenhuma dificuldade, e discordo totalmente da pessoa que falou que o “bom crioulo” é ruim, ele tem sua importância histórica é o primeiro(ou um dos primeiros) romance brasileiro a abordar o homossexualismo e pode gerar boas discussões em sala de aula se o professor souber aproveitar o tema, coisa que muitos não devem saber fazer.

  • Debora 09/07/2015 at 20:54

    Governo? Sim, precisa se debruçar em acabar com a analfabetismo e incluir a literatura como desenvolvimento intelectual. Mas, o principal, a meu ver, é o incentivo familiar. Só eu sou responsável por grande parte do índice de leitores, com minha média de um livro por semana, e minha neta de 6 anos, que também lê, pelo menos um livro quinzenalmente.

  • Henrique 10/07/2015 at 16:29

    Em resposta ao Tiago Alves, que disse que O Bom Crioulo “tem sua importância histórica”, por ser o primeiro romance brasileiro a abordar o homossexualismo, preciso dizer que concordo. Ele tem importância histórica, o que não quer dizer que seja um bom livro, ou um livro adequado para despertar nos jovens o interesse por outros livros. Pode ser muito importante e interessante para pesquisas acadêmicas em pós-graduações de Letras, como qualquer livro com “importância histórica”. Mas, repito, é um livro ruim, maniqueísta, mal escrito, desinteressante. Pode-se ter discussões sobre o tema com livros muito melhores, brasileiros ou não.
    Afinal, qual era mesmo o tema da discussão? A formação de leitores no Brasil. Apesar de ser ruim de doer, O Bom Crioulo pode até conquistar alguns poucos leitores, como o Tiago. Mas é arriscadíssimo apostar num livro como esse, pois o mais provável é que a maioria dos jovens vestibulandos saia tão decepcionada e irritada da sua leitura que pense em nunca mais ler um livro brasileiro antigo. E os bons livros e seus potenciais leitores restarão prejudicados por causa de uma jabuticaba como essa.

  • Mário Jacoud 10/07/2015 at 18:51

    Caro Sérgio: é o tipo de texto para o qual não cabe nenhum adjetivo. Quem ainda lê concorda, do começo ao fim, com todas as palavras e letras.
    Permito-me, ainda que mero soldado, engajar-me na luta.
    É para ler em frente ao espelho…
    Muito obrigado

  • jb 11/07/2015 at 17:37

    No que concerne a “…um problema ainda maior do que os já mencionados, uma espécie de solo em que todas as outras dificuldades se fincam: nosso anti-intelectualismo profundo, atávico, desavergonhado e pimpão. Sabe qual? Aquele mesmo que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva se fartou de paparicar em seus discursos de menosprezo à educação formal que, exceção entre exceções, ele próprio nunca precisou ter para chegar ao “topo”.” Lembrei entrevista do poeta paraibano Manoel Monteiro à revista Brasileiros:”Eu não me formei, não foi por falta de dinheiro, não foi porque eu trabalhava, nem nada, porque às vezes dizem isso: “Fulano não estudou porque…”. É mentira, é papo furado. Não estudou porque não quis! O sujeito proíbe fumar maconha, o povo fuma; proíbe roubar, os caras roubam… Não estudou porque não tinha vontade.” Imputar ao ex-presidente Lula desprezo que brasileiro tem pela leitura é forçar a barra, será quando fomos governados por intelectuais os níveis leitura não eram muito diferentes de hoje?
    JB, você não entendeu bem. Uma coisa é reconhecer o desprezo de Lula pela leitura e pela educação formal, que é ululante e foi alardeado em mil discursos. Outra seria dizer – o que não faço, não sou maluco – que ele é o culpado por nossos índices pífios de leitura. O desprezo de Lula reforça preconceitos, mas está mais para sintoma de um quadro histórico que o antecede em muito e que infelizmente sobreviverá a ele. Um abraço.

  • tiago alves 12/07/2015 at 19:57

    Henrique, eu concordo com você quanto ao fato do livro não ser uma pequena pérola literária, mas se tivéssemos professores preparados, eles saberiam abordar o tema e facilitaria a leitura, mas o ideal seria utilizar autores mais contemporâneos e se possível evitar os medalhões do Século XIX, independente da origem do autor.

  • Alexandre Nogueira 12/07/2015 at 21:44

    Quando uso o transporte público, leio escondido, para não causar irritação nas pessoas ao redor( já aconteceu), aprendi a ler e books no tablet, assim podem pensar que estou fazendo outra coisa. Já no metrô de Paris, vi a grande maioria lendo livros de bolso, lá a leitura gera simpatia e não animosidade. Nas escolas poderiam colocar , p. exemplo, livros como “isca”, para o gosto pela leitura, livros atuais, como os de suspense, policiais, etc; que gerem a curiosidade e o prazer pela leitura.

  • amyr 16/10/2015 at 13:15

    quantos livros você lê por ano, sérgio?

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