Colarinho-branco

12/07/2008

A palavra composta colarinho-branco, que traduzimos do inglês white-collar, está tão associada à expressão “crime do colarinho branco” que deixa em segundo plano sua idéia de origem, que era simplesmente dividir os trabalhadores em dois grupos: de um lado os colarinhos-brancos, com terno e gravata, alto grau de escolaridade e salários gordos; do outro os blue-collar workers, o pessoal de uniforme, mal remunerado, encarregado de trabalhos braçais. O colarinho-azul não migrou para o vocabulário do português. Ficamos só com o branco mesmo.

Esse código de cores é bem americano: em grande parte das empresas daquele país, ao longo do século passado, o nível hierárquico dos funcionários era indicado por jalecos brancos e azuis. No entanto, há quem diga que as raízes são mais profundas. O primeiro registro de white-collar para qualificar o trabalhador de escrivaninha é de 1919 e aparece na obra de Upton Sinclair, autor do livro em que se baseou o filme “Sangue negro”, que valeu a Daniel Day-Lewis o Oscar de melhor ator. Supõe-se, porém, que a palavra tenha influência do colarinho engomado dos clérigos de várias religiões cristãs. Por séculos, foi nesses grupos que a sociedade européia recrutou não apenas sacerdotes, mas a maioria de seus trabalhadores intelectuais.

Mesmo sendo uma palavra dicionarizada que designa engravatados em geral, colarinho-branco é hoje quase uma exclusividade do vocabulário criminal. A expressão “crime do colarinho branco” surgiu em 1949, também no inglês, cunhada pelo criminologista Edwin Shuterland. A crescente liberalização dos trajes de trabalho pode ter contribuído para esse estreitamento, mas o fator dominante no Brasil foi certamente a grande popularidade do “apelido” midiático da lei federal nº 7.492, de 1986, que tem como alvo os crimes contra o sistema financeiro.

Publicado na “Revista da Semana”

6 Comments

  • Vinícius Dônola 12/07/2008 at 11:35

    Beleza, chefia!
    Blogando e aprendendo…
    Abs

  • JECA TATU 12/07/2008 at 12:37

    REPÚBLICA PRIVATIZADA-FHC e DD (público e privado)
    EXPROPRIAÇÃO DE RECURSOS PRIVADOS DOS FUNDOS FECHADOS DE PENSÃO DAS ESTATAIS, PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR PRINCIPALMENTE DA PREVI, E EXPROPRIAÇÃO DE RECURSOS PÚBLICOS DO SISTEMA TELEBRÁS: MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL CONSCIENTE: quando se trata da privatização do sistema Telebrás, da Vale do Rio Doce, são milhões de cidadãos, é a sociedade inteira, contra um governo que organiza privatizações de forma escusa, torcida, imoral, ilegal e lesiva, todas questionadas na Justiça e que podem ser anuladas, ORQUESTRADA POR FHC, EX-SOCIALISTA SOCIÓLOGO: “esqueçam o que eu disse e fiz” E DD, DANIEL DANTAS DE EXPROPRIAÇÃO DE DINHEIRO PÚBLICO E DE DINHEIRO PRIVADO.

    PRIMEIRO: SOB SUSPEITA Após essa reportagem caíram todos, exceto os Cardoso presidente e o general, e a PREVI foi ad nauseam citada. O negócio tá na nossa mão, sabe por que Beto? Se controla o dinheiro, o consórcio. Se faz aqui esses consórcios borocoxôs, são todos feitos aqui. O Pio (Borges, vice-presidente do BNDES) levanta e depois dá a rasteira. (Luiz Carlos Mendonça de Barros, ministro das Comunicações, em conversa com o irmão José Roberto, secretário executivo da Câmara de Comércio Exterior); Temos que fazer os italianos na marra, que estão com o Opportunity. Combina uma reunião para fechar o esquema. Eu vou praí às 6h30 e às 7 horas a gente faz a reunião. Fala pro Pio que vamos fechar (os consórcios) daquele jeito que só nós sabemos fazer. (Luiz Carlos Mendonça de Barros para André Lara Resende, presidente do BNDES, sobre a intenção de operar em favor do consórcio integrado pelo banco de investimentos Opportunity e a Telecom-Itália); Vai lá e negocia, joga o preço para baixo. Depois, na hora, se precisar, a gente sobe e ultrapassa o limite. (André Lara Resende para Pérsio Arida, sócio do Opportunity).

    SEGUNDO: “A imprensa está muito favorável, com editoriais” Trecho da fita enviada à Polícia Federal: O ministro Luiz Carlos Mendonça de Barros, André Lara Resende e Pérsio Arida estão reunidos. Eles conversam com Jair Bilachi, presidente da Previ, o fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil. O trio quer que a Previ se junte ao Opportunity, visando formar um consórcio para arrematar a Tele Norte Leste: “Estamos aqui eu, André. Pérsio e Pio (Borges, vice-presidente do BNDES), diz Mendonça de Barros a Bilachi. “Mas estamos muito preocupados com a montagem que o Ricardo Sérgio está fazendo do outro lado (junto ao consórcio de Carlos Jereissati). Porque está faltando dinheiro, doutor. E a gente está sabendo que uma das alternativas (do consórcio concorrente) é fundir as empresas com a holding. Aí, o negócio fica limpo e a minha primeira preocupação, e o presidente já me ligou, é que a gente ponha em pé este negócio. Senão, o que aparentemente for um puta sucesso pode ficar um negócio amargo.” “Ministro, nós estamos concentrando forças e a nossa proposta é bem diferente”, responde Bilachi. “Mas é justo na linha de negócios. Nós estamos cacifando aqui. Mas, essa questão do outro negócio (apoio de Ricardo Sergio de Oliveira, do Banco do Brasil, ao grupo de Jereissati), acho que vocês deviam conversar com o Ricardo Sérgio.” “Tudo bem”, diz Mendonça de Barros. “Mas o importante para nós é que vocês montem com o Pérsio, evidentemente chegando a um acordo, e tudo o que precisar nós ajudamos. Temos um probleminha agora que é a carta de fiança. E é chato chegar agora, no meio da tarde, e o Banco do Brasil dizer que não vai dar.” “Vou falar com ele (Ricardo Sérgio)”, diz Bilachi. “Sei que ele (Ricardo Sérgio) está falando com a Telefónica de España, um negócio meio esquisito.”

    TERCEIRO: “A imprensa está muito favorável, com editoriais” Trecho da fita enviada à Polícia Federal: O ministro das Comunicações telefona para o diretor do Banco do Brasil, Ricardo Sérgio de Oliveira. E revela: o Opportunity quer participar do leilão da Tele Norte Leste, mas depende da concessão de uma fiança do Banco do Brasil: “Está tudo acertado”, diz Mendonça de Barros para Ricardo Sérgio. “Mas o Opportunity está com um problema de fiança. Não dá para o Banco do Brasil dar?” “Acabei de dar”, responde Ricardo Sérgio. “Dei para a Embratel e 874 milhões para o Telemar (Tele Norte Leste). Nós estamos no limite da nossa irresponsabilidade. São três dias de fiança para ele”, continua o diretor do Banco do Brasil, quase rindo. “É isso aí, estamos juntos”, diz Mendonça de Barros. “Na hora que der merda (Ricardo Sérgio se refere ao astronômico valor da fiança), estamos juntos desde o início.”

    QUARTO: “A imprensa está muito favorável, com editoriais” Trecho da fita enviada à Polícia Federal: O presidente Fernando Henrique liga para o ministro Mendonça de Barros na sede do BNDES. FHC queria saber como estava o andamento do leilão das teles: “Estamos aqui praticamente com o quadro fechado”, diz Mendonça de Barros ao presidente. “Você acha que, no conjunto, vai dar o quê?, pergunta FHC. “Vai dar uns 16 bi, que é o que eu tinha dito”, responde o ministro. O nosso preço mínimo é de 13 bi e 400, e nós chegaremos a uns 16 bi, que é muito dinheiro.” “Ajuda, né?, as reservas”, comenta FHC. “A imprensa está muito favorável, com editoriais”, diz Mendonça de Barros. “Está demais, né?”, diz FHC em tom de brincadeira. “Estão exagerando, até.”

    QUINTO: Nem o ministro nem os envolvidos imaginam ter atropelado em qualquer momento algum item de um conjunto que resulta em algo conhecido como Estado de Direito. Grampos telefônicos, ninguém desconhece, ferem também o tal Estado. VERSÕES ESTRANHAS. Se, ao se ouvir as fitas, ou mesmo o que vem dizendo o ministro, alguém manifestar dúvidas sobre onde começa o BNDES e onde termina o Opportunity, assim como o vice-versa, a resposta estará pronta: — “Trata-se de uma chantagem, propiciada por grampos, e tudo não passa de uma montagem.” Quanto à chantagem, imagina-se que os chantageados sabem o que estão dizendo. Grampos, escuta ilegal, segundo o tal Estado de Direito, dá cadeia. Uma vez que o presidente da República recebeu a fitalhada em mãos, estranha-se que só após o vazamento, quase um mês depois, tenham sido acionadas a Polícia Federal e a Procuradoria Geral da República. Da mesma forma, estranhas são as versões do governo. Primeiro, a captura das fitas teria sido obra dos espiões da agência de Inteligência, a Abin. Depois, elas teriam chegado às mãos do general Cardoso após terem sido encontradas debaixo de um viaduto. Há aí um ruído. Como, admitiu o próprio Lara Resende em conversa com o ex-deputado Aloísio Mercadante, o presidente havia recebido as denúncias, fica sem se saber quem foi até o viaduto: o general Cardoso, um dos seus agentes, ou o próprio presidente?

    SEXTO: Em destaque na REPORTAGEM: Os grampos buscavam diálogos do ministro das Comunicações com seus filhos, donos de uma corretora que negociava ações Telebrás na BM&F.
    Um salto audacioso: A cavaleiro, Lara Resende teceu com Mendonça de Barros um enredo explosivo. O presidente, na linha.
    Oportunidade: Pérsio Arida (acima), ex-presidente do Banco Central, está no Opportunity, na Vale, na sala do BNDES e nas conversas gravadas.
    Barros sugere: ”Temos que falar com o presidente”. E André Lara Resende responde: “Isso seria usar a bomba atômica”. André usa a bomba atômica.
    Prodígio: A corretora Link, criada em 2 de fevereiro pelos jovens Mendonças, quatro meses depois era a terceira no Ibovespa futuro.
    No leilão da Vale, a Previ, parceira de Antonio Ermírio, bandeou-se para Steinbruch à última hora. Que ganhou com Arida e o Opportunity – os mesmos.
    Dar rasteiras: Pio Borges, vice-presidente do BNDES, encarregado dos borocoxôs.
    Em setembro de 97, Ciro Gomes diz: “O Antônio Ermírio é inteligente. Viu que querem engoli-lo e berrou a tempo. Não vão mais atropelá-lo”
    No viaduto. Em uma das versões, antes de chegar ao general Cardoso, as fitas passaram.
    Com digitais no obscuro papelório das Cayman, Fernando Collor ameaça: “Quero ver se o presidente ainda vai estar indignado daqui a três meses”
    Mercadante: “Lara Resende confirmou o teor dos diálogos nos grampos”.
    Jornalistas, ainda que confiem pouco na memorabilia amarela, querem permanecer. Ajustes, chi lo sa, para o Grande Salto adiante.
    Rútilos. Gilberto Miranda é tido como um dos autores da Operação Cayman. Notam-se as digitais delle.
    Coutinho. O Lafa enfiou-se na mesma Operação, em companhia da velha turma. Depois, escafedeu-se.

  • sueli 13/07/2008 at 01:02

    excelente o texto colarinho branco, hoje aprendi algo mais, obrigada por mais esta oportunidade de aprendizado, é muito bom

  • Renatinha 13/07/2008 at 11:20

    Dessa eu nao sabia… lendo e aprendendo. Muito bom saber. Abraço a todos, tenham um bom domingo!

  • autroista 13/07/2008 at 12:46

    poderia ter sido mais profundo esta reflexão, não se esqueçam dos crimes que foram cometidos nos EUA durante o período da grande depressão, dos marajás dos Brasil e etc. O Assunto ficou superficial!

  • Cléverson Faria Costa 14/07/2008 at 22:46

    Prezado Sérgio.
    No momento em que o banqueiro Daniel Dantas foi preso e liberado duas vezes em menos de 24:00 horas, é interessante conhecer a idéia de origem da palavra colarinho-branco.
    Embora o foco desse sítio seja exclusivamente literário, não resisto à tentação e faço as seguintes reflexões:
    O trabalho do Delegado da Polícia Federal que preside as investigações contra o banqueiro é exemplar.
    A “Folha de São Paulo”, com o propósito indisfarçável de desqualificar as investigações, aponta o mau uso das preposições no relatório do Dr. Protógenes Queiroz.
    É evidente que eventual imperfeição na forma não tem o poder de anular o conteúdo.
    Afinal, não é o bom ou o mau uso das preposições que faz mais ou menos verossímeis as notícias veiculadas pela grande imprensa.
    O que traz credibilidade, seja para uma investigação policial, seja para uma notícia jornalística é a verdade factual, infelizmente pouco perseguida pela “grande imprensa”.
    Com um forte abraço,

    Cléverson Faria Costa

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