Começos (ainda) inesquecíveis: Graciliano Ramos

31/05/2009

Antes de iniciar este livro, imaginei construí-lo pela divisão do trabalho.

Dirigi-me a alguns amigos, e quase todos consentiram de boa vontade em contribuir para o desenvolvimento das letras nacionais. Padre Silvestre ficaria com a parte moral e as citações latinas; João Nogueira aceitou a pontuação, a ortografia e a sintaxe; prometi ao Arquimedes a composição tipográfica; para a composição literária convidei Lúcio Gomes de Azevedo Gondim, redator e diretor do Cruzeiro. Eu traçaria o plano, introduziria na história rudimentos de agricultura e pecuária, faria as despesas e poria o meu nome na capa.

O intrigante começo de “São Bernardo” (1934), de Graciliano Ramos (39.a edição, Record, 1983), apareceu aqui no blog no distante 20/6/2006. Já estava na hora de voltar.

8 Comments

  • isaac 31/05/2009 at 11:08

    mestre supremo.
    para mim o maior romancista desse país.

  • Carlos Eduardo 31/05/2009 at 13:41

    Concordo com o isaac: mestre supremo.

    Só não digo que é o melhor romancista deste país porque há Machado de Assis. Mas pra mim é o único romancista brasileiro do século XX que mereceu, de verdade, o Nobel.

  • Cezar Santos 31/05/2009 at 18:19

    Escritorzaço!
    E esse início…. percebo um carrada de ironia, naquele estilo enviezado, torto dele, disfaçado em clareza e limpidez. Coisa de gênio, mesmo.

  • wellington machado 01/06/2009 at 13:13

    Poderíamos dizer que temos três grandes romancistas brasileiros? Machado, Rosa e Graciliano Ramos?

  • Rafael 01/06/2009 at 14:11

    Sempre achei uma incoerência inexplicável o Graciliano Ramos ter feito do bronco Paulo Honório o narrador em primeira pessoa do livro.

    Para mim, este “intigrante começo” de São Bernardo é uma fratura no edifício de verossimilhança realista que o velho Graça tentou erguer.

  • Mário 01/06/2009 at 17:22

    Um desafio: qual início dos livros de Graciliano não é inesquecível?

  • Carlos Eduardo 01/06/2009 at 21:33

    Respondendo ao Mário: acho que o começo de Caetés não é tão bom quanto o dos outros livros do mestre.

  • Laurindo B. Regueira 04/06/2009 at 12:02

    Loas ao “Velho Graça”.
    Pérola especial de nossa literatura, entre algumas outras de beleza e de grandeza que nos orgulham.
    Bela lembrança, Sérgio Rodrigues

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