Começos (ainda) inesquecíveis: H.G. Wells

21/09/2008

Como esquecer o dia em que Marte atacou? Post publicado em 14/4/2007:

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Ninguém teria acreditado, nos últimos anos do século XIX, que este mundo era atenta e minuciosamente observado por inteligências superiores à do homem e, no entanto, igualmente mortais; que, enquanto os homens se ocupavam de seus vários interesses, eram examinados e estudados, talvez com o mesmo zelo com que alguém munido de um microscópio examina as efêmeras criaturas que fervilham e se multiplicam numa gota d’água.

O começo do clássico de ficção científica “A guerra dos mundos” (Alfaguara, tradução de Thelma Médici Nóbrega, 2007), romance lançado em 1898 pelo escritor inglês H.G. Wells (1866-1946), impressiona pela precisão “científica” da prosa. A frieza do tom torna ainda mais sinistra a ameaça de invasão marciana que prenuncia.

4 Comments

  • Francisco 21/09/2008 at 13:48

    Grande Wells! O fato de não fazer essa alusão sutil aos microbios torna a versão cinematografica mais recente (com Tom Cruise) uma peça sem sentido para o espectador. O espectador se pergunta ao fim do filme: Uai, de onde vieram esses vírus. Uma falha gritante no roteiro. O texto de Wells é mais respeitado na primeira versão cinematográfica, mas tambem não dá conta da sutileza (tipicamente literária) de, no parágrafo de abertura, contar o final do romance e ninguêm perceber. Ao fim dizemos: ahhh! por isso ele aludiu ao fato de sermos observados “talvez com o mesmo zelo com que alguém munido de um microscópio examina as efêmeras criaturas que fervilham e se multiplicam numa gota d’água”. Em “Homens de preto I e II” esse jogo relativista das grandezas é explicitamente citado (dentro do armário há um universo, dentro da gota dágua – no fim do filme, dentro da coleira do cachorrinho…). Preparar um romance após pesquisa cientifica não era o forte dele (era de Verne), mas ele fez e tornou costume (pergunte para o Crichton). Wells fez muito, quase tudo, pela literatura de massas esse gênero especialista em se expressar em outras mídias. Verne, Doyle e Hammet foram outros que sintetizaram formas permanentes, duradouras desse gênero. Estórias para adoçar o dia e intensamente comprometidas com uma das funções sempre esquecidas da arte: entreter com com inteligência e agregação de saber.

  • Cezar Santos 21/09/2008 at 19:20

    simplesinho, sem firula…direto na veia..

  • pedro curiango 22/09/2008 at 01:36

    A parte mais importante, para mim, e que dá a nota da sequência da história, é a do “igualmente mortais.” Ou seja, os “infusórios” somos nós, mas não se pode esquecer que os observadores marcianos são também mortais.

  • pedro curiango 22/09/2008 at 02:20

    Esqueci de anotar: hoje, dia 21 de setembro, é aniversário de nascimento de Wells (em 1866).

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