Começos (ainda) inesquecíveis: James Joyce

19/10/2008

Era uma vez um post publicado em 6/8/2007:

*

Era uma vez e uma vez muito boa mesmo uma vaquinha-mu que vinha andando pela estrada e a vaquinha-mu que vinha andando pela estrada encontrou um garotinho engrachadinho chamado bebê tico-taco.

Seu pai lhe contava aquela história: seu pai olhava para ele através dos óculos; ele tinha um rosto peludo.

Não deixa de ser uma prova de que não há palavras proibidas, apenas maior ou menor habilidade no uso delas, o fato de “Um retrato do artista quando jovem” (Alfaguara, 2006, com bela tradução de Bernardina da Silveira Pinheiro), romance lançado por James Joyce em 1916, começar com a mais batida das fórmulas, “era uma vez” (once upon a time).

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17 Comments

  • Caio Marinho. 19/10/2008 at 19:44

    Voltando, novamente, às vacas frias. =)

    O começo, no original:

    “Once upon a time and a very good time it was there was a moocow coming down along the road and this moocow that was coming down along the road met a nicens little boy named baby tuckoo…

    His father told him that story: his father looked at him through a glass: he had a hairy face.”

    A versão falada (audiobook) do livro, em inglês:

    http://librivox.org/a-portrait-of-the-artist-as-a-young-man-by-james-joyce/

    ***

    O cavanhaque de Joyce e a posição dele na foto lembram seu avatar, Sérgio.

    Abraço.

  • Saint-Clair Stockler 20/10/2008 at 11:33

    Apesar da tradução do Houaiss ser considerada a melhor tradução do Ulisses no mundo todo, a tradução da Bernardina é infinitamente mais legível. A tradução do Houaiss é pra intelectuais (desculpe a rima inconsciente), e chega uma hora em que você fica de saco cheio com ele, e irritadíssimo. A tradução da Bernardina é pra seres humanos. Rsrsrs.

    Pena que esse livro custe tão caro! Neguinho se faz, hein? Aproveita mesmo… Em média 80 paus!

    Tive a idéia, agora, de escrever um conto de uma mulher brasileira, apaixonada leitora, que se prostitui pra comprar livros… Que tal, hein? Só assim, minha gente, só dando muito o lombo pra conseguir ler tudo que a gente quer e precisa!

  • Eric Novello 20/10/2008 at 12:11

    Saint, sugestão de título para você:
    A prostituta de cabul que roubava livros e usava pijama listrado.

  • Fernando Torres 20/10/2008 at 13:13

    Caio: A semelhança é gritante. Até a inclinação da cabeça é igual.

    Saint-Clair: Concordo plenamente com você sobre as traduções. Mas intelectual mesmo é ler capítulo a capitulo com o original e as duas traduções para comparar. Comforme um professor de Crítica Literária já sugeriu em sala.

  • Sérgio Rodrigues 20/10/2008 at 15:00

    Caio e Fernando, cuidado. Assim vocês dão munição para aquele papo maluco de que todo escritor brasileiro quer ser James Joyce… rsrs

  • Noga Lubicz Sklar 20/10/2008 at 15:49

    Se o Houaiss excede no trato a Bernardina dá demais ao prato, rima consciente, o lirismo agudo de Joyce, aliás, é o que falta aos dois: quem tem razão é o professor do Fernando.

  • Tibor Moricz 20/10/2008 at 16:33

    Eu não quero ser James Joyce, aliás, nem sei quem é…rs

  • Hélio Jorge Cordeiro 20/10/2008 at 16:50

    Pois é, Tibor, um vestibulando ao ser indagado acerca de James Joyce, disse: ” Ah, então foi esse cara quem escreveu a bio do Doutor Ulisses, hein?!”

  • Fabio Negro 20/10/2008 at 19:00

    Droga, estou condenado: adorei esse começo inesquecível!

    Nunca li nada de Joyce, mas e mas adorei-uau!

  • Saint-Clair Stockler 20/10/2008 at 21:40

    Noga,

    Quem é viva sempre aparece!

  • Saint-Clair Stockler 20/10/2008 at 21:49

    É esse tipo de professor universitário que acaba com qualquer tentativa de vida inteligente e prazerosa nas universidades! E os alunos acabam saindo umas miniaturas deles, ô bando de gente chata!

    Eu tô fora!

    Se um professor meu viesse com esse papo lá na Uerj, eu ia rir na cara dele! E ainda ia virar na frente de todo mundo e dizer: “Vem cá, fulano, tu não tá falando sério não, né? Tá de sacanagem? Só pode estar, né?” Em geral eles se quebram todos quando a gente encosta eles um pouco na parede; não estão acostumados, sabe? Tão divertido…

    Ah, isso me lembra uma coisa, uma das minhas memórias acadêmicas. Uma vez, durante uma aula de Teoria da Literatura, dei um jeito de encaixar a palavra “punhetinha” no meio de uma das minhas frases, já nem me lembro bem a propósito do quê, algum daqueles absurdos lá. Precisavam ver a reação dos demais colegas de turma! A temperatura na sala despencou, acho que dava pra ouvir uma agulha cair ao chão… E eu morrendo e rir por dentro, com a cara mais séria do mundo (porque se você fizer cara de quem está morrendo de rir, estraga a coisa).

    Vou lhes contar: perdi totalmente a fé na Academia (e não estou falando na de Brasileira de Letras, não), quando um dos meus honoráveis colegas de mestrado (era no tempo do mestrado) virou pro professor e disse: “Ô fulano, estou pensando aqui… Existe romance que não seja romântico?” Isso aconteceu na turma daquele professor que nos disse que as 3 horas de aula do mestrado – começando às 10 e terminando às 13 – eram uma “evidente ficção”; que ele não ia, não, nos fazer ficar a hora do almoço lá presos, podíamos ficar relaxados. E fez a seguinte proposta: nós chegávamos às 10 e saíamos às 11h30, ainda com tempo para o almoço. Sim, meus prezados que se deram ao trabalho de me ler até aqui, o honorável mestre estava propondo um corte de 50% (eu disse CINQUENTA POR CENTO) no tempo da aula! E todo mundo aceito, muito contentinhos ficaram…

    Jà não boto fé na Academia, repito… Já botei, mas isso foi quando eu era um mocinho ingênuo e virginal… Never more, como diz o Corvo do Poe. Never moooore!

  • Fernando Torres 20/10/2008 at 23:38

    Saint: Não perca a Fé. A sugestão daquele professor era tão irônica e cínica como a minha. Por sinal, ele foi uma das pessoas que me devolveram o prazer de ler.

    Sérgio: Você quer ser o Joyce? Eu sempre gostei mais do amigo italiano dele: Italo Svevo.

  • Mr. WRITER 21/10/2008 at 01:02

    Fernado,
    compartilho essa predileção por Italo Svevo, mas tenhos uns débitos com Joyce que talvez possam mudar isso… Se eu conseguir quitá-los, claro.

  • Tibor Moricz 21/10/2008 at 09:18

    Eu quero ser igual ao Ray Bradbury. O resto…ora, o resto…

  • Silvio... Silva 21/10/2008 at 15:38

    Rapaz, do Joyce tenho recordações muito boas da leitura de um volume de contos (“Dublinenses”, se não me falha a memória). Da fase “desbravadora” (Portrait…, Finnegans…, Ulysses) nada li. Agora, como diria o grande comunicador Silvio Santos, eu não li, mas ela leu (eu acho):

    http://i68.photobucket.com/albums/i38/richardjgibson/MarilynMonroereadsJoyce.jpg

    abs’

  • Ernâni Getirana 22/10/2008 at 14:38

    Verdade! Mas fico também imaginando se Joyce seria o mesmo se escrevesse em … Português. Li Ulyisses ao mesmo tempo em 3 idiomas e era uma cachaça só. Literatura tem disso. Deixemos São Machado de Assis com a última palavra: ( …).

    Ernâni Getirana.

  • joyce allinne 05/11/2008 at 21:39

    achei ingraçado mais é uma vergonha pr as joyce do Brasil
    ceria melhor se a historia fosse mais interessante e maior!………….(…)!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

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