Começos (ainda) inesquecíveis: Leon Tolstoi

27/07/2008

Os começos são bons cada um à sua maneira. Post publicado em 21/8/2006:

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Todas as famílias felizes se parecem entre si; as infelizes são infelizes cada uma à sua maneira.

A frase de abertura de “Ana Karenina”, obra-prima do romance que Leon Tolstoi começou a publicar na imprensa em 1875 (Editora Nova Aguilar, Obra Completa, volume 2, 2004, tradução de João Gaspar Simões), conseguiu virar aquilo que a maioria dos escritores só ousa perseguir em sonho: máxima, aforismo, provérbio, dito popular, pérola de sabedoria que parece não ter dono, mas brotar diretamente do inconsciente coletivo.

11 Comments

  • Hiago R.R. de Queirós 27/07/2008 at 13:17

    Todo escritor antes de querer ser uma referência de sabedoria, é um poço de dúvidas sobre tudo o que ele escreve e os demais temas que rodieam o que ele escreve.
    Portanto, acho sim que todos os escritores tentam escrever uma bíblia… mas uma que responda, ou afirme o que ele mesmo quer tratar; e se esse tratar for um assunto comum a todos… então o resultado será um sucesso.

  • Hiago R.R. de Queirós 27/07/2008 at 13:26

    Ah… e todos nunca se cansam de falar do mesmo assunto. Sim, nós podemos até enjoar um pouco, mas nunca deixamos de falar de algum assunto comum, pois todos os assuntos comuns a todos são polêmicos, indefinidos e ao mesmo tempo que metafacetados pela opinião pessoal de cada um.

    Portanto, o assunto sexo sempre será discutido porque dois sexos mais dois são quatro sexos… sim são, mas o que é, como, quando, porque e com quem fazer sexo sempre será uma discussão que partirá do individal para o coletivo e vice-versa… e nunca haverá uma exatidão e unificação de resposta porque é o comportamento individual do ser humano e aumentando numa periférica maior: do comportamento de uma sociedade que estamos falando.

  • Cezar Santos 27/07/2008 at 13:34

    Essa é lapidar…
    Sérgio, nada ainda sobre o prêmio para o Ubaldo…?

  • Ana Maria 27/07/2008 at 15:48

    A-m-o “Ana Karenina”. Já li o livro não sei quantas vezes. A frase de abertura é simplesmente genial.

  • jorge 27/07/2008 at 18:15

    Eu também amo Ana Karenina.
    As duas.

    Tolstoi era um maldito cristão.

    Toda genialidade dele vinha desse amor.
    Quão fácil é ser super-homem e quão difícil é enredar-se nas dúvidas do amor ao próximo…

  • C. S. Soares 27/07/2008 at 20:41

    E o mestre Nabokov (sem tintubear) desbravou “Ada, or Ardor: A Family Chronicle” com a seguinte senteça… “‘All happy families are more or less dissimilar; all unhappy ones are more or less alike,’ says a great Russian writer in the beginning of a famous novel… ” Muitos tiveram o desejo, poucos a coragem…

  • Pedro Lobato 28/07/2008 at 10:54

    “Miséria é miséria em qualquer canto; riquezas são diferenças”. Tem essa também. Tem uma certa coisa na cultura do romance, de considerar a alegria mais superficial e desinteressante que a tristeza. Mas é que cada um vê o que seu olho permite… Mas é assim mesmo, o perfeito é uma esfera homogênea e sem graça, e o por fazer essa riqueza de nuances…

  • Beato Salu 28/07/2008 at 16:47

    O sujeito da foto

  • Rosicley Coimbra 28/07/2008 at 21:20

    Tolstoi era um mestre em descrever os meandros familiares; sua perspicácia em desvendar o que morava por trás de cada família “feliz” impressiona até hoje…até hoje ainda recordo este início do “Ana Karenina”, estou sempre a recitá-lo, sim recitá-lo posto ser verdadeiramente poético, denso e acima de tudo verdadeiro…Abraços

  • Xandão 30/07/2008 at 19:17

    Grande Sérgio,
    fico mais feliz quando eu lembro que eu dei essa dica (não precisava, óbvio) pra você ainda no falecido nominimo. Esse é o meu começo-feitiche.

    Abração

  • Sérgio Rodrigues 31/07/2008 at 09:56

    Verdade, Xandão. Bom saber que você continua por aí. Grande abraço.

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