Começos inesquecíveis: Cormac McCarthy

25/01/2009

Mandei um garoto para a câmara de gás em Huntsville. Foi só um. Eu prendi e testemunhei contra ele. Fui até lá conversar com ele duas ou três vezes. Três vezes. A última foi no dia da execução. Eu não tinha que ir, mas fui. Claro que não queria ir. Ele tinha matado uma garota de catorze anos e posso te dizer hoje que nunca tive muita vontade de conversar com ele, muito menos de ir à sua execução, mas fui. Os jornais diziam que tinha sido crime passional e ele me disse que não havia paixão nenhuma naquilo. Andava saindo com essa garota, mesmo tão jovem como ela era. Ele tinha dezenove. E me disse que estava planejando matar alguém desde quando era capaz de se lembrar. Disse que se o soltassem ia fazer de novo. Disse que sabia que ia para o inferno. Disse isso para mim com sua própria boca. Não sei o que pensar disso. Não sei mesmo. Achei que nunca tinha visto uma pessoa assim e fiquei me perguntando se ele seria de uma nova espécie. Fiquei observando enquanto amarravam ele no assento e fechavam a porta. Ele talvez parecesse um pouco nervoso, mas era tudo. Eu realmente acredito que ele sabia que estaria no inferno dentro de quinze minutos. Acredito nisso. E já pensei um bocado a respeito. Não era difícil conversar com ele. Me chamava de Xerife. Mas eu não sabia o que dizer a ele. O que você diz a um cara que, segundo ele mesmo, não tem alma? Por que você diria alguma coisa? Pensei bastante sobre isso. Mas ele não era nada comparado ao que viria pela frente.

O que vem pela frente é o romance “Onde os velhos não têm vez”, de Cormac McCarthy (Alfaguara, 2006, tradução de Adriana Lisboa), que a maioria deve conhecer do belo e oscarizado filme dos irmãos Coen. Mas o livro é melhor. Bem-vindo ao inferno.

40 Comments

  • Ricardo Schiavo 25/01/2009 at 10:28

    “Onde os velhos não têm vez” é uma tradução bem melhor que “Onde os fracos não têm vez”, mas o filme é ótimo.

  • Sérgio Rodrigues 25/01/2009 at 12:38

    Coisa rara, acabo de excluir três comentários. Quebrar o pau sobre o conflito em Gaza a partir deste post aqui, sem nem pedir licença, vai muito além do off topic. É desrespeito com o blog.

  • JULIO 25/01/2009 at 13:06

    ” DISSO isso para mim com sua própria boca.”. Caro Sérgio, se realmente tem respeito com o blog, deveria ler o que escreve.

    O IG continua errando nos jornalistas sem conhecimento de gramática que contrata!

  • Sérgio Rodrigues 25/01/2009 at 13:31

    Julio, você é um brincalhão. Mas obrigado pelo toque, já consertei lá.

  • Lombardi. 25/01/2009 at 13:39

    Disse que sabia que ia para o inferno. Disso isso para mim com sua própria boca.

    Eu realmente acredito que ele sabia que estaria no inferno dentro de quinze minutos.

    Copiei estas duas frases do texto justamente na intenção de mostrar o quanto que as religiões fazem mal a todas as sociedades.
    Se o jovem não aprender desde cedo que o homem deve ser bom por natureza e que a boa convivência independe do medo do inferno ou da esperança de uma ‘tediosa’ vida eterna, muitos jovens dependendo da índole (não do meio social) crescerão sem esperança e se tornarão assassinos justamente pelo ensinamento religioso.

    Além da religião (todas elas sem exceção) serem uma falácia e uma fábrica de fanáticos em muitas vezes está nas mãos de pessoas sem conhecimento e sem preparo para lidar com os sentimentos humanos, tornando alguns ingênuos seguidores “literalmente” em cordeiros (servindo somente para o tosquia) ou em lobos devoradores de cordeiros.

    Fico assustado ao ver como a humanidade está cega, uns juram sobre a bíblia ( uma miscelânea de livros um farrapo que prega preconceitos de todos os tipos, genocídios, e todo tipo de separação humana, chegando até a escolher um povo como filho legítimo deste deus fictício) e muitos outros juram sobre evangelhos como alcorão, evangelho segundo espiritismo, budismo, induismo e todos os ismos que só pregam a paz e o amor DESDE que se concorde com seus ensinamentos.

    Talvez se a natureza cooperar e a terra sobreviver ainda por muitos milênios depois de muitas matanças e injustiças o homem consiga perceber que ele é o responsável por tudo e assuma realmente seu papel sobre a terra.

    E até que enfim o homem realmente criará um DEUS verdadeiro dentro de cada um.

    Ateus saiam do armário e mostrem o quanto são bons…porém cuidado com os fanáticos religiosos.

  • Silvio... Silva 25/01/2009 at 15:01

    Velho Cormac é o cowboy durão. Há tempos que é parte importante do universo do faroeste, junto com os filmes do John Wayne, os quadrinhos do Tex, etc. The Road entra fácil na lista de melhores coisas que li, sei lá, nos últimos 10 anos. E que me desculpem os cults, mas Blood Meridian é bem chatonildo.

  • Julio César Mulatinho 25/01/2009 at 15:12

    Concordo, o livro é melhor. E “A Estrada”, hein! Que livro!

  • Mariana 25/01/2009 at 17:16

    Não li o livro, mas pude fazer idéia do inferno no qual serei bem-vinda…
    Que choque deparar-se com a besta sob a pele de um menino… simples assim!
    E ainda tem depois…dá medo.

  • Jonas 25/01/2009 at 17:35

    Meridiano Sangrento é outra obra-prima de Cormac.

  • Saint-Clair Stockler 25/01/2009 at 18:38

    “Achei que nunca tinha visto uma pessoa assim e fiquei me perguntando se ele seria de uma nova espécie.”

    Não se passa uma semana sem que eu tenha um pensamento desses.

  • Raul 25/01/2009 at 19:46

    “Mas o livro é melhor.”

    Cuidado com os cinéfilos, Sérgio. Vão dizer que você está puxando sardinha para o seu lado, que literatura e cinema usam linguagens diferentes, etc. Eu mesmo devo confessar que não consigo ver uma comparação entre um filme e um livro sem ficar com um pé atrás.

  • Beatriz 25/01/2009 at 20:29

    Simplesmente adorei, Lombardi, tudo que você escreveu.Penso exatamente igual. Parabéns!

  • Gomes 25/01/2009 at 21:21

    Isso é ficção! Mas na realidade, enquanto a violência assola o país, Amorin e Lula estão preocupados com uma briga religiosa que já vem de milênios! rsrsrssrs Me faz mijar nas calças de tanto rir desta dupla de espertalhões oportunistas e estabanados! Eles estão é aproveitando para fugir dos problemas internos, e fazer turismos à custa do cofre publico! Se quiserem provar suas capacidades comecem acabando com as guerras de gangues nos morros! Com as matanças e a violência dentro do país, a guerra interna esta matando mais que a as guerras religiosas. Amorin já que o Lula não gosta de ler leia vc e o oriente, vcs precisam ver os índices de mortalidade infantil no Brasil. O Lula devia parar com esta dança de rato e fazer jus a seus enriquecimentos ilícitos! Pois quando ele se elegeu, seu capital estava no valor de R$ 800 oitocentos mil reais, e agora sua família esta entre as mais ricas do país. E seus eleitores continuam desempregados, vivendo de esmolas, ou morrendo nas filas do INSS. E os aposentados continuam sendo roubados e morrendo a míngua sem dinheiro para comprar remédios. Mas lula torce o nariz e finge que esta tudo bem!… Volte à realidade Excelentíssimo; pare com estas promessas de tolo. Quem vive de promessa é santo, que não come e não bebe; olhe de frente para os problemas internos do país, e não fique com Amorin, feito o pavão e o peru, se vangloriando e arrastando papo pelo mundo a fora! É ridículo!

  • Melissa 25/01/2009 at 23:21

    Tá, mas e daí?!
    Todos os dias vemos gente como este menino. As pessoas ainda tem certo orgulho de serem ruins. O que podemos fazer?!
    Quem sabe matarmos todos eles! 😀

    Creio que não devemos culpar Deus pelas tristezas que nós causamos aos outros e por todas as confusões e más interpretações da Bíblia feitas pela humanidade.

    Deus existe e Ele não castiga ninguém por ser mau. As pessoas devem sofrer as consequencias dos seus atos, bons e maus.
    Não sou fanática e não frequento mais nenhuma igreja por perceber que os padres e a maioria dos pastores não sabem nem do que estão falando. Mas, ainda assim, acredito em Deus e que Ele está em tudo o que existe de bom.

    “AQUELE QUE PERDE A FÉ, PERDE TUDO.”

  • geguba 25/01/2009 at 23:58

    Lombardi:
    O fanatismo é ruim por tornar o ser humano um robô. Existem fanáticos para todos os gostos; religiosos e ateus também. Os exemplos abundam… Sua tese de serem as religiões a fonte de todos os males é falsa em si mesma. O próprio ateísmo é uma forma de religião de acordo com a seguinte definição: “Qualquer filiação a um sistema específico de pensamento ou crença que envolve uma posição filosófica, ética, metafísica, etc. ” (veja o Aurélio). Logo,…
    De mais a mais, não é preciso ser adepto de nenhuma religião particular para reconhecer que crentes como Jesus Nazareno, Francisco de Assis, Madre Teresa de Calcutá, Gandhi, e os nossos Dom Helder Câmara e os espíritas Francisco Xavier e Bezerra de Menezes nada tinham de fanáticos; por fim, existem grandes cientistas que acreditam em Deus. Vou destacar um dos maiores, católico: Louis Pasteur. Você mesmo pode encontrar “ad nauseam” exemplos de crentes não fanáticos.
    geguba

  • Victor 26/01/2009 at 00:04

    Lombardi, com todo o respeito, mas acho que o que você escreveu pode entrar facilmente no TOP-10 comentários idiotas.

    Quando você for falar mal de algo, pelo menos faça o favor de conhecer o assunto!

    Não fale de religiões que você não conhece, não fale de religiões que você ACHA que conhece. Porque qualquer religioso te leva abaixo com meia dúzia de frases desses mesmos livros que você cita, mas nunca leu.

    Você prega contra o fanatismo religioso sendo um fanático! Ateus não precisam “sair do armário”.

    Ateus já nascem sem “armário”!

    Mas nem por isso precisamos fazer todos acreditarmos no que acreditamos. Senão nos tornamos justamente o que criticamos.

    Fanáticos, chatos e sem razão.

    Infelizmente ateus estão se transformando em “senhores da sabedoria”. Justamente o ponto fraco de muitas religiões…

  • ELIANAMARTA 26/01/2009 at 00:05

    Interessante este relato, só não vi este Senhor falando, que falou que existe um Salvador Jesus. Existem países que tem pena de morte o que eu acho o fim. Não deixa tempo para o individuo se arrepender dos seus erros, e quanto a alma com certeza ele tinha. Quanto ao titulo sobre velhos, particularmente chamo velho ou velha como um tratamento normal sem ser de modo perjorativo. pois sei que só fica velho quem vive muito, e continua sendo privilégio para não muitos. Fico impressionada com o ser humano com a sua capacidade de fazer o mal. Uns fazem como este aí da reportagem outros agem na surdina nos bastidores como se Deus não tivesse vendo tudo. Nâo estou aqui para julgar ninguém, pois a mim não foi dado o direito de julgar. ´Só sei uma coisa todos vamos comparecer diante de um Juiz e digo não um juiz aqui da terra, mas um todo poderoso que não olha a aparencia a casa que moramos ou o nosso endereço. Um que vai julgar pelo que temos lá dentro do coração. Quer saber uma coisa tenho certeza que este Juiz não vai julgar somente pelo que falamos mas ele sim; saberá a verdadeira intenção do nosso coração. Há , não estou falando de denominação nem de Religião afinal todos sabem ,que Religião não salva ninguém. Nem estou em batalha contra amigos ou inimigos se é que os tenho. Estou falando de uma maneria geral. Não estou mandando mensagens subliminares como alguns fazem, eu estou sendo muito sincera no que falo, com a melhor das boas intenções. Agente aí eu me incluo precisa mesmo é amar e aprender que aquilo que eu não quero para mim que eu não faça com o outro. Ou melhor o segundo mandamento vale para este texto: Amar ao proximo como a sí mesmo. Quando alguém me faz algo que não gosto, choro esperneio no sentido figurado agora, mas, passa … perdoo e deixo a pessoa livre. Aí eu fico livre também. tem gente que carrega magoa, ódio e sei lá mais o que anos a fio. Se alguém te magoou … te fez sofrer perdoe e voce vai ser mais feliz e Deus irá te recompesar em benção. Eu não estou falando de benção material não, estou falando de Paz , deitar e dormir, acordar alegre sabendo que não deve. que o coração está limpo, que a mente está pura. Se não: acontece o contrario fez uma vingacinha ontem. não está bem hoje, e fica imaginando se eu ver o mal daquela pessoa aí sim estarei vingada. Engano seu quanto mais mal fizer, mas mal vai se sentir. Como está escrito na Biblia um abismo chama outro etc. Outra coisa só para terminar eu não sei quem está do outro lado pode ser qualquer um. então só receba o que está escrito se estiver precisando e não fique magoado (a) comigo não. Gosto de falar e também de ler o que as pessoas escrevem. O que é bom eu retenho o que não é bom eu jogo fora.

  • S. 26/01/2009 at 03:06

    Tenho certa resistência a autores americanos, acho a literatura meio truncada, geralmente parece que você está lendo um filme dublado. As frases curtas parecem exigir de você a reação a uma ironia da imanência das coisas, mas isso me parece mais um artifício vazio.
    Li A ESTRADA, do Cormac McCarthy. Mas apesar do estilo americano, gostei da narrativa. Você não pensa ser um “filme escrito”. Recomendo. Faz pensar. A entrevista dele na “Oprah” está online no site do programa de TV, vale muito a pena ver.

  • Lucas 26/01/2009 at 04:51

    O argumento do livro é uma simples releitura dos westerns adaptada aos dias de hoje, com foco na mudança de paradigmas morais. Em nada tem a ver com Faixa de Gaza, governo Lula ou fundamentalismo religioso.

  • Rodrigo 26/01/2009 at 08:36

    O que está acontecendo aqui?

    As igrejas evangélicas entraram em campanha para aculturar seus fiéis e estão indicado leituras? Blogs?

    Ou esse sítio andou pela capa do IG?

    Que discussão tola!

    Voltando ao assunto, eu também fiquei descontente com a tradução do filme, e acho que essa do livro também não resolve. Porque me parece (só vi o filme) que o enredo fala de uma américa do norte muito particular, que produz coisas que vão além da idéia de uma natureza humana boa ou má, então, acho que a tradução deveria manter a idéia de país. Sei lá, tipo: Um país sem descanso. Eu sei, fica bem diferente, mas reafirma a idéia do protagonista que é: aposentar-se ou não? Como ficar tranquilo depois de se aposentar? Em todo o caso a tradução atual também difere bastante, portanto…

    O que vocês acham, alguém teria outra idéia de tradução?

  • josé rubens 26/01/2009 at 10:08

    Sérgio,

    Será que “As sementes de Flowerville” não “gestaram” esse “Onde os velhos não têm vez”? Digo isso não pela comparação das narrativas, pois a violência do segundo está longe do tom ameno do primeiro, mas sim pelo caráter profético de seu livro, ao desnudar as estruturas carcomidas de uma sociedade cuja violência é latente.

  • Sérgio Rodrigues 26/01/2009 at 11:37

    Rodrigo: a tradução do título do livro me parece boa, inclusive por manter um certo coloquialismo-quase-clichê existente em No country for old men. Repare que “country” aí não é tanto o país quanto a terra, aquela área do Texas em que se passa a história.

    José Rubens: agradeço a lembrança, mas não vejo muita relação entre os dois livros.

    Abraços.

  • Saint-Clair Stockler 26/01/2009 at 12:44

    Eu acho que todo mundo aqui tinha que queimar no Fogo do Inferno. A começar pelos homossexuais!

    Usar o buraquinho de fazer cocô pra saliências é o fim!

    Morte aos gays!

  • Lombardi. 26/01/2009 at 13:07

    Àqueles que me citaram.

    Existem só dois tipos de homem:

    Os inteligentes que não tem religião, e os religiosos que não tem inteligência nem discernimento.

    Alguns inteligentes ateus porém de “índole perversa e inescrupulosos” se escondem atrás dos púlpitos de catedrais, templos e sinagogas para pregar aquilo que lhes serve para Juntar riquezas ou manter a subsistência e se fartar da boa vontade e ingenuidade do rebanho cabisbaixo que marcha para a tosquia..

    As citações e frases de efeito que me enviaram não fez e nem faz o menor sentido simplesmente porque não acredito nelas.

    Ao Victor por sua reação noto que é dos piores fanáticos aos quais eu tenho medo porque é daqueles que julga como dono da verdade e tenta denegrir mesmo sem argumentos ou conhecimento de causa.

    Ao Geguba só digo que todo fanatismo é ruim realmente, porém tenho direito de dar minha opinião e continua sendo aquela que dei no primeiro comentário.

    Somos todos livres em pensamentos e cada um esboça o seu: os inteligentes usando seu próprio discernimento e outros citando livros ou frases de efeito construídas através dos milênios pelos fazedores de opinião.

    Só quero deixar bem claro que tanto a bondade como a maldade independe de suas convicções religiosas ou seu ateísmo ou até agnosticismo a unica diferença é que o ateu pensa por si só, sendo bom ou ruim.

    Se você não entendeu…tente pensar um pouquinho por você mesmo.

    Ateus saiam do armário, porém cuidado com os fanáticos religiosos !

  • Lombardi. 26/01/2009 at 13:30

    A leitura é muito boa, da prazer e exercita a mente e todos os livros são bons de serem lidos porém nada pode ser levado tão a serio.

    Os livros devem ser oferecidos às crianças como um cesto de frutas, pois são o alimento do cerebro.

    No entanto ao adulto cabe também ensinar que o discernimento entre verdade e fantasia depende dela.

    Um olho no gato, outro na sardinha.

  • Lombardi. 26/01/2009 at 13:36

    Ultima frase de efeito:

    O gato ruivo…
    Do que usa…
    Cuida !

  • Eric Novello 26/01/2009 at 14:12

    Engraçado como o inferno chama tanta atenção.
    Mais fácil comentar o inferno do que o texto em si.
    Pelo menos o limbo não existe mais.
    Sei lá, talvez nem seja tão engraçado assim.
    Mas, voltando ao assunto, taí um livro que tenho vontade de ler.
    Mais um pra listinha!
    Abss!

  • Nathália 26/01/2009 at 16:49

    Olá, peço que, se possível, divulgue o site do poeta Ulisses Tavares (www.ulissestavares.com.br) em seu blog.
    Mandando um email para nós você concorre a um livro por semana do escritor!
    Desde já agradeço a gentileza.

    Abraços!

  • Mr. WRITER 26/01/2009 at 18:09

    Muito bom o começo…

    Quanto aos salvadores de almas humanas… Só há uma salvação e é a que se chama autoconhecimento… Sem isso não adianta ir à igreja, rezar, implorar e rastejar por salvação.

    Até porque ir à igreja não faz de você um cristão tanto quanto ir à garagem não faz de você um carro.
    Até porque Hitle teve tropas abençoadas por um papa e também se dizia cristão. Um “belo” exemplo de cristão assim como há “belos” exemplos de diversos outros tipos de seguidores e fanáticos…

    O que falta para as pessoas é cuidarem de suas próprias vidas…

  • Mr. WRITER 26/01/2009 at 19:40

    E por fim…
    É muito engraçado ver esse pessoal se empolgar com uns erros de portugês:

    “Nossa, corrigi um erro do cara no blog dele… Eu sou o máximo…”

    Esse tipo de coisa é, no mínimo, patético…
    Vá lá que se preze o bom portugês escrito e falado, mas essas atitudes infatis de correção no estilo “eu sou bom e vi que você errou amadoramente” são bem idiotas…

  • Sérgio Rodrigues 26/01/2009 at 20:08

    Mr Writer, não era um “erro de português”. Era um erro de digitação, “disso” em vez de “disse”. Merece ser corrigido, lógico. Mas o tal comentário não merece comentário, meu caro.

  • Adair 26/01/2009 at 21:59

    Essa mudança ortográfica e a minha crença de que escritores se atualizam mais rápido que os outros usuários da escrita me pregam cada peça. Eu estava crente de que a grafia de “português” tinha sido mudada para “portugês”. Pensei – talvez ficasse melhor dialoguei – com meus botões: os caras pegaram pesado com essa ideia de simplificar. Será que o correto é idéia? Hiiiiiii ….

  • Renato 26/01/2009 at 23:29

    Caro Sérgio,

    Li esse “começo inesquecível” e, pela alta qualidade, resolvi comprar o livro. Entretanto, uma dúvida assola cá minha cabeça.

    Explico-me: sempre que um livro me instiga, procuro pela edição na língua original. Em um país escasso de livrarias como o nosso, é uma mania desajeitada, pois é.

    Ao ler parte do texto em inglês, deparei uma frase que me intrigou, a terceira do livro: “My arrest and my testimony”. A nobre Adriana Lisboa (nenhuma crítica à tradução) trouxe para o português o texto “Eu prendi e testemunhei contra ele”.

    Pode ser bobagem minha, mas creio que uma frase como “Minhas prisão e testemunho” traria maior impessoalidade ao texto, ao mesmo tempo que emprestaria caráter algo “riobaldiano” para o livro. Sei lá…

  • Marcela 26/01/2009 at 23:37

    “Em meio a tantas e outras, tem gente aí dizendo que o norte-americano Cormac McCarthy, autor de “Todos os Belos Cavalos”, primeiro de uma “trilogia da fronteira”, é um novo Faulkner. Mas nem nunca! Aspectos à parte, não vejo muita diferença entre a obra deste romancista norte-americano e os livros de bolso, com histórias do Velho Oeste, que andei a ler, por atacado e a granel, no tempo da minha adolescência”

    link: http://www.revistabula.com/materia/bernardo-carvalho-indiana-jones-e-adjacencias/934

  • Satan-Clair Stockler 27/01/2009 at 14:29

    “Minhas prisão e testemunho”, apesar de gramaticalmente impecável, é tão… tão… sei lá, tão pouco de acordo com o que se lê, fala e escreve no português de hoje! Cheira a Napoleão Mendes de Almeida, a Mattoso Câmara! Muito mais coloquial dizer “Eu o prendi e testemunhei contra ele”.

    Preciso defender a Adriana Lisboa, minha ex-coleguinha de Pós na Uerj: ela é uma EX-CE-LEN-TE tradutora, tanto de inglês quanto de francês. Tenho várias traduções dela aqui. Naturalmente, não posso falar muito das traduções do inglês, mas as do francês são impecáveis. Já gostava dela, muito, como escritora, e gosto demais como tradutora.

    P.s.: Se um dia alguém me vir escrevendo num texto ficcional “minhas prisão e testemunho”, por favor: cortem meu pinto! Horror, horror.

  • Renato 28/01/2009 at 15:36

    “Eu o prendi e testemunhei contra ele” é, no mínimo, cacofônico. O mesmo que dizer “Eu prendi ele e testemunhei contra ele”. O nobre Sr. Stockler deveria ingressar em algum cursinho de português.

  • Mr. WRITER 28/01/2009 at 16:58

    Sérgio,
    isso meso, desculpe pelo meu erro de expressão. Quando estava escrevendo o comentário eu pensei em “erro de digitação”, mas acabei colocando “erro de portugês”. A idéia é a de errar no teclado e não no portugês.

    Abraços.

  • Satã-Clair Stockler 29/01/2009 at 01:35

    Renato?

    O “nobre Sr. Stockler” ri da sua ingenuidade. Experimente escrever um livro de ficção usando as premissas do seu português híper correto e vejamos o que vai acontecer.

    O que se passa é que – vou chutar – você não é ficcionista, é? Se fosse, saberia que a língua não funciona assim, a essa altura (à altura do fazer literário, estou querendo dizer). É como se a literatura fosse o buraco negro da gramática: aqui, as inflexíveis Leis que a regem simplesmente se flexionam, se distorcem, se estilhaçam, sujeitas que estão a uma força muito mais poderosa,que tem suas próprias in/tensões. Há coisas da gramática normativa que, se postas em prática num romance, novela ou conto, ficariam simplesmente ridículas, risíveis ou lamentáveis.

    P.s.: Eu poderia, neste exato instante, esfregar em suas fuças as minhas credenciais acadêmicas, mas abstenho-me veementemente de fazê-lo porque acho isso ridículo, embora bem menos ridícula do que a sua sugestão tradutória (refiro-me ao “minhas prisão e testemunho”, que continua atravessada na minha garganta que nem uma espinha de peixe).

  • Renato 29/01/2009 at 12:26

    “Esfregar em suas fuças as minhas credenciais acadêmicas….”. Rarararararararararara!!!! Procure uso mais gracioso e produtivo para elas.

  • Satan-Clair Stockler 29/01/2009 at 20:29

    Renato,

    Non, merci. Em matéria de satisfação sexual eu já estou num índice positivo acima de 90%, sem precisar de complementos artificiais. Obrigado.

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