Começos inesquecíveis: Michel Laub

28/08/2007

Hoje o futebol está morto, e duvido que alguém ainda chore por ele, mas não era assim no dia 12 de fevereiro de 1989.

“O segundo tempo”, de Michel Laub (Companhia das Letras, 2006), um dos bons livros brasileiros do ano passado, tem uma frase inicial ainda melhor. Digna de antologia ou manual para escritores, ela consegue condensar em pouquíssimas palavras, com a falsa simplicidade que a ocasião exige, uma apresentação clássica de tom, tema e marcos temporais (de passado e presente) entre os quais se estenderá a corda da narrativa. Não falta ainda uma sutil estranheza – como assim, o futebol está morto? – que fica zumbindo ao fundo enquanto nos damos conta de que o defunto pode ser outro.

27 Comments

  • Anderson 28/08/2007 at 23:34

    está aí um texto emocionante, como poucos recém-publicados que tenho lido. ano passado falaram tanto do daniel galera (até mais q o merecido para o meu gosto) e se esqueceram desse daí: bem menos pretensioso e com resultados muito mais interessantes.

  • anrafel 29/08/2007 at 00:44

    Um amigo meu comentou e eu encontrei na biblioteca da empresa “O segundo tempo” e os outros dois: “Música anterior” e “Longe da água”.

    As pouco mais de 100 páginas de cada um ajudam, e eu estou certo de que não vou me decepcionar, apesar de que, ao contrário do que se espera de um torcedor do Fluminense, não acho que o futebol esteja morto.

  • Bemveja 29/08/2007 at 08:36

    Parafraseando Caetano Veloso:

    O futebol está morto.
    O movimento punk está morto.
    E a literatura brasileira não anda mesmo muito bem.

    Mas sinceramente, é difícil julgar com um trecho tão frugal, poderiam ter sido incluídas mais uma ou duas frases. Pessoalmente, considero meio hiperbólicas essas exaltações do Sérgio Rodrigues a inícios que são interessantes etc, mas também não são nada tão antológico assim. De gustibus etc etc.

    Esse trecho me lembra o início, esse sim ínesquecivelmente chocante, do Estrangeiro.

    Qual é o enredo do livro? Citando agora Rogério Skylab: eu quero saber quem matou!

  • Cezar Santos 29/08/2007 at 09:50

    Caetano? Caetano?

    “…Chatterton suicidé
    Hannibal suicidé
    Démosthène suicidé
    Nietzsche fou à lier
    Quant à moi
    Quant à moi
    Ça ne va plus très bien”…

    Chatterton, do francês Serge Gainsbourg…

  • Bemveja 29/08/2007 at 10:10

    É verdade, bem observado, Caetano Veloso pode ter feito uma apropriação. Eu me referia, originalmente, a “o amor é cego/ Ray Charles é cego/ Stevie Wonder é cego/ E o albino Hermeto não enxerga mesmo muito bem”. Nesse caso, terá sido uma paráfrase da paráfrase.

  • Marcelo Moutinho 29/08/2007 at 12:07

    O Laub é um ótimo autor, não muito valorizado.

  • Drex 29/08/2007 at 14:57

    Parece que valorizaram um pouquinho o Laub ontem – “O segundo tempo” foi anunciado como um dos 10 finalistas do Portugal Telecom, ao lado também do “Porque sou gorda, mamãe” da Cíntia Moscovitch.

  • Marcelo Moutinho 29/08/2007 at 15:06

    Drex, nem me refiro a prêmios, que em geral são de um patético, mas à mídia especializada mesmo. Sobre os prêmios, basta ver o livro vencedor do Jabuti de contos/crônicas. O grande poeta Ferreira Gullar merece todas as homenagens, mas aquelas crônicas mezzo mezzo que publica na Folha, reunidas em livro, seriam mesmo o que de melhor se publicou em termos de narrativa curta no Brasil em 2006? No caso, valeu o nome…

  • Areias 29/08/2007 at 17:15

    Marcelo, o Jabuti também sempre me pareceu suspeito. O PT tem uma quantidade enorme de juizes e a maioria me parece gente ligada à leitura. A lista dos dez finalistas me supreendeu, apesar de não tenha lido todos, pelos que ficaram de fora. Não bastasse a grana ser maior, acho o prêmio da PT mais transparente. O Jabuti começa a perder a importância a meu ver.
    Abraço

  • Cezar Santos 29/08/2007 at 17:27

    “Porque sou gorda, mamãe” ?…tsc, tsc, tsc…

  • Areias 29/08/2007 at 17:33

    É título que te incomoda ou você leu e realmente não gostou?

  • Cezar Santos 29/08/2007 at 17:37

    Areias, li e é ruizinho mesmo, além do título nada a ver…

    Mas me tautologizo: gosto é gosto e cada um tem o próprio. Então…

  • Ana Z. 29/08/2007 at 17:52

    Oi, Cezar Santos! O que você quis dizer exatamente com “ruizinho”, ao se referir ao livro da Cíntia Moscovitch?

  • Cezar Santos 29/08/2007 at 18:05

    Não gostei Ana, só isso… subjetivo, né?
    Gosta-se ou não das coisas.

  • Ana Z. 29/08/2007 at 18:54

    É subjetivo sim, Cezar, mas a qualidade da autora e a seriedade do seu trabalho merecem crítica mais cuidadosa do que a leviana desqualificação. O arriscadíssimo título que a Moscovich escolheu para o livro facilmente induz o leitor a esperar por auto-ajuda ou literatura mulherzinha. Como imagino que a ficcionista não seja tão conhecida (ou lida), me deu pena que o seu “ruizinho”, desprovido de maiores explicações, reforçasse qualquer preconceito em relação ao “Por que sou gorda, mamãe?”, o que seria lamentável.
    Um abraço.

  • Drex 29/08/2007 at 20:14

    Marcelo, concordo contigo. Ano passado outros livros foram muito mais badalados que o do Laub. O PT vem talvez recuperar essa exposição. Eu, por exemplo, que ainda não li, agora fiquei com vontade.

    Quanto à transparência desses prêmios, repito aqui o comentário que já fiz com o Leandro Oliveira, no blog Odisséia Literária: é interessante como não há intersecção entre os autores brasileiros escolhidos pelos dois júris. Critérios diferentes ou coisa de gosto mesmo?

  • Claudio Soares 29/08/2007 at 20:35

    mas é claro que o futebol está morto!

  • alexandre r. 30/08/2007 at 00:54

    mas que bela abertura mesmo, sérgio.

  • osrevni 30/08/2007 at 08:53

    O Michel é um excelente escritor, ainda vai dar muito o que falar. Acho que ainda não repercutiu o tanto que merece pelo fato de ser um sujeito simples e sem aquela arrogância típica dos escritores. Ao contrário (da maioria) dos demais, ele é um que deverá ser reconhecido pelo texto, não pelos impropérios.

  • joao gomes 30/08/2007 at 15:53

    Começo esquecível a Biografia do Lula.

    Nunca na História Desse País Macunaíma encontrou seu alter ego. As famosas escolas industriais forjaram um Frankstein ‘a brasileira. A Engenharia Genética abaixo do Equador tem métodos heterodóxos de manipulacao de DNA e NDA… Assim o século XXI começou no torrão auri-verde do pequeno irmão do sul com a expressão máxima do fisiologismo; juntamente com o apoio de um quinta-coluna (social-democrata) infiltrado no âmago da cúpula do poder do partido. Esse cavalo-de-tróia travestido de defensor do trabalhador e herdeiro do trabalhismo e da internacional assumiu o poder no Planalto Central empurrando um rols-royce nas rampas ruma ao Palácio do Planalto.

    Bolsas-famílias e bolsos burgueses-banks cheios reelegeram o mestre torneiro para ser o executivo da massa falida. A nomeação de um capitão para o Titanic marca a ascensão do “Capitão de Longo Curso” (cf. Jorge Amad0).

  • Cezar Santos 30/08/2007 at 15:55

    Ana Z. se voltares por aqui…
    Compreendo que vc fique irritada por se deparar com uma opinião contrária ao que vc pensa.
    Só que o espaço aqui é livre, e como tal qualquer um pode se expressar da forma como queira, dentro dos limites da própria educação, evidentemente.
    Às vezes eu emito opiniões de forma mais embasada, quando estou com disposição e tempo para isso. Às vezes, não.
    Não gostei do livro em pauta, e me escuso de falar mais coisas sobre isso, me dou o direito, entende?
    Não emiti opinião sobre a “qualidade da autora” nem sobre “a seriedade do seu trabalho”… disse que não gostei do livro e resumi isso com o adjetivo “ruinzinho”, que saiu com um “n” a menos e que vc fez questão de ressaltar.
    Finalizando, continuo achando que o livro é “ruinzinho” mesmo.
    Se vc acha que é uma leviandadade de minha parte, sinto muito, assumo minha leviandade e reafirmo: achei “Porque sou gorda, mamãe” ruinzinho, além de ter um tpitulo que é sério candidato a pior do ano… ou da década.
    Passar bem.

  • Ana Z. 30/08/2007 at 18:02

    Ô, Cezar, você ficou bravo… e eu nem reparei que o ruinzinho estava com um n a menos… Desculpe se pareci irritada ou se ofendi você. Não foi minha intenção mesmo, acredite. Na verdade, só tentei evitar que a sua opinião, na forma como você – com toda a liberdade que lhe cabe, é óbvio – manifestou, gerasse entre os desavisados algum mal-entendido sobre o teor do livro que, agrade ou não, é literatura para ser levada a sério, não é auto-ajuda. Quanto ao título, concordo que não é bom, diria que está muito aquém do texto.
    Mais uma vez, me desculpe.
    Um abraço.
    Ana

  • Saint-Clair Stockler 30/08/2007 at 23:21

    Eu poderia perguntar: “Por que sou gordo, mamãe?” Mas, de fato, não sou gordo: tenho só 130 quilos. Além do mais, se eu fizesse esse tipo de pergunta à minha Mamãezinha Querida, ela viraria na hora e diria: “Por que come que nem um porco!” Melhor ficar calado e comendo… rs.

    Comer é melhor do que sexo porque não se precisa de duas pessoas. Tá bem, sexo também não. Mas vamos concordar num ponto: punheta não é sexo, né?

  • Bemveja 31/08/2007 at 12:08

    Imagine só se Shakespeare tivesse batizado Richard III de “Por que sou manco, papai?”. A literatura de hoje nesse país já se equivoca a partir dos títulos. Será que não houve um editor sequer p/ dizer à autora que esse título equivale a um harakiri comercial?

  • renato alless 01/09/2007 at 01:15

    parabéns, bemveja! você merece uma cerveja! “Por que sou manco papai?”. bacana. sem comentários.

  • Natalia santos 15/09/2007 at 01:48

    Gente mais sem humor. Título tem que ser “pesado”, começo tem que ser defintiivo. Ninguém mais tem jogo de cintura. E julgam livros pelo título. Pelo título? Vocês são malucos.

  • Natalia santos 15/09/2007 at 01:50

    By the way, quem é Cezar Santos? Cartório deveria ter copidesque. E se não tem copidesque em cartório que registra nascimento, que o nascido não fique repetindo na vida os erros do nome.
    Quem é, com mil erros de ortografia, Cezar Santos????

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