Começos inesquecíveis: Sérgio Sant’Anna

07/11/2007

Entre todas as histórias possíveis, certamente já terá acontecido alguma como esta.

Um rapaz de dezessete anos, viciado em drogas (já chegou a roubar e prostituir-se para comprá-las) e com pretensões rimbaudianas a poeta maldito, tem um ciúme doentio da mãe divorciada, principalmente de um caso que ele desconfia que ela mantém com um homem muito mais jovem. Uma noite, a vê chegar em casa parecendo ligeiramente alegre de bebida, e com ares de quem veio de um encontro amoroso, usando uma blusa decotada e saia justa. Enquanto ela se despe em seu quarto, ele ali entra, abruptamente, vestido apenas com uma bermuda, e observa o sutiã vermelho e a calcinha preta que ela usa.

– Isso é roupa de vagabunda.

– Não fala assim da sua mãe.

Ele puxa o corpo dela para si e o aperta:

– Quem sabe você faz comigo também?

E já que a seção entrou definitivamente na era do conto, aí vai o início do espantoso Um conto nefando?, um dos mais surpreendentes do excelente “O vôo da madrugada” (Companhia das Letras, 2003), de Sérgio Sant’Anna.

112 Comments

  • Bemveja 07/11/2007 at 11:50

    Mal-escrito. “A roubar e prostituir-se”, “desconfia que ela mantém” e “uma noite, a vê” são opções estilisticamente muito pobres, para não falar da banalidade de expressões do tipo “poeta maldito”, “ciúme doentio” e “encontro amoroso”.

  • joao gomes 07/11/2007 at 12:23

    acrescenta-se que as duas primeiras frases do diálogo perdeu força pela ausência do ponto de exclamação, que em minha opiniao deveria, ostensivamente constar nesse caso. Isso decorrente da pretenção de escrever/ser “Um conto nefando?”.

    …e o cara já havia ganho 3 Jabutis…

  • Saint-Clair Stockler 07/11/2007 at 12:42

    Meu deus, como vocês dois são chatos às vezes…

  • joao gomes 07/11/2007 at 12:55

    …entao somos tres ‘as vezes. ;))

  • Rafael 07/11/2007 at 12:55

    Pois é, meus caros, assino embaixo.

    Nas décadas de 20 e 30, era heróico escrever com linguagem corriqueira, próxima da língua falada e com “erros” de português. Afinal de contas, a literatura do País estava intoxicada com os lusinismos e barroquismos, dos quais Coelho Neto foi o grande mestre. Àquela época, o arguto Monteiro Lobato observava:

    A nossa grande gente nacional escreve dum modo tão requintado, tão sublimado, tão empoleirado, que ler a maioria das coisas existentes se torna um perfeito traduzir – e isso cansa. Olhe – aqui está a reprodução dum artigo de Coelho Neto sobre José do Patrocínio. Eu derrubo este seu lápis vermelho em cima e juro que a ponta marca uma frase que tem de ser ‘lida traduzidamente’.
    E fiz a prova. Pinguei o lápis em cima do artigo. A ponta marcou isto: ‘Pela estrada desciam récuas em chouto, sacolejando ceirões e cofos‘.

    Diante desse cenário lastimável, fazia todo sentido a rebelião modernista contra aqueles que macaqueavam a sintaxe lusitana (para lembrar o famoso verso de Manuel Bandeira).

    Quanta água passou pelo rio desde então! E, no entanto, há autores que ainda acreditam que a forma mais revolucionária de escrita é a coloquial, a que mimetiza a língua falada, como se Coelho Neto ainda fosse o supremo modelo imitado por todos os aspirantes a ingressar no panteão das letras.

    Aposto que ao escrever “Uma noite, a vê chegar (…)”, Sérgio Sant’Anna sentiu um estremecimento pensando no escândalo que provocaria nos círculos cultos por ter, num ato de brava rebeldia, empregado a próclise num caso em que a gramática normativa prescrevia, sob pena de multa, a ênclise.

    O problema, obviamente, não é a afronta à desacreditada gramática normativa. É a pobreza estilística que deixa entrever uma concepção mesquinha da literatura.

  • Saint-Clair Stockler 07/11/2007 at 13:26

    HAHAHAHAHAHAHAHA, joão, o sr. é um pândego! 😉

  • Cezar Santos 07/11/2007 at 13:28

    Sérgio Santanna é um baita contista, e consegue acertar na maioria das vezes. “Breve história do espírito”, por exemplo, é um dos melhores livros de contos (ou novelinhas, no sentido de tamanho mesmo) da década de 90…
    “O monstro” também é muito bom… e “A senhorita Simpson”…e esse “O vôo de madrugada”…

  • Saint-Clair Stockler 07/11/2007 at 14:15

    Rafael, peraí, acho que você tá confundindo alguma coisa…

    Não me parece que o Sérgio (Sant’Anna) ao escrever “Uma noite, a vê chegar” esteja querendo afrontar gramática alguma ou posar de moderninho ou modernoso. A sua concepção de como deve escrever um escritor, com as devidas mesóclises & ênclises, e o respeito quase religioso à Gramática Normativa, é que está um pouco defasada, não? Hoje todo mundo escreve assim (ou quase todo mundo) e não há nada de chocante nisso. O Sérgio (Sant’Anna), aliás, é considerado um dos escritores brasileiros cuja prosa mais “flui”… E tem textos belíssimos. Não acho que haja pobreza estilística nenhuma nas coisas que ele escreve, você vai me desculpar. O que não dá é pra gente exigir que os escritores escrevam tendo do lado direito a Gramática do Bechara e do lado esquerdo a Gramática do Rocha Lima…

  • Saint-Clair Stockler 07/11/2007 at 14:18

    Muita gente parte da idéia (tremendamente errônea) de que para “escrever bem” tem-se que escrever “como a gramática prescreve”. No caso da literatura, isso é discutível. Pode-se escrever bem, bonito, com efeitos literários, desrespeitando as regras da Gramática Normativa – até porque algumas dessas regras, convenhamos, não fazem maisi sentido há pelo menos 5 décadas.

  • Claudio Soares 07/11/2007 at 14:22

    Depois de Borges (acrescentaria outros, mas especialmente Kipling, do qual leio e recomendo um fabuloso “Histórias Sobrenaturais”) é muito difícil nos surpreendermos com os contos. Mas, ainda assim é um gênero maravilhoso ao qual as editoras deveriam dar um pouco mais de atenção. Penso ser o gênero apropriado para os nossos cibernéticos dias. Conheço pouco os contos de Sant’Anna, mas sei da sua fama de grande contista. Recentemente, li um conto seu do qual gostei muito, intitula-se “Um discurso sobre o método”. Aventurar-se no gênero não é tarefa fácil, ainda mais depois dos frutos nascidos das penas de tantos mestres. Segundo o dito popular, quem conta um conto aumenta um ponto. Pode não ser exatamente esse o sentido que quero dar aqui, mas serão merecidas as palmas à contribuição de Sant’Anna que ajuda (e muito) a manter a chama do gênero acesa no Brasil.

  • francisco 07/11/2007 at 14:23

    Oi

    Endosso a maioria: boa temática no conto; já, estilística de pré-universitário sofrível.

    Lembrando o lingüista Sírio Possenti: a dita linguagem popular, quando entra na literatura (como a do João Antônio), ainda assim passa por um tratamento ou reelaboração.

  • Rafael 07/11/2007 at 14:39

    Saint-Clair,

    Se você me ler direito, não estou fazendo a defesa da gramática normativa. Disse-o, aliás, expressamente: “O problema, obviamente, não é a afronta à desacreditada gramática normativa”.

    Eu mesmo nunca fui fiel à gramática, pois acredito que ela diminui demasiadamente o rol de recursos estilísticos. Bechara, Rocha Lima, Napoleão, Celso Cunha – nenhum deles é autor de cabeceira para mim.

    Meu ponto é outro: o excesso de fluidez da prosa e a aproximação exagerada com a linguagem coloquial têm sido apanágio da maioria dos escritores contemporâneos – e isso enjoa. Do excesso de pompa denunciado por Monteiro Lobato passa-se ao excesso de comedimento, de timidez vocabular, do minimalismo da frase, do telegrafismo da sintaxe.

    Uma vez folheei um desses manuais de estilo adotado por um jornal de grande circulação (acredito que era do Estadão). Todas as dicas e conselhos supunham um leitor estúpido e pouco culto, que tinha dificuldades para ler frases longos, cujo vocabulário era estreitíssimo, que se embaralhava quando a frase não seguia a ordem direta, etc. Que um jornal parta de tais premissas, até compreendo. Não entendo por que os escritores também seguem a receita.

  • Rafael 07/11/2007 at 14:44

    Aliás, Saint-Clair, Coelho Neto é para mim o exemplo de autor que escreve segundo as regras gramaticais e, mesmo assim, escreve mal. Eis outro exemplo citado por Monteiro Lobato:

    Deixando o trem, meti-me por uma estrada cheia de sulcos de carros e covas que eram atascais. A um lado, alta, escalavrada, a barranca sanguinea eriçada de mato, com cercas de espinhais em flor defendendo pomares; em frente, casario roceiro, com alpendrada e poiais, argolões em esteios, mastros com bandeirolas.

    Eca!

  • Saint-Clair Stockler 07/11/2007 at 14:54

    Rafael, eu tinha entendido da primeira vez que você não faz a defesa irrestrita da Gramática Normativa. Mas levantar as questões que levantou sugere que toda e qualquer obra literária que “se aproxime da fala” é, de alguma maneira, inferior… Entre nós, atualmente, o cara que melhor usa a gramática pra fazer literatura é o Antonio Fernando Borges (e ele tem lá suas razões, explicadas, entre outros lugares, em seu livro Não perca a prosa). Gosto de tudo: daqueles que são híper-corretos e dos que desobedecem sistematicamente a gramática. Afinal, variedade não cansa.

  • Saint-Clair Stockler 07/11/2007 at 15:06

    O Esdras do Nascimento é outro cara que usa muito bem a gramática. Adoro os livros dele.

    Elvira Vigna, por outro lado, tem uma dicção que aproxima seus romances (todos narrados em primeira pessoa) da fala, com ótimos efeitos. Mas a Elvira foi jornalista, então isso se explica. Ela escreve bem pra cacete.

  • Bemveja 07/11/2007 at 15:28

    Se a apreciação do estilo e a fidelidade gramatical se tornam valores secundários, a própria literatura se torna redundante.

    Sinceramente, se eu fosse corrigir esse conto, apenas com base no trecho reproduzido eu já chamaria o estudante discretamente e devolveria o texto por absoluta precariedade no que tange aos mínimos requisitos de alfabetização. Entendo que haja quem defenda outros critérios, mas essa história de chamar erros de qualidade e dizer que se trata de inovação p/mim é picaretagem para enganar incautos e formar filisteus.

    O fato de que se trate de autor publicado, premiado e incensado é um agravante, que amplia as suspeições sobre a seriedade de todo o meio literário no Brasil de hoje. A Companhia das Letras não tem revisor? O autor não tem editor ou agente? As pessoas hoje lêem com atenção ou apenas vagam de evento em evento, bebendo vinho branco em noite de autógrafo e dando tapinhas nas costas e prêmios a quem não merece?

  • Claudio Soares 07/11/2007 at 15:49

    Aí tem um porém pessoal: vcs acham que um editor (ou especificamente o revisor, vá lá) deve corrigir os erros gramáticais de, por exemplo, um Machado de Assis (procurem que encontrarão)? A manutenção dos possíveis erros gramaticais tb são um direito do autor!

  • Saint-Clair Stockler 07/11/2007 at 15:55

    Bemveja, então você é professor?

    Saint-Clair Holmes…

  • Eu, o Curioso 07/11/2007 at 16:09

    Gente, só uma dúvida. O rapaz come ou não come a mãe?

  • Bemveja 07/11/2007 at 16:38

    Revisores e editores têm que corrigir e propor alternativas sem dó nem piedade a meu ver. Os eventuais erros de Machado, ou os famosos erros do Flaubert mencionados pelo Jacques Barzun são apenas resíduos incidentais em obras reconhecidamente grandiosas.

    Há circunstâncias excepcionais (tipo o “dansar” de Guimarães Rosa, que foi corrigido na gráfica embora ele preferisse a grafia com “s”, cujo formato sinuoso considerava mais evocativo do ato de dançar etc), mas em geral autores erram por descuido ou ignorância pura e simples.

    Alegações de erros propositais ou de intervenções do sobrenatural (argumento usado pelo imortal Paulo Coelho para defender os atentados ao idioma em seus primeiros livros) não passam de uma desculpa esfarrapada que só os ingênuos e os coniventes consideram aceitável.

    Saint-Clair, não necessariamente, a rotina todos nós conhecemos, embora no Brasil exista hoje em dia certas resistências a singularizar negativamente a produção dos alunos, o que gera aqueles lamentáveis pas-de-deux do embuste: o professor faz de conta que ensina, o aluno finge que estuda; o aluno finge que se esforça e o professor, por sua vez, finge que aprecia a tétrica produção de seus pupilos apedeutas.

  • Saint-Clair Stockler 07/11/2007 at 16:47

    Come, Curioso. Dá uma foda bem gostosa com/(n) ela.

  • Aquele que vê 07/11/2007 at 17:06

    Um conto, um mísero continho do Sant’anna, vale mais do que toda a “obra crítica” desse vejabem ai….

  • Eu, o Curioso 07/11/2007 at 17:06

    Não me diga que ela também mata o pai…

  • Rafael 07/11/2007 at 17:09

    O comentário daquele que vê não passa de uma variante do “você sabe com quem está falando?!” terceirizada.

    Você sabe quem está sendo criticado?!

  • Claudio Soares 07/11/2007 at 17:10

    Bemveja, “propor alternativas” OU “corrigir sem dó nem piedade”? Existe aqui um problema de lógica. Certamente, propostas são bem vindas. Correções unilaterais não. Certas vezes não é erro o que o revisor pensa que é.

  • Aquele que vê 07/11/2007 at 17:16

    Não, Rafael,
    meu comentário nada tem a ver com quem está sendo criticado. Tem a ver com a pernostice desse vejabem, que se acha a última coca-cola gelada do deserto. Observe que em muitos comentários (a maioria) ele não diz coisa com coisa, mistura alhos com bugalhos, não vai ao cerne da questão, mas sai citando em profusão, para dar ares de cultura nos ditos do cujo.
    E pior, percebe-se facilmente que o cara não leu o que ele se mete a criticar. Como é isso? Crítica o que não leu? O cara se acha tão bom que comete esse tipo de leviandade. Alias, está aqui há meses fazendo esse tipo de molecada e já tem uma galerinha ai que se arreganha pro cafajeste intelectual que ele é.
    E por último, o Sant’anna escreve pra caramba, embora as vezes cometa uns continhos fracos. E por isso eu repito, qualque continho dele, dos mais fraquinhos, é infinitamente superior aos comentários “críticos” do energúmeno. Questão de opinião. E olha que eu li toda, veja bem (sem trocadilho), toda a obra publicada do Sant’anna.

  • Watson ama Holmes 07/11/2007 at 18:00

    Da geral: legal! um convida (ou ordena) veja bem, o outro não arrenega.

    Não li o conto, mas se a foda é “bem gostosa”: MAMA MIA?

    Ler pedaço e comentar é sacanagem, mas “comprá-las” tão próximo a ” , a vê chegar” é meio incongruente.

    Gosto muito de Sant’Anna.

  • Bemveja 07/11/2007 at 18:26

    Claudio, não vejo problema de lógica nem problema lógico. Vamos lá:

    -corrigir:o autor escreve, digamos, “pobrema” o revisor vai lá e corrige: “problema”.
    -propor alternativa: o autor escreve “em priscas eras”, o editor contrapropõe “antes” ou “antigamente”.

    Quanto “Àquele que vê” (mas aparentemente não lê), sugiro que não recorra a ataques ad hominem (“a pernostice desse vejabem”), a críticas sem exemplo ou fundamentação (“ele não diz coisa com coisa, mistura alhos com bugalhos”– caberia, nesse caso, citar ao menos um exemplo, não faltam nesse blog comentários meus) e a generalizações ginasianas (“o Sant’anna escreve pra caramba”).

    Para qualquer um que não tenha sido alfabetizado por correspondência, acho que está claro que o tema em discussão nos posts intitulados “Começos inesquecíveis” é auto-explicativo, ou seja, tratam-se de *trechos iniciais* de determinadas obras, e é isso que está sob julgamento. Nesse caso chega a ser covardia, porque o acúmulo de equívocos sintáticos e estilísticos do autor é tão evidente que penso que o trecho se torne, após uma leitura um pouco mais rigorosa, indefensável e constrangedor até para quem leva Sérgio Sant’anna a sério.

    Desconfio, portanto, que “aquele que vê'” só veja TV e superestime suas escassas capacidades interpretativas, de modo que só me resta lamentar o fato de que haja perdido tempo precioso lendo “toda a obra”do Sérgio Sant’anna, embora isso não me surpreenda muito. Também do ponto de vista intelectual, somos o resultado de nossas escolhas.

  • De La Silva 07/11/2007 at 21:17

    Apesar de respeitar os comentarios dos “chatos” acima (chatos entre aspas). Gostei do trecho destacado e penso ser mais importante a dramaticidade da cena, a polêmica e a surpresa proposta pelo autor, que a norma e o estilo.

    Mulher de calcinha vermelha e sutien preto é um convite ao pecado.

    Ps. o filhote do conto é um verdadeiro “motherfucker”! É ou não é?!

  • clara lopez 07/11/2007 at 21:29

    Bemveja: “trata-se de”; “que penso que o trecho se torna”. De nada.

  • Saint-Clair Stockler 07/11/2007 at 21:37

    Eu, quando li o conto a primeira vez, fiquei cheio de tesão pelo filhinho da mamãe. Sempre gostei de bad boys. Rsrsrs.

  • Bemveja 07/11/2007 at 21:41

    “Trata-se de”, sem dúvida, impessoal reflexivo etc, mas “penso que se torne” sim, já que

    “A própria origem da palavra “subjuntivo” (do latim subjunctivus, “que serve para ligar, para subordinar”) indica sua função principal. O subjuntivo é por excelência o modo utilizado nas orações subordinadas que dependem de verbos cujo sentido esteja ligado à idéia de ordem, proibição, desejo, vontade, *necessidade* , condição e outras correlatas. O uso do subjuntivo implica, em qualquer caso, uma probabilidade(…)”

    Ou seja, ainda estou bem abaixo da média de petardos gramaticais do Sant’anna…

  • Aquele que vê 07/11/2007 at 23:23

    Está bemabaixo mesmo… vejabem (vulgo professor de deus), enfim disseste alguma coisinha razoável…

  • Fabio Negro 08/11/2007 at 00:21

    Nauseante.

    Não pelo conteúdo (clichezaaaaaaaço de contos eróticos brasileiros, só dar uma googlada em “contos de incesto”) mas pela qualidade da prosa.

    Podre, mesmo.

  • Fabio Negro 08/11/2007 at 00:23

    Bom, mas agora dei uma lida relâmpago e vi que todo mundo acha a mesma coisa.
    vivemos a ditadura do estilo, afinal?

    Achei uma bosta, sim, mas será que estou criando algum modelo interior do que é um bom texto?

    Não estamos tirando a liberdade do autor?

  • Infrunitum 08/11/2007 at 00:49

    Não: Bemveja não é apenas o nome sob o qual se oculta Bruno Tolentino, que, talvez cansado de sua própria mitomania (ou por desejar levá-la ao extremo), optou por forjar sua própria morte. É isso, também; contudo, é mais: é o (falso defunto) Tolentino, que, em seu flerte com o além, acabou possuído pelo solerte espírito de Napoleão Mendes de Almeida.

  • Rafael 08/11/2007 at 10:12

    Fábio,

    Não entendi, confesso. Por que você diz que estamos tirando a liberdade do autor? Nossas opiniões sobre Sérgio Sant’Anna não lhe subtrairão um milímetro da plena liberdade que a Constituição lhe confere para perpetrar toda sorte de chavões literários. De igual forma, a originalíssima imagem do adoscelente rebelde viciado em drogas “com pretensões rimbaudianas a poeta maldito”, por mais impensada que seja, não nos impede a nós, leitores, de formar nossos próprios juízos estéticos. Que cada um goze de sua liberdade da forma que mais lhe convir.

  • joao gomes 08/11/2007 at 12:16

    Rafael

    assino em baixo. Em cima. Ao lado!

  • Chico 08/11/2007 at 13:32

    Sem entrar na questão gramatical, pois eu sempre imaginei que uma mesóclise fosse algo relacionado ao ventrículo esquerdo, Sergio Santanna é escritor de fina lavra. Desde o elegíaco ‘Sobrevivente’ já se notava que vinha para ficar. Aliás essa geração dele, de mineiros (Luis Gonzaga Vieira..Duilio Gomes…), devia ter pacto com alguma coisa muito ruim para escrever tão bem.

  • Cinéfilo 08/11/2007 at 13:47

    Na boa.

    1) A mãe chega “em casa parecendo ligeiramente alegre de bebida, e com ares de quem veio de um encontro amoroso, usando uma blusa decotada e saia justa”.

    2) Despe em seu quarto.

    3) O filho entra “vestido apenas com uma bermuda”.

    4) A mãe está de “sutiã vermelho” e “calcinha preta”

    Cenário: quarto da mãe.

    Frase inaugural do diálogo: “Isso é roupa de va-ga-bun-da.”

    Ação subseqüente: rapaz agarra a mãe e tenta trepar com ela.

    O que falta: 1) alguém dizer, em alto e bom som, “PORRRRRRRRA!” e 2) rapaz tirar a bermuda e exibir uma cueca vermelha.

    Imaginem a cena da seguinte forma: o rapaz é o Nuno Leal Maia com 20 anos de idade; a mãe é a Derci Gonçalves.

    Não parece uma dessas pornochanchadas da década de 70?

    Confesso que, desde que assisti ao “Homem de Itu”, impagável obra-prima do cinema nacional, não tinha visto um roteiro tão original…

  • Watson ama Holmes 08/11/2007 at 13:53

    está nas gramáticas a citação sobre uso do subjuntivo nas subordinadas. caso sejam substantivas, contudo, após verbos como “acho, sei, penso etc.” a questão sobre qual modo usar não está fechada.

    liberdade estilística do autor sem desconsiderar escrita coerente, menos aligeirada, com revisão cuidada, ok. mas desconsiderar as leituras do outro, fazfavoire.
    e ainda acho que a narrativa de sant’anna prende, apesar de algumas construções estranhas no trecho mostrado.

  • pérsia 08/11/2007 at 13:59

    rs, cinéfilo, mas o tema rendeu la luna, que me dizes?

    e de “um crime delicado”, gostaste?

  • Edipo 08/11/2007 at 14:26

    E uma tragédia grega…

  • Cancioneiro 08/11/2007 at 15:19

    E uma canção do Waldick Soriano…

  • Cezar Santos 08/11/2007 at 17:22

    Pois é…. tudo é clichê, cambada… Não há nada de novo sob o sol (acho que acima pode até haver, mas ninguém ainda viu pra nos contar). Em literatura usar o clichê pode ser válido, depende de como se usa. Depende da maior ou menor habilidade do escritor.
    O Sant’Anna escreve contos legais (olha o conceito ginasiano ai), dentro de um realismo seco mas com dicção elegante, em registro semântico e ortográfico correto, obviamente que fazendo uso da liberdade que o ficcionista tem em certos casos. Quanto às questiúnculas ortográficas…francamente… quem se apega a isso é formalista ôco, que deveria tentar fazer melhor e mostrar pra galera: “olha ai, é assim que se escreve”.
    Aguardemos, pois…

  • Rafael 08/11/2007 at 17:42

    Questiúnculas ortográficas?

    Cezar, salvo engano, ninguém aqui nesta caixa de comentários discorreu sobre erros ortográficos. Desde o advento do corretor ortográfio do Word (de critérios questionáveis, sob inúmeros aspectos), o mais reles escrevinhador foi imunizado de barbaridades como ezessão, inguinoranzia, caza, etc.

  • Bemveja 08/11/2007 at 18:02

    Ou seja, na ótica do Cezar Santos, se alguém aqui for a um restaurante e não gostar da comida, não deve devolvê-la, criticá-la, reclamar com o garçom ou ir embora; deve, isso sim, arregaçar as mangas, colocar um avental e preparar in loco uma receita de sua autoria para ensinar ao cozinheiro e aos frequentadores do local o que é a boa culinária.

    Outro aspecto simplório desse trecho do Sant’anna é a preguiça denotada pelo lugar-comum dos diálogos, que parecem extraídos de um gerador de frases-feitas para entretenimento de segunda categoria. Pornochanchadas (conforme já citado), telenovelas, folhetins, dublagens de filmes b e outras porcarias são referências imediatas quando se lê uma sequência de três falas sem nenhum impacto ou originalidade:
    “- Isso é roupa de vagabunda.
    – Não fala assim da sua mãe.
    (…)
    – Quem sabe você faz comigo também?”

    Três frases feitas e feias, sem qualquer impacto ou sutileza.

  • Tamara S. 08/11/2007 at 18:05

    Faço trabalhos de revisão para algumas editoras. E, na boa, jamais “corrigiria” a próclise depois da vírgula. Não consigo ver isso como uma “transgressão” da parte do Sérgio Santanna. É simplesmente uma exigência do texto; questão de naturalidade mesmo. Fazer qualquer correção em “uma noite, a vê chegar” deixaria o texto pesado. A literatura não pode estar a serviço da gramática normativa. Ainda mais quando a norma em questão é tão frágil, tão sem propósito.

    Só faltam defender a mesóclise aqui neste espaço. Não duvido nada.

  • Tamara S. 08/11/2007 at 18:06

    errata: só falta defenderem.

  • Bemveja 08/11/2007 at 18:09

    Rafael, só um detalhe, eu sou a última pessoa a adotar critérios ludistas de que o ser humano é insubstituível etc, mas a meu ver esses corretores ortográficos do Word ainda não são lá muito confiáveis, seja em português ou em inglês.

  • Bemveja 08/11/2007 at 18:29

    Tamara, nem sempre o que é defensável é decente, nem sempre o que é legal é moral etc etc.

    Nessa horrível construção “uma noite, a vê chegar em casa parecendo ligeiramente alegre de bebida”, o autor poderia alegar uso do sujeito oculto: (ele, i.e., “um rapaz de dezessete anos etc”) a vê chegar. Mas o posicionamento do pronome “a” é desastrado, canhestro, amarra desnecessariamente a frase e ainda provoca um cacófato (a vê/haver).

    Na menos pior das hipóteses, a vírgula deveria ter sido suprimida: “uma noite a vê chegar em casa parecendo ligeiramente alegre de bebida”. Ainda assim seria um mau uso da linguagem literária, com o congestionamento de um gerúndio imediatamente seguido de advérbio(“endo” seguido de “ente”) e um exemplo de má prosódia.

  • Daniel Brazil 08/11/2007 at 18:30

    Sérgio, que maquiavelismo! Você acabou tornando este trecho do Sant’anna inesquecível para todos nós…

  • Claudio 08/11/2007 at 18:31

    Bemveja, experimente o IBM Lotus Symphony. Lançado para download esta semana. Os erros ortográficos em editores de texto, por muito tempo ainda existirão (pela estrutura dos softwares). O Symphony (permite edição de docs, planilhas e apresentações), pelo menos, é de graça.

  • Mr. WRITER 08/11/2007 at 20:06

    Já disse isso uma vez, vou dizer de novo…
    ou melhor, perguntar…

    Quando é que as coisas voltam a girar em torno do tema do blog e não em torno da identidade secreta de batman, robim, super-homem, homem-aranha e outros tantos “personagens” criados por aí?

    Fala sério, daqui com mais um tempo vão sair por aqui perguntando quem diabos é esse mr. writer? O que ele faz aqui? Onde ele trabalho? Por que usa esse pseudônimo? O que ele esconde?

    ô raça…

  • BCK 08/11/2007 at 20:18

    Eu sou entusiasta da obra de Sant’anna, mas não acho esse conto em particular grande coisa. Prefiro o conto entitulado “A voz”, que sem dúvida pra mim tem um começo inesquecível:

    “A voz é rouca, arranhada, cava, como se saída de uma vitrola de antigamente, igual
    às que, em sua infância, tocavam boleros,tangos, sambas-canção melodramáticos. Anuncia, porém, a voz, não a tragédia e sim uma boa nova, a sua libertação, da barriga, das tripas, da flatulência, da depressão, o fim da merda, enfim, mas que antes atingirá o seu paroxismo na putrefação e pode-se dizer que nela a terra já viceja e anuncia que você será parte do ar fresco, da chuva, das borboletas, das flores, você será perfume.”

  • Athayde 08/11/2007 at 20:27

    Ao escrever esse conto, Sérgio Sant’Anna parece arrancar a inspiração a fórceps.

  • Paulo (Outro Paulo) 08/11/2007 at 20:46

    O Sergio Santanna só não é pior que o filho dele, André Santanna. A mediocridade profunda e irremissível da literatura brasileira contamina inclusive pela hereditariedade, é de cair o queixo: irmãos Campos, família Veríssimo, família Sant’Anna…

  • Saint-Clair Stockler 08/11/2007 at 23:54

    Com ou sem “erros” gramaticais, eu continuo achando Sérgio Sant’Anna um dos maiores escritores brasileiros de todos os tempos.

    E foda-se quem achar o contrário.

    (Tá, gente, o “foda-se” é brincadeirinha, só pra provocar; amo vocês. O resto é verdade verdadeira mesmo)

  • Sérgio Rodrigues 09/11/2007 at 00:07

    Daniel, maquiavelismo??? Nada disso, meu caro. Minha admiração por este conto (entre outros) do Sérgio Sant’Anna é sincera. A coragem de trazer uma cena assim para a literatura de qualidade, com seus clichês e tudo, não deveria chocar ninguém depois de Nelson Rodrigues, mas a forma como a história se desenrola é simplesmente brilhante. Seria interessante saber quantos dos sabichoníssimos comentaristas deste blog que veneram julgamentos tão levianos quanto peremptórios (os mais inaproveitáveis tipos de julgamento literário, é claro) pelo menos leram o conto – dever de casa número 1 – antes de espinafrá-lo. Maquiavelismo? Rapaz, às vezes dá um desânimo que vou te contar…

  • Bemveja 09/11/2007 at 09:59

    Acho que o Daniel Brazil estava aplaudindo o potencial de controvérsia e discussão gerado pelo seu post, Sérgio.

    Reitero, ainda, um comentário anterior meu: o que está sendo avaliado aqui, salvo melhor juízo, é o *início* do texto.
    Acho que não vem ao caso dizer “oh, mas quantos leram o conto inteirinho p/ captar o gênio numinoso do Sergio Sant’anna?”

    Esse tentativa de justificar a ruindade da parte pela suposta qualidade do todo (uma espécie de metonímia crítica invertida, digamos) causa uma certa estranheza nesse contexto.

    Apenas p/ constar, p/ mim também não cola essa esfarrapada desculpa rodrigueana. Hoje em dia, qualquer pornógrafo pretensioso evoca a influência de NR p/ justificar o desleixo, a vulgarização e mau-uso do estilo informal, a “transgressão”, as taras fantasiosas e desvairadas etc etc.

    Essa galerinha indulgente, cevada numa dieta de jabutis e encômios imerecidos, precisa ser tratada com um pouquinho menos de adulação e mais rigor crítico.

  • joao gomes 09/11/2007 at 10:00

    Sérgio ,

    O que está em discussão aqui é o “começo inesquecível” e o debate neste caso não prescinde de leitura completa do conto.

    E, modestamente, acrescento que mantenho minha opinião. Pode ser considerada “leviana”, “peremptória” ou mesmo “inaproveitável”; entretanto ela é produto de minha análise. Portanto tem valor intrínseco, vez que não estou reproduzindo ou macaqueado outros, “doutos críticos”, midiáticos literatos.

  • Sérgio Rodrigues 09/11/2007 at 10:06

    Rigor crítico é ótimo, Bemveja. Não se confunde com leviandade – bem ao contrário. Ler um conto (curto) antes de descer-lhe o sarrafo é, mesmo para performers internéticos anônimos, o mínimo, o preço do ingresso numa conversa civilizada. A propósito, já que o pessoal anda tão apegado à normatividade: “rodriguiano” e não “rodrigueano”, por favor.

  • Bemveja 09/11/2007 at 10:13

    Rodriguiano, é verdade Sérgio, forma abonada no Aurélio e no Houaiss. Mas seu argumento não se sustenta. O título do post, escolhido por você mesmo, é “* começos* inesquecíveis”.

    Mesmo quem apenas disse “detesto SS, é um lixo etc” está exercendo um direito a meu ver. Elegios e críticas não-justificados me parecem igualmente banais.

  • Sérgio Rodrigues 09/11/2007 at 10:26

    Direito? Sim, claro que é um direito. Como é meu direito considerar esse tipo de “debate acalorado” o pior lado da internet. A idéia do “Começos inesquecíveis” não é e nunca foi fazer ou propiciar uma crítica à obra em questão e muito menos – como o pessoal anda rápido, não? – ao autor em si. Isso é de uma irresponsabilidade vertiginosa e, como eu disse, desanimadora. A seção pretende funcionar como indicação de leitura, só isso. Talvez eu devesse acrescentar um subtítulo: “Se gostou, vá lá conferir. Se não gostou, idem. Ou não”. Um pouco mais de compostura e respeito pela literatura seria bom para todo mundo.

  • Bemveja 09/11/2007 at 11:00

    Essa história de não gostar do debate acalorado ou de não querer propiciar críticas imprevistas a determinados autores e obras não é uma expectativa razoável.

    Diz a lenda que Lou Reed, após o fim do Velvet Underground, ficou vários anos sem tocar “Heroin” ao vivo porque um monte de gente chegava até ele e dizia que a música era tão boa que havia feito com que eles começassem a usar a droga.

    Você não pode controlar o resultado dos seus experimentos, sejam eles científicos, estéticos ou intelectuais: os resultados são imponderáveis e as reações nem sempre correspondem ao que se tinha em mente, mas tendem a ser ben”eficos, porque descortinam horizontes que estimulam novos progressos e aperfeiçoamentos.

    Eu estava há cinco min. lendo comentários sobre esse massacre horrível que ocorreu na Finlândia e um monte de gente estava dizendo “olha, eu não estou nem aí, morre muita gente todo dia, esse melodrama é só porque foi num país rico etc”. Esse me parece um argumento cruel, porém reflete uma determinada visão de mundo; na vida real, quantas pessoas teriam a liberdade p/ se expressar publicamente dessa forma? Ou seja, a internet, mesmo em seus momentos mais agressivos, proporciona uma arena livre, sem aquela untuosidade hipócrita que às vezes passa por liberdade de expressão.

    Outra coisa: tenho dificuldade de entender porque as críticas à obra de terceiros lhe afetariam de modo tão incisivo.

    Finalmente: com poucas exceções, a vida do artista em países civilizados é receber críticas. Essas estufas artificiais de elogios corporativos e zonas de conforto (desde movimentos, revistas, grupelhos etc até premiações sem qualquer credibilidade) não têm valor perante a história: o que conta é o legado artístico, o livro, a tela etc, e o melhor mecanismo para assegurar o progresso de uma sociedade livre e criativa não é a “compostura”: é a honestidade.

  • Antonio 09/11/2007 at 11:22

    Meu deus… Isso aqui virou uma coisa muito deprimente.

  • Sérgio Rodrigues 09/11/2007 at 11:34

    Honestidade intelectual, concordo. O que inclui ler, saber realmente do que se fala. O resto é papo furado. Repudio sua acusação de participação em “zonas de conforto” e esquemas corporativos. Estou tão longe disso que chego a pagar um preço alto, mas esta é outra história, que não cabe discutir neste espaço. No entanto, como estou aqui com nome, sobrenome e reputação, é meu papel ter e cobrar compostura, sim – as alternativas seriam, de um lado, a anomia, e do outro o controle estrito; tenho evitado ambas. As “críticas a terceiros” me afetam apenas na medida em que este fórum é minha responsabilidade. Quando ele é tomado por exibicionismo pueril e porradaria tediosa, o Todoprosa como um todo se ressente.

  • Bemveja 09/11/2007 at 12:21

    Sérgio, no que toca aos “grupelhos e corporações”, parece que lhe serviu uma carapuça a outros destinada, porque eu tinha e tenho em mente um certo clã de prosadores (já citado num comentário anterior de outra pessoa) qd falei desses prêmios malandros e do corporativismo que assola os círculos literários no Brasil de hoje.

    Referi-me, no que tange às revistas (inclusive as digitais), a certas figuras que se passam por democráticas agitadoras culturais da blogosfera em outros sites mas que tentam censurar, p.ex., quem fale mal da literatura brasileira contemporânea.

    Se eu ler todo o nefando conto do seu xará, desde já adianto que minhas críticas aos primeiros parágrafos permaneceriam inalteradas, ou seja, os erros no início do conto para mim são factuais, não cabe apelação.

    Você mudou seu critério com o campeonato já iniciado: antes se discutiam tão somente inícios impactantes, originais etc, agora surge essa história de “wait, there’s more”, tipo aqueles vendedores de cacarecos na televisão?

    A cr’ticia literária necessita sim de conhecimento integral da obra. Agora, se examinar detidamente trechos de determinadas obras não tiver legitimidade em si, é preciso, p.ex., retirar o “Mimesis” das prateleiras e das bibliotecas.

    Também não entendo porque sua sanha moderadora não se fez notar qd um monte de patrulheiros faz ataques pessoais a mim, p.ex.. A proteção só vale para os autores, e não para os comentaristas?

    ps.: “Antonio”, seus problemas acabaram:

    http://disney.go.com/index

    Feel better now?

  • Harpia 09/11/2007 at 12:49

    Opa, o Bemveja tem um ponto aqui.

    Afinal, ele é um dos comentaristas que mais leva porrada neste espaço, já que as suas opiniões não são “populares”.

  • Paulo (Outro Paulo) 09/11/2007 at 12:59

    Eu acho bom que o Bemveja tome porrada, ele anda ficando mais forte a cada surra.

    De resto, concordo plenamente com ele, quando diz se o tema do post é “começos inesquecíveis”, não há qualquer impropriedade em se criticar o “começo inesquecível”, à exclusão do resto. Sergio Rodrigues cobra indebitamente aos comentadores deste post o ter lido o conto inteiro. Se é para criticar o conto inteiro, que se disponibilize o dito cujo na integralidade, ora!

  • Sérgio Rodrigues 09/11/2007 at 13:26

    Vamos lá, esperando que essa questão de ordem não se prolongue indefinidamente, eis que há trabalho a fazer:

    Só cobro leitura de quem se mete a criticar o conto inteiro, quando não a obra inteira, o autor, a geração do autor, a literatura nacional e mesmo universal, tudo a partir de cinco ou seis linhas. Qual o sentido disso? Além do óbvio pavoneamento do “crítico”, nenhum. Isso, na boa, dá vontade de fechar o barraco. Mais honestidade intelectual é fundamental, senão essa conversa aqui não tem razão de ser.

    Defender comentaristas? Pode ser que aconteça, caso haja algum massacre leviano e injusto (não me lembro de nenhum até hoje, e certamente não do Bemveja). O fato é que os comentaristas costumam se defender sozinhos. Ninguém os obriga a vir aqui. Já os autores, sou eu que os trago. Existe uma diferença.

    E sobre a “carapuça”, é claro que não vesti nenhuma. Apenas me defendi de uma acusação velada, sinuosa, na tentativa de deixar todos os argumentos às claras.

  • Bemveja 09/11/2007 at 14:38

    Se você acha que não há comentários levianos e injustos a meu respeito, meu caro Sérgio, ou não sabe o significado das palavras “injusto” e “leviano” ou não lê o seu próprio blog.

    Mas não estou reclamando: estou, como aliás estive fazendo, apontando o que me parecem incongruências. Essa de defender os comentados e entregar os comentaristas ad leonem me parece particularmente complicada, porque aí sim detectar-se-ia a mentalidade corporativa: vou defender meu amiguinho escritor, ainda que ele não domine os rudimentos da colocação pronominal.

    Além disso, o que esteve em jogo, até o momento, foi a apreciação dos *méritos literários* (ou da falta de ) da obra; a figura do autor não entrou em jogo.

    Quanto à “acusação velada, sinuosa”, não faço a menor idéia do que você esteja falando– minhas acusações são ostensivas e diretas. Agora com licença que estou afiando a lâmina crítica com que transfixarei fatalmente o novo romance de Luis Fernando Veríssimo– mas, se você preferir, posso tratá-lo com a benevolência da velhinha de Taubaté e fica por isso mesmo.

  • Harpia 09/11/2007 at 14:39

    Paulo (outro Paulo),
    A questão não é ficar mais forte ou não, é que acho que argumentos do tipo “você é arrogante” ou “você é chato” não acrescenta nada a discussão.

  • Harpia 09/11/2007 at 14:40

    não acrescentam nada a discussão, é claro.

  • Sérgio Rodrigues 09/11/2007 at 15:14

    Bemveja: não é de hoje que você, sinuoso, sempre deixa de entender o que não lhe interessa entender. De expressão máxima da inteligência e da erudição pátrias, faz-se burro quando lhe convém. Sim, considerei justas, no geral, as pancadas que você levou aqui no blog. Está claro agora? No mais, transfixe o Verissimo, be my guest. Ele deve estar tremendo de medo. Mas tente ler o livro primeiro e não se esqueça do puxão de orelhas que levou hoje, porque as discussões aqui no Todoprosa vão melhorar ou perecer, isso é certo.

  • Bemveja 09/11/2007 at 15:27

    Bem, se vc insiste na teoria da conspiração, aí é caso p/ o Dr.Freud, ou então está revelando algum aspecto de sua posição no meio literário da qual eu não tinha nem quero ter conhecimento.

    Ainda não tive o prazer de ler a inédita obra do Veríssimo– não sei se vou conseguir conter as expectativas até o lançamento! Mas acho que utilizarei uma estaca de madeira, para que a mania do Veríssimo de perpetrar romances que vampirizam outros gêneros e autores não se repita.

    De resto, puxão de orelha é coisa ao mesmo tempo autoritária e provinciana– acredito e pratico unica e exclusivamente a liberdade de expressão.

  • Tibor Moricz 09/11/2007 at 15:31

    Li tudo comendo pipoca… muito divertido. Cadê o Saint? Nessas horas ele nunca falha…

  • Sérgio Rodrigues 09/11/2007 at 15:34

    Conspiração?? Viu o que eu falei sobre a burrice seletiva? Mas enough said, rapaz. Se não for pedir muito, por favor, tente encontrar outra distração.

  • Rafael 09/11/2007 at 16:26

    Ai, ai, ai…

    Acho melhor agir como aquele personagem de Machado de Assis que “não discutia nunca; e defendia-se da abstenção dizendo que a discussão era a forma polida do instinto batalhador, que jaz no homem como uma herança bestial”.

  • Bemveja 09/11/2007 at 17:39

    Não é pedir muito, ao contrário: liberdade de expressão e sinceridade intelectual são imprescindíveis para a legitimidade de um blog sobre livros e para a própria existência da boa literatura.

    Aos companheiros que ficam, um afetuoso abraço, thanks for all the conversation, Claudio obrigado pela dica do IBM Lotus e três mensagens que resumem o meu pensamento:

    -com nobres e raras exceções, vocês terão visto que não vale a pena o desperdício de recursos com a literatura brasileira contemporânea. Para cada Tezza, cada Sant’anna (père et fils, a la Dumas) e outros menos cotados que tomam tempo e poluem o juízo e as estantes, há vários Tolstoi, Flaubert, Dante e outros autores que oferecem níveis infinitamente mais compensatórios de talento, sabedoria, estilo, elaboração e seriedade;

    -com perdão do Rafael, gosto se discute; cuidado com as tentativas sub-reptícias de manufaturar consenso em torno de mediocridades que paralisam os neurônios e degradam o nível de exigência do público leitor; e

    -aos aspirantes a escritores e críticos que vêm ao blog, vocês podem tornar-se senhores e regeneradores de uma terra arrasada pelos erros das gerações anteriores. Não devem nada à maioria dos integrantes dessas gerações a não ser o desprezo pelos erros cometidos por parte desses antecessores. Vocês têm, com esforço e sinceridade, a honra e a oportunidade de produzir uma literatura brasileira honesta e séria para o século XXI.

  • Claudio 09/11/2007 at 19:38

    Um comentário (não é para gerar polêmica, antes, busquem e confiram posts anteriores): quando houve por aqui a tal polêmica dos “Amores Expressos” o ânimos estiveram bastante alterados. Eu mesmo fui um dos que criticaram, menos os autores, mais o uso, a meu ver absurdo, do dinheiro público. Em nenhum momento Sérgio precisou (ou quis) defender este ou aquele criticado. Não vejo o porquê de fazê-lo agora. Apenas para me ater aos momentos em que Sérgio Rodrigues conduz um autor à esta arena de debates, lembro de um outro caso: o artigo da “New Yorker” a respeito do Paulo Coelho. Existe autor brasileiro mais criticado do que este (inclusive neste blog)? Pois o próprio Paulo esteve aqui, informou o que tinha que ser informado sobre a reportagem, as críticas de repente, em um passe de mágica, se mudaram para o blog vizinho e a vida seguiu livre, leve e solta. Para sermos coerentes, critiquemos também a falta de críticas, o elogio sincero ou não, critiquemos o próprio ato de criticar! As críticas, elas voltam, claro, afinal fazem parte do jogo, e enfim somos seres humanos. Certas vezes acho que os seres humanos daqui se dão importância demais. Menos, pessoal, menos. Temos duas escolhas: 1) brindarmos a oportunidade do espaço que além dos temas pertinentes escolhidos pelo Sérgio, penso ser ter a sua grande força nas discussões sinérgicas dos comentaristas (discordam?): informação e/ou diversão. 2) Prosseguir tentando provar que um é melhor do que o outro, e mais sagaz, e mais inteligente, e mais sábio, etc. O que faz todo o sentido, pois não passaria de mais uma ficção. Agora, ficção mesmo é internet sem a liberdade de expressão. Mesmo que seja apenas um pseudônimo, Bemveja colabora com o blog (devia receber cachê). Continuo achando que pseudônimos não deveriam ser levados tão a sério. Enquanto pseudônimo, não entendo o “fla x flu” que vira cada comentário de Bemveja. É ilógico levá-los tão a sério. Se ele mesmo assim o quisesse (pelo menos no nível que percebo nas discussões), ele os assinaria com seu nome de batismo. Por isso, ele também está aqui, como a maioria, para se informar, se divertir, contribuir. Não para ser leviano. Bom, resumindo, discussões, opiniões contrastantes fazem parte do jogo. Não é apenas os anéis que se vão não, lembrem-se, um dia os dedos também irão. Por enquanto, aproveitemos o momento (tão fugaz) e continuemos teclando. É mais barato do que terapia, mas, não levemos os blogs tão a sério.

  • envelope 09/11/2007 at 20:35

    I-M-P-R-E-S-S-I-O-N-A-N-T-E

    Sérgio, não sei se dou meus parabéns… Deveria eu parabenizar alguém por fazer o deve ser feito? Está tão ruim assim a crítica no Brasil? Você foi, ironicamente, o Ú-N-I-C-O comentarista aqui que disse algo sobre o conto em si, sobre sua estrutura, temática e intenção, em vez de despejar censuras gramaticais imberbes sobre o estilo (como o Bemveja e outros) ou tecer elogios/críticas generalizantes (como os demais).

    Não sei se dou meus parabéns porque não faria sentido parabenizá-lo apenas por ser adulto. A infantilidade colegial nessa obsessão com a gramática e o padrão culto na crítica de um livro, um conto ou um parágrafo é estarrecedora. Embora pareça coisa de apenas alguns comentadores, vejo consternado que no Brasil é regra.

  • Jonas 10/11/2007 at 00:45

    Voltando ao assunto do post do Sérgio:

    Um belo conto do Sant’Anna, na minha opinião um dos cinco principais ficcionistas da nossa literatura contemporânea – versátil, hábil na construção tanto da forma/linguagem quanto do conteúdo, com suas interessantes fusões de ficção e ensaio.

    Acho as primeiras coletâneas de contos dele irregulares, com algumas coisas dispensáveis e outras muito boas (como “O concerto de João Gilberto no Rio de Janeiro”). A partir de A Senhorita Simpson, no entanto, eu acho que ele não errou mais. O Vôo da Madrugada (que mostra como os temas do Sérgio estão ficando bem sombrios) entra na minha listinha pessoal de livros brasileiros marcantes dos últimos anos.

  • Jonas 10/11/2007 at 00:47

    Dois adendos rápidos:

    – acho que se o Sérgio Sant’Anna tivesse suas obras decentemente lançadas lá fora, seriam muito bem recebidas pela imprensa internacional. E aposto que ninguém aqui ousaria vomitar essas críticas vazias. Posso estar errado, mas acho isso.

    – bem, se há quem diga até que Proust tem um estilo empolado e pomposo demais, não acho que o SS deva se preocupar com esses comentários.

  • El Torero 10/11/2007 at 10:09

    O Bemveja não volta mais???

  • BCK 10/11/2007 at 13:08

    Quer dizer que, de acordo com o Bemveja, o Tezza também é ruim?

    Que tristeza…

  • Paulo (Outro Paulo) 10/11/2007 at 13:08

    O Sergio Rodrigues sempre mostrou temperança na administração deste espaço e madureza no trato com seus comentaristas. Fico surpreso e atônito de vê-lo expulsar um deles agora, sem motivo justificável. Talvez o comentarista tenha se se manifesado de modo mais enfático que o necessário, entrando em questões imprtinentes. Mas exclui-lo da conversação não é vantagem.

  • Chico 10/11/2007 at 15:24

    Entao vamos dialogar com quem quer dialogar, sem proselitismo rame-rame ou torcida organizada…

    Ja que se falou de cinema esse ‘um conto nefando’ me lembra muito aquele ambiente meio “””anfetaminico”””” dos filmes do Casavetes com pitadas de Lynch.

    Jonas e to whom it may concern, gosto muito do ‘Concerto de Joao Gilberto,’ e concordo contigo que eh um dos melhores dele, mas acho que os anteriores como p. exemplo o ‘Notas de Manfredo Rangel’ fantastico pelo experimentalismo.
    Gosto muito do “Sobrevivente” – por ser o primeiro e ja mostrar tudo que ele escondia na manga -, eh um livro que nao dever ser desprezado. Alias, esse dois sao os dois primeiros de suas carreiras. Alias no Sobrevivente ha um conto chamado ‘Confraria’ que me lembrou muito essa discussao…

    No “O Monstro” – no proprio conto que da nome ao livro – e no “Voo da Madrugada” ha sim uma ego trip meio sombria, principalemente naquele conto “a voz”. Concordo plenamente. Mas eu me pergunto mesmo qual seria a razao para que escritores da geracao (odeio esse termo!) de Santanna e o Fonseca andarem apelando para essas fugas meio difusas e escatologicas. Isso parece meio sintomatico….

  • Cássia 11/11/2007 at 16:23

    A quantidade de pedras lançadas injustamente contra o Bemveja tem um só motivo que não preciso dizer qual, está claro para todos – para quem gosta e quem não gosta dele. Além da erudição, coerência dos argumentos e estilo personalíssimo, Bemveja demonstrou uma elegância única, pois foi um dos poucos comentaristas que não apelou para críticas pessoais, limitando-se à crítica literária das obras aqui debatidades. Rigorosa, radical? Talvez – mas de uma honestidade intelectual poucas vezes ousada. Enfim, esse espaço perde em credibilidade ao expulsá-lo daqui.
    Bemveja, você é um lorde! Torço para que mude de idéia e crie seu próprio blog. Avise-me caso isso aconteça: csmarinho@lavras.mg.gov.br .

  • Cássia 11/11/2007 at 16:40

    Lamentável constatar que é o segundo comentarista que Sérgio expulsa do blog por discordar de suas idéias. Alguém lembra de Roberto Schultz? Talvez eu também esteja em perigo? Por via das dúvidas limitarei a fazer como quase sempre fiz: ler apenas

  • Sérgio Rodrigues 11/11/2007 at 18:15

    Cássia, um esclarecimento: não “expulsei” do meu blog o comentarista que você tanto admira. Apenas me pareceu que sua mistura (às vezes pitoresca, reconheço) de exibicionismo e opinionite começou a poluir o ambiente além das taxas razoáveis, e expus isso – uma obrigação minha como moderador, até em consideração a quem, a meu ver desavisadamente, como você, leva aquilo a sério. Quando pedi a ele o favor de encontrar outra distração, me referia à troca interminável de mensagens num dia em que, como disse e repeti, eu estava assoberbado de trabalho. Ele preferiu pegar a deixa e se despedir de forma grandiloqüente, tudo bem. Não vou pedir que fique, era só o que faltava. No fundo é simples. O Todoprosa tem um certo jeito, uma certa ponderação e seriedade, de que ninguém, naturalmente, é obrigado a gostar. Vou continuar zelando para que permaneça assim. E entendo quem não se sente à vontade de freqüentar um blog cujo titular não tem lá muito respeito por suas intervenções.

    A boa notícia é que a internet é vasta, praticamente infinita. Concordo com você: seria ótimo se o Bemveja fizesse seu próprio blog. E agora chega, que esse assunto não merece tanto teclar. (Quando ao outro cidadão, injustiça sua. Parece que você não se lembra direito: ele se excluiu sozinho. O toque que eu dei demorou uma eternidade.)

  • Harpia 11/11/2007 at 22:06

    Puxa, justo agora que eu estava começando a gostar dele …

  • pérsia 12/11/2007 at 05:48

    Ah, Cássia, cai dentro. Concordo com quem disse aí em cima: ninguém tem nada a ver com quem seja ou com qual seja ou deixa de ser idade, sexo e profissão dos participantes do blog; não foram pedidos esses dados para entrar aqui. Mas honestidade intelectual é elogio muito pomposo pra nós, os que não assinamos o nome.
    Quanto a comentários literários acurados, só os recebo de tal forma de quem lê os textos citados, ninguém precisa ler inteiro pra não gostar, mas uma provinha de autor não permite julgamentos tão totalizantes à obra toda de um autor, sua geração inteira, esse, acho, foi o ponto muito bem colocado por SR. Pô imagino se eu começasse a ler Graciliano por ‘Caetés’?(Cada um com seus autores..)
    Quanto a bons leitores, aqui tem aos montes, dos que gostam de descobrir e informar novos aos exageradamente restritivos, e dos professorais aos debochados, de lado a lado. A quantidade de leitura de alguns me assombra, e aí, o Jatobá está certíssimo, ele é um exemplo, jovem jovem, sei pq é público. Erudição também não falta, ainda que , às vezes, o encantamento pelas próprias palavras pareça levar ao esquecimento do tema..

    O ponto central do Bemveja, pra mim, é ‘gosto se educa’, perfeito, ponto. Mas suas análises são “”ocasionalmente”” literárias, embora goste sim de suas informações. Acho isto: ele é um bom informador cultural, que, entre, outras coisas, escolhe a quem responder a dedo, não retoma pontos em que, e sabe, foi pego de calças curtas, inclusive gramaticalmente, não quer nunca deixar escapar a última palavra etc. E, por isso também, lamento sua despedida aos “jovens escritores e críticos”. (ai ai, me senti duplamente excluída.)
    E mais isto: ele levava o blog a sério, compreendo-o nesse sentido, escrever sobre literatura brasileira é estar duplamente longe em Londres, mais ou menos como escrever tudo isso de madrugada.

  • moinha 12/11/2007 at 09:07

    Sérgio, você agiu com o Bemveja como um menino que leva a bola para casa. Pior para todos, que teremos que nos contentar com críticas a la Jatoba.

  • O que vê as coisas 12/11/2007 at 15:30

    Cassia,
    O tal do vejabem agredia sim, mais de uma vez ele chamou de analfabeto ou de alfabetizado por correspondência a quem discordasse dele e deixasse essa discordância clara.

    E cá para nós, o quem tem de mal numa pessoa que tenha se alfabetizado por correspondência? Uma pessoa assim teria menos direito de vir aqui e se expressar mesmo que seja em termos simples ou até simplórios?

    O tal do vejabem é um pernóstico, pedante, grosseiro e mal-educado, além de tremendamente chato.

    E não li nada que indicasse que o Sérgio estivesse expulsando o cara do blog. Ele se expulsou e eu já percebia esse movimento dele. O cara queria uma oportunidade para sair “por cima”, entende? Se é que saiu mesmo…

    Comecei a vir aqui há pouco menos de um ano e constatei que o nível do blog é muito bom, de modo geral. Fora uma ou outra exceção, só o tal do vejabem destoava mesmo, sempre achando que a última palavra tinha de ser a dele, chegando a desqualificar quem dele discordasse.

    Quem saber uma coisa, já foi tarde….

    PS. O tal do Schultz, ultimamente, usava de um tom ofensivo contra o Sérgio. Eu acompanhei a coisa.

  • Daniel Brazil 12/11/2007 at 19:36

    Com certo atraso, peço desculpas pelo uso inadequado da palavra “maquiavelismo”, que acabou levando a discussão para outros caminhos.
    Certamente o tal bemveja (quem inventa um pseudônimo tem de aguentar um “tal”, de vez em quando) não é uma besta, leu e viu muita coisa.
    O problema – não só dele, claro – é a forma, muitas vezes arrogante ou pernóstica, com que entabula uma conversa. Não é preciso ser muito esperto para perceber que um blog como esse pretende ser muito mais uma conversa inteligente de boteco, entre libações e risadas, que um confronto acadêmico de teses. Uns erram o tom para baixo, descambando para a grosseria, outros para cima, chegando ao pedantismo. Há uma larga margem para a conversa civilizada, e é dentro desta faixa que o trânsito de idéias flui com mais intensidade. Saúde!

  • Sérgio Rodrigues 12/11/2007 at 20:05

    Daniel: não levei a mal o ‘maquiavelismo’, embora, sim, ele tenha desempenhado papel importante nessa história. Só não quis não dar margem a mal-entendidos.

  • O Metafísico 13/11/2007 at 17:14

    Sinto eu, insignificante poeira perdida no Universo, um vazio existencial…

  • Mr. WRITER 14/11/2007 at 12:59

    Sabem de uma coisa…
    Só há palhaço quando no picadeiro quando há platéia… sempre lamentei o fato de que muitos vinham aqui “prestigiar” e vomitar elogios para um ego inflado que confundia “se expressar” com “se exasperar” e pior ainda era fazer isso com uma meia dúzia de parágrafos cheios de floreios e “expressões” cultas.

    Fala sério, e tem gente que achava legal…

    E pior ainda eram os comentários indagando identidades. Deus, era o fim.

  • Mr. WRITER 14/11/2007 at 13:18

    Pronto, 100…

  • Só e à procura 14/11/2007 at 17:13

    Mr, pegaria mal perguntar estado civil?

  • Renilson 14/11/2007 at 17:38

    Mr. Writer,
    Seus comentários são aceitáveis no chat do PD, aqui, no entanto, soam totalmente desprovidos de inteligência.

  • Mr. WRITER 15/11/2007 at 14:19

    Se meus comentários soam desprovidos de intelig~encia aqui, ó sapiente Ronilson, os seus soam infantis, desnecessários e vazios.

    Perdeste uma ótima oportunidade de ficar calado, pois se havia ainda alguma dúvida de que você é, no mínimo, muito idiota, com esse seu comentário essa dúvida se dissipou com extrema fcilidade.

    Muito obrigado pela atenção. Passe bem.

  • Mr. WRITER 15/11/2007 at 14:24

    Sérgio,
    Desculpe a sujeira… mas tem horas que não dá pra dar a outra face. Respeito muito seu espaço e não sou chegado em “bate-boca”, nem real e menos ainda virtual, ainda mais na casa alheia.
    Sangue de barata, felinz ou infelizmente, também não faz meu estilo.
    Mais uma vez desculpas pela exasperação.

  • esculacha 15/11/2007 at 19:42

    Alô, idiotas,

    Levem em consideração o início do conto:

    “Entre todas as histórias possíveis, certamente já terá acontecido alguma como esta.”

    O Sérgio Sant’Anna está abertamente lidando com clichês, com lugares-comuns. E ficam os imbecis cobrando riqueza estilística, diálogos elaborados, o escambau. Haja paciência. Este Bemveja e este Rafael são dois analfabetos funcionais com surtos de beletrismo provinciano.

  • esculacha 15/11/2007 at 19:46

    e que coisa mais ridícula essa despedida “grandiosa” do Bemveja! estou rindo loucamente.

  • Gyny 16/11/2007 at 10:58

    E não é que o debate melhorou de nível com a ausência de Bemveja? Olha só os novos intelectuais do blog…

  • pérsia 19/11/2007 at 14:16

    pois não é que valeram (ou não) os mais de 100 comentários? fui ler o conto todo. (rs, grande tarefa, 3 páginas.)
    olha, saint-clair, não achei a foda nada gostosa, com aquela mãe até na pior hora, o estupro feminino, tirando mais uma fibrinha do coração para, relaxa mas não goza, aliviar a carga do filho. e bad boy que se preza não toma leitinho que mãmae esquenta.

    outros contos estão me dizendo mais.

  • Flavio B. 19/11/2007 at 18:18

    Esculacha!

    “O Sérgio Sant’Anna está abertamente lidando com clichês, com lugares-comuns. E ficam os imbecis cobrando riqueza estilística, diálogos elaborados, o escambau. Haja paciência. Este Bemveja e este Rafael são dois analfabetos funcionais com surtos de beletrismo provinciano”

    e alguém citou David Lynch tbm?

    adorei.

  • Flavio B. 19/11/2007 at 18:22

    adorei. não pelo fato de falar dos outros comentadores, mas de falar desse estilo do Sant’Anna. Que me lembra muito as discussões de cinema envolvendo David Lynch.

  • Laila 07/12/2007 at 09:32

    Lastimável a saída do Bemveja!

  • Ivan Sant' Anna 02/12/2008 at 15:11

    Gostaria de um contacto com o Sr. Ivan Sant’Anna. Sou piloto de linha Aerea a 45 anos e tenho relevantes fatos a discutir com ele. Atenciosamente, Cmte Heymann

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