Começos inesquecíveis: Leon Tolstoi

21/08/2006

Todas as famílias felizes se parecem entre si; as infelizes são infelizes cada uma à sua maneira.

A frase de abertura de “Ana Karenina”, obra-prima do romance que Leon Tolstoi começou a publicar na imprensa em 1875 (Editora Nova Aguilar, Obra Completa, volume 2, 2004, tradução de João Gaspar Simões), conseguiu virar aquilo que a maioria dos escritores só ousa perseguir em sonho: máxima, aforismo, provérbio, dito popular, pérola de sabedoria que parece não ter dono, mas brotar diretamente do inconsciente coletivo.

18 Comments

  • caio 21/08/2006 at 03:11

    FODA!

  • Larissa 21/08/2006 at 03:57

    Lindo, lindo, lindo!

  • Urariano Mota 21/08/2006 at 06:04

    Acertou na mosca, Sérgio. Tiro preciso e exato. Eu, se fosse você, sairia pra tomar um chope. Trabalho cumprido.

  • Flávio Rios 21/08/2006 at 10:05

    A frase do Groucho é uma das minhas favoritas sobre essa “vast wasteland”…

  • Filipe Quintans 21/08/2006 at 12:10

    Brilhante.

  • Cássio 21/08/2006 at 12:32

    dá vontade de ler

  • Xandão 21/08/2006 at 13:36

    Fala, Sérgio!
    E não é que você postou mesmo?
    abçs

  • Fabio Negro 21/08/2006 at 14:02

    Como um belo otário que sou em literatura russa, nunca ouvi tal frase em toda minha vida de 24 anos.

  • Pedro Curiango 21/08/2006 at 18:29

    Talvez a igualdade das “famílias felizes” não seja exatamente o que se pode pensar. Isto parece dizer Carlos Fuentes, o autor mexicano, que dá a seu último livro, considerado como uma “narrativa coral”, o título de “Todas as famílias felizes”, numa clara alusão à frase de Tolstói. O livro está saindo do prelo agora em setembro, pela Alfaguara da Espanha, e segundo o boletim distribuído pela editora, não se trata de um livro de contos ou de um romance mas de um livro no qual um coro se encarrega de enlaçar umas com as outras as vátrias histórias, “a ritmo de rap y con jerga de pandilleros o delincuentes”, intercalando-se “para dar voz aos que nunca a tiveram, os mais deserdados, que com suas canções fazem subir a temperatura do relato, revelando ao leitor o que há de mais violento e escurso na realidade mexicana. “Es el coro de los sin voz, de la gente que no conoce a su padre ni a su madre, que vive en la calle, enajenada por la droga. Es la manifestación de ese mundo terrible que forma el coro de la vida contemporánea y que, de forma desgarrada y desesperada, grita ‘estamos aquí'”, explica el autor, que se lamenta de que “la violencia se está apoderando de Mexico”.
    Quando será que teremos o livro em portugu6es?

  • Sérgio Rodrigues 21/08/2006 at 18:49

    Eu diria que não demora, Curiango. A Alfaguara está para ser lançada no Brasil mês que vem (como selo da Objetiva-Santillana), com a “Menina mala” do Vargas Llosa e outros títulos.

  • Sérgio Rodrigues 21/08/2006 at 20:04

    Antes que a brincadeira vire um mal-entendido, a menina do Vargas Llosa não é uma mala. Trata-se de seu último livro, “Travesuras de la niña mala” – ou Travessuras da menina má. Abraços.

  • Clara 21/08/2006 at 22:22

    Início de livro absolutamente maravilhoso, perfeito. E como alguém já comentou, dá vontade de ler “Ana Karenina”, um desses livros imperdíveis que eu ainda não li.

  • Marcus 22/08/2006 at 00:17

    A frase é ótima, e o fato das histórias de felicidade serem tão semelhantes entre si, é que não se vêm romances sobre elas.

    A continuação do clássico As Ilusões Perdidas, de Balzac, “Os Esplendores e Mistérios das Cortezãs”, chega a fazer uma pausa de quatro anos, época em que os protagonistas viveram um ciclo de felicidade que não valia a pena retratar.

  • Rozilane 22/08/2006 at 09:06

    ótimo, fique com muita vontade de ler! da uma certa curiosidade. BJS!

  • AC 22/08/2006 at 10:15

    Há tempos esperava ver este “começo inesquecível” publicado no Todoprosa – aí está para saciar e/ou espicaçar a curiosidade dos leitores…

  • Cláudio Melo 22/08/2006 at 10:35

    Trata-se, precisamente, do que evidenciou o Uraniano Mota.
    O post é preciso, curto, direto. É isso que todos os escritores buscam, o weltanschaung. Tolstoi conseguiu. No particular, Sérgio Rodrigues também.

    Cláudio Melo.

  • Hirose 22/08/2006 at 17:38

    Kafka conseguiu efeito similar em O Processo.

  • Laertes F. Marochi 30/08/2006 at 15:34

    Simplesmente sensacional a obra do Tolstói! Estilo curto, objetivo e uma leitura muito gostosa e interessante. Estou relendo esse catatau… mas vale a pena!

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