Como se não bastasse, Obama sabe escrever!

05/11/2008

Barack Obama tem tudo para ser um grande presidente porque escreve muito bem. No blog de livros do “Guardian” de hoje (em inglês, acesso gratuito), o escritor Rob Woodard admite que pode haver deformação profissional em julgamentos desse tipo, mas não o suficiente para fazê-lo descartar o raciocínio. Em busca de precedentes históricos, cita entre outros Abraham Lincoln, que teria sido, em sua opinião, “um dos maiores escritores de seu século”.

Obama ainda não chegou lá, mas para Woodard seu primeiro livro, Dreams from my father: a story of race and inheritance, lançado em 1995, é “de longe o mais honesto, ousado e ambicioso volume publicado por um político americano de primeira linha nos últimos 50 anos”.

Também acredito que haja deformação profissional nesse juízo, além de um tanto de euforia pela vitória histórica de Obama e, evidentemente, de zombaria com a notória limitação intelectual de George W. Bush. Feitas todas essas ressalvas, a idéia continua me parecendo interessante. Como se sabe, um dos requisitos para escrever bem – talvez o mais importante – é pensar com clareza, ou seja, mobilizar as idéias certas e articulá-las na ordem correta. O que não garante o sucesso de político algum, claro, mas certamente lhe dá alguma vantagem na corrida.

E pensar que quase elegemos Fernando Gabeira, texto finíssimo, aqui no Rio. Não rolou. A comprovação da teoria de Woodard, que poderia se dar em duas frentes, terá que ser feita só em Washington mesmo.

22 Comments

  • Fernando Torres 05/11/2008 at 10:55

    OBAMA, OBAMA, OBAMA. Ninguem vai desciar o assunto, do dia, do mês, do Ano quiçá da resto desta década.

    Mas eu queria mesmo comemorar a vitória do Gabeira aí no Rio. Fica para a próxima.

  • Rodrigo 05/11/2008 at 11:00

    Sérgio Rodrigues para vereador! rsrs

  • Prefiro Não Dizer 05/11/2008 at 11:14

    Que complexo de vira-lata, Sérgio! Temos, no nosso panteão de políticos-escritores, José Sarney e, last but not least, Lula, que desenha o nome como ninguém!

  • Hari Seldon 05/11/2008 at 11:18

    Roberto Jefferson, José Dirceu também têm textos “finíssimos” :)

  • Sérgio Rodrigues 05/11/2008 at 13:50

    Têm nada, Hari.

    Prefiro: como pude me esquecer do nosso imortal? Fiquei surpreso de ninguém ter mencionado o Fernando Henrique. Há quem pense que todo intelectual de peso é um ás do texto. O que não é o caso.

    Abraços.

  • Hélio Jorge Cordeiro 05/11/2008 at 13:53

    Finalmente, Rodrigo, Morgan Freeman foi destituido do cargo de o mais simpático presidente negro da América! Bom pro Jack Chan que será a bola da vez em hollywood.

  • Claudio Soares 05/11/2008 at 15:35

    Marc Ambinder, de The Atlantic, já havia enfatizado, em março, que Obama — ele mesmo, e não o comitê de campanha– havia escrito de próprio punho seu histórico discurso “A More Perfect Union”.

    Ambinder disse mais: que Obama escreveu o discursso em apenas dois dias.

    Pode ser, mas não importa.

    O que importa é que vivemos uma era incrível e a eleição de Barack Hussein Obama é um indicativo disso.

    Quando Obama prega a união entre as pessoas, entre os povos, começa a fazer sentido que teríamos que passar antes pelos 8 anos de governo Bush, pois as pessoas, “we the people, in order to form a more perfect union”, como disse Obama em seu discurso histórico, poderemos, assim, dar um valor ainda maior a este momento especial que testemunhamos, que vivemos.

    O Destino, pode-se concluir, não o é por acaso.

    Como também não o é por acaso o destino do Brasil como um grande lider entre as nações, basta que façamos por onde.

    Escrever e ler é um bom começo.

  • João 05/11/2008 at 15:44

    Há suspeitas de que o verdadeiro autor do livro seja William Ayers.

  • Mr. WRITER 05/11/2008 at 16:58

    Tá explicado o motivo do governo Lulla ser tão risível…
    Tudo é assinado com o marca do polegar do cara…

  • Tibor Moricz 05/11/2008 at 17:19

    Parafraseando um colega: é fácil, fácil eleger um negro pra presidente. Quero ver elegerem um semi-analfabeto beberrão como nós o fazemos tão bem!

  • Rafael 05/11/2008 at 18:27

    Psiu, Tibor: os americanos já provaram, sim senhor, que são capazes de eleger “um semi-analfabeto beberrão” para presidente. E dois anos antes dos brasileiros.

  • Tibor Moricz 05/11/2008 at 18:29

    Rafael,
    Nessa você me puxou a cadeira….rs
    Tem toda razão. Não conseguimos ser melhores nem nisso.

  • Daniel Brazil 05/11/2008 at 20:21

    Bem, já tivemos presidentes semi-analfabetos. E vários beberrões, também. O Lula, até onde sei, bebe socialmente e não aparece bêbado em público, como o pouco saudoso Jânio Quadros.
    E o Lula escreve menos porém diz mais que alguns acadêmicos que o antecederam (Sarney e FHC, só pra ficar em exemplos recentes). Lula, como dizem alguns linguistas, é a língua viva, reinventada a cada dia… (sinal gráfico de ironia, por favor).
    Mas houve outros presidentes capazes de escrever bem aí pelo mundo, vocês sabem. Poetas, ficcionistas, ensaístas, historiadores, etc.

  • Fabio Negro 05/11/2008 at 20:43

    O Ronald Reagan escrevia cartas e diários BEM PRA CARALHO, e há poucos anos saiu uma matéira traduzida disso naquela área “Mídia Global” do UOL.

    Eu fiquei muito impressionado mesmo.

    Ele foi um bom presidente?

  • Hélio Jorge Cordeiro 05/11/2008 at 21:08

    Sérgio, quando o blguero se ver num swamp desse tipo, só resta ele keeps silent, dude!

  • Tibor Moricz 05/11/2008 at 23:41

    Não vamos nos esquecer dos Marimbondos de fogo…rs

  • Fernando Torres 06/11/2008 at 09:59

    Para todos os fins gosto sempre de lembrar que Millôr escreveu um ensaio chamado a Crítica da Razão Impura, publicado pela LP&M, devidamente esgotado. A sinopse que encontrei em uma loja virtual de uma livraria é:

    “Em ‘Crítica da razão impura ou O primado da Ignorância’, Millôr Fernandes analisa minuciosamente dois livros publicados por dois políticos e escritores brasileiros – José Sarney (Brejal dos Guajas) e Fernando Henrique Cardoso (Dependência e Desenvolvimento na América Latina). Sem entrar no mérito de suas atividades políticas, Millôr entra no mérito de suas experiências literárias. O resultado é um livro altamente elucidativo, o que, diga-se de passagem, não é o caso dos textos examinados.”

    Ressalto que já procurei bastante pelo tal livro do José Sarney, que o Millor descasca só a primeira página e se recusa a falar sobre o resto (que segundo ele é ainda pior) . Acho que quem tem Brejal dos Guajas não se desfaz, ou todo mundo se desfêz dele na lata do lixo.

  • Outro Paulo 06/11/2008 at 11:00

    Reinaldo Azevedo e Olavo de Carvalho até que conseguem articular idéias com coerência, mas… seriam bons presidentes? A própria idéia me assusta.

  • Tibor Moricz 06/11/2008 at 12:59

    Olavo de Carvalho não é o cara que disse que a Lei da Inércia é falsa e que Isaac Newton criou uma cultura de burrice? Ele como presidente? Bah, prefiro o Lula.

  • RR 06/11/2008 at 17:40

    A coisa é ainda mais impressionante: os EUA agora têm um presidente… poeta!

    http://www.revistapiaui.com.br/edicao_18/artigo_528/Poesias_1.aspx

  • Carlos Magno 06/11/2008 at 21:47

    Importa mesmo que Obama saiba escrever?

    Quanto tempo ele perderá para redigir seus discursos, se os redigir, que seus assessores não façam poiiticamente melhor?

    Se Lincoln teria sido dos maiores escritores do seu tempo, não se notabilizou por isso. José Sarney é bom escritor, mas foi um dos piores presidentes que o Brasil teve, senão o pior.

  • Ceci Simone 09/11/2008 at 20:45

    Desculpe-me, mas não entendi bem! O texto do Gabeira é finíssimo, em que sentido? Isso é alguma metáfora ou se trata de um elogio à clareza de idéias e à “correta” articulação dos sintagmas (aliás, essenciais à escrita jornalística, mas não necessariamente a um romance?)
    A expressão completa das idéias também ajuda à clareza, não é?
    Porque há o risco de confundir Gabeira – um simpático senhor de 70 anos com o curso superior incompleto – com Obama, um senho de 46 , graduado em Princeton (Sociologia) e Harvard (Direito), esta última, uma das mais prestigiosas academias do mundo nessa área.
    Quanto ao Bush ele não é tão “burro” como aparenta ser; sua formação universitária foi em Yale. Era necessário fingir estupidez para não deixar Reagan em situação embaraçosa e agradar o povinho de Tebas ( Flórida e Utah, por exemplo).
    Outrossim, essa apologia ao quase ganhou em relação ao Gabeira é antidemocrática. O Conde também quase ganhou o César Maia, por 10.000 votos e foi finíssimo ao aceitar o resultado, sem correr imediatamente para os braços do PSDB; sem antes beijar as mãos de generais da ditadura e pedir a benção a Dom Eugênio, o bispo que se recusou a receber Zsu Zsu Angel.
    E quanto a César Maia, na próxima eleição, quiçá irei ao Uzebaquistão, uma vez que a dobradinha paulista PSDB/DEM no plano nacional.
    Ah…..! Eu não votei no Paes. Achei ótimo o que fez o Caetano Veloso, meu ídolo: viajou! Afinal, sou contra a obrigatoriedade do voto (os norte-americanos mostraram mais uma vez que isso é dispensável na democracia).
    Temi, ainda, o cômputo do meu voto nas pesquisas como eleitora da zona sul. Afinal, sou carioca, da zona sul da gema, e quando subi um morro, não foi na zona oeste!
    Na Rocinha (300 000 habitantes), Pavaozinho, Cantagalo, complexo do Alemão, Cerro Corá, eles votaram em quem?

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