Contra e a favor de ‘Pugnus’, de Cecilio Giovenazzi

23/11/2007

O lançamento do livro de memórias “Pugnus” faz do professor Cecilio Giovenazzi, 78 anos, renomado latinista da Unicamp, nada menos que “o maior memorialista do onanismo no Ocidente”, nas palavras do crítico Teodoro Spitz:

Dono de uma memória digna de desafiar a do caipira de Borges, e com a vantagem de borrifar perfeitas citações em latim pelo caminho, esse escritor profundamente original nos brinda com relatos épicos de uma vida dedicada ao squirt-n-spurt. Tão ricos são os episódios em detalhe, circunstância, iluminação, grau de intumescimento, têm as cenas um tal rendilhado de sentimentos e sensações que fazem empalidecer, por infantil ou tosco, o mais impudente cronista de bacanal. Na multiplicidade de sessões febris ambientadas em banheiros, cozinhas, salas de estar, cabines telefônicas, elevadores, escadas de serviço, confessionários – ou mesmo, temerariamente, ao ar livre, em praças, parques, piscinas, terrenos baldios, ruas desertas de madrugada, no meio da multidão –, o que em todos esses cenários se conta é uma bela história de amor-próprio. Os jorros reflexivos de Giovenazzi atingem insuspeitada altitude filosófica. “Então me digam que metáfora do solitário, pungente, imaginoso ofício de escrever pode, nesta vida cachorra, superar o velho manutigium?”, perora o autor. Um livro seminal.

De Spitz discorda seu colega Adolfo Pinho Rosa, frontalmente e até com certa brutalidade, ao sentenciar:

Tremenda punheta.

6 Comments

  • Mindingo 23/11/2007 at 13:39

    Genial, este miniconto. Coisa de bom escritor que você é, Sérgio.

  • pérsia 23/11/2007 at 13:44

    ah, queria ler esse.

  • Fabio Negro 23/11/2007 at 13:59

    Hahahahaha, sensacional!

    Eu AMO os críticos e resenhistas que adotam esse estilo entre o admirado e o sarrista. E o assunto caiu bem demais.

    Muito bom texto, Sérgio.

  • Sérgio Rodrigues 23/11/2007 at 22:49

    Obrigado, caros. Os interessados no fascinante tema de Giovenazzi têm à sua disposição, além de um título óbvio como “O complexo de Portnoy”, um conto pouco conhecido mas muito bom do Martin Amis, publicado no livro “Água pesada”. Abraços.

  • Daniel Brazil 24/11/2007 at 19:49

    Pinho Rosa? he he he…

  • Athayde 26/11/2007 at 17:53

    Aos 78 anos, o autor revive os tempos do onanismo juvenil. É compreensível.

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