Crichton, a literatura como vingança

14/12/2006

Acertos de contas do gênero não são novos, e confesso até já ter brincado com a idéia de me vingar de uma ou outra pessoa nefasta da vida real por meio da ficção – embora, felizmente, não tenha levado adiante planos tão mesquinhos. Mas o que o best-seller Michael Crichton, de “O Parque dos Dinossauros”, fez em seu último livro, Next, bate todos os recordes. O caso é contado no “New York Times” de hoje (aqui, mediante cadastro gratuito) e pode ser resumido assim: este ano, um repórter de política formado em Yale e baseado em Washington, chamado Michael Crowley, escreveu um artigo criticando Crichton com violência por suas posições políticas conservadoras; em Next, um personagem secundário chamado Mick Crowley, colunista político formado em Yale, baseado em Washington e – detalhe infame – portador de um pau pequeno, é preso por estuprar um menino de dois anos, “ainda de fralda”. O mesmo nome, a mesma universidade, a mesma cidade, a mesma profissão, não se sabe se a mesma anatomia. E o mais imperdoável dos crimes. Tudo indica que Crichton pirou.

32 Comments

  • Deise Guelfi 14/12/2006 at 17:46

    Completamente. Que coisa sem graça.

  • FH 14/12/2006 at 18:02

    Quanta sutileza….

  • O profeta 14/12/2006 at 18:19

    Não dá idéia…

  • Arnaldo 14/12/2006 at 18:42

    Que me perdoem os puros, mas o Crichton tá mais do que certo. Depois de uma certa idade, um homem não precisa mais recorrer à couraça da sutileza para se contrapor aos críticos. Imagina se depois de uma carreira como a dele, o Crichton tem que ficar se preocupando em dar tapa com luva de pelica… O negócio é tiro de AR-15 na cara mesmo, afinal a América é a Terra da Liberdade e da Democracia, não é mesmo?

  • Rodrigo Sampaio 14/12/2006 at 19:16

    Deus me livre de um dia criticar um escritor. Já imaginou? Ele me acusa de pedófilo, as pessoas começam a reparar e… Não que eu esteja dizendo que tenha alguma tendência de pedofilia. Se passo com freqüência na frente da escola primária onde estudei isto se deve apenas à pura nostalgia do passado, entenderam? Para que não aja nenhuma, nenhuma dúvida, vou repetir: isto se deve à pura nostalgia da infância, do recreio, das figurinhas, das meias três quartos… Sérgio, me esqueci de dizer que achei seu livro ma-ra-vi-lho-so.

  • Rodrigo Sampaio 14/12/2006 at 19:18

    ps – haja é com “h”. Este assunto me deixa tão nervoso.

  • Fabio Negro 14/12/2006 at 20:11

    Ele não pirou, ele apenas se vingou.

    Se foi na medida certa, é outra questão, mas a vingança éo que separa os homens dos animais, certo?

  • BCK 14/12/2006 at 20:32

    Certamente Crowley está desolado por ter seu nome inserido na literatura americana dessa forma. Agora seus netos e bisnetos, que certamente lerão as obras extraordinárias de Crichton (quem precisa de Great Gatsby quando se tem Parque dos Dinossauros?), nunca mais poderão encarar seu antepassado da mesma forma. Uma tragédia.

  • João Daltro 14/12/2006 at 20:52

    O velho Dante era chegado a uma vingançazinha do tipo, mas parece que tinha mais arte. Confesso que nunca li um livro do Michael Crichton, então não sou o mais indicado para falar dele. Mas se um dos personagens do tal livro é um jornalista mal-dotado que estupra um menino de fraldas, eu imagino o resto da salada. É dose para dinossauro.

  • Mr. Ghost(WRITER) 14/12/2006 at 21:43

    O doce sabor da vingança…
    A dos outros deve ser repudiada e a nossa permitida…
    Deixa o cara escrever o livro dele, é um direito dele escrever e do outro se defender…

  • André Pessoa 14/12/2006 at 21:52

    Considerando a outra nota desse blog, onde um escritor foi processado e condenado por semelhanças aparentemente involuntárias com uma pessoa real, não tenho dúvidas de que isso aí vai parar nos tribunais. O cara pirou o cabeção mesmo.

  • Saint-Clair Stockler 14/12/2006 at 21:59

    Também nunca li nenhum livro do Crichton – até leria, se alguém mo emprestasse; comprar, jamais -, mas ele deve se sentir meio Deus com os milhões que ganha, daí essa sensação de onipotência que permite bizarrices do tipo.

  • marco 14/12/2006 at 22:33

    O Globo – Há 50 anos. ( 14 de dezembro de 1956 )
    Globo estréia ranking de best – sellers

    Livros Nacionais

    1- Mocidade no Rio e primeira viagem à Europa – de Gilberto Amado

    2- Café – Society Confidencial – de José Mauro

    3- Nós e a China – de Osni Duarte

    4 – O General Góes depõe – de Lourival Coutinho

    5 – As Três Marias – de Rachel de Queirós

    Livros Estrangeiros

    1- O velho e o mar – de Hemingway

    2- Deuses, túmulos e sábios – de C.W.Ceran

    3- O átomo unirá o mundo – de Angelous Angelopoulos

    4- Uma família do Bairro Chinês – de Lin Yutang

    5 – Os cadernos do Major Tomphson – de Pierre Daninos

    Já na Veja da última semana…

    ( sumiu o ” best seller nacional e estrangeiro ” Agora é assim : ” os mais vendidos : ficção, não ficção, auto ajuda e esoterismo )
    Respectivamente :

    1- O Caçador de Pipas – de Khaled Hosseini

    2- a Bruxa de Portobello – de Paulo Coelho

    3- O Código Da Vinci – de Dan Brow

    1- Marley & Eu – de John Grogan

    2- O Livreiro de Cabul de Asne Seierstad

    3- O Inocente – de John Grisham

    1- O Monge e o Executivo – de James Hunter

    2- Casais Inteligentes Enriquecem Juntos – de Gustavo Cerbasi

    3- O que Toda Mulher Inteligente Deve Saber – de Steven Carter e Julia Sokol

    E então : melhoramos ou pioramos?

    Sérgio, caro, desculpe entrar em assunto diferente de seu post…peço mil desculpas….

    abs,
    ma

  • H.José 14/12/2006 at 23:00

    Existe um ditado que diz que “bosta, quanto mais se mexe, mais fede”. Fosse eu o crítico desse famoso autor (nunca o li, por ignorância minha ou porque ele não é interessante ou porque seus livros são ruins, ou os dois, ou mais tantos outros motivos), não desceria até o nível dele pra discutir se o Mick não-sei-o-quê é mesmo o Michael não-sei-o-quê. É largar pra lá, desconhecendo o que ele escreve, ou continuar a criticar o que quer que seja que ele produza sem levar em consideração se otal criticado vai criar um novo personagem com nome e características parecidas com os dele. Que se dane.
    É impressionante como, nos dias de hoje, alguém pode acabar com a dignidade e a vida de outra pessoa com o simples clicar de teclas de um computador. Seja lançando notícias inverídicas na internet ou escrevendo um livro desses (que deve ser uma bosta pra chegar a esse ponto de refinamento de seu autor, o de criar um personagem com características de uma pessoa viva só para denegrir sua imagem, criando uma história ao redor desse personagem, e não inserindo um personagem dentro de uma história. Que doença mental!).
    Pensando melhor, acho que o crítico deveria é encher o fdp de porrada. Quem sabe ele, de pedófilo do pau pequeno, passa a agente do Bin Laden com pau médio num próximo livro? Não é nada, não é nada, já será uma grande promoção, não é?
    Como hoje-em-dia tem bosta chamada de “produto cultural”. Argh! Haja nariz!

  • Jonas 14/12/2006 at 23:02

    Se a moda pega, coitado do Jerônimo Teixeira.

  • Rodrigo Sampaio 14/12/2006 at 23:26

    Faço minhas as palavras de Saint Clair e de H. José. Artista que não tem a firmeza de ser contestado deve trabalhar como ghost writer, ghost actor, ghost dancer, ou como médium. Nunca dar a carinha que mamãe fez para bater.

  • João Paulo 15/12/2006 at 06:56

    Quá, quá, quá, quá, quá. Essa foi ótima!

  • Lorena 15/12/2006 at 09:37

    Arnaldo, para mim é o contrário…Alguém no momento dele não devia era se preocupar com as críticas de maneira tão extremada…Feio isso…

  • Julio Porto 15/12/2006 at 11:00

    Bem feito para o tal de Crowley. Quem mandou ele ficar lendo ou dando atenção para o Michael Crichton?

  • pipoca 15/12/2006 at 12:34

    nossa…que mau caráter mesquinho e inseguro que é esse crichton. Vai ver no jurassic park ele também botou os dinossauros p. comer os inimigos dele e a gente não tá nem sabendo. patético.

  • Leticia Braun 15/12/2006 at 16:09

    Isso é o que a gente ficou sabendo. Imaginem as milhares e milhares de vinganças secretas impressas por aí. De qualquer maneira, acho que a literatura não merecia virar um páteo de cortiço.

  • Michael Crichton 15/12/2006 at 18:17

    Nossa, são todos aqui tão puros e nobres, nunca odiaram, nunca se vingaraam ou quiseram se vingar de alguém… Adoram quando alguém assume ser humano para fazer caras e boquinhas de nojo superior; “Nossa, você tem esses sentimentos tão baixos? Tsc tsc”. Arre, estou farto de super-homens, já dizia Fernando Pessoa…

  • Mr. Ghost(WRITER) 15/12/2006 at 20:48

    O comentário do Michael Crichton ai em cima foi ótimo…
    Por que a vingança é algo tão odioso quando é a vingança dos outros? Quanta gente já usou as manifestações artisitcas como forma de vingança? Que é isso pessoal, o cara é gente… só porque escreve não significa que seja melhor do que alguém… é um humano de natureza tão vil quanto qualquer outro… a diferença é que externa isso muito facilmente e tem a literatura como suporte para que outros saibam o que ele quer que saibam… os outros só não tem a literatura, mas que querem sempre um vingança isso querem sim…
    ô pessoal, deixa o Crichton trabalhar…

  • BCK 15/12/2006 at 21:26

    Foda é chamar de literatura o que o Crichton faz.

  • Mr. Ghost(WRITER) 15/12/2006 at 21:33

    Ops, não disse que o que ele faz é literatura… disse que ele usa a literatura (como ato de escrever algo) para detonar alguém… é muito diferente de dizer que o que ele escreve é literatura… se bem que o que está em pauta aqui não é qualidade literaria… leia bem BCK…

  • Rodrigo Sampaio 15/12/2006 at 23:35

    Assim que se fala, Clichton. Não está querendo ser superior como nós que execramos os vingativos. Você é alguém que se põe no seu tamanho, é humilde, complacente com os erros alheios, não julga ninguém, reconhece os limites humanos, é incapaz de criticar quem quer que seja. Mostra enfim toda a sua inferioridade diante de nós.

  • BCK 17/12/2006 at 08:35

    É, se fosse falar de qualidade literária certamente o Crichton nem estaria aqui.

  • Michael Crichton 18/12/2006 at 09:55

    O Rodriguinho vestiu a carapuça… Foi feita sob medida.

  • Michael Crichton 18/12/2006 at 13:21

    E além de tudo, com sua resposta, mostrou a todos nós que é um BABACA. E todo BABACA é inferior por definição. CQD. Sabe o que quer dizer CQD, garoto? Como Queríamos Demonstrar.

  • ecos 22/12/2006 at 11:56

    Achei mais interessante o livro 2001: Uma odisséia no espaço, de Arthur C. Clarke. Os sobrenomes dos cosmonautas russos citados eram homenagens a presos políticos russos. O livro vendeu muito por lá até que “caiu a ficha” do governo e o livro foi proibido em toda a União Soviética.

  • Tádimais 05/01/2007 at 08:56

    Li Terminal Man e Andromeda Strain. Sci-Fi barata. Mas “The Great Train Robbery” é surpreendente para um autor tão chinfrim. Vale a leitura.

  • Éd Lascar 20/01/2007 at 18:59

    H.Jose, Pipoca , Rodrigo e Cia são babacas toda vida aqui!

    Reputações jogadas na lama?! What the Fuck!!!???
    É um personagem de romance de um autor miliardário apenas e, pela própria exposição do Sérgio, uma vingança pessoal por ter sido “ferido” pelo crítico. A inspiração também vem daí e também de TODOS os outros sentimentos humanos!

    A petralhada está a mil por aqui!

    Socorro!!!!!

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