Curiosidades etimológicas: Despautério

19/12/2009

Etimologia pitoresca e sóbria ao mesmo tempo: despautério provém de “Despautère, nome afrancesado de J. van Pauteren, ou talvez latinizado Despauterius (gramático flamengo, 1480?-1520), cuja obra Comentarii gramatici (1537), confusa e rica de dislates, foi muito difundida na Europa entre os sXVI-XVII”. Tá no Uais. Despautério era um gramático cretino, gostei de saber disso.

Depois, consultando Silveira Bueno, descubro que Despautério talvez não tenha sido o bobo da corte dos gramáticos que imaginei a princípio. SB cita a Larousse: “Embora difuso, obscuro e cheio de declamação, (Despautère) gozou de não pequena voga até que foi destronado pela Gramática, muito mais simples, de Lhomond”.

Despautério não falava despautérios, afinal? Era apenas verboso, talvez meio obtuso, mas chegou a fazer sucesso em seu tempo? Nesse caso, quando terá surgido no caminho da palavra seu sentido tão agudo de disparate, de absurdo, do que não tem cabimento?

Publicado no “NoMínimo” em 10/11/2005.

28 Comments

  • cely 19/12/2009 at 14:51

    acredito que tenha sido do mesmo modo que tudo mais acaba distorcido…..pessoas que julgam os outros tendo a si mesmos como parâmetros,isto é, só é bom,se eu achar bom.nesta coluna mesmo não temos opiniões às vezes tão
    egocêntricas?O que não falta são os megalomaníacos…
    O que é pior os de baixa auto estima acabam acatando estas opiniões,assim o pobre Despautére….

    • beto 20/12/2009 at 11:42

      falou, falou e não disse nada

  • cely 19/12/2009 at 14:56

    Passou a falar despautérios……..

  • jose claudio adão 20/12/2009 at 11:49

    Não sei se todo mundo perde tempo com umas coisas inusitadas feito eu. Gosto de etimologia. Isso bastaria para não revelar excentricidades. Mas fuço, questiono e me digladio com palavras. Costuma dar em nada, mas me diverte. Selecionei dez durante uma exaustiva ruminância mental (bonita essa, não?) para apreciação dos meus parcos, mas valiosíssimos leitores.

    Conurbação: Quando vi, eu também pensei nisso que você está pensando aí agora. Mas nada tem a ver com cornos, nem com masturbação. É o processo de crescimento de várias cidades próximas, que vão se juntando, se confundindo, até formarem uma região metropolitana. Mas, aqui pra nós, não dá uma ligeira vontade de pular o muro?
    Cizânia: Não é nenhum país da Ex URSS, que depois da tal cizânia virou CEI, nem nome de mulher, apesar de eu ter tido uma colega de nome parecido, Cirzene. Aquela, sim, unia muita gente em torno de si. Uma belezura!
    Lascívia: Me acompanha desde a adolescência, mas não é mulher. Apesar de só ficar me provocando.
    Idiossincrasia Gosto dessa palavra, menos pelo som que vibra meio travado e mais pela significância relativa dos modos das gentes. Os olhares, os falares e os agires. Parece idiotia e às vezes pode ser mesmo um traço do comportamento.
    Somatização, não é nenhuma operação contábil, embora remeta a transferência. Não para crédito, mas débito para um órgão do corpo, que fica com o peso que a cabeça não agüenta ou não processa.
    Claudicante: Ah, essa é meu martírio! Sempre tive a intuição que queria dizer vacilante, incerto. E é mesmo. Só que fuçando nas origens, vi que Cláudio significa manco, claudicante, vacilão. E não é que meu nome é Cláudio? Ainda bem que manco por enquanto só da cabeça!
    Mesquinho: Uma palavra tão bonitinha! Mas ordinária, infelizmente! À primeira vista, fica parecendo um apelido carinhoso de Tomé. Não, se bem que Tomé ( famoso apóstolo) até que não era mesquinho, mas duvidava de muita coisa que não podia ver antes.
    Limbo: É a parte que me cabe no universo. Mas, cá pra nós: não parece alguém falando “lindo” com a boca cheia?
    Pusilânime: Sempre que eu lia ou ouvia essa palavra, ficava martelando, martelando, martelando na minha cabeça. A ponto de me levar a associar a palavra a uma martelada, significando uma coisa incisiva, uma inconfundível pancada. Dizem que poucas pessoas a usam por ser uma palavra muito forte, muito contundente. Ai mesmo é que eu associava a uma martelada. Descobri que sou mesmo um covarde. Demorei demais para ir consultar o dicionário. Uma covardia!
    Inato: Essa é a minha eterna implicância. Amor e ódio caminham lado a lado. Tudo o que já nasce com o sujeito é inato. Existe uma outra definição que é de algo ou alguém que não nasceu, mas essa não vale. É mais confusão. Podia ser nato, nascido, herdado, mas não! É inato. Veja bem: um cara desavisado é incauto, um outro que ninguém agüenta, é insuportável, algo que não acabou é inacabado. Quem não é feliz é infausto. E eu tenho esse tipo insensato (que não é inato, viu?) É adquirido de tanta implicância.

    • luiz caetano 20/12/2009 at 17:26

      Taí, gostei, ]parabéns.
      Não é que estou há tempos tentantndo me lembrar da palavra Pusilânime? Que posso usar pra muita gente sem o perigo de ser socado…

  • Rosângela 20/12/2009 at 12:06

    Tudo que é desprososital é vazio.

  • Rosângela 20/12/2009 at 12:07

    … ou deixa lacuna.

  • Rosângela 20/12/2009 at 12:17

    Em tempo: ‘ desproposital’.

    Perdão.

  • camila 20/12/2009 at 12:56

    escreveu e n convenceu

  • cely 20/12/2009 at 13:03

    Meu querido Beto….
    Voce também não disse nada!!!
    Estamos empatados……..

  • Afonso 20/12/2009 at 13:36

    A etimologia é um poço de curiosidades. Vou mandar duas: snob – veio do Latim e era a abreviatura de “sine nobilitate” e era usada para marcar o plebeu que conseguia entrar em uma universidade. Eu, conde de porcaria nenhuma e, após o meu nome vinha a expressão. Afonso “sine nobilitate” ou, para economizar na tinta “s nob”, s nob, s nob, s nob, snob. Hoje, qualifica o metido a besta. A outra – mídia, veio do latim “media” plural de “medium” (meio). Com o falante de inglesa pronuncia /midia/, nós da macacobrás embarcamos e tascamos um acento – mídia. Pelo certo, não deve ter plural, pois já é plural. “Microsoft”, porque nós temos que dizer /maicrosoft/, se micro vem do grego /micro/ e não /maicro/? Como disse o Boldrin “ah, vai cagá, ô!”

    • JMFernandes 21/12/2009 at 04:30

      Tem toda a razão, mas permita-me tirar os “patricios” da sua crítica, já que em Portugal usa-se “média” tanto para os diversos tipos de meios de comunicação, quanto para os profissionais que neles atuam.

  • Josemar C Campos 20/12/2009 at 18:15

    uai gente, sempre pensei q despautério seria absurdos q se escrevia ‘fora da pauta”, isso mesmo, pauta de caderno kkkkkkkkkk.

  • Rosângela 20/12/2009 at 18:27

    kkk. Bem, uma cois sem propósito não seria fora da pauta?

  • Rosângela 20/12/2009 at 18:28

    Chamemos o Carlos Chaparro do “xis da questão”…

  • piu 20/12/2009 at 18:31

    Alguém poderia me dizer o que significa “baixa da égua?” kkk, isso mesmo, termo muito usado no nordeste quando se quer mandar alguém pra algum lugar desagradável,tipo vá p/ pqp ou pra merda,não sei…fiquei curioso!

  • Frederico 20/12/2009 at 19:53

    Acho que se aplicaria bem, atualmente, aos desmandos da politicagem suja em Brasília. E bota despautério nisso…..

  • eu 20/12/2009 at 20:41

    O comentarista não tem assunto.?Coisas de bobo.

  • Curioso 20/12/2009 at 21:57

    Valeu, Afonso!
    É sempre bom saber um pouco mais. Também extensivos aos demais que de alguma forma enriqueceram essa seção, minhas congratulações.

  • pâmela sanches 20/12/2009 at 22:17

    foi muito legal o modo como vc falou da para palavra despautério tranformando a palavra em uma história da antiguidade , isso torna a leitura muito mais intessante insentiva a lêr meus parabéns brilhante dedução bjuss mel

  • pâmela sanches 20/12/2009 at 22:17

    foi muito legal o modo como vc falou da para palavra despautério tranformando a palavra em uma história da antiguidade , isso torna a leitura muito mais intessante insentiva a lêr meus parabéns brilhante dedução bjuss mel

  • pâmela sanches 20/12/2009 at 22:17

    foi muito legal o modo como vc falou da para palavra despautério tranformando a palavra em uma história da antiguidade , isso torna a leitura muito mais intessante insentiva a lêr meus parabéns brilhante dedução bjuss mel

  • pâmela sanches 20/12/2009 at 22:17

    foi muito legal o modo como vc falou da para palavra despautério tranformando a palavra em uma história da antiguidade , isso torna a leitura muito mais intessante insentiva a lêr meus parabéns brilhante dedução bjuss mel

  • pâmela sanches 20/12/2009 at 22:17

    foi muito legal o modo como vc falou da para palavra despautério tranformando a palavra em uma história da antiguidade , isso torna a leitura muito mais intessante insentiva a lêr meus parabéns brilhante dedução bjuss mel

  • pâmela sanches 20/12/2009 at 22:17

    foi muito legal o modo como vc falou da para palavra despautério tranformando a palavra em uma história da antiguidade , isso torna a leitura muito mais intessante insentiva a lêr meus parabéns brilhante dedução bjuss mel

  • Rafael 21/12/2009 at 12:05

    Caramba, mas isso aqui está ficando cada vez mais divertido. Temos uma rica e diversificada fauna da subcultura livresca, uma amostragem bem representativa da mediocridade (uso a palavra no sentido pejorativo mesmo) que o péssimo ensino do País tem produzido.

    Um, com ares doutorais, me vem com uma fantasiosa etimologia de snob. Nenhum plebeu era “marcado”, como se gado fosse, com a infame expressão sine nobilitate. Não existe nenhum registro histórico disso.

    Um outro qualifica de “história da antiguidade” a referência a um gramático do século XVI, ou seja, da chamada Era Moderna.

    Nem perderei meu tempo com as claudicantes besteiras de fulano e os inumeráveis erros de ortografia que abundam nesta caixa de comentários.

    Uma coisa, no entanto, devo reconhecer: num tópico que trata da origem da palavra despautério, ninguém aqui pode ser acusado de ter fugido ao tema.

    Dói-me pensar que, nesta página, o nível da discussão já foi mais elevado…

    • cely 21/12/2009 at 14:18

      É mesmo NINGUÉM fugiu ao tema…….

  • Abadia 25/02/2010 at 12:54

    espauterio é um erro….

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