Curiosidades etimológicas: Xará

30/01/2010

O leitor Sérgio Luiz Fernandes pergunta:

Caro xará, qual a origem desta palavra para designar alguém com o mesmo nome?

Parece não haver dúvida de que o brasileirismo “xará” vem do tupi. Os filólogos Antônio Geraldo da Cunha e Silveira Bueno concordam nisso, embora apresentem notações um pouco diferentes: xa’ra, de xe rera, “meu nome”, de acordo com o primeiro; e che-rera-á, “o que é tirado do meu nome”, nas palavras do segundo. Detalhes que não alteram a substância.

Publicado no “NoMínimo” em 9/3/2007.

8 Comments

  • Nilton 30/01/2010 at 13:50

    Sergio, é interessante a semelhança do nosso xará com o guarani che ra’ã (meu amigo), que é usado diariamente no Paraguai. Li uma vez que é daí que vem o che usado na Argentina.

    Um abraço e parabéns pelo blog.

    • Sérgio Rodrigues 01/02/2010 at 12:35

      Nilton, não encontrei essa ligação com che, mas gostei muito da história. Você sabe indicar alguma fonte? Obrigado e abraços.

  • pedro curiango 30/01/2010 at 20:13

    Não sei a datagem do aparecimento desta palavra no português do Brasil, mas, antes dela, se usava XARAPIM, que é facilmente datável em fins do século XVIII, em boca de brasileiro residente em Portugal. Pelo contexto (letra de música popular) parece ser termo comum então.

  • Sérgio Rodrigues 01/02/2010 at 12:28

    Curiango, os filólogos que conheço não têm dúvida em derivar xarapim (e também xarapa) de xará, com acréscimo expressivo. Brasileirismos, todos. Mas a datação que encontrei é posterior, do século 19. De onde vem a sua?

    • pedro curiango 01/02/2010 at 18:03

      Minha fonte é a VIOLA DE LERENO, de Dominos Caldas Barbosa. O texto, “Lundum de Cantigas Vagas,” encontra-se no primeiro folheto (pp. 15-17) do segundo volume [Lisboa: na Tipografia Lacerdina, 1826]. Esta data, entretanto, é posterior à composição da obra, já que o autor morreu em 1800. Para datagem, deve-se considerar também que o primeiro volume, de características idênticas, foi publicado em 1798. A VIOLA DE LERENO é um dos maiores repositórios de brasileirismos primitivos mas, infelizmente, parece até hoje ter sido deixado de lado por nossos etimólogos. Como exemplo, abusando da paciência e do espaço, copio esta letra:

      Xarapim eu bem estava
      Alegre nesta aleluia,
      Mas para fazer-me triste
      Veio Amor dar-me na cuia.

      Não sabe meu Xarapim
      O que Amor me faz passar,
      Anda por dentro de mim,
      De noite, e dia a ralar.

      Meu Xarapim já não posso
      Aturar mais tanta arenga
      O meu gênio deu à casca
      Metido nesta moenga.

      Amor comigo é tirano
      Mostra-me um modo bem cru,
      Tem-me mexido as entranhas
      Qu’estou todo feito angu.

      Se visse o meu coração
      Por força havia ter dó,
      Por que o Amor o tem posto
      Mais mole que quingombó.

      Tem nhanhá certo nhonhó,
      Não temo que me desbanque,
      Porque eu sou calda de açúcar
      E ele apenas mel de tanque.

      Nhanhá cheia de chulices
      Que tantos quindins afeta,
      Queima tanto a quem a adora
      Como queima a malagueta.

      Xarapim tome o exemplo
      Dos casos que vê em mim,
      Que se amar há de lembrar-se
      Do quer diz seu Xarapim.

      ESTRIBILHO
      Tenha compaixão
      Tenha dó de mim,
      Porqu’eu lho mereço
      Sou seu Xarapim.

    • Sérgio Rodrigues 01/02/2010 at 18:45

      Excelente, Curiango. Obrigado.

  • palavras 05/02/2010 at 22:44

    olá,,,
    bom, eu tb conheço essa palavra xará, sempre ouvir falar q ela significa q alguem tem o mesmo nome q a gente…aí falamos ele é meu xará…
    um abraço

  • Cecilia 13/02/2010 at 17:52

    ¿y de dónde vendrá Tocayo/a que quiere decir xará en español pero que en portugués se parece a tocaia;emboscada?
    Saludos,
    viví en Brasil 5 años como embajadora de México de 2001 a 2006.

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