Demorou: novo Rubem tem clipe, twitter, e-book…

05/11/2009

O primeiro bom exemplo brasileiro de como serão os lançamentos de livros no nosso futuro (presente) digitalizado é o que cerca o “O seminarista”, título de estréia de Rubem Fonseca na Editora Agir, que sai neste sábado – simultaneamente em versão de papel, para Kindle (que o próprio autor já disse detestar, como lembra oportunamente Lauro Jardim) e iPhone.

Não é só: desde ontem, no twitter da editora Agir, uma saraivada de textos com menos de 140 caracteres espicaça a curiosidade dos leitores – coisas como “José só trabalha por encomenda. É conhecido como O Especialista”.

E hoje, para arrematar, estreou no YouTube o clipe do livro, coisa caprichada, com arte de Cristiano Menezes (que também assina a capa) e uma narração rouca, em off, do próprio Rubem.

“O seminarista”, embora tenha 184 páginas, é uma novela. Quem tiver uma sensação de déjà vu assistindo ao clipe não estará enlouquecendo: o narrador, o matador de aluguel e ex-seminarista José, surgiu em três contos de “Ela e outras mulheres” (2006): Belinha, Olívia e Xânia – no último, mata o personagem do Despachante, intermediário que contratava seus serviços.

Corre por aí à boca nem tão pequena que “O seminarista” é, com muitos corpos (olha o duplo sentido) de vantagem, o livro mais violento do escritor de 84 anos. O que, em seu caso, é muito.

Quem comprar a edição de papel ganhará de brinde uma edição do conto A arte de andar nas ruas do Rio de Janeiro (de “Romance negro e outras histórias”, de 1992) ilustrada por ensaio fotográfico de Zeca Fonseca, filho do homem. São também de Zeca as fotos do autor (!!!) que estão sendo distribuídas aos veículos de comunicação.

Simultaneamente, a Agir relança “Os prisioneiros” e “Lúcia McCartney”, dando início a uma coleção que, com a curadoria do jornalista Sérgio Augusto, terá dois títulos a cada dois meses – os próximos, em janeiro, serão “Agosto” e “A coleira do cão”.

O lançamento high tech empolga o editor Paulo Roberto Pires. “Está sendo muito bom ver como isso é bacana, como é rico, como é complexo – e como é fácil”, diz ele.

33 Comments

  • C. S. Soares 05/11/2009 at 18:19

    Parabéns ao Rubem. É bom vê-lo produzindo aos 84. Agora, por favor, não me venha, como aquele velho escritor português (que escreve melhor do que fala), querer agora produzir um livro por ano. Sei que apesar de não gostar do Kindle (também não gosto, como serviço, não como aparelho), Rubem é adepto da tecnologia (quando bem empregada, só quando bem empregada). Agora, Sérgio, seus comentários sobre o Twitter da Agir e o vídeo no Youtube são irônicos, não? Só podem ser irônicos…

  • Rosângela 05/11/2009 at 18:56

    E ainda vamos ver muita coisa espalhando-se…

    Quem cutuca com o que tá quieto cutuca com quem quer cutucar também.

  • Hugo Crema 05/11/2009 at 19:03

    Achei que o Rubem Fonseca fosse mais velho que isso e lembrei que ele é de vinte e dois. Publicar quase um livro por ano em qualquer idade é uma façanha para qualquer escritor que mereça este título. Devo reconhecer que prefiro a versão reclusa e a literatura daí advinda, O cobrador, o desempenho, os contos em que o Mandrake é apenas um bombado de academia que se mete em brigas no carnaval.
    Desde os contos de A arte de andar pelas Ruas do Rio de Janeiro, as coisas vêm mudando para ele cuja única entrevista parece ter sido concedida porque ele era um brasileiro em Berlim no dia da queda do Muro.

  • Roberto Almeida 05/11/2009 at 19:19

    High tech?
    Esse tipo de estardalhaço existe pra tudo no mundo em que a gente vive. Pense na campanha de qualquer candidato a presidente, governdador, prefeito… Tudo acontece assim. E também acontece assim no lançamento de filmes. E de perfumes. Isso é tipico do nosso mundo medidatizado.

    A literatura só demorou a entrar na onda. Eu, que não tenho nada de apocalíptico (e tb nada de integrado) acho bacana essas mundaças. Sinal que a literatura tá sendo encarada como algo que pode interessar ao grande público. Pelo menos no caso do velho Rubens…

    • Sérgio Rodrigues 05/11/2009 at 21:19

      Exatamente, Roberto. Como diz o título: demorou.

  • John Coltrane 05/11/2009 at 19:25

    Muito boa a matéria. Vi o clipe e os posts, e vou baixar o aplicativo para o iPhone para ver como é. Não sabia que existia clipe de livro e, mesmo estando cada vez menos curioso para ler o Rubem, gostei de ver esses aparatos sendo postos em uso.

  • Noga Sklar 05/11/2009 at 19:37

    Bacana, Sérgio, mas cabe uma correção: o Rubem é, digamos, o primeiro autor importante a ter tudo isso, porque esta escritora desimportante aqui já o fez e em dose dupla. Meus livros Hierosgamos e O Gozo de Ulysses foram lançados em papel, estão desde a semana passada no Kindle e têm vídeo no youtube, o do Hierosgamos, por exemplo, com mais de 60 mil visitas e o de Ulysses já na casa dos 8 mil.
    Não é pra reclamar, sou fã do Paulo e ele sabe disso, mas que é duro não ser bancada pelo poder, isso é, desculpe o desabafo, releve o comercial.
    E pra que não digam que estou mentindo, seguem links:

    https://www.amazon.com/s/ref=nb_ss?url=search-alias%3Daps&field-keywords=noga+sklar&x=11&y=14

    • Sérgio Rodrigues 05/11/2009 at 21:22

      Sim, Noga, vi seus clipes. Outros autores também lançaram e lançam mãos desses recursos. A notícia, que acho ótima, é isso chegar finalmente a uma grande editora, lançando um autor consagrado. Até agora esse mercado andava um tanto refratário.

  • joão sebastião bastos 05/11/2009 at 20:09

    É uma pena que o Rubem Fonseca esteja virando uma versão “Caveirão” do Frederick Forsith”.

  • marcos 05/11/2009 at 21:51

    Trecho da entrevista do escritor chileno Antonio Skármeta, autor do livro “O Carteiro e o Poeta” , ao Diário de Pernambuco hoje:

    O que você pensa de e-books, que será um dos temas da Fliporto?

    “O livro em papel é infinitamente mais moderno e complexo que o e-book: funciona sem energia, pode-se dobrar a página nos pontos de maior interesse, permite sublinhar a frase inspiradora ou genial, é um presente bom e barato para quem se gosta e, se o livro é ruim, permite o prazer extra de atirá-lo pela janela quando o aborrecimento é insuportável. ”

    .

    • Rosângela 05/11/2009 at 23:21

      Marcos, você falou e disse… gostei de te ler…

  • Ernâni Getirana 05/11/2009 at 23:57

    Merda pura a literatice desse senhor!!!!

  • Ernâni Getirana 05/11/2009 at 23:59

    Virgem pai e filho em dose dupla, acha estômago. Urubus.

  • luana 06/11/2009 at 00:41

    O Antônio Skámeta está certíssimo…Nada como um livrinho na mão…

  • Tibor Moricz 06/11/2009 at 00:44

    A propósito, Sérgio, qual é mesmo o seu twitter?

  • luana 06/11/2009 at 00:45

    …e muita saúde para Gabriel Garcia Marquez. êsse é “o cara”…

  • Tibor Moricz 06/11/2009 at 00:45

    O meu é @tmoricz

  • C. S. Soares 06/11/2009 at 10:15

    Sérgio, explico: pense em um lápis, esferográfica, remington (standard 2), macbook, ou recortes de jornal, milhares, cada um representando uma letra do alfabeto (bem organizadas em 26 repositórios).

    Diga ao Rubem, ou ao “velho escritor português” (também funcionará com qualquer outro escritor nascido e criado sob a égide de Gutenberg): “use-os para contar uma história!” A história é escrita na mente, sabemos, mas para comunicá-la precisamos do suporte.

    Seja qual for o escolhido, eles contarão a “mesma” história, entende?, repetirão o “modelo” que conhecem, a tecnologia offline do papel os moldou desta forma. E afirmo: isso não é demérito.

    Usar sites de relacionamento para copiar o modelo dos livros de papel, ou mesmo, para (pura e simplesmente) divulgá-los é um absurdo (nada mais rídiculo do que a tal “Twitteratura” redicionista que vejo por aí, tentando empacotar em microcontos uma narrativa. Pensemos holisticamente!)

    Precisamos entender as idiossincrasias da tecnologia para escrever e publicar de uma forma diferente. Think different! (Ah, se Jobs fosse um editor…)

    As redes sociais não são as ferramentas (twitter, facebook, youtube, goodread etc). As redes sociais sequer são os indivíduos (esses profiles estatisticamente impessoais). As redes sociais são as pessoas, possuem nome, sobrenome, gostos etc.

    O Twitter, bem compreendido, explica a realidade sobre como absorvemos (lembramos e esquecemos) informação. O psicólogo George Miller nos antecipou isso em “The Magical Number 7, +/- 2” (1956).

    O texto em sua forma breve não é novidade, e em diversas representações: eis a bíblia de Estienne, o haicai, aforismos, koan etc. E existe um propósito para eles existirem.

    A unidade de informação se reduz a fluxos menores, vindos de diversas origens, a experiência de leitura (de textos, imagens etc) será contruída a posteriori a partir dos fluxos. Vejam o Google Wave, por exemplo.

    O modelo empacotado dos livros é uma ficção, como as biografias, organizadas em capítulos, com início, meio e fim, tão certinhos, aliás a própria divisão de uma história em capítulos já mostra que uma narrativa é por natureza fragmentada (já começa pelo ponto de vista do narrador).

    Para contar histórias nesse ambiente tecnológico e desafiador, precisamos de novos modelos. Lembro aqui (como não lembrá-lo?) o exemplo de Santos Dumont. Enquanto seus contemporâneos insistiam em copiar o bater de asas dos pássaros, Santos-Dumont pensou diferente. (Ah, se Dumont fosse um escritor…)

  • Sérgio Rodrigues 06/11/2009 at 11:08

    Discordamos frontalmente, Claudio. O “novo modelo” de narrativa que você prega será, quando – e se – vingar, apenas mais um. Acreditar que um novo meio bastará para abolir cinco mil anos de histórias “fechadas” é, a meu ver, ingênuo. A coexistência é o máximo a que essa revolução, se revolução for, pode aspirar. Quanto ao twitter, parece-me que não usá-lo para divulgar livros é que seria ridículo, não?

    • Tibor Moricz 06/11/2009 at 13:50

      O Twitter é um excelente meio de divulgação. Que o diga o Cláudio, emérito nesse quesito.

  • Rosângela 06/11/2009 at 11:35

    A história jamais pode ser abolida… E é a coexistência com o novo que tudo que era fechado nos cinco mil anos de História, passará a ser aberto. O máximo que possa acontecer é não ser compreendido. Mas isto não impedirá que diques se rompam… e tudo seja fertilizado brotando amor e beleza para tudo quanto é lado.

    Uma coisa é contar o que ouviu que alguém contou. Outra bem diferente é narrar o que está sendo revelado passo a passo. E já começou…

    Muito boas as reflexões de C.S. Soares e de Sérgio Rodrigues. Nâo seriam elas não chegaria a esta conclusão hoje.
    E não estou aqui falando de algo que j´não estou vivendo. Por favor, vejam: http://www.serjumentinho.blogspot.com

  • Rosângela 06/11/2009 at 11:37

    em tempo: “‘ E não estou falando de algo que já não ESTEJA vivendo…” ( desculpa-me)

  • C. S. Soares 07/11/2009 at 10:29

    A discordância (não a discórdia) parece-me positiva. O modelo não é novo, Sérgio, o olhar, talvez (e mesmo dessa novidade, eu desconfio). Autor, texto e leitor possuem intenções, e estas admitem probabilidades, logo, não podem ser “fechadas”. Temos apenas a ‘ilusão’ (ingênua?) de que assim o sejam.

    Sobre os 5000 anos de histórias fechadas (se preferir, estenda o período), lembro que a narrativa antiga expressava-se basicamente pelo que podia ser decorado, era essencialmente mneumônica, logo, o seu sentido de fechamento poderá ser melhor explicado pelo George Miller no texto citado anteriormente.

    Bem, poderíamos discutir o tema indefinidamente. Mas, os pontos aqui levantados, prefiro aprofundá-los e exemplificá-los no livro ‘Narrativas em redes sociais’ (previsto para 2010).

    Agora, um comentário sobre o “Paradoxo Tibor”: o postulante a escritor de ficção científica que se apresenta um tanto quanto obtuso. Seu comentário soa debochado e leviano, já que não tem a mínima idéia do trabalho que existe por trás do projeto que desenvolvo nas redes sociais (não apenas no Twitter).

    Acesse o site. Não se baseie apenas no que ler por aí. A Revista Época que há alguns meses me chamou (e eu até gostei, juro) de ‘escritor da internet’ (é como se existissem ‘escritores de lápis’, ‘de esferográfica’ ou de ‘máquinas de escrever’), por exemplo, se esquece, ou não se informou direito, que também publico em “dispositivos baseados em papel”. Pouco, mas publico. Ano passado, por exemplo, as revistas de História da Biblioteca Nacional e Brasileira da Academia Brasileira de Letras trouxeram textos meus sobre Machado de Assis e a influência do jogo de xadrez em sua obra.

    Atualmente, trabalho, simultaneamente, em 4 livros (um deles é o ‘Narrativas’). Na hora certa, eles nascerão. Inclusive no papel, mas, certamente e principalmente na internet, especificamente, nas suas redes sociais.

  • Cezar Santos 07/11/2009 at 22:09

    Oba… livro novo de Zé Rubem…
    Mesmo decadente, mesmo repetitivo em temas, personagens, situações e nos artifícios enciclopédicos que semeia em suas histórias, um novo (?) livro de Rubem Fonseca é uma alento nessa áfrica que se tornou a literatura brasileira, tão cheia de autores novos (e principalmente autoras) de ruindade acachapante…

  • Rosângela 08/11/2009 at 19:45

    Lembrei da Tribo de Ruben- primogênito de Jacó e Lia. Não ajudou no conflito contra Sísera. Ficava com questionamentos enquanto os outros estavam ali enfrentando i o inimigo…
    É isso… mas foi restaurada…

    Bibliografia = Bíblia.:
    Gênesis 29.32
    Juizes 5.15 ( Lemos: nas correntes de Rubens foram grandes as escradinhações do coração.
    Juizes 5.16 ( lemos: nas divisões de rubens tiveram grandes esqudrinhações de coração)

    E aí fica claro qu quem debate muito acaba divindo e não libertando ninguém. Coisa de partidos… ) Prefiro os que vão logo a luta em amor. Que pena que não fazem grandes filmes com os personagens opressores e oprimidos da Bíblia… Também… não seria prudente para os DOMINADORES… né? Já estão no Brasil mais de 13 milhões muçulmanos… e mais de 70 mesquitas… Enquanto intelectuais de esquerda debatem e elocubram…contra cristianismo, nossas ortas se abrem.. e ninguém sabe…

  • Eric Novello 09/11/2009 at 14:14

    Fico torcendo para que vire um hábito dos grandes e dos pequenos. Abss!

  • Flavio B. 10/11/2009 at 22:09

    Viva o Zé Rubem!!!!!!!!!!

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