Eros em alto Grau

05/04/2007

Vânia era desenhista de moda e pintora, da minha altura, uma gazela, pernas e coxas alongadas, saboneteiras profundas e seios discretos. Rosto marcante, olhos bonitos. Encontrávamo-nos regularmente. Sempre à tarde, que ela desconfiava que o marido desconfiasse. Usava, invariavelmente, camisas de seda ou algodão em padrões que ela mesma desenhava, lindas, marcantes, ousadas. Tinha uma válvula de sucção no lugar do sexo e soltava sonoras flatulências vaginais pós-coito. Era agradável, sadio, sem dramas, o namoro de tardes inteiras, ela nua, suas esguias longas pernas enroscadas em meu corpo. Nenhuma ansiedade. Pedia-me, enquanto nos amávamos, que inventasse estórias sobre ela mesma estar sendo possuída por mais de um homem, concomitantemente, dois ou três, ocupando todas as suas frestas, o que importava em que nos amássemos sem qualquer sentimento de propriedade.

Está certo: o trocadilho do título desta nota é infame. Mas como resistir a ele quando Eros Grau, ministro do Supremo Tribunal Federal, estréia no romance com uma narrativa tão cheia de erotismo quanto a de “Triângulo no ponto” (Nova Fronteira, 144 páginas, R$ 29), que chega às livrarias semana que vem?

30 Comments

  • Clarice 06/04/2007 at 05:02

    Flatulência em alta na literatura. Llosa também narra os métodos que um Yakuza submetia a “menina má” a fim de saciar sua fome de gases entre outras perversidades. Ele acabou com a saúde da “menina má” que, claro, morre.
    Mas ele não usava o dinheiro de impostos e outras fontes para “tardes inteiras” de amor.
    STF?
    Queria ler os romances dos ilustres ministros e senadores.
    Este escritor ainda acaba na ABL.

  • Noga Lubicz Sklar 06/04/2007 at 07:40

    com um nome desses, não admira. pra ser posto a julgamento todo dia, deve ser de verdade. o cara tem peito. e pau. ops, Clarice, quer dizer que o dinheiro veio dos impostos? uai, Nova Fronteira já está aceitando autopublicar?

  • Clarice 06/04/2007 at 11:36

    Não. Pelo amor de Deus! Mas é sabido que Brasília é um paraíso para a coleta de material erótico dos políticos.
    Nós só pagamos o material que o nobre ministro colheu. Ainda bem que vim aqui.
    Vim buscar o site onde se encontra o José María Guelbenzu.
    Parece ser muito bom e ele cita um trecho de Clarice Lispector que tb era multimedia.
    “(…)brasileña Clarice Lispector.Se lo ncuentra uno así, de pronto, en una página:
    “Pensaba simple y claro.Pensaba música pequeña y límpida que se alargaba en un solo hilo y se enrollaba clara, fluorescente
    y húmeda,agua en agua, meditando un loco arpegio ” (…)
    E diz de Cortázar:
    (…) Y, para colmo, fue una gran persona siempre, incluso en sus desbordamientos; uno de los pocos escritores que no cedieron a la soberbia que implica la fama y, a la vez, el esnob más tierno, humano e ingenioso que he llegado a conocer.” (…)

    Mas ao menos o nobre ministro conhece algumas fantasias femininas.
    Desde que fiquem na fantasia…

  • marco 06/04/2007 at 11:41

    Esse dá arrepio. De medo.
    Então é gente como esse flatulento
    ” escritor” cheio de “frestas ” que julga nossas vidas?

    Prefiro o ordálio.

    ma

  • Clarice 06/04/2007 at 12:25

    Nobre ministro,
    Suposição, apenas suposição, de que o material é colhido pela experiência.
    Sempre advoguei que biografia e obra são coisas distintas.
    Mas 3 nobre ministro? Trés é demais.

  • Sírio Possenti 06/04/2007 at 13:20

    Achei que está mais para Grau do que para Eros… “Encontrávamo-nos”?? “…sobre ela mesma estar sendo possuída”???
    Parece voto.

  • Cezar Santos 06/04/2007 at 13:45

    ABL em vista e eleição na certa….

  • Paulo (outro Paulo) 06/04/2007 at 14:01

    Que tremendo tarado, esse Eros Grau. Veja você, depois de uns livrinhos chatérrimos sobre direito econômico não é que ele me vem com uma put_ria digna de Sade! Dura Lex…

  • Felipe 06/04/2007 at 14:09

    Correm boatos pelos fóruns (evidendemente não me refiro à clássica seção da revista Ele & Ela…) da vida que o Eros Grau tem uma vasta coleção de revistas e filmes de sacanagem. Aliás, tem um personagem do cartunista Laerte, um intelectual barbudo com um armário cheio de revistinhas de sacanagem, que é a cara do Eros Grau.

  • The Talking Cricket 06/04/2007 at 14:36

    Não admira que o STF seja tão lento para julgar os processos.

  • pinochet 06/04/2007 at 17:55

    Esquecendo o seu passado e atual condição de ministro, como escritor, o sr. eros grau é muito fraquinho. Senão vejamos:
    – pernas e coxas alongadas: pernas tudo bem, mas coxas alongadas?
    – ela desconfiava que o marido desconfiasse: o vocabulário do ministro não encontraria um sinônimo para desconfiar?
    – tinha uma válvula de sucção no lugar do sexo: da maneira como está escrito, no lugar dá a entender que seja em substituição.
    – suas esguias longas pernas: existe esguias curtas?
    Vou parar por aqui. Mas imaginem se eu fôsse analisar o livro inteiro.
    Avante!

  • Lily 06/04/2007 at 23:21

    Cla,
    Tá certo. Morri.
    Mas, gostava de flatular para o Yakusa.
    Beijinhos, Lily

  • joão marcos 07/04/2007 at 00:09

    Vimos, respeitosamente, à presença de Vossa Excelência para dizer que sois podre.

  • Marcus 07/04/2007 at 01:22

    e o sobrenome dele nem pronuncia ‘grau’, mas ‘grô’, ‘grou’ ou algo do tipo. De qualquer forma, fraquinho.

  • luiz 07/04/2007 at 10:07

    “Pedia-me, enquanto nos amávamos, que inventasse estórias sobre ela mesma”.
    Essa é a verdade – historia sobre ele mesmo
    PS – onde fica mesmo as saboneteiras?!

  • clarice 07/04/2007 at 20:13

    O livro do Mario Vargas Lhosa é ótimo. Altamente romântico, erótico, político e social. A leitura é uma delícia e bem autobiográfico.
    Tb fala de flatos mas com mais talento do autor.

  • Clarice 08/04/2007 at 14:04

    Bem,
    Acho que tem alguém querendo se passar por mim ou as coinscidências estão demais.
    Esta “clarice” de clarice — 7/04/2007 @ 8:13 pm aí de cima não sou eu.

  • Clarice 08/04/2007 at 14:22

    Eu li o Menina má por que ganhei. Mas achei muito ruim.
    Muito repetitivo e cortaria umas 120 páginas sem pestanejar.
    Sérgio,
    Gosto muito do seu Blog e parabenizo pelo trabalho. Mas devido à problemas como este, inclusive já deixaram um comentário aqui com o nome de uma pessoa que não usa nick como eu e sim o seu verdadeiro nome atacando outra igualmente idônea, à erros de julgamentos que nos faz fazer comentários injustos como eu fiz com o Vinícius Jatobá – estava esperando a hora certa, Vinícius, de me desculpar. Não respondi ao seu e-mail por que foi um tiquinho agressivo mas aí está – e por receio de que a qualidade do Blog possa ser prejudicada esta é o meu último comentário.
    Qualquer “Clarice” – escolha infeliz esta. Podia ter escolhido um nome mais bonitinho como Diana, Cristina, Cláudia, Carla, Helga, ou, por que não Hemengarda? – mas então, qualquer “Clarice” que aqui venha deixar seu pitaco não serei eu.
    Um abraço à todos e se eu feri alguém peço desculpas. Mas é assim mesmo. Relacionamento humano é muito complicado. A gente conclui uma coisa e depois vê que não era nada disso. blábláblá…

  • Clarice 08/04/2007 at 14:37

    Shirley,
    posso te emprestar o “Travessuras de uma menina má”. Só não dou por que posso trocar com alguém.
    Saint-Clair,
    infelizmente mudei de idéia:
    o Trintram Shandy tá na minha lista de imprestáveis. Mas te dou o vol 3 do Hauser em espanhol. É dado. Se quiser o Durkheim da coleção dos pensadores tb te dou. Mas só se você for ler.
    Tibor,
    Não posso emprestar o Camus. Só agora percebi que tem “Estado de Sítio” junto com “O Estrangeiro”.

    Comentário de Clarice — 29/03/2007 @ 11:22 am
    Do post “Empréstimos, perdas e ganhos”

    Não costumo dar ou trocar livros que gosto.

    Mas tem gente para tudo, heim?
    Humano, demasiado humano.

  • Clarice 08/04/2007 at 14:38

    Muito chocolate para todos. Já passou a idade das espinhas. Se bem que para alguns… kkkk

  • Pulguinha 08/04/2007 at 21:27

    Clarice, também li o “Travessuras de uma menina má”, porque minha filha ganhou e também por ser do Mário Lhosa. Poderia ser mais enxuto, mas gostei.
    A brincadeira que fiz sobre a Lily, foi só uma brincadeira. Ri muito da minha imaginação quanto à descrição das posturas e dos flatos naquele episódio.

    Sou leitora assídua do Todoprosa e raramente dou uns pitacos.Até porque entendo pouco de literatura. Mas tem algo que me pertence que é o sentir se gosto ou não do que li.

    Usei Lily e não o teu nome. Mas espero que continues comentando como Clarice por questão de identificação.

    Um abraço a todos.

  • Pulguinha 09/04/2007 at 00:04

    Lembrei de outro livro que fala de flatos. Pena não tê-lo para confirmar. Num velório em “Capitães da Areia” do Jorge Amado, quando descreve as carpideiras bundudas ele as chama de “saco de peidos” e pelo inusitado da situação, nunca esqueci.

  • pinochet 09/04/2007 at 07:58

    Brasileiros e brasileiras
    Na minha adolescência, certa vez assisti um filme onde a atriz, fazendo o uso da tal flatulência, fumava um cigarro pela vagina.
    Portanto este ministro – pseudo escritor, analfabeto que é, como todo petista, não é nem ao menos original.

    Avante!

  • joao gomes 09/04/2007 at 09:51

    Esse “Triângulo no Ponto” é um verdadeiro Triângulo das Bermudas”, ou… Triângulo sem Bermudas com amantes fantasmas. Ou são os fantasmas de Eros?

  • ROBERTO SCHULTZ 09/04/2007 at 19:05

    Parece que o próximo Romance dele é sobre o Sistema Judiciário. A trama trataria do amor entre dois presidiários, iniciado durante um banho de chuveiro. Um deixa cair o sabonete e o outro, aproveitando, enfia o (piiiiii) na, digamos, “saboneteira” do outro. Lindo. Tem flatulência também, em alto Grau. Música de Eros…Ramazotti!!!

  • Simone 09/04/2007 at 21:24

    Não sei porque, não consigo gostar desse estilo erótico descritivo. Parece que o cara está alisando memórias que só importam a ele. O leitor não goza.
    Mas tenho um elogio a fazer: a capa é linda, elegante.

  • ROBERTO SCHULTZ 10/04/2007 at 08:46

    Concordo, Simone. Parece que o sujeito está dizendo “é só um personagem, mas eu – “enquanto homem” – sou capaz de comer uma mulher, desse jeito. Pode vir, que tem”. Ou seja, está vendendo o próprio peixe.

  • Analista 10/04/2007 at 16:04

    A flatulência vaginal não é um peido intestinal, é a emissão do ar acumulado na vagina. Eu particulamente não gosto, por lembrar o primeiro caso.

  • Roberson 10/04/2007 at 16:40

    Gostei muito da capa.

  • Roberto Schultz 11/04/2007 at 12:16

    Sem falar que se escapa um desses, cai todo mundo na risada e acaba a trepada. Eu, hein?

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