Finais inesquecíveis

25/06/2007

O NoMínimo vira história – em todos os sentidos – dentro de poucos dias, mas a frase de Tom Stoppard não está aí em cima por acaso. O Todoprosa ficará no ar. Aguardem notícias de seu novo paradeiro.

Não gosto de choradeira (não em público, pelo menos), mas não custa tentar corrigir algumas distorções na reta final. No fim de semana, pensando nesta etapa que se encerra, me ocorreu o desequilíbrio gritante em que o blog incorreu. Sabemos que o mundo é feito de tal forma que o número de começos, no fim das contas, é sempre exatamente igual ao número de fins. Por definição. Se não é igual, é porque o “fim das contas” ainda não chegou.

Traduzindo: depois de tantos Começos Inesquecíveis, me ocorreu o tamanho da dívida de Finais Inesquecíveis que acumulei. Tento saldar parte dela agora, enquanto é tempo. Com algum atropelo e, naturalmente, sem pretender fazer uma lista de “melhores” – como nunca foi a intenção dos Começos Inesquecíveis, aliás –, aí vai uma pequena antologia descaradamente impressionista. No mínimo, ficamos no clima da semana.

Alguns finais são melancólicos:

E assim prosseguimos, barcos contra a corrente, arrastados incessantemente para o passado.

(F. Scott Fitzgerald, “O grande Gatsby”)

Outros gelam a espinha:

Mas, de pé no quarto já quase totalmente escuro, verifiquei que Ana Meneses não existia mais. Inclinei-me para cerrar-lhe as pálpebras e, não sei, julguei perceber que no seu semblante não havia nenhum sinal dessa paz que é tão peculiar aos mortos.

(Lúcio Cardoso, “Crônica da casa assassinada”)

Há os apocalípticos:

No momento em que os seus últimos representantes vão desaparecer, achamos legítimo render à humanidade esta última homenagem; homenagem que também acabará por apagar-se e perder-se nas areias do tempo; deve-se, entretanto, ao menos uma vez, fazê-la. Este livro é dedicado ao homem.

(Michel Houellebecq, “Partículas elementares”)

Haverá uma explosão enorme que ninguém ouvirá, e a Terra, retornando à sua forma original de nebulosa, errará pelos céus, livre dos parasitas e das enfermidades.

(Italo Svevo, “A consciência de Zeno”)

Os metafísicos:

Caminhou contra as línguas de fogo. Elas não morderam sua carne, elas o acariciaram e o inundaram sem calor e sem combustão. Com alívio, com humilhação, com terror, compreendeu que ele também era uma aparência, que outro o estava sonhando.

(Jorge Luis Borges, “As ruínas circulares”)

Também os tristes, mas esperançosos:

Encerro hoje, aqui, este volume malfadado do meu Diário. Não posso imaginar volume pior, com a morte da camarada Camila!

Quero que amanhã, um dia qualquer, sem nada de especial, assinale o começo de nova vida para mim.

São quatro horas da tarde.

O dia continua frio, mas firme de tempo.

(Carlos Sussekind, “Que pensam vocês que ele fez”)

Os luminosos:

E a mulher amada, de quem eu já sorvera o leite, me deu de beber a água com que havia lavado sua blusa.

(Chico Buarque, “Budapeste”)

E a vida que segue, lambona, deliciosa:

– Sh, sh! – disse ela, e botando a língua para fora me lambeu o rosto. – Criaturinha querida, adorável!

– Au, au! Au, au! – lati. – Au! Au, au, au!

(Henry Miller, “Sexus”)

88 Comments

  • clelio 25/06/2007 at 15:50

    Sérgio, para mim o final mais bonito, mais trsite, mais sonoro, mais comovente da história da literatura é o parágrafo final do conto “The dead”, do James Joyce, que encerra a coletânea Dubliners.

  • Claudio Soares 25/06/2007 at 15:52

    Sérgio: Foi realmente um ótimo trabalho o que vcs realizaram. Todos estão de parabéns.

    Deixo como homenagem, no momento em que viramos essa página histórica da internet brasileira, o final (esperançoso) do Santos-Dumont Número 8:

    As palavras não esgotam minha esperança. Porque não espero nada. Porque não temo nada. Simplesmente sou livre.

    Boa sorte a todos!

  • Saint-Clair Stockler 25/06/2007 at 15:55

    [Não gosto de finais]

    Meu fim inesquecível:

    Toda de branco, Dulce Veiga estava parada na porta da casa, ao lado do cachorro. Uma arara pousou na árvore perto dela. Os primeiros raios do sol faziam brilhar aquela estranha coroa – tiara, diadema – que tinha entre os cabelos louros.

    Pisquei, ofuscado. Ela ergueu o braço direito para o céu, a mão fechada, apenas o indicador apontado para o alto, feito seta. Depois gritou qualquer coisa que se esfiapou no ar da manhã.

    Parecia meu nome.

    Bonito, era meu nome.

    E eu comecei a cantar.

  • Luiz André 25/06/2007 at 16:06

    Bom saber que o TodoProsa vai permanecer. Pelo menos isso.

    Mas aí vai a minha contribuição para os finais inesquecíveis (Desculpem, mas só tenho a versão em espanhol):

    “- ¿ Y hasta cúando cree usted que podemos seguir en este ir e venir del carajo? – le preguntó.

    Florentino Ariza tenía la respuesta preparada desde hacía cincuenta y tres años, siete meses y once días con sus noches.

    – Toda la vida – dijo.”

    Gabriel García Márquez, em O Amor nos Tempos do Cólera.

  • Flávio 25/06/2007 at 16:11

    boa notícia essa do fim-início do Todo Prosa.

  • Marcelo Moutinho 25/06/2007 at 16:45

    É lamentável que o No Mínimo morra. Muito triste mesmo. Nesse panorama sombrio, a notícia da resistência do Todo Prosa é um alento. Abraço, Sergio.

  • Hugo Pedreiras 25/06/2007 at 16:48

    Final inesquecível:

    “- Então chupa agora, enquanto ainda não desfiou de todo. – Mas a boca era pequena, toda perícia oral se fora com os anos, e, desde os eventos de 1978, aquela não era mais sua fruta preferida.”

    Totó Pedreiras, “Perímetro desmesurado”

  • Tibor Moricz 25/06/2007 at 17:06

    Já estava pensando que esse ‘finais inesquecíveis’ fosse algo sintomático, referente ao fim do Todoprosa. Folgo em saber que o fim está distante. Sorte de todos nós.

  • Bemveja 25/06/2007 at 17:06

    O final do The Dead p/ mim tb é insuperavelmente etéreo, evocativo e, em última instância, definitivo em termos de expressão da musicalidade da língua inglesa.

    Agora há tb

    “I said yes I will Yes.”

    Escolha óbvia:a afirmação da vida, ou seja, o final que não é um fim (recurso retomado em outros termos e circunstâncias no Finnegans Wake).
    E é um epílogo que, também em outros termos, lembra o final do Amor nos Tempos do Colera, que é realmente comovente pela persistência do protagonista.
    Excelente atitude Sérgio, buscar alternativas é a atitude mais nobre e mais produtiva. Basta informar o novo link e estarei lá.

  • Bemveja 25/06/2007 at 17:06

    O final do The Dead p/ mim tb é insuperavelmente etéreo, evocativo e, em última instância, definitivo em termos de expressão da musicalidade da língua inglesa.

    Agora há tb

    “I said yes I will Yes.”

    Escolha óbvia:a afirmação da vida, ou seja, o final que não é um fim (recurso retomado em outros termos e circunstâncias no Finnegans Wake).
    E é um epílogo que, também em outros termos, lembra o final do Amor nos Tempos do Colera, que é realmente comovente pela persistência do protagonista.
    Excelente atitude Sérgio, buscar alternativas é a atitude mais nobre e mais produtiva. Basta informar o novo link e estarei lá.

  • Ana Z. 25/06/2007 at 17:09

    Que notícia boa, Sérgio! Não dá para viver sem o Todoprosa!

    Um dos meus finais inesquecíveis – cínico que é uma beleza:

    “Este último capítulo é todo de negativas. Não alcancei a
    celebridade do emplasto, não fui ministro, não fui califa, não
    conheci o casamento. Verdade é que, ao lado dessas faltas,
    coube-me a boa fortuna de não comprar o pão com o suor do
    meu rosto. Mais; não padeci a morte de Dona Plácida, nem a
    semidemência do Quincas Borba. Somadas umas coisas e
    outras, qualquer pessoa imaginará que não houve míngua nem
    sobra, e conseguintemente que sai quite com a vida. E imagi-
    nará mal; porque ao chegar a este outro lado do mistério,
    achei-me com um pequeno saldo, que é a derradeira negativa
    deste capítulo de negativas: Não tive filhos, não transmiti
    a nenhuma criatura o legado da nossa miséria.”

    (Machado de Assis, “Memórias Póstumas de Brás Cubas”)

  • Te 25/06/2007 at 17:22

    Que tristeza ver todos se despedindo! Ao menos o Todoprosa vai continuar. Que o No Mínimo continue de alguma outra forma.
    Vou mandar outro final de Machado de Assis:
    “A minha amiga e o meu melhor amigo, quis o destino que acabassem se juntando e me enganando. A terra lhes seja leve! Vamos à História dos subúrbios”

  • fat james 25/06/2007 at 17:29

    Na minha opinião, fico com o final de “Os Sertões”. Épico e comovente.

  • Tibor Moricz 25/06/2007 at 17:31

    Na minha modesta opinião, o melhor final é o do Todoprosa… “vai continuar”. Não é ótima?

  • Saint-Clair Stockler 25/06/2007 at 17:40

    É, Tibor, eu adorei.

    Te: eu não estou me despedindo: estou é aprontando as minhas malinhas literárias (alguém aí disse que a malinha na verdade sou eu?) pra me mudar, de mala e cuia, pro novo saite do Sérgio.

  • Rafael Rodrigues 25/06/2007 at 17:52

    Nem preciso dizer que é realmente terrível o NoMínimo chegar ao fim, né? Sobre os fins, veja aí o final de “Sonhos de Bunker Hill”, de Fante. É sensacional. E vamos com o Todoprosa aonde ele estiver. Abraço!

  • Rafael Rodrigues 25/06/2007 at 17:52

    Nem preciso dizer que é realmente terrível o NoMínimo chegar ao fim, né? Sobre os fins, veja aí o final de “Sonhos de Bunker Hill”, de Fante. É sensacional. E vamos com o Todoprosa aonde ele estiver. Abraço!

  • Deise Guelfi 25/06/2007 at 17:56

    Sérgio,

    Refrigério em dose dupla: o seu texto, que é impagável, e a notícia.

    Eu gostaria de te agradecer, pois foi através de sua coluna (não essa, mas A Palavra É…) que eu descobri o prazer deste botequim, cheio de gente encantadora, e que se tornaram meus amigos. Até hoje…

    Estar aqui foi uma das coisas mais importantes em minha vida, num momento bastante difícil… Segurei-me, porque percebi através das participações daqui, o quanto eu sou além do que eu imaginava ser.

    E sabe por que? Porque não foi só a minha participação no sitio, foi o respeito e o envolvimento de todos vocês conosco, os leitores e comentaristas, que possibilitou isso

    Obrigada, Sérgio.

    E estenda à todos, por favor.

    Avise-me sobre o Todoprosa, por favor.

  • Luis Eduardo Matta 25/06/2007 at 18:01

    Olá, Sergio.
    É realmente uma notícia triste o fim do No Mínimo, mas fico feliz em saber que você pretende prosseguir com o Todoprosa. Eu e muita gente ficaremos ansiosos no aguardo do seu retorno. Seu blog tornou-se parada obrigatória para todos nós que amamos a literatura. Torço por você.
    Grande abraço!

  • Maurício 25/06/2007 at 18:18

    Legal, aguardo novo endereço.

  • Eduardo Carvalho 25/06/2007 at 18:44

    O final de Gatsby é inesquecível. O site deixará saudades. Aguardo seu novo endereço.

  • Pedro David 25/06/2007 at 19:58

    Sérgio,

    Tem também os finais que são começos e vice-versa:

    “Era uma noite fria de lua nova. As estrelas cintilavam sobre a cidade de Santa Fé, que de tão quieta e deserta parecia um cemitério abandonado”.

    O Tempo e o Vento

    Abraço,

    Pedro David

  • Juliano 25/06/2007 at 20:26

    Nossa, seria ótimo se os jornalistas de No Mínimo, com sua irreverência característica, estivessem, na verdade, passando um trote em nós, leitores. Conehço coisas parecidas. Aqui no Sul, um programa de rádio muito popular, de humor, avisou que sairia do ar. Trote!!! Uma brincadeira que deixou todo mundo doido! Que legal se o No Mínimo estivesse fazendo isso também. Mas parece que não é trote mesmo, infelizmente. Então, pelo menos é bom saber que o Todoprosa continua. Daqui, tirei sugestões de leituras sensacionais. Li debates interessantíssimos. Conheci pontos de vista igualmente instigantes. Que bom, Sérgio, que você continuará tocando o barco. Por hora, parabéns, e nós todos migraremos para onde você for, não tenha dúvida.
    Abraço!

  • Djalma Toledo 25/06/2007 at 20:27

    ” Na vida com o tempo tudo passa,
    só as águas ficam ”
    ( Henry Miller — O mundo do sexo )

    Seria tão bom que alguém ai dissesse ” Não vamos nos dispersar ” (*) todos no novo Blog xxxxx.

    (*) Tancredo Neves

  • Mr. WRITER 25/06/2007 at 20:28

    Bom, resistindo o Todoprosa sei que haverá onde continuar colhendo boas dicas e posts como este aqui. Muito obrigado Sérgio…
    Para mim, um final inesquecível é o de Solaris de Stanislaw Lem. Leiam, até o fim… inesquecivel do começo ao fim…

  • Djalma Toledo 25/06/2007 at 20:51

    Sérgio Rodrigues ___ Por falar em Henry Miller, dizem que Anais Nin morreu depois de uma longa enfermidade, você sabe que enfermidade foi essa ?
    Alguém sabe ?

    Obrigado

  • shirlei horta 25/06/2007 at 22:05

    Mais uma boa notícia em meio a tanta tristeza. Ótimo, tocando a vida em frente. Eu também vou atrás do trio elétrico.

  • Roberto Prado 26/06/2007 at 08:47

    Contem comigo para o próximo sonho.

  • Roberto Prado 26/06/2007 at 08:47

    Contem comigo para o próximo sonho.

  • Roberto Prado 26/06/2007 at 08:48

    Contem comigo no próximo.

  • lao 26/06/2007 at 09:32

    “(…) pus os braços à volta dele sim e puxei‑o para baixo para mim para que pudesse sentir os meus seios todos perfume sim e o coração batia‑lhe como louco e sim eu disse sim eu quero Sim”

    o final “bunitinho” de Ulisses (que eu nunca li) de Joyce.

    Era a sua coluna uma daquelas que eu mais gostava de ler.

    abrs! e até a próxima.

  • Marcelo Pinto 26/06/2007 at 10:46

    Uma boa notícia ao menos, a sobrevivência do Todoprosa.
    A propósito, lembrei de um final:
    Ele me olhou, parecendo me ler por dentro, adivinhando meus receios.
    – Há-de vir um outro – repetiu.
    Aceitei a sua palavra como a de um mais velho. Face à neblina, nessa espera, me perguntei se a viagem em que tinha embarcado meu pai não teria sido o último vôo do flamingo. Ainda assim, me deixei quieto, sentado. Na espera de um outro tempo. Até que escutei a canção de minha mãe, essa que ela entoava para que os flamingos empurrasem o sol do outro lado do mundo.

    (Mia Couto, “O último vôo do flamingo”)

  • Saint-Clair Stockler 26/06/2007 at 10:47

    Hoje eu tive um pesadelo, acordei e não consegui dormir mais! E SE O NOVO TODOPROSA NÃO TIVER ESPAÇO PRA COMENTÁRIOS?

    Horror, horror!

  • Cezar Santos 26/06/2007 at 10:56

    Saber terminar uma história é uma arte, talvez mais difícil ainda do que saber iniciar…
    Particularmente sou contra finais redondos, previsíveis demais… a vida não tem final redondo, embora na maioria das vezes seja previsível… porque a morte é o final de tudo.
    Esse final do Miller (Sexus) é sensacional… diferente, irreverente, atrevido….

  • LuizFernandoGallego 26/06/2007 at 11:30

    Ao ler o título, pensei no do “Grande Gatsby” que já estava lá, abrindo a lista. O de “Brás Cubas” também é inesquecível.Aguardo o recomeço do blog depois deste final (já é?) dos finais, igualmente inesquecível. Como saberemos do reinício?

  • Milton Ribeiro 26/06/2007 at 11:38

    Deixe a gente avisado sobre o paradeiro, por favor!

    Meu final é o de Ulisses, mas não o tenho aqui comigo. Quando terminei a leitura, reli-o umas 50 vezes. Mas não me arrisco a transcrevê-lo de memória.

    Abraços e boa sorte.

  • Flavio 26/06/2007 at 13:10

    Serginho,

    Uma sugestão de final apocaliptico. Os últimos versos de Ruinas de Selinunte do Murilo Mendes:

    Para a catástrofe em busca
    Da Sobrevivência, nascemos

  • Flavio 26/06/2007 at 13:11

    Serginho,

    Uma sugestão de final apocaliptico. Os últimos versos de Ruinas de Selinunte do Murilo Mendes:

    Para a catástrofe em busca
    Da Sobrevivência, nascemos

  • Linck 26/06/2007 at 13:30

    Serginho,

    que bom que ficas, faz todo sentido! Onde? Vais ter um novo e-mail?
    Abs, Linck.

  • João Marcos 26/06/2007 at 13:38

    “Make me young, make young, make young!” Breakfast of champions

  • Marco Polli 26/06/2007 at 13:54

    Em meio à chateação pelo fim do NoMínimo, a continuidade do Todoprosa é uma grande notícia. Muito bom saber, Sérgio.

    Mudando de tom, a minha contribuição será com um dos finais mais cruéis que já li. Com tradução de Modesto Carone, as linhas finais de “O Processo”:

    ” — Como um cão — disse K.
    Era como se a vergonha devesse sobreviver a ele.”

  • Saint-Clair Stockler 26/06/2007 at 14:41

    “Serginho”?!?

  • Tibor Moricz 26/06/2007 at 14:47

    Devem ser parentes, Saint…

  • Valéria 26/06/2007 at 15:46

    Vida loga ao TodoProsa! Uma das maiores ilhas do No mínimo e, sem dúvida, um espaço de suma elegância, inteligência e boa crítica. Mande notícias! bjs

  • Valéria 26/06/2007 at 15:47

    Vida longa ao TodoProsa! Uma das maiores ilhas do No mínimo e, sem dúvida, um espaço de suma elegância, inteligência e boa crítica. Mande notícias! bjs

  • antônio xerxenesky 26/06/2007 at 16:44

    “O que há detrás da janela?”
    Roberto Bolaño

  • Bemveja 26/06/2007 at 16:48

    Mais um, dessa vez de um dos contos (que p/ mim é uma história de terror) mais perfeitos de todos os tempos:

    “No fuese que algún pobre diablo se le ocurriera robar y se metiera en la casa, a esa hora y con la casa tomada.”

  • Cássia 26/06/2007 at 16:48

    Salve! O bacana da internet é isso: não tem por que perdermos o que não precisa ser perdido.

    Beijo e suerte!

  • Lucas Murtinho 26/06/2007 at 16:54

    Eu já estava me perguntando que blog literário brasileiro se tornaria o ponto de partida dos meus passeios virtuais. Bom saber que vai continuar sendo o mesmo. O Todoprosa está morto, vida longa ao Todoprosa.

    Abraços,

    Lucas

  • thiago 26/06/2007 at 17:02

    A notícia diminui um pouco a dor da perda desse espaço. Que bom que o todoprosa vai continuar. Estamos esperando o endereço.

    tenho uma dúvida: o nominimo vai continuar no ar né? não com novas postagens, mas e o arquivo de tudo isso? sempre venho consultar as coisas aqui…

    Enfim, um final inesquecível é o do “O falecido Mattia Pascal, do Pirandello:

    “Levei ao túmulo a coroa de flores que havia prometido e, de vez em quando, vou lá, ver-me morto e enterrado. Algum curioso me segue, de longe; depois, na volta, junta-se a mim, sorri e, considerando minha condição, pergunta-me:
    – Mas, afinal de contas, pode-se saber quem é o senhor?
    Dou de ombros, entrecerro os ombros e respondo:
    -Ora, meu caro… Eu sou o falecido Mattia Pascal”

  • lacraia 26/06/2007 at 17:41

    Vai, Serginho!
    Vai, Serginho!

  • presunto 26/06/2007 at 17:49

    o número de finais é um pouco menor que o de começos, vide o castelo de kafka e almas mortas de gogol.
    adorei ver gatsby no topo da lista, decididamente meu preferido. acho que o prefácio de a consciência de zeno é infinitamente um melhor começo inesquecível que seu fim inesquecível.

    abraço,
    e até qualquer dia.

  • will 26/06/2007 at 18:22

    Valeu, Sérgio,
    não esqueça de deixar o endereço…
    dica de final “inesquecível”: o do Marçal Aquino, em “Eu receberia as piores notícias de seus lindo lábios”… um tributo à literatura…abraço

  • Daniel Brazil 26/06/2007 at 18:38

    Um final inesquecível é o do pequeno e belo romance “A Morte de Napoleão”, de Simon Leys.
    Não estou com ele à mão, mas aquele final não me sai da cabeça, anos depois da leitura. Recomendo!

  • Daniel Brazil 26/06/2007 at 18:44

    “Desenterro a metralhadora – e avanço.”

    Pessach: A Travessia, de Carlos Heitor Cony. Romance forte, embora irregular, com um final matador!

  • Claudio Soares 26/06/2007 at 19:05

    Convocação: vamos bater o recorde de comentários do Todoprosa!!!! Não deixa de ser uma forma de protesto ao término (ainda que temporário) deste espaço.

  • Claudio Soares 26/06/2007 at 19:07

    “No dia seguinte ninguém morreu.”
    As intermitências da morte. José Saramago.

    É o final, mas também é o começo.

  • Silvio... Silva 26/06/2007 at 21:25

    “Deixo esta escritura, não sei para quem, não sei mais sobre o quê: stat rosa pristina nomine, nomina nuda tenemus.”

    Esse foi o Umberto Eco, na última frase de ‘O Nome da Rosa’.

    Valeu e até logo a todo mundo o/

  • Camilla Lopes 26/06/2007 at 21:36

    Vale muito todas as seleções que você fez, gostei de rever Gatsby, que achei estranho, meio simples demais, inacreditável tanta gente gostar. Reli três vezes. Acontece, mas o outro olhar me faz mudar totalmente de opinião. E eu cedo mesmo.
    abraço.

  • Hidalgo Elesbão 27/06/2007 at 02:00

    Quero registrar meu protesto contra o Sr. Pedreiras, que, num dos comentários acima, atribuiu ao seu pai a autoria do romance “Perímetro desmesurado”, o qual, como qualquer analfabeto sabe, é da pena do meu finado e pranteado genitor. A família Elesbão em peso protesta. Os Pedreiras que se recolham à insignificância de sempre.

  • HRP 27/06/2007 at 06:41

    Nunca escrevi aqui, sou lá dos lados do Fiúza, mas hoje venho a esse blog conceituado deixar minha triteza expressa e pedir a turma que não deixe o Nominimo acabar!
    Um grande abraço e ficarei na expectativa de para aonde vão esses blogs maravilhosos….

  • Frida Landsberg 27/06/2007 at 08:27

    “…Mas, ao terminar este livro com a incômoda sensação de que tenho de deixar o meu leitor no ar, e não vendo maneira de evitar o mal, percorri com os olhos do espírito esta minha longa narrativa, a ver se poderia ter inventado melhor fim, e com surpresa verifiquei que sem a menor intenção, eu não escrevera nada mais nada menos que uma história de sucessos. Sim, pois todas as pessoas de quem me ocupei conseguiram o que almejaram… E, por mais desdenhosas que sejam as críticas dos intelectuais, nós o público, no fundo do coração amamos uma história que, acaba bem. Donde se conclui que talvez o meu final não seja assim tão pouco satisfatório.”
    ( Somerset Maugham – O fio da navalha)

    Um abraço e aguardo o novo endereço.

  • Mr. WRITER 27/06/2007 at 09:41

    Alguém lá em cima falou de “O castelo”…
    Excelente final… muito bom meso… aquele vazio, aquela ausência de ponto… impressionante… Aquela frase “mas o que ela disse” assim seca, sem nada após deixa um dos maiores vácuos da literatura universal. Kafka era um gênio…

  • Te 27/06/2007 at 09:53

    Que bom, Saint-Clair! Eu também vou com minha malinha literária pro novo blog. Nos vemos lá! Como disseram acima, não vamos nos dispersar!

  • HRP 27/06/2007 at 10:13

    Leia em http://www.bluebus.com.br
    O Nominimo pode não acabar!
    Parceria Unibanco/Nominimo+ Estadão pode dar certo e continuaremos com este espaço!
    Bom dia!

  • Saint-Clair Stockler 27/06/2007 at 11:39

    Aaaaaaaaaaaaaaah, bem que eu estava desconfiado que essa choradeira toda era meio jogo-de-cena.

    O que me deixa triste nisso tudo é que nesse país o que não tem dinheiro da Família Marinho tem dinheiro da Família Moreira Salles (não é Companhia das Letras?) Mas se for esse o preço a pagar pra continuar tendo o NoMínimo, vou relaxar e gozar! (Valeu Ministra Martha!)

  • monica maia 27/06/2007 at 12:53

    Deixo meu registro do desalento diante da despedida de No.mínimo. Mas festejo a notícia de que nosso Todo Prosa e sua brava equipe de comentadores se reunem em breve, em algum lugar do futuro…
    Aquele abraço, Sergio!
    Monica Maia

  • Cássia Salles 27/06/2007 at 13:22

    O Jardim dos Finzi-Contini tem, em minha opinião, o segundo (*) melhor final de todos os tempos:
    “O certo é que, quase pressentindo o fim próximo, seu e de sua família, Micòl sempre repetia, também a Malnate, que ela não dava a menor importância ao futuro democrático e social dele, que o futuro, em si mesmo, a aborrecia, preferindo muito mais ‘le vierge, lê vivace et lê bel aujourd’hui’, e o passado ainda mais, ‘o caro, o doce, o sagrado passado’.
    E já que estas, eu sei, não eram mais que palavras, as mesmas palavras enganadoras e desesperadas que apenas um verdadeiro beijo poderia impedi-la de proferi-las, com elas, portanto, e não com outras, seja aqui concluído o pouco que o coração soube recordar.”
    __________________________________

    (*) O melhor final de todos ainda não foi publicado: será o último post do Todoprosa no nomínimo, aposto todas as minhas fichas nisso. Alguém discorda?

  • Cássia Salles 27/06/2007 at 13:28

    “Une immobilité fait d’inquietude” (*): é como me sentí ao terminar de ler o Jardim dos Finzi-Contini e como me sinto diante do fim próximo do nomínimo.
    ________________________________
    (*) Não me lembro o autor da frase, alguém saberia?

  • Vivi 27/06/2007 at 13:38

    Esse clima de despedida está me entristecendo muito.
    Que bom que, pelo menos, o Todo Prosa não termina aqui.
    Ficarei atenta para acompanhar as novas aventuras dos meus colunistas preferidos. Espero não perder o rumo de ninguém.

  • Gabriel Ramalho 27/06/2007 at 14:48

    Gostei da lembrança do Borges, mas estranhei a ausência do final dos Buendía, em Cem anos de Solidão.

  • Renato Gonçalves 27/06/2007 at 15:03

    Aqui jaz NoMínimo.
    Existem raras coisas que nunca poderiam acabar, este blog é um deles.
    Deixa viúvas e filho órfãos das idéias aqui descritas e comentadas.
    Como realmente não existe “viveram felizes para sempre” fica aqui um “foi bom enquanto durou.”

  • Saint-Clair Stockler 27/06/2007 at 15:19

    Uma amiga portuguesa acaba de me avisar que morreu o poeta Bruno Tolentino…

  • Claudio Soares 27/06/2007 at 16:46

    nominimon. ligado.

  • Daniel Brazil 27/06/2007 at 16:52

    Se a memória não me falha, Salinger encerra o Apanhador no Campo de Centeio dizendo que mal acabamos de falar com as pessoas (ou será sobre?), sentimos saudades delas.
    Alguém tem o livro aí à mão, para uma transcrição exata? Me parece apropriado.

  • Paula 27/06/2007 at 17:01

    Belo trabalho realizado.
    :)

  • Paula 27/06/2007 at 17:01

    Belo trabalho realizado.
    :)

  • fat james 27/06/2007 at 17:06

    A frase “Une immobilité fait d’inquietude” é de Victor Hugo, Cássia.

  • Cássia Sales 27/06/2007 at 17:33

    Agradecida, Fat James

  • joao gomes 27/06/2007 at 17:53

    Para Réquiem

    Um final inesquecível de: Assim Falava Isabel Habsburgs

    Então uma noite no programa da TV Educativa (estatal) Isabel Habsburgs fez um discurso inflamado reconhecendo a resistência, defendendo os princípios de reforma social e econômica. Afirmou “que a humanidade havia passado de um sistema político corporativo e estreitamente vinculado ao clã para a dominação do poder da força ou violência; seguindo pela fase do poder ideológico por excelência sob os tentáculos da religião e agora pela dominância dos negociadores globais e empresários das organizações de alta tecnologia e mass media. Por fim declarou que era necessário dar corda ao relógio porque ele havia parado… entre 2000 e 2050 nós perdemos o rumo…”

  • matador 27/06/2007 at 19:06
  • clelio 27/06/2007 at 19:20

    Sérgio, sei que o assunto aqui é prosa, mas a morte do gigante Bruno Tolentino não pode passar em branco num blog de tão elevado jaez.
    E segue o clima de despedida, menos um nos que já eram tão poucos. Segue um belo final para tudo: amor, vida, esperança…
    “Eu sinto o tempo crestando
    em sua fogueira fria
    aquela dor que doía
    e agora já não dói tanto”
    Bruno Tolentino

  • Sérgio Rodrigues 27/06/2007 at 21:20

    Não passa em branco, Clélio, mesmo porque leitores como você e o matador, a quem agradeço o link, não deixam. É uma grande perda o Tolentino.

  • Saint-Clair Stockler 27/06/2007 at 22:56

    Hilário esse link do JB Online sobre a morte do Bruno Tolentino. Senão, vejamos:

    “Apesar de ser conhecido por sua poesia, Tolentino também foi jornalista, professor e polemista.” Qua qua qua qua, então polemista é profissão?

    Continua:

    “Nascido em 12 de novembro de 1940, em uma tradicional família carioca, desde criança conviveu com intelectuais e escritores, aprendendo a falar inglês e francês com fluência. Em 1964, com o golpe militar, foi viver na Europa. Na Inglaterra, Bruno ocupou o cargo de professor nas Universidades de Oxford e Essex. Em 1987, sob a acusação de tráfico de drogas, foi condenado a 11 anos de prisão. Durante 22 meses cumpriu sentença em Dartmoor. Retornou ao Brasil em 1993, causando grande barulho com ataques tanto ao concretismo – em especial, os irmãos Campos, Haroldo e Augusto – como a letristas da MPB como Chico Buarque e Caetano Veloso.”

    Barra-pesa o Tolentino, não? De professor em Oxford & Essex a traficante perigoso num átimo! E que audácia! Justo na terra de Nossa Majestade Santíssima, a Elizabeth (Segunda).

  • Gustavo Barros Quadros Pinto 28/06/2007 at 01:20

    Tolentino? (Risos)

    A maior fraude da literatura brasileira contemporânea. Chegou ao Brasil contando vantagem: que era famosíssimo na Europa, elogiado por Starobinski e o caralho, mas basta ir ao Google que a verdade aparece: NENHUMA ocorrência do seu nome em qualquer site que não seja brasileiro. Piada!

    Uma antiga professora minha o conheceu na Inglaterra, quando ele era ALUNO em Essex (nunca professor). Segundo ela, passava os dias bêbado, não estudava nada.

  • Antônio Goulart 28/06/2007 at 03:44

    Outro final que não pode ser esquecido:

    “O vento uiva, fazendo matraquear as vidraças. Bibiana Terra Cambará sorri, leva o indicador aos lábios, como a pedir silêncio, e, estendendo a mão na direção da janela, sussurra:
    – Está ouvindo?”

    Erico Verissimo – “O Continente” – 1a. parte de “O TEmpo e o Vento”

  • Antônio Goulart 28/06/2007 at 03:44

    Outro final que não pode ser esquecido:

    “O vento uiva, fazendo matraquear as vidraças. Bibiana Terra Cambará sorri, leva o indicador aos lábios, como a pedir silêncio, e, estendendo a mão na direção da janela, sussurra:
    – Está ouvindo?”

    Erico Verissimo – “O Continente” – 1a. parte de “O TEmpo e o Vento”

  • matador 28/06/2007 at 10:30

    Gustavo, o Tolentino era presepeiro à beça mesmo. Ainda assim, era bom poeta (embora eu não o considere um “gigante”, como o clelio), culto e uma figura engraçadíssima. O tipo de gente de quem valia a pena discordar.

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