Hitchens: “Temos que aprimorar nossa capacidade de matá-los”

10/08/2006

Como no ano passado, quando as bombas no metrô de Londres sacudiram a calma da Flip, a notícia sobre o plano dos atentados descoberto na capital inglesa fez a política internacional ocupar novamente o primeiro plano das conversas. O que é “obsceno”, segundo o inglês Christopher Hitchens, mas inevitável. Hitchens, que no sábado dividirá com Fernando Gabeira a mesa “Profissão repórter: na linha de frente”, teve que interromper hoje seus planos de uma sesta reparadora, que o deixasse novo em folha para novas rodadas de uísque com água mineral gasosa – a cachaça da terra não lhe fez a cabeça – a fim de escrever às pressas sobre o caso para a imprensa inglesa.

Obscenidade é uma idéia precisa, principalmente quando se leva em conta o contraste entre a fisionomia carregada de Hitchens e as dezenas de crianças de uniforme escolar que corriam à sua volta na Praça da Matriz, entre contadores de histórias e bonecos de papel machê, dando à cena um jeitão comovente de utopia social. Ex-estrela da esquerda britânica que hoje não tem medo de ser chamado de direitista, Hitchens falou ao Todoprosa sobre as idéias que vai expor em seu artigo. Idéias fortes como esta: “Vai ser uma guerra longa e terrível. Temos que aprimorar nossa capacidade de matá-los. Aprimorar muito nossa capacidade de matá-los”.

É provável que as notícias chegadas de Londres dominem de agora em diante suas entrevistas aqui em Parati, como esta, e também a conferência de sábado. O que é uma pena, não?

– Quando você vem a uma microcivilização como esta de Parati, dedicada à artes, ao humanismo, ao internacionalismo, ao amor à literatura e à poesia, é um tanto obsceno receber uma ligação de Londres lhe pedindo para largar tudo e escrever sobre essa confusão sub-humana, esse plano de matar civis aleatoriamente em várias cidades. Mas não posso reclamar, não é como se eu não soubesse. Não importa onde você esteja, Parati ou Basra ou Amsterdã, isso é permanente. Estou dizendo há cinco anos que estamos em guerra, e as pessoas deveriam entender que é disso que se trata. Vai ser muito difícil pelo resto de nossas vidas ir a um festival literário em qualquer lugar do mundo e ficar livre de notícias de uma atrocidade. Todo dia acontece em algum lugar. Todo dia no Iraque, quase todo dia no Afeganistão, Madri, Istambul, Londres. Isso vai durar enquanto eu viver. Tenho certeza. E provavelmente enquanto o meu filho viver também. Vai ser uma guerra muito longa e terrível. E nós temos que aprimorar nossa capacidade de matá-los. Temos que aprimorar muito nossa capacidade de matá-los.

35 Comments

  • Fernando Molica 10/08/2006 at 18:52

    Bem, certamente, a esta hora, os caras – os outros, os que teriam planejado esses inqualificáveis atentados – devem estar pensando a mesma coisa: “Temos que aprimorar muito a nossa capacidade de matá-los”. Tudo é muito, muito esquisito e assustador.

  • lao 10/08/2006 at 19:49

    Desculpe a ignorânica…mas matar quem??

  • Ronaldo Freitas 10/08/2006 at 20:57

    Se eu tivesse tomado algumas doses de uísque com água mineral gasosa, tbm falaria: “Temos que aprimorar muito nossa capacidade de matá-los.” É isso que da beber e ir dá uma entrevista, perde-se a capacidade da disimulação e fala-se tudo o que pensa.

  • Anulado 10/08/2006 at 21:45

    Finalmente uma frase com sentido: “Temos que aprimorar muito nossa capacidade de matá-los”.

    Fica todo com este pensamento “ongueiro” de direitos humanos(?) e ninguém vê a verdadeira guerra em que o mundo se encontra.

    E não é só contra o terrorista clássico de ideal desvirtuado, os sem-ideal também estão na ativa basta ver o PCC em SP e o CV no RJ.

  • Anulado 10/08/2006 at 21:46

    Digo – Fica todo mundo com este pensamento “ongueiro…

  • Renato 11/08/2006 at 02:04

    Direitos humanos de quem das vitimas ou dos terroristas? Toda vez que vejo um zé-ruela “ongueiro”destes eu fico me perguntando…Qto ao jornalista britânico, ele pode ficar sossegado, eles e os americanos tem talento pra matar gente, aliás este é um telento em comum entre toda a humanidade.

  • q horror! 11/08/2006 at 07:31

    Gente…isso foi um intelectual falando ou um psicopata? Ele provavelmente não está querendo dizer matar os terrosristas…mas “matar” o terrorismo, né? ou estou sendo muito inocente?
    Mas de qq forma … para quem não acredita nessas mentiras que contam sobre o 9/11…acho q o terrorismo quem faz é a mídia junto com os governos dos EUA e da Inglaterra. Acho que esse episódio em Londres deve ter sido tudo armado … eles (EUA e Inlg) devem estar querendo desculpas para invadir mais algum lugar..ou matar mais árabes. Sei q boa coisa não é…

  • Antônio de Santana 11/08/2006 at 09:05

    …”Vai ser uma guerra muito longa e terrível…”
    A guerra será sempre a bestial condição humana de dominador e dominado, onde interesses econômicos sobrepõem os limites da racionalidade.
    E de camarote na pacata Parati regado a uísque,tecemos comentários de uma realidade distante, que a solução imediata para intolerância sempre é belicista.MATAR!

  • O Espezinhador 11/08/2006 at 09:06

    Matar os terroristas sim. Matar os terroristas e os governantes que lhes dão apoio. Matar todos, até o último. Isso é necessário e é o certo.
    Entre matar ou morrer eu mato sorrindo e feliz.
    E matar também idiotas que acreditam em teorias da conspiração. A culpa não é de EUA e Inglaterra como quer dizer esse idiota daí de cima. A culpa é da aliança espúria entre islamitas e comunistas.
    Uma boa é começar a matar comunistas e islamitas. Matando essa sub-raça começaremos a fazer a coisa certa.

  • Ronnie 11/08/2006 at 09:09

    Enquanto as pessoas tiverem esse tipo de mentalidade realmente será eterna essa guerra. Todos precisamos entender que não é aprimorando a capacidade de matar pessoas que alcançaremos estabilidade e respeito mútuos, mas sim com compreensão e luta sem violência pelos direitos uns dos outros.

  • SP 11/08/2006 at 09:13

    Até que enfim um artigo franco e direto, sem ter a demagogia ongueira.

    Parabéns.

  • Renato 11/08/2006 at 09:59

    O que acho mais bonito são os terroristas civilizados, que acham lindo quando alguém diz o que eles querem ouvir. Pelo menos sei que os donos desse discursinho não conseguem ir muito além de falar grosso via mail. O ongueiros pelo menos tem coragem de fazer o que acreditam

  • Antônio Augusto 11/08/2006 at 10:09

    Matam-se civis.
    Todo dia.
    Sem distinção. Crianças, velhos e mulheres.
    O pretexto é a “guerra contra o terrorismo”.
    O terrorismo de Estado assassina em escala industrial na Palestina ocupada, no Líbano destroçado, no caos em que transformaram o Iraque.
    Mata-se sem parar.
    Mas a hiena Hitchens não está satisfeita: “Temos que aprimorar nossa capacidade de matá-los. Aprimorar muito (e grifa o muito) nossa capacidade de matá-los”.
    No Brasil assistimos a outra aberração: há uma ideologia fascista, com ampla base social, contra os direitos humanos. Uma demonstração de primarismo e estupidez política e cultural.
    Não há limites às aberrações. Vemos o insólito; um escritor, num encontro cultural, a defender a morte. A legitimar implicitamente, sob o pretexto da luta antiterrorista, o terrorismo de Estado, os crimes de guerra, os massacres contra povos e países.
    Quanta degradação.

  • Demônio dos Infernos 11/08/2006 at 10:09

    Cambada de debilóides que costuma freqüentar os comentários do nomínimo, o negócio é o seguinte: Sempre haverá gente a fim de matar outras pessoas. De roubar, de estuprar. É da natureza humana. Mas nem todo mundo é assim. E quem não é assim tem que se proteger desses psicopatas. Não adianta vir com diálogo, presentinho, beijinho. Quando vejo uns imbecis desses que foram presos em Londres, quando vejo um Zé Dirceu, um Lula, um Fidel, um Hugo Chávez, penso nos meus filhos. Quem é que vai proteger meus filhos desse tipo de verme, quando as pessoas comuns – como as que perdem tempo em sites manifestando suas “opiniões” – as mais vulneráveis, tem um discursinho de apologia desses monstros?
    Pau de arara nos terroristas.

  • Atila Roque 11/08/2006 at 10:14

    Tem razão o meu querido Molica. O mundo anda mesmo muito estranho quando isso é a única coisa que um intelectual inglês encontra para dizer em Parati. Tempos intolerantes e violentos esses em que vivemos. A falta de perspectiva e o descaso com a vida apenas alimenta o terror. Sim as guerras (e o terror) nos brutalizam, mas também deveríamos aprender alguma coisa com elas, ao invés de estrebucharmos contra os princípios e direitos humanos fundamentais que fomos capazes de estabelecer para, justamente, evitar que a barbárie de alguns também nos transformassem em bárbaros. Uma pena. Mas talvez não seja nada disso e apenas a cachaça servida em Parati tenha piorado muito…

  • Edu 11/08/2006 at 10:25

    O mundo só terá salvação quando não houver mais seres humanos na face da terra, não tem jeito, perda de tempo discutir.

  • Pablo Vilarnovo 11/08/2006 at 10:36

    Finalmente alguém com coragem de dizer a verdade.

    Antonio Augusto – Essa ideoligia facista seria o socialismo/comunismo?

  • Demônio dos Infernos 11/08/2006 at 10:40

    É, bobalhão, foi a cachaça de Paraty que fez o cara ver o Onze de Setembro, os atentados em Madri, em Londres, no Iraque, o PCC, os horrores que se vê no noticiário… Acorda, otário!!! Você já esteve em alguma guerra? Já viu alguém morrer sem ter nada a ver com o peixe? Tenho certeza que não. “Princípios” e “direitos humanos” só existem se houver civilização, e bem defendida, e esses caras são contra a civilização.

  • Paulo Osrevni 11/08/2006 at 10:40

    Dita assim, não dá pra não considerar essa frase pura demagogia.

  • Jåµë§ ßønd 11/08/2006 at 10:40

    -= Caray….“sub-raça”, Victor ?!
    Putz… você já foi melhor do que isso.

    Uma pena.

  • Conselho 11/08/2006 at 11:04

    Discordo (um pouco) do Edu.

    Não apenas os humanos são o problema do mundo, mas todos os animais em geral.

    Quando vejo no “Animal Planet” leões e hienas matando uns aos outros por comida, fêmeas ou domínio territorial, percebo que não somos nem melhores nem piores que eles. Somos apenas a mesma merda egoísta.

    Ou seja, viva as árvores, que não fazem mal a ninguém!

  • lao 11/08/2006 at 11:05

    Penso que se atacam os sintomas do problemas e não a causa. Impossível eliminar o terrorismo se as causas para o surgimento do mesmo ainda se mantêm vivas.
    Quais então as fontes, as razões para que alguém se torne um terrorista? Não se eliminando as fontes nunca se conseguirá eliminar o terrorismo, os PCCs, etc.

  • Demônio dos Infernos 11/08/2006 at 11:42

    Fodam-se as causas. Elas são muitas, variadas. Sempre haverá uma “causa”. A maldade está no ser humano. A tecnologia tornou possível expressar essa maldade de maneira terrível. A ideologia forneceu a “legitimação”. Não tem volta. Só matando quem quer nos matar. Aperfeiçoando as defesas. Guantánamo nos filhos das putas.

  • Vinícius Trindade 11/08/2006 at 12:39

    O Hitchens viajou bonito. Se além do whisky, tivesse dado um tapa na pantera, tudo seria diferente.
    Viva a maconha!

  • vanusa 11/08/2006 at 15:21

    Eu, sinceramente, só queria dizer, que teria sido uma enorme benção o Demonio dos Infernos não ter tido filhos….

  • Demônio dos Infernos 11/08/2006 at 16:12

    É, sua vaca, mas eu tive.

  • joel 11/08/2006 at 16:57

    A industria de armamentos deveria dar pelo menos uma menção honrosa a Mr. Hitchens, pela sua contribuição à “causa”. Mas, prefeiro pensar que o mesmo é apenas um imbecil, que deveria guardar suas taras para si mesmo.

  • Writing Ghosts 11/08/2006 at 18:36

    o Hitchens tem uma certa razão no que fala. eu gosto da idéia.
    “aprimorar”, diz ele, “aprimorar”. “muito”, ele grifa.

    morrer faz parte do viver. encerra-o, diga-se.
    que seja dignamente – e por isso eu entendo “por uma boa causa”. soldados morreram aos milhões, em tantas guerras já travadas. civis entraram inocentemente na conta. terão de ser soldados. novos tempos, novas regras.

    o terrorismo mexe fundo na liberdade individual de cada um. é uma espécie de revolução, onde todos somos o alvo mais direto. se não tivermos a mesma sanha que eles, os terroristas, têm em eliminar aleatóriamente civis, e contra-atacar a quem nos fere impiedosamente, morreremos: talvez mais vítimas de nossa própria covardia.

    porque se o terrorismo parte da ação de civis, organizados em pequenos grupos, com infraestrutura própria reduzida e discreta, o contra-terrorismo deve partir, ou ao menos se basear, no mesmo modelo. mas: tomando por partida o fato de que os “bandidos” estão em minoria, será como realizarmos um upgrade na consciência e no preparo de reação de cada um – mais ou menos como quando nos ensinaram a socorrer feridos em acidentes de automóveis, parada cardíaca, afogamentos, terremotos, etc.

    uma sociedade que não se intimida diante do terror só pode vencê-lo, mesmo que tenha de senti-lo ferir sua carne: ela ainda (e mais forte) se sustentará. o efeito dos ataques só a deixará mais atenta, cada vez mais atenta e veloz em reparar os danos e forçar a inevitável vitória.

    que ainda está longe. e ninguém jamais pensou que veria a guerra invadir as ruas de seu bairro. não estamos preparados para isso. mas será inevitável, então só podemos tomar de coragem, e… que caia a noite sobre nós.

  • Delsio 12/08/2006 at 13:43

    Hitchens é mau! Terrorista tem que ser tratado a pão-de-ló, com direito a visita íntima e instalações de 5 estrelas!

    Que bárbaro!

    Abs.

  • ana 13/08/2006 at 01:09

    O Hitchens está certíssimo, seus ongueiros! Além disso falou sobre a questão pq o repórter fez a pergunta sobre essa questão, se perguntou sobre literatura ou jornalismo não aparece. Chega de defender assassinos! Cadê o protesto qdo os caras explodem inocentes, fora de qualquer guerra, qdo seqüestraram os soldados, que queriam trocar por milhares de terroristas que foram apanhados antes de cometer atentados ou já tinham assassinado um monte de pessoas. Onde estavam esses “protestantes” qdo estavam assassinado milhares em Ruanda, ou agora, que continuam os assassinatos aos povos africanos pelos islâmicos?

  • Renato 15/08/2006 at 09:31

    Bem, se existem ocidentais na África tratando de doentes e de vez em quando sendo sequestrados e mortos, são os muitos membros de ONG´s. Se sabemos do que aconteceu por lá foi devido aos ocidentais que foram lá se arriscar e tratar dos pobres coitados.

  • ivani calvano gonçalves 16/08/2006 at 00:11

    Deprimente ver a “intelectualidade” envolvida com causas tão destrutivas. Normal, todavia, no cidadão inglês, habituado a apossar-se de territórios alheios. Só que eles não esperavam receber o troco.

  • Jean Charles 17/08/2006 at 04:50

    Tentem começar matando as putas-que-os-pariu, porra

  • Calenda 18/08/2006 at 23:17

    Aliás foram os ingleses que começaram toda essa merda no Oriente Médio no fim da primeira guerra mundial. Todos aqueles paises e conflitos sairam da cabeça de alguns intelectuais ingleses em sua missão civilizadora.

  • q horror! 19/08/2006 at 16:55

    hahaha…Vanusa tem TODA a razão! Melhor de todas! Mas outros na lista poderiam seguir o mesmo conselho.

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