II Concurso Todoprosa de Microcontos para Twitter

25/06/2012

Em 2010, quando organizei aqui um concurso de micronarrativas em formato Twitter, com 140 toques no máximo, aberto a todos os leitores, prometi uma segunda edição da brincadeira. Chegou a hora de cumprir a promessa.

Terá amadurecido nesses quase dois anos o potencial literário do Twitter? A primeira iniciativa atraiu mais de 600 inscritos e teve os seguintes vencedores:

A caixa de emails da mulher aberta diante de si. Dali mesmo gritou perguntando se demoraria no banho. Acabei de entrar, ela respondeu. (Denival Fernandes Moreira)

Todos estão mais felizes desde que você se foi, mas todos te amam, papai. (Dilson L.D.)

Caiu-lhe no quintal densa lasca de estrela de bilhões de anos; recado de oito ou nove planetas explodidos. Um deles, azul, albergara amores. (José Aurélio M. Luz)

Como principal inovação do regulamento, o limite caiu de dez para três microcontos por autor. Isso provavelmente vai reduzir o número de textos inscritos, mas ao mesmo tempo – esta é a aposta – elevar a qualidade média. Eis as regras:

1. O microconto deve delinear uma narrativa (história) em 140 toques no máximo.

2. Cada leitor pode inscrever até três microcontos, desde que submeta um por vez.

3. Os contos devem ser inscritos diretamente na caixa de comentários abaixo, identificados pelo nome do autor e com email para contato (este não aparecerá para o público).

4. As inscrições se encerram no dia 13 de julho às 13h.

5. Os três melhores microcontos serão publicados neste blog em forma de post e o resultado, divulgado no Twitter e no Facebook.

6. A comissão julgadora é composta de um homem só, eu mesmo, e suas decisões são soberanas.

O prazo começa a correr agora. Desejo boa sorte a todos os micronarradores.

615 Comments

  • Claudio 25/06/2012 at 10:24

    Descoberta a traição, não se suicidou. Só bebeu um pouco a mais.. Chegou atrasada e levou uma bronca. Terminará o vinho e o noivado.

  • Felipe Rodrigues Araujo 25/06/2012 at 10:25

    As pessoas da fila eram jogadas no abismo por soldados. Bia não iria morrer assim. Escapou dos algozes. Correu e se matou com um salto olímpico. Iniciou a revolução.

  • Altamir Rodrigues de Souza 25/06/2012 at 10:27

    Sua vida virtual seguia célere e agitada. Tinha amigos e contatos, que curtiam suas ideias. Na vida off-line, no entanto, vivia solitário.

  • Noah Mera 25/06/2012 at 10:37

    Achavas graça da brincadeira do cachorro em esconder os ossos. Agora é tu quem cavas para esconder os dele.

    Vão-se os últimos trocados nos cafés e maço de cigarros, que a solidão, ganhou em promoção

    Ao provar do fruto o jardineiro e sua esposa haviam deixado de amar o velho sobre todas as coisas

  • Altamir Rodrigues de Souza 25/06/2012 at 10:39

    Muitas lápides de hoje deveriam conter o seguinte epitáfio: Aqui jaz Grotesco, que em vida foi desonesto, egoísta, bajulador e manipulador.

  • Daniel Per Si 25/06/2012 at 10:41

    Estamos aí. Estou inscrito então. Como faço daqui pra frente? Espero um email seu ou tomo a iniciativa?
    É só publicar o texto aqui na caixa de comentários.

  • Felipe Rodrigues Araujo 25/06/2012 at 10:45

    Nasceu calada. Na vida, nunca a viram chorar. Mas tinha banhos tristes. Lágrimas misturavam-se com as águas do chuveiro. Bia, até quando chorava, parecia não chorar.

  • Ricardo Popien 25/06/2012 at 10:54

    Nem equações matemáticas, nem cálculos econométricos, nem modelos estatísticos: são as cartomantes quem tem as melhores informações sobre o futuro.

  • Mônica Japiassú 25/06/2012 at 10:55

    Foram 14 horas de ansiedade, dor, superação, choro, emoção… e orgulho, MUITO orgulho por ter conseguido ter um parto normal após cesárea!

  • Altamir Rodrigues de Souza 25/06/2012 at 10:56

    Buscava em vão a felicidade palpável, que apenas podia ser comprada, sem saber que poderia ser muito feliz com coisas simples e imateriais.

  • Ricardo Popien 25/06/2012 at 11:04

    Chega dessas conversas terrivelmente sérias, sobre assuntos mortalmente desinteressantes.

  • Igor H Oliveira 25/06/2012 at 11:07

    À Monterroso

    Quando ele entrou na caverna, o desenho do dinossauro ainda estava lá.

  • Igor H Oliveira 25/06/2012 at 11:08

    Kafka revisitado

    Naquela manhã, Gregor Samsa viu-se transformado numa gigantesca Joaninha.

  • Igor H Oliveira 25/06/2012 at 11:09

    Sem rumo

    Estava mais perdido do que Sísifo no labirinto.

  • Ricardo Popien 25/06/2012 at 11:09

    O quê? Vocês não acreditam em Papai Noel?

  • JD Lucas 25/06/2012 at 11:17

    Nada ñ cara, aprendo a conviver. Quando ela diz que ñ a ouço, me contenta pensar q o leão marinho tem 50 esposas e escuta isso de todas elas

  • JD Lucas 25/06/2012 at 11:22

    Quanto mais velho, mais iludido fico.
    Quero morrer numa miragem.

  • JD Lucas 25/06/2012 at 11:23

    Caminha e pensa:
    _ Que são as horas?…
    Passa-lhe outro e pergunta que horas são.

  • Paulo Acacio Ramos 25/06/2012 at 11:27

    Caixa pronta, acondicionada, sobre a mesa… Saiu para fazer umas coisas… foi atropelado! A caixa ficou, pronta e fechada, sobre a mesa.

  • Paulo Acacio Ramos 25/06/2012 at 11:36

    Sentou-se para tentar um miniconto, só podiam ser cento e quarenta toques! Muito pouco, pensou rapidamente, e parou de escrever.

  • Paulo Acacio Ramos 25/06/2012 at 11:41

    Pintou o cabelo de verde e apresentou-se às autoridades locais na ténue esperança de um recâmbio ao seu planeta de origem.

  • Lívia G. Gallo 25/06/2012 at 11:56

    Ela fingiu ser a mais bem resolvida e feliz das chorosas, assim como todas as que sofrem de amor o fazem.

  • Lívia G. Gallo 25/06/2012 at 12:00

    Ele pegou a caída embalagem de um colírio. Ele perguntou se poderiam sair. Ela afirmou. Afinal, o que os olhos não veem o coração, sente.

  • Lívia G. Gallo 25/06/2012 at 12:04

    Após voltar do trabalho pensou a bela jovem: Quem é capaz de afirmar que sou mulher de vida fácil? E que ela é realmente fácil?

  • José Luiz Lorenz Silva 25/06/2012 at 12:12

    Elisa saltava poças e pedras, fugia na noite de Paraty; centenas de candeeiros iluminavam vielas, portas e janelas que escondiam o seu medo.

  • Maria Angélica Pires 25/06/2012 at 12:17

    De repente a nuvem cobriu o céu e escureceu o coração de quem esperava um alento. O tempo se foi e com ele o pouco da felicidade restante.

  • Maria Angélica Pires 25/06/2012 at 12:20

    Não houve desespero na sua saída. O silêncio imperou resoluto. Alguns passos e desfez-se o mau entendido. Acabou da mesma forma que começou.

  • Maria Angélica Pires 25/06/2012 at 12:28

    Sorriu com os olhos e ela soube a verdade. Uma palavra escrita na retina da alma. Um só instante. A soma do infinito de improbabilidades.

  • Mariane Pereira 25/06/2012 at 12:40

    Seríamos cegos se evitássemos aquela cena.Era horrenda.O jovem persistia em seu sono fingido,e a pobre senhora era sacolejada no corredor do ônibus.

  • Georgia Freitas 25/06/2012 at 12:44

    Mirou o seu reflexo. Assustou-se com as olheiras. Silêncio.Do único fio de cabelo, floreou um laço. O espelho real era o espaço.

  • Mariane Pereira 25/06/2012 at 12:46

    Digitara sofregamente seus últimos artigos.Passos céleres subiam os degraus e ouvia-se apenas o ruído bruto das armas e a sentença:”Morte à jornalistinha!”

  • Arnaldo 25/06/2012 at 12:49

    De súbito, abocanhou o queijo. Saíu furtuítamente como um rato, sem saber que a câmara o havia falgrado.

  • Arnaldo 25/06/2012 at 12:56

    De súbito foi flagado e não falgrado.

  • Georgia Freitas 25/06/2012 at 12:56

    Com o dedico, pegou a poeirinha do chão e a levou à boca. Namorou a mamãe. Olhinhos sorrindo. Ah, mamãe! Sem falar sentia, sem saber amava.

  • Arnaldo 25/06/2012 at 13:05

    Saíu fortuítamente.

  • Deborah Resende R. Souza 25/06/2012 at 13:06

    Nasceu. Voou. Casou. Iniciou uma revolução.E, voltou a dormir.

  • Robson Cesar Alkmim 25/06/2012 at 13:08

    Morra! Morra! O golpe veio com ódio pela solidão, pelo ex-marido, por ser adulta. E a barata deslizou morta ao ralo, culpada por existir.

  • Georgia Freitas 25/06/2012 at 13:09

    Sou cicloturista.Ontem, percorri um caminho em que o final não chegava. Se o objetivo é pedalar, o fim era a própria estrada. Mais nada.

  • Mariane Pereira 25/06/2012 at 13:10

    Sua cabeça fervia e seus lábios embebiam-se de sangue e morte.No asfalto quente,sonhava estar em casa.E estava…para sempre.

  • marcus 25/06/2012 at 13:23

    para onde enviar os microcontos?
    Para cá mesmo: esta caixa de comentários.

  • Johnny M. 25/06/2012 at 13:47

    Ele contou uma piada para ela. Ela sorriu, esperando que fosse embora. Ele continuou, mas foi interrompido por uma língua estranha na boca.

  • Vânia Cavalcanti 25/06/2012 at 13:53

    Ia escrever. Mas vi aqui tanta coisa boa em pedacinhos que nem sei mais. Resolvi apenas me juntar a tantos e inteiros fragmentos.
    Um beijo, Sérgio, adoro sua coluna

  • Johnny M. 25/06/2012 at 13:55

    Ele sai da escola e entra no carro. Senta-se e pergunta pelo pai. Ele não veio hoje, diz a mãe, abraçando o filho com a mão suja de sangue.

  • Eleuterio Czornei 25/06/2012 at 13:58

    O desespero aumentava, ela já não aguentava mais, gritou: porque não respondem minha mensagem. Descontrolada espatifou o celular no chão.

  • Maria Fernanda 25/06/2012 at 13:59

    Água clara lava a alma leva embora a alma velha.

  • Maria Cristina dos Santos 25/06/2012 at 14:00

    Não conseguir lembrar a quantos anos está fora de casa, mas nunca esquecer que deixou naquele terno lugar uma mãe solitária e sofredora e a lembrança de seus lençóis macios iguais …

  • Maria Fernanda 25/06/2012 at 14:01

    quem era um dia foi
    quem foi um dia ficou
    e quem ficou, talvez
    mereceu,
    mas quem foi,
    um dia também era
    e fim.

  • Maria Fernanda 25/06/2012 at 14:02

    choro,
    e as lágrimas são pesadas

    doem,
    e sinto muito

  • Fábio Mota 25/06/2012 at 14:23

    Era um homem e tanto. Tratava as decepções com indiferença, e consumia as desilusões ao som de alguma boa música.

  • Fábio Mota 25/06/2012 at 14:32

    Valéria mereceu a traição. Afinal, o que poderia ela esperar da dedicação a alguém sem caráter?!

  • Fábio Mota 25/06/2012 at 14:36

    Parou de se dedicar ao perceber que não haveria retorno.

  • edileusa 25/06/2012 at 14:39

    “Seu” Belarmino disse com veemência: Minha mulher não deixa.
    Imaginei um debate entre esse moderno senhor e aquele antigo coronel, que entre arrotos e flatulências, falava para a esposa: Vá se aprontar que hoje quero lhe usar.

  • Agenor Martins Neto 25/06/2012 at 15:21

    O rapaz namorava a moça no sofá recostado na parede, quando chegou o pai da moça, pediu pra trazer o seu 38 e o jovem já assustou-se, quando chega um amigo e grita coronel, o rapaz sai, todo naquela situação vexatória.

  • Simonny Santos 25/06/2012 at 15:30

    Ele estava sujo de graxa e as pessoas de preconceito. Eu sorri, ele me olhou e sorriu. Era de pouca coisa que ele precisava para ser feliz.

  • Jonas Moreira 25/06/2012 at 15:34

    Ela disse que não poderia mais viver comigo. Só. Na mesa de novo o pó. E o ruído da porta que fechou e o silêncio da saudade que ficou. SÓ!

  • Marcos V. de A. Jobim 25/06/2012 at 15:46

    O fogo, o raio o causou. Aprendeu a criá-lo, e através dele matou. Por fim, como um projétil se lançou: o homem, do fogo à Lua!

  • Uma menina com uma flor 25/06/2012 at 15:58

    Amava o marido mas não sentia mais desejo. Naquela noite um email revelado mudou tudo: ele guardava um segredo dela.

  • Uma menina com uma flor 25/06/2012 at 15:59

    O amor traz segurança. A segurança trai o desejo. O desejo é companheiro da dúvida, do não saber, do querer o que não se tem.

  • Uma menina com uma flor 25/06/2012 at 16:00

    Descobriu que o amor é parceiro da felicidade, mas o desejo é o fogo do maçarico que flamba a vida.

  • J. Paschoal 25/06/2012 at 16:06

    “Bateu na porta dele por quatro vezes, mas ele não a deixou sair”

  • Jarbas Novelino Barato 25/06/2012 at 16:47

    Cada vez que sua mulher retorna da visita semanal ao dentista, o marido nota que o sorriso dela está mais radiante.

  • Iliana A S Schuler 25/06/2012 at 16:54

    Aquilo era estranho. A cadeira vazia de tudo e cheia de nada..ela somente carregava a história daquele amor..noites de aconchego e dor..o adeus.

  • Jarbas Novelino Barato 25/06/2012 at 16:55

    Em vão, o lapidador busca nos diamantes o brilho dos olhos da mulher que deixou de amá-lo.

  • Jarbas Novelino Barato 25/06/2012 at 16:57

    Comprou felicidade a prazo e está apavorado com os juros de seis parcelas atrasadas.

  • Wilson 25/06/2012 at 17:15

    Ela o abandonou por um trabalho. Desroteou algumas emoções. Afetuosamente etiquetou-o: concluído.

  • sallustiano silva 25/06/2012 at 17:17

    a tv ligada,o tel. tocando,alguém batendo na porta,pés descalços no grande corredor, cheiro forte de adiantado estado de decomposição …

  • sallustiano silva 25/06/2012 at 17:20

    seu terninho já estava pronto . todo impecável. os dentes brilhavam, o topete era o de sempre,ela pisava forte no chão mostrando nervosismo,a cortina se abrindo, era mais um dia daqueles, sem hora p/ acabar.

  • Marcos 25/06/2012 at 18:30

    Continuava desesperado a caminhar, sem direção, até que avistou uma sinaleira com a seguinte indicação: RETORNO.

  • Marcos 25/06/2012 at 18:38

    Após 15 anos de namoro, via sua mãe em sua namorada. Certo dia, ao invés de pedir sua mão em casamento, pediu a benção e lhe deu um abraço.

  • Marcos 25/06/2012 at 18:57

    Após alimentar os leões naquele dia, distraído, tropeçou no portão de saída do zoológico e morreu tragicamente pisoteado pelos visitantes.

  • Kylderi 25/06/2012 at 19:09

    Em julho: para ele, pai, Fliper; para ty, moderninho, Flip.

  • tavares celestino 25/06/2012 at 19:26

    Foi ontem. Procuraram por mim. Atendi “Sim, sou eu. O que foi?”, Respondeu que voltava depois. Engraçado… Sempre estive aqui.

  • Rogério Felipe 25/06/2012 at 19:28

    Por vezes sentia-se como se estivesse embriagado. O olhar perdido no horizonte, o andar cambaleante. Tivesse ficado parado na esquina, menos um morto atropelado.

  • Rogério Felipe 25/06/2012 at 19:33

    Dobrou uma esquina e avistou a placa. Nada entendeu daquilo que mais parecia a indicação do caminho inverso. Pensou: Estou perdido.

  • Rogério Felipe 25/06/2012 at 19:40

    O vento foi o primeiro a levantar a saia da moça, seguido pela imaginação do rapaz, que só podia sonhar, por um momento, tornar-se vento.

  • Mara Augusta Soares 25/06/2012 at 19:47

    A maior sepultura é o presente; nele jaz todo o passado.

  • Anderson Luís 25/06/2012 at 19:55

    Da boca, nada de aproveitável. Na cabeça, nada respeitável. No coração, nada apreciável. Porque era ela que tinha mais amigas?

  • Mara Augusta Soares 25/06/2012 at 20:02

    Ao pular na garganta do penhasco, ele sonhou.

  • Anderson Luís 25/06/2012 at 20:06

    Sentou-se na varanda, de manhã. Levantou para almoçar. À noite, antes de dormir, resumiu o dia. Pensou: com certeza, preciso viajar!

  • Arnaldo Luis 25/06/2012 at 20:20

    De súbito, abocanhou o queijo. Saíu furtívamente como um rato, sem saber que a câmera o havia flagado.

  • Fabrício Cordeiro 25/06/2012 at 20:20

    No Natal, encomendou uma cesta de trufas ao vendedor disléxico. Passou a ceia comendo frutas.

  • Anderson Luís 25/06/2012 at 20:32

    Do ninho, a serpente vê a coruja. A ave deita um olho na víbora. Ela dá o bote. É tarde. As garras já algemam sua cabeça. Uma cobra a menos.

  • Arnaldo Luis 25/06/2012 at 20:35

    Por que essa pressa? Se tens certeza que nada fizeste, te aquieta rapaz. O sol vai brilhar, as estrelas continuam no céu, então volta pra casa.

  • Arnaldo Luis 25/06/2012 at 20:52

    Ora bolas, porque não pensei nisso antes! Bastaría seguir em frente, ao invés de me distrair, no caminho, que eu chegaria em tempo.

  • @Medeyer 25/06/2012 at 21:24

    Cada vez q penso em vc,p/mais perto de mim te trago.E quanto mais perto vc fica, mais descubro q na verdade,vc nunca esteve em outro lugar!

  • Edweine Loureiro 25/06/2012 at 22:58

    DISTRAÍDO

    ? E Jesus?
    ? No Monte das Oliveiras – respondeu Pedro, ainda sonolento.
    E Judas, agradecendo, fez sinal aos centuriões.

  • Gabriel Brum 25/06/2012 at 23:27

    Na porta, uma placa com o aviso: Procura-se razão insólita para existir. Apertei a campainha e, não obtendo resposta, voltei. Resignadamente.

  • Justino Kerner 26/06/2012 at 05:55

    O goleiro prometeu percorrer 250 km a pé após vencer o título. Tal qual Prometeu, ao fim já não se lembrava porque caminhava.

  • Carlos Seabra 26/06/2012 at 08:46

    O velho dinossauro trabalhava como fóssil no museu. Achava muito enfadonho não poder se mexer, mas eram os ossos do ofício!

  • Carlos Seabra 26/06/2012 at 08:47

    Os semícaros eram um povo unialado, cada qual com uma única asa. Para voar, tinham que escolher alguém e se abraçar.

  • Carlos Seabra 26/06/2012 at 08:48

    O casal de viajantes brigou feio. Separaram-se. Ela foi para antes de ele nascer; ele para depois de ela morrer.

  • Cristina Kawahara 26/06/2012 at 10:15

    O grito saiu-lhe do peito como um tiro. No quintal, bem-te-vis emaranhados riram de sua dor mais uma vez.

  • Cristina Kawahara 26/06/2012 at 10:26

    Pensei concupiscentemente naquele francês, o pão. Sua casca craquelada, a manteiga derretendo por dentro. Som lascivo, o estalido ao morder.

  • Eleuterio Czornei 26/06/2012 at 10:51

    Séria, linda, bem vestida, aquele olhar penetrante. Jeito de mulher fatal. Ele a desejava. O que ele não sabia: ela era uma “serial killer”.

  • Eleuterio Czornei 26/06/2012 at 11:34

    “Chegue freguesia, para oiá não paga nada, só paga se levá, e só leva se gostá” dizia o vendedor de frutas. Maliciosamente ele pensou em mulheres frutas.

  • Santiago Enges 26/06/2012 at 12:19

    Recebo uma correspondência e sento-me para lê-la. Vou ao chão, a cadeira desparafusada. Dentro do envelope, quatro parafusos.

  • Santiago Enges 26/06/2012 at 12:20

    Perdido em uma noite vazia, sinto o celular vibrar no bolso. Reconheço o número de casa. Espanto. Há muito tempo moro sozinho.

  • Santiago Enges 26/06/2012 at 12:20

    Um homem segue uma mulher em uma rua de pedras gastas. Sinto a tensão nos gestos que antecedem o encontro. Será amor ou assalto?

  • Renato de Mattos Motta 26/06/2012 at 12:46

    Madrugada.
    Acordei todo prosa…
    Venci o concurso
    onde o premio era nada!

  • Jéssica Adriane 26/06/2012 at 13:20

    Ela chamou seu marido e mostrou-lhe dois esmaltes: – Qual? Ele apontou para o verde. – Ok, ela respondeu, vou usar o vermelho…

  • josé marins 26/06/2012 at 14:38

    Os dedos do velho tremem em cima da seda.
    Última lembrança dela.

  • josé marins 26/06/2012 at 14:38

    A velha observa a quantia que entra na caixa das ofertas.
    Terminada a novena, maneja a faquinha com destreza.
    Só leva notas graúdas.

  • josé marins 26/06/2012 at 14:39

    Peguei no bebedor com florezinhas de plástico. Água com açúcar, ele veio. Bobinho. Asas brilhando na réstia de sol. Botei pinga na água. Prendi na gaiolinha.

  • Ataliba 26/06/2012 at 14:46

    Frente ao papel em branco mantinha-se inerte, mas não indiferente. Eram muitas possibilidades! O papel persistiu em branco e a vida passou. O texto não veio.

  • Kylderi 26/06/2012 at 16:17

    Às 16:17 tuitou que encerraria os 16 e não chegaria aos 17.

  • @Medeyer 26/06/2012 at 16:44

    Depois de jejuar por 3 dias, recebeu do velho da Montanha a Mensagem da Pedra.
    C/ela, uma promessa: repassá-la adiante, à gerações futuras!

  • @Medeyer 26/06/2012 at 17:06

    A Mensagem?A mesma,sempre e em todo lugar:compartilhar Sua alegria c/todas as criaturas.
    Agora,depois da Eternidade.
    Aqui,além da distância…

  • Edweine Loureiro 26/06/2012 at 21:31

    No meio do experimento que traria a cura para todas as doenças, espirrou.

  • richardson ventura 26/06/2012 at 23:07

    de concurso em concurso era coerente em desdenhar… e ceder.

  • richardson ventura 26/06/2012 at 23:17

    estranho! ao contrário do que a mãe dizia, depois dela havia vida!

  • richardson ventura 26/06/2012 at 23:27

    sintética assim, essa coisa de duas histórias já não funciona mais, Ricardo!

  • Raul Cézar 26/06/2012 at 23:36

    “Ao subir da alva bandeira, os tiros tornaram-se silenciosos.”

  • Leonardo Simões 27/06/2012 at 02:47

    Ele fingia que tocava violão; ela, que ouvia. Ela gostava de fazer drinks; ele, de bebê-los. Ela fala inglês; ele, doesn’t.

  • Leonardo Simões 27/06/2012 at 02:50

    O menino olhou o avó, que diziam ser poeta, e sem vergonha, perguntou o que era “epifania”. “Epifania”, respondeu, é só uma gafe poética.

  • Leonardo Simões 27/06/2012 at 02:55

    Olhou-a. O cabelo preto feito carvão, boca que chamava beijos, ainda que só no pensamento. E pensou: jamais seria marido de mulher bonita.

  • Rosele Branco 27/06/2012 at 10:28

    – Meu bem, vou dormir. – Beijos e conversas, doces gozos para seu sonhar. – Bom dia, como está vc? – Em definitivo, paro aqui, adeus. – …

  • Rosele Branco 27/06/2012 at 10:39

    Abriu a geladeira e sentou pra comer pão com geleia. De repente, fogo! Era a de pimenta pra comer com brie. Todos riram muito quando contou.

  • Rosele Branco 27/06/2012 at 11:29

    A TV nova não funcionou mais. Teve de ligar pro 0800 e pra assistência. Resignou-se a ficar sem TV por dias. Quem sabe agora leria Foucault.

  • Gustavo Rossato 27/06/2012 at 11:38

    “Foi a empregada. Ela sabia onde estavam as jóias e os dólares”. Pai convencido, filho rico.

  • Afonso 27/06/2012 at 11:42

    Na rua sem saída, sabia que devia seguir em frente.

  • Lorenzo Fonseca 27/06/2012 at 15:22

    “Sou bonita?” “És linda”. “E estas rugas?” “Mal parecem”. “E meu corpo?” “Estoneante”. Satisfeita, largou a frente do espelho.Deitou-se.

  • Lorenzo Fonseca 27/06/2012 at 15:35

    “Diga que me ama, na frente dele”, pedi. Eu te amo, respondeu, trêmula. Dei-lhe um tiro na cabeça, e ouvi o outro gritar. “Aproveite-a”.

  • F. Rodrigues 27/06/2012 at 15:37

    Da vizinha eu só escuto os saltos – quando ela sai, pela manhã – e os seus gemidos à noite, antes d’eu dormir. Nunca vi seu rosto.

  • F. Rodrigues 27/06/2012 at 15:38

    Garoto exemplar que surtou. Espancou um mendigo, se diz anarquista e tem um bafomet tatuado no peito. Hoje, nas páginas policiais

  • Afonso 27/06/2012 at 16:52

    Agora que o velho respirava por aparelhos, conseguia dizer-lhe as palavras que nunca aprendera.

  • Thiago Lira 27/06/2012 at 17:09

    A moça robusta de faces rosadas sorri para todos no coletivo. Encanta por alguns segundos. Chora sozinha por ser só sorriso.

  • Jean D 27/06/2012 at 20:46

    O cientista apresentava seu trabalho, dizendo que desenhos animados criam pessoas violentas. Alguém discordou e jogou uma bigorna ACME nele.

  • Jean D 27/06/2012 at 20:49

    Ele foi jantar com a menina da padaria, que era um sonho. No final das contas, ele levou um bolo. Ah, são todas farinha do mesmo saco mesmo.

  • Tiago Goes Cardoso 27/06/2012 at 21:31

    Gotas traçam um tortuoso caminho de morte, são cuidadosamente evitadas por pés semi-mortos que insistem em pisar o chão como ainda em vida.

  • Tiago Goes Cardoso 27/06/2012 at 21:33

    Um ventre perfurado a quatro mãos, no infortúnio de apenas um coração.

  • Rossana Schmidt 28/06/2012 at 01:12

    E minha raiva do amor que não era meu e se foi, é na verdade medo de um dia o amor ser meu e se ir.

  • Rossana Schmidt 28/06/2012 at 01:14

    E minha raiva, do amor que não era meu e se foi, é na verdade medo, de um dia o amor ser meu e se ir.

  • Edweine Loureiro 28/06/2012 at 02:03

    Para transformar-se num monstro, o médico não precisava de fórmulas ou magias: apenas algumas horas de plantão num hospital do SUS.

  • Afonso 28/06/2012 at 08:56

    Já ao final da primeira noite de autógrafos percebeu, não sem uma ponta de amargura, que fora barato o preço que vendera sua alma.

  • Eduardo Sabino 28/06/2012 at 12:28

    Por pouco não era amor o que ela sentia por ele. Era humor. Tomou a rosa, colocou-a no vaso e, entre risos, apertou a descarga.

  • Eduardo Sabino 28/06/2012 at 12:31

    Quando o excêntrico primata fez o fogo, os outros animais nem imaginavam: aquele pontinho de carne, comemorando o feito, iria se alastrar.

  • Fabio 28/06/2012 at 14:29

    Participava da marcha pela maconha e, como era um ambientalista, assinou o manifesto contra a indústria do tabaco,

  • Tito Silveira 28/06/2012 at 14:39

    Ela explicou tudo, cada detalhe, escolhendo meticulosamente cada palavra de modo que ele não entendesse rigorosamente nada. Um encanto.

  • Tito Silveira 28/06/2012 at 14:40

    Eu poderia tê-los advertido. Mas eles estavam tão orgulhosos de suas possibilidades, e tão prontos para o abate, que tive pena.

  • Fabio 28/06/2012 at 14:43

    Todos diziam que Van Gogh era uma gênio. Daltônico. Mas quando troquei as cores e pintei a bandeira de vermelho parei na polícia.

  • Tito Silveira 28/06/2012 at 14:43

    Eu gosto quando. Se bem que eu nunca. Exceto naquela noite em que. (Uma noite muito.) E até hoje ela me. Mas agora é. E eu quero mais é que.

  • A. A. de Assis 28/06/2012 at 14:59

    Derradeiro aceno da amada na escadinha do avião. Enquanto durou foi bom.

  • A. A. de Assis 28/06/2012 at 15:02

    Sai Maria na sexta ao final da tarde. Volta na quarta de cinzas. Prenha.

  • A. A. de Assis 28/06/2012 at 15:07

    Termina no pronto-socorro a alegria azul do velhinho. Que susto o da moça.

  • Ricardo Fontana Alves 28/06/2012 at 15:34

    – Ring. Ring. Ring. Ring. Ring. Ring. Ring. Ring. Ring. Ring. Ring. Ring. Ring. Ring. Ring. Ring. Ring.

    Três andares abaixo, ele desistia.

  • Leonor Barroso 28/06/2012 at 15:46

    “Pediu a mão da moça.O pai a enviou por correio,numa bela caixa”

  • Leonor Barroso 28/06/2012 at 15:47

    “Pelo filho natimorto,os seios floresceram em copos de leite”

  • Leonor Barroso 28/06/2012 at 15:49

    “Do canto da página do livro, o número vigiava as letras”

  • Ricardo Fontana Alves 28/06/2012 at 15:50

    BLOQUEIO

    Quando acordou, a folha em branco ainda estava lá. Monterroso levantou-se e fez um café. “Merda!”, exclamava.

  • Renata Penzani 28/06/2012 at 18:01

    Amanheceram – o dia e as vontades. Passaram 24 horas, e somente o dia anoiteceu.

  • Renata Penzani 28/06/2012 at 18:07

    Amanheceram – o dia e as vontades. Contas a pagar, ofícios a cumprir, burocracias para vencer. Dessa vez, a vontade anoiteceu primeiro.

  • Bruno de Melo Cadiz 28/06/2012 at 18:19

    Na noite de lua bela o poeta canta a linda donzela e espera por ela,risonho,deseja-lhe um beijo e bons sonhos

  • Bruno de Melo Cadiz 28/06/2012 at 18:21

    Fui à padaria comprar um sonho.Disseram que havia acabado, pois os padeiros desistiram de sonhar.

  • Bruno de Melo Cadiz 28/06/2012 at 18:22

    escuta! o som da tua mente atravessa o infinito…

  • Gutemberg Nogueira 28/06/2012 at 21:56

    Casal briga. Mulher fecha porta. Peça que gira sobre gonzo, entrada. Ponto onde se passa para tocar outro mais distante. Aberta é gozo. Paz.

  • Gutemberg Nogueira 28/06/2012 at 22:00

    Tal lobo que sente o odor da presa e a saboreia, antes de tê-la em sua boca, o cavalo anseia à luta. Não sabe que lança tem alma de caçador.

  • Ricardo Fontana Alves 29/06/2012 at 02:49

    Mudara de ideia antes do segundo disparo: ficaria melhor sozinho.

  • Rodrigo Domit 29/06/2012 at 07:10

    Penitência

    Cansado de tantos vícios – e corretivos sem efeito, fez um novo testamento; e deserdou a humanidade.

  • Rodrigo Domit 29/06/2012 at 07:16

    Crime eleitoral

    Considerando a insuficiência de faculdades e o notável estado de inconsciência, decidiram que a população não tinha culpa.

  • Rodrigo Domit 29/06/2012 at 07:21

    Costumava dizer que estava apenas experimentando, abrindo portas.
    Algum tempo depois, entre tantas frestas, já não sabia mais por qual sair

  • Sergio Geia 29/06/2012 at 07:28

    Sente a formação de placas de água na região dos lábios. Prefere voltar, ainda que a imagem não o deixe em paz.

  • Claudio Henrique Ribeiro 29/06/2012 at 08:34

    ameaçou tirar lasca. titubeou. hesitante, botou o pé prá fora. é de graça mesmo…o mundão de portas arrebentadas. agora é só correria!

  • Claudio Henrique Ribeiro 29/06/2012 at 09:25

    Faca no peito. Ainda viu a causa, distraída, dobrar a esquina. A consequência chegou tardia. Confusa sirene e cegas luzes.

  • Dácio Fernandes 29/06/2012 at 09:35

    Trocou o peso das pernas, coçou a cabeça.Já fazia alguns minutos que o anjo examinava sua ficha,começou então a relembrar seus pecados.

  • Loridane Melchior 29/06/2012 at 09:35

    Folhas caídas olhavam enternecidas para a menina e sua solidão. Mas não desconfiavam o quanto inconsequentes as estações eram dentro dela.

  • Loridane Melchior 29/06/2012 at 09:40

    O rato roeu o coração do homem que não morava mais em Roma e depois cuspiu os pedacinhos tão amargos. Só o doce apetecia ao seu paladar. ?

  • Loridane Melchior 29/06/2012 at 09:48

    Bem me quer. Mal me quer. Enquanto a rosa fica despedaçada poderia buscar o cravo que tanto quer. A tulipa enquanto isso fez florescer.

  • Luís 29/06/2012 at 11:00

    PEQUENO CONTO DE ANO NOVO
    Telefone toca.
    – Alô?
    – Alô, quanto tempo! Como estás?
    – Estou te esperando. E tu?
    – Estou indo praí.
    (tu tu tu tu tu)

  • Hélio Sena 29/06/2012 at 17:20

    Onze horas. Doze anos. Treze facadas…

  • eduardo 29/06/2012 at 17:23

    Na decolagem ela lembrou que o fim é inexorável, não da vida ou da terra, mas do universo que se recolherá dentro de si e, então, chorou.

  • eduardo 29/06/2012 at 17:26

    Ele sentiu no estômago a injustiça de ser julgado por apenas um homem, sem direito de defesa. Forçou a mente tentando espremer o talento.

  • Hélio Sena 29/06/2012 at 17:34

    Calçou os sapatos velhos e saiu para o trabalho. Neste ano, ia pedir demissão. Estava de saco cheio de ser Papai Noel.

  • Hélio Sena 29/06/2012 at 17:35

    “Sueda!”, disse mamãe ao sair. Eu tentei me concentrar na TV – mas como fingir que não havia entendido a palavra dita assim ao contrário?

  • Remo Mannarino 29/06/2012 at 17:43

    Todo mundo tem um lado devassa, mas a Sandy tem dois.

  • Remo Mannarino 29/06/2012 at 17:46

    Você torce pela Roma? Não, respondi, torço pela Flamengo.

  • Remo Mannarino 29/06/2012 at 17:59

    – O Universo nasceu de uma explosão.
    – Pois é, já não se fazem explosões como antigamente.

  • sergio geia 29/06/2012 at 18:30

    O juiz apita o fim do jogo. Ataliba abraça dr. Sócrates. Foi absolvido.

  • André Rocha de Miranda 29/06/2012 at 18:41

    Era um messias de nove dedos. Tudo de bom para a nossa terra e povo ele sabia. Tudo de ruim, desconhecia. Fez-se espetáculo de crescimento.

  • Regina 29/06/2012 at 19:05

    Moça quer namorar, gato o rato pegar
    A velha põe a panela a brilhar e o feijão para cozinhar
    O moço no facebook a teclar a dama deixa rolar.

  • Regina 29/06/2012 at 19:15

    Fui à feira, sem eira nem beira.
    Rolei de ri de tanta besteira.
    Botei o pijama, pisei na grama.
    O celular tocou e a coruja o pescoço girou.

  • Regina 29/06/2012 at 19:52

    O aspirante a escritor deseja um leitor.
    No sofá ao lado de um bom licor.
    Cheio de ideias sua obra passa a criar
    E sonhando poder publicar.

  • rafael abras 29/06/2012 at 21:44

    e sua vida foi tão miserável e previsível que sua alegria era ter seus posts curtidos e sua biografia foi um twitte onde sobrou caracteres

  • rafael abras 29/06/2012 at 21:45

    “Vais viver muito”, disse a quiromante “tua linha da vida é longa e alegre”. Só pra contrariar o destino, entristecido, pulou do 18º andar

  • Osvaldo Quirino de Souza 29/06/2012 at 23:33

    Teve certeza entao que nao iria morrer.Aquele nao podia ser o ultimo rosto que veria .Isto bastou -lhe.

  • Cassio Candiotto 30/06/2012 at 05:48

    Na padaria, no balcão. Na ponta um senhor semi-calvo de pólo listrada emula um irmão metralha. No meio recuado com bancos altos o ciclista busca, com o irmão, medalha.

  • Eliana Jimenez 30/06/2012 at 05:50

    Na sala, a mãe assistindo tv, o pai com o notebook, o filho com um tablet e a filha com o celular. Vida em família.

  • Cassio Candiotto 30/06/2012 at 05:50

    Quase quieto o silvo passa pela orelha com brincos de prata. A fala se perde com o fôlego enquanto o sangue no pescoço pulsa rente à faca. Maldita Rua Sabre.

  • Cassio Candiotto 30/06/2012 at 05:53

    O pão quente que comera ainda fazia seu caminho até o estomago quando a morte de súbito lhe arremata. Para trás ficava uma vida que nunca nada prometera.

  • Carlos HF Silveira 30/06/2012 at 06:01

    Era Franca uma ova medieval. Cabelos em cachos cobreados faziam dobradinha com tornozelos torneados, ocultos em provocação sob as longas saias godet.

  • Carlos HF Silveira 30/06/2012 at 06:03

    Arnot cintava as notas com papel de seda. Era um tique estranho. Ele não se importava.Muito.

  • André Luís Soares 30/06/2012 at 06:04

    SINUCA DE BICO. Na volta. Trem lotado. Por várias vezes a moça roça os lábios em seu pescoço. Gola suja de batom. A esposa acreditaria?

  • André Luís Soares 30/06/2012 at 06:05

    DÚVIDA. À porta do bar, o guri pede comida. Alguém aponta o cartaz: ‘Não dê esmola. Dê cidadania’. Ele indaga: – Que comida é essa?

  • André Luís Soares 30/06/2012 at 06:05

    GARI. Varria as ruas da cidade, com orgulho e piaçava, enquanto pensava: – Como é grande a minha casa!

  • Carlos HF Silveira 30/06/2012 at 06:05

    Ulrich armava para Arnot uma forma estúpida de amar. Amarrava-lhe os dedos com fio dental enquanto usava o avental de churrasco para levantar os seios perto do queixo.

  • Daniel Souza 30/06/2012 at 09:05

    Lucas vai ao banheiro novamente e novamente se masturba, vai ao quarto e com as mãos sujas de porra, levanta mão para pedir perdão por mais um pecado gostoso. E o esperma escorrega pelos seus braços chegando a em seus olhos fechados cheios de fé.

  • Daniel Souza 30/06/2012 at 09:11

    Matou o filho, a mulher, logo em seguida caiu nos braços da morte, se suicidará com um tiro no ouvido. Chegando ao inferno o anjo das trevas o recepciona: “burro, eu não comi ela não!”.

  • geraldo trombin 30/06/2012 at 09:14

    FARPAS
    Pulou a cerca. Não conseguiu evitar os arames farpados.

  • geraldo trombin 30/06/2012 at 09:14

    REGRESSÃO
    No seio dela, parecia um bebê.

  • geraldo trombin 30/06/2012 at 09:15

    REVÉS
    Jogou tudo pro alto. Tomou na cabeça.

  • Daniel Souza 30/06/2012 at 09:23

    Ciúme, eu? HÁ, HÁ. A pergunta como um machado destroçava seu sono, enquanto ela roncava, roncava…

  • Claudio Henrique Ribeiro 30/06/2012 at 09:29

    Do vestido? Inocência gostou não. Gostou foi depois. Do lençol desarranjado na cama.

  • Luís 30/06/2012 at 10:49

    Não! Talvez. Dor de cabeça. Cuidado, não tropece nos. Cresceram, gosma e metal. Acre. Maldita luz intermitente soando cada vez mais pesada.

  • Danilo Augusto de Athayde 30/06/2012 at 15:43

    Não era por causa do gato doente que ele estava triste. Porque ele sequer conhecia esse gato. E o gato ainda não parecia muito doente.

  • Danilo Augusto de Athayde 30/06/2012 at 15:48

    Igor achou um site que dava a estimativa de mortes ocorridas no mundo desde o instante do acesso, deixou a contagem rodando e foi trabalhar.

  • Danilo Augusto de Athayde 30/06/2012 at 16:12

    Amei muito minha cachorrinha, mas agora ela está muito velha e não desiste da ideia de morrer em minhas mãos.

  • Gutemberg Nogueira 30/06/2012 at 17:01

    Tempere a mulher com sal e pimenta a gosto e reserve. Aqueça frigideira com óleo e coloque a carne. Preparo e forno 60 min. Rende 2 porções.

  • Dolce Vita 30/06/2012 at 17:28

    Sem Ponto, Nem Vírgula

    De tanto fazer discursos, morreu falando com as paredes.

  • Mariângela Padilha 30/06/2012 at 17:31

    Amo milho cozido! Dou uma super chupada, sinto o caldinho e cravo os dentes! Eu avisei, odeio sexo oral! Por que foi dizer: imagine uma bela espiga de milho cozida?

  • Mariângela Padilha 30/06/2012 at 17:44

    A paixão, a igreja, o sim, o bebê, o braço, o olho roxo, a coluna quebrada , a faca e teus olhos agonizantes! Agora nova vida, novos amigos, nova cama…E essa cela!

  • Mariângela Padilha 30/06/2012 at 17:55

    -Você é meu amorzinho, luz da minha vida, razão do meu viver, minha alegria, só minha, só minha… Balbuciava enquanto jogava a última porção de terra na cova do quintal.

  • Dany 30/06/2012 at 17:56

    E de repente caiu…o avião caiu, disse ele, momentos após a partida de sua sogra.

  • Dany 30/06/2012 at 18:22

    Abandonada…anos depois,troca de olhares na Av.São João.Espanto.Mamãe!Sussurrou ela.

  • Dolce Vita 30/06/2012 at 18:30

    O REI DAS MULHERES
    Henrique Otávio tinha duas mulheres e seis amantes. Um dia decidiu que iria sustentar todas elas. Perdeu a cabeça.

  • Dolce Vita 30/06/2012 at 18:33

    A OUTRA
    — O que ela tem que eu não tenho?
    — Vinte anos.

  • Francisco Perna Filho 30/06/2012 at 22:04

    MAIS QUE PERFEITO
    Acabara de tornar-se imortal, quando fora tomado de assalto, quedara ali.

  • Dilson L.D. 30/06/2012 at 22:09

    Então coronel Gutierrez : o que faço?
    – Quem não sabe o que fazer deve morrer, para honra e glória do nosso rei.

  • Francisco Perna Filho 30/06/2012 at 22:52

    Vico, Dante, Lampedusa, todos ali, circunspectos, altivos, impassíveis. Ela ignorou tudo isso, optou por Rosa.

  • Francisco Perna Filho 30/06/2012 at 22:57

    Carpintaria não era seu forte, apesar da oficina do pai. Um dia, criou coragem e saiu do armário.

  • Nina 01/07/2012 at 01:03

    Escreveu um bilhete de amor e deixou sobre a mesa de Ana. Ao ler, ela sorriu docemente e perguntou: – O que está escrito? (- Maldita letra!)

  • Nina 01/07/2012 at 01:07

    Às 15h15, ela colocou a arroba do namorado e um coração. Ao clicar no user dele, se lia: “Sorry, that page doesn’t exist!”.

  • Nina 01/07/2012 at 01:08

    Livre da coleira, espiou da casinha o vasto e terrífico quintal, se encolheu e foi dormir. De olhos fechados, a liberdade assustava menos.

  • Sergio Geia 01/07/2012 at 11:49

    Os passarinhos cantam lá fora, enquanto ela, cansada, dorme em seus braços.

  • Cristiano Rosa 01/07/2012 at 13:28

    Estava criando seu discurso pro baile de debutante, inventando uma história. Deu asas à imaginação, a janela estava aberta e ela foi embora.

  • Cristiano Rosa 01/07/2012 at 13:28

    Ela quis dançar com seu bonito namorado; afinal, era o seu baile de 15 anos. Procurou por tudo. Viu-o beijando sua melhor amiga. E dançou…

  • Cristiano Rosa 01/07/2012 at 13:30

    Alice olhou no espelho da sala correndo antes de ir ao baile. Ali se viu linda. Na pressa, a debutante já não sabia mais de que lado estava.

  • Alvaro Posselt 01/07/2012 at 15:37

    Entrada secreta
    – Como você entrou aqui? – perguntou-me o diabo.
    – O cabo do elevador se rompeu!

  • Alvaro Posselt 01/07/2012 at 15:42

    Gude
    O neto tem bolinhas variadas. Agora apareceu com uma tal de caolhinha. Fez sucesso até a mãe descobrir que era o olho de vidro do avô.

  • Alvaro Posselt 01/07/2012 at 15:47

    Aprendendo… dendo… endo
    Fazia eco na sala enquanto o professor explicava. Aprendi várias vezes.

  • Bruna Ramos 01/07/2012 at 21:30

    Levantaram no dia seguinte, e ao olhar para Amanda que voltaria para as ruas, disse: “A orgia vence o preconceito.”

  • Bruna Ramos 01/07/2012 at 21:41

    Não sei se foi sorte ou alguma força misteriosa. Mas no momento em que ele abriu a porta de sua casa, eu senti que estava entregue.

  • Bruna Ramos 01/07/2012 at 21:45

    Antes de partir tirei do jarro uma rosa e a beijei, deixando ao lado do homem que fez nascer em mim um doce sentimento. Voltei para casa, voltei para o subúrbio, voltei para minha vida.

  • Gustavo Muniz 01/07/2012 at 23:26

    Aos que não podiam ouvir a música, as garotas dançando, em seu passo soberano, poderia parecer um tanto quanto insano.

  • Wendel Moreira de Oliveira 01/07/2012 at 23:26

    Sábado
    Sábado à noite, a angústia. Sem ter certeza se amava homens ou mulheres, saiu para a vida! Nunca mais se viu, triste.

  • Wendel Moreira de Oliveira 01/07/2012 at 23:28

    Cegueira
    Em meio ao desespero, no meio da multidão. Ajoelhou, fechou os olhos e orou. O ato não trouxe a paz. Somente a escuridão.

  • Wendel Moreira de Oliveira 01/07/2012 at 23:30

    Passo apressado, vento gélido. O dia parecia não findar, tudo lhe atrasara. À porta, sons estranhos vindos da casa… “FELIZ ANIVERSÁRIO!”

  • Vicente Neto 02/07/2012 at 07:48

    A Voz
    A ela a vez de escrever, a luz escrita, a bebida dos cegos não cegos, eu quero e disse com voz de Sede. Ela aceitou a Voz.

  • Márcia 02/07/2012 at 08:30

    A vida inunda. Com ondas que expulsam ou acolhem. O humor do vento é rei. Raivoso, faz voltar sem saudades. E delicado, se perder sob o sol.

  • Márcia 02/07/2012 at 08:31

    O menino mente. Intencionalmente. O nariz cresce. Desenfreadamente. Chega o lenhador. Serra o nariz, no tronco! A floresta, para de chorar.

  • Márcia 02/07/2012 at 08:31

    Gravador ligado. Respostas sinceras. De manhã, capa. “Escrevo para superar o passado, compartilhar o presente e sonhar o futuro”.

  • Madson Milhome 02/07/2012 at 08:40

    Vou contar uma história genial, dessas de mestre da literatura. Desculpa: preciso de mais caracteres.

  • Rafael Zen 02/07/2012 at 08:41

    Entrou num dilema: queria conversar com quem esqueceu das palavras.

  • Rafael Zen 02/07/2012 at 08:42

    Numa caixinha de fósforos, com uma mortalha por cima, me entregou o amor e saiu.

  • Madson Milhome 02/07/2012 at 08:43

    O Psicopata segurava duas cabeças em suas mãos: uma de alho, a outra de cebola.

  • Rafael Zen 02/07/2012 at 08:44

    Nos amávamos feito loucos e, obviamente, não ficamos juntos.

  • Madson Milhome 02/07/2012 at 08:52

    Um cão passou: a vida passa nos olhos de um cachorro. Minha mulher não me amou: a vida cabe em 140 caracteres.

  • Jonathan Viena 02/07/2012 at 09:00

    Orestes era um homem bom, se preocupava com os outros. A plataforma estava cheia de gente. Queria se jogar mas tinha pena das pessoas que teriam que limpar aquela bagunca. Desistiu.

  • A. Gianello 02/07/2012 at 10:29

    AUTOESTIMA
    Decidiu ter um caso de amor consigo mesmo…
    E se foram os medos das traições.

  • A. Gianello 02/07/2012 at 10:31

    BAIXA AUTOESTIMA
    Procurando ser vista por todos, escondia-se em si mesma.

  • A. Gianello 02/07/2012 at 10:32

    PURA ARTE
    Daquele velho baú, mamãe arrancava mil histórias em branco e preto… E sonhos coloridos laureavam meu sono.

  • Fernanda Falleiro 02/07/2012 at 13:36

    Exausto do trabalho, olhou as contas atrasadas, fez o sinal da cruz e rezou pelo fim do: “não tenho dinheiro mas boto seu nome nos créditos”

  • Roberta Costa 02/07/2012 at 13:46

    Gritou ao marido que tinha um caso, ávida uma cena passional. Ele sentindo-se aliviado pensou: não teria mais aquela cruz somente para si.

  • Roberta Costa 02/07/2012 at 13:49

    Sentado em sua cadeira giratória, sorriu sagaz e lançou um duelo sangrento disfarçado de um concurso de microcontos.

  • Roberta Costa 02/07/2012 at 13:54

    Não havia meio termo, olharam-se nos olhos e entenderam que à partir dali seriam para sempre um. Só não tinham certeza se era bom ou ruim.

  • EDIH LONGO 02/07/2012 at 16:19

    CIDADÃO PELA METADE
    Que sabor tem essa casca! E Adão se perdeu por uma maçã?! Minha casca é de banana-maçã. Nossa! Até no pecado, sou um cidadão pela metade.

  • EDIH LONGO 02/07/2012 at 16:21

    O OLHAR
    Fitou-me com o olhar enevoado, senti que era o adeus. Não me esqueci da força daquele olhar, mesmo quando só me olha da lápide. Sob seu olhar, sinto-me protegida.

  • EDIH LONGO 02/07/2012 at 16:23

    SEVERINA
    Quando mainha nasceu, caiu granizo queimando tudo. Quando nasci, a seca retalhava o chão. Somos frutos da caatinga e duma severa sina. Batizou-me Severina.

  • Daniele Cristyne 02/07/2012 at 16:48

    Entra no ônibus, deposita a mala no chão e afrouxa o nó da gravata. Ninguém imagina o quanto suou para fazer o corpo caber ali dentro.

  • Daniele Cristyne 02/07/2012 at 16:49

    O carregador de sacos de cimento e a mãe com seu bebê. Os dois se cruzam, cada qual com seu carrinho. Quem carrega o fardo mais pesado?

  • Maira Moura 02/07/2012 at 18:45

    Quando escrevo, uso uma máscara. Só para me sentir num casulo. Mas a máscara começou a crescer: se fechou na minha nuca. Agora sou só in.

  • claudio alving 02/07/2012 at 18:52

    MOÇA COM ROSA VERMELHA TATUADA

    Da moça que se foi, tão pouco se soube, apenas que tinha rosa vermelha no peito tatuada, bem ao lado dos dizeres: bem-me-quer, mal-me-quer.

  • Sandra Fayad 02/07/2012 at 19:47

    Todos os fins de semana, a mulher do capitão comanda os soldados nas tarefas de cuidar do seu jardim, fazer limpeza e ensacar o lixo da sua casa.

  • Sandra Fayad 02/07/2012 at 19:48

    Todos os dias, José passeia com a bíblia e o terço na mão e o celular no bolso. Faz o sinal da cruz, beija a medalha e liga para a amante.

  • Sandra Fayad 02/07/2012 at 19:49

    Quando eu for apenas uma lembrança tênue, sorria. Terei realizado quase todos os meus desejos e concluído quase todos os meus projetos.

  • Thiago Jefferson 02/07/2012 at 22:57

    Sentiu o líquido quente ser despejado em sua boca e cuspiu antes de engolir. Eis a dura rotina de um degustador de café.

  • Felipe Nogueira 02/07/2012 at 22:59

    Mas filhos, ao contrario, dão uma alegria, um valor a vida indescritível. O que quero dizer é que dar trabalho, mas vale a pena cada esforço

  • Thiago Jefferson 02/07/2012 at 23:03

    Dadinho foi enganado, perdeu o carro no Pôquer. Um infeliz encontro entre Dados Viciados.

  • Felipe Nogueira 02/07/2012 at 23:04

    Sou um moribundo, vivo a relembrar uma vida que já passou. Não tenho presente e nem futuro, estou preso ao passado, estou preso ao seu amor.

  • Felipe Nogueira 02/07/2012 at 23:15

    Continuo a correr, a rua completamente deserta, prescinto o vulto a minha cola, cada vez mais perto. Fujo, cada vez mais ofegante, perdido.

  • rafael 02/07/2012 at 23:26

    no leilão, a tela mais cara, como o próprio autor profetizou em seu diário, tinha um furo na parte superior direita e manchas de sangue.

  • Gustavo Alencar 03/07/2012 at 01:22

    O receio me fez outro.Amanhã escreverei uma história sublime.

  • G. Massaretto 03/07/2012 at 12:25

    -Não foi nada,assopra que passa-disse-lhe a mãe.

  • Gustavo Lacerda 03/07/2012 at 16:57

    Ela, vitrine. Ele, reflexo. Ela se vira. Ele se vai. Ela o olha. Ele segue. Ela entra na loja. Ele se vira. Mas ela se foi. E ele não sabe.

  • Eliana Jimenez 03/07/2012 at 17:11

    No restaurante, o arrastão levou-lhe a bolsa e o direito de ir e vir. Só disque-pizza agora.

  • Dani Ilha 03/07/2012 at 17:46

    Estava Ana parada na Estação de ônibus. Ali percebera, o quanto esperou na vida. Para passar o tempo contava os cabelos brancos: 10001, 10002…

  • Dani Ilha 03/07/2012 at 17:56

    Chega João, chega João, ai, ai… João todo gozado dar um tranco, ela sai ao pinote vendo a marca da freada rumo ao banheiro!

  • Dani Ilha 03/07/2012 at 18:02

    Olhava a mulher como se fosse um PF. Só a devora quando a fome cega e seca apertava. Ela não estimula mais seu bulbo olfativo, nem afetivo.

  • arthur aprígio faria júnior 03/07/2012 at 21:57

    psiu resfolham as portas e as janelas e as placas dos corredores vazios após as vinte e duas horas se à noite os livros falam mais alto

  • Fabio 03/07/2012 at 22:11

    Moro em Llanfairpwllgwyngyllgogerychwyrndrobwllllantysiliogogogoch, País de Gales. Ninguém aqui consegue usar o Twitter.

  • arthur aprígio faria júnior 03/07/2012 at 22:33

    O sacerdote toma-se de mistério, resplandece sua prédica em nome do cordeiro, a assistência se levanta boquiaberta, range e o compartilha.

  • Franceline 04/07/2012 at 10:38

    Ela balbuciava, antes de perecer: “Ali, naquela esquina… Quem sabe esse não seja um bom lugar para estacionar e, aprender mais um pouco”.

  • Thais Alves 04/07/2012 at 11:33

    ” aquele homem cheio de si e de coisas, queria subistituir com estátuas a falta que as pessoas lhe faziam “

  • Andressa M. Hazboun 04/07/2012 at 13:38

    Com as mãos trêmulas, escreveu-lhe um bilhete de amor e perdão. Passado o susto, rasgou-o na porta do hospital.

  • Andressa M. Hazboun 04/07/2012 at 13:39

    Diante das súplicas e lágrimas, não teve como resistir. Mais uma vez, retirou a queixa.

  • Andressa M. Hazboun 04/07/2012 at 14:22

    Perdeu um filho. Ganhou uma filha.

  • Eduardo 04/07/2012 at 14:41

    Das infinitas noites na varanda, ele enrolando os dedos no meu cabelo, eu admirando sua beleza, nada sobrou. Ele se foi e fiz uma chapinha.

  • Pablo Rios 04/07/2012 at 20:58

    Numa noite sem lua e sem vigia, ele corre para o desespero. Sobe num alto prédio, e após olhar para o asfalto lá embaixo, fecha os olhos.

  • Pablo Rios 04/07/2012 at 21:00

    Após sangrar na batalha e dormir a noite inteira, quando acordei, percebi que o dragão havia voltado.

  • Decko Machado 05/07/2012 at 01:23

    Liguei a torneira,lavei um prato,uma colher e…desceu pelo ralo minha criatividade tão imunda que não serve nem para escrever um conto!

  • Decko Machado 05/07/2012 at 01:24

    Um passarinho azul me contou que 2012 talvez seja o fim do mundo,ou talvez da imprensa,ou talvez seja apenas o fim do limite dos caracter…

  • Caixa de Literatura 05/07/2012 at 02:03

    Ele, carne. Ela, frutas. Separaram-se. Com saudade, ele foi comer no vegetariano.

  • Caixa de Literatura 05/07/2012 at 02:04

    O que espantava não era o número de formigas em casa. Era o modo como se perfilavam à minha frente para formar o desenho de um petit gateau.

  • Caixa de Literatura 05/07/2012 at 02:08

    Da janela viu a nuvem na forma exata do mapa de um país. Foi checar no atlas. Quando voltava à janela com o nome na boca, começou a chover.

  • Isaías Caminha 05/07/2012 at 02:19

    Amava-o, mas não conseguia parar de espetá-lo com um alfinete sempre que ele dormia. Espetava-o com amor, para que não se ferisse.

  • Isaías Caminha 05/07/2012 at 02:21

    Britton passa papel e lápis a Borges. O escritor ergue a cabeça e faz o desenho: – Era isso que você esperava de um auto-retrato de um cego?

  • Isaías Caminha 05/07/2012 at 02:22

    O enfermeiro entrou, deu-lhe o pote, ligou a TV. Pornô interracial. “Quando acabar, pôe o pote no frigobar”. Tirou a calça e pensou em Rita.

  • Instantâneos - Contomicro 05/07/2012 at 02:26

    O furacão chegava, de novo. Pegou o champanhe, as velas, o colchonete e fechou-se no closet. Abrigo coletivo é deprimente, disse à mulher.

  • Instantâneos - Contomicro 05/07/2012 at 02:27

    Roubava livros quando ia à casa dos amigos. Uma vez pegou um que tinha uma dedicatória de sua mulher. Separou-se e nunca mais roubou nada.

  • Instantâneos - Contomicro 05/07/2012 at 02:29

    Tocavam Bach, e ele teve um acesso de riso. O maestro parou, olhou-o. Só o riso e o silêncio. “É isso que se espera de um primeiro-violino?”

  • Virginia 05/07/2012 at 12:13

    Meu amor quis um Fiat 147 de 700 reais. Depois teve Fusca, Brasília e um Dodginho. Empurrei todos.

  • Luiz Antonio Ribeiro 05/07/2012 at 15:35

    O menino com as calças na mão, pulou o muro, tropeçou, caiu no chão e passou a duvidar do amor.

  • Bruno Gontijo 05/07/2012 at 19:00

    O repórter observava com espanto. No caos da guerra, uma senhora limpava os móveis. Foi ali que ele percebeu nosso bem mais caro: a rotina.

  • Bruno Gontijo 05/07/2012 at 19:00

    Ele esbravejou contra o que considerava uma indecência. Quando as câmeras foram desligadas, eles apertaram as mãos.

  • Társio Abranches de Albuquerque 05/07/2012 at 22:58

    Encontraram-se à porta do elevador. A avó voltava da igreja, onde pedira o perdão dos pecados. A neta ia para o bar, arranjar mais pecados.

  • Társio Abranches de Albuquerque 05/07/2012 at 22:59

    Entre um tiroteio e outro, o policial Brandão e o traficante FM trocavam olhares, que, diferente de suas balas, não erravam o alvo.

  • Társio Abranches de Albuquerque 05/07/2012 at 23:00

    Pegou avião; entrou num barco; chegou a uma ilha; se hospedou com nome falso na única pousada; e no quarto, finalmente, enfiou o dedo no cu.

  • Marcus Patrick Pens 06/07/2012 at 00:07

    Escreveu tantos poemas para ela que daria um livro, e ainda escreveria… Se estivesse vivo.

  • Jefferson L Maleski 06/07/2012 at 08:20

    Meus pais me amam.
    Sempre pensaram haver tempo para revelarem o quanto.
    Acabaram o dizendo aqui, nesta lápide.

  • Robson Cesar Alkmim 06/07/2012 at 12:16

    Meio segundo foi suficiente. Entre risos e sarcasmos, um olhar constrangido, e todos souberam: ele mente, mais um corrupto trollando na CPI.

  • Marcus Patrick Pens 06/07/2012 at 13:55

    Ele olhava o caderno para escrever, mas nada sabia. Ele abaixava a musica, e a chuva ouvia. Ele lembrava dela, e saudade sentia.

  • Matheus Mavericco 06/07/2012 at 16:49

    A maquiagem que me enfeita não é o bastante para a superfície do espelho.

  • Matheus Mavericco 06/07/2012 at 16:51

    O mendigo, após ganhar na loteria, gasta o dinheiro no cassino esperando enriquecer.

  • Matheus Mavericco 06/07/2012 at 16:54

    Depois de dirigir, de passear um pouco, é tempo de limpar os pombos mortos no pára-brisas.

  • arthur aprígio faria júnior 07/07/2012 at 00:12

    Quando levou o primeiro tapa, ficou transtornada, imediatamente meteu a mão dentro da bolsa e apalpou os seus breus.

  • JUSSÁRA C GODINHO 07/07/2012 at 09:59

    A fila, quilométrica. Lembrou da formatura com láureas.
    A entrevista, um sucesso. Resultado: A pele escura das mãos secou a decepção!

  • JUSSÁRA C GODINHO 07/07/2012 at 10:07

    No lugar do coração, um balão murcho. Haviam esvaziado os sonhos.

  • Fernanda Falleiro 07/07/2012 at 12:05

    Belos poemas a chuva londrina me trás, entre 100 mil o que me acerta em cheio é a poesia concreta, das ruas, das calçadas, da vida de hoje.

  • Fernanda Falleiro 07/07/2012 at 12:12

    Achava cinema 4D uma enorme estupidez, se quisesse respirar fumaça, sentir o vento e sacudir numa poltrona, iria para a rua andar de carro.

  • Maira Moura 07/07/2012 at 21:32

    Deitada, eu vi um cabelo branco sobre o meu rosto. Quando puxei, veio um duende junto. Que alívio! Deve ter caído do sonho.

  • Marcelo Phintener 08/07/2012 at 11:32

    Adultescente – aquela mulher nunca quisera
    tomar conhecimento dos seus mais de 50 anos.

  • Marcelo Phintener 08/07/2012 at 11:34

    — Mãe, o que vou ser quando crescer?
    A mãe desconversa. Ele já estava vendido; ela, comprada.

  • Marcelo Phintener 08/07/2012 at 11:35

    Já não a usava por inteiro.
    Então metade dela coube numa mala.

  • Mário A. J. Zamataro 08/07/2012 at 19:37

    Palestra
    – Diante de uma plateia tão seleta, só posso dizer…
    – … obrigado, muito obrigado!
    Clap, clap, clap…

  • Rafael Clodomiro 08/07/2012 at 20:25

    A alma foi apresentada ao corpo. Logo, o corpo se autodefiniu: sou vibrante! E a alma lhe sorriu: sou errante!! E a vida começou…

  • Cárlisson Galdino 09/07/2012 at 10:12

    O som dos passos o deixava de cabelo em pé. E os tiros? E o sangue! Era tanto sangue… Desligou o videogame, mas o som continuou.

  • JUSSÁRA C GODINHO 09/07/2012 at 13:06

    Alisa o barrigão e sente a vida da sua vida.
    O sangue escorre os seus sonhos.
    Dores, correria
    E o bercinho eterno, branco, coberto de flores

  • Júlio Luz 09/07/2012 at 13:55

    Com o pé na cova, olhou para dentro de si: viu trevas e luz; paz e tumulto; lua e sol. Fora um moço como outro qualquer, variante e bipolar.

  • Júlio Luz 09/07/2012 at 14:09

    Sobrevoando Brasília os turistas se abismaram: num lado a minúcia de Niemayer, noutro, cuecas nos ares recheadas de dinheiro. O povo mudo.

  • Bruna Galvão 09/07/2012 at 15:01

    Sentiu que o fim estava próximo. Parou. Olhou para os lados. Mas só viu um cometa passar.

  • Bruna Galvão 09/07/2012 at 15:26

    Nasceu. Cresceu. Morreu. E ficou conhecido.

  • Eliana Jimenez 09/07/2012 at 21:49

    Feita a partilha dos DVDs, a união instável resolveu-se com um caminhão de mudanças, a primeira delas, de endereço.

  • Aline Rocha Rodrigues 09/07/2012 at 22:30

    Tinha a boca tão pintada. Toda hora retocada de cor. Que quando limpava, não tinha mais boca, não era mais nada.

  • Ana Carolina Peres Batista 10/07/2012 at 13:39

    Tempero Hindu – Procurou o banheiro do templo, o banheiro estava fechado. Por Deus! Precisava purificar o corpo pra saltear o pecado.

  • Mauro Borba Colletes Alves 10/07/2012 at 21:02

    Tomava cachaça,fora desenganado:cirrose hepática.Jogou na MEGA,
    1 cartão,ganhou 50 milhões,sozinho.Comprou um fígado,0. Hoje bebe
    wisky importado, 12anos…

  • Mauro Borba Colletes Alves 10/07/2012 at 21:22

    O menino deu linha na pipa;Morreu como um passarinho…foi eletrocutado
    pelo fio de alta tensão

  • Thiago Jefferson 10/07/2012 at 21:49

    INFELIZ DETALHE –
    Sempre dizia que velharias não serviam para nada… Até o dia em que viu o filho rasgando suas Telesenas antigas.

  • Mauro Borba Colletes Alves 10/07/2012 at 21:55

    Ela se achava o último biscoito do pacote.Acabaram tal qual:Ele,o pacote,no lixo;Ela faz ponto rodando bolsa na boca…

  • malmal 11/07/2012 at 10:48

    Nada

    Sem pensar, abriu a boca e esvaziou-se de pensamentos.
    Ensaiou a primeira linha, certo de não ter mais pré-conceitos,
    estancou vazio.

  • Diego Prescendo 11/07/2012 at 11:14

    Não sabia quem mais dormiria ali. Imaginei que não seria ele, pois a decoração não parecia combinar com aquele jovem rapaz ruivo.

  • Diego Prescendo 11/07/2012 at 11:14

    A cama de mogno não combinava com o cômodo branco. Era certo que ela estava ali há pouco tempo, deslocada, assim como eu.

  • Diego Prescendo 11/07/2012 at 11:15

    Percebi que não iria ficar sozinho, uma vez que o enorme quarto tinha duas camas, postas entre as grandes janelas e as portas.

  • José Steinoren 11/07/2012 at 12:20

    O sangue jorrou na tábua de bambu. Cortou quatro dedos da própria mão, distraído. Fatiava sashimis há 37 anos.

  • Taiane Carvalheiro 11/07/2012 at 12:31

    Ela cantou: Somos sós em essência o que criamos é a falsa necessidade de sermos dois;o melhor a dizer sobre o amor é em silêncio.Ele calou.

  • Taiane Carvalheiro 11/07/2012 at 12:37

    Janela é fora e dentro; pedra é fora; cortina é dentro; bola é fora; vaso é dentro; vida fica onde? Diz a menina ao espelho todas as manhãs.

  • Taiane Carvalheiro 11/07/2012 at 12:43

    Para ela a função da cebola é poder chorar disfarçadamente culpando o ácido por todas as tristezas, assim não precisa cortar os pulsos.

  • Dio Costa 11/07/2012 at 14:02

    Pelo buraco da fechadura o menino entendeu discretamente que nú dos outros é ré fresco.

  • Renata Boeira 11/07/2012 at 14:15

    Ela adorava chorar na chuva, porque o sal se confunde com o céu e ninguém repara que ela também está caindo.

  • Renata Boeira 11/07/2012 at 14:16

    Você que de tão ausente mora em mim, eu que de tão sozinho fujo de casa.

  • Renata Boeira 11/07/2012 at 14:17

    Meu Adão não seria covarde. A serpente? Comeria a própria.

  • Jeferson Batista Silva 11/07/2012 at 14:27

    Sei que ela não quer nada do que é meu,porém mandei com o bilhete um cheque, ela me traiu, mas mesmo assim não quero vê-lá morrer de fome.

  • Jeferson Batista Silva 11/07/2012 at 14:29

    A rua,as arvores,as pessoas,o sol.Tudo era novo e formidável,mesmo sem rumo a liberdade se torna fantástica,depois de 15 anos em uma prisão.

  • Jeferson Batista Silva 11/07/2012 at 14:30

    Ela estava com fome, e também ansiosa, já passava do meio dia e nada dele chegar,porém para quem esperou 8 anos nada custava alguns minutos.

  • Carol Santana 11/07/2012 at 14:38

    Não estava esperando o Correio.. Tampouco esperava o que chegou ali. Nenhuma caligrafia bonita, um papel meio amassado… Toda a verdade.

  • Lorena Martins 11/07/2012 at 14:41

    Ele lia ficção científica e ela Fernando Pessoa. Enquanto um sonhava com o espaço, o outro sonhava com o um.

  • Lorena Martins 11/07/2012 at 14:45

    Passa gente, carriola de catador, passa musico de rua, carro, carro. Viu na faixa um amor de anos atrás, que talvez nem era mais amor. Passa

  • Júlia Ciasca Brandão 11/07/2012 at 15:03

    Foi tudo por causa de um susto. Um susto emendado num café, emendado em dois poemas e emendando num porre inevitável.

  • Carol Pimentel 11/07/2012 at 15:05

    Quase disse, mas calou. Quase fugiu, mas ficou. Aceitou a dor cotidiana, diluída, o coração murcho. Medo de perder o que não tinha.

  • Júlia Ciasca Brandão 11/07/2012 at 15:17

    As madeleines do Proust, o vestido da Adélia…Já eu, eu não preciso de nada pra me lembrar de você.

  • Gustavo Minho Nakao 11/07/2012 at 15:17

    Corre, corre criancinha; pula, brinca e gira. Acha caixa lá no canto. Corre, corre cheretar; xinga, cospe e cala. Corre, corre criancinha.

  • Gustavo Minho Nakao 11/07/2012 at 15:19

    Puxou-lhe a mão, os lábios tão próximos. Olhos refletidos em desejos e paixões. Encontraram-se no súbito extase dos eternos.

  • Júlia Ciasca Brandão 11/07/2012 at 15:31

    Oi, tudo bem?- ah, tá sempre tudo mais ou menos e isso é horrível, então tá sempre tudo horrível, mas tudo bem e você?

  • Renato Tardivo 11/07/2012 at 15:47

    Não sem constrangimento, ela reconhecia: ‘Meus filhos em primeiro lugar, Deus em segundo, meu marido em terceiro e, no quarto, o amante’
    .

  • Renato Tardivo 11/07/2012 at 15:53

    O passado desfilava no pincel de sol que a varava. O corpo formigava em brasa, estalando feito criança. Foi assim que se descobriu mulher.

  • Gabriel Fagundes 11/07/2012 at 15:57

    Segunda-feira melancólica e eis que ele declara tudo o que sente por ela. A resposta veio na manhã seguinte: “Você é tão imaturo.”

  • Gabriel Fagundes 11/07/2012 at 16:00

    Imagine a cena: Ayrton Senna, do carro pontudo, acena feliz.

  • Renato Tardivo 11/07/2012 at 16:00

    Só iria se tornar homem quando o pai morresse. Sem recursos para matá-lo (na fantasia), comprou um revólver. Suicidou-se, sem carta.

  • Gabriel Fagundes 11/07/2012 at 16:06

    Acordou e sorriu. Agradeceu aos céus, fitou-a com imenso amor e chorou… A dúvida mortal tomou-lhe o espírito: o cosmo é mesmo misterioso.

  • Aline Bassoli 11/07/2012 at 16:12

    Primeiro se conhecem, depois se apaixonam, lado a lado, juntos envelhecem e nem na morte, final de tudo, se abandonam.

  • Joana Masen 11/07/2012 at 16:27

    “Como quem anuncia um óbito disse solenemente: – Hoje é a sua vez.”

  • Joana Masen 11/07/2012 at 16:30

    “Abriu as janelas, sentou-se confortavelmente e aguardou a chegada do inevitável fim; leu o último capítulo.”

  • Joana Masen 11/07/2012 at 16:31

    “Achava que dominava a passarela. Até o dia em que ouviu “Tainted Love” e caiu do salto.”

  • Daniel Weissmann 11/07/2012 at 16:35

    Sintetize disse o professor. Cortou-lhe então braços e pernas, agora ele tinha um personagem.

  • Daniel Weissmann 11/07/2012 at 16:39

    Desde menina queria viajar, conhecer os EUA… Madeineusa, sempre a sonhar.

  • Daniel Weissmann 11/07/2012 at 16:40

    Vazou um olho para viver em terra de sego… Não tinha entendido a piada.

  • Ana Cristina Melo 11/07/2012 at 17:02

    Hesitou ante o sinal amarelo. A parada repentina evitou a morte do anjo que salvaria sua vida no ano seguinte.

  • Ana Cristina Melo 11/07/2012 at 17:05

    O armário vazio e hesitou entre a rua ou a mesa de bar. No balcão, achou o bilhete anônimo da futura mãe do seu filho.

  • Ana Cristina Melo 11/07/2012 at 17:06

    Um bilhete ou um telefonema. Decidiu apenas partir. Ela acharia o dinheiro, já era o bastante. Ele nunca se imaginou como pai mesmo.

  • Anchieta Rocha 11/07/2012 at 17:15

    Uma lápide em branco: a editora lhe devoleu os originais, sem uma carta,uma nota sequer.

  • Su Carvalho 11/07/2012 at 17:19

    De repente, saudade dura crua suada. Vento passa e deixa poeira, atrapalha a vista, suja o rosto. A falta que ela faz está na cara do moço.

  • Gabriela Ventura 11/07/2012 at 17:26

    Quente e decidido, mas breve. Porque o senso quase religioso de manutenção da ordem não nos abandonou. A sua mão, a linha da minha cintura.

  • Rubia Sproesser 11/07/2012 at 17:48

    Enquanto uma falava, a outra olhava para um ponto no armário de pratos atrás dos cabelos da uma, esperando o circo acabar.

  • José Steinoren 11/07/2012 at 18:00

    Paleontólogo, ele era mestre em espanar pedras. Foi espanar os móveis de casa num domingo. Achou vestígios de um novo homem.

  • Vinícius Magalhães 11/07/2012 at 18:06

    No Bordel

    Maria foi uma puta decepção.

  • Vinícius Magalhães 11/07/2012 at 18:07

    Morte Gramatical

    “Era um bom sujeito…”, na oração dizia, em prantos, o amigo predicado.

  • Vinícius Magalhães 11/07/2012 at 18:08

    Casa Nova

    Comprou um apartamento na planta: o caramujo.

  • Zé Gimenez 11/07/2012 at 18:18

    Férias: areia quente, manhã gloriosa.A tarde chegou com o vizinho trazendo o funk. Dormiu quase homicida, amaldiçoando o dia.

  • Clarmi Regis 11/07/2012 at 18:25

    Marias e Madalenas debruçadas nos balcões. Amor, três vezes negado, se esgueira na solidão.

  • Marcos Fidalgo 11/07/2012 at 18:29

    Construiu mais de dez pontes. Agora escolhe em baixo de qual vai morar.

    Marcos Fidalgo

  • Marcos Fidalgo 11/07/2012 at 18:30

    Cortou o cabelo da cliente. Depois o pescoço.

    Marcos Fidalgo

  • Marcos Fidalgo 11/07/2012 at 18:31

    Ficou com uma garota de programa. Gostou tanto que virou uma.

    Marcos Fidalgo

  • Alcindo 11/07/2012 at 18:32

    Pegou o barco. Saiu, pescou, chorou. Todos os peixes voltaram para casa. Pegou o barco. Saiu, pescou, sorriu. Levou todos os peixes para casa.

  • flavio lanaro 11/07/2012 at 18:32

    “ja grisalho, alto, magro, olhos miudos e negros”. assim começava o conto que permeou toda a minha infancia, adolescencia e me define ate hoje.

  • Edson Victor Lima 11/07/2012 at 18:34

    Miojo no fogo. Nojo do mundo. Mija no vazo. No vazio vai fundo. Foge do jogo. Desiste de tudo. Abdica de todos. Miolos no sofá. Calibre 38.

  • flavio lanaro 11/07/2012 at 18:35

    a tv nao ta no jornal hoje? não. mesmo nao estando na sala, ela fazia questao. eu não.

  • Edson Victor Lima 11/07/2012 at 18:36

    Ana não exigia fidelidade. Apenas que Léo usasse a droga duma camisinha com a puta. Mas Inês, a puta, quis uma prova de amor. Ana agora HIV.

  • fortruth 11/07/2012 at 18:36

    Por um segundo pensei que poderia…Pude.

  • Edson Victor Lima 11/07/2012 at 18:38

    Saco o iPhone para a última tuitada: “Me sigam, hahahaha.” Quem pode imaginar que essa é uma gargalhada de desespero? Pulo.

  • flavio lanaro 11/07/2012 at 18:38

    pastel de carne. pastel de carne. pastel de carne. ja escolheu. sei la…um espetinho!

  • Zé Gimenez 11/07/2012 at 18:42

    Pé de valsa dos gramados perdeu gol feito e a copa. Dançou: banco e dali para o patíbulo. Baila ainda: como parceiro o ostracismo.

  • Zé Gimenez 11/07/2012 at 18:54

    Um inútil, o Deleutério: nada fazia sem a ajuda da mulher, sequer tentava. Até no par de cornos dependeu dela.

  • Catarina Cunha 11/07/2012 at 18:55

    Querendo resolver briga antiga, enfiou o dedo na campainha encostando a boca escancarada no olho mágico para receber o tiro nos dentes.

  • Catarina Cunha 11/07/2012 at 19:01

    Girou a chave para a esquerda. Na mão direita a carta sem volta. Lá fora duas caixas, um padrão e o corredor imenso o aguardavam.

  • Catarina Cunha 11/07/2012 at 19:06

    A história, tal vírus, transformada em amnésia contagiosa, beija a pátria desalmada.

  • Márcio J. Pereira 11/07/2012 at 19:08

    Mãos ao alto. Sua última prece.

  • Márcio J. Pereira 11/07/2012 at 19:10

    Contava com a sorte. Pulou do décimo-terceiro andar.

  • Ricardo Santos 11/07/2012 at 19:29

    Quando a guerra dos meus pais começava, eu começava a minha: ia para o quarto brincar com meus bonecos.

  • Aline Bassoli 11/07/2012 at 19:49

    A estrela brilhou no céu e virou sonho. O sonho foi pro papel e virou rascunho. E entre a estrela e o rascunho, a vida sorriu mais bela.

  • Ricardo Santos 11/07/2012 at 19:58

    Os outros soldados mexiam os lábios, formavam palavras, mas eu não ouvia nada. Até que todos sumiram, e me vi sozinho no deserto.

  • Ricardo Santos 11/07/2012 at 20:15

    Surgiu como uma nebulosa púrpura, iluminada, em seu apartamento. Uma voz andrógina disse: Já fui assim como você, tão frágil.

  • André Foltran 11/07/2012 at 20:17

    OSSOS DO OFÍCIO
    Dizem que Aurélio morreu sobre o dicionário. Virou verbete…

  • André Foltran 11/07/2012 at 20:18

    – Diga teu nome Maria.
    – João…

  • André Foltran 11/07/2012 at 20:21

    Eu tinha quinze anos quando cortei minha primeira garganta.

  • Aristóteles 11/07/2012 at 20:58

    Tomaste todo tempo, trabalhaste tanto, tantos títulos tiveste. Tonto, tudo termina, tal triste terra.

  • Edinaldo B. Freitas 11/07/2012 at 21:21

    Mal viam que passava da meia noite, muito menos percebiam a noite fria. Os beijos eram quentes, e abraçados, não queriam despedir-se.

  • Edinaldo B. Freitas 11/07/2012 at 21:23

    O menino era pequeno, mal alcançava os pés no chão. Mas a nova bicicleta era linda e brilhosa, até virar a esquina!

  • Rodrigo Wieler 11/07/2012 at 21:30

    Sem ti. Senti.

  • Edinaldo B. Freitas 11/07/2012 at 21:31

    Vivia ela caminhando entre os trilhos, um dia o trem passou, e levou-a, nunca mais foi vista!

  • Rodrigo Wieler 11/07/2012 at 21:34

    Tal pai, tal filho. Entendeu o recado. Ao fim do madrugada, entregava os cadáveres para o chefe: Tá o pai, tá o filho.

  • Ailton São Paulo 11/07/2012 at 21:37

    Um grito apenas. O suficiente para que, de alguma forma, a sua vida não passasse como estrela morta, e pelo menos uma vez tivesse sentido.

    Ailton São Paulo

  • Livia 11/07/2012 at 21:39

    No pescoço branco, o colar púrpura feito com as marcas dos meus dedos. Devo chorar, devo fugir? Não tenho Iago a quem culpar. Réu confesso.

  • Livia 11/07/2012 at 21:47

    Seria desejo se fosse sentido, mas era palavra e o verbo não sente. Amou como quem vai embora, porque se ficasse morreria. Escolheu: o fim.

  • Bruno 11/07/2012 at 22:17

    Levantou a cabeça, olhou para o horizonte e refletiu “qual o sentido de tudo aquilo?”
    Depois, resignado, mirou o chão e voltou a pastar.

  • Sthéfano Cordeiro 11/07/2012 at 23:10

    Receita Da Morte: Traia sua esposa com uma prostituta, leve pra casa e chame de minha mulher. Depois troque-a por uma colega de profissão.

  • Bárbara M.W. 11/07/2012 at 23:21

    Malditos não-ditos, que ecoarão com sua voz inaudível por toda eternidade em meu travesseiro.

  • Bárbara M.W. 11/07/2012 at 23:22

    Clara abriu a gaveta de calcinhas. Era a decisão mais importante de seu dia

  • Sthéfano Cordeiro 11/07/2012 at 23:22

    Ela estava estonteante, ele já estava bêbado. Ela não queria briga, ele queria dirigir. Sofreram acidente, ela morreu e ele ficou só.

  • Sthéfano Cordeiro 11/07/2012 at 23:33

    Ele a conheceu em um comentário dela em um blog e a seguiu pela internet, cada vez mais apaixonado. Viu pessoalmente e perdeu o encanto.

  • Rodeildo Clemente 11/07/2012 at 23:53

    Me perdoe, jamais teria lhe dito aquela mentira se não necessitasse de modo urgente que ela fosse verdade.Tente entender.

  • Rodeildo Clemente 11/07/2012 at 23:55

    A menina desceu da bicicleta ofegante – como quem corre para encontrar a vida, abraçou a mãe e entendeu o porquê. De tudo.

  • Rodeildo Clemente 11/07/2012 at 23:56

    Ele foi até a estrada mais próxima e se perdeu. Mas ninguém garante que se andasse um pouco mais achasse o caminho.

  • Ju Couto 12/07/2012 at 00:03

    Pela fresta, via parte de um canteiro florido. Quis mais. Escancarou a janela. Ao redor, a praça suja, um pedinte no chão. Voltou à fresta.

  • Ju Couto 12/07/2012 at 00:48

    Traía o marido todo sábado à noite religiosamente. Comungava na missa todo domingo de manhã descaradamente.

  • Lucas Lima 12/07/2012 at 00:59

    Num belo dia meu amor encontrei. Apressei-me a tocá-lo e senti dor extrema. Assustado percebi que quebrara o espelho.

  • Ju Couto 12/07/2012 at 01:02

    Apaixonada pelo Sol, a Lua se exibia: cheia e radiante, esbelta e sedutora, nova e misteriosa. Ele só pensava na estrela de outra galáxia.

  • tetê martins 12/07/2012 at 01:11

    O calor estava insuportável. Os segundos de sombra, o maior prazer de toda a existência da formiguinha. O homem continuo a caminhada.

  • tetê martins 12/07/2012 at 01:13

    O calor estava insuportável. Os segundos de sombra, o maior prazer de toda a existência da formiguinha. O homem continuou a caminhada.

  • Jane Ciambelli 12/07/2012 at 01:19

    Formiga laboriosa, chegou teu inverno. Tudo que é preciso e ninguém que te encante.

  • Jane Ciambelli 12/07/2012 at 02:01

    Sozinha na sala de espera há cinco horas e doze minutos. Sem fé, lágrima ou pílula de cianureto. A porta do Centro Cirúrgico se abre e o médico vem em minha direção

  • Jane Ciambelli 12/07/2012 at 02:22

    Depois de trinta e sete mil palavras de amor sussuradas em seu ouvido ela se confessou completamente surda. E entediada.

  • Clayton O'lee 12/07/2012 at 03:08

    – Cúmplices. Não precisaram de palavras para confidenciar isso um ao outro. Os olhos eram suficientes.
    – Começou no momento em que ele segurou a porta do elevador para ela. Dali para sempre, altos e baixos, sufocantes. Contraditórios amantes.

  • Elton Silva de Lima 12/07/2012 at 07:47

    “A poesia é um presente que cabe apenas ao leitor tirar da caixa”, disse o escritor. “O papel do poeta é papel de embrulho.”
    Elton Silva

  • Elton Silva de Lima 12/07/2012 at 07:49

    Seu sonho de criança: medicina veterinária. Hoje é açougueiro no mercado da cidade.
    Elton Silva

  • Elton Silva de Lima 12/07/2012 at 07:52

    Seu sonho era ser um grande confeiteiro. Como não conseguiu ficou com o sonho da padaria.
    Elton Silva

  • Maria Muller 12/07/2012 at 08:11

    Verão em Havana, daiquiri em punho. Tentava misturar-se. A camiseta estampada com Che, porém denunciava: era gringo e nada revolucionário.

  • Maria Muller 12/07/2012 at 08:20

    A campainha toca. Era o amor para aporrinhar mais uma vez a razão, que tentava se esconder em vão. Pobrezinha…

  • André Luiz Vianna 12/07/2012 at 08:35

    Ganhava a vida como dublê de cinema, nas cenas mais perigosas. Num belo dia de primavera não foi trabalhar. Morreu de verdade.

  • André Luiz Vianna 12/07/2012 at 08:35

    Quando chegou tarde da noite, encontrou as portas trancadas, fechaduras trocadas. Ninguém atendeu a campainha. Voltou para a casa do amante.

  • André Luiz Vianna 12/07/2012 at 08:37

    Suicidou-se com dois tiros no peito. Ninguém ficou sabendo o que pensou no espaço de tempo entre um tiro e outro.

  • Ricardo Chagas 12/07/2012 at 10:17

    Depois de vasculhar a casa toda, Luca encontrou uma carta cruel, morta no chão de vinil: “Não estou mais por aqui, meu amor.”

  • Ricardo Chagas 12/07/2012 at 10:31

    As pegadas me levaram até onde o Pé Grande conseguiu me enganar. Morri na entrada de uma caverninha sem charme.

  • Ricardo Chagas 12/07/2012 at 10:33

    “Se quiser manter o emprego, vai precisar de mais OUSADIA!” – gritou Nicolai, dono do circo, para a equilibrista.

  • Aline Naomi 12/07/2012 at 10:42

    Ela se trancava no quarto, colocava o fone de ouvido e fingia dormir sempre que o pai trazia um homem diferente para casa.

  • Aline Naomi 12/07/2012 at 10:42

    Quando todos saíam, Otávio experimentava os vestidos da irmã e dançava em frente ao espelho ao som de Lady Gaga.

  • William Romanov. 12/07/2012 at 10:50

    Mãe, o almoço já tá pronto? – Perguntou o menino. – Já filho, vem almoçar!

  • William Romanov. 12/07/2012 at 10:56

    Após duas horas de espera. “Nossa,meu bem,você está linda!” “É pra você.”

  • Danilo Maia 12/07/2012 at 11:36

    Calculou a distância e viu que daria pra pular. Se tinha razão ou se aquilo era só um arroubo de confiança, descobriria depois.

  • Claudia Bertoni 12/07/2012 at 11:38

    “Eu esperei por você, mas não pude esperar por mim.” Assim ele confessou seu novo amor.

  • Claudia Bertoni 12/07/2012 at 11:48

    “Alô?” “Quem é?” “Com quem quer falar?” “Com o Dirceu.” “Não tem ninguém com este nome aqui.” “Desculpe.” E uma tarde inteira pela frente.

  • Lilli Schefer 12/07/2012 at 12:06

    Com o veleiro fomos ao mar, vento de proa, velejada boa. Quando o vento exigiu que orçássemos, foi aí que tudo começou.

  • Marco Weyne 12/07/2012 at 12:08

    Abriu os olhos, tentou se levantar. Não conseguiu. Estava tonta, enjoada. Sentiu o gosto amargo na boca e se lembrou. Muita tristeza. Fechou os olhos e esperou.

  • Paulo Salmaso 12/07/2012 at 12:30

    Não escreveu um romance porque lhe faltavam palavras. Decidiu enveredar para o microconto, e também se deu mal no ramo: dessa vez, sobravam.

  • Lucas Lima 12/07/2012 at 12:32

    Édipa, a órfã, visitou aflita o túmulo do pai. Cometera resoluta o parricídio, mas se arrependeu depois de sentir falta do amante que era.

  • Tomaz Adour 12/07/2012 at 13:26

    40 anos para morrer. 15000 livros para ler. Adeus, amigos escritores. Nem dos clássicos darei conta.

  • Soraya Felix 12/07/2012 at 13:37

    Eu flutuava nua em uma concha levada pelo vento. A onda danada lambeu, estremeceu meu corpo e me deitou na marola do mar. Embeveci.

  • Wellington S.O. 12/07/2012 at 13:38

    Era o Vavá que tinha fobia da letra V, que era vendedor, que casou com a Viviane e que torcia para o Vasco.

  • Edson Rossatto 12/07/2012 at 13:40

    Estava sentado naquela cafeteria havia horas. “Deseja mais alguma coisa”. Suspirou. “Amor próprio!”.

  • Edson Rossatto 12/07/2012 at 13:41

    Mãos dadas pelas ruas. Ele conduzido por ela. Coração apertado pela separação: primeiro dia de aula.

  • Edson Rossatto 12/07/2012 at 13:43

    Retornou do mercado com a compra do mês: ração para os cães e gatos e cinquenta pacotinhos de miojo.

  • Lucas Lima 12/07/2012 at 13:44

    Cíntia vira naquela foto o fim de um amor. Publicou-a e seu marido prefeito beijando outro se transformou no fim de uma carreira política.

  • Claudia Bertoni 12/07/2012 at 13:57

    O vento de outono passou e levou a folha que contava em verso o amor de verão.

  • Soraya Felix 12/07/2012 at 14:02

    Big bang. Seu olhar se espalhou pela escuridão do quarto e atingiu meu coração com a velocidade da luz. Não deu tempo. Fez-se o universo.

  • cesar b soares 12/07/2012 at 15:04

    Estou morto!… Mãe!… Corri em sua direção e ficamos abraçados por um longo tempo. Agradeci a Deus por nunca ter abandonado aquele que o esqueceu por quase toda vida. Lembro-me agora, da ultima oração, tinha dez anos. Uma noite anterior à morte de minha mãe, rezávamos o PAI NOSSO.

  • Elisa Andrade 12/07/2012 at 15:06

    Em uma densa e calorosa noite de amor… sob os olhos da doce Lua… Ela comeu um Bis Branco…

  • Paulo Sergio Viana 12/07/2012 at 15:21

    Antes do fim
    Fotografou a rosa antes da tosa. Na tela, pareceu mais bela. Voltou ao jardim e, antes do fim, despediu-se dela.

  • Paulo Sergio Viana 12/07/2012 at 15:22

    Reclamação
    Queixou-se a Deus:
    – Você aí, não faz nada para melhorar este mundo horroroso?!
    – Fiz! Fiz você!

  • Leo Nunes 12/07/2012 at 15:23

    Ele era o homem mais invejado daquele lugar. Às escondidas, namorava com as irmãs, sem mãe: três mulheres, zero sogra! Final Feliz.

  • Paulo Sergio Viana 12/07/2012 at 15:23

    Romântica
    – Como é que pode, amor? Esta lua ser a mesma que nasceu sobre o mar, em Cabo Frio?…

  • cesar b soares 12/07/2012 at 15:27

    Injustiça!… Uma flecha atinge o alvo;é a palavra lançada da escuridão do ódio. Transpassando, dilacerando as entranhas do injustiçado como um raio. Angustiado, condenado, amedrontado, encapuzado colocado no cadafalso.Gritos da multidão! O carrasco! O cheiro do horror, um ser é vitima do falso.

  • Leo Nunes 12/07/2012 at 15:30

    Comida insossa, preço alto, chopp quente. Entretanto, é o melhor lugar para se comer…com os olhos: lindas garçonetes.

  • Roberto Borges 12/07/2012 at 15:35

    Eram cinco e meia da tarde, sua melhor hora, quando ela passou pela frente dele, levando a vida dos dois para o quinto dos infernos.

  • Roberto Borges 12/07/2012 at 15:37

    O dia não terminou, a vida ficou pela metade. Tudo por causa de uma decisão não tomada. E o pior era a dúvida.

  • Guylherme Custódio 12/07/2012 at 15:40

    Chegou ao céu e conclui que aquilo não era o paraíso. Pobre nerd, ficou sem seu sagrado wi-fi.

  • Roberto Borges 12/07/2012 at 15:40

    Queria esquecer, em alguns segundos, quem realmente era, para poder descansar da vida lá fora. Mas tinha uma memória. E foi assim até o fim.

  • Guylherme Custódio 12/07/2012 at 15:40

    A fim de algo diferente alugou um filme pornô. Desistiu de masturbar-se quando viu a esposa no filme. Pediu o dinheiro de volta.

  • Guylherme Custódio 12/07/2012 at 15:41

    Desconectou-se da vida. Não se sabe por que, mas cometeu o facebookcídio. Abriu a porta e viu o sol e viveu.

  • ronaldo coelho teixeira 12/07/2012 at 15:42

    Como desaparecer completamente

    Era um jovem diferente dos demais,
    mas que um dia não suportou as cobranças da maioria
    e acabou se tornando mais um entre os iguais.

  • ronaldo coelho teixeira 12/07/2012 at 15:43

    Antinarciso
    Miniconto
    Viu que o espelho era o outro ao se olhar e assustar-se com o reflexo de um estranho diante de si.

  • Aline Bassoli 12/07/2012 at 15:46

    O sol se escondeu, o tempo fechou, a tempestade caiu impiedosa. E do cenário alagado, dias depois, nasceu o primeiro broto de esperança.

  • Ademir Pascale 12/07/2012 at 15:51

    Favela: fome, madeiras apodrecidas, lama e ratos. Virou-se e vislumbrou as mansões do Morumbi: a desigualdade sempre esteve ao seu lado.

  • Ademir Pascale 12/07/2012 at 15:51

    Vende-se: um par de luvas. Grátis as mãos.

  • Ademir Pascale 12/07/2012 at 15:52

    Correu sobre os campos, escalou montanhas e dançou sobre o Pico do Jaraguá. Quando acordou ainda estava na prisão.

  • Leo Nunes 12/07/2012 at 15:52

    No ônibus, ele, lindo, olhava-me nos olhos e descia até os seios. Estava nervosa. Será meu príncipe? Ao descer, ele falou: guarde o crachá.

  • Leandro Henrique 12/07/2012 at 16:18

    Caipira fez curso no rio. — De Janeiro? — De rir! — Que curso é esse? — O do rio… E riu uma canoa.

  • Tais 12/07/2012 at 16:18

    Quinta-feira, 12 de julho de 2012. De quinta, diria. O texto, não tudo. Ou tudo tentando. E o texto. Que texto?

  • renata carla de jesus nascimento 12/07/2012 at 16:32

    Caída sobre a cama,imagens dançavam em sua mente,desconexas,perdidas em algum lugar,lábios cerrados,pensamentos agitados,no ar um cheiro proibido,tentou engoli o choro , mas o gosto era amargo.Silêncio sua alma pedia silêncio.

  • Denivaldo Piaia 12/07/2012 at 16:38

    Mil amigos nas redes sociais; na vida real, nenhum. Feliz, foi viver no seu mundo virtual. Nem se deu conta que a bateria está acabando.

  • Denivaldo Piaia 12/07/2012 at 16:39

    Entendia os animais, dialogava com o vento, conversava com as plantas… Até descobrir que não era louco, apenas poeta. Respirou aliviado.

  • Denivaldo Piaia 12/07/2012 at 16:40

    O rei, solteiro, não tinha coroa. Sempre deu preferência às ninfetas. Até que, um dia, a coroa nasceu.

  • renata carla de jesus nascimento 12/07/2012 at 16:42

    Tudo estava preparado, os utensilios, os arranjos, as guarnições,a refeição, várias pessoas em volta. Em alguns notava-se tanta comoção, lágrimas, aperto no peito, desejo de que aquela reunião fosse cancelada, mas já estava marcada a hora, o momento era aquele…
    Famintos eles esperavam , esperavam…

  • renata carla de jesus nascimento 12/07/2012 at 16:53

    Imagens dançavam em sua mente,lábios cerrados, no ar um cheiro proibido.Engoliu o choro, o gosto era amargo.Silêncio, sua alma pedia silêncio.

  • Danilo Maia 12/07/2012 at 17:02

    Só quando voltou, anos depois, ele se deu conta de que no verão o metal da fechadura se dilatava, e por isso não era possível abrir a porta.

  • renata carla de jesus nascimento 12/07/2012 at 17:06

    Os arranjos preparados em volta da refeição.Em alguns rostos a comoção.Poderia -se cancelar tal reunião.Os vermes teriam sua refeição.

  • Gilmar da Silva Cabral 12/07/2012 at 17:26

    Ausência

    A cama amanheceu vazia. Na casa, ainda sentia-se o silêncio e o cheiro das flores.

  • Zé Alfredo 12/07/2012 at 17:28

    Regina queria apenas uma carona, contudo, quando o gordo lhe ofereceu cento e dez reais, descobriu a profissão.

  • Zé Alfredo 12/07/2012 at 17:28

    No churrasco na laje, pediu-a em casamento mostrando o belo anel. O sorriso dela compensou o trabalho de cortar o dedo da vítima no assalto.

  • Zé Alfredo 12/07/2012 at 17:30

    Incrédulo, o empresário Fernando olhava o bilhete de despedida deixado pela noiva. Fugira com o circo. Paloma apaixonou pelo palhaço.

  • Gilmar da Silva Cabral 12/07/2012 at 17:30

    Desaparecido
    Levantou-se e saiu. Nunca mais voltou. Os seus ainda o aguardam; a árvore sob a qual sempre lia romances, também. Antes, lia “O aventureiro”.

  • Marcelo D´Ávila 12/07/2012 at 17:31

    Nunca falhara, com sua técnica perfeita: mirar entre os olhos e puxar o gatilho. Até que o contrataram para matar o ciclope.

  • Mario Ramos 12/07/2012 at 17:32

    -Obrigada pela carona. Voce quer subir?
    -O teu filho já não está dormindo?
    -Está na casa do pai.

  • Gilmar da Silva Cabral 12/07/2012 at 17:36

    Irajá. Hospital Reviver. Asilo Feliz. Casa dos Filhos. INSS. Lar na Penha. LWA Ltda. UNIG. Colégio Educar. Creche Baú. Casa dos pais. Berço. Útero. Concepção.

  • Sherlock 12/07/2012 at 17:40

    Que se escreva sobre a lápide fria que cobrirá seu corpo são, um dia: “NUNCA VIVEU”. Mas, que ironia!, também morreu.

  • Clarinha 12/07/2012 at 17:53

    Pois é papai, acho que o problema dela era tentar ser sempre inesquecível.

  • GOMES DE SOUZA José Antônio 12/07/2012 at 18:09

    Ideologia
    Dr. Rui era um homem tão de direita, mais tão de direita, que mandou amputar a mão esquerda.

  • GOMES DE SOUZA José Antônio 12/07/2012 at 18:11

    Junia e Cléo
    Junia e Cléo andavam nas ruas de mãos dadas. Uma buscando apoio no ombro da outra.

  • GOMES DE SOUZA José Antônio 12/07/2012 at 18:13

    O BEIJO
    Saudosa do tempo em que, o beijo na boca era trocado por casais apaixonados, Luiza refez o curativo no herpes labial.

  • Jair E. 12/07/2012 at 18:20

    Seu maior defeito: era um escritor de frases feitas. Algumas, fazia na hora. Outras, fazia de conta que eram suas.

  • Jair E. 12/07/2012 at 18:21

    Pobre sapo que virou príncipe. Não consegue jamais disfarçar seu indefectível ar brejeiro.

  • Jair E. 12/07/2012 at 18:22

    Os livros de Franz Kaspa costumam provocar uma metamorfose em minha cabeça. E também muita coceira.

  • George Felicio 12/07/2012 at 18:25

    – Já viste o pôr-da-lua? – Nunquinha… existe mesmo? – Sim, e é belo que nem a paz. – Mostra? – Na hora do amor, a gente mira o céu.

  • George Felicio 12/07/2012 at 18:26

    No Instagr.am da _nagi_ todos veem o Sol mais lindo do mundo: é nágico! Aí a Lua com inveja resolveu surgir em todas as cores…

  • George Felicio 12/07/2012 at 18:26

    Cansada, mudou a vida: virou fotógrafa. O marido pelejava pra contar algo em 140 toques. – Amor, vem ver que linda a pipa na frente do Sol!

  • Jair E. 12/07/2012 at 18:36

    “Mãe, eu vou pro Céu um dia?”
    “Só se você escovar os dentes todos os dias.”

  • Rogerlando Gomes Cavalcante 12/07/2012 at 19:38

    Alucinado por Molly Viterbo, montado Bucéfalo do grego Cervantes, Ulisses, sóbrio, lia Dom Quixote, de Joyce – inconfundível Funes.

  • Rogerlando Gomes Cavalcante 12/07/2012 at 19:41

    Alucinado por Molly Viterbo, montando Bucéfalo do grego Cervantes,Ulisses, sóbrio, lia Dom Quixote, de Joyce – inconfundível Funes.

  • Thiago Luiz Ayres 12/07/2012 at 19:42

    Olho pro relógio e depois pra parede, me sento e espero. Ligo a televisão, olho pro relógio. Suspiro, me acalmo. Cê não vem. De novo.

  • Amanda Levorato 12/07/2012 at 19:46

    Ela carregava dentro de si o peso dos sentimentos. O mais pesado era o amor.

  • Thiago Luiz Ayres 12/07/2012 at 19:49

    Sentada ela se conforma, até porque é burrice insistir no erro, só que não sabe ela, que o erro nem é errado.

  • Kelly Maciel 12/07/2012 at 20:23

    Ela beijou a testa dele e correu porta afora. Através de seu copo de suco, ele enxergava o vulto dela e do outro como se previsse o futuro.

  • Kelly Maciel 12/07/2012 at 20:24

    “Deves saber que encontrei o amor de minha vida. Peço que me perdoe. Sua irmã e eu devolveremos o dinheiro um dia. Obrigado por tudo. Eu.”

  • Matheus Vieira 12/07/2012 at 20:28

    Encarava o céu com mudez aflita. Comprimiu os lábios. Sua mão trêmula protegia a cabeça medrosamente erguida frente à iminência da tal vida.

  • Matheus Vieira 12/07/2012 at 20:31

    Crianças corriam com sentimento órfão pelas ruas desertas da madrugada; cercados por hostil independência; envoltas na escuridão austera.

  • Matheus Vieira 12/07/2012 at 20:42

    A vaca acordou ignorante de que estavam a encaminhando à morte. Enquanto remoía o capim último, pensou na beleza daquele dia tão alegre.

  • Adriana Ciasca Brandão 12/07/2012 at 20:59

    O telefone que você está chamando está desligado ou fora da área de serviço ou não lhe querem atender.

  • Adriana Ciasca Brandão 12/07/2012 at 21:04

    Eu te odeio, seu filho da puta. Essas foram as últimas palavras dela, antes de abraçá-lo para nunca mais soltar.

  • Tatiana B 12/07/2012 at 21:06

    Acabou de pisar em campo delicado, machucou as flores, as canelas, os cravos. Campo minado é pros mirim.

  • Tatiana B 12/07/2012 at 21:10

    Um de cada lado, cosiam os rasgos. À medida dos pontos, os furos dançavam um tango. Bailaram em tiras. Berenice convidou: rende uma boneca?

  • Adriana Ciasca Brandão 12/07/2012 at 21:14

    É um presente do Senhor do Bonfim, dá três nós e o sonho acontece! mas ele nem percebeu, quando a pulseira arrebentou.

  • Tatiana B 12/07/2012 at 21:16

    “Onde te levam esses lábios laranjas, Maria?” “À festa que não acabou, José. Recuso as cascas, fico com os gomos”

  • cesar b soares 12/07/2012 at 21:32

    Vejo com espanto! Sereia e seu canto. Seduzido, mergulho em busca do seu encanto. Netuno com seu tridente! Abençoando o encontro. O mar com seus seres e seus recantos. Enlaçado nos braços da sereia; morro afogado no seu encanto.

  • Maria Luiza Corrêa 12/07/2012 at 21:39

    Arrancou da máquina, amassou e jogou longe o papel. Fechou o computador. Amanhã continuo.

  • Maria Luiza Corrêa 12/07/2012 at 21:44

    Acreditou no amor absoluto. Pegou nas armas e abortou a juventude.

  • Paulão Fardadão Cheio de Bala 12/07/2012 at 21:55

    “Entrou-me pela pele, consumindo-me por dentro.”

    Descreveu como paixão o que o senso comum reconhece como lazarentice pura e simples.

  • sueli vasconcelos 12/07/2012 at 22:05

    Já era um homem de cabelos grisalhos. Fez terapia freudiana por muitos anos, entrou em casa nu, sua mãe lhe vestiu o pijama, e ele dormiu.

  • Paulão Fardadão Cheio de Bala 12/07/2012 at 22:07

    Sentidos

    Cultivava o duvidoso hábito de guspir no prato em que comia. Mas era só da boca pra fora.

  • Maria Luiza Corrêa 12/07/2012 at 22:14

    Depois o amor deitou-se entre nós e – criança, adormeceu.

  • sueli vasconcelos 12/07/2012 at 22:17

    Se amaram por um só dia e se despediram para sempre. Já velhos, o facebook os aproximou. A história de cada um não lhes permitiu sonhar.

  • Alexandro de Camargo 12/07/2012 at 22:19

    A escrita cuneiforme teve início com as garras das bestas-feras nas peles trogloditas. Cada confronto deixava gravado: “aperfeiçoe-se”

  • Paulão Fardadão Cheio de Bala 12/07/2012 at 22:21

    Nonsense

    Não tinham nada a dizer-se, mas não suportavam o silêncio. Falavam nada com nada.

  • Alexandro de Camargo 12/07/2012 at 22:23

    Na casa há muito abandonada, som e TV ligados. Ninguém ouviu/viu nada – a não ser ecos. Nunca se soube se vivia antes de ser morto.

  • sueli vasconcelos 12/07/2012 at 22:26

    Estava tão apaixonada que lhe doou a obra completa de Fernando Pessoa, e ele nem gostava de poesia. O amor acabou e os livros sumiram.

  • Vitor Emmanuell Pinheiro 12/07/2012 at 22:31

    Eu sou o tempo, um espelho do medo que não tem coragem. Uma dádiva das corres, a própria irrealização dos desejos que nunca existiram.
    Vitor Emmanuell

  • Thais Linhares 12/07/2012 at 22:34

    Uma dos 472 clones que desceram da nave mãe em uma noite fria. Por 25 anos se reuniram em BH pra recontagem. Hoje, clone 26 usou Skype.

  • Vitor Emmanuell Pinheiro 12/07/2012 at 22:35

    A porta ainda estava aberta, quando Ana revirou os olhos, observou a maçaneta e percebeu que a chave de sua felicidade estava em seu coração
    Vitor Emmanuell

  • Vitor Emmanuell Pinheiro 12/07/2012 at 22:38

    Os protestos iniciaram-se, as válvulas, animadas por um termo indefinido foram controladas como gelo, fria, amarga e insensata.

  • Thais Linhares 12/07/2012 at 22:42

    Era uma vez duas pedras renais: Petra e Lita.
    Ai que me doíam! Uma tão esperta, outra tão bonita.

  • Maurilio Montanher 12/07/2012 at 22:54

    Debaixo de sua cama vivia um monstro que não lhe deixava dormir. Decidiu matá-lo e tornou-se solitário.

  • Dilson L.D. 12/07/2012 at 23:01

    Há encanto em cada palavra que dizemos, a esperança de nos unirmos, a angústia pela distância, mas a certeza de nos reencontrarmos em Aldebarã.

  • Alexandro de Camargo 12/07/2012 at 23:02

    “Se vire”, bradou o pai. Mesma expressão usada quando apanhava. Só que agora tinha 30. O traseiro, antes escondido, foi obrigado a mexer.

  • Athos 12/07/2012 at 23:04

    No interior de São Paulo, um médico indignado com a falta de medicamentos, vociferou pela janela da enfermaria. – Acabou o soro em Sorocaba!

  • Leandro Henrique 12/07/2012 at 23:09

    Conto 150. Mas assim o conto não vale, diz: valor é isso menos 10. Peço o troco. Ele devolve 20. E assim é que se faz um desconto.

  • Guilherme Villa Verde 12/07/2012 at 23:20

    Diante do abismo, o velho espiou no binóculo. A criança sorria, inocente ainda. Parecia um anjo. Parecia bicho.

  • Leandro Henrique 12/07/2012 at 23:23

    Eis o microconto, anãozinho horizontal, preso na caixa de comentários pra sempre. Se debate. Faço furinhos na caixa para ele respirar . . .

  • William Romanov. 13/07/2012 at 00:57

    – Eu não sei explicar, não sei o porquê, só ouço uma voz que me sussurra e eu percebo que há de vir algo muito maior do que você espera.

  • Joakim Antonio 13/07/2012 at 03:27

    Parou no meio da rua, tirou o chapéu e gritou, “ESTOU LEVE!”. Todo mundo olhou e se assustou, não com o grito, bateu um vento e o levou.

  • Di Bonetti 13/07/2012 at 04:40

    Ela caminha em plena Av. Paulista na garoa da madrugada. Anonima, prédios a observam sem serem observados. É uma miragem que o dia rejeitou.

  • Renato Virginio 13/07/2012 at 06:16

    TRAIÇÃO
    Abraçou-me e nem tive como rejeitar. Quando decidi apertá-lo mais forte, senti-lo, ele sumiu, apressado. Ele, o tempo.

  • Renato Virginio 13/07/2012 at 06:17

    REALEZA
    Xícara de ouro, mas a avó preferiu tomar no gargalo. O neto não riu: era rei e abdicava assim sua própria vida. Mas a coroa ficou.

  • Renato Virginio 13/07/2012 at 06:18

    VESTIDO DE NOIVO
    A roupa no armário, presa. Não é efêmero, é desejo de eternidade que paira num instante único. Eles querem se casar. Eles.

  • Aline 13/07/2012 at 09:13

    Conscientes de que haviam chegado ao cerne da alma humana, ergueram triunfantes seus copos em um brinde, cada um com três pílulas dentro.

  • Ana Karolyne de O. Vieira 13/07/2012 at 09:15

    Metade de mim acreditava na inocência daquela senhora. Mas, eu não sei, algo em seus olhos me fazia tremer. Algo me dizia para ter cuidado.

  • Denival Fernandes Moreira 13/07/2012 at 09:15

    Diante do álbum de casamento, ela colhe os próprios escombros. A campainha, um sobressalto! Enxuga os olhos com pressa. Outra vez pode ser a polícia.

  • Ana Karolyne de O. Vieira 13/07/2012 at 09:15

    – Olá, minha querida! – disse ele da forma mais charmosa que conhecia. Seu sorriso era sarcástico e egocêntrico. Revirei os olhos e sorri.

  • Ana Karolyne de O. Vieira 13/07/2012 at 09:23

    Estava deitada com toda sua pequenez. Olhos fechados, lábios mortos… Ainda não sabia o seu nome, mas derramei uma lágrima. Pobre menina!

  • Michele Carraro 13/07/2012 at 10:03

    Legado: Pousa com carinho a pequena mão sobre meu rosto, sorrindo me fala: Que vontade de acordar primavera e tomar banho de chuva mãe;

  • Michele Carraro 13/07/2012 at 10:04

    Alguma simplicidade fez-se encanto, ou colocarei flores de cerejeiras entre o livro e beberei café com creme de avelãs. Sempre será doce.

  • Michele Carraro 13/07/2012 at 10:05

    Um sente falta do sorriso e o outro da mão. Um está longe demais do outro e o outro ainda assim sente o seu perfume..

  • Franceline 13/07/2012 at 10:11

    Trim! Trim! Trim!
    _ Mamãe, o telefone está tocando!
    Sim, ouvira o toque do telefone e o palpitar do coração, porém não queria atendê-los.

  • Roberto Castro 13/07/2012 at 10:14

    O que o intrigou, contudo, foi o acabamento desleixado do cimento que juntava as urnas funerárias, inúmeras.

  • Rodrigo Zafra 13/07/2012 at 10:31

    Quantas palavras pensou em dizer até encontrar as que julgava corretas. No momento oportuno, falou. Depois, se arrependeu. Porém, passou.

  • Rodrigo Zafra 13/07/2012 at 10:33

    Se livrou do assalto correndo. Ouviu os tiros. Seguiu por várias ruas até parar e perceber algo estranho: sua sombra não refletia no chão.

  • Rodrigo Zafra 13/07/2012 at 10:33

    Estavam dispostos a um relacionamento sério. Prometeram só dizer a verdade um ao outro, mesmo que esta machucasse. Não durou um dia.

  • Franceline 13/07/2012 at 10:39

    O pulsar do seu coração era comedido. Seu corpo não mais era acalentado pelo calor dos lençóis. Sua respiração fora destituída de vigor…

  • Sherlock 13/07/2012 at 10:40

    Desencontro linguístico-sentimental:
    – Love you. Do you?
    – Non plus!

  • maria amelia a.pessoa 13/07/2012 at 11:05

    sair, ver o morro, minhas flores e meus matos. sol.saciada de felicidade

  • Weber Sauerbronn 13/07/2012 at 11:11

    Quando voltou, soube que não mais voaria nem derrubaria paredes com as mãos. Sua imaginação morrera. Jamais deveria ter acordado do coma.

  • maria amelia a.pessoa 13/07/2012 at 11:12

    choveu,lama no sapato. ceu cinza com nuvens pesadas mas caminhada gostosa como um doce

  • Weber Sauerbronn 13/07/2012 at 11:12

    A arma está engatilhada. O inimigo se aproxima, para virar sua 130º vítima. Um bom presente de aniversário. Parabéns pelos sete anos.

  • Weber Sauerbronn 13/07/2012 at 11:13

    O que lhe restou: chorar. O som do canto lá fora o deixou arrepiado. A luz das velas que carregavam, emocionado. E sentiu o coração parar.

  • Francisco da Chaga Mendes 13/07/2012 at 11:21

    “Queria deixá-las para sempre na condição de anjinhos”, declarou o assassino confesso de crianças capturado ontem pela polícia.

  • Eduardo da Rocha Vieira 13/07/2012 at 11:25

    Quando vi, desejei. Fui falar e gaguejei. Ela me olhava, mas não falava. Quando perguntei, se entregou: te procurei. “Eu te amo” imaginei…

  • Eduardo da Rocha Vieira 13/07/2012 at 11:25

    Nasceu. Comeu. Cagou. Cresceu. Aprendeu. Conheceu. Transou. Amou. Conquistou. Transou. Decepcionou. Foi. Voltou. Cantou. Envelheceu. Morreu.

  • Eduardo da Rocha Vieira 13/07/2012 at 11:26

    Treinava correndo atrás do Sol. Todo o dia. Todos os dias. Ambicionava ser campeão. Conseguiu. Um pedaço de Sol, que ostentou sobre o peito.

  • jorgenagao 13/07/2012 at 11:41

    Vida redonda
    Nasceu em 60, formou-se em 80, casou-se em 90, divorciou-se em 2000,
    viveu a 1000 mas morreu em 2010, aos 50. 100 comentários.

  • jorgenagao 13/07/2012 at 11:42

    Epitáfio
    Januário Jaera, o melhor poeta e escritor do brasil, um grande talento que ninguém descobriu. Quem sabe na próxima reencarnação?

  • jorgenagao 13/07/2012 at 11:45

    Marias
    do Carmo é nervosa, do Socorro não é solidária, Dolores é saudável, do rosário é ateia, da Penha mora na Lapa. Vai entendê-las.

  • j. m. c. 13/07/2012 at 11:48

    Sob a mesa, levou a boca ao pé da mulher: “Cadê meu bebê!?“. Achou esquisita a palavra fetiche, anos depois, ao ouvi-la pela primeira vez.

  • Anchieta Rocha 13/07/2012 at 11:54

    Anchieta Rocha

    Quanto jorro, o romance, rio imenso. Conto, lago, densa água, pouco vaza. E este mini, tanto curto, conta gotas.

  • Rogério Coelho 13/07/2012 at 12:13

    Estava feito. Agora, o tempo. Após o crime, o desejo do criminoso esvai-se e a prescrição passa a ser o seu desejo. O tempo, enfim. Passará?

  • Francisco da Chaga Mendes 13/07/2012 at 12:23

    Foi ele o gêmeo sobrevivente; o marido que enterrou a esposa; o espectador da morte do filho. Aprendeu a vida faceando a morte.

  • Laís D'Andréa 13/07/2012 at 12:34

    Palavras, fotos e declarações de amor, tudo nas nuvens. Ao primeiro apagão do servidor, ficaram sem memória.

  • Francisco da Chaga Mendes 13/07/2012 at 12:35

    Ele é do tipo que vende até a mãe, e pouco importa que esta seja alheia.

  • j. lopes palhano 13/07/2012 at 12:36

    Minha vizinha era uma jovem escritora. A mãe dela reclamava que ela vivia apressadamente. Sua vida não durou nem 140 caracteres…

  • j. lopes palhano 13/07/2012 at 12:36

    Rua sem gente. Uma voz. Olho para trás. Foi Deus ou o diabo quem chamou meu nome? Melhor apressar os passos.

  • j. lopes palhano 13/07/2012 at 12:37

    José era um homem prático – resolvia logo suas dúvidas. Como não sabia se iria para o céu ou inferno, o suicídio foi sua melhor certeza.

  • Danielle Takase 13/07/2012 at 12:39

    Quis saber a cor dos sonhos. Fechou os olhos, encontrou-os na escuridão. Descobriu-os em tons de cinza – vultos, sombras, fantasmas. Dormiu.

  • Danielle Takase 13/07/2012 at 12:44

    Seu corpo logo fez-se taça, digna do deleite de quem prova um bom vinho. Digno era quem se deleitava em seu leito, em seu peito, a seu lado.

  • Danielle Takase 13/07/2012 at 12:54

    Ela poderia envolver o mundo com os braços, e queria. Queria enlaçar o céu e sentir seu azul lhe escapar entre os dedos.

    • sergiorodrigues 13/07/2012 at 13:01

      INSCRIÇÕES ENCERRADAS.

  • Luiz 13/07/2012 at 16:37

    Não vai ter prorrogação do prazo?

    • sergiorodrigues 13/07/2012 at 17:19

      Receio que não, Luiz.

  • Remo Mannarino 13/07/2012 at 18:44

    Uma observação adjetiva. Tenho para mim, muito para mim, que a frase da epígrafe, na parte superior desta página, nada tem de original, pois foi tirada por Ian McEwan da célebre afirmativa de Isaac Newton: “Se tenho enxergado mais longe é por estar de pé sobre ombros de gigantes.” Consta da carta que Newton enviou a Robert Hooke em 15 de fevereiro de 1676, quando os dois cientistas disputavam a glória que lhes cabia na descoberta da gravidade. A frase era no fundo uma provocação de Newton, pois Hooke era um anão deformado.

    • sergiorodrigues 13/07/2012 at 19:08

      Caro Remo, a ideia dos “ombros de gigantes” é realmente um lugar-comum. Não duvido que Newton tenha ido buscá-la em outro autor ainda mais remoto. O que a frase de McEwan tem de possivelmente original – ou, no mínimo, de menos banal – é a aplicação desse lugar-comum ao ofício do romancista, que tantos questionam hoje em dia, afirmando sua força justamente pela atualização de um potencial historicamente construído. Um abraço.

  • sueli vasconcelos 17/07/2012 at 15:07

    olá Sergio. desculpe, mas pode me dizer quando sai o resultado? grata

    • sergiorodrigues 17/07/2012 at 16:38

      Está no ar desde ontem, Sueli.

Social media & sharing icons powered by UltimatelySocial