J.D. Salinger (1919-2010)

28/01/2010

Depois de passar décadas enterrado voluntariamente em vida, J.D. Salinger, autor de “O apanhador no campo de centeio”, está morto. Segundo comunicado da agência literária que o representa, o escritor morreu ontem “de causas naturais” e “sem dor” na casa de campo em que se isolou há meio século, em Cornish, no estado americano de New Hampshire.

Salinger é praticamente o inventor do adolescente moderno – ou pelo menos seu maior porta-voz literário – na figura de Holden Caulfield, 16 anos, narrador e personagem principal de seu livro mais famoso, lançado em 1951 (disponível em português, em edição da Editora do Autor, aqui).

Polêmico, “O apanhador no campo de centeio” virou um best-seller imediato, especialmente entre jovens, e vende regularmente até hoje. Seu alcance cultural transcendeu os limites da literatura para entrar no terreno do mito – a ponto de, para mencionar um exemplo maluco, o assassino de John Lennon, Mark Chapman, ter declarado que a explicação para o crime podia ser encontrada em suas páginas.

Holden Caulfield se expressava de forma coloquial, era desbocado para os padrões da época e desconfiado de tudo o que se referisse ao mundo “fajuto” (phony) dos adultos. Um adolescente-mala como a ficção jamais produziu antes ou depois e que continua sendo leitura divertida e instigante no século 21, embora o livro, inevitavelmente, tenha perdido boa parte de seu impacto.

A pequena obra de Salinger conta ainda com os contos de “Nove histórias”, “Franny e Zooey” (também da Editora do Autor) e “Carpinteiros, levantem bem alto a cumeeira & Seymour: uma apresentação” (L&PM), este o último livro que publicou, em 1963 – todos influentes, embora de alcance mais restrito aos meios literários.

No auge da fama, Salinger se trancou em casa e, após uma última novela aparecida na “New Yorker” em 1965, nunca mais publicou uma linha. “Há uma paz maravilhosa em não publicar… Publicar é uma terrível invasão de minha privacidade. Eu gosto de escrever. Eu amo escrever. Mas escrevo apenas para mim e para meu próprio prazer”, disse em uma rara entrevista de 1974.

Se a idéia era alimentar o mito, conseguiu. Em memórias publicadas em 1998, uma ex-namorada, Joyce Maynard, descreveu-o como um ególatra hipocondríaco; dois anos depois foi a vez de sua própria filha, Margaret, lançar um livro em que o retratava como um louco que bebia a própria urina. Mas a ex-namorada confirmou que, sim, Salinger continuava escrevendo. A caça ao seu suposto baú ainda promete render muitas histórias.

(Atualizado às 17h41.)

108 Comments

  • clelio 28/01/2010 at 16:11

    Só não se pode dizer que foi uma grande perda porque já não escrevia há muito tempo. Mas escreveu coisas ótimas, principalmente os contos de “nove estórias”…

  • Tibor Moricz 28/01/2010 at 16:15

    Talvez agora, se as teoria espíritas do pós-vida forem corretas, ele consiga entender por que raios alguns malucos se matavam (ou matavam) tendo “O apanhador…” como livro de cabeceira.

  • Rubão 28/01/2010 at 17:24

    Sergio, vim até aqui, procurando algum comentário seu. Eu vejo a obra de Salinger como impar, inclusive os conflitos de Holden noto que se ampliaram. Cada vez mais a juventude é solitária e infelizmente iletrada, embrutecida.
    Mesmo assim, encontrei um dia um jovem punk com todos aqueles percings, roupa rasgada , ele tinha uma tatuagem em seu braço fino Holden Caulfiel, apresentei-me a ele, como vai Holden?
    Ele sorriu. Um brinde a quem leu e a quem fará com que esta obra continue autonoma pelo mundo a fora.

  • ronnie 28/01/2010 at 17:27

    Nunca o li nem nunca vou ler. Mas respeito a morte do cara…

  • Rafael 28/01/2010 at 17:28

    Sem dúvida, a grande contribuição do Salinger para a Humanidade foi ter inspirado Mark David Chapman, ainda que de maneira fortuita, a cometer o ato que lhe deu renome e fama.
    Grande proeza, não?

    • André Rosa 29/01/2010 at 02:30

      não concordo que a culpa pela morte do lennon tenha sido do salinger.
      ninguém pode ser responsabilizado pelo fanatismo e pela distorção de sua obra, ainda que isso esteja atrelado a um fato terrível.
      se fosse assim, deveríamos dizer que a obra de wagner foi responsável pelo nazismo.
      chapman é um demente que usou do subterfúgio mais estúpido para justificar seu ato covarde.

  • Rogério Moraes 28/01/2010 at 18:00

    Li O Apanhador e Nove Estórias no final da adolescênica e foram, juntamente com A Metamorfose, os responsáveis pelo meu vício em literatura. Depois li as novelas e o Franny & Zooey. Foi um dos autores símbolos da literatura do pós-guerra, mesmo tendo encerrado sua carreira tão cedo. É idolatrado por grandes escritores, dos mais diversos estilos. Ele virou personagem do Enrique Vila-Matas no excelente Bartleby e Companhia. Quanto à grande contribuição dele para a humanidade ter sido inspirar o Chapman, sem comentários.

  • Madson Milhome 28/01/2010 at 18:25

    Literatura de luto. Bem, Salinger foi uma figura e tanto. Um salve para ele e para o genial Holden Caulfield.

  • clelio 28/01/2010 at 18:32

    Sérgio, o site da New Yorker está disponibilizando vários contos e novelas do Salinger. Vale uma passada lá.

  • clelio 28/01/2010 at 18:34

    Na verdade todas as 13 estórias que ele publicou na revista.

  • Fernando Lobo Vianna 28/01/2010 at 18:46

    Apesar de ser um ser humano acima da média, não se pode esquecer que ele alimentava o círculo vicioso do direito autoral perpétuo. Nada mais escravagista do que isto em pleno século 21.

  • Marcelo ac 28/01/2010 at 19:56

    Pra cima com a viga moçada!

  • C. S. Soares 28/01/2010 at 21:08

    On November 3, 1961, LIFE magazine published “The search for the mysterious J. D. Salinger” http://bit.ly/bigchj

  • Marcos 28/01/2010 at 22:03

    O Apanhador no campo de Centeio é o livro que gostaria de ter escrito, se fosse escritor. Salinger foi uma grande perda pra literatura.

  • Rosângela 28/01/2010 at 23:30

    Um autor que mostrou a realidade que existe em todas as cabeças, não só dos jovens, mas todas as cabeças que ainda estão comendo do fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal.

    Não se permitiu viver plenamente.
    Suas produções foram frutos de suas feridas e loucuras.
    Claro que isso dá ibope.
    Palavrão dá ibope
    Rebeldia dá ibope
    Jactância dá ibope

    É isso que alimenta o mundo.
    Mas não é isso que ajuda os jovens perdidos em busca deles mesmos…

    E que bom que a rebeldia não ajuda…

  • Rosângela 28/01/2010 at 23:34

    Um livro que seria um contraponto, e que está sendo procurado:
    Garoto encontra Garota de Meg Cabot
    http://www.oyo.com.br/livros/romance/garoto-encontra-garota/

  • Rosângela 28/01/2010 at 23:52

    Os jovens estão procurando comer o fruto da árvore da VIDA.

    Que bom, não?
    O mundo pode ser melhor amanhã.

    • Lalo Arias 29/01/2010 at 16:05

      Nossa! Senhora! Aparecida!, Rosangela, quanta bobagem!

  • Sérgio Rodrigues 29/01/2010 at 01:16

    Rosângela, faz tempo que estou para lhe dizer isso: quando você tiver algo a comentar sobre literatura, de preferência sobre o assunto do dia, fique à vontade – o blog é sobre isso mesmo. Mas se insistir, como tem feito até hoje, em transformar tudo em pregação religiosa, então lamento, mas serei obrigado a lhe pedir que procure outra caixa de comentários. Este é um blog agnóstico, e ainda que não o fosse, o assunto é outro. Literatura não tem nada a ver com religião. Não gostaria de ser indelicado, mas seu tom e sua prolixidade são – acredito que involuntariamente – inoportunos e desrespeitosos com quem vem aqui em busca de discussões relacionadas ao tema proposto. Espero que você compreenda, lendo essas linhas com o mesmo espírito franco e desarmado com que as escrevi. Um abraço.

    • cely 29/01/2010 at 12:28

      Quando voce diz agnóstico,voce também deveria dizer imparcial e principalmente,ser o exemplo de imparcialidade.
      nunca vi voce interferir na opinião de ninguém que dissesse N palavrões e chamasse todos os outros de BURRO,IGNORANTE,BESTA,ASNEIRENTO….
      Eu concordo que a Rosângela tem” fugido” ao foco do Blog,eu também fujo,todos fogem, mas daí a pedir que ela se retire que foi o que voce fez sem verbalizar!! Porque voce nunca falou nada pra quem mete política no meio da conversa…? Porque religião não é literatura?Porque numa discussão acirrada voce se achou no direito de chamar a atenção do Fred e não do Rafael e do Daniel? Sei que não vou fazer falta alguma neste Blog tão BEM frequentado.Voce já tem sua coroa de louros! Eu admirava voce!!!!”Maldito o homem que confia no homem”,eu encerro com um pouco de Bíblia…

    • Sérgio Rodrigues 29/01/2010 at 12:39

      Lamento que você veja as coisas assim, Cely. Segue uma explicação meio óbvia, mas que pode ser de interesse geral: tenho não só o direito, mas o dever de interferir nos comentários do blog em meu papel de moderador. Procuro fazer isso o mínimo possível, mas já deletei mensagens animalescas aos montes. Não é o caso das pessoas que você cita. Uma mereceu um toque educado por se expressar repetidamente em termos homofóbicos. A Rosângela, após meses de tolerância, por fazer daqui, dia após dia, um púlpito particular. Mensagens inteiramente fora do tema são admitidas (embora firam a netiqueta que outros blogs seguem à risca), mas é preciso estabelecer um limite de bom senso. O Todoprosa não é uma sala de chat. É um blog de literatura. Todo mundo tem a ganhar se ele for conservado assim.

    • eduardo neves 29/01/2010 at 13:11

      Que isso Sérgio ? Cadê a sua democracia , sua mente aberta ? Gosto muito do seu blog ( prefiro ser mais leitor , observador , e nunca postei nada aqui ) , mas , desta vez você pisou na bola feio , amigo ! Não sou religioso , mas tenho de ouvir também ( embora possa não concordar com suas opiniões ) pessoas como a Rosângela , e , igualmente concordar c/ algumas observações de Cely . Literatura ( eu adoro ler ! ) tem a ver com simplismente tudo nesta vida , inclusive religião e espiritualidade , dependendo do enfoque que é dado pelo leitor ( que , para mim , é o principal “personagem” de uma obra literária – êta opinião polêmica , certo , mas isto é assunto p/ outra hora ) .
      Pior do que isso , são , como disse Cely , as ofensas pessoais aqui postadas por alguns metidos a intelectuais , mas , no fundo pessoas dignas de pena pela sua pobreza de espírito ( ñ tem nada a ver c/ religião , antes que digam algo ! ) . Isso não soma nada ao alto nível do blog , Sérgio ! Por favor , peço que reflitas sobre isso . Obrigado pelo espaço , e uma boa tarde p/ você !

    • Sérgio Rodrigues 29/01/2010 at 13:25

      Eduardo, leia meu comentário acima. O que tenho a dizer está lá, não é preciso refletir mais. Esqueça essa conversa de religião por um minuto. Se alguém usasse este espaço repetidamente para fazer uma campanha política ou comercial – várias mensagens em seqüência, dane-se a pauta, o que talvez não seja mas se aproxima perigosamente da má-fé – também receberia uma advertência educada.

    • Hefestus 29/01/2010 at 16:58

      O comentário do Sérgio foi elegante e educado – e quem quer ver nisso censura está é confundindo debate e livre opinião com berreiro para monopolizar o discurso. A Rosângela há meses bate na mesma tecla querendo evangelizar um blog de literatura (sim – a Bíblia também é um livro, bem como a Odisseia, o Talmude, o Alcorão, os Vedas, e nem por isso temos hordas de fanáticos aqui “refletindo sobre o que leem” para fazer proselitismo). Se Deus é tão bacana, guardem ele pra vocês.

    • Clarissa 30/01/2010 at 11:29

      O Hefestus falou e disse! Assino embaixo.

    • luana 30/01/2010 at 23:16

      Concordo,Sergio.

  • pedro curiango 29/01/2010 at 03:35

    Creio que tornar-se recluso ou esconder-se, no caso de alguns escritores, é meramente uma tentativa de afirmar que são realmente ESCRITORES e não “gurus” de alguma seita qualquer. O caso exemplar no Brasil é o de Dalton Trevisan e, nos EUA, mais do que Salinger, é o de Thomas Pynchon, que não aparece nos jornais, de quem não se sabe onde mora e de quem não se conhecem retratos, a não ser o de um catálogo escolar quando era estudante secundário. Seguem, de certa maneira, a tradição de B. Traven, autor de “O Tesouro da Serra Madre,” romance popularizado pela versão cinematográfica de John Huston. Com relação a B. Traven, até hoje não se sabe com certeza quem era. Que diferença dos Saramagos de hoje!…

  • João Paulo Cavalcanti 29/01/2010 at 07:30

    Galera, para ler os contos do Salinger que a New Yorker compilou em conteúdo especial é preciso ter assinatura …

    • clelio 29/01/2010 at 14:19

      Pra mim abriu direto sem assinatura…

    • clelio 29/01/2010 at 14:27

      Retificando: ontem quando colocaram no ar abriu, hoje já está pedindo assinatura. Pena.

  • Walter Ice 29/01/2010 at 08:33

    O que eu precisava quando era jovem não era rebeldia contra a incomunicabilidade dos outros nem com as caras feias e antipatia dos mais velhos! Precisava ser alertado sobre a bebida, o cigarro e a droga,uma boa escola, roupas limpas, comida, um quarto e um banheiro com água quente. Rebeldia é para viadinhos ricos.

    • maia jr 29/01/2010 at 10:00

      falou pouco e disse muito

    • Leonardo 29/01/2010 at 11:02

      Um dos piores comentários que já li em toda a minha. Vamos lá:
      1. “Precisava ser alertado sobre a bebida, o cigarro e a droga”: vc vai querer me convencer que vc estava usando tudo isso para salvar a humanidade? Existe rebeldia sem causa pior do que essa? Só quem precisa ser alertado sobre drogas e boa escola é gente sem cérebro. Para os outros, é uma obviedade. Para mim, vc também estava “protestando contra a ordem existente” e em algum momento decidiu virar crente.
      2. “Rebeldia é para viadinhos ricos”: Ou vc não virou crente, e sim viado. Vc deveria entender a rebeldia como um desejo de mudança. É pela rebeldia que a ciência evolui; é pela rebeldia que a humanidade foi conquistando direitos ao longo do tempo; e é pela rebeldia que hoje eu escrevo para pessoas de pensamento raso como vc.
      E sim: umas porradas teriam “curado” vc.

    • Microempresário 29/01/2010 at 12:39

      Leonardo, acho que você não entendeu nada do que o Walter Ice falou. E se a sua rebeldia consiste em chamar o pensamento dos outros de raso, e recomendar porradas como método de cura, vc está confirmando a última frase do Walter.
      Ou como diria meu avô gaúcho: “fresca rebeldia!”

  • Marcela Souza 29/01/2010 at 08:49

    Exatamente Sérgio: Seu argumento fecha com o meu que usei em um Fórum desses e fui apedrejada por gente inculta: o Apanhador perdeu o impacto atualmente. Fez história e ainda deve inspirar muita gente a se voltar para a literatura. mas perdeu o impacto, sem dúvida. Porque a juventude faz o que quer e o que Holden faz no livro é brincadeira de criança perto da rebeldia desses jovens de hoje. O Apanhador não me despertou quase nada, confesso; vai ver que foi pq o li quando estava na casa dos 30 e já havia devorado Dostoievsky, Maugham, Hermann Hesse, entre outros.

    • Ernâni Getirana 29/01/2010 at 11:52

      É isso, Marcela. Na mesma linha dos abobalhados pesrsonagens do merdaególotra, Fonseca. Risos.

    • Ernâni Getirana 29/01/2010 at 11:55

      Digo: “ególatra”, “personagens”, etc e prossigo: nesses tempos atuais de agora e aqui, tudo aos mesmo tempo, a violência virulenta, só com muito custo pode ser vista, apenas, como modus operani ou vivendi dos adolescentes. O buraco passou a ser mais embaixo. Mistura-se gene e gênio ( no sentido de “personalidade”. A vulgaridade é moeda corrente.

  • José Benedicto 29/01/2010 at 08:55

    Será que algum escritor brasileiro é tão admirado lá nos EUA quanto os americanos o são por aqui? Sua morte suscitaria notícias e comentários em profusão pelos jornalistas e pelo povo de lá como acontece aqui quando morre um deles?

    • ewerton 29/01/2010 at 12:52

      Respondendo a sua pergunta, Paulo Coelho.

  • Abadias Souza 29/01/2010 at 08:58

    Fique curioso de conhecer o “Apanhador de centeio”, me pareceu que toca fundo na essência do ser humano e desta forma como dissociar do Criador deste e seu manual de instruções? – Toda busca de si que não passar pelo entendimento do que representa a árvore do conhecimento do que é bom ou mal, estará inevitavelmente incompleto.

  • Abadias Souza 29/01/2010 at 09:00

    Fiquei curioso de conhecer o “Apanhador de centeio”, me pareceu que toca fundo na essência do ser humano e desta forma como dissociar do Criador deste e seu manual de instruções? – Toda busca de si que não passar pelo entendimento do que representa a árvore do conhecimento do que é bom ou mal, estará inevitavelmente incompleto.

  • Walter Ice 29/01/2010 at 09:07

    Oh, terras…mais um hipnotizado por senhores, deuses e verdades absolutas inventadas…

  • maia jr 29/01/2010 at 09:30

    Acompanho o que disse a Marcela. Senhores, “apanhador” é uma leitura que chega a ser interessante, mas não esperem uma revolução em suas mentes. primeiro, se quiserem aproveitar o livro, ponham-se como leitores da época do lançamento do livro – senão, o livro não causará sensação. segundo, a trama se dá em alguns dias da vida de um adolescente mala, diria até bobo. sinceramente, só mesmo em meados do século passado para esse livre causar impacto. Minha frustração, no caso, talvez tenha se dado por tê-lo lido já com 30 anos e a inafastável comparação com a literatura infanti-juvenil que nos empurravam no 2o grau. Por fim, talvez seja daqueles livros que todos dizem para você ler, mas que não correspondem à fama.

  • Sidnei 29/01/2010 at 10:11

    “O Apanhador” é, no mínimo, um daqueles livros que definem toda uma geração, que captam o espírito do tempo e ficam inextricavelmente ligados a ele, o que não é pouca coisa. Mas os livros que vieram depois são muito superiores. A propósito, “Carpinteiros, levantem bem alto a cumeeira” foi lançado em 1984 pela Brasiliense com o título de “Pra cima com a viga, moçada!”, o que me parece uma tradução muito mais adequada. Ia comentar coisas como “viadinhos ricos” e “Dostoievski, Maugham (!!!), Hesse”, mas deixa pra lá… “Todo mundo é uma freira”.

  • Eu 29/01/2010 at 10:14

    O mundo ficou uma droga com a chegada dos adolescentes. Eles não existiam antes de 1930, e agora nós temos que aguentar. Não li o livro, e nem vou ler, pois tenho certeza que não acrescenta nada a ninguém, somente irritação. Antigamente havia a hipocria dos mais velhos que estavam no comando. Agora há a hipocrisia, o vácuo, as drogas, o desgoverno, a mediocridade da juventude. Quer dizer, desde que a “adolescência” surgiu, por volta de 1930, na Alemanha. Tenho dito.

  • Alaim Viana do Nascimento 29/01/2010 at 10:32

    O apanhador no campo de centeio, é realmente um livro de valor se formos considerar a época em que foi escrito, contudo se Graciliano Ramos fosse americano e o livro ‘Angustia” tivesse sido lançado lá, certamente teria feito mais sucesso do que o livro do Salinger e, mais, continuaria atravessando décadas como um livro de grande conteúdo e influenciando gerações pelo mundo a fora.

  • Eu 29/01/2010 at 10:35

    Sérgio Rodrigues

    Entendi os seus argumentos em relação aos da Rosângela. Fiquei boquiaberto com o “agnóstico” que você escreveu. Não sabia que blog poderia estar relacionado com “gnose” ou “agnose”. Achei engraçado isso.
    E não acho que as coisas sejam tão indissociáveis assim aqui neste mundo. Então, os argumentos da Rosângela, embora possam parecer impertinentes, não são tão descabíveis assim, aqui e em outro lugar qualquer. Pode se analisar uma obra literária sob diversos prismas, inclusive como a Rosângela fez. Entendo os seus argumentos e os dela, mas, sinceramente, concordo com o que ela disse, e não consigo enxergar tanto descabimento nos argumentos dela.

    • Rafael 29/01/2010 at 11:18

      Como nem sempre as palavras devem ser entedidas pelo seu significado literal, acredito que o Sérgio quis dizer que o blog trata de temas seculares, mundanos, fugindo, por princípio, a questões de ordem metafísica, espiritual, teológica ou religiosa. A referência nada tem a ver com as seitas heréticas da Idade Média.
      “Valha-me Deus”, para lembrar nosso querido Brás Cubas, “é preciso explicar tudo”.

  • Bruno 29/01/2010 at 10:36

    Discordo da Marcela e do Maia Jr. Uma coisa é dizer que o livro perdeu impacto, e outra é botar sua qualidade à prova. Se perdeu impacto, e de fato perdeu, é porque hoje o comportamento de Holden é quase o padrão, não o desvio. A plataforma da literatura, no entanto, nos permite acessar informações que não acessamos por outros meios. A rebeldia do jovem Caulfield é intelectualizada, reflexiva. Conhecemos suas motivações, seus encantos e desencantos com o mundo dos fajutos, coisa que se há na juventude de hoje, não se deixa transparecer. É importante lembrar que o livro foi publicado quando Salinger já estava na casa dos 30, mas dizia que era criança sempre e que seus melhores amigos eram crianças. É com esse espírito que se deve conhecer o livro e desfrutar do que ele tem de melhor.

  • Bruno 29/01/2010 at 10:40

    E essas comparações com autores brasileiros não me parecem apropriadas. Nunca. Parecem frutos de um ufanismo bobo que tenta se dar valor por meio de “se isso” e “se aquilo”. A obra de Salinger, tanto quanto a de Calvino, Dostoievsky, Saramago e vários outros grandes autores não é para estadunidenses, italianos, russos ou portugueses, mas para pessoas, seres humanos.

    • ewerton 29/01/2010 at 13:01

      Você fez um pequeno comentário,mas foi brilhante.

  • Rogério Moraes 29/01/2010 at 10:40

    Concordo com o Sidnei, lendo certas coisas dá vontade de rebater, mas é exatamente isso que querem. Então vou responder como merecem, ignorando. Lógico que o livro não tem o mesmo impacto social da época, mas literariamente continua intacto. E vale lembrar que Salinger não era apenas o Apanhador, seus demais livros são tão bons, se não melhores, que o mais famoso. Os grandes escritores que o admiravam diziam que a genialidade dele era fazer com que tudo que escrevia parecesse muito fácil. Ele não causa mais impacto fora de sua época, mas inexplicavelmente autores como Jonathan Lethem, Dave Eggers e Jonathan Safran Foer, todos bem jovens, se inspiram bastante nele. Há toda uma série de romances em débito com o Apanhador, como o ótimo Uma Casa no Fim do Mundo, do Michael Cunningham. O problema é de quem procura ler o livro hoje esperando revolução, quando deviam apenas ler um grande romance. Alguém citou o Pynchon, vale lembrar que uma das teorias sobre o silêncio do Salinger era de que Pynchon seria pseudônimo do Salinger.

  • Paulo Ilmar Kasmirski 29/01/2010 at 10:42

    “Os visitantes indesejáveis”

    Por este caminho, que a escrita nunca deixara de ser a arte da solução

    Isso e falta de assistência aos necessitados porque quem procura um lugar livre ou publico esta procurando suporte aonde tem, assim como faltou assistência para o meio ambiente

    No presente a natura vem detonando, ate a gente pelas enxurradas vindas morros abaixo

    Ainda muita gente diz, nos não temos nada haver com os problemas dos outros, e não e seu problema, e não e problema nosso agora e de quem

    Isso grudado por sugestão incorporou em nos de tal maneira, atestando que nos somos como um cardápio sugestivo como de um restaurante, ficamos iguais as pessoas do meio que vivemos

    “Os visitantes indesejáveis” no presente são-nos que invadimos o espaço da natura morro acima, que esta cobrando a conta com a revolta do clima quente que esta, e vem pela frente

    Estamos detonando tudo que e mais valioso essencial que sustenta nossas vidas pelo ar que respiramos que vem do clima da natureza, ainda assim estamos contaminando mais a cada dia, com as experiências testando as futuras armas de guerras que serão usadas contra nos mesmos destruindo duplamente

    As pessoas procuram soluções, ai é considerado indesejável visitante, ao visitar parentes amigos eventos convenções seminários palestras reuniões das comunidades tipo viva os centros de todas as cidades do mundo

    Ai as que são consideradas indesejáveis saiam frustradas acabam montando, as suas organizações por falta de organizações que vão viciando o vicio virando rotina que chegou ao fim

    Com a vinda do cheque mate em todas as coisas que vem para fazer o assentamento de todas as coisas indenizáveis

    Como diz um artista, a gente vota em burros, e fica duas vezes mais burros

  • Rafael 29/01/2010 at 10:43

    Eu gosto de assistir caverna do dragão. é tão legal

    • Rafael 29/01/2010 at 11:14

      Aquele ali, a quem o destino deu o mesmo nome que o meu, é a prova de que o antigo provérbio latino, nomen est omen, não passava de uma frase de efeito.
      Valete

  • rich 29/01/2010 at 10:51

    o apanhador é bom mas o mito criado em torno de sallinger é bem maior.

  • Eu 29/01/2010 at 11:32

    Para o Rafael

    Não, “amiguinho”, não precisa explicar “tudo”.
    Acho que o Sérgio Rodrigues, dizendo que o blog é agnóstico, dizendo que o blog é assim ou assado, fecha as portas para muitos.
    Não acho que seja indissociável o que o mundo chama de “religião” e a literatura. Veja bem, o que o mundo chama de “religião”. Não são farinhas do mesmo saco?

  • Elton 29/01/2010 at 11:34

    Li o apanhador quando era adolescente e não gostei. Do alto da minha rebeldia altamente politizada, o Holden Caulfield pareceu um piá de bosta, como dizem por aqui. Lembro que na mesma época li Outsiders – Vidas sem Rumo da Susan Hinton e esse sim me pegou.

    Preciso relê-los, talvez não agora.

  • Necão Castilhos 29/01/2010 at 11:44

    A ESTRANHA REGRESSÃO ATÁVICA QUE O LIVRO NOS
    REMETE , NOS DIAS DE HOJE… NOS PRESENTEIA ,COM UMA VISÃO MÁGICA DO UNIVERSO !

  • Necão Castilhos 29/01/2010 at 11:44

    A ESTRANHA REGRESSÃO ATÁVICA QUE O LIVRO NOS
    REMETE , NOS DIAS DE HOJE… NOS PRESENTEIA ,COM UMA VISÃO MÁGICA DO UNIVERSO !

  • Necão Castilhos 29/01/2010 at 11:44

    A ESTRANHA REGRESSÃO ATÁVICA QUE O LIVRO NOS
    REMETE , NOS DIAS DE HOJE… NOS PRESENTEIA ,COM UMA VISÃO MÁGICA DO UNIVERSO !

  • Necão Castilhos 29/01/2010 at 11:44

    A ESTRANHA REGRESSÃO ATÁVICA QUE O LIVRO NOS
    REMETE , NOS DIAS DE HOJE… NOS PRESENTEIA ,COM UMA VISÃO MÁGICA DO UNIVERSO !

  • Necão Castilhos 29/01/2010 at 11:44

    A ESTRANHA REGRESSÃO ATÁVICA QUE O LIVRO NOS
    REMETE , NOS DIAS DE HOJE… NOS PRESENTEIA ,COM UMA VISÃO MÁGICA DO UNIVERSO !

  • Necão Castilhos 29/01/2010 at 11:44

    A ESTRANHA REGRESSÃO ATÁVICA QUE O LIVRO NOS
    REMETE , NOS DIAS DE HOJE… NOS PRESENTEIA ,COM UMA VISÃO MÁGICA DO UNIVERSO !

  • edu 29/01/2010 at 12:11

    Olha, para quem nao leu a obra-prima de Salinger, um conselho, leia! E nao pq é melhor ou pior do que Dostoievski, Hesse … etc. etc. nao dá pra comparar. O que Salinger fez foi dar à lírica a simplicidade irresponsável do jovem. E, por sorte, ele o fez na pele de Holden, um jovem extremamente vivo e sagaz nas opinioes. Eu discordo que o livro tenha perdido impacto, acho que as pessoas que perderam a capacidade de se chocar. abs.

  • Rogério Moraes 29/01/2010 at 12:30

    A questão da perda do impacto é natural. Por exemplo, quem lê Pais e Filhos hoje não imagina como foi capaz de causar tamanha comoção na sociedade russa do século XIX. Mas nem por isso deixa de ser um grande romance. E todos aqueles livros censurados no século XX, como Ulisses, Trôpico de Câncer e O Amante de Lady Chatterley. Sou professor da rede pública e digo que em qualquer quinta série o nível dos diálogos entre os alunos deixaria esses autores escandalizados. Ano passado, finalmente li, após ter assistido o filme várias vezes, Laranja Mecânica. Um livro maravilhoso, um estranho romance de formação, mas que nem de perto me chocou, como fez em sua época. O que importa para mim é o texto literário, sem ficar esperando ser transposto para a mesma experiência de alguém que leu Crime e Castigo quando do seu lançamento. Aliás, cá pra nós, fica parecendo que o único papel do Dostoiévski na literatura é servir de arroto para quem deseja diminuir um outro autor. Prefiro admirá-lo por suas próprias qualidades. Mudando de assunto, pela natureza de alguns comentários, acho que o Chapman estava errado. Para entendermos certas coisas basta visitar a seção de comentários dos blogs.

    • Juvenal 29/01/2010 at 18:33

      ” Mudando de assunto, pela natureza de alguns comentários, acho que o Chapman estava errado. ”
      concordo plenamente!
      o alvo era a Yoko, sempre soube disso.

  • Tibor Moricz 29/01/2010 at 13:01

    Esse blog é laico.

  • Rosângela 29/01/2010 at 13:51

    Olha…. nem sei o que dizer… sinceramente… Não pelas palavras do Sérgio, mas muito mais pela surpresa em saber que realmente não existe liberdade de expressão no mundo.

    Claro que nossas falas são fruto de nossas leituras. os registros do quais me refiro são considerados a mais perfeita literatura.
    Posso ter extrapolado em meus pensamentos. Mas como penso estar em um local livre, pensei que no mínimo, pudessem me questionar, ou me repreender. O que me deixou um pouco desconfortável,é estar causando esta coisa que nada tem a ver com tudo o que desejo.

    Fico triste de saber que causei este momento. Se eu tivesse desconfiado que poderia viver um momento como este, não estaria aqui de jeito nenhum.

    Peço que desculpem-me, pois na verdade, o ser humano reflete o que lê, e minhas falas aqui são fruto de minhas reflexões. Como somos adultos, penso que temos liberdade de nos expressarmos.
    Todos somos seres espirituais antes de qualquer coisa, e refletimos o espiritual que somos.
    Sinceramente não me vejo como religiosa, muito pelo contrário. Sou Cristã assumida. Só isso.

    Não sabia que não deveria estar aqui. Ou que estando deveria me policiar.
    Se soubesse, não entraria aqui jamais.Na verdade, o que me chamou a atenção neste blog foi “A Palavra é”.

    Estou surpresa, mas não estou perplexa.

    Sinto muito não poder estar mais aqui, pois seu blog é muito bom.

    Que pena que muitos autores podem desfazer de Deus à vontade… mas muitos não podem mostrar “um outro lado”, NUNCA. NUNCA. NUNCA.

    Pedro Lyra escreveu -“Confronto- Um diálogo com Deus.”
    Fernando Py ao fazer crítica fez outro poema: “Questionar Deus?”

    Eu também fiz um: Questionar Fernando Py?

    Por que não podemos seguir este caminho?

    Deus está na Literatura. Jesus é a medida.

    Um abraço,
    Rosângela

    • Eu 29/01/2010 at 14:23

      Ih! Xi!
      O negócio degringolou de vez.
      Acho que vou voltar a dar razão ao Sérgio Rodrigues.
      É melhor que se fale somente de literatura mesmo, e nada mais.

    • Juvenal 29/01/2010 at 17:26

      O problema é que pegaram Jesus pra Cristo. Teria ele, realmente algo a ver com isto?
      Viu? Também sou poeta.

  • Rosângela 29/01/2010 at 14:28

    A palavra é “agnostos”, formada com o prefixo de privação (ou de negação) “a-” anteposto a “gnostos” (conhecimento). “Gnostos” provinha da raiz pré-histórica “gno-“,que se aplicava à idéia de “saber” e que está presente em numerosos vocábulos da língua portuguesa, tais como cognição, cognitivo, ignorar, conhecer, ignoto, ignorância, entre outros.

    • Eu 29/01/2010 at 14:36

      Xi! Ih!
      O Sérgio Rodrigues tem razão.
      Já basta, Rosângela.

  • Rosângela 29/01/2010 at 14:29

    Fim!

    • Eu 29/01/2010 at 14:49

      O que você acha, Rosângela?
      Será que o Salinger, agora, vai fazer uma “apanhação” nos campos do Senhor?

    • John Coltrane 29/01/2010 at 14:52

      Rosângela, você é a única pessoa que conheço que volta só pra dizer que não vai mais voltar. Genial.

    • Hefestus 29/01/2010 at 16:56

      Como diria o MEU tio gaúcho:

      “Olha, Rosângela, se é o meu tchau que te prende aqui…”

  • Miles in the Sky 29/01/2010 at 16:02

    acho que, infelizmente, continuam confundindo a idéia de rebeldia com a de destruição, baderna, niilismo ou qq coisa que seja deletéria.
    andei lendo outras matérias sobre o falecimento de salinger e acho absurdo que creditem, de forma ostensiva, à obra dele ele esse aspecto, como se ele tivesse a patente.
    desde sade até ziraldo (yeah!)…. qq um que escreva, escrve para sair do inferno(não o da bíblia, por favor), já dizia, quem mesmo? artaud, talvez, não importa.
    salve a rebeldia, a inadequação e a recusa aos valores podres, que, através de certos incubadores, continuam sendo transmitidos. salve a obra de salinger, não importa quem ele tenha sido, isso nunca saberemos. e talvez nem ele tenha descoberto.

    • Vlad 29/01/2010 at 16:24

      um salve para as lolitas, ora!

  • Mila 29/01/2010 at 16:33

    Já dizia Nelson Rodrigues: ” jovens, envelheçam”. Mas mantenham seus seios empinados e o bumbum durinho.

  • Juvenal 29/01/2010 at 16:43

    É por causa de comentários como esse que eu tomo pílulas para dormir.

  • Holden 29/01/2010 at 18:34

    Eu sou Holden Caulfield!!!

    • Mark Chapman 30/01/2010 at 16:59

      Mentira!
      EU sou Holden Caulfield!!!

  • PINGUIM 29/01/2010 at 22:09

    Salinger foi um baita escritor. E se gostava de escrever pra si mesmo, seu baú está lotado. Produzirá muito mais depois de morto. Say more glass…

  • A. Zarfeg 30/01/2010 at 07:25

    Sérgio, segue uma pequena homenagem que fiz ao Salinger:
    http://versoeprosa.ning.com/profiles/blogs/capitulo-27

  • João Daltro 30/01/2010 at 16:11

    Para quem gosta de vasculhar sebos, há uma edição da Brasiliense, da década de 80, das mesmas obras da edição da L&PM citada pelo Sérgio, só que com o título um pouco diferente: Pra cima com a viga, moçada / Seymour – uma introdução. É interessante verificar q

  • João Daltro 30/01/2010 at 16:19

    Fiz alguma besteira. Bem, continuando: é interessante verificar a diferença de estilo entre as duas histórias, que compartilham alguns personagens e foram publicadas com 4 anos de intervalo.

  • Holden 30/01/2010 at 16:47

    Li alguns comentários que considero lamentáveis. Que o livro tal tem ou não tem o poder de “chocar”. Que numa sala de aula atual, alguns autores, outrora ” chocantes” em sua abordagem, ficariam chocados com a abordagem ” xocante” dos alunos.
    ora, compreendo o emprego equivocado de algumas palavras, mas digo que se alguém quer ficar chocado mesmo, recomendo que largue agora mesmo qualquer livro que esteja lendo e vá ver filmes como Jogos Mortais ou O Albergue 2. Literatura é outra estória.

    • Rogério Moraes 30/01/2010 at 16:57

      Holden, sou da mesmo opinião que você. Talvez não tenha me explicado direito. Estava retomando o que falaram nos cometários do post. Muitos dizeram que o livro não causava mais impacto porque os jovens hoje consideram fichinha a rebeldia representada no Apanhador. Quando disse que um Henry Miller ficaria escandalizado, não estava sendo literal. Lógico que não ficaria. Só quis dizer que essa perda de impacto pode ser aplicada a praticamente todas as obras que um dia “chocaram” a sociedade e os leitores. Bem, talvez aquele sinal de ironia de fato devesse ser considerado. Principalmente para autores pouco talentosos como eu. Você se choca com filmes de terror? Eu costumo dar risada.

    • Rogério Moraes 30/01/2010 at 16:59

      dizeram = disseram

  • Holden 30/01/2010 at 17:18

    I see dead people…..
    Sem brincadeira, existe um conto, pelo menos que li e fiquei realmente chocado, na melhor( qual a melhor?) acepção da palavra: ” O Cobrador” do Rubem Fonseca. lembro que fiquei com mais vontade de vomitar do que depois de ter assistido a Pink Flamingos do John Waters…. ih este blog é sobre literatura, sorry.

  • Hugo Victor 30/01/2010 at 17:21

    Henry Miller faria loucuras com algumas tchutchucas….

    • Vlad 30/01/2010 at 17:31

      um salve para as lolitas, ora! como sempre.

  • Holden 30/01/2010 at 17:24

    lembro-me da cena inicial de O Matador do Almodóvar, é isso que eu faço com filmes de terror e atrocidades.

  • Juvenal 30/01/2010 at 17:49

    Meu psiquiatra já recomendou que eu pare de ler blogs. Agora ele aumentou a medicação.

  • Mila 30/01/2010 at 18:07

    Holden, eu vi o filme ao qual se refere. É isso que você faz com cenas de decaptação e mutilações?
    você é um sádico tarado ou quer apenas “chocar” com esses comentários descabidos. Aliás, não quero mais você falando de cinema aqui. Este é um espaço para o pensamento.

    • Juvenal 30/01/2010 at 18:10

      para o livre pensamento?

  • Rogério Moraes 30/01/2010 at 18:21

    Mas a violência narrada, de forma brilhante na minha opinião, em contos como O Cobrador e Feliz Ano Novo, hoje não está banalizada? Não são as mesmas histórias alardeadas com sensacionalismo pelos Datenas? O que fica é a qualidade literária, independente se o choque ou impacto são os mesmos. Tirando obras que lidam com temas ainda tabus, o choque parece não ocorrer mais. Qual os últimos livros polêmicos que tivemos? Submundo? O Teatro de Sabbath? Sábado? Os Detetives Selvagens? Vida Vadia? Nenhum deles. Todos grandes romances, que foram ou são discutidos entre os seus leitores. Mas as últimas que causaram comoção foram O Côdigo Da Vinci e Harry Potter. Ou seja, pelos religiosos. Pessoas que provavelmente nem leram os livros. Quando um escritor “mais sério” se vê em alguma polêmica por conta de uma obra, pode ter certeza que é motivado por isso. É o caso de Rushdie e Saramago. Quantas das pessoas que acusaram o Salman de fato leram Os Versos Satânicos? Se tivessem lido, veriam que o livro era uma sátira do realismo mágico. Elas compravam o livro para queimar logo em seguida. O Hanif Kureishi escreveu um ótimo romance sobre o assunto, O Álbum Negro. Outra coisa, uma obra perder ou não o impacto também é algo a se pensar, uma vez que cada experiência de leitura é individual, única mesmo. Aquilo que a um parece não causar mais estranhamento, pode ser percebido de outra maneira por outro leitor.

  • Rogério Moraes 30/01/2010 at 18:22

    Um livro com “possiblidade de choque”: O Jardim de Cimento, primeiro romance do McEwan.

  • Holden 30/01/2010 at 18:44

    Sim, Rogério.
    Concordo com o que você diz sobre a qualidade literária. Até porque sem a qualidade, o brilhantismo narrativo, os contos do Fonseca virariam piadas de mau gosto, porque o plot de ” O Cobrador” é o mesmo de um filme B de Charles Bronson. Agora, a reacão ao texto, na minha opinião é, como vc bem colocou no final de seu texto, subordinada à subjetividade do leitor, a forma com a qual ele lida com racional via emocional.
    Uma questão: a violência não se banaliza por si só. Ela é banalizada através de nossos sentidos. Uma espécie de tolerância, a mesma que se adquire à certas drogas de efeito prolongado. Nós somos os agentes dessa banalização. E como você mesmo diz, isso nada tem a ver com a qualidade da obra e do autor.
    Um amigo meu disse que dava gargalhadas lendo O Cobrador. É disso, afinal, que estamos falando. O problema é que quando se instala o Terror dentro da realidade, ” Laranja Mecânica” vira sessão da tarde. ai, a quaestão religiosa ér outro terror….

  • Holden 30/01/2010 at 18:48

    Vou procurar os livros que você citou.

    • Rogério Moraes 30/01/2010 at 19:13

      Sim, nós somos agentes da banalização mesmo. O diferencial da literatura é a capacidade que tem de oferecer novos pontos de vista que nos tiram dessa maneira automática de perceber as coisas. A primeira fase do McEwan, quando ele era chamado de McAbro, causa bastante desconforto. A literatura contemporânea ainda consegue me impactar. Autores como McEwan, Roth, Coetzee, Gonçalo Tavares, para citar alguns. Mas vejo que hoje em dia as pessoas andam meio anestesiadas.

  • Holden 30/01/2010 at 18:54

    ” the terror, the terror….”

  • Manoel Almeida 30/01/2010 at 22:21

    O Aapanhador é um livro datado… Difícil lê-lo agora e acha-lo realmente impactante. Isso, por si só, o torna menor, se comparado a outros livros que não envelheceram (e não são poucos).

    Do que li de Salinger, achei que “pra cima com a viga, moçada”, mais interessante. Mas não consigo trata-lo com clássico.

  • Mr. WRITER 01/02/2010 at 20:19

    Vou dar uma pedra para cada um de vocês… podem uasar como pedra mesmo e se tacarem-nas, ou usar como substituto para o IPad…

  • will 07/02/2010 at 15:47

    um bando de pseudo intelectuais e se muito, escritores de quinta, querendo falar mal de um cara que se tornou lenda na literatura…

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