Link para o ‘Link’

11/08/2008

O caderno de informática do “Estadão”, o Link, traz hoje, em quatro páginas, a mais completa e arejada reportagem que já vi na imprensa brasileira sobre todas as questões que envolvem o livro na era digital, assinada por Bruno Galo.

15 Comments

  • C. S. Soares 11/08/2008 at 17:11

    Sabe, Sérgio, estou relendo (motivos profissionais e associados ao tema deste seu post) o Livro por vir, de Maurice Blanchot.

    Lá, ele compara o romance ao canto das sereias, que no seu entender, anteciparia um “Canto” ainda por vir.

    Morreriam os “homens do mar” (navegadores) por concluirem erroneamente que o canto das sereias seria um canto além ou aquém daquele verdadeiro.

    Pois bem, considero que os e-books são como cantos de sereia, nos afastando desse “Livro por Vir”.

    O paradigma das páginas é (cada vez mais tenho essa certeza) prejudicial para a web.

    Em breve, antecipo, o Pontolit entra em sua fase 2.0 e lá procuraremos mostrar algumas idéias de como esse integração de tecnologia com o texto (e deste com o meta-texto e outras mídias) pode gerar uma experiência de interatividade melhorada.

    Livro, na web, é serviço. Serviço é (peo menos devia ser) personalizado.

    Se tivesse que apostar em um modelo, chutaria o modelo dos content managers. Casa escritor será autor e publisher (como já antecipa os blogs). Os editores que conhecemos assumirão outros papéis, agregando valor ao processo e não servindo apenas de “filtro”.

    Os livros e as histórias também serão mais “personalizados”.

  • C. S. Soares 11/08/2008 at 17:12

    Casa escritor = cada escritor

  • Leonardo, Pirituba 11/08/2008 at 17:24

    Mas não está ocorrendo uma feira envolvendo o site Cronópios no SESC/SP? Parece-me que o pessoal do Cronópios está fazendo o mesmo trabalho que o Gallo, só que em vez de publicar em texto realziam um evento de uma semana sobre isso.

  • C. S. Soares 11/08/2008 at 17:30

    Quanto mais pessoas discutindo o assunto, trazendo idéias, melhor, não Leo?

  • Rafael 11/08/2008 at 17:45

    Querem saber mais sobre o futuro do livro?

    Perguntem à Mãe Dinah ou ao Walter Mercado.

  • C. S. Soares 11/08/2008 at 17:59

    O futuro do livro, Rafael, é ser um livro. Aliás, repito, livros (os de papel) são dispositivos de armazenamento de dados. Hoje, temos uma alternativa interessante nos browsers (clientes universais de acesso à web e outros protocolos da internet). Os dados (o conteúdo) vem de diversos servidores. Mas, esse dado pode ser processado, gerando novos conteúdos ou informações a partir dos dados “brutos”. Pergunto então: o que é um livro? Conteúdo, formato ou os dois? Ou ainda algo que advém dos anteriores?

  • Eric Novello 11/08/2008 at 18:29

    O engraçado é que nenhuma editora acha que está na hora do e-book. Uma delas, curiosamente, vive de reciclar velhos títulos eternamente e lançar um estrangeiro aqui e ali para arejar os bolsos, então não me espanta a estranheza com a modernidade. Viva as palavras cruzadas!
    Sei que baixei dos e-zines de literatura fantástica muito bons recentemente e preparei mini-livro (40 contos) para disponibilizar como pdf. Feliz da vida.

  • joao gomes 12/08/2008 at 08:44

    Concordo com o Eric. Se as editoras continuarem com essa “estratégia” sofrerao sim como já aconteceu com a industria fonografica. Precisam de uma visao holistica. É hora de convergencia, inovacao, talvez até integracao (midiática). Precisam conhecer/contemplar a a história da ciencia e tecnologia dos ultimos cem anos. Observemo rádio. Ele sumiu?! Não está vivo. Vivissimo! Voce encontra ele até nos celulares! Era aquele movel grande no centro da sala lá pelos idos dos anos 30/40. Era o rei dos meios de comunicacao de massa. …talvez até ganhasse do jornal. Hoje ele esta integrado até a Web.

  • Pedro Lobato 12/08/2008 at 09:29

    O livro de papel impresso chega num impasse, sim, mas nunca a literatura. As tecnologias oferecem novas formas de fazer livro, que são muito promissoras. O único medinho que dá, eu como escritor tb, é dessa história do personalizado acabar virando como está com a música das grandes gravadoras, ou como as novelas: o criador vira escravo do seu público, tem que dar o que o público quer. E literatura pra mim não é isso. Claro que tem de existir a simbiose entre os leitores e o livro, e entre o escritor e o mundo, mas sem os padrões mercantilistas de agradar os outros. Senão, aí sim, é o fim da poesia.

  • C. S. Soares 12/08/2008 at 09:29

    A questão da tecnologia, amplamente discutida lá fora, parece ainda não estar na pauta dos editores nacionais.
    O que é preocupante (principalmente para a sobrevivência deles).

    Já escutei de alguns importantes editores nacionais sobre suas preocupações com a intermediação de empresas de tecnologia no acesso ao livro (ou e-livro) pelo leitor.

    Mas sabemos que diversos livros são diariamente digitalizados, traduzidos e colocados na rede, voluntariamente, por simples mortais. E são milhares, organizados em diversos movimentos.

    Eu mesmo já entrevistei um grupo desses e a entrevista foi parar no site do MinC.

    Processos de digitalização de conteúdos ainda são visto com preocupação por nosso mercado. Mas, penso, isso representa o zeitgeist, daqui para frente, teremos que aprender a conviver com esse modelo.

    Editores, claro, podem (e devem) agregar valor ao processo de edição e distribuição de livros (em quaisquer formatos, pois seu modelo negócio não está restrito a livros de papel, ou seja, não está restrito a um produto, mas a um serviço especializado).

    Ora, as empresas de tecnologia não são editoras. O próprio mercado de TI passa por grande mudanças. Mal comparando, veja esse breve resumo da indústria: a IBM reinou nos primórdios focando seu modelo no hardware, desde o século XIX, ainda CTR, com Hollerith. A Microsoft , um modelo século XX, a “desbancou” focando em software. Agora, surge o Google, e o software agora não é mais vendido em caixinhas (modelo Microsoftiano) e sim está na web (Google Docs, por ex.), acessado por um URL.

    Outro aspecto importante, mudança de paradigma mesmo, é o desenvolvimento de software (logo, serão livros) colaborativamente, pelo modelo open source/free software. Ainda é insipiente, mas logo, acreditem, esse movimento crescerá em relação à criação artística. O Creative Commons é um caminho.

    Os livros também devem “acessados” pela web. Dispositivos móveis como palm, celulares, blackberries, iphones, kindle, devem ajudar a disseminar o modelo.

    Mas isso não basta. Precisamos focar — vejam o Google e a Amazon (e, creiam, IBM e Microsoft, pois reinventar-se é preciso) — em serviços.

  • Pandora 12/08/2008 at 15:20

    Pessoalmente, prefiro ler no monitor. Estou perdendo o hábito do contato com o papel.

    Odeio os audiolivros. No entanto, trabalho com deficientes visuais e realmente existe muita limitação neste formato. Como voluntária (ou quase), já participei de leitura e gravação de obras de domínio público. É interessante como você coloca um pouco da sua própria personalidade na leitura…
    Bem, continuo odiando os audiobooks, mas, ajudou no trabalho de alguns amigos, então valeu a pena.

  • Pedro 12/08/2008 at 19:14

    Puxa, já eu acho que o principal impedimento para a leituras longas no computador é essa luz do monitor. A esperança é o Pontolit, aquele esquema dos micropontinhos que formam as letras numa espécie de papel eletrônico. Não emite luz… só não permite cores (ainda?)

  • Pedro 12/08/2008 at 19:17

    ops, confundi as bolas, pontolit é outra coisa… o que eu quis dizer é o “kindle”…

  • Isa 13/08/2008 at 09:17

    O livro de papel vai sobreviver como as cartas… para os excessivamente românticos.
    Quando o computador comeõu a se tornar corriqueiro na casa das pessoas, muita gente reclamava da impessoalidade do e-mail. Que não tinha graça aquela caixa de mensagens virtuais, que não se podia abrir o envelope, ver a letra da pessoa e a assinatura, que era uma tecnologia prática, mas fria.
    Hoje em dia todo mundo se rendeu ao email.
    Com a música foi a mesma coisa. Ainda existem os que defendem o CD (e até o vinil) dizendo que não há nada como comprar na loja, tirar o plástico de proteção, folhear o encarte. Mas muita gente já se rendeu ao iTunes e lojas virtuais similares.
    No mundo corrido, a praticidade ganha.
    Eu particularmente já me rendi ao e-book, e só não tenho o Kindle porque, pelo que entendi, ele só aceita livros comprados pelo próprio site da amazon, em formato padrão (olha o monopólio).
    Tenho vários livros clássicos no meu notebook, de domínio público, que me custariam um valor inviável para comprá-los todos ou muito tempo perdido numa biblioteca longe de casa. Sem contar a comodidade de estar lendo, abrir uma nova pagina e procurar uma palavra no dicionario eletrônico, uma imagem de um quadro ou rosto de alguém citado no livro… As possibilidades são infinitas.
    Quando um leitor de e-book tiver recursos similares, comprarei sim, por enquanto me viro no notebook mesmo, lendo vários livros ao mesmo tempo, dependendo da vontade do dia, sem ter uma estante abarrotada. E pra quem acha que as pessoas nunca vão se acostumar… acostuma rapidinho, viu.
    Quem é mais jovem já está tão acostumado a fazer pesquisa na internet, ler noticias em jornais eletrônicos… a nova geração já não se sente mais tão ligada aos livros de papel como as anteriores (de onde eu também faço parte, pois ganhei meu primeiro computador já na faculdade).

  • Eliezete De Luna Freire 13/08/2008 at 09:29

    Será romantismo da minha parte? Mas acredito que os apaixonados por livros têm uma relação muito mais profunda que possa ser suplantada por qqr. nova tecnologia pra se ler. Além, lógico, do prazer da leitura em sí, existe aquela sensação lúdica de sentir o cheiro do papel, a sensação do toque às páginas viradas, a cor. O ritual do marcador de papel, de carregar o livro pra qualquer lugar… Pura magia.
    Quanto à nova geração, acostumada a procurar resumos de livros pela internet… pode ser!

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