Literatura brasileira com merchandising

10/03/2009

“Fui dar em Budapeste graças a um pouso imprevisto, quando voava de Istambul a Frankfurt, com conexão para o Rio, mas a impecável companhia aérea, além de não ter culpa pelo transtorno, ainda nos hospedou em um hotel de primeira qualidade no aeroporto aquela noite – grande Lufthansa.”

***

“– Nonada. Tiros que o senhor ouviu foram de briga de homem não, Deus esteja. Alvejei mira em árvores no quintal, no baixo do córrego. Por meu acerto. Todo dia isso faço, gosto; desde mal em minha mocidade. Mas só comecei a acertar mesmo quando troquei o velho trabuco por esta Taurus aqui, arma de grande maravilha. O senhor espie. Ahã.”

***

“Quando Ismália enlouqueceu,
Pôs-se na torre a sonhar…
Viu uma lua no céu
Viu outra lua no mar.

O doutor que a atendeu
Não tardou a receitar
Óc’los da Ótica Fiel
Pra vista dupla acabar.”

***

“Não tive filhos, não transmiti a nenhuma criatura o legado da nossa miséria. Se os tivesse, não hesitaria em escolher o conforto e a segurança da Maternidade Nossa Senhora do Bom Parto, que tem convênio com todos os planos de saúde.”

Publicado em 26/6/2006. Republicado a pedidos.

32 Comments

  • Demofilo 10/03/2009 at 17:01

    Oi Sergio, um comentário nada a ver… Espero ler aqui sua resenha do novo livro do Bernardo Carvalho… Será o livro nacional do ano? Não, eu não sou fã inveterado do Carvalho, longe disso… rsrs! Somente gosto de ler suas opiniões sobre livros. E um livro novo de um dos talvez 5 escritores mais bem conceituados da nossa literatura não deixa de ser um acontecimento, certo? Um abraço.

  • kylderi 10/03/2009 at 17:33

    Oi,

    Se eu tiver comentado esse sobreescrito na primeira vez, possivelmente eu escrevi que ele é um excelente exercício de paródia. (Chico, Rosa, , Machado – quem é o terceiro? Bandeira? Não pego nada de poesia para ler.)

  • Rafael 10/03/2009 at 17:45

    O terceiro é Alphonsus de Guimarães, um simbolista tardio citado nos manuais de literatura. Sua poesia é sonora e evocativa à maneira de Verlaine; e rasa como uma poça d’água.

  • kylderi 10/03/2009 at 17:49

    Obrigado, Rafael.

  • Sérgio Rodrigues 10/03/2009 at 18:43

    Cuidado, Kylderi. Convém ler Alphonsus de Guimaraens, um ótimo poeta, antes de aceitar o juízo raso do Rafael.

  • kylderi 10/03/2009 at 19:09

    Oi, Sérgio

    Assisti a você ontem, na reprise do Manhattan Connection. Você estava ao lado do Diogo Mainardi (a quem aludi num sobreescrito) e do Ricardo Amorim. Realmente o Mainardi tem bons conhecimentos sobre Literatura ou é apenas esnobe? Pretendo ler “Elza “. Creio que Caio Blinder seja quem mais mereça atenção naquele programa. Bem, você é quem deveria passar as impressões, não eu, um telespectador.

  • Lya Tapajós 10/03/2009 at 19:53

    Ôpa, Kylderi, concordo entusiasticamente com o Sérgio em relação à leitura que você poderá fazer de Alphonsus de Guimaraens. E, olhe, se você quiser ler apenas “Ismália”, veja a ediçãozinha primorosa que a Cosac Naify fez do poema. Isso, só desse poema: um livrinho minúsculo que é um luxo, ilustração magnífica. E aí, se te interessar, você pode ler mais. Abraço pra você e pro Sérgio.

  • Daniel Brazil 10/03/2009 at 23:00

    Fecho com a Lya e o Sérgio. A “Ismália” tem uma graça única, original. Não à toa, é um poema clássico da literatura brasileira.

  • Pedro David 10/03/2009 at 23:06

    Merchandising com tradução adaptada…

    Muitos anos depois, diante do pelotão de fuzilamento, o coronel Aureliano Buendía haveria de recordar aquela tarde remota em que seu pai o levou a conhecer o gelo. Por aquele tempo, a American Fruit, que no Brasil atendia pelo nome de Kibon, começava instalar seus primeiros frigoríficos no pais, e mal sabia que se tornaria uma das maiores empresas do mundo.

    Marketing político

    “Era uma noite fria de lua cheia. As estrelas cintilavam sobre a cidade de Santa Fé, que de tão quieta e deserta parecia um cemitério abandonado. Foi esta mesma cidade que décadas depois o prefeito Rodrigo Cambará ajudaria a modernizar, trazendo a estrada de ferro e os benefícios da iluminação a gás.”

    Divertida a brincadeira. Pena que não conheço marcas de espelho, senão seria interessante: “Devo a conjunção de um espelho x e uma de uma enciclopédia…”

    ABS a todos…

  • kylderi 11/03/2009 at 00:14

    Obrigado pela atenção, Lya T.

  • Sérgio Rodrigues 11/03/2009 at 00:38

    Kylderi: não tenho muitas informações de bastidores. Fui apresentado ao Diogo poucos minutos antes de entrar no estúdio. É um sujeito extremamente cordato. A formação atual do Manhattan Connection me parece estar encontrando seu melhor ajuste de umas semanas para cá.

    Pedro: é isso aí, o espírito é esse. Dá para ir bem longe na brincadeira.

    Abraços a todos.

  • Hiago Rodrigues Reis de Queirós 11/03/2009 at 06:13

    Muitos escritores citam marcas, instituições e outras ‘coisas’ existentes na vida real para dar um ar de comundidade ao referido, como que para fazer o leitor se relacionar melhor com os cenários e o sentido do que ele quer apontar.

    Mas… ou: porém: acho que no meu próximo romance, irei, antes mesmo de pensar na história, recolher alguns nomes… de patrocinadores! Assim, tudo terá um nome, economizarei com isso até na criatividade e nos trocadilhos, e ninguém me processará (se é que dá processo) por eu usar o nome destas marcas. Que Tal?

  • Ernani Ssó 11/03/2009 at 09:00

    “Quando certa manhã Gregor Sansa acordou de sonhos intranquilos, encontrou-se em sua cama metamorfoseado num inseto monstruoso. Estava deitado sobre suas costas duras como couraça e, ao levantar um pouco a cabeça, viu o pai entrar no quarto com o SBP. Suas inúmeras pernas, lastimavelmente finas em comparação com o volume do resto do corpo, tremeram desamparadas. Em sua agonia, ainda ouviu o pai dizer com a dureza habitual: ‘Hasta la vista, baby!”

    Ernani Ssó

  • Claudio Soares 11/03/2009 at 10:33

    Lá pelo meio de As intermitências da morte, do Saramago, encontramos:

    “tenho ouvido dizer que é o que há de mais higiénico, que não deixa cair borrões nem mancha os dedos, alem disso é rápido, no mesmo instante em que a pessoa abre o Outlook Express da Microsoft já está filada.”

    E, creiam, não é brincadeira minha. Está realmente lá.

    A partir do momento que o livro torna-se cada vez mais eletrônico, e os anúncios se estabilizam como um modelo de negócios robusto para manter financeiramente os sites mais populares, a brincadeira ora proposta pelo Sérgio pode ter algo de premonitório…

    ***

    Em tempo: no NYT, semana passada, uma matéria muito interessante sobre aquele anúncio do Google Settlement [comentado aqui, há algumas semanas]. Foram veiculados até agora mais de 200 anúncios em mais de 70 idiomas…

    Aos interessados, basta buscar no site do NYT pelo artigo “A Google Search of a Distinctly Retro Kind”.

    ***

    Se Sérgio me permitir, faço um pequeno “anúncio”: esta semana, estreamos uma coluna no portal de tecnologia iMasters, do UOL, onde discutiremos o impacto da tecnologia sobre os processos de e-publishing, e-reading e e-writing.

    O primeiro artigo [na verdade, uma entrevista, publicada recentemente no JB] é sobre o crescimento do mercado de eBooks nos EUA. Conversamos com Mark Coker, da Smashwords [uma editora de Silicon Valley]. Mais no iMasters, em //imasters.uol.com.br/artigo/11792/webwriting/novas_escritas_para_a_historia_dos_e-books/.

    Abs,

  • Rafael 11/03/2009 at 12:39

    Tudo bem, confesso minha má vontade com Alphonsus de Guimaraens (usando ortografia antiga, Sérgio?). É que eu tive um professor de literatura, pessoa com um péssimo gosto estético, um homem pedante e maçante, que amava a poesia desse simbolista e do parnasiano Vicente de Carvalho (aquele do famoso verso que diz que a felicidade existe, mas nunca a pomos onde estamos). Todas as aulas, ele religiosamente recitava, em voz alta e com a mão direita sobre o peito, como quem canta o hino nacional, Ismália, a mulher que enlouqueceu e se pôs na torre a sonhar, que via a lua no céu e seu reflexo no mar, etc. Ouvir isso, uma vez por semana, ao longo de três anos exige nervos de aço; ouvir isso e, ao mesmo tempo, assistir à performance teatral do professor (pois ele dramatizava a récita) é intolerável e conduz qualquer um à demência.

    Ainda bem que a Ismália morre afogada ao final do poema.

  • Mr. WRITER 11/03/2009 at 15:12

    Legal como era legal na primeira vez.
    Um que faz um merchandising lavado em livros é William Gibson. A trilogia do Sprawl é um pequeno desfile de marcas: Monitores Sony, Helicópteros da Honda, decks de navegação Hosaka, entre outras.

  • Tibor Moricz 11/03/2009 at 18:30

    Mr. WRITER
    Fico me perguntando quem se esconde por trás desse codinome… acredito que é um dos únicos aqui que faz referências bastante constantes de FC.
    Um cara que lê William Gibson, P.K. Dick, Ursula K. LeGuin, Orson Scott Card, Isaac Asimov, Ray Bradbury, Arthur Clarke, George Orwell, Stanislaw Lem, Robert A. Heinlein, David Brin, Neal Stephenson, China Miéville, Dan Simmons, Bruce Sterling… ufa! Nem sei se leu todos esses, mas a probabilidade é grande. Quem é você, Mr. Writer?

  • Claudio Soares 11/03/2009 at 18:31

    Da próxima vez, Rafael, acrescente ao seu post: “Contém Spoiler” :) Mas, confesso que adorava Ismália [cheguei a musicar o poema na minha adolescência]. E Vicente de Carvalho, o poeta do mar, Rafael, também foi simbolista, além de emprestar seu nome a um bairro do subúrbio carioca – http://ow.ly/PoJ

    Abs,

  • Felipe Ianelli 12/03/2009 at 03:54

    Vocês aí que massacraram o coitado Hiago no post passado, já viram o post: DESISTI DE SER ESCRITOR?

    Clicando no meu nome vocês podem ler… ficou bem interessante…

    Quanto a este post… concordo com o Rafael… o Alphonsus de Guimarães é muito transitivo, embora tenha algumas qualidades… como: quais são mesmo?

  • Rafael 12/03/2009 at 09:22

    Hiago, quer dizer, Felipe, essas reticências não enganam ninguém…

  • Felipe Ianelli 12/03/2009 at 09:49

    Que engraçado, pensei que você era quem era outra pessoa fingida de Rafael, pois vejo-o muito aqui. Parece que é muito amigo do Sérgio.

    Sou Felipe sim. Felipe Ianelli. RG: 46.631.175-8

    Sou editor da WIKipédia, veja: http://pt.wikipedia.org/wiki/Usu%C3%A1rio:Wikicorretor

    Tenho orkut também, se quiser me add. é só procurar.

    Um abraço Rafael (…) se cuida (…) e vê se pára de fabular contra o Hiago(…) não sei se você assim faria se fosse uma pessoa, com nome e sobrenome.

  • Tibor Moricz 12/03/2009 at 10:24

    Talvez seja um alterego do Hiago….

  • Adriano Mandrim 12/03/2009 at 10:28

    (…) essa é boa! O prof. Ianelli é o Hiago, gente!… bem que eu suspeitei da sua voz no telefone… mas e aí, Rafael, me diz: (…) se eu usar tantas reticênias assim: (…) você vai me chamar de Hiago R.R. de Queirós também? (…)

    (…) é bem capaz, por que não? Muito prazer, Rafael, que é a segunda maior voz deste blog (vi as outras postagens e você só perde pro Sérgio) (…) Sou Adriano Mandrim, um dos editores do Arte Que Acontece (clica no meu nome) (…) já ouviu falar? (…) Ah não(…) você estava muito ocupado no blog do Sérgio (…) aliás: (…) cuidado Sérgio, desse jeito o Rafael deve ser daqueles fanáticos(…)

    Ah (…) entre no Arte, e veja uma notícia sobre o Hiago (…) daí você poderá dizer que é conspiração (…) ou que todos nós somos ele (…)

    Já leu algum livro dele? (…) acho que não, né?

    Um abraço professor Felipe! Boa sorte na Wiki desta vez.

  • Miriam Li 12/03/2009 at 10:44

    (…) que legal (…) eu também quero ser o Hiago, posso? (…) Faço parte desta conspiração também porque no meu Blog tem um link do Hiago (…) somos todos ele (…) quem sabe você: Rafael, não é ele, que está aí pra fazer a gente ficar falando dele aqui no blog do Sérgio

  • Rafael 12/03/2009 at 12:34

    Prof. Ianelli, grande mestre da língua portuguesa, pena que eu não tenha me cadastrado no orkut, senão, com certeza, add-lo-ia.

    São professores assim que me tranquilizam quanto ao futuro da inculta e bela.

  • Mr. WRITER 12/03/2009 at 14:16

    Deus me livre de transformarem esse Hiago em outro Bemveja…

    Daí a transformarem outro comentarista em temática de todos os posts é pedir pra estragar o blog.
    Sinceramente não venho aqui para saber quem é cada um de vocês.
    Por que não trocam email, msn, orkut, CEP, números telefônicos e afins para baterem essas papos completamente desinteressantes?

    Para mim e, acredito, para muitos outros, pouco importa saber quem é Hiago, Felipe, Pedrinho, Joãozinho, Batman, Robim e derivados…

    Se for pra usar a caixa de comentários para debater quem é cada um de nós que aqui comenta, sugiro ao Sérgio cobrar a venda dessas informações para a quem possa ser de interesse.

  • Hiago Rodrigues Reis de Queirós 12/03/2009 at 16:50

    Concordo plenamente com o Mr. Writer! Eu entro aqui pra comentar os posts do Sérgio… mas sempre tem um Rafaelzinho pra ficar me atacando, como se eu não tivesse o direito das minhas opiniões.

    Não é legal ficar comentando comentaristas se for para desviar o foco do post e com isso de todo o blog. Comenta sim, mas só se for para espandir o assunto do post e não para ofuscar.

    Se for assim, prefiro então inventar um nome qualquer, ou se não nem opinar.

    Tudo por causa destas infantilidades.

    Miriam: não sabia que você gostava do Sérgio, que legal. Dê uma olhada nos posts antigos, voc~e vai gostar.

    Olá Ianelli, obrigado pelo comentário sobre meu post, mas o seucomentário la no meu blog não está.

    Adriano: o jornalismo “tenta ser imparcial” portanto, pode deixar… eu sei me defender. Obrigado por fazer parte dessa tal conspiração (…)

  • Hiago Rodrigues Reis de Queirós 12/03/2009 at 16:59

    e… o que tem de mais, senhor Rafael, se espandir for com X? O post é que pede comentários.

  • Rafael 12/03/2009 at 17:41

    Bem, meu caro Hiago… Se você realmente acredita que o intercâmbio de ideias e a troca de impressões se enriquecerão enormemente com o estreitamento das discussões, quem sou eu para contrariar juízo tão sensato e prudente?

  • Literatura Portuguesa 01/04/2009 at 09:36

    Será que a Literatura Portuguesa anda aqui?

  • Miriam Li 16/06/2009 at 06:13

    O que acontece aqui????
    Eu NAO FIZ este comentário
    NÃO PONHAM MEU NOME EM CONFUSÃO.. QUEM COMENTOU USANDO MEU E-MAIL?
    Eu não sei do que estão falando aquiiiiiiii.. porque nao li e nem vou ler … só vim conferir o link.. estou indignada e peço que nao se dirijam a mim… porque nao gostarão do que ouvirão!!!
    Miriam Lima

    “# 12/03/2009 – 10:44 Enviado por: Miriam Li

    (…) que legal (…) eu também quero ser o Hiago, posso? (…) Faço parte desta conspiração também porque no meu Blog tem um link do Hiago (…) somos todos ele (…) quem sabe você: Rafael, não é ele, que está aí pra fazer a gente ficar falando dele aqui no blog do Sérgio”

    soube .. no ferramentas google para webmasters..pesquisa links externos para meu blog..

  • Hiago Rodrigues Reis de Queirós 17/06/2009 at 01:35

    Eu também não sei o que é isso, Miriam… certamente é “alguém” que está querendo me desmoralizar…

Social media & sharing icons powered by UltimatelySocial