Literatura brasileira com merchandising (II)

11/03/2009

“Das mais surpreendentes
é a vida de tal faca:
faca, ou qualquer metáfora,
pode ser cultivada.

E mais surpreendente
ainda é sua cultura:
medra não do que come
porém do que jejua.

Podes abandoná-la,
essa faca intestina:
jamais a encontrarás
melhor que Tramontina.”

***

“Aos 16 anos matei meu professor de lógica. Invocando a legítima defesa – e qual defesa seria mais legítima? – logrei ser absolvido por cinco votos contra dois, e fui morar sob uma ponte do Sena, embora nunca tenha estado em Paris. Mas um dia hei de ir – nas asas da Air France, ça va sans dire!

***

“Na planície avermelhada os juazeiros alargavam duas manchas verdes. Os infelizes tinham caminhado o dia inteiro, estavam cansados e famintos. Ordinariamente andavam pouco, mas como haviam repousado bastante na areia do rio seco, a viagem progredira bem três léguas. Fazia horas que procuravam uma sombra. A folhagem dos juazeiros apareceu longe, através dos galhos pelados da catinga rala. Ao pé deles, degustaram com delícia sua cota de Maxi Goiabinha.”

***

“Ai de ti, Copacabana, porque a ti chamaram Princesa do Mar, e cingiram tua fronte com uma coroa de mentiras; e deste risadas ébrias e vãs no seio da noite – belo seio! – a caminho da Barbarella, ali na Viveiros de Castro.”

***

“E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama

Eu possa me dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja de Zippo enquanto dure.”

Publicado em 9/8/2007. Republicado a pedidos.

8 Comments

  • pedro david 11/03/2009 at 18:26

    “Hoje, nesta ilha, aconteceu um milagre: o verão se adiantou. Trouxe a cama para perto da piscina e tomei banho até bem mais tarde. Era impossível dormir. Desejei por toda a noite o conforto de um ar condicionado Springer”.

    “Azul
    era o gato
    azul
    era o galo
    azul
    o cavalo
    azul
    teu cu

    tua gengiva igual a tua bocetinha que parecia sorrir entre as folhas de banana entre os cheiros de flor e bosta aberta como uma boca do corpo ( sorte ter comigo preservativos Jontex ) “

  • Tibor Moricz 11/03/2009 at 18:32

    Que merda é essa? rsrs

  • Rafael 12/03/2009 at 09:07

    O primeiro texto é uma paródia do Sydnei Sheldom e o segundo foi retirado da cartilha Caminho Suave.

  • Pedro David 12/03/2009 at 10:51

    O primeiro texto é o início de “A invenção de Morel”, de Adolfo Bioy Casares; o segundo são os versos mais conhecidos do Poema Sujo, de Fererira Gullar. Já o comentário acima é uma paródia de ignorância retirada da cartilha de estupidez do Rafael.

    ABS

  • Rafael 12/03/2009 at 11:15

    Que posso dizer senão repetir Horácio na sua Arte Poética?

    “Quandoque bonus dormitat Homerus” – também o bom Homero cochila.

    Mas que a poesia concreta foi um efeito colateral da popularização do método de alfabetização desenvolvida pela pedagoga Branca Alves de Lima, não tenho a menor dúvida.

  • maria 12/03/2009 at 18:41

    No meio do caminho tinha uma pedra

    tinha uma pedra no meio do caminho

    tinha uma pedra

    no meio do caminho tinha uma pedra.

    Ainda bem que eu estava usando os meus sapatos Di Polini …

  • Daniel Brazil 12/03/2009 at 22:16

    Eis como uma boa piada vai se enfraquecendo e perdendo o sentido…
    Bioy Casares é literatura brasileira? Os versos mais conhecidos do Poema Sujo não são aqueles cantados pelo Milton Nascimento?
    Houve uma perda no meio do caminho…

  • Colafina 13/03/2009 at 00:13

    Tirou do bolso da camisa um toco de fumo em rolo embrulhado em saco plástico, e da cinta um canivete Tramontina com um lado do cabo já sem a baquelita imitando marfim…

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