Lobby

24/01/2009

Não vai ser fácil. O lobby que o presidente americano Barack Obama atacou em uma de suas primeiras medidas depois de ser empossado, numa tentativa de estabelecer um novo pacto de transparência na administração pública, é uma tradição política americana – e provavelmente universal, embora a palavra que a designa tenha surgido em Washington – que, se acreditarmos que as coisas só passam a ter existência plena quando são nomeadas, tem exatamente dois séculos de idade. Para quem acha que a realidade precede a linguagem, a tradição do lobby é ainda mais antiga.

No inglês americano, foi registrada pela primeira vez no distante 1808 – data do desembarque da família real no Brasil – a acepção de lobby como grupo de pressão ou atividade exercida por esse grupo, como forma de influenciar os políticos e obter vantagens para causas privadas, empresariais etc. O mais curioso dessa acepção é que sua origem é, por assim dizer, arquitetônica.

A palavra inglesa lobby já tinha naquela época o sentido – que conserva até hoje – de vestíbulo, salão que fica na entrada de um prédio público. Sua origem era o latim medieval laubia ou lobia, de raiz germânica, com o significado primitivo de área coberta diante de um monastério. Foi por uma simples extensão de sentido que o termo passou, com o tempo, a dar nome ao trabalho daqueles sujeitos que ficavam no lobby das casas legislativas americanas à espera dos políticos, para se pendurarem em seus ouvidos assim que eles deixassem o plenário.

De importância cada vez maior no jogo político, essa acepção de lobby foi adotada no português em algum momento do século 20. O Houaiss não sabe dizer exatamente quando isso ocorreu. Até hoje o termo mantém sua grafia original, mas isso não o impediu de se desdobrar em uma série de vocábulos aportuguesados como lobismo, lobista e lobístico.

Publicado na “Revista da Semana”.

10 Comments

  • Ingrid 21/01/2009 at 20:49

    Cadê a coragem para se inscrever? rsrs

  • Pinguim 24/01/2009 at 10:02

    Já vi essa palavra aportuguesada, grafada como lobe e como lóbi. Tem fundamento? E passaria pelo controle Aldo Rebelo de qualidade?

  • Agostinho 24/01/2009 at 10:56

    Definição:
    – lobby =expectativa de propina
    -lobista=pessoa honesta vista com bons olhos pelos que deteem o poder de…; pessoa que transporta e entrega a propina, mula, intermediário de atos lícitos.
    Origem:
    -Lobby é um derivativo da palavra lobo (Canis lupus), um mamífero selvagem, pertencente à família dos canídeos, gênero Canis, considerado o ancestral do cão doméstico. Tem ampla distribuição geográfica, ocorrendo originalmente na Europa, Ásia e América do Norte. Ao longo dos séculos, o lobo foi um dos animais mais temidos e odiados pelo homem.

  • Sérgio Rodrigues 24/01/2009 at 11:05

    Agostinho, beleza, mas convém deixar claro que se trata de uma piada. Alguém pode se confundir.

    Pinguim, você quer dizer o controle Aldo Rebelo de falta de noção? Já vi algo do gênero, mas lobe e lóbi me parecem soluções um tanto canhestras e, por isso mesmo, difíceis de pegar – ao contrário de lobista, por exemplo. Agora que o acordo ortográfico reabilitou o y, então, acredito que lobby fique mais à vontade ainda. Quem preferir pode grifar.

    Ingrid: como disse?

    Abraços.

  • solaris 24/01/2009 at 11:55

    cog nagra dimático
    Lobby > Lob by > > by boll por capulho

    capulho> cápsula, dentro da qual se forma o: ALGOdão.

  • Sérgio Karam 24/01/2009 at 12:33

    Ô Sergião: “monastério” é brabo, né? Tradução de “monastery”? Acho que “mosteiro” dá conta do recado, além de ser mais curtinha. Abração.

  • Sérgio Rodrigues 24/01/2009 at 14:38

    Xará, não entendi o que você tem contra “monastério” (herdeiro erudito do latim que deu no vulgar “mosteiro”). O texto etimológico em inglês fala em cloister, na verdade.: monastério foi por minha conta mesmo. Um abraço.

  • Pedro Curiango 25/01/2009 at 02:58

    Sérgio: acabo de ler um livro interessantíssimo sobre a origem das línguas neo-latinas: Le français ne vient pas du latin, Yves Cortez, L’Harmattan, 2007. O autor procura negar que o latim seja a mãe/pai de todos os idiomas até agora considerados românicos. Vale a pena dar uma olhada.

  • Luiz Vitorino 25/01/2009 at 07:39

    Antes da construcao da Casa Branca o presidente americano vivia num hotel. As pessoas que esperavam qualquer membro do governo, aguardavam no loby.

  • Sérgio Rodrigues 25/01/2009 at 10:41

    Obrigado, Curiango. Taí uma tese bem ingrata de provar, não? Mas a provocação pode ser boa, vou procurar o livro. Um abraço.

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