Mais polêmica: Machado, o enganador

20/05/2008

O Sr. Machado de Assis passa atualmente pelo mestre incomparável do romance nacional. (…) Mas é preciso romper o enfado que me causa este romântico em desmantelo, despi-lo à luz meridiana da crítica. Esse pequeno representante do pensamento retórico e velho no Brasil é hoje o mais pernicioso enganador, que vai pervertendo a mocidade. Essa sereia matreira deve ser abandonada.

Está bem, pode ser que as polêmicas literárias já tenham sido mais elevadas. Mas não eram necessariamente mais lúcidas e inteligentes. E nem é preciso ler motivações sexuais reprimidas nessa história de “despi-lo à luz meridiana da crítica”.

Em 1885, três anos depois das espantosas narrativas curtas de “Papéis avulsos” – entre elas O alienista – e quatro após “Memórias póstumas de Brás Cubas”, talvez Machado de Assis já tivesse produzido o suficiente para ser considerado o maior escritor brasileiro da história. Mesmo que dali até sua morte, exatamente cem anos atrás, não fizesse o que fez. Mesmo que não existisse Capitu. Pois foi naquele ano que um dos mais renomados críticos brasileiros de todos os tempos, o sergipano Sílvio Romero, que não era um idiota, resolveu pregar em si mesmo um nariz de palhaço, pendurar no pescoço uma sineta de muar, colar nos fundilhos uma rabiola de papel por toda a posteridade:

O Sr. Machado simboliza hoje o nosso romantismo velho, caquético, opilado, sem idéias, sem vistas, lantejoulado de pequeninas frases, ensebadas fitas para efeito. Ele não tem um romance, não tem um volume de poesias que fizesse época, que assinalasse uma tendência. É um tipo morto antes do tempo na orientação nacional.

Motivação? Bom, a de sempre – provavelmente o fato de Machado ter escrito anos antes, a propósito de um livrinho de poemas, que Romero não levava jeito para versejador. O ataque de 1885 não chegou a virar uma polêmica clássica porque Machado, fiel ao seu estilo, deixou-o sem resposta. Responderam por ele. No fim da vida, Romero moderaria as críticas, mas era tarde. O nariz de palhaço, a sineta e a rabiola são irremovíveis.

Moral da história: antes de estraçalhar um desafeto literário, certifique-se de que ele não é o Machado de Assis.

117 Comments

  • Leandro Oliveira 20/05/2008 at 14:32

    Adoro esse texto do Sílvio Romero. Acho que mesmo os erros de bons críticos nos ensinam um bocado.

  • Mirdavil Kovoban 20/05/2008 at 14:54

    SR: “Moral da história: antes de estraçalhar um desafeto literário, certifique-se de que ele não é Machado de Assis.”

    Ou seja: hoje em dia, sinta-se à vontade para estraçalhar os desafetos literários que fizer por aí; sejam quem forem, permanecerão a uma incomensurável distância do nosso Machado.

  • Eugenio Moraes 20/05/2008 at 15:08

    Sérgio,

    Hoje, Domingos Pellegrini e Sebastião Nunes fazem as vezes de Romero. Adoram desancar o Machado. E também o Millôr, que faz uma crítica bem fajuta do Machado.

  • Beatriz 20/05/2008 at 15:11

    Gostaria de obter um email para contactar o blogueiro.
    Abraços,
    Beatriz

  • Clelio Toffoli Jr 20/05/2008 at 15:12

    Sérgio, ótima a epígrafe do site, o Vilela merece mais atenção. Quanto às polêmicas, apesar do “mico” pelas idéias, o texto do Sílvio Romero é muito saboroso como exercício de estilo. Sobre o assunto vale ler o volumoso “Duelos no Serpentário”, lançado em 2005 pela G. Emakoff, com organização de Alexei Bueno. Pode-se ver lá a reposta dada por Lafayette Rodrigues Pereira em defesa do Machado contra a espinafração do Romero.
    No mais parabéns pelo novo site, elegante como a escrita do autor…Abraço

  • Alecio Estevan Junior 20/05/2008 at 15:48

    SEM COMENTÁRIOS

  • CAIO FELIPE 20/05/2008 at 16:05

    Quem é Silvio Romero?!?

  • Tayse Cardoso 20/05/2008 at 16:12

    Cada um tem o seu direito de se expressar. Machado de Assis foi e será um ótimo escritor, você viaja em seus livros com os detalhes descritos pelo autor. Mas tenho a certeza que temos outros grandes escritores e quem vive apenas do passado é museu.
    Um abraço a todos!

  • PAULO ALFREDO MORAES LEITE 20/05/2008 at 16:24

    Não sei quem é esse Silvio Romero. Só sei, que há pessoas que querem aparecer no prestígio dos já afamados.
    Se esse Silvio, sei lá o que, um dia fundar uma Academia de Letras, não há necessidade de ser a Brasileira, eu passo talvez, saber se esse sei lá quem, existiu!
    Pior ainda, quem registra suas infames opiniões.
    Paulo Alfredo Moraes Leite – Pofré

  • Rafael 20/05/2008 at 16:35

    Santa ignorância!

    Silvio Romero foi o mais importante crítico literário brasileiro do Século XIX; ele praticamente fundou a crítica literária no Brasil. É autor de uma história monumental da literatura brasilera, a mais importante produzida até o Século XIX.

    Detalhe: FOI UM DOS FUNDADORES DA ACADEMIA BRASILEIRA DE LETRAS (CADEIRA 17).

    Pois é: há pessoas que querem verdadeiramente aparecer sobre o prestígio dos mais afamados…

  • nelson martins 20/05/2008 at 16:35

    VEJO EM MACHADO DE ASSIS O MAIOR BRASILEIRO DE TODOS OS TEMPOS , NAO REPRESENTA O PASSADO ,MAS O PRESENTE E NO FUTURO SERÁ RECONHECIDO MUITO MAIS. SEI QUE AINDA NAO SE CONHECE NEM 10% DE SUA OBRA ,NAO EM EXTENSAO ,MAS NA SUA PROFUNDIDADE, NO SEU CONTEUDO ,SENSIBILIDADE E ESSENCIA . A OBRA DE MACHADO TEM UM CONTEUDO SUPERIOR , QUE ABRANGE A VERDADEIRA ESPIRITUALIDADE HUMANA.

  • Edgard 20/05/2008 at 16:42

    Muito bom!

  • Rafael 20/05/2008 at 16:43

    Um adendo: talvez as polêmicas literárias não tenham sido mais lúcidas e inteligentes que as de hoje; uma coisa, entretanto, é certa: elas eram substancialmente mais bem escritas.

  • gustavo oliveira 20/05/2008 at 16:52

    ahhhhhhhhhhhhhhhhhhh
    agora eu sei da onde veio o nome daquela praça do Tatuapé…

  • Murilo Cardoso Oliveirar 20/05/2008 at 16:53

    Imagine se o Sílvio Romero fosse contemporâneo do Paulo Coelho, como seriam as críticas?

  • Leser 20/05/2008 at 17:01

    Leio essa crítica com a lupa recomendada por Rilke, nas Cartas a um Jovem Poeta: poupe-se de ler críticas literárias.

  • GISELE Rollemberg 20/05/2008 at 17:03

    Que se deixe cada tempo com o seu tempo, cada obra com o seu tempo, porém não ao tempo, ao léu. Cada linguagem com sua mensagem autoral. Perdoemos Machado por ele não ter conhecido o Internetês, contudo louvemos Machado por ter sido um dos inícios de nossa leteratura, pois tudo passa e não passa tudo.

  • Carlos N Mendes 20/05/2008 at 17:15

    Crítica mais sólida li há alguns anos, realmente não me lembro aonde, que afirmava que Machado de Assis era um escritor menor porque a maior parte de seus romances não passava de versões abrasileiradas de crônicas de escritores europeus, que Machado encontrava principalmente em jornais no formato de capítulos semanais. Jamais chequei a veracidade dessa afirmação – sempre que a imprensa brasileira escreve coisas desse tipo é para vender polêmica. Mas sabe Deus… Detalhe : Silvio Romero ajudou a fundar a ABL JUNTO com Machado de Assis ? Então eles devem ter se entendido de alguma forma.

  • Jurandi Cirino 20/05/2008 at 17:27

    Machado é ainda ,o maior escritor que o céu do Brasil já cobriu. Sua genialidade é incontestável só que é preciso ser malicioso, saber ler nas entrelinhas para poder entender a obra desse gênio. Um abraço a todos

  • ricardo 20/05/2008 at 17:27

    digam o que quiser. machado é o cara!

  • Gustavo 20/05/2008 at 17:37

    Machado de Assis é talvez o escritor mais talentoso e atual da literatura brasileir. Seus textos eram sempre cheios de detalhes e nos rendiam na leitura. O pior é ouvir leigos inúteis dizendo q adoram o “escritor fanfarrão” Paulo Coelho e nunca leram algo decente.

  • Paulo Martins 20/05/2008 at 17:45

    È o que dá não ter talento para literatura. Enchem de merda as mentes dos mais desavisados.
    Por que estes críticos de bosta não procuram se informar um pouco mais?

  • C. S. Soares 20/05/2008 at 17:50

    O problema de Romero com Machado, segundo Medeiros e Albuquerque, era uma opinião discordante a respeito da magnitude literária de Tobias Barreto.

  • Ademir 20/05/2008 at 17:51

    Todo crítico é um escritor frustrado. Que profissãozinha infeliz!

  • E.Oliver 20/05/2008 at 17:53

    A expressão da literatura popular esta no site http://www.autores.com.br
    Livremente, os internautas podem inserir textos ou simplesmente ler e comentar.
    Vale a pena ver que a maioria dos que se expõe são jovens e os temas abordados são maravilhosos.
    Visite, conheça, leia jovens autores.
    Edno Araujo. SP.

  • Antonio Arnaldo Onofre de Alencar 20/05/2008 at 17:54

    Machado alem de ter sido um autor inteligente, soube destinguir o sofremento e ador escondia dentro das pessoas que tentavam esconde-la com subterfugios.
    Pobre, negro, gago, vendendo cocadas chegou ao cume da glória. Parabéns MACHADO!

  • Jackson 20/05/2008 at 17:54

    Inferiorizar a obra de Machado de Assis é o mesmo que ignorar o fato de ser brasileiro.

  • LUIZ FELIPE NETTO 20/05/2008 at 17:57

    NÃO ACREDITO NO QUE ESTOU LENDO, PURO DEMAGOGIA DO PASSADO POBRE …MACHADO DE ASSIS, É, E SEMPRE SERÁ NOSSO ETERNO POETA DAS LINHAS ROMANTICAS. UM ABRAÇO.

  • C. S. Soares 20/05/2008 at 18:05

    Machado (e Guimarães Rosa) não são apenas os maiores escritores brasileiros, mas dois dos grandes mestres da literatura universal. E penso que (ao menos indiretamente) a popularidade de Paulo Coelho ajuda a divulgar no exterior uma literatura brasileira diversa e de grandes escritores, que não ficam devendo nada a outros grandes mestres estrangeiros (em entrevistas – como a que realizamos na Bienal 2007, por exemplo -, é comum ele citar Jorge Amado).

  • Francisco Souza 20/05/2008 at 18:31

    Creio que uma crítica dessa só pode ser fruto de uma boa dose de despeito, inveja e inferioridade. Aliás, hoje, a Acadedemia está cheia de indivíduos que não poderiam passar nem pela porta, quanto mais sentar numa daquelas Cadeiras.

  • josé bobrovsky netto 20/05/2008 at 18:33

    Falar de Machado de Assis, sem ler todos os livros que escreveu, é chover no molhado. Elê nos anos de 1948, com 14 anos, fez eu gostar de ler, suas histórias e romances são ótimos. É justamente nesta idade que o jovem sonha e Machado de Assis me fez sonhar. Tanto que hoje com 70 anos escrevei um livro infanto juvenil para todas as idades. “Max o cachorro que fala”, sempre devemos correr atrás de nossos sonhos. Viva Machado de Assis, o resto é resto.

  • Selma 20/05/2008 at 18:38

    é ridiculo esse comentário,acho que está é com muita inveja

  • léo e só 20/05/2008 at 18:40

    olá Sérgio

    mas apesar da círitca, os dois sempre travaram relações de civilidade, e; eu acho, até cordialidades, senão, amizade na vida de ambos.

    bem, assim mostra uma série de cartas entre Machado e outros membros da Academia de Letras.

  • Silvio Emilião 20/05/2008 at 18:42

    Pois hoje em dia (Seculo XXi), Colocaram nas nossas mentes que Sarney, e Paulo Coelho são escritores…Há.

  • beckandroll 20/05/2008 at 18:58

    Os comentários estão mais divertidos que o texto (sem querer desmerecer o artigo). Mas, é impressionante como existem pessoas que lêem mas não compreendem o que está escrito. Basta ver quantas pessoas comentaram como se o crítico fosse ainda vivesse e participasse atualmente da ABL.

  • Isidoro 20/05/2008 at 19:00

    Quem é Machado de Assis?

  • Rogério 20/05/2008 at 19:02

    O cara não tem competência, então pra ganhar espaço ele desvaloriza os gênios da nossa literatura, só pra causar polêmica, então vamos evitar isso que seja o meu o último comentário! Me respondam quem é Sérgio Rodrigues?

  • Sérgio Rodrigues 20/05/2008 at 19:15

    Realmente, Rogério, excelente pergunta: quem é Sérgio Rodrigues?
    O único problema com seu comentário é que a crítica a Machado foi feita por outro SR, cerca de 110 anos mais velho.

  • rarara 20/05/2008 at 19:17

    Você é um jumento. E certamente não é o Machado de Assis.

  • Cléverson Faria Costa 20/05/2008 at 19:18

    Prezado Sérgio.

    Silvio Romero era sergipano como Tobias Barreto(grande polemista, germanista e intelectual destacado da chamada Escola de Direito de Recife) e se sentia incomodado com o enorme prestígio que Machado de Assis desfrutava junto à intelectualidade da época e advogava que tal prestígio deveria ser tributado a Tobias Barreto,
    Sem embargo da grande estatura intelectual de Tobias Barreto e da importância de Silvio Romero como crítico literário, há um fato incontroverso: Machado de Assis é o maior escritor brasileiro e, mais que isso, é o maior prosador da língua portuguesa.

    Um abraço.

    Cléverson Faria Costa

  • Israel de Oliveira 20/05/2008 at 19:18

    De qualquer forma o Machado deve estar feliz por ter criado a academia brasileira de letras . Inda que ela hoje seja algo parecido com a “Santa Sé da Bahia” na visão de Gregório de Matos Guerra.

  • Israel de Oliveira 20/05/2008 at 19:18

    De qualquer forma o Machado deve estar feliz por ter criado a academia brasileira de letras . Inda que ela hoje seja algo parecido com a “Santa Sé da Bahia” na visão de Gregório de Matos Guerra.

  • Israel de Oliveira 20/05/2008 at 19:18

    De qualquer forma o Machado deve estar feliz por ter criado a academia brasileira de letras . Inda que ela hoje seja algo parecido com a “Santa Sé da Bahia” na visão de Gregório de Matos Guerra.

  • Israel de Oliveira 20/05/2008 at 19:18

    De qualquer forma o Machado deve estar feliz por ter criado a academia brasileira de letras . Inda que ela hoje seja algo parecido com a “Santa Sé da Bahia” na visão de Gregório de Matos Guerra.

  • Israel de Oliveira 20/05/2008 at 19:18

    De qualquer forma o Machado deve estar feliz por ter criado a academia brasileira de letras . Inda que ela hoje seja algo parecido com a “Santa Sé da Bahia” na visão de Gregório de Matos Guerra.

  • Israel de Oliveira 20/05/2008 at 19:18

    De qualquer forma o Machado deve estar feliz por ter criado a academia brasileira de letras . Inda que ela hoje seja algo parecido com a “Santa Sé da Bahia” na visão de Gregório de Matos Guerra.

  • Redmark 20/05/2008 at 19:25

    O que temos de literatura hoje!!!!
    O que nos filhos estão lendo!!!!
    Não sabem apreciar uma boa leitura, hoje tudo esta relacionado a internet, jogos eletrônicos, etc.
    Para mim Machado de Assis foi, é e será um gênio literario, um dos melhores romancistas.

    Abraço

  • Sérgio Rodrigues 20/05/2008 at 19:30

    Cléverson (e C.S., que também levantou o assunto): sim, Romero foi um um ardoroso defensor da superioridade de Tobias Barreto (quem?, o pessoal vai perguntar, e dessa vez com certa razão) sobre Machado de Assis. Chegava a ver na fama deste um complô do Rio contra o Nordeste ou coisa parecida. No texto de 1885 que citei, porém, Romero era jovem e ainda estava mais preocupado em destruir a reputação de Machado do que em construir a de seu grande amigo. A comparação entre os dois autores só seria desenvolvida por ele, e de forma extensa, ponto a ponto, alguns anos depois. O que também não depõe muito a favor do tirocínio do grande crítico, convenhamos. Embora não se possa negar sua lealdade aos amigos, por quem não hesitava em arriscar o pescoço e a reputação. Abraços.

    A todos os que ouviram o galo cantar e não fazem idéia de onde: Sílvio Romero, que morreu em 1914, foi o maior inimigo crítico de Machado de Assis. Eu, Sérgio Rodrigues, que nasci em 1962, acho Machado um gênio. Claro agora?

  • celso Tomaz de Aquinos 20/05/2008 at 19:33

    Sem comentários para tanta idiotíce

  • Fábio 20/05/2008 at 19:37

    Nesse episódio quem defendeu Machado de Assis foi um jurista mineiro, o Lafayete Rodrigues Pereira, comumente chamado de Conselheiro Lafayette.
    Sua resposta rendeu um livro de nome “Vindiciae”.
    Uma obra tão expressiva defendendo o amigo, que garantiu a eleição dele para a vaga de Machado de Assis na A.B.L., mas o destino trouxe-lhe a morte antes de tomar posse.
    Machado continua imortal, enquanto Cons. Lafayete…….

  • Davi 20/05/2008 at 19:52

    Enganador como escritor é o sr. Miguel Falabella, a sra Bruna Surfistinha e tantos outros que estão por ai.

  • Isabel Pinheiro 20/05/2008 at 20:01

    Sérgio, parabéns pela paciência de ler tantos comentários, nem sempre inteligentes e educados, agora em maior quantidade por causa do ig.
    Uma historinha divertida sobre gente que não gostava de Machado. Gustavo Santiago, um poeta medíocre da virada do século 19 para o 20, tirava o chapéu para Machado toda vez que o encontrava numa livraria, no Centro do Rio. Seus amigos “modernos” não perdoavam: “Como você pode tirar o chapéu para essa múmia?” E o Santiago: “Tiro não para o escritor, mas para o excelente funcionário público que ele é.” Está no Brito Broca, Vida Literária no Brasil 1900. Um abraço, Isabel

  • renato 20/05/2008 at 20:07

    Eu perdi meu tempo lendo isso. Não acredito.

  • Adriana Atefah 20/05/2008 at 20:09

    Machado de Assis é um escritor que desvia o esteriótipo da intelectualidade de sua época.Ele ironizava a futilidade da elite intelectual e suas conquistas vãs.
    Obviamente as pessoas que encaixam-se no perfil ridicularizado por Machado de Assis, com certeza não sentiriam-se confortáveis ao ler suas obras mais irônicas como ‘Memórias Póstumas de Brás Cubas e Teoria do Medalhão.

  • paulo gadelha 20/05/2008 at 20:14

    Na época, José de Alencar era o “cara”. Como Machado não pertencera à Escola de Recife ou do Largo de São Francisco, era um quase intruso. Mas lembremos o violoncelista Jan Sibelius: “Não dê atenção às críticas; nunca se ergueu uma estátua a um crítico”. E vivam Brás Cubas, Capitu, etc.

  • JULIO 20/05/2008 at 20:14

    Hoje, principalmente no Rio, levanta-se um culto artificial a Nelson Rodrigues. Um deslumbre que beira a letargia.
    Neson Rodrigues, o Genial. Se assim o tomarmos, como iremos definir Machado? Tudo parece leviano se pensarmos em Machado após tomarmos por definiçao Nelson Rodrigues como …Genial!

  • Vinicio 20/05/2008 at 20:18

    Mas o Silvio Romero não era irmão do César Romero, curinga do Batman???

  • Roberto Teles 20/05/2008 at 20:21

    Olhe, eu não concordo com sua declaração sobre o grandioso escritor Machado de Assis… Lí o livro “Dor Suprema” de Machado de Assis e acheio-o simplesmente excelente!!! Lí o livro “Árdua Ascessão” também de Machado de Assis e também achei-o excelente!!! Portanto, não concordo absolutamente com seu ponto de vista… Vc acha Machado de Assis ruim e eu acho-o excelente!!! Vc tem seu ponto de vista e eu tenho o meu!!! E para mim ele é muito bom!!!

  • Eduardo Pedreira Franco 20/05/2008 at 20:23

    Não. Machado é retrato d’uma época. O pós morte não dá direito de defesa.

    O que me dizer de Gregório de Matos? O esquecido… Joias brasileiras. Só se vê o produzido no EIXO-MARAVILHA.

    Outro dia recebi uma crônica, muio bem escrita, como é da sua inteligência, brotada de Ubaldo Ribeiro, sôbre como somos. Título-MATERIA PRIMA.
    Por não ter o email do nosso génio baiano, não escrivi para êle.
    Perguntem o que êle tem a comentar sôbre o Gregório de Matos?

    SSA-BA, 20/04/2008

  • erneny 20/05/2008 at 20:27

    É a primeira vez pude ler esses comentários. Assim como foi a primeira vez que acessei o blog. Gostei de todos os comentários. Alguns perderam um pouco a polidez. Todavia, o que vale é a sinceridade e a crença naquilo que fazemos e acreditamos. Parabéns, Sr. Sérgio, por dar esses jovens ou não motivo para se expressarem de modo tão decidido e consciente!

  • valmir dos santos 20/05/2008 at 20:32

    Um autor da grandeza do Machado de Assis,um gênio da literatura brasileira,com seu olhar malicioso,onde o psicologico e real se confunden,deve ser defendido por todos

  • Gisele Lemper 20/05/2008 at 20:34

    oi! tudo bom por aí, querido? imenso prazer com o convite para seu porto no IG… volto em breve. Sempre. Boa sorte. Beijo doce da amiga atriz poeta aluna ;-))

  • Carlos Nunes da Rocha 20/05/2008 at 20:34

    Parabens pelo texto e comentários, pois as questões aqui levantadas nos deixam um excelente aprendizado. pena que a ignorância de alguns não venha contrubuir com o assunto.
    Parabens!

  • Solange 20/05/2008 at 20:45

    Conheço MACHADO DE ASSIS.Mas, quem é Silvio Romero e esse Sérgio Rodrigues…. será que conseguirão sobreviver em vida…
    Já MACHADO DE ASSIS está aqui até hoje!!!

  • Heloísa 20/05/2008 at 20:50

    Todo absurdo cabe no mundo! Até uma crítica destrutiva contra MACHADO DE ASSIS!!!

  • Franciely 20/05/2008 at 21:03

    Quem é Sérgio Rodrigues?
    Ele não entende as obras de Machado de Assis, e fala isso.

    Machado foi e é um dos maiores escritores românticos do Brasil. Que se perpetua sobre décadas e décadas.

    Coisa que Sérgio Rodrigues, e Silvio Romero nunca vão consegui.

  • Sebastião 20/05/2008 at 21:05

    E quando quem diz isso. Começar elogiar MC aquilo, MC acolá, Mulher melãncia e o cacete a quatro. Temo por minha filha!!!

  • jose carlos de oliveira lara 20/05/2008 at 21:25

    Minimizar um debate de idéias entre Machado de Assis (Cadeira número 1 da primeira composição da Academia Brasileira de Letras) e Silvio Romero (Cadeira 17 da mesma composição da ABL) é, a grosso modo, discutir o sexo dos anjos…Se à época o vigoroso crítico literário chamou para si a atenção, foi por conta de desafiar o maior escritor de sua época. O que causa estranheza é o desconhecimento sobre Romero que, se não teve sobre si as mesmas luzes que cobriram Machado de Assis, merece uma maior atenção dos detratores gratuitos, quiçá para não limitar a leitura aos textos obrigatórios das escolas regulares…pobre povo aquele que critica o que não conhece…

  • Forlan Almeida dos Santos 20/05/2008 at 21:27

    Machado de assis significa o ápice do romantismo, aliás as críticas de Sílvio Romero se tivessem levado fielmente até a presença de Machado de Assis o teriam feito um amigo deste que é um referencial de nosso Literatura. Gostei muito e acredito que temos muito a aprender com o autor desta coluna, Sérgio Rodrigues.

  • jailson martins 20/05/2008 at 21:44

    Comparar Machado de Assis com outros, é comparar
    mercedes com fusca.

  • Sérgio Rodrigues 20/05/2008 at 21:52

    Franciely, você está enganada. Machado não foi “um dos maiores escritores românticos do Brasil”. Foi – e é – o maior escritor do Brasil, o que é muitíssimo diferente.

  • Jorge Luiz Santos Guimarães 20/05/2008 at 21:55

    Fico impressionado quando vejo comentários perniciosos a respeito do nosso maior escritor, os críticos, em sua maioria, são autores frustrados, não conseguem produzir e vivem à sombra da capacidade dos que produzem.
    Abraços

  • Luciane Moreno 20/05/2008 at 22:16

    Realmente não sei se vale a pena comentar algo sobre o texto em si, mas alguns comentários por aqui me fizeram rir horrores, tamanha a desinformação e falta de atenção ao lerem o texto. Aquele que mandou Silvio Romero fundar outra Academia deve ser espirita, ou acreditar em reencarnação… rsss. De qualquer forma algo interessante na crítica de Silvio Romero, contemporâneo a Machado de Assis me chamou atenção:o fato de considerar Machado de Assis menor, classificando como romantico e não perceber que Machado estava criando, talvez sem perceber também, o realismo. O distanciamento é tudo para uma análise, por isso críticas dificilmente são válidas, pois subjetivas e no caso dessa de Silvio Romero, passional.

  • Edmilson José Domingues 20/05/2008 at 22:18

    QUEM SÃO VOCES PARA CRITICAR MACHADO ?

  • Flavio 20/05/2008 at 22:28

    Infelizmente existem pessoas ainda que dão ouvido a crítica como esta a Machado de Assis certamente não conhecer seus livros porque quem lê profundidade certamente não consegue criticar mas sim elogiar

  • Carlos Ferreira Barbosa da Silva 20/05/2008 at 22:35

    Nunca na minha vida de existencia, ouvir falar deste tal Silva Romero. Tal comparação é tão absurda, que esse tal de romerito não chegar aos pés de Machado de Assis.
    Grande Abraço

  • Petrônio M Fernandes 20/05/2008 at 22:42

    Gente, pelamordedeus, o que está escrito em fonte itálica é opinião de Silvio Romero e foi escrito no século XIX.

  • Rogerio Campello 20/05/2008 at 22:53

    Meu Deus, quem é Franciely? Se ela não entende o que lê, como vai entender Machado de Assis?

  • Juliana Cardoso 20/05/2008 at 23:01

    Machado é para mim o maior escritor de todos os tempos. Não julgo a opinião de ninguém, mas é incontestável a grandeza da Obra de Machado de Assis. A linguagem utilizada nos livros, exige muito conhecimento literário para se fazer uma análise. Além disso, acredito que Romero discordava de alguns pontos de vista e esqueceu do imenso valor da Obra. Afinal, nem Jesus na sua infinita bondade agradou a todos.

  • moacir palmeira alves 20/05/2008 at 23:04

    Acorda e procure na sua adolescência seu trauma e caso encontre, procure médicos. Vc não tem o que fazer?????!!!!!!!!!

  • diogo fininho 20/05/2008 at 23:33

    machado…sem dúvida deixa- nós um pouco indiferente em relaçaõ as suas obras; pois ele esalta os texto quase como uma esfige,que se naõ entendemos direitos ficamos perdidos,da grandiosidade da sua obra.entaõ viva as coerência desse grande escritor,que poventura e brasilero.naõ merece critica mas sim aplausos.

  • Dóris Araújo 21/05/2008 at 00:00

    Eu pagaria para ler a opinião de Sílvio Romero a respeito das obras de Paulo Coelho. Sem dúvida, um bom tema ficcional.

  • Eric Novello 21/05/2008 at 00:01

    Sergio, post ótimo. Dito isso, comentários melhores ainda. Engraçada a confusão que fizeram entre a citação do SR e a sua opinião. Ânsia da réplica maior do que a vontade de entender o que se lê ou se escuta.
    Voltando ao Machado, só acho uma pena que ele seja empurrado nas escola. Mais aula de literatura já é um outro tópico. Abs.

  • Helio Claudio Canalonga 21/05/2008 at 00:12

    O fato aconteceu em 1897 , segundo a histôria foi um ano ingrato para Machado de Assis, onde Silvio Romero puplicou um livro de nome Machado de Assis,atacando o criador de Brás Cubas , tentando provar que ele não tinha importância diante de Tobias Barreto.Então Machado de Assis escreveu a Magalhães de Azevedo, jovem que se tornara seu amigo.——– É um estudo ou um ataque,como dizem pessoas que ouço.De noticias puplicadas vejo que o autor foi injusto comigo.A afirmação do livro é que nada valho …..
    Enfim, é preciso que quando os amigos fazem um triunfo á gente haja alguém que nos ensine a virtude da humildade. Durante algum tempo os jornais do Rio de Janeiro ficaram ocupados defendendo Machado de Assis ,e tambem sua defesa foi feita por amigos e admiradores. Esse foi é e sempre sera nosso querido Machado de Assis.

  • Sérgio Rodrigues 21/05/2008 at 00:34

    Gostou mesmo dos comentários, Eric? Eu estava me divertindo no começo, depois admito que bateu uma certa depressão. “As pessoas lêem distraidamente”, diz o Verissimo, defendendo que se desculpe qualquer tresleitura atarantada. Pode ser, pode ser. Abraço.

  • 21/05/2008 at 02:00

    Gente louca que não presta atenção no que lê… bem, deixa pra lá. Parabéns pelo texto.

  • Márcia 21/05/2008 at 05:02

    Os testos de Machados possuem magnetismo que nos permite ler ate o final….Porém….

  • EDLA SENA 21/05/2008 at 06:16

    Para escrever ao público independente de ser uma crítica ou não, observar seus próprios erros,tipo : no término do primeiro parágrafo o sr Sérgio Rodrigues assassinou uma palavra, palavra essa que ficou seu seu verdadeiro significado(PREVENTENDO???), PERVERTENDO ( A ESCRITA CORRETA ), o macaco nunca olha o seu rabo.

  • Fernando 21/05/2008 at 08:00

    Meu deus. Lendo os comentários a gente pode ter uma idéia de como anda a educação básica brasileira. Demais pessoas não conseguiram entender o que está óbvio no texto. Como podem defender Machado de Assis afundados no analfabetismo funcional? Como atrevem-se a dizer que um texto desse autor é melhor que a crítica a ele, se não conseguem, ao menos, entender um texto de um blog?
    Sérgio, por estas e outras parei de escrever. De qualquer forma, interessantíssimo artigo.

  • Evanildo 21/05/2008 at 08:15

    Enganador é um termo muito forte,sabemos que o contexto social da época era uma forte e crescente tendência das idéias e pesquisas científicas,no entanto vale lembrar que Machado tinha um enbasamento teórico,conhecia literatura portuguesa(por intermédio de sua esposa)trabalhou com escritores renomados,aprendeu muita coisa na vida inclusive seus vários idiomas,dizer isso hojé parace tão fácil quanto absurdo,mas fazer igual a ele nesse últimos cem anos ninguém fez,talvez estejam culpando-o pelos últimos presenteados na ABL,mas elel não tem culpa,talvez seja pela maioria analfabeta ou semi analfabeta que não absorve a ironia,a sagacidade,o Amor,a paixão,os medos Machadianos,ora perdoem-me mas enganador é aquele que acha que conhece e entende profundamente a obrado Bruxo de Cosme velho,qual a única resposta poderia calar Silvio Romero?O silêncio.E o que calará esses críticos modernos não modernistas,anacrônicos será o mesmo silêncio.

  • Emerson Faria Silva 21/05/2008 at 09:03

    As pessoas de forma geral levam muito em conta a crítica ao invés de conhecer a obra e julga-la por sí mesmo.
    A crítica na maioria das vezes é feita por quem não produz nada de relevante ou não ama o que faz, porque é mais fácil críticar do que tentar fazer algo melhor, é mais fácil diminuir uma pessoa do que tentar crescer, e isso é uma das mazelas da humanidade.

  • Pablo Casado 21/05/2008 at 10:08

    O post foi ótimo, Sérgio; os comentários, no entanto, estão antológicos de tão divertidos. Imagino como deve ser um tanto quanto depressivo atentar para tamanho despreparo do nosso leitor médio, mas fica a esperança que isso, um dia, se reverta e melhore.

    Abraços e mais sucesso no IG

  • Guilherme Montana 21/05/2008 at 10:12

    Esses oitenta e tantos comentários parecem uma reprodução diminutíssima em escala microscópica, perdoem a redundância, do diálogo humano, que poderia ser resumido no mais prosaico “eu não gosto de” ou “eu gosto de”. Porque, no fundo e de verdade, isso é o que conta: a escolha do sentimento (o gosto). Pessoalmente, o Joaquim Maria só se tornou o Machado de Assis a partir do Brás Cubas. É bom mesmo agir com hombridade ao criticar algum literata, desafeto ou não, porque algum dia um fulaninho de tal que se diz escritor poderá ser o Fulano de Tal e Etc.

    Isso vale até pro que foi mencionado no post anterior, sobre Calligaris versus Mirisola. Um prosador, Mirisola, bombardeando a bonomia psicanalítica de um recém romancista, Calligaris. Os dois estão aí, vivinhos da silva e tendo pela frente a oportunidade de, que esquisito!, escrever algo esteticamente relevante. Talvez seja melhor agarrarem a oportunidade.

  • Rafael 21/05/2008 at 10:31

    Depois de ler tantos comentários eruditos, lembrei-me da seguinte frase de Silvio Romero:

    A vida espiritual brasileira é pobre e mesquinha, desconceituada e banal para quem sabe pensar a luz de novos princípios. Aferida pelo moderno método de comparação, inaugurado há muito nas literaturas européias, ostenta-se caprichosamente estéril.

  • Isabel Pinheiro 21/05/2008 at 10:32

    Eu insisti na leitura dos comentários. Deprimente é a melhor palavra, mesmo. No finado nominimo.com eu já ficava deprê por ler os comentários do seu blog, Sérgio, de ver tamanho despreparo entre gente que, se tem interesse por um blog sobre literatura, supostamente entende o que lê. E aí fica difícil não defender a opinião do Fernando, aí em cima: “é por causa disso que parei de escrever”. Tristeza.

  • Sérgio Rodrigues 21/05/2008 at 11:11

    Fernando e Isabel: entendo e compartilho desse desalento, mas se todos os que sabem escrever desistirem por causa disso, aí é que a simpática vaquinha brasileira vai para o brejo de vez, não? Os altos índices de analfabetismo funcional, num país com nossa educação pública de mentira, são compreensíveis. O que me espanta é a desinibição, a rapidez com que se espalham juízos malformados aos quatro ventos. Mas talvez seja uma doença infantil da internet, que uma convivência mais longa com o dom da réplica imediata tenda a curar. Vou torcer por isso. Abraços.

  • Rafael 21/05/2008 at 11:30

    Sérgio,

    Você é um otimista incorrigível!

  • Sérgio Rodrigues 21/05/2008 at 11:48

    Não sou, Rafael. Bem ao contrário. Mas tenho dois filhos, o que me leva a procurar sempre novos motivos, por menos realistas que sejam, para não jogar a toalha.

  • Rafael 21/05/2008 at 12:03

    Compreendo perfeitamente. Tenho uma filha pequena, de apenas três anos.

    Mesmo assim, quando vejo a extensão da praga da ignorância no Brasil, tão vasta e devastadora quanto as pragas que Moisés levou ao Egito antigo, sou assaltado por um sentimento de desalento, impotência e tristeza que inibe qualquer manifestação de esperança. Resta-me apenas, como consolo derradeiro, a esperança de estar errado no meu pessimismo.

  • Hefestus 21/05/2008 at 13:16

    Sobre a enxurrada de comentários hilários de pessoas que leram o texto e não entenderam nada, que confundiram Sergio Rodrigues com Silvio Romero ou que simplesmente acreditaram, ao ler, que Romero ainda está vivo e atuante (vai ver número de século em romano o pessoal não entende), só tenho uma frase a dizer:
    Maldita inclusão digital.

  • Clelio Toffoli Jr 21/05/2008 at 15:44

    Sérgio, a definição atual de analfabeto inclui também aquele que mesmo sabendo ler um texto não o compreende. Dado isso, como tem analfabeto passeando pelo seu ótimo site de literatura. Mas…quem é mesmo ese tal Sílvio Romero, onde mora esse sujeito que vou lá lhe dar uns safanões…
    Abraço

  • C. S. Soares 21/05/2008 at 18:00

    Infelizmente, Sérgio, o que aqui identificamos (e por isso, viva a internet!) não é uma endemia (que vc até sugeriu como “doença infantil da internet”), mas uma pandemia, a “egolatria” do nosso tempo, que impede muitos de compreenderem que antes de se falar, ouve-se (ou lê-se), apreende-se (ou não), e, por fim, opina-se (ou não). Não se trata de quem sabe mais, mas de quem consegue trabalhar em equipe, no nosso caso, colaborando construtivamente com a discussão proposta. Mas, isso, antes de nos combalir, deverá servir de estímulo.

  • Chico 21/05/2008 at 18:45

    Cheguei tao atrasado que acho que nao da tempo de dizer que o Jose Verissimo era muito mais temido que o Romero. Apesar do artigo citado ser anterior a fundacao da Academia – e considerando mesmo um exagero a critica de Romero ao Memorias Postumas -, as briga pelas cadeiras do Petit Trianon era tiranicida e os dois jogava cartas altas ha pelo menos uma decada, basta ler as missivas dos imortais (pois nao se enganem, a criacao de uma ABL ja era um projeto do Imperio). Agora, a idolatria que li em alguns comentarios beira as franjas da falta de senso. Por que nao dizer que Machado era um mau poeta? Comparado aos Simbolistas, era. E por que nao dizer que os contos da juventude eram ruins? Alguns sao maneiristas e romanticos, sim!!

  • Carlos Magno 21/05/2008 at 21:20

    Sorte do Machado de Assis ter tido tal Romero pela frente.

    Nada como aparecer sempre um inteligente contestador para não provar exatamente nada! Ou para confirmar exatamente o contrário, ou seja, o que ele dizia que não era, mas que era exatamente o que ele queria que fosse.

  • Raquel 22/05/2008 at 01:22

    Sérgio, lendo os comentários, percebi que as pessoas não se dão conta que o texto em itálico é citação. Talvez se você recuasse a citação um tantinho para a direita, nem precisaria colocar aquelas aspas enormes, muito comum nos blogues. Quem sabe…

  • Sérgio Rodrigues 22/05/2008 at 01:40

    Boa idéia, Raquel. Vou pensar numa solução para isso. Tem gente que nem com aspas do tamanho da tela, mas com certeza pode ficar mais claro do que está. Um abraço.

  • pedro curiango 22/05/2008 at 02:14

    A razão fundamental da ojeriza de Sílvio Romero por Machado de Assis foi vista imediatamente pelo Conselheiro Lafaiete Rodrigues Pereira (Labieno): “Mas, na verdade, a intenção do Sr. Romero, por mais que a disfarce sob as aparências de elogios banais, é demolir Machado de Assis e por sobre suas ruínas sacudir diante dos leitores estupefatos a sinistra e estranha catadura de Tobias Barreto, um esquisitão de algum talento, nunca um gênio, nem ainda um grande espírito; apenas uma inteligência acima do medíocre e do comum, desvairada pelo orgulho e pelas ilusões da meia ciência, e perdida nas nébulas de um germanismo obscuro e mal compreendido.” Quando os artigos de Labieno em defesa de Machado foram publicados, Romero começou a espumar de ódio: “o mais miserável e torpe covarde que escreveu contra mim umas infames e imundas sandices,” “desgraçado cultor do pode-ser-que-sim e pode-ser-que-não, vulgarizador do rabinismo de Granada e um dos responsáveis pelo assassinato de Apulcro de Castro,” etc. A admiração de Romero por Tobias vinha dos tempos dos bancos escolares de Recife, em que se enfrentavam o mestre Tobias e o aluno Castro Alves. Machado não é a única vítima da cegueira de Romero: Castro Alves também passa a ser secundário em face do Tobias. [NB – Tobias produzia versos “glaucomatosianos” como: “Minha alma bebe os orvalhos / Do teu suor odoroso…” e escrevia panfletos em alemão que publicava em Escada, Pernambuco.] A memória de Labieno permanece hoje no nome da cidade mineira da Conselheiro Lafaiete, uma das maiores do Estado. Sílvio Romero, além de coletor de importante material do folclore brasileiro, é o grande ordenador da História literária brasileira, alicerce de tudo que se fez depois e que, com parcial exceção de Afrânio Coutinho, continua a ser a estrutura repetida por todo mundo (José Veríssimo, Ronald de Carvalho, Antônio Cândido, Alfredo Bosi etc.). Romero foi talvez o mais escandaloso dos acadêmicos: no discurso de posse de Euclides da Cunha fez veementes críticas ao governo, em face do presidente da República (Afonso Pena). Para desviar a atenção do escândalo, o presidente da Academia jogava folhas de papel no chão, tentando retirar a atenção do auditório. Além disso tem um notável título numa das suas muitas explosões polêmicas: “Zéverissimações Ineptas da Crítica.” Do terrível livro sobre Machado de Assis um erro permanece repetido: o de que Machado de Assis não teria sido também um de nossos melhores poetas. Creio que a despeito do “erro machadiano,” Sílvio Romero merece respeito. E como estamos em épocas de polêmica, é bom lembrá-lo, ele, que foi um mestre no gênero.

  • tru 22/05/2008 at 03:18

    Meu Deus, os leitores do IG são IGnorantes completos! Confundiram citações do Sílvio Romero com frases do Sérgio Rodrigues. Que gentalha! Nunca mais volto ao TodoProsa, que, pelo visto, está morto.

  • Sérgio Rodrigues 22/05/2008 at 09:52

    Curiango, se você tiver paciência de procurar aí em cima, em algum lugar da bagunça há um comentário meu, respondendo ao C.S. e a outro leitor, sobre Tobias Barreto. O que digo lá é que a obsessiva – e também cômica, observada daqui – comparação entre Machado e Barreto só seria desenvolvida mais tarde na obra de Silvio Romero. No texto que eu cito, alguns anos anterior ao livro que o crítico dedicaria a nosso maior escritor, destruir a reputação de Machado ainda é claramente mais importante para ele – talvez o primeiro passo num plano de longo prazo – do que construir a de seu amigo.

    Vai pela sombra, tru.

  • Chico 22/05/2008 at 12:37

    Voltemos a prosa civilizada.

    Curiango, a animosidade basica entre Machado e Barreto nao chegou a polarizar-se na intempestiva tempera da polemica jornalistica, exatamente pela evasividade tacita – e como o Pedro Calmon diz, quase patologica – de Machado. Mas nem de longe a animosidade se esgotava numa simples guerras de vaidades ou na busca parnasiana da ofensa ideal. Acho que o Sergio insinua um pouco essa direcao superficial no post – ou estou enganado(?). Alem disso, apesar das divergencias ex-post facto imprimirem uma aura de paspalhao a Romero, nao sei se eram tao menos desprovidas de inteligencia quanto de lucidez pois naquele momento especifico o que estava em jogo era a queda da monarquia, incorporacao dos ex-escravos, a instauracao dos valores republicanos, a contrucao de uma ideia de nacao brasileira, criacao de um canone literario nacional, enfim a luta entre restauracao e destruicao de valores.

    Enfim, hoje eh facil perceber que os argumentos – ad hominem – de Romero nao passavam de criticas ralas. So hoje.

    Na epoca, co-existiam – como existem ainda hoje – varios grupos politicos dentro da Academia. O grupo dos juristas do Codigo Civil (Ruy Barbosa, Clovis Bevilaqua e adjacentes) o grupo do itamaraty (Oliveira Lima, Rio Branco, Aluizio, Magalhaes Azeredo, Nabuco, Salvador de Mendonca…); o grupo monarquista de Eduardo Prado, Rio Branco, Salvador; o grupo dos republicanos; e o grupo da Escola de Recife (do qual Romero fazia parte e ao qual o Wilson Martins definiu como ‘diaspora nordestina’). Nesse ultimo entram um monte de academicos dos outros grupos.

    Hoje, eh facil chegar a conclusao que Machado eh grande, que sua ironia fidalga e anti-cietificista era competente – e talvez isso incomodasse o positivista Romero – ; e que o Memorias Postumas eh muito melhor que Life and Opinions of Tristam Shandy. Mas so hoje.

  • shirlei horta 22/05/2008 at 13:37

    Não é genial??? E uma esperança no fim do túnel? rsrsrsrs

    Vamos dar um descontinho; eu também tenho inveja do Machado.

  • Cezar Santos 23/05/2008 at 08:50

    O post que provovou as respostas mais hilárias na existencia do blog…sensacional, sensacional…..

  • Igor Sternieri 23/05/2008 at 14:58

    Boa tarde Sergio!

    Sou estudante de jornalismo da Unesp de Bauru e estou fazendo uma matéria sobre os 100 anos da morte de Machado de Assis. Gostaria que vc me respondesse algumas perguntas sobre os tipos psicológicos dos personagens do autor. Seria possível vc me mandar seu e-mail para que eu possa enviar as perguntas, caso vc se disponha a conceder a entrevista?
    Agradeço desde já a atenção.

    Abraços

  • mIRCreiro 31/05/2008 at 12:12

    Escuta ki, seu Silvo Rodriguez!! Vc puracaso num tem nossaum de quem foi Machado de Asiz??!??!?!!1 Qui abissurdo!!!

  • patricia 20/10/2009 at 09:19

    vc ñ tem oq fazer ñ
    zé ruéla se vc tem inveja
    do Machado de Assis problema
    seu, agora pesso q pare de tanta
    inveja se ñ eu faço uma mandiga
    p vc deixe o em paz, pq ele e um dos melhores
    escritores do brasil e merece respeito

  • Sérgio Rodrigues 20/10/2009 at 12:16

    Patrícia: faz tempo que o crítico Silvio Romero, autor dessas críticas a Machado, está morto. Não sei se a sua mandinga vai fazer efeito.

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