Milton Hatoum (surpresa!) ganha o Portugal Telecom

22/11/2006

Está ficando monótono. Depois de faturar o Jabuti, o romancista amazonense Milton Hatoum, autor de “Cinzas do Norte”, foi anunciado esta noite, em cerimônia realizada em São Paulo, como o grande vencedor do 4o Prêmio Portugal Telecom, o mais importante da literatura brasileira, no valor de R$ 100 mil.

Milton, ficcionista de mão cheia, merece os prêmios em série. A biodiversidade cultural brasileira, talvez não. A repetição lembra o caso recente do americano Jonathan Littell, cujo “Les Bienveillantes” ganhou na França, quase no mesmo fôlego, o grande prêmio de romance da Académie Française e o Goncourt.

Em segundo lugar no Portugal Telecom (R$ 35 mil) ficou o poeta Alberto Martins, autor de “História dos ossos”. Em terceiro (R$ 15 mil), Ricardo Lísias, pelo romance “Duas praças”. Leia a notícia da Agência Estado aqui.

40 Comments

  • Mr. GhostWriter 22/11/2006 at 01:01

    Viva o Brasil…

  • BCK 22/11/2006 at 07:39

    Ele também levou o prêmio Bravo de cultura na categoria literatura (o nome é algo parecido com isso)

  • Leandro Oliveira 22/11/2006 at 08:35

    A grande novidade deste ano ficou por conta do anúncio da mudança do prêmio a partir do ano que vem. Entrarão na disputa escritores de língua portuguesa fora do Brasil.

  • Marco Gonçalves 22/11/2006 at 08:41

    Li na faculdade “Relato de um certo Oriente”, ainda seu melhor livro e ganhador do Jabuti em 1990 e virei fã(nático). Anos depois li “Dois irmãos”, e apesar de um pouco parecido com o anterior também achei notável o universo ficcional do autor. Aguardo com interesse a oportunidade de ler “Cinzas do Norte”.

  • Sudo 22/11/2006 at 10:17

    O pior é que, desde que o Prêmio foi inventado, só ganharam o primeiro lugar livros da Companhia das Letras (i.e. Unibanco)… Aí tem coisa…

  • cisco 22/11/2006 at 10:51

    Merecido. O livro é médio, mas o resto é ainda mais desprezível. Falta-nos um grande. Que Hatoum seja esse grande. Mas, pelo que leio aqui nos comentários do Todoprosa, dificilmente esse grande vai aparecer. Como escreveu o Gaston Gallimard em “polêmicas” passada, a turma é só carangueijo…

  • Milton Ribeiro 22/11/2006 at 11:00

    É um grande romance com um péssimo final. Porém, se acham que não há algo melhor…

  • cisco 22/11/2006 at 11:08

    Merecido. O livro é médio, mas o resto é ainda mais desprezível. Falta-nos um grande. Que Hatoum seja esse grande. Mas, pelo que leio aqui nos comentários do Todoprosa, dificilmente esse grande vai aparecer. Como escreveu o Gaston Gallimard em “polêmicas” passadas, a turma é só caranguejo?

  • Roberto 22/11/2006 at 14:13

    O Hatoum era barbada, mas fiquei feliz mesmo foi com o segundo lugar do Alberto Martins. Esse livro dele, “História dos ossos”, é uma pequena obra-prima: curto, direto, tocante. Recomendado.

  • Jonas 22/11/2006 at 14:29

    Discordo que o livro seja médio. Perde para o Dois Irmãos, mas é um dos grandes livros brasileiros da década. Mas nem que fosse uma Ilíada essa onipresença nos prêmios seria saudável; variedade sempre cai bem. O problema é que as opções não são lá tão abundantes..

  • 22/11/2006 at 15:42

    Mais para o mesmo do Hatoum e nada para o Mundo Inimigo do Luiz Ruffato, muito superior a todos que concorriam?

    Vai entender a lógica desses prêmios.

  • Saint-Clair Stockler 22/11/2006 at 23:41

    Só pra contrariar: “Toda unanimidade é burra”.

  • Arvênio Batista Fuegos 23/11/2006 at 02:35

    Tanto o História dos ossos, do Alberto Martins, quanto o Duas praças, do Ricardo Lísias, são infinitamente superiores a essa baboseira do Milton Hatoum. Mas o fator Companhia das Letras pesa sempre quando alguns dos jurados são quase iletrados e se deixam impressionar com grifes.
    Mas o mais assustador de tudo neste prêmio Telecom foi a inclusão da lamentável Claudia Ahimsa entre os dez finalistas, apenas para satisfazer os caprichos do seu marido, Ferreira Gullar.

  • Silviano Wilson Martins Tinhorão Piza 23/11/2006 at 10:56

    Luiz Rufatto bom? Eu li direito? O que vocês aí andaram bebendo para afirmar isso? Luiz Ruffato é ininteligível, um autor que deve escrever sentado numa privada de boteco. Só num país como o Brasil que não tem mesmo literatura que preste, é que um autor desses é lembrado.

  • Silviano Wilson Martins Tinhorão Piza 23/11/2006 at 10:57

    Pô, é claro que o Hatoum só ganhou porque é da Cia das Letras. Alguém tinha alguma dúvida? Não me admira se se até o bosta do Garcia-Roza, que também é publicado pela Companhia, faturar o prêmio qualquer dia desses…

  • Saint-Clair Stockler 23/11/2006 at 11:11

    Ah, moço, você acha o Ruffato mesmo ruim? Exatamente por qual razão (ou razões)? Eu gosto, gosto muito dessa língua toda particular dele. Fiquei curioso em saber os seus motivos.

  • Silviano Wilson Martins Tinhorão Piza 23/11/2006 at 11:21

    Ruim, não. Acho péssimo. Acho esse linguajar dele mirabolante e ridiculo. Não dá para entender o que ele escreve. E não venha me acusar de burro, pois sou fã de carteirinha de Grande sertão veredas. Nesse ponto concordo com um comentarista aí que disse que falta uma grande literatura no Brasil e é verdade. Na falta dela, nos resta valorizar esses escritores medíocres metidos a grandes literatos tipo Hatoum, Ruffato, Bernardo Carvalho etc. Fazer o que?
    Você gosta do Ruffato? Que bom. Gosto não se discute e eu não vou te atacar nem te acusar de nada por causa disso.

  • joao gomes 23/11/2006 at 11:56

    As resenhas de Submarino e Bravo! nao me estimulam a gastar meu rico dinheirinho em “Cinzas do Norte”. Telecom e seu Juri que me desculpe, mas me pareceu chato para caramba a historia do livro. Alias, parece que Hatoum vive se repetindo em suas obras. Bravo! diz que o livro fala da moral de uma epoca (mais ou menos isso). Entao o escritor é alcado a categoria de ensaista… filosofo … pensador do Brasil. Sera marketing de alta qualidade ??

  • cisco 23/11/2006 at 12:15

    pois é, Silviano. tô contigo. cadê a grande literatura brasileira? o machadão, hoje, paparia todos esses prêmios com uma mão nas costas. uma crônica dele venceria qualquer um desses romances. precisamos de um Dickens. alguém pode citar uma história da ficção brasileira que seja parte do nosso imaginário, que passe de criança a criança, de geração a geração, fora as do Monteiro Lobato e das lendas do nosso folclore? não há. nosso país é jovem, claro, nunca foi centro nevrálgico do mundo, como EUA, Inglaterra, França etc., claro, mas Oliver Twist, Tom Sawyer, Huckleberry Finn, o órfão Pip, Quasímodo, Esmeralda, Otelo, Julien Sorel, o Peter Pan… isso tudo faz parte da cultura e da civilização do país que o concebeu. nós não temos quase nada. Precisamos de um escritor universal. Já!

  • Roberto 23/11/2006 at 13:14

    “Precisamos de um escritor universal.” Socorro! Quero mudar pra Guatemala!

  • cisco 23/11/2006 at 13:14

    Já, Roberto, já…

  • Daniel Brazil 23/11/2006 at 13:22

    Ô Cisco, que tal Riobaldo, Macunaima, Gabriela, Diadorim, Capitu, Brás Cubas, Fabiano, Baleia, G.H., Quaresma?
    Paulo Coelho é universal, o que não quer dizer nada. Jorge Amado também é…

  • Silviano Wilson Martins Tinhorão Piza 23/11/2006 at 13:25

    Concordo, cisco. A literatura brasileira é a coisa mais provinciana e metida a besta que se tem notícia. Noves fora o grande Machado e mais uns 3 que já morreram faz tempo, o resto é horroroso. Num país onde Caio Fernando Abreu e Zé Rubem Fonseca, com seu texto pobre e escatológico são “cult” é pq a coisa tá muito feia, né não?

  • Silviano Wilson Martins Tinhorão Piza 23/11/2006 at 13:25

    Manunaíma é uma merda. Não dá para ler aquela bosta. É ilegível. O modernismo matou a literatura brasileira.

  • Silviano Wilson Martins Tinhorão Piza 23/11/2006 at 13:26

    Macunaíma… (corrigindo)

  • Oliveira 23/11/2006 at 14:02

    Como alguém assina com o nome de dois críticos retardados (Wilson Martins e Daniel Piza)?
    A questão não é saber se Macunaíma é bom ou não, mas se sua história entrou para o vocabulário corrente do brasileiro. E isso certamenta aconteceu, tanto que algumas cenas e frases – sem falar no protagonista – viraram moeda corrente nas conversas dos brasileiros.

  • Silviano Wilson Martins Tinhorão Piza 23/11/2006 at 14:12

    Oliveira: são quatro críticos. Esqueceu do Silviano e do Tinhorão.
    Como a questão não é saber se Macunaíma é bom ou não? Claro que é essa a questão. E o Macunaíma não é ruim não, Macunaíma é uma merda. E que negócio é esse de que a história entrou para o vocabuláriuo corrente do brasileiro? Quem leu Macunaíma? Pergunta pro funcionário da padaria que tu freqüentas ou pro jornaleiro o que ele achou de Macunaíma. O cara vai achar que é xingamento. Em que mundo tu vives, hein? No monte das Oliveiras?

  • cisco 23/11/2006 at 14:14

    Daniel brasil lembrou Belaia, a grande, inesquecível e imortal Baleia. Tá certo, mas o resto é bobagem. Para o Oliveira, memso, as crianças do Brasil inteiro riem de Macunaíma. Mas o que mais as diverte, decerto, é Diadorim. Sem dúvida.

  • Oliveira 23/11/2006 at 16:06

    Mas o Silviano e o Tinhorão têm seu valor. Ao contrário dos outros dois.
    E, afinal, vocês então estão falando de literatura infantil e eu não tinha entendido… Agora sim está explicado.

  • Jonas 23/11/2006 at 16:17

    Sérgio, outro debate que vale explorar é que o Telecom vai permitir autores de outros países de língua portuguesa. Saramago e Lobo Antunes disputando com os Marcelinos e Mirisolas? Ih..

  • Paulo 23/11/2006 at 17:12

    Meus caros, desculpem-me a sinceridade, mas Luiz Ruffato não dá. Simplesmente não dá. Luiz Ruffato é de matar. Este homem precisa voltar a si algum momento e perceber que ainda há tempo de ele buscar a sua verdadeira vocação. Meus caros, tenham um pouco de auto-estima, um bocadinho de orgulho, sejam ambiciosos, nem que seja só um pouquinho. Ruffato é leitura infantil, uma literatura fofa, fofinha, mas não é digna de nota num site como este aqui.

  • Paulo 23/11/2006 at 17:18

    E por favor, meus caros, antes que citem Nelson Oliveira! Por favor!

  • Paulo 24/11/2006 at 01:25

    Poxa, Paulo, não tô querendo o monopólio do nome, mas… a gente precisa combinar algo para evitar a confusão. Afinal, eu sou eu e você é você.

    Bem, talvez seja o caso de não comentar mais…

  • João Marcos 24/11/2006 at 15:59

    Quando comecei a me interessar por literatura, ainda criança, no início da década de 80, em qualquer lista dos (poucos) prêmios literários existentes havia nomes como Carlos Drummond de Andrade, João Cabral de Melo Neto, Lygia Fagundes Telles, Autran Dourado, José J. Veiga, Fernando Sabino, Adonias Filho… Naquela época, Rubem Fonseca era um nome na lista dos mais vendidos da Veja e Paulo Coelho, o letrista do Raul. Gostava daqueles tempos.

  • Silviano Wilson Martins Tinhorão Piza 24/11/2006 at 18:47

    Ô João Marcos, a década atual também é boa. Olha só: em qualquer lista dos (poucos) prêmios literários existentes há nomes como Milton Hatoum, Luiz Ruffato, Marcelino Freire, João Gilberto Noll, Marcelo Mirisola, Bernardo Carvalho, Patricia Melo? Nessa época, MV Bill é um nome na lista dos mais vendidos da Veja e Rubem Fonseca, objeto cult da garotada moderninha pseudo-letrada, porque fala de sexo, drogas e escatologia e Paulo Coelho é o nome brasileiro na literatura internacional. Por que não gostar, também desses tempos?

  • maria 27/11/2006 at 01:06

    Para o pseudo Silviano Wilson Martins Tinhorão Piza e sua turma de fracassados: por que tantos remorsos e rancores para falar de Luiz Ruffato? o cara é sério, escreve muito bem, e está acima deste nível de conversa. Por que será que as pessoas escrevem com tanto rancor para falar de quem está escrevendo ou tentando escrever neste país? é um recalque? tudo bem que não são gênios, concordo que concorrer com Machado ou atualmente Lobo Antunes é foda, mas…comentários para denegrir desta maneira, pra mim tem outro nome.

  • Silviano Wilson Martins Tinhorão Piza 27/11/2006 at 15:43

    “Por que será que as pessoas escrevem com tanto rancor para falar de quem está escrevendo ou tentando escrever neste país? é um recalque?”
    Não. É senso crítico. Luiz Ruffato é ruim. Só isso.

  • 27/11/2006 at 16:04

    “Ruim” é um ótimo argumento para desqualificar uma obra. Tão tacanho (não vou dizer infantil porque o senso crítico das crianças tem muito valor) quanto o carinha aí diz ser o Ruffato.

    Só para me certificar: O Silviano evocado aí não é o Santiago, é? Porque se for, o fulaninho aí nunca nem passou perto do que ele escreveu para juntá-lo aos Wilsons, Tinhorões e Pizas da vida…

  • Oliveira 28/11/2006 at 09:11

    O Tinhorão tem seu valor. Ele pelo menos pesquisou muito, o que é importante para a cultura brasileira.
    E o Ruffato de “Eles eram muitos cavalos” representou, para mim, a última grande novidade da literatura brasileira.

  • Antonio Rocha 28/11/2006 at 20:30

    O Brasil tem uma grande literatura em Bruno Tolentino. Ele é um poeta de mão cheia, que redime toda a cultura de um país. Está certo que não é romancista, mas acho que podemos ter esperança se o Brasil tem um poeta como o Tolentino. Basta ler “Imitação do Amanhecer” (que não é um livro fácil!) para ver o nível da arte que ele faz.

  • D.Kalazzy(Denise) 28/04/2009 at 19:03

    Pq as pessoas q ñ conseguem escrever um livro,um conto,uma crônica,um poema ,odeiam tanto quem faz isso com maestria?
    Pq um píntor de paredes deve odiar da Picasso ou Portinari?
    O rancor,a inveja,o ódio mata uma pessoa aos poucos.

  • jose roque da s carneiro 19/01/2013 at 17:12

    Adoro ver as críticas de muitos leitores sobre a literatura do Milton,que,por sinal,conheço desde quando voltou do doutorado na França.As criticas pecam pela falta de profundidade e,talvez,um pouco pelo ‘despeito’ sulista de quem não conhece a literatura amazonense(brasileira para ser fiel aos compêndios de Teoria da Literatura). São críticas vazias q não analisam a epifania de vozes q medeiam a obra de Hatoum. Desenvolvo um trabalho de análise dos livros desse escritor há cerca de 10 anos. O que é interessante na obra dele é a facilidade com a qual as obras dialogam com outros grandes autores nacionais,como Machado,por exemplo. A posteridade vai pôr sua obra no lugar merecido da literatura mundial.

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