Mo Yan, Morrissey, Maura e outros links

06/03/2013

O chinês Mo Yan (foto), Nobel de literatura do ano passado, se defendeu em entrevista ao Der Spiegel – a meu ver, bem – das acusações generalizadas de ser um escritor governista. Em inglês (melhor do que alemão, certo?), aqui. Como noticiou ano passado o vizinho “Veja Meus Livros”, Mo Yan é considerado por alguns especialistas ocidentais em assuntos chineses uma espécie de “via do meio”.

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Morrissey, em momento de rara infelicidade (que o Guardian criticou aqui), disse que não haveria guerra se todos os homens fossem gays, porque “gays não matam”. Alguém aí dê ao Moz um exemplar de “As benevolentes”, por misericórdia.

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Estou bem curioso para ler essa biografia da talentosa e atormentada escritora mineira Maura Lopes Cançado, que teve uma vida triste. Ainda no forno, mas promete.

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Deve ser, disparado, a pauta preferida do jornalismo inglês que trata de literatura: por que é tão difícil escrever cenas de sexo, blablablá. Durante algum tempo dei trela para o assunto aqui no blog, mas confesso que estou cansado. A obsessão com o sexo na literatura me parece cada vez mais um problema de quem vive uma escassez de sexo fora dela. Reconheço que Daniel Galera discorreu bem sobre o tema no “Globo” esta semana, mas ainda prefiro a bela e elíptica cena que ele escreveu em “Barba ensopada de sangue”. Para quem quiser conferir, está nas páginas 81 e 82.

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Os inumeráveis cultores do eu que me desculpem, mas a narração em terceira pessoa é o teste definitivo de um escritor. Banca de doutorado, manja?

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De resto, é como disse Kingsley Amis, mais conhecido como pai do Martin: “Se não for para atazanar alguém, não faz muito sentido escrever”.

5 Comments

  • Renato 06/03/2013 at 17:44

    Se formos por essa sua teoria da terceira pessoa, Javier Marías ainda está no colegial então.

  • Renato 06/03/2013 at 17:45

    Ah, e Sebald morreu sem se diplomar…

    • sergiorodrigues 06/03/2013 at 18:35

      Hehe, não exagere, deixe os caras tirarem o mestrado.

  • charlles campos 06/03/2013 at 22:44

    Proust escreveu sua grande obra em terceira pessoa.

  • Andre Albuquerque 10/03/2013 at 04:39

    A grande maioria dos contos de Poe, é escrita na primeira pessoa.Não é o narrador e sim a narrativa que determina a importância da obra.

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