Muamar Kadafi, o escritor

23/02/2011

Certamente não será o maior de seus pecados – a competição, afinal, é duríssima – mas o ditador líbio Muamar Kadafi também se julga escritor. Depois de lançar em 1975 sua obra mais conhecida, o “Livro verde”, um panfleto político-ideológico que se gaba de apresentar “a solução teórica definitiva do problema da ‘máquina de governar’”, Kadafi publicou nos anos 1990, quem diria, um volume de contos – ou coisa parecida. Escape to hell and other stories (Fuga para o inferno e outras histórias) teve uma tradução lançada na Inglaterra no finzinho do século passado e ainda está à venda na Amazon britânica – aqui.

Nas palavras do editor, “nesta coletânea, além das visões de um revolucionário e profeta, descobrimos um escritor e um ensaísta”. A crítica do “Guardian” foi bem menos benevolente: “O que descobrimos é uma mente que não consegue desenvolver um pensamento coerente por muito tempo, é cheia de dicotomias grosseiras e de nonsense, e tagarela aleatoriamente, implodindo antes de explodir de novo numa erupção de palavrório surreal”. Ou seja, Kadafi puro.

9 Comments

  • Afonso 23/02/2011 at 16:51

    Não deixa de ser “profético” o título do volume de contos.

  • Zuma 23/02/2011 at 20:19

    E ai daquele que criticar os escritos desse “grande” escritor oriental! Na certa, ele deve ter roubado as letras de algum torturado politico!

  • pedro curiango 24/02/2011 at 02:55

    A Amazon americana também vende o livro, em impressão diferente. Curiosidade: o prefácio, bastante elogioso, foi escrito por Pierre Salinger, que foi secretário de imprensa dos presidentes americanos Kennedy e Johnson.

  • sergiorodrigues 24/02/2011 at 10:00

    Amizade antiga e não só literária, Curiango. Salinger foi o maior defensor da tese de que a bomba que derrubou aquele Boeing da PanAm em 1988 na Escócia foi coisa do Irã e não da Líbia.

  • Pedro 24/02/2011 at 22:54

    Desde o post relembrando o romance do Sarney e seu famoso ensaio crítico, feito pelo Millôr, o Todoprosa não presta um serviço desse quilate à Literatura mundial.

    Acho que o “Dinejá” também é dado a umas letrinhas. Deve valer a pena conferir.

    E não no mesmo registro, mas quase, vale a pena também uma folheada na “auto” do Lobão. Como diz um amigo meu, “quem gosta se amarra”.

  • Santos 07/03/2011 at 00:55

    O “mal” de nosso bravo povo é criticar o povo (digo – chefes de estados) alheio. Pior temos em nosso país, “antes um ditador do que um ladrão descarado” que ri da miséria do próprio povo ou uma presidente satanista, sem mais…

  • Ana 20/03/2011 at 10:35

    Caro Santos, sem desrespeito à sua opinião, mas você não acha que comparar a situação do nosso maravilhoso país, onde temos liberdade de ir e vir e até de escolher nossos governantes, com a situação do povo líbio seja um disparate. Afinal, estamos livres da ditadura há muito tempo e, se estivéssemos nela ninguém poderia emitir sua opinião da forma que estamos fazendo agora por esse site. Não deseje uma ditadura querido. Pois quando dizes “antes uma ditadura…” é isso que fica subentendido!!!!!

  • DEMORGAN PEDRO 27/04/2011 at 15:34

    THE LIBYAN LEADER, MUAMMAR KADHAFI , TEM UMA SIGNIFICAÇAO MUI FORTE PARA TODOS OS AFRICANOS, ELE PROVOU AO MUNDO A SUPREMACIA DO SEU ESTADO, EXPULSANDO OS NORTE AMERICANOS NA LIBIA.

Social media & sharing icons powered by UltimatelySocial