O acidente da ‘Arte e Letra’

17/09/2008

A elegante revista literária “Arte e Letra”, de Curitiba, estreou em maio deste ano e, como tem periodicidade trimestral, está apenas no número dois – ou edição B, como preferem os editores. Mas já é um desses milagres ou acidentes editoriais que, sendo inteiramente imerecidos por nosso mercado leitor, só nos resta torcer para que não se acabem depressa demais. (O critério alfabético sugere uma expectativa de vida de no máximo vinte e poucas edições, ou seja, em torno de seis anos. É coisa à beça no gênero, mas acho que eu consideraria a infinitude dos números mais reconfortante.)

Embora o timing seja obviamente fortuito, o fato de a edição B trazer uma rara tradução de David Foster Wallace para o português é também eloqüente. Num momento em que o luto pesado pela morte prematura do talentoso escritor americano vai se espalhando para nublar o horizonte até de quem nunca o leu, os fragmentos do ensaio sobre o cineasta David Lynch (que consta do livro A Supposedly Fun Thing I’ll Never Do Again), com tradução de Caetano Waldrigues Galindo, lembram a importância de uma coisa chamada edição inteligente – ou inteligência editorial, tanto faz. Nunca é demais lembrar que DFW tem um único livro lançado no Brasil.

O mesmo número da “Arte e Letra” tem ainda H.L. Mencken, Luigi Pirandello, G.K. Chesterton, Miguel Sanches Neto, J.M. Coetzee e Machado de Assis.

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