O calor, a baleia e a promessa

01/07/2009

Primeiro dia de Flip, e a melhor notícia – além de que as coisas estão funcionando conforme o previsto, tudo calmo no front – é a temperatura agradavelmente tropical que resistiu ao cair da noite, coisa inédita por aqui em minha experiência: normalmente, mal o sol se esconde, o inverno de Parati exige casacos e pulôveres imediatamente, por maior que tenha sido o calor durante o dia. Não foi o caso desta quarta-feira. O show de Adriana Calcanhotto, daqui a pouco, promete ser o primeiro da história da Flip a ser degustado em mangas de camisa. Um bom prenúncio – apesar das previsões de chegada de chuva pesada, que variam entre amanhã e sábado, agourarem ruas enlameadas e um certo mau humor generalizado. Mas no momento, sentindo a brisa morna que assovia na boca da baleia branca alegórica que domina a Praça da Matriz – e que a princípio eu achei que fosse Moby Dick, mas é a do Pinóquio, que branca não era – meu ceticismo em relação aos meteorologistas é invencível.

Amanhã é dia de encarar o público, o que é sempre uma provação, mas a esta altura parece um preço justo a pagar. Acho promissora a mesa “Verdades inventadas”, uma das mais coesas que já encontrei nesses anos todos de Flip. Se é verdade que “Os irmãos Karamabloch”, de Arnaldo Bloch, e “A chave de casa”, de Tatiana Salem Levy, formam com meu “Elza, a garota” um conjunto heterogêneo de livros, também é inegável que eles têm em comum a mistura de elementos de não-ficção – memória familiar (no caso de Tatiana), memória familiar e pesquisa histórica (no caso de Arnaldo) e pesquisa histórica (no meu caso) – com imaginação. Aquilo que muito gente considera mentira e que pode ser apenas, como sabem os bons leitores, o mais rápido atalho para a verdade.

No almoço de recepção hoje à tarde, na Pousada da Marquesa, pouco falamos do debate de amanhã, o que achei saudável. A certa altura, Tatiana observou que considera nossos livros muito diferentes. São mesmo, o que só aumenta minha expectativa de uma boa conversa amanhã, na Tenda dos Autores. Depois dou mais notícias.

5 Comments

  • josé rubens 02/07/2009 at 10:18

    Prezado Sérgio,

    A questão da “verdade” em literatura é algo fascinante, origem de muitas dúvidas e acalorados debates. A literatura tem esse poder de borrar os limites, mais do que qualquer outra arte. Ela cria imagens muito fortes, muito nítidas no nosso inconsciente. A obra de Balzac é uma fonte preciosíssima acerca da vida cotidiana da França do Século XIX, muito embora ela é encarada como a mais pura ficção literária.

    Como voce mesmo disse, será bastante promissora sua mesa.

    Acho que todos os que compartilham desse espaço aqui aguardam ansiosos seus comentários acerca do debate.

    Boa sorte!

  • Wagner de Oliveira Lima 02/07/2009 at 16:05

    Sou blogueiro também tenho dois blogs:JORNAL DO LIVRO-a cultura levada a sério,onde é publicado material de cultura de minha cidade e região,além de noticiário nacional sobre cultura e literatura.
    O outro blog é evangélico ‘MENSAGEIRO DE CRISTO-o recado do Pai aos nossos corações.

  • Eric Novello 02/07/2009 at 18:09

    Ah, essa tal religião.

    Abss!

  • kylderi 02/07/2009 at 18:11

    Sérgio, o que houve com o site do Rascunho no qual está uma entrevista sua?

  • Inutil 02/07/2009 at 18:13

    OFF TOPIC: parece que mandaram toda a área editorial da
    Nova Fronteira embora. Seria a primeira medida do grupo LEYA?

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