O Google está mexendo no seu cérebro

22/07/2008

Já não penso da mesma forma que costumava pensar. Percebo isso com maior nitidez quando estou lendo. Mergulhar num livro ou num artigo de fôlego era fácil. Minha mente era conduzida pela narrativa ou pelos contornos do argumento, e eu ficava horas passeando por longas extensões de prosa. Isso raramente ocorre agora. Hoje minha concentração quase sempre começa a se perder depois de duas ou três páginas. Fico inquieto, perco o fio da meada, começo a procurar outra coisa para fazer. Sinto-me como se sempre tivesse que arrastar meu cérebro rebelde de volta ao texto. A leitura profunda que costumava me vir naturalmente tornou-se uma luta.

Acho que sei o que se passa. Por mais de uma década, tenho ficado muito tempo online, pesquisando, surfando e às vezes contribuindo para o crescimento dos grandes arquivos da internet.

À primeira vista pode não parecer, mas vai muito além do tolo alarmismo anti-web o artigo – “de fôlego” – publicado por Nicholas Carr na revista “Atlantic Monthly” (em inglês, acesso gratuito), com o título O Google está nos deixando burros?. O autor especula sobre como a rede mundial de computadores, ao mudar nossa relação com a leitura, estaria reprogramando nossos cérebros.

O título chamativo não faz justiça ao texto. Embora seja um conhecido adversário dos utopistas tecnológicos, Carr não é um reacionário. Lembra que seria fácil repetir hoje o erro de Platão, que, ao prever que a escrita enfraqueceria nossa memória e multiplicaria o conhecimento às custas da verdadeira sabedoria, tinha sua dose de razão, mas sofria de visão curta: a longo prazo, os benefícios da técnica tornaram seu argumento ridículo. Um cara preocupado, isso Carr é mesmo. Mas quem vai dizer que lhe faltam motivos?

44 Comments

  • Felipe Agnello Ceranto 22/07/2008 at 12:17

    Eu concordo com o autor, pelo menos a curto prazo. O fato da existência de banco de dados online veio a facilitar a nossa vida, isso é fato, mas também fez com que nossa leitura se extinguisse a palavras chaves.

    Nosso cerebro não trabalha mais para longas leituras, trabalha para leituras curtas que contenham alguma informação. Como disse, a curto prazo acho isso preocupante, mas como muito bem lembrado por ti, Platão queimou sua lingua, espero que Carr também venha a queimar.

    Abraço

  • Rafael 22/07/2008 at 12:38

    Não me parece que Platão tenha queimado a língua. A profecia de Sócrates em Fedro cumpriu-se: a memória humana acomodou-se às facilidades proporcionadas pela escrita. Basta lembrar que os dois poemas homéricos, Ilíada e Odisséia, eram recitados de memória pelos aedos. Só foram reduzidos por escrito muitos anos após a morte de Homero (será que o inaugurador da poesia ocidental sabia ler e escrever?). Algo se perdeu com a escrita.

    O sacrifício que a internet está impondo não é desprezível. Perde-se, com ela, o gosto pelo acaso, pela observação direta do mundo, pelo intercâmbio real entre os homens. A difusão maravilhosa da informação proporcionada pela internet vem acompanhada pela imbecialização, processo irrefreável que decorre naturalmente pela recusa à meditação.

  • Saint-Clair Stockler 22/07/2008 at 12:52

    Bem, eu já tinha detectado essa modificação no meu próprio modo de ler. As palavras do Carr são um exato eco das minhas impressões. Pra mim também, de uns anos pra cá, é muito difícil ficar horas lendo grandes extensões lineares de texto. Fico inquieto, desconfortável. Mas vejo a coisa com bons olhos: acho que isso pode, de alguma forma, modificar a produção dos livros (e não destruí-los). Uma espécie de “Rayuela” superdesenvolvido pode estar surgindo. Aliás, já houve algumas tentativas (inclusive no Brasil; o Nelson de Oliveira, anos atrás, tentou escrever um folhetim virtual – mas me parece que a idéia não foi pra frente). A questão é que a gente – ou uma perte de nós – já não pensa mais linearmente. Pensa “em esfera”, como eu costumo dizer. A consciência não segue uma linha de A a B e sim se expande em todas as direções (quase) simultaneamente. Quem sabe isso não nos está preparando para um salto evolucionário?

  • pense 22/07/2008 at 13:12

    vamos fazer o seguinte:
    extinguiremos os catalogos telefonicos, os sistemas de busca eletronica da biblioteca, o sistema de codificacao de dados, e o “google”…
    … pra que simplificar nossa vida, pra gastarmos mais tempo avançando em algo melhor, se podemos complicar-la.
    OBS enquanto digitava o texto pensei, poderiamos ter um teclado para digitar onde inves de simplificado tem mais caracteres em uma tecla tivessemos uma tecla para cada “caractere”.
    VIVA A LIBERDADE DE PENSAMENTO, OU A LIBERDADE DE COMENTAR TUDO SEM PENSAR

  • Rafael 22/07/2008 at 13:19

    No comentário acima, um flagrante do salto evolucionário de que nos fala Saint-Clair.

  • Ranza 22/07/2008 at 14:14

    FORA Dunga!

  • Mr. WRITER 22/07/2008 at 14:26

    A mim, nem o google e nem a Web de forma geral me tiram a vontade de ler… Pelo contrário, toda vez que estou navegando por muito tempo fico irritado e deixo o PC de lado e vou ler alguma coisa mais tátil, por assim dizer. Até porque acho um tremendo pé no saco com bota de alpinista ler direto da tela do monitor.

    Prefiro livros e revista.

  • Diego Moraes 22/07/2008 at 15:17

    é vero.romances kafkianos agoram são lidos com extremo esforço.

  • Cezar Santos 22/07/2008 at 15:25

    Sérgio,
    o fato é supernatural…depois de uma certa idade, não sei precisamente qual e que varia de pessoa pra pessoa, à medida que envelhecemos essa capacidade de concentração vai sofrendo uma certa perda. No meu caso, por exemplo, antes eu tolerava livro chato numa boa. Iniciado um livro, eu não o largava de jeito nenhum. Hoje, se o livro é ruim, deixo sem peso de consciência. Fora isso, sinto que a facilidade antiga para “entrar” no texto já não é tâo natural assim. Acho que é pura questão de DNA (Data de Nascimento Antiga), será que né não?

  • Monise Leal 22/07/2008 at 15:37

    O motivo real é a idade chegando….

  • Leonardo C. 22/07/2008 at 15:43

    Concordo plenamente… minha nossa, como era fácil pra mim ler livros há alguns anos atrás, e hoje que sou um rato de internet, minha mente é hiperativa e minha atenção luta contra si mesma pra se manter de antemão fragmentada… Mas será culpa apenas do Google? :p

  • Cassio Bichara Jemael 22/07/2008 at 15:54

    huahuhaua..
    Concordo com Monise…
    Isso aí é mais problema de idade do que tendência…

  • Leonardo C. 22/07/2008 at 16:30

    Srs, não acho que seja a idade, talvez vocês não utilizem a internet intensamente. Imaginem que absolutamente qualquer coisa que vocês queiram ler a respeito encontra-se a poucos cliques de distância, e seja qual for a fonte que você encontrou pra ler/aprender sobre, há razoáveis chances de existir uma melhor, que você por enquanto desconhece.
    Ter MSN, emails, ter de se comunicar com várias pessoas ao mesmo tempo.. ter que ler continuamente vários textos pequenos e não correlacionados(como por exemplo os comentários deste blog.)
    Pra mim uma realidade dessa dificulta a concentração de qualquer um.. hehe

    Preciso mudar de profissão.. deus do céu.. :p

  • Gabriel X.B. 22/07/2008 at 17:07

    Este seu artigo dá prova que seu jeito de escrever mudou também. Não consegue mais escrever longos artigos. Em vez, pega o artigo em inglês de 10 páginas e o resume em 10 linhas.
    Nossa capacidade de leitura é um gás. Se expande em todo o espaço que tem à disposição. Quando o texto é curto, lemos pouco, fatalmente.

  • Mr. WRITER 22/07/2008 at 17:19

    Engraçado, ao longo dos anos fiz o processo inverso desse… Mergulho de cabeça nos livros que tenho para ler e vou deixando de lado muita coisa real em troca de algumas horas de leitura e viagem. Com o passar dos anos me tornei mais imersivo.

  • Bruno 22/07/2008 at 17:42

    O que eu acredito que acontecerá (e espero que aconteça logo, já na geração que está nascendo nesta década) é que deveremos ensinar as crianças como lidar com grandes quantidades de dados e informações, como filtrar coisas boas de ruins. Para isso, elas terão de ter ótima educação, saber passear por quaisquer tipos de assuntos e na escola deverão aprender o que é verdadeiro/real para poder discernir o bom e o ruim da grande quantidade de informações a que terão acesso através de utilização de raciocínio lógico a todo momento.

  • C. S. Soares 22/07/2008 at 18:04

    Sérgio, por coincidência, estou escrevendo sobre esse assunto.

    Sugiro (aos que tiverem um tempinho) que comparem o texto de Carr ao de Bush (não o George, mas o Vannevar), “As we may think”, publicado na mesma Atlantic, em julho de 1945.

    Lá, entre outras “previsões” falou-se, pela primeira vez, do conceito de “hipertexto”.

    O cérebro, colegas, é “plástico”, é uma estrutura adaptável: a evolução (sim, evolução) é inevitável!

  • JB 22/07/2008 at 18:40

    Acho a internet fundamental nos dias de hoje, mas tenho saudade dos tempos da escola em que tinha que pesquisar em livros.
    OBS: Pode ser idiota o que vou escrever, mas as pessoas eram mais inteligentes sem internet.

  • adriano santos 22/07/2008 at 19:21

    concordo com alguns pontos ,mas também temos que
    saber separar as coisas ,e dividir o tempo acho as vezes que a internet é muito util mas deixa agente muito preguiçoso

  • Leandro 22/07/2008 at 21:28

    Sérgio e comentaristas, discordo de que o Google “per si” seja o culpado por essa apatia mental que se instaura atualmente. Mais culpados que o site de busca são a preguiça de ler (que encontrou no Google grande defesa e que sempre existiu) e a impaciência(que se transfigura em falsa urgência) com que vivenciamos o trabalho, a família e as relações pessoais.
    É extremamente difícil ler poesia. É extremamente difícil escrever cartas de amor. É extremamente difícil ouvir uma história que um mais idoso conta. É extremamente difícil observar uma escultura. É extremamente difícil CONTEMPLAR.
    Tem me incomodado muito certa necessidade de ação, de se fazer desenfreadamente, como se o mundo fosse acabar. É difícil não cair nessa armadilha.

  • João Alcântara de Meireles 22/07/2008 at 21:29

    Relutei em abraçar o computador-internet, google etc. Estou um ano on-line. Lia 20 /30 livros ano, alem de revistas, programas da televisão e filmes. Hoje não animo-me à leitura mais densa, pouco vejo televisão, raramente loco um filme, e as revistas foram relegadas. Ou estou sendo reprogramado, ou futuro será da leitura fragmentada, diversificada e resumida no essencial.

  • Guilherme 23/07/2008 at 02:39

    Primeiro de tudo eu acho que o artigo de Nicholas Carr mostra mais uma constatação sobre ele mesmo do que algo geral. Porém ele argumenta que muitas pessoas estão sentindo a mesma coisa… Bem, o que eu digo é: as coisas mudam, passam, se transformam. Não conseguir se concentrar em um livro por muito tempo ou não lembrar o número do próprio telefone não é sinal de burrice. Não pra mim pelo menos… Quem foi que estabeleceu o que é bom ou ruim, certo ou errado, inteligente ou estúpido?

    As coisas apenas mudam.

    P.s: Eu nunca perdi minha capacidade de contemplação (como Nicholas sugere no seu texto). Mas eu penso que isso não tem nada a ver com a existência ou não da internet e sim com a minha própria vontade de viver o que estou vivendo. De sentir o que estou sentindo. Portanto, eu acho que tudo isso é um problema mais individual, mas que reflete socialmente uma vez que, por conta da massificação da informação e das culturas tem procuzido cada vez mais um ambiente único que permeia toda a sociedade ocidental que acaba sofrendo da mesma doença.

  • dark 23/07/2008 at 07:33

    na verdade…acho q vc ta ficando velho resmungao!
    a idade ta pesando!
    cansado de ler?
    compra um mp4 e vai escutar os audio ebooks!

  • Steve 23/07/2008 at 08:51

    Eu me sinto exatamente assim. Também não consigo organizar as idéias e escrever um texto.

  • Sérgio Rodrigues 23/07/2008 at 10:12

    Steve: repare que o Nicholas Carr, embora se queixe de dificuldades de concentração, consegue organizar as idéias e escrever um texto. Bom e longo, aliás. Talvez você devesse buscar explicações para esse problema fora da internet.

    Gabriel X.B.: ri muito com seu comentário. Queixar-se de brevidade e concisão num blog faz tanto sentido quanto ir à praia e reclamar de toda aquela areia. O artigo em questão nem existiria se não fosse assim. Caso esteja interessado nos meus escritos de maior fôlego, achará um breve guia para eles aqui na barra da esquerda, em “Sobre o autor”.

    Sobre o divertido argumento da idade, que alguns levantaram aqui, quem sabe não terá mesmo algo a ver com as queixas de Carr. A idéia só tem um ponto fraco: tudo indica que na média, e bem ao contrário, a dificuldade com textos longos é inversamente proporcional ao número de anos que o sujeito carrega.

    Abraços.

  • Francisco 23/07/2008 at 10:59

    Olha só amor! Tome cuidado!!!!

  • PeNtHeLiO 23/07/2008 at 11:07

    Se a idade interfere, prá mim foi ao contrário, meu acesso a net se deu em 2003 – recente portanto, e meu interesse pela leitura de livros/google aumentou, pelos flashs obtidos no google e pelos comentários dos blogs, passei a uma leitura dirigida, pois nosso dia, é muito rápido, muito corrido, como comentado, nos fazendo ser dirigidos (diretos) e objetivos e não mais burros.

  • ELIANE 23/07/2008 at 11:19

    Leitores,
    Acredito que não seja culpa do GOOGLE, as pessoas que gostam de ler e tem o hábito devoram tudo que vêem pela frente mesmo que seja na tela do micro.
    ABS

  • Kátia 23/07/2008 at 11:39

    Excelente post.
    Não há nada de reacionário em Carr e nem mesmo é culpa do Google. É uma questão de adaptação, assim como ocorreu com a escrita e a memória…aos poucos (oxalá seja mais rápido!) vamos aprendendo a conciliar as várias formas de linguagem.
    Passo pelo mesmo drama. Adoro a leitura, mas o imediatismo da notícia online me deixa com a sensação de culpa, de estar perdendo algum fato importante. Em seguida lamento não estar usando o tempo para ler, afinal, os fatos não são tão online assim e nem rápidos demais para não serem recuperados em meia hora.
    Quero acrescentar outro fator. O barulho – ou melhor, a tempestade – que a internet causa no cérebro nos deixa sem silêncio e paz para uma boa leitura. É difícil ouvir a “voz” da leitura, que nos prende ao texto. Mas prefiro ter paciência e tentar (eu disse tentar) um pouco de yoga, para relaxar.

  • Márcio. 23/07/2008 at 11:43

    Quando eu não tinha internet eu lia muito, li muitos livros. E hoje eu também não consigo ler mais livro nenhum. As vezes isto me preocupa. Mas não é questão de idade, pq os jovens de hoje leem poucos livros. O que mudou nossos hábitos é a internet mesmo, e não só o google. Mas, viva a modernidade.

  • C. S. Soares 23/07/2008 at 11:56

    Pensamos por associação, logo, hipertextualmente. Certas leitura (as de pesquisa, por exemplo) requerem “saltos” de 1 livro a outros. Vejam: antes, em um mundo cheio de “filtros” os “escritores” (e antes os editores) funcionavam como “agregadores do conhecimento”, as fontes eram filtradas. Agora, com o mar de informações da internet, os leitores também são agregadores. Isso muda nossa relação com os textos. Penso que teremos que rever nosso conceito de tempo, pois este fica cada vez mais escasso.

    O “inimigo” não é o Google, mas a nossa própria capacidade de adaptação, quer dizer, nossa “vontade de não-adaptação”, já que o cérebro, este já está se adaptando.

  • C. S. Soares 23/07/2008 at 12:03

    A respeito da “leitura”, mais ou menos frequente, também é digna de menção a questão levantada pelo professor Steven Johnson a respeito do “To Read Or Not To Read” relatório do NEA indicando o decréscimo da leitura nos EUA: http://www.guardian.co.uk/technology/2008/feb/07/internet.literacy

  • C. S. Soares 23/07/2008 at 12:07

    A respeito da “leitura”, mais ou menos frequente, também é digna de menção a questão levantada pelo professor Steven Johnson a respeito do “To Read Or Not To Read” relatório do NEA indicando o decréscimo da leitura nos EUA. : the dawn of the digital natives…

  • Rafael Trindade 23/07/2008 at 12:36
  • Steve 23/07/2008 at 13:12

    Sérgio
    Cara, não é só eu que sinto isso. Diversos amigos estão se queixando de dificuldade de concentração, memorização e organização das idéias para escrever. A sensação é de um “vazio” (?) na hora de organizar as idéias e escrever. Em comum todos desenvolviam excelentes idéias e produziam ótimos textos. Porém, à medida que aumentava o número de horas passadas na internet diminuia a qualidade e a quantidade da produção intelectual. Essa coisa de “reprogramação mental” parece que faz sentido.

  • Andréa 23/07/2008 at 13:14

    O tempo é uma invenção do homem. Não parece que a questão de fundo do artigo seja do texto e sim do tempo.
    Fiquei pensando, num momento antes da escrita, onde as histórias eram contadas, ou, mesmo antes, quando as experiências tinham que ser experimentadas pessoalmente.
    As mudanças na linguagem exigem, também, mudanças na percepção e na assimilação. Nem melhor, nem pior. Só diferente.
    Espero que seja possível descobrir os prazeres dessa nova linguagem. Tomara!

  • Steve 23/07/2008 at 13:23

    Concordo com o Comentário de C. S. Soares — 22/7/08 | 18:04

    “O cérebro, colegas, é “plástico”, é uma estrutura adaptável: a evolução (sim, evolução) é inevitável!”

  • Sérgio Rodrigues 23/07/2008 at 13:55

    Rafael, obrigado pelo link. Recomendo o excelente fórum da Britannica a todo mundo que quiser se aprofundar nessa discussão. Tem opinião para todos os gostos lá.

    http://www.britannica.com/blogs/2008/07/this-is-your-brain-this-is-your-brain-on-the-internetthe-nick-carr-thesis/

  • Max Aue 25/07/2008 at 01:31

    No seu, certamente…

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