O melhor dos contos de Natal

24/12/2006

O “conto de Natal” é um subgênero mortífero. Se for muito natalino, dificilmente escapa de ser má literatura. Se não for nada natalino, pode até ser boa literatura, mas conto de Natal não mais será. Por isso, de vez em quando nessa época eu releio e renovo minha admiração por “Natal na barca”, de Lygia Fagundes Telles, o melhor conto natalino que conheço, publicado no livro “Antes do baile verde” (1970). Para ler ou reler, é só clicar aqui. Bom Natal para todos.

35 Comments

  • Saint-Clair Stockler 24/12/2006 at 01:53

    Ah, impressionante! É o meu conto preferido da Lygia, e eu também sempre o releio no fim do Ano. Acho-o perfeito. Bela lembrança, Sérgio.

  • Saint-Clair Stockler 24/12/2006 at 02:00

    Ah, sim: feliz Natal pra você. E pra todos.

  • Tamara Sender 24/12/2006 at 05:13

    Para mim, nada barra o “Peru de Natal”, de Mário de Andrade. Obra-prima!

  • João Paulo 24/12/2006 at 06:27

    Caramba!!!

  • Te 24/12/2006 at 10:49

    Obrigado, Feliz Natal pra você também.
    Boa lembrança, além de um conto inesquecível também serve para escapar do lugar comum do Conto de Natal de Charles Dickens. E de suas várias adaptações para TV apresentadas nessa época.

  • Fabio Negro 24/12/2006 at 12:59

    Nossa, esse foi o primeiro conto que eu li da Lygia Fagundes Telles, jamais superado por ela mesma!

    Se alguém tiver dica de coisa melhor uqe ela tenha escrito, eu aceito.

  • Maria 24/12/2006 at 14:19

    Lindo, lindo!

  • Clarice 24/12/2006 at 15:01

    Vim desejar um Feliz Natal para todos e um ano novo cheio de prosperidade.
    Saint-Clair,
    Entrei para o ORkut. Tenho um amigo, que é quem me convidou e me inscrevi em uma comunidade que visitei e dei um pitaco de duas linhas. Qualquer hora eu pesquiso as suas.
    Para o Sérgio Rodrigues que continue fazendo o bom trabalho e unindo pessoas tão interessantes e brilhantes. É muito raro em Blogs esta convivência. Mas também acho que o tema do Blog ajuda.

  • Rodrigo Sampaio 24/12/2006 at 15:04

    Fábio, indico-lhe o clássico conto dela, A estrutura de uma bolha de sabão. De cair o queixo.

  • rita 24/12/2006 at 16:11

    Parabens ! A escolha do conto foi perfeita !! Aproveito para deixar um feliz e abençoado Natal para todos !!!

  • Mr. Ghost(WRITER) 24/12/2006 at 20:25

    Valeu Sérgio, obrigado e um feliz natal para você e para todos os frequentadores do Todoprosa… felicicdades a todos.

  • Thomas 24/12/2006 at 21:19

    Caríssimo Sérgio,
    foi para mim um grande presente receber de um dileto amigo o link que me remeteu para o Todoprosa. Qual a minha satisfação em encontrar aqui, a cada dia, fragmentos de textos que me eram inéditos ou que há muito havia lido (refiro-me aos Começos Inesquecíveis) e dicas interessantes sobre livros e autores que merecem destaque, tudo sempre permeado por um diálogo agradável que se estabelece entre seus “comentadores”, e que por vezes toma forma de um debate acalorado e afiado e, mesmo assim, sempre interessante.
    Desejo-lhe um Feliz Natal e torço para que, no ano vindouro, sua criatividade e seu espírito crítico estejam ainda mais aguçados, para que brotem de sua mente sempre ótimos artigos, como os muitos que nos chegaram às mãos em 2006.
    Proponho, também, se me permite o nobre anfitrião, que se façam referências às (boas) traduções das obras que nos chegam do exterior. Esclareço: há obras que se destacam no cenário internacional e que, no Brasil, não são bem acolhidas pela crítica e pelo público, muitas vezes porque (penso eu) as versões feitas para nossa língua tiram-lhes o brilho e o frescor dos textos originais. Justamente por isso, tenho feito minhas escolhas de leitura, pautando-me não só pelo autor, como também por quem desempenhou a difícil arte de traduzir a obra para nossa bendita língua portuguesa.
    Um forte abraço a você e a seus leitores.

  • João Paulo 25/12/2006 at 10:15

    Só pode ser piada, sacanagem, sei lá o quê!!Tem cada coisa aqui que é do arco-da-velha!! Quá, quá, quá, quá.
    Mas que tem o seu humor, tem!

    Nada contra o conto! É realmente muito bom, claro!
    E ah, sim. Feliz Natal para você, para todos, e VIVA O MENINO JESUS!

  • Saint-Clair Stockler 25/12/2006 at 11:05

    Clarice, você não vai me adicionar no Orkut não, é? :-)

  • Clarice 25/12/2006 at 16:59

    Saint-Clair,
    Por que não? Daqui há uns 9 anos você vai entender a preguiça que dá de ter de botar senha num site, outra no outro…preencher formulário, esquecer a senha, preencher de novo…:) Esclerose meu filho, esclerose. E entra numa comunidade: “Ué! Mas este debate eu já vi há 12 anos atrás! Estão questionando o que é arte? De novo? Meu Deus não conhecem Duchamp e esta aqui ainda pergunta se era um urinol ou um bidê?” Entra noutra: -Qual o seu autor francês/alemão/russo/inglês preferido? “-O que? Mas que desgraça de pergunta é esta? Parece caderno de perguntas que a gente fazia para as amigas. entra noutro: -Eu adoro Ally MaCbeal, já tive alucinação… “Mas isto aqui é hospício?” outra -Detesto filme dublado “O quê? E há quem goste. Eu não gosto nem de filme legendado quanto mais dublado.”
    Mas vou agora lá te catar. Sei que o teu nível não é este.
    Desculpe Sérgio. Eu deliro um pouco demais.
    Conto ne Natal? Depois que minha avó se foi o Natal nunca mais foi o mesmo.

  • Clarice 25/12/2006 at 17:02

    Mas como é que entra mesmo no Orkut?

  • Clarice 25/12/2006 at 17:03

    Pelo google. Vou por aqui.

  • Saint-Clair Stockler 25/12/2006 at 19:36

    Tá: suponho que agora eu possa ser chamado de “bava-ovo”: estava sentindo falta de uma comunidade no Orkut pro Todoprosa, então fui lá e fiz uma:

    http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=25495374

    Apesar do tédio mortal da Clarice, espero vocês lá!

  • Mr. Ghost(WRITER) 25/12/2006 at 19:56

    Boa idéia Stokler… estou nessa, vejo vocês por lá também…

  • João Marcos Cantarino 25/12/2006 at 19:58

    Meus favoritos dela são “O menino”, “O muro” e “A caçada”. “Missa do Galo” continua sendo o melhor conto de Natal brasileiro.

  • Sérgio Rodrigues 25/12/2006 at 20:41

    Cantarino, sei que essa discussão vai longe, mas para mim ‘Missa do Galo’ não é conto de Natal nem aqui nem em Belém. Não basta se passar na noite de Natal para ser um. Quanto a ser uma obra-prima, não se discute.

    Todoprosa no Orkut, S-C? Obrigado, eu acho.

  • Saint-Clair Stockler 25/12/2006 at 22:15

    Pois é, Sérgio. Presente de grego, hein? Mas espero ver você por lá vezenquando…

  • Sérgio Rodrigues 25/12/2006 at 22:45

    Vai ser difícil, Saint-Clair. Sou um cara não-Orkut, já recusei tantos convites que agora nem que quisesse eu poderia entrar. Mas agradeço e espero que vocês se divirtam.

  • João Marcos Cantarino 25/12/2006 at 23:19

    Rodrigues, teria dificuldade em definir o que seja um conto de Natal, mas pelas suas palavras, vejo que a compartilha comigo. Diante da ironia de Machado, então, qualquer definição torna-se realmente nebulosa. Ainda assim, arrisco-me a dizer que muito se perderia da história (se isso fosse possível) caso ela se desse em qualquer outra dia que não no Natal. Não vou aventurar-me numa análise do conto, mesmo porque não é este o local adequado. Aponto apenas que a data é essencial como pano de fundo aos jogos de contraposição criados por Machado de Assis, como romantismo versus realismo, literatura versus realidade, sagrado versus profano, concepção imaculada versus sexo mundano. Mas concordo com você, há contos mais natalinos que ‘A missa do galo’.

  • Sérgio Rodrigues 26/12/2006 at 00:49

    De acordo, Cantarino, o Natal não tem nada de gratuito no conto do Machado – pouca coisa nele tem. Mas eu diria que o que faz um conto ser “de Natal” é mais uma questão de, a palavra é complicada, eu sei – espírito. Acho que a Missa do Galo trai esse espírito de forma inclemente e absoluta. O que é um dos seus méritos, aliás. Mas a discussão é boa. O Luiz Vilela tem um conto de Natal, publicado aqui no NoMínimo dois anos atrás, que é terrível, o próprio anti-Natal – um suicídio dolorosíssimo. Mas ainda é mais natalino que o Machado.

  • Clarice 26/12/2006 at 05:55

    Saint-Clair,
    Entrei e já te botei como amigo. Tenho dois agora. O Sérgio já está mais evoluído. Ele não entra. Desde que foi criado eu jurava que não ia entrar. Mas tudo bem. Vamos lá falar mal, digo, discutir a respeito do Todoprosa e do trabalho do Sérgio. Ainda não descobri o que é scrap apesa de você ter apontado o que é. Mas já sei como deletar uma comunidade. Entrei na maior roubada ontem por causa do Orkut. Tá lá no meu Blog, viu Saint-Clair?… não estou insinuando nada. Impressão sua.

  • Clarice 26/12/2006 at 06:01

    Elogiar, admirar e correlatos hoje em dia parece pecado. A gente tem que se desculpar ou alegar ser baba-ovo (que expressão feia).
    “-Desculpe, por favor milhoes de desculpas mas eu sofre de um mal. Eu admiro muito você. Desculpa sim?”

  • Saint-Clair Stockler 26/12/2006 at 09:26

    Clarice, li seu blog e não achei nada sobre a “roubada”… estou curioso :-)

  • Clarice 26/12/2006 at 13:10

    Saint-Clair,
    É o post “Brincando com a História”. Não quis fazer alarde. Os dois últimos posts complementam este.

  • Saint-Clair Stockler 26/12/2006 at 17:09

    Pois é, Clarice: o Brasil vai mal de tudo. Ou será que sou eu que tô ficando velho e sem paciência?

  • FLUZÃO 27/12/2006 at 11:25

    O melhor conto de Natal não trata exatamente do Natal. A data é apenas um pano de fundo para o que realmente interessa. É “Missa do Galo”, do velho Machado.

  • adriana rocha 27/12/2006 at 12:13

    Um Natal

    Era Natal. E a menina desejava um presente grande. Um embrulho enorme, de papel brilhante. E que viesse assim, de surpresa esperada, porque era Natal. Nesse tempo não havia televisão, e por isto mesmo o imaginário da menina era preenchido com um grande embrulho que definiria o melhor de todos os Natais. Na cozinha eram feitos preparativos: lombo de porco, farofas, doces. Na casa toda havia excitação no ar. A espera era por refrigerantes, luzes, alegria, e um presente, bem grande, maior do que os seus braços poderiam abraçar.

    A menina se preparou profundamente para receber aquele Natal. O Natal, para ela, seria o presente. O grande presente embrulhado em papel colorido. Poderia ser qualquer presente, pensou, mas haveria de ser grande. Quem sabe uma linda boneca de cabelos louros e olhos azuis. Não como aqueles feitas com as espigas de milho ressecadas da roça. Bonecas de sabugo, ásperas e mal cheirosas. Mas uma de verdade, loura, bela, comprada na loja. Como as das outras meninas. Meninas ricas, que possuíam além das bonecas, pai e mãe, irmãos, todos juntos. Que não eram órfãs, vivendo com os tios. Meninas bem vestidas e sorridentes, avistadas com uma ponta de inveja nas missas de domingo, nas ruas, fazendo compras com suas mães, igualmente brilhantes em seus vestidos novos e elegantes.

    Mas naquele Natal haveria a redenção. A redenção não do menino, pobrezinho em sua manjedoura. Mas aquela, do grande presente iluminado. Porque havia essa promessa no ar. O coração da menina batia levemente alterado pela expectativa dele. Na verdade, aos pulos, porque sim, haveria um presente! Isto estava pressentido, avisado de certa forma pelo movimento na casa. Naquele ano tudo seria diferente, mais generoso, mais farto. Um Natal como o das outras crianças.

    Chegava a tarde, a hora se aproximava, os olhos da menina foram se acendendo mais e mais. Como se uma fogueira de São João estivesse se refletindo neles. Ela ficou suavemente corada e corria pela casa, mais solícita do que nunca, prestativa, alvoraçada. Cheiros diversos, tons e cores manchavam a cozinha. A menina, de tão excitada, só via borrões . Havia quitutes que ficaram prontos antes daquele dia: pão dourado, encharcado em calda grossa de açúcar, roscas pinceladas com gema de ovo, sequilhos. E os refrigerantes? Em garrafas de vidro, umas verdes, outras marrom alaranjado, fechadas com tampinhas de metal. Tudo tinha mesmo a vibração de uma festa, colorida, perturbadora dos pacatos dias da rotina, desfecho de alguma coisa que estivera tensa na vida da menina o ano inteiro, lento e cheio de obrigações. Cheio também de medos, e faltas, e ausências.

    Lá pelas tantas, a hora do banho, o melhor vestido, bem passado e engomado, o cabelo alisado com água e creme, o sabonete bem esfregado atrás das orelhas e no vão dos dedos dos pés. Sentiu-se linda, merecedora do grande presente, com certeza escondido em algum canto da casa. A hora estava mesmo chegando. Depois do jantar, quando os adultos tivessem comido o leitão pururuca e o tutu com lingüiça, receberia o presente, não tinha mais dúvida. E seria com grande pompa, em sinal de reconhecimento por ter sido uma boa menina durante todo aquele ano. Por não ter chorado em presença dos tios, por ser-lhes grata pela acolhida, ou apenas porque era Natal.

    Foi chamada, enfim. O coração deu um salto. Estava para receber o seu presente, da mão branca e gorda da tia. E dela surgiu a minúscula caixinha sem papel e sem fita. Pequena, diminuta, quase invisível aos olhos da menina, que tinham estado muito abertos até aquele momento. Esticou a mãozinha, que tremia na ponta do braço fino, não soube nem como. O rosto contraído, o lábio descorado. Agradeceu, educada. Mal tinha forças para abrir a caixinha, tão leve, tão feia de cores. Os adultos em volta incentivaram a abertura do presente, exigiram-na.

    Com a decepção, que não soube esconder, estampada no rosto ela abriu a pequeníssima caixa. Tanto menor, quanto mais largo era o vão nos braços afrouxados da menina. Todos os músculos, que aguardavam envolver o grande embrulho, agora lassos. A cabeça meio tonta, o coração apertado, os olhos molhados, abriu a caixa. E lá estava ela, uma miniatura de galinha feita de plástico duro. Branca, dois pontinhos pretos pintados no lugar dos olhos, asas amarelas, pés e crista vermelhos. Completamente fria ao tato, um biquinho pontiagudo e sem expressão. O que dizer daquilo, tão pequeno, meu Deus!

    O Natal terminara ali. As pessoas, os cheiros, a casa perderam todo o sentido. Ela se deslocava como um fantasma, ajudando a retirar a mesa, ouvindo ao longe as vozes dos que perguntavam: gostou? Respondia com um movimento de cabeça, incapaz de falar, contrita. Mais tarde, no seu quarto, observou a galinha de perto, corpo solto sobre a cama, a cabeça pesando sobre o travesseiro, entre grandes lágrimas quentes, abafava o longo gemido, contínuo, abafado, boca encostada na fronha. Mãos crispadas, se conteve para não quebrar a galinha. Jogá-la ao chão, pisar sobre ela e depois dizer que não a vira cair. Colocá-la sobre a cômoda? Para quê? Para lembrá-la do grande presente que ainda lhe enchia a memória? Memória do que não existiu? Memória do longamente imaginado e desejado, e por isso mais sofrida a sua perda? Perda?

    Sofrida, sofrida, sofrida. A sua vida se apresentava inteira como uma longa sucessão de sofrimentos. As flores, as plantinhas tiradas dos quintais dos vizinhos, sementes ganhas de amigas da tia e plantadas com desvelo, girassóis que lhe nasciam do tamanho de pratos, eram intervalos no sofrimento. O pai que morrera jovem, a mãe viúva e pobre, tendo que entregá-la aos cuidados dos tios, a irmã também morta, o irmão doente, a falta de quase tudo.

    O presente seria sua redenção. E ele estava ali, fitando-a com a cara boba que têm as galinhas, mesmo as de plástico. Chorou tanto que dormiu, a mão segurando a galinha. O dia 25 amanheceu, quente e ensolarado. Perdera a hora! Mas a casa ainda estava em silêncio. Melhor assim. Poderia ficar mais um minuto na cama. A galinha ali, em contato repugnante com sua mão que, no entanto, não a soltava. Mexeu um pouco a mão, o braço, manuseou o bicho. Sentiu sua superfície lisa. Tomou coragem, olhou para ela. E qual não foi sua surpresa! Havia um orifício entre os dois pezinhos… Um orifício pouco profundo, formato quadrado, exatamente onde as duas partes de que era feita a galinha se encontravam, coladas. Ficou olhando para aquilo, ainda sem poder atinar com o que fosse, estendeu a mão.

    Mexeu primeiro num pezinho. Depois no outro. Percebeu que o os pés de três dedinhos laranja ficavam soltos, dentro de pequenas aberturas, na confluência das duas partes da galinha. Apertou um deles para dentro. Forçou o outro, que se enterrou levemente dentro da abertura e depois retornou à posição original. Estendeu a palma da mão, pousou a galinha sobre ela. Respirou fundo, encheu-se de coragem, com a mão esquerda estendida pousou-a de leve sobre a cabeça da galinha. Forçou-lhe o corpo para baixo. Os dois pés se moveram para o fundo das pequenas aberturas. Sentiu um minúsculo objeto cair sobre a mão direita, onde a galinha estava de pé. Leve, arredondado, pôde adivinhá-lo mesmo de olhos fechados. Abriu com medo a mão, ligeiramente contraída para não deixar cair o objeto. Olhou.

    E um largo sorriso tomou conta do seu rosto, quando constatou o que já sabia: um pequenino ovo branco estava depositado sobre sua mão. Forçou a galinha mais uma vez, outro ovo caiu. E mais uma, e o terceiro ovo juntou-se aos dois primeiros, delicadamente. Levantou-se de um salto e saiu correndo do quarto, sem se importar por estar de camisola: “Tia, a minha galinha botou, a minha galinha botou, tia!”.

    * Comecei a escrever este conto no Natal de 2000 ou 2001, e só agora divulgo, distribuindo-o aos amigos e família. Espero que os inspire, assim como me inspirou esta estória, que me foi contada por minha mãe, protagonista do Natal do título. Espero tê-la narrado com propriedade e sentimento, me tornando fiel e cúmplice de sua memória de infância. Feliz Natal, queridos!

  • Sérgio Rodrigues 28/12/2006 at 13:00

    Obrigado pelo conto de Natal, Adriana. Um feliz 2007.

  • adriana rocha 29/12/2006 at 17:06

    Por nada, Sérgio. Com prazer. Feliz também para você, o ano novo daqui a dois dias.

  • daniel 21/01/2007 at 22:02

    Prezado, com bastante atraso volto a este site.

    Adorei o conto, mas curioso como as inclinações políticas podem contaminar a arte.
    Leitores com inclinações ecológicas censurariam a protagonista e desqualificariam o conto apenas pela tentativa dela em jogar uma bituca no rio.
    Não é o meu caso, é claro.
    :)

  • Rodrigo 30/06/2010 at 16:06

    Para mim, o melhor de todos é Missa do Galo, do Machadão. O Natal é apenas um detalhe, tão secundário que talvez nem seja considerado pela maioria um conto natalino.

  • Rodrigo 30/06/2010 at 16:15

    O que não muda o fato deste conto da Lygia Fagundes Teles ser também muito bom.

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