O problema é ‘o problema’

25/07/2007

Qual é o maior problema da literatura brasileira?

( ) Os escritores não sabem escrever.
( ) Os leitores não sabem ler.
( ) Os críticos não sabem criticar.
( ) Os blogueiros se acham escritores.
( ) Os comentaristas de blog se acham críticos.
( ) Os críticos dos comentaristas de blog se acham.
( ) Os críticos dos comentaristas dos críticos dos comentaristas de blog… hã, onde estávamos mesmo?
( ) Ser brasileira demais.
( ) Não ser suficientemente brasileira.
( ) Não ser literatura.
( ) Literatura brasileira? Onde?
( ) Vai ler um livro e não me enche o saco.

161 Comments

  • Tibor Moricz 25/07/2007 at 13:46

    Vai ler um livro e não me enche o saco… com todo o respeito.

  • Jonas 25/07/2007 at 13:54

    Todas as alternativas anteriores.

  • persia 25/07/2007 at 13:55

    Vai ler um livro…..

  • Mr. WRITER 25/07/2007 at 13:56

    ) Os escritores não sabem escrever.
    ( ) Os leitores não sabem ler.
    ( ) Os críticos não sabem criticar.
    ( ) Os blogueiros se acham escritores.
    ( ) Os comentaristas de blog se acham críticos.
    ( ) Os críticos dos comentaristas de blog se acham.
    ( ) Os críticos dos comentaristas dos críticos dos comentaristas de blog… hã, onde estávamos mesmo?
    ( ) Ser brasileira demais.
    ( ) Não ser suficientemente brasileira.
    ( ) Não ser literatura.
    ( ) Literatura brasileira? Onde?
    (x ) Vai ler um livro e não me enche o saco.

    Acrescentaria também o fato de que tem muita gente preocupada em falar demais e ler de menos…

  • Ana Z. 25/07/2007 at 13:58

    Posso escolher mais de uma alternativa?
    Posso escolher todas?

    Adorei, Sérgio! Muito espirituoso!

    Só que no meio do riso deu uma vontadezinha de chorar…

  • Bemveja 25/07/2007 at 14:02

    Faltou o “( )Todas as alternativas acima”.

    Alguns dos problemas da literatura brasileira:
    -o relativismo cultural típico de países sem tradição e sem cânone; no Brasil, esse vale-tudo se fortaleceu no movimento antropofágico e alcançou o paroxismo na Tropicália (proibido proibir, tudo é maravilhoso etc);
    -a falta de bons departamentos de literatura p/ ensinar a escrever (isso é uma metáfora, não abuse; show, don’t tell; construa motivações para seus personagens; conte uma história; etc);
    -a falta de pesquisa na montagem das obras de ficção (citações a esmo de autores e obras não constituem pesquisa);
    -o narcisismo e a autocomiseração juvenis;
    -a tendência de acreditar que textos pouco ou nada editados, de inspiração “confessional”, possam ter interesse para alguém que não seja o terapeuta do autor/da autora; e
    -Lya Luft e Rubem Fonseca.

  • Lucas Murtinho 25/07/2007 at 14:22

    Opção b, mas pô, não é culpa deles. Literatura é um mercado de demanda: se você tem muitos leitores ávidos por livros de qualidade, há um incentivo para o surgimento de bons autores que atenderão a esse público. Sem a demanda dos leitores, os autores escrevem para eles mesmos, o que dá em textos herméticos, desleixados ou ambos. Por isso acho que a melhor política de incentivo à leitura no Brasil é educar a população.

    A tese de que sem leitores não há boa leitura foi pescada numa entrevista da Sandra Reimão, que atribui a tese ao José Paulo Paes. A entrevista está no link:
    http://www.livrariadocrime.com.br/?secao=entrevistas&cd_entrevista=13)

  • C. Soares 25/07/2007 at 14:32

    um pequeno e fechado grupo (que se acha formador de opinião, mas há muito tempo, sem perceber, fala para o vento) quer definir o que é a LB (e até uma nova LB) e causa um enorme prejuízo. esse grupo quer uma LB o menos brasileira possível. quer ela americana, francesa, africana, japonesa, afegã, etc; foco concentrado apenas no sudeste/sul; críticos, jornalístas (mal remunerados) atendem aos interesses de amigos e/ou de curto prazo das editoras que se eximem da responsabilidade de fomentar uma evolução desse mercado literário. sem planejamento e investimento, não exite milagre. se estes não forem suficientes, mando mais motivos depois? abs.

  • Saint-Clair Stockler 25/07/2007 at 14:32

    Não sei se é o maior problema, mas um dos mais fundamentais é que as pessoas não têm uma boa formação educacional. Aí acabam aparecendo candidatos a escritores que não sabem construir uma boa frase, nunca entenderam o que é metáfora, e só sabem intuitivamente o que são uma primeira e uma terceira pessoas.

    Me desculpa o Bemveja, mas faculdades de Letras não servem para formar bons leitores – que dirá bons escritores. A maioria dos alunos são analfabetos funcionais ou estão assustadoramente próximos desse (baixo) nível. O ensino numa faculdade de Letras é por demais fragmentário; parte do pressuposto de que os alunos já conhecem os fundamentos básicos da arte literária e da própria literatura (de terem sido ensinados nos ensinos médio e fundamental), quando a formação deles foi uma lástima desde o Jardim I e II! Aí fica aquela coisa esquizofrênica: os professores falando de altas teorias, teorias do efeito estético, estéticas da recepção & quetais e os alunos ainda naquela etapa de fingir que entendem o que são gêneros e simular que já leram os formalistas russos, o Jauss e o Terry Eagleton.

    Eu, lá sentadinho na minha cadeira, fico só rindo: é o verdadeiro samba do professor acadêmico doido! Vocês precisam ver.

    E isso não é de hoje: acho que é assim há pelo menos 4 décadas (se não for mais). A formação acadêmica de um aluno de Letras tem mais furos que um queijo suíço.

    Aliás: a formação educacional da maioria dos brasileiros, é de fazer a gente sentar no meio-fio e chorar.

  • Saint-Clair Stockler 25/07/2007 at 14:35

    P.s.: Bemveja, não me crucifique: botei uma vírgula separando sujeito do predicado na última frase acima. Como bem diz o Chaves: “Escapuliu!”

    (“Lá vem o Chaves! Chaves! Chaves!…”)

  • Marcelo Moutinho 25/07/2007 at 14:38

    Bemveja: clap clap clap. Desta vez vc acertou na mosca.

  • Bemveja 25/07/2007 at 14:42

    Saint-Clair, deptos de letras/literatura têm de exercer várias funções e atender a diversas demandas, resignar-se e dizer que eles podem fazer isso mas não podem fazer aquilo seria uma falsa dicotomia.
    Concordo que esses deptos no Brasil necessitam de reformas urgentes; faculdades de letras e de comunicação são os dois maiores antros de picaretas (discentes e docentes) do sistema universitário brasileiro. Mas precisamos, e com urgência, da instalação de programas de creative writing ou seja lá o que for. Nos EUA, Raymond Carver e David Foster Wallace, p. ex., foram alunos e depois professores nesse tipo de curso.

  • Magnificat 25/07/2007 at 14:47

    E eu que pensava que “os maiores antros de picaretas (discentes e docentes)” fossem as faculdades de Direito… Vivendo e aprendendo!

  • Saint-Clair Stockler 25/07/2007 at 14:50

    Bemveja, neste caso concordo com você: acho VERGONHOSO as faculdades de Letras não terem uma matéria chamada “Escrita criativa” ou algo parecido. Uma vez perguntei lá na Uerj o porquê da inexistência dessa matéria e não me souberam responder.

  • Saint-Clair Stockler 25/07/2007 at 14:53

    Mas, depois, fiquei pensando: quem estaria apto a dar uma matéria dessas?

  • Bemveja 25/07/2007 at 14:55

    Hoje, Carlos Heitor Cony, entre outros (poucos, é verdade).

  • Marianna 25/07/2007 at 14:58

    ( ) Os escritores não sabem escrever.
    ( ) Os leitores não sabem ler.
    ( ) Os críticos não sabem criticar.
    ( ) Os blogueiros se acham escritores.
    ( ) Os comentaristas de blog se acham críticos.
    ( ) Os críticos dos comentaristas de blog se acham.
    ( ) Os críticos dos comentaristas dos críticos dos comentaristas de blog… hã, onde estávamos mesmo?
    ( ) Ser brasileira demais.
    ( ) Não ser suficientemente brasileira.
    ( ) Não ser literatura.
    ( ) Literatura brasileira? Onde?
    (x) Vai ler um livro e não me enche o saco.

  • Ana Z. 25/07/2007 at 15:23

    “(…) faculdades de letras e de comunicação são os dois maiores antros de picaretas (discentes e docentes) do sistema universitário brasileiro.”
    Falou e disse, Bemveja.
    Parece-me residir aí um dos nós mais cegos do problema da literatura brasileira e da formação de público consumidor de literatura – a péssima habilitação de jornalistas, professores, críticos e escritores. Os maiores responsáveis pela formação de leitores, neste País, não sabem ler, não sabem escrever e tampouco sabem ensinar.
    Saint-Clair, me dá uma beiradinha nesse meio-fio, que o negócio é mesmo sentar e chorar…

  • thiago 25/07/2007 at 15:37

    faltou essa opção, Sérgio:

    ( ) Os escritores não sabem ler.

    Vivemos um tempo na “LB” em que basta ler um livro “beat”, ouvir um disco “punk” e ter vivido uma experiência undigrudi e pronto, temos um escritor.

  • ricardo 25/07/2007 at 15:42

    Para mim, o que está faltando mesmo na literatura brasileira (e sem dúvida esta constatação se deve ao meu grande interesse pela literatura de língua inlgesa, especialmente a britânica) são narrativas que falem e reflitam sobre a vida, sobre o país. E não sobre o fazer literário, sobre as lamentações do umbigo do escritor. Sempre preferi Érico Veríssimo a Guimarães Rosa; mesmo tendo lido os principais livros deste e reconhecê-lo como grande escritor. Os autores brasileiros que mais me chamaram a atenção ultimamente foram milton hatoum, cintia moscovich, daniel galera, ana maria gonçalves, reinaldo moraes, adriana lunardi, entre outros. Nomes da mídia que li e gostei muito. Justamente porque eles se propõem a contar uma história, de forma lúcida, sensual, irônica, cheia de insights. Nós, leitores brasileiros, precisamos voltar a nos identificar, chorar, torcer, se emocionar, rir e criticar personagens. Vejo muita preguiça na literatura brasileira contemporânea. Se não me engano, foi Antônio Cândido quem disse que o leitor brasileiro médio é um desamparado, e que todo autor brasileiro só que escrever obras-primas.

  • Rafael 25/07/2007 at 15:51

    Ninguém lê mais os clássicos, ninguém lê mais os clássicos… A resposta está, acreditem ou não, n’Os Lusíadas, quase no finzinho (Canto X, 154):

    “Nem me falta na vida honesto estudo,
    Com longa experiência misturado,
    Nem engenho, que aqui vereis presente,
    Cousas que juntas se acham raramente.”

    O problema é que muitos se deitam a escrever desbragadamente, e não estudam, e não têm experiência de vida e, pobrezinhos, não têm engenho e talento.

  • Marco Polli 25/07/2007 at 16:10

    Boa, Sérgio. Fico com a última alternativa. Claro, existem problemas que merecem discussão – a baixa qualidade de ensino já apontada aqui nos comentários parece-me o mais grave.

    Porém, depois de acompanhar o debate literário por um tempo é difícil não ficar cansado dessa procura por bodes expiatórios. Sempre há um: as editoras, a geração 90, a Flip, os conservadores, os transgressores…

    Para mim, não há nada certo na literatura brasileira, não há errado na literatura brasileira. Não vejo como uma questão moral.

  • Marco Polli 25/07/2007 at 16:31

    “não há nada errado”

  • C. Soares 25/07/2007 at 16:40

    e complementando o último (e elucidativo) comentário de Rafael, grande parte dos escritores parecem escrever apenas para si mesmos, esquecendo que do outro lado das páginas estará o leitor.

  • Noga Lubicz Sklar 25/07/2007 at 17:05

    BRASIL: FECHADO PARA REFORMA.

  • André C. 25/07/2007 at 17:06

    Que sono…

  • Regalitos del Paraguay! 25/07/2007 at 17:33

    AnaZ , é você?

  • Cinéfilo 25/07/2007 at 17:51

    Anaz não seria personagem daquela animação, FormiguinhaZ?

  • Vestibulando 25/07/2007 at 19:02

    Esses testes são muito difícies de acertar. Após muito pensar, fiquei em dúvida entre duas alternativas:

    ( ) Ser brasileira demais.
    ( ) Não ser suficientemente brasileira.

    Tenho certeza que uma delas é correta. Mas não sei qual. Alguém me ajuda, pleeease…

  • antonio 25/07/2007 at 19:36

    qual o problema do “problema”?
    assisti há pouco Fahrenheit 451 e creio que a literatura não deveria deixar de ser problema. pois são eles que tornam nossa vida menos monótona. fim dos problemas = fim da vida!
    aproveito para pedir o retorno d’A palavra é…
    tenho até uma sugestão-problema.
    qual seriam as relações entre hospício, onde se internam os loucos e occipício a parte anterior da cabeça?
    obrigado, boa noite.

  • Olivia 25/07/2007 at 19:54

    ha ha ha! sensacional!

    mas estou achando que é uma pegadinha 😉

  • Simone 25/07/2007 at 21:01

    Falta bagagem de leitura para os escritores e para os leitores. Lembro de quando a professora do 1o ano do Ensino Médio começou a falar de interpretação de texto; quando falou em “bagagem”, meus colegas de classe acharam que ela estava falando de malas… (isso num colégio de classe média alta da zona sul do RJ!)

  • Daniel Brazil 25/07/2007 at 22:56

    Alguém aqui, seriamente, acha que Homero, Virgilio, Dante, Camões e Shakeaspeare escreveram pensando nos “leitores”?
    Na época deles, não havia leitor (no sentido moderno da palavra, coletivo). Se havia, não sabiam ler (alternativa B). Muito menos críticos (alternativa C). Nem vou falar de blogueiros, claro.
    Enfim, o maior problema da literatura brasileira se resume numa palavra: reconhecimento.
    Faltou essa alternativa, Sérgio!

  • vinicius jatobá 25/07/2007 at 23:27

    ( ) Os escritores não sabem escrever.
    ( ) Os leitores não sabem ler.
    ( ) Os críticos não sabem criticar.
    ( ) Os blogueiros se acham escritores.
    ( ) Os comentaristas de blog se acham críticos.
    ( ) Os críticos dos comentaristas de blog se acham.
    ( ) Os críticos dos comentaristas dos críticos dos comentaristas de blog… hã, onde estávamos mesmo?
    ( ) Ser brasileira demais.
    ( ) Não ser suficientemente brasileira.
    ( ) Não ser literatura.
    ( ) Literatura brasileira? Onde?
    ( ) Vai ler um livro e não me enche o saco.
    (X) Bemveja e tudo que ele representa

  • marcus 26/07/2007 at 00:06

    e não é que o jatobá está certinho!

  • F. C. Johns 26/07/2007 at 01:00

    A julgar pelos comentários de alguns que andam por aqui, muitos deles – como direi? – escritores, faltou a alternativa: “Problema?! Que problema?”

  • Bemveja 26/07/2007 at 08:28

    Li a entrevista da Sandra Reimão citada acima pelo Lucas Murtinho e ela fala de algo importante, mas da maneira errada. Ao citar o José Paulo Paes e a falta de best-sellers brasileiros, afirma-se que a década de 80 no Brasil foi dominada por Harold Robbins et al.
    É verdade em termos, já que, ao mesmo tempo, nos anos 80 Jorge Amado e/ou Fernando Sabino praticamente não estiveram fora da lista de mais vendidos da Veja por uma semana sequer.
    Na década seguinte, é preciso lembrar que a maioria dos livros do Paulo Coelho contavam histórias, eram ficção. Ou seja, ninguém, hoje em dia, conta histórias interessantes na literatura brasileira, por isso não vende. Os enredos são frágeis e as narrativas, tediosas. Todas as mazelas da literatura brasileira atual, do ponto de vista do livro pronto, resumem-se a um defeito: a monotonia.
    Por isso mesmo, decidi escrever um romance, mais precisamente um thriller, sobre um biólogo intrépido que precisa enfrentar um lote de burros míopes e descontrolados . O título da obra será “Entre os Jatobás”.

  • Silvio... Silva 26/07/2007 at 09:33

    meu desimportante voto vai para

    ( x ) Vai ler um livro e não me enche o saco.

    obs: saudações ao Sérgio pelo faro em saber provocar certeira e inteligentemente os apreciadores de literatura e afins

  • Roberson 26/07/2007 at 09:52

    Essa caixa de comentários tá ducacete. E perdão pelo comentário pouco erudito.
    Dá-lhe Benveja!

  • Vestibulando 26/07/2007 at 10:37

    Mandei um email para o Prof. Pasquale perguntando qual seria a alternativa correta. Aguardo ansiosamente a resposta!

  • Tamara Sender 26/07/2007 at 10:42

    (X) Ser artificial.

  • O Cínico 26/07/2007 at 10:50

    O problema é que os escritores andam fazendo pouco sexo. Sem alternativa, sentem-se compelidos a f….. com os leitores. Hehehe…

  • Lorena Suppa 26/07/2007 at 11:06

    “faculdades de letras e de comunicação são os dois maiores antros de picaretas (discentes e docentes) do sistema universitário brasileiro.”

    Bemveja, você resumiu perfeitamente o que acontece nesse Brasil. Eu sei, pois já estive em ambos os cursos. É uma lástima. E de lá dizem que saem educadores (!!) e formadores de opinião (!!)

  • Te 26/07/2007 at 11:17

    Última opção. Vamos ler e deixar discussões idiotas de lado. Quando literatura brasileira foi problema?

  • Carla 26/07/2007 at 11:36

    hahahaha adoro você, Bemveja!

  • Fessor Pasquale 26/07/2007 at 11:40

    Caríssimo Vestibulando,

    Infelizmente, devido às notórias deficiências do ensino brasileiro, os alunos têm (com acento, lembra-te, o sujeito está no plural) muita dificuldade de distinguir os campos pertinentes às matérias que lhes são ministradas.

    Sou professor de gramática da língua portuguesa. A questão sobre cuja resposta me consultas é sobre literatura brasileira, assunto de que sou apenas um diletante.

    Fico devendo a ti a resposta, que certamente virá quando a Fuvest divulgar o gabarito.

    Fessor Pasquale.

    P. S.: Caro Te, lendo teu comentário, postado às 11:17, percebo que tu incorreste em confusão. Quando alguém diz “a literatura brasileira é problema”, o substantivo “problema” é, na oração, um preticativo do sujeito a ele ligado pelo verbo “ser”. Coisa diversa é falar em “problema da literatura brasileira”, frase em que o sintagma “literatura brasileira” funciona como complemento nominal do substantivo “problema”. Perceba que os significados se alteram: o fato de a literatura brasileira não ser problema não quer dizer que ela não tenha problema. Repara: ser problema é uma coisa, ter problema é outra coisa.

    É nóis na fita! (sempre quis concluir meus artigos assim na Folha de S. Paulo, mas nunca tive coragem…).

  • Mr. WRITER 26/07/2007 at 12:00

    O único problema dessa história toda é que tem gente demais no centro do universo. Tem gente demais andando na linha do “falem bem ou falem mal, mas falem de mim”. Além do que, também há muita teoria de literatura e pouca leitura, muita gente reclamando e lendo que é bom necas…

    O dia em que ler para mim for o que é para muita gente que freqüenta blogs como comentarista “profissional”, nesse fatídico dia pararei de ler… Resumindo: No dia em que ler deixar de ser um prazer para ser essa chatice de discursos verborrágicos e egocêntricos que buscam ser o foco das discussões em qualquer lugar, seja bem ou mal falado, eu paro de ler…

  • Angela Moss 26/07/2007 at 12:01

    Hummm, deve ter alguma relação com o cinema brasileiro e a mania de fazer filme-cabeça…
    Embora eu despreze Paulo Coelho, é o escritor mais lido do mundo, então não é toda a literatura que têm problemas, quem tem problema é o leitor brasileiro…160 milhões de pessoas e só umas 10 mil são capazes de ler e compreender. E dessas, umas 9 mil lêem Paulo Coelho e os outros mil…bem, você sabe. Eu trabalhei numa editora de cultura, quando vendiamos mil exemplres era uma festa!
    Há uma crise na literatura ou o problema é a demanda do mercado?

  • Mindingo 26/07/2007 at 12:35

    O brasileiro é avesso à profundidade intelectual. Nestas terras nunca vicejaria um Dostoiévski, um Shakespeare, um Voltaire. Quem se aproxima são esforçados artistas, como o Machado de Assis, que no entanto não moveu o mundo do espírito um centímetro adiante, limitando-se a igualar-se a Sterne, Luciano de Samósata, Swift e outras de suas fontes. Tudo isso é triste, mas é fato, e a revoltada emoção do entusiasta leitor brasileiro não modificará esse fato. Vamos beber uma água de coco e deixar esse lance de escrever pros nossos patrões.

  • C. Soares 26/07/2007 at 13:03

    Bom o exemplo trazido por Angela. E o Paulo Coelho vende tanto (aqui e fora) porque consegue, através de seus livros, falar o que as pessoas querem escutar/ler. Por falar nisso, já souberam do projeto The Experimental Witch?

    Hoje, pessoal, a literatura concorre com TV, Cinema, Internet, etc. Se escrevemos sem buscar um referencial externo (ou seja, o interesse do nosso público) é “tiro na água”.

    Claro, podemos continuar sendo românticos e debatendo sobre a literatura pura e ideal (o que não necessariamente nos tornará gênios eruditos).

    Dos outros eu não sei, falo do meu caso. Quantas vezes vcs leram sobre um romance intitulado Santos-Dumont Número 8 nos cadernos literários, hein? Nenhuma, provavelmente. A minha (pequena) editora até tentou (e não conseguiu) espaço na mídia. Desânimo? Jamais.

    Isso torna meu livro necessariamente ruim? Sem falsa modéstia, não creio (a crítica até o poderia achar ruim, mas antes precisaria ler o romance, não é?).

    Apesar disso, sem qq espaço na mídia, já passamos da “modesta” (concordo) quantidade de 1000 exemplares vendidos. Sem uma resenha ou nota de “autor amigo de peso” em cadernos literários de algum grande jornal desse país. Ainda não completamos 9 meses desde o lançamento.

    Sim, continuamos trabalhando e muito. O romance está nas livrarias (o que muitas vezes, estranhamente, não acontece com os romances badalados pela mídia).

    Mas qual o motivo de dar esse testemunho? Certamente vários novos (e bons) escritores passam por aqui no TP (alguns já tive a oportunidade de apreciar o trabalho) e tb não conseguem espaço nos jornais para divulgação de seus trabalhos.

    A estes escritores digo: mãos à obra pessoal, não desanimem, continuem trabalhando, pois, em breve, oportunidades aparecerão para quem realmente deseja inovar essa tal de “nova literatura brasileira”. :)

    Na verdade, pessoal, estamos vivendo uma reformulação da literatura como um todo. O próprio conceito de LIVRO está sendo repensado, o modelo antigo (baseado no filtro das editoras) está sendo repensado, tudo tende a mudar. E somos nós, escritores e leitores, que devemos nos transformar em agentes transformadores ativos nesse processo. É isso.

  • Esquindolelê 26/07/2007 at 13:04

    Ah, não, Mindingo! Os nossos patrões escrevem com profundidade intelectual inadequada à nossa idiossincrática realidade histórico-cultural. Deixemos os nossos escritores trabalhar! Vamos todos beber uma água de coco, relaxar e ler a Lya Luft, o Rubem Fonseca, o Vinícius Jatobá e o Paulo Coelho. Viva a leveza! Viva a ligeireza! Viva o povo brasileiro!

  • Bemveja 26/07/2007 at 13:54

    C.Soares, acho que você acaba de incorrer na inveja de vários dos escritores publicados que frequentam esse blog. P/ um livro de ficção, 1000 exemplares vendidos não é pouca coisa no Brasil hoje em dia.

  • C. Soares 26/07/2007 at 15:35

    Inveja? Bemveja, “me inclua fora disso” :) Tb tenho noção de que a marca não é ruim (visto a dificuldade de divulgação) para um país cuja população lê em média 1 livro por ano. mas, ainda assim, sonho com um trabalho de base que permita que um dia tenhamos um mercado literário nacional diferente, mais democrático e com mais escritores escrevendo coisas que realmente interessem ao público brasileiro.

  • vinicius jatobá 26/07/2007 at 15:36

    Seu problema, Bemveja, é que vc não é nem um pouco melhor do que tudo que tão subintelectualmente critica. Tente viver com isso. Abs,

  • O Cínico 26/07/2007 at 16:02

    O problema dos escritores brasileiros é que eles lêem muita literatura brasileira, círculo vicioso infernal, do qual poucos escapam.

  • Rafael Paschoal 26/07/2007 at 16:05

    Encontrei com a Literatura Brasileira agorinha mesmo, virando a esquina. Vestia Gucci, e pareceu-me levemente deprimida.

  • thiago 26/07/2007 at 16:06

    já perceberam que o Sérgio lançou a bomba e fugiu?

    E você, meu caro, vota em qual?

  • O Cínico 26/07/2007 at 16:10

    Ó Rafael, diz-me onde foi que você a encontrou. Emprestei a ela dez mangos e até hoje ela não me pagou.

    Safada!

  • Sérgio Rodrigues 26/07/2007 at 17:31

    Thiago, se vc reparar bem, verá que meu voto está no título.

  • lao 26/07/2007 at 18:23

    Vai ler um livro.
    Depois me conta.
    abrs,

  • Neo Carvalho 26/07/2007 at 18:45

    Caro Sérgio, tá na hora de você ESCREVER outro livro…esse é o verdadeiro “POBREMA”…hehehe.

  • Luis Eduardo Matta 26/07/2007 at 18:49

    A meu juízo, não há problema algum na literatura brasileira. Não, ao menos, um problema que não aflija também as literaturas de outros países. Tenho lido obras excelentes de autores contemporâneos. Procurem pelos livros de Zé Rodrix, Alberto Mussa, Livia Garcia-Roza, Angela Dutra de Menezes e Julián Fuks e vocês irão concordar comigo.
    Abraços a todos!

  • Roni 26/07/2007 at 19:16

    Vejo dois problemas e, de certa forma,um é subproduto do outro.

    De um lado, a burrice brasileira. Nosso país faz a apologia da idiotice. Falar direito, ter ou mostrar cultura são sinais de arrogância (o que, por tabela, faz com que os arrogantes se apropriem do discurso cult e reforcem o preconceito).

    Por outro lado, os livros são muuuuuuito ruins. Dificilmente aparece uma coisa boa, simples e envolvente. Folheio autores brasileiros para, invariavelmente, ver hermetismos, esquisitices ou, como disse alguém ai em cima, discursos confessionais.

    O problema, a meu ver, é a vaidade no meio artístico. Temos muita Maria Callas para pouca platéia. Além do mais, é notório que a mídia joga confete em seus pares. Assessores de imprensa o sabem: para plantar notícia, tem que oferecer contrapartida. Escrever um bom livro é de uma ingenuidade tocante para quem quer ter êxito profissional. No Brasil, as coisas se resolvem no bar, na cama, em qualquer lugar. Isso se aplica até nas carreiras técnicas, que dirá nas lúdicas e criativas…

    Quer ser um escritor badalado? Seduza, embrome, bajule. Se der, escreva nas horas vagas. Mas isso é facultativo.

  • Clara 26/07/2007 at 19:54

    Sérgio, esqueceu de colocar a opção outros ou NRA, mas, se eu te mandar ler um livro, terá sido uma doce ordem! Só espero ter acertado no verbo…

  • Fofoqueiro 26/07/2007 at 20:25

    Sérgio, acabei de ver o seu livro ser post de outro blog.
    Vamos ver o que vai dar.

  • Juliano 26/07/2007 at 22:22

    Sou uma cria de curso de comunicação (me formei em jornalismo em 2005). Não conheço bem os cursos de letras, mas, sim, a maioria dos cursos de comunicação são grandes antros de picaretas. Em seu quadro de professores só estão aqueles profissionais totalmente rejeitados pelo mercado, e que aí acham uma boquinha na universidade. Ser rejeitado pelo mercado, diga-se, não é nenhum defeito (às vezes pode ser uma qualidade, até). O problema é considerar a universidade como uma boquinha, loucos para pegarem a primeira vagadentro de uma redação de jornal, ou seja, não são professores na essência do termo. Na universidade onde estudei (UCS – Universidade de Caxias do Sul), o curso de comunicação é uma piada. Se propõe a ser técnico, formar para o mercado, mas nem isso faz. Qualquer curso promovido pelos jornalões (esses cursos da Folha ou do Estadão) são capazes de ensinar mais que o curso inteiro de jornalismo, porque existem aos montes as disciplinas técnicas (de TV existem umas sete!!!), mas ninguém toca nos equipamentos, porque tem lá um técnico responsável por fazer tudo, e os alunos ficam apenas observando. Em rádio a coisa é igualzinha. Nas disciplinas de redação, o descaso é total. Só alguns professores dse destacam, dão dicas de texto, indicam boas leituras. Os outros corrigem formalmente, não sendo capazes de detectar um estilo, estimular alguma inovação, essas coisas. Dentro do curso que fiz, apenas um professor (aliás, falarei nele em outro post, porque é escritor, e dos bons) me marcou realmente. Resultado: os melhores livros que li até hoje não foram indicações da faculdade, mas sim frutos de buscas próprias, como aqui no TodoProsa, por exemplo. Vai em qualquer sala do curso e pergunta quantos alunos de redação jornalística sabem que o TodoProsa existe. Agora vai em outra e pergunta quantos sabem da existência do site da MTV… Certamente os resultados serão bem diferentes. Isso, por si só, explica algo, não? Ah, estou falando de uma universidade grande (quase 40 mil alunos), regional, presente em várias cidades do Rio Grande do Sul, com instalações impecáveis (mas o que colocam dentro das instalações…. hummmm….).
    Abraço!

  • Daniel Brazil 26/07/2007 at 23:42

    Ih, Bemveja, você ainda confunde lêmures com lemingues?
    Tua cartilha literária é honesta, mas antiquada. Na verdade, você defende os parâmetros literários do século XIX.
    Imagine um país novo, inaugurado ontem. Uma ilha, talvez, com uma população jovem.
    A população desta ilha tem acesso à TV, viaja na internet, ouve rádio, é bombardeada por propaganda inescrupulosa. Naturalmente, ambiciona se igualar ao Primeiro Mundo, não ao Terceiro.
    Francamente: Você acha que os poucos jovens cidadãos que aprendem a articular períodos completos (a ilha tem um sistema educacional precário) querem escrever romances “clássicos”, formalmente iguais aos modelos “tradicionais”?
    De alguma forma, intuem que serão, no máximo, epígonos tardios. O único caminho possível para a hipotética glória é o de queimar etapas, o de se inserir nas linguagens de “vanguarda”, pongando o bonde da modernidade em movimento. Daí a sucessão de textos sem pé nem cabeça, confusos na linguagem, ocos no conteúdo. Mas inequivocamente coerentes com seu tempo…

  • Bemveja 27/07/2007 at 09:18

    Daniel, p/ ser experimental, o sujeito precisa primeiro ler letrado, precisa de uma formação sólida, sem diletantismos: “It’s not wise to violate rules until you know how to observe them” (T. S. Eliot).

    Eu percebo que certos escritores e artistas brasileiros em geral sofrem do que, em psicologia social, chama-se de efeito Dunning-Kruger: subestimam a própria incompetência e minimizam a complexidade de temas sobre os quais têm apenas um conhecimento superficial.

    Não me venham com essa história de cartilha antiquada. Não tem essa de queimar etapas, e não há “jeitinhos”: literatura requer esforço e trabalho honesto.

    Esse modelo de “modernidade” e “experimentalismo” que grassa por aí se resume, em 99% dos casos, a uma mistura de indolência com uma formação intelectual incompleta.

    Quem se der ao trabalho de ler romances de jovens autores britânicos em que existe certa ousadia formal (“Cloud Atlas”, p.ex.), perceberá que o esmero estilístico permanece, a pesquisa é detalhada, a narrativa é complexa e interessante etc etc etc. Experimentalismo e transgressão, conforme James Joyce demonstrou com o Ulysses, não liberam o autor para ser negligente, e sim ampliam a responsabilidade e a necessidade de que haja muito esforço e critérios estritos no ato de escrever.

    Essa atual geração de escritores no Brasil, com exceções, foi descrita pela Legião Urbana há um quarto de século: são modernos, mas não são sinceros. Recusam-se a enxegar as próprias deficiências, e mais: acham-se naquela fase de culpar o mensageiro, ou seja, o problema, para esses iludidos, são os que denunciam o problema! É o famoso state of denial, e isso requer medidas de choque para desse despertar as pessoas desse torpor ilusório.

  • Saint-Clair Stockler 27/07/2007 at 09:32

    Daniel:

    parabéns pela percepção das coisas. Acho que o que você disse (e você disse muitas coisas profundas e importantes!) resume o assunto. Realmente, a literatura brasileira atual é fruto do que o país é e do que somos. Não dá mesmo pra se querer (quer dizer, se querer dá, não dá é pra se concretizar, não é realístico esperá-lo) uma literatura à imagem e semelhança daquelas das grandes potências, que têm uma outra sociedade (cuja organização se reflete, claro, nas obras artísticas), com um outro nível. O que produzimos é o que somos, inegavelmente.

    Veja só: alguns dos grandes escritores atuais não são exatamente “garotões e garotonas”: Esdras do Nascimento, Elvira Vigna, Zulmira Ribeiro Tavares. São o que há de melhor vindo de uma outra época, entende? Claro, há exceções a isso. Três jovens autores que acho admiráveis, pra contrapor: Daniel Pellizzari, Adriana Lisboa e Adriana Lunardi (jovens mesmo: acho que as duas Adrianas ainda não chegaram aos 40 e o Pellizari é mais novo que eu, nasceu em 74). Inegavelmente, nas últimas décadas, o nível das produções literárias de nosso país vêm decaindo sensivelmente. Há, ainda, pontos luminiscientes aqui e ali? Sim, existem, claro. Mas é chocante ver que um país de “dimensões continentais” tenha tão poucos bons escritores novos, é estarrecedor perceber que a maioria é quase formada de analfabetos funcionais, que se dão muito melhor manuseando os seus i-pods e PlayStations que usando um dicionário, uma gramática ou uma enciclopédia.

    Bemveja:

    desculpa, mas acho que o Daniel tem razão, você é um dinossauro. É que nem aqueles bichinhos presos no âmbar: representa um tempo muito antigo e interessante, ali congeladinho pra gente admirar, mas está morto. Não digo isso com alguma ponta de satisfação ou ironia, digo-o com tristeza. Você pertence àquela estirpe da qual também fazem parte o Auerbach, o Benjamin e mais uma meia dúzia de grandes luminares culturais do passado. Chamemo-los “Humanistas Iluministas Enciclopédicos” (desculpe a redundância). Não há nada essencialmente errado com a sua visão das coisas, au contraire!, elas refletem possivelmente a sua (excelente) formação cultural, mais especificamente a literária. Mas refletem, também, um mundo que já não existe, ou cujos últimos resquícios desmancham no ar… Nessa imensa Era das Trevas em que vivemos, ela não vale mais muita coisa. Veja só, olhe ao seu redor, preste atenção: editores imbecis e gananciosos que se aliam a bancos e grandes corporações, escritores que pouco conhecem de técnica (a ferramenta mais elementar de seu ofício!), leitores analfabetos funcionais, professores que não sabem ensinar… Lamentavelmente, esse é o nosso mundo. E o será ainda por um longo, longo tempo. Os indianos dizem que vivemos o Kali Yuga – um período de decadência irremediável – que culminará na dissolução de tudo e num novo início. Não acredito que haja inícios sequer a longo prazo (sou um pessimista), mas creio firmemente que vivemos, também, o nosso Kali Yuga literário…

  • Bemveja 27/07/2007 at 09:41

    Saint-Clair, você está com síndrome de Jeca Tatu. Conforma-se com a mediocridade circundante. Se nós temos excelentes arquitetos e cientistas, por que não poderíamos ter bons escritores?

  • Saint-Clair Stockler 27/07/2007 at 09:52

    Bemveja:

    Não me conformo, estou apenas apontando um dado concreto da realidade. Boa literatura continuará sendo, esporadicamente, produzida em nosso país, mas por poucos artistas e para um grupo cada vez menor de pessoas capazes de apreciá-la (de fato, não vejo nenhum mal nisso).

    Há uma diferença muito grande entre escritores de um lado e arquitetos e cientistas do outro: os primeiros são artistas, os últimos técnicos. Acredito que nem você há de negar que nossa Era é muito mais propícia aos técnicos e tecnocratas que aos artistas. Ou, dizendo de outra forma, o que os técnicos têm a oferecer ao mundo atual é muito mais importante e valioso para esse mundo do que aquilo que os artistas têm a oferecer (e, de novo, estou apenas apontando um fato – que não me deixa feliz nem conformado, estou apenas sendo coerente com a lógica louca atual, “pensando com a cabeça do inimigo”)

    P.s.: Atenção, vou anunciar uma generalização! “Pensar com a cabeça do inimigo” ou “Ouvir, ouvir realmente, o que o outro está dizendo” é o que falta à maioria das pessoas que escrevem aqui no TodoProsa. Estão tão preocupadas em ouvir os próprios umbigos e órgãos genitais que não ouvem o que os outros dizem, só fingem que. Pronto, podem tacar as pedras: se não me engano, já fui chamado aqui de patético, lamentável e ridículo umas 3 vezes… Rsrs.

  • Saint-Clair Stockler 27/07/2007 at 09:56

    Bemveja:

    Só numa coisa a meu respeito você está certíssimo: não sou um cara combativo. Se pigmeus me apontam lanças de palito de dentes a minha tendência será de virar as costas e ir comer alguma coisa ou ler Machado de Assis. Não tenho a menor paciência com liliputianos.

  • Saint-Clair Stockler 27/07/2007 at 10:17

    Mudando de assunto: o site do Pedro Dória (um dos calaboradores do falecido NoMínimo – http://www.pedrodoria.com.br) tem um “Top Comentaristas – nos últimos 15 dias”, que dá o ranking, imagino que automaticamente. Bem que o Sérgio podia implementar isso aqui, né não? Pra quê?, me perguntareis. E eu vo-lo direi: ué, pra nada, mas que é legal, é…

  • Sérgio Rodrigues 27/07/2007 at 10:25

    Daniel, parabéns pela síntese brilhante. Saint-Clair, um pouco menos… Essa sedução pelo pulo-do-gato mágico – a obra que redima num só rasgo de gênio um descompasso estrutural que dá desânimo só de pensar em vencer pelo trabalho duro – é, para o bem e para o mal, um traço constitutivo da “nacionalidade”, a se crer em Sérgio Buarque de Holanda e outros. Se parte da famigerada “nova geração” de escritores continua investindo nessa busca quase sempre furada da totalização instantânea, sem passar pelos resultados parciais, também é verdade que podemos encontrar traços dessa abordagem em épocas literárias bem diversas, no Modernismo, na Tropicália – com resultados desiguais.

    Por outro lado, não dá para negar que a literatura brasileira, em sua curiosa efervescência numérica atual (pelo lado dos autores, não dos leitores), conta não só com tolos e picaretas mas também com gente estudiosa e aplicada em grande número. Quem tem se dado ao trabalho de ler os lançamentos, acompanhar com olhos livres a evolução de alguns desses autores, sabe disso. Não há nada de ilógico em projetar um futuro pelo menos interessante. Veremos.

    Agora, é óbvio que a ficção ambiciosa, a literatura “séria”, vive uma profunda crise de esvaziamento cultural que não é exclusiva do Brasil, embora afete primeiro e com mais intensidade países de estrutura educacional frágil como a nossa. O que torna tudo isso que estamos discutindo muito mais complicado, sim, mas não deixa de ser também uma ótima oportunidade para aquela equação-totalizadora-brilhante-que-redima etc.

    (Uma boa pergunta: por mais que devamos – e devemos – bater na tecla do trabalho, do suor, do aprendizado, conseguiremos fugir inteiramente de nossa vocação para a fórmula mágica? Machado era um ralador nato, mas só virou gênio quando encontrou uma dessas “equações”, como bem explicou Roberto Schwarz.)

    Para resumir o furdunço, acho bobo, fácil e leviano vestir luto pela literatura brasileira. A menos que a idéia seja fazer um brilhareco internético, levantar mais uma polêmica cheia de som e fúria, e nesse caso prefiro ficar fora. O momento está mais para dúvidas do que para certezas.

    Abraços a todos.

  • Rafael 27/07/2007 at 10:38

    Não entendo muito bem o sentido desta discussão.

    A redação de livros é um ofício essencialmente individual, apesar do concurso do revisor e da sua providencial caneta vermelha. O talento individual, que esporadicamente medra aqui e acolá, produzirá boas obras, que sempre serão poucas; os medíocres, que são legião, bem, eles continuarão provocando caudalosos rios de tinta que se impregnarão em toneladas de papéis, formando infinitos e inumeráveis livros, todos destinados, tão logo se arrefeça o calor da novidade, ao esquecimento.

    A sociedade de massas é assim: muitos e muitos despejando lixo; pouquíssimos lapidando diamantes.

    Por isso, é um tanto metafísica essa discussão que opõe a vanguarda, descrita como a necessidade irrenunciável do nosso tempo, à literatura tradicional, lavrada segundo figurinos vigentes no século XIX. Confesso, aliás, que esses rótulos se me afiguram vazios de sentido: “Alice no País das Maravilhas”, escrita no século XIX, é um livro infinitamente mais experimental, adjetivo detestável, que “Harry Porter”, a grande sensação literária da primeira década do Século XXI. E, qualidades literárias à parte, a febre provocada por “Harry Porter” diz muito sobre essa nossa época da informação instantânea.

    Um livro escrito em linguagem rigorosamente clássica pode ser inovador em muitos sentidos: é o caso das obras de Kafka, a quem Borges (outro cultor da estética clássica e anti-barroca) chamou o “grande clássico desse nosso estranho século” (Séc. XX, no caso).

    Por outro lado, essas obrinhas experimentais, com linguagem inovadora, sintaxe escandalosa e enredo onírico, lírico e onanista, não passam, em geral, de desinteressantes exercícios de espíritos pueris. O “Serafim Ponte Grande”, tão aclamado pelos concretistas, é, convenhamos, um livro bobo, que nunca granjeou o favor dos leitores, apenas de críticos versados em teorias estéticas que nada têm a dizer sobre o real sentido da literatura (essa inexplicável compulsão humana de inventar histórias).

    O “problema” da literatura brasileira (o problema é o problema, como destacou nosso anfitrião) é, no final das contas, esse ambiente cultural, educacional, social, religioso e espiritual que, como o sal da terra, torna inviável, por esterilidade, o crescimento e a frutificação de talentos individuais.

  • Rafael 27/07/2007 at 10:43

    Enquando escrevia meu último post, o Sérgio Rodrigues fazia o seu comentário. Acabei de lê-lo e digo que concordo inteiramente com tudo que lá está dito.

  • Saint-Clair Stockler 27/07/2007 at 10:47

    “Vestir luto”, Sérgio, foi por sua conta. Eu não disse isso: se estivesse de luto, não teria citado nomes de jovens autores que admiro (e mesmo os velhos autores citados ainda estão vivos e produzindo – meus Deus, espero que a Elvira não leia essas palavras. Tô pra ver mulher mais jovial do que ela!) e, também, não estaria mais aqui escrevendo numa comunidade literária, pra felicidade de muita gente.

    A literatura brasileira não morreu, Sérgio, nem há dê – mas é fato que muitos dos seus pares literários andam me decepcionando e decepcionando muita gente boa por aí… Acho que, sobre isso, nem você pode dizer que eu estou exagerando…

    Outra coisa: é só uma opinião minha e não uma Verdade (acho que não existem Verdades na literatura, concorda?), mas acho que isso que você descreve como “sedução pelo pulo-do-gato mágico – a obra que redima num só rasgo de gênio um descompasso estrutural que dá desânimo só de pensar em vencer pelo trabalho duro” é que nem aquela cenoura que a gente estica na frente do burro pra fazer ele andar com um pouquinho mais de vigor. No fundo, no fundo, é uma besteira tão concreta quanto uma miragem no deserto (o burro nunca vai comer a cenoura). O que falta um pouco aos escritores brasileiros (e não só a estes) é uma certa disciplina monástica, a paciência e a humildade de saber que carros alegóricos deslumbrantes só a Rosa Fernandes e os outros carnavalescos hoje em dia fazem. Não há mais espaço pra gênios que façam obras num rasgo – isto, é claro, segundo a minha opinião de merda.

    Sérgio, você tem razão quando diz que os problemas que os escritores brasileiros enfrentam – ou melhor, sofrem – não são exclusividade nossa. Basta olhar pra literatura francesa, a portuguesa, a inglesa (a americana, então, nem te digo). Se a minha resposta ao Daniel e ao Bemveja deram a entender que só nós sofríamos disso foi porque eu não quis mencionar, explicitamente, as outras literaturas, pra poupar espaço. Achei que todo mundo entenderia que é um problema universal. Mea culpa

  • Vestibulando 27/07/2007 at 11:01

    Gente,

    Alguém sabe me dizer se já saiu o gabarito.

    Obrigado

  • Saint-Clair Stockler 27/07/2007 at 11:11

    Vestibulando:

    o único gabarito que eu conheço é o usado na marcenaria.

    Abraços!

  • Bemveja 27/07/2007 at 11:14

    Falta-me tempo agora, mas só um detalhe: dizer que há crise na literatura britânica, com o sucesso de autores tão díspares quanto Alan Hollinghurst, Zadie Smith, Alex Garland et al, ou comparar o estado comatoso da literatura brasileira atual à renovação das letras na França, EUA e Argentina (p/ citar um país em desenvolvimento) é, mais uma vez, enfronhar-se nas trevas da negação patológica ou então expor, na parede da internet, um atestado preocupante de desconhecimento.
    Enquanto os novos autores dos países supracitados são nomes correntes, cujos livros são consumidos pelo público e discutidos nos círculos literários (basta ver o Alan Pauls), a discussão da literatura brasileira no exterior é inexistente. Isso já sinaliza, em termos claros, a precariedade do ambiente literário no Brasil de hoje; com quase 190 milhões de habitantes, o país não tem qualquer espécie de representatividade ou relevância na literatura global, ao contrário, por exemplo, da Turquia, que tem menos da metade disso e sofre com uma relação desconfortável entre autor e Estado.

  • Vestibulando 27/07/2007 at 11:14

    Saint-Clair,

    Olha só o que está escrito no Houaiss:

    “s.m. (1873 cf. DV) 1 eng modelo em verdadeira grandeza para traçar, verificar ou controlar formas e medidas durante a execução de uma obra 1.1 p.ext. arq molde para a representação gráfica de elementos arquitetônicos, mobiliário e símbolos diversos 2 medida padrão que se impõe à confecção de peças, à distância entre os trilhos de bondes e de vias férreas, à distância entre meios-fios de ruas etc. 3 limite regulamentar de altura imposto pela legislação às edificações dentro de determinada área 4 B tabela das respostas corretas às questões de uma prova, esp. do tipo de múltipla escolha 5 fig. B classe, categoria, nível ¤ etim fr. gabarit (1643) ‘modelo’, com epítese da vogal final na var. gabari, teria ocorrido supressão da consoante final, não pronunciada no fr.; f.hist. 1873 gabari, sXX gabarito ¤ hom gabarito(fl.gabaritar)”

    Entendeu agora?

  • Lucia Riff 27/07/2007 at 11:17

    muito legal, Sérgio! só faltou uma alternativa sobre o mercado editorial (Editoras, Distribuidoras, Livrarias). Vender mais ajudaria um bocado, não? abraços pra você, e siga firme com o Todo Prosa!

  • Saint-Clair Stockler 27/07/2007 at 11:20

    Vestibulando,

    Ainda não: será que dava pra reproduzir a explicação do verbete do Dicionário Turma da Mônica (edição ilustrada)?

    P.s.: Estou torcendo pra que você tenha passado. Você fez vestibular pra Jornalismo ou pra Direito?

  • Vestibulando 27/07/2007 at 11:29

    Saint-Clair,

    Pois não, será o maior prazer:

    Verbete Gabarito, segundo definição dada por Cebolinha:

    “Gabalito: tabela das lespostas coletas às questões de uma plova, esp. do tipo de múltipla escolha.”

    Espero ter ajudado…

  • Saint-Clair Stockler 27/07/2007 at 11:43

    Ah, Bemveja, faça-me o favor! Você já está começando a agir deslealmente, apelando pra golpes baixos! Os únicos dois GRANDES autores britânicos vivos que eu conheço são o Ian McEwan e a A. S. Byatt (o Rushdie, pra mim, é autor indiano). E, convenhamos, é muito pouco pra um país tão grande quanto a Inglaterra, hein?

    Vai, me cita os “grandes” autores franceses da atualidade, s’il te plaît! Só conheço um, e ele é tão polêmico que mesmo na França as pessoas não têm muita certeza se é grande porque polêmico ou polêmico porque grande: Michel Houellebecq. Qual outro? O último grande, verdadeiramente grande, acontecimento literário francês foi a publicação do romance Suite française, de Irène Némirovsky, em 2004 – com um detalhe: a autora tinha morrido 60 anos antes em Auchwitz e o manuscrito passou 6 décadas dentro de uma mala velha…

    A literatura portuguesa só tem, atualmente, um único grande autor de estatura universal e, não, senhores, ele não se chama José Saramago! Chama-se António Lobo Antunes. Talvez tenha dois: contando com a Agustina Bessa Luís, mas desta li pouca coisa, prefiro não me manifestar.

    Literatura argentina? Não li ainda o Pauls. Mas li o César Aira (atualmente, um dos “queridinhos” da literatura latinoamericana) e acheio-o bem irregular… Cadê os Borges, os Cortázar, os Bioy Casares de hoje, hein?

    Quem é grande nos Estados Unidos? Quem? Gosto muito da Anne Tyler – mas não arriscaria dizer que ela é um gigante.

    No Canadá, só consigo pensar na Margaret Atwood (em língua inglesa) e a Antonine Maillet e o René Ducharme (em língua francesa). Muito, muito pouco pra um país tão grande. Tem a Alice Munro também, que dizem que é boa, mas confesso que nunca li.

    Bemveja, queria ter a sua visão otimista em relação às outras literaturas, mas os fatos falam por si mesmos.

  • Saint-Clair Stockler 27/07/2007 at 11:43

    Vestibulando:

    faltou o desenho… Te pedi que usasse a edição ilustrada do dicionário…

  • joao gomes 27/07/2007 at 11:49

    Acho que a LB nao apresenta problema. Acho que o “buraco é mais embaixo”. Neste país Tapuia a educação é caricatura. As escolas lançam milhares de cidadaos que sao incapazes de ler bem. Se nao sabem ler consequentemente nao sabem escrever.

    Por outro lado editores deveriam arriscar mais e dar mais chance aos autores brasileiros. Diminuir o número de críticos em seus conselhos editoriais e colocar mais empreendedores. “Dar uma chance a paz”.

    Olhar o Brasil e todo a enormidade de seu espaço geografico com mais isençao e imparcialidade.

  • Saint-Clair Stockler 27/07/2007 at 11:57

    Bemveja,

    só de curiosidade: você já leu a Elvira Vigna, o Esdras do Nascimento, a Zulmira Ribeiro Tavares, a Adriana Lisboa, a Adriana Lunardi ou o Daniel Pellizzari?

  • Bemveja 27/07/2007 at 12:31

    Saint-Clair, só os exemplos que você mesmo citou já desmentem essa visão totalmente equivocada de que a crise da literatura no Brasil é compartilhada por EUA, França, Argentina, Colômbia etc. Tem muitos outros: Dave Eggers, Michael Chabon (EUA), Jonathan Littell (EUA/França), Virginie Despentes, Romain Sardou (França) e por aí vai. Todos esses e os demais vendem, e vários são autores criticamente respeitáveis. E fora os EUA, todos esses países têm uma massa crítica absoluta (ou seja, habitantes, não leitores) menor do que o Brasil.

    P/ você ter uma idéia, eu li os contos da Zulmira e do Esdras de Nascimento quando eu era adolescente! Na base daqueles livrinhos “Para Gostar de Ler”! Considerar septuagenários nesse contexto da literatura contemporânea não faria sentido.

  • Ana Z. 27/07/2007 at 12:43

    Saint-Clair, adorei a Elvira Vigna, que conheci graças a você. Leio muita literatura brasileira e reconheço qualidade em parte dela. No entanto, não dá para negar que a crise de esvaziamento cultural de ingleses, franceses, argentinos ou canadenses é muito diferente da nossa. Para ilustrar a sua tese de que a decadência é geral, você citou pelo menos quinze autores estrangeiros contemporâneos. No entanto, Saint-Clair, quem pode citar, fora do Brasil, os nomes da nossa efervescente literatura atual? Quem discute as nossas novas publicações? Quem lê os nossos promissores autores contemporâneos? Quem, ao menos, fala mal deles?
    Se o Bemveja está errado – se a inexistência de discussão da literatura brasileira no exterior não sinaliza a precariedade do ambiente literário no Brasil de hoje – então o que acontece? Nossa literatura só é boa para brasileiros? Alguém me explica?

  • Sérgio Rodrigues 27/07/2007 at 13:30

    Ana, a questão é muito boa e nada simples. Algumas coisas me parecem claras no meio da confusão:

    É sinal de subserviência buscar nos outros o veredito sobre nossos méritos – ou falta deles. Se assim fizéssemos, seríamos obrigados a concluir que Paulo Lins, que andou vendendo direitinho lá fora e até mesmo sendo levado a sério pela crítica, é muito melhor escritor do que Milton Hatoum. Como obviamente não é, talvez valha a pena dar dois passos atrás e olhar melhor para o tal “mercado internacional”. Veremos que aquele Uzodinma Iweala, nigeriano-americano que andou na Flip, é hoje um docinho de coco da crítica do Primeiro Mundo. Pegou até a lista da Granta. O livro dele é muito fraco.

    Sem dúvida alguma, ao contrário de africanos e asiáticos, estamos mais do que fora de moda, literariamente falando. Até em Portugal. Mas é ingênuo atribuir isso apenas à falta de “mérito literário”. Concordo com o Saint-Clair sobre o Cesar Aira, por exemplo. Temos gente melhor do que ele. Por que não conseguimos “vendê-los”?

    Nada disso quer dizer que estejamos passando por um momento glorioso – muito, mas muito longe disso. O momento é confuso mesmo, com alguns sinais promissores em meio a tantos lamentáveis. Se a crise existe e o mundo inteiro anda discutindo, sim, a perda de importância da ficção literária, isso não quer dizer que a gente não tenha nossa própria e cascudíssima versão brasileira do problema. Nem poderia ser diferente num país em que quase ninguém sabe ler.

    Sempre me parece boa política arrumar a casa antes de pensar na tal “imagem lá fora”. Aqui já não tenho tanta clareza, mas acho que você tocou sem querer num ponto sensível: nossos escritores não são bons nem para os brasileiros, aí é que está. Nosso ambiente de recepção de livros e autores – uma entidade meio vaga que inclui imprensa, universidade e mercado propriamente dito – é frouxo demais, confuso demais, desinformado demais, indiferente demais. Nada ressoa. Como queremos ser ouvidos lá fora desse jeito?

    E por que nada ressoa? Culpa dos escritores, dos leitores, dos críticos, da escola? Algo me diz que completamos um círculo aqui, não?

    Um abraço.

  • Alice 27/07/2007 at 13:41

    Eu queria é convidar o Bemveja para fazer parte do conselho editorial da editora que estou pretendendo lançar.
    Com sorte dava para publicar um autor a cada 45 anos.
    Mas seria um sucesso!

  • Alice 27/07/2007 at 13:44

    Não: ele é o Conselho Editorial. Só ele.
    Com este talento todo precisa mais alguém?
    Desculpe Saint-Clair, você está FORA!
    Aprenda a escrever e quem sabe a gente te publica?
    Acho que o Dom Quixote também está FORA.

  • Tibor Moricz 27/07/2007 at 13:47

    Junto com o Bemveja? Chama o Dom Pixote.

  • Alice 27/07/2007 at 13:48

    Eu nem sei se é só no Brasil que não se sabe ler. Paulo Coelho é o autor brasileiro mais traduzido e consumido até por franceses e britânicos.
    Os franceses lêem mais? Decerto. Mas não mais como antigamente.
    Os ingleses não vão aos museus e atribuem a Gioconda à… Van Gogh.

  • Alice 27/07/2007 at 13:49

    Tibor. Você está louco menino? Este filme é muito imoral!
    Deus te perdoe de tamanha heresia!

  • Saint-Clair Stockler 27/07/2007 at 13:52

    Bemveja,

    não me importa se você leu o Esdras e a Zulmira no Jardim II – o que é realmente relevante é que ambos continuam vivos e produzindo literatura de altíssima qualidade. O Esdras do Nascimento, por exemplo, lançou ano passado (parte de uma tetralogia ainda não concluída, o “Quarteto do Rio de Janeiro”), o romance A dança dos desejos, Opus 13 que é, simplesmente, fundamental (só pra dizer o mínimo. Eu poderia ficar horas e horas e horas só falando do Esdras, que é um escritor que eu adoro).

    O caso da Elvira Vigna é ainda mais emblemático. Ela tem um romance – que foi o único que a Companhia das Letras não quis publicar – chamado A um passo, que é uma obra-prima da literatura brasileira e, pasmem!, foi praticamente ignorado por leitores e crítica. Este romance é daqueles livros que faço questão de reler de 6 em 6 meses, e ainda não sinto que cheguei sequer a formar dentro da minha cabeça um pálido esboço da brilhante estrutura que foi utilizada para construí-lo. E não pensem que é algo complexo como o (também admirável) Avalovara, por exemplo. A coisa é de uma simplicidade diabólica. Bem, só lendo vocês vão entender o que eu quero dizer.

    O Sérgio tocou, aí em cima, num ponto ao meu ver essencial: não temos o que ele chama de “ambiente de recepção de livros e autores” (e que eu chamo, brincando, de “egrégora literária”) forte. É tudo mesmo confuso: leitores despreparados, academia de mentalidade atrasada, editores e livreiros que vendem livros como se vendessem um pedaço de alcatra, jornalistas literários (eu me recuso a chamar aquele povo que escreve pra jornais, com a exceção de um ou dois, de “críticos”) despreparados, e por aí vai. Nesse contexto, como é que a gente quer que a literatura seja tratada que nem é na Europa ou na única parte da América que conta? Faz-me rir, né? Eu acho que você devia era procurar uma comunidade literária aí do país cultíssimo onde diz viver e passar a frequentá-la: poderia passar horas falando, com propriedade, sobre os autores nativos.

  • Alice 27/07/2007 at 13:54

    Eu tenho uns palpites:
    Bemveja é o disfarce de:

    Wilson Martins ( )
    Monteiro Lobato ( )
    Diogo Mainardi ( )
    Goebells ( )
    Arnaldo Jabor ( )

  • Alice 27/07/2007 at 13:57

    Pois é Saint-Clair,
    Mas o Bemveja é masoquista e filantropo.
    Ele não quer falar da arte que gosta.
    Está disposto a ajudar a literatura brasileira a s levantar da lama.
    Dou o maior valor a este esforço.
    Obrigada Bemveja!
    Vida longa ao Bemveja!!!!!!!!!!!!
    Sem Bemjeva não há solução!
    Bemveja para a ABL!

  • Saint-Clair Stockler 27/07/2007 at 13:57

    AFINAL, QUEM É “BEMVEJA”?

    Está rolando, nos subterrâneos do TodoProsa, uma intensa discussão sobre a real identidade do “Bemveja”. Várias hipóteses já foram consideradas: um crítico oculto? Um famoso escritor? O dono de alguma editora importante?

    Nomes até agora aventados: Wilson Martins, Gustavo Bernardo, Esdras do Nascimento, Roberto Schwarz e Luiz Schwarcz.

    Eu, particularmente, acho que “o” Bemveja na verdade é um “ela”.

    Façam suas apostas!

  • Alice 27/07/2007 at 13:58

    Avalovara? Coisa experimentalista?
    Não entra!

  • Saint-Clair Stockler 27/07/2007 at 13:58

    Vocês vão me crucificar agora: eu ADORO o Jabor! Pronto, falei.

  • Alice 27/07/2007 at 13:59

    Ah! Mas não mesmo. Ele não é mulher.
    Não vem macular o meu gênero não.

  • Eclesiastes 27/07/2007 at 14:00

    Alice, cá pra nós, você é uma chata.

  • Saint-Clair Stockler 27/07/2007 at 14:00

    Outros nomes na lista de possível real identidade do Bemveja:

    Bernardo Carvalho
    Luis Costa Lima
    Léo Schlafman

  • Alice 27/07/2007 at 14:01

    Digo, não venha enaltecer o meu gênero.

    Mas ele escreveu um texto sobre arte que poderia ter deixado na gaveta.
    igualzinho ao “Paranóia e Mistificação” do Monteiro Lobato.
    Texto ultra atual.

  • Alice 27/07/2007 at 14:03

    Eu, chata?
    Claro! Eu só gosto mesmo é de chatear. Pelo menos eu sei e aviso. Vim chatear.

  • Alice 27/07/2007 at 14:07

    Não esperem que eu escreva um tratado para ser devidamente ignorado e ser alvejada por novas perguntas.
    O que eu sei é que os escritores quando souberem que estão com seus livros em cartaz no Todoprosa vão começar a chorar.

  • Tibor Moricz 27/07/2007 at 14:09

    Er, Alice, me referia ao desenho animado…

  • Saint-Clair Stockler 27/07/2007 at 14:10

    Mais um nome na bolsa de apostas para a real identidade do Bemveja:

    Vinícius Jatobá.

  • Tibor Moricz 27/07/2007 at 14:13

    Outro: fake de Saint-Clair Stockler.

  • Tibor Moricz 27/07/2007 at 14:14

    Saint, estou com problemas no Hotmail, portanto impossibilitado de trocar as importantes e quase indispensáveis mensagens com você, ok?

  • Magnificat 27/07/2007 at 14:15

    Como assim “fake de Saint-Clair Stockler”? Eu pensei que “Saint-Clair Stockler” já fosse um fake… Nenhum pai, nenhuma mãe, em sã consciência poriam um nome desses num filho… Valhamedeus!

  • Saint-Clair Stockler 27/07/2007 at 14:17

    Tibor:

    faz um e-mail, rapidinho, no Yahoo. Estou começando a desconfiar que ele é o webmail mais confiável que temos… Meu Gmail anda me decepcionando tanto!

  • Saint-Clair Stockler 27/07/2007 at 14:19

    Magnificat:

    E isso porque você não sabe ainda o nome do meu irmão… rsrsrs. Só vou dizer que é um nome literário. Pronto, vou deixar todo mundo morrendo de curiosidade.

    P.s.: a culpa dos nossos nomes é do meu pai, mas não sei se vai dar pra você tirar satisfações com ele… Ele se matou em 1989.

  • Tibor Moricz 27/07/2007 at 14:20

    O Hotmail voltou às atividades.

  • Tibor Moricz 27/07/2007 at 14:21

    Ei, Bemveja poderia ser uma dupla personalidade, cruel, é verdade, de Sergio Rodrigues!! Como não pensei nisso antes…

  • Alice 27/07/2007 at 14:24

    Vinícius Jatobá gosta de Kafka. Não pode.
    Um doido destes está FORA!
    “É permitido proibir!”

  • Tibor Moricz 27/07/2007 at 14:25

    Vinícius Jatobá NÃO gosta de Kafka, ele gosta de KAFTA.

  • Saint-Clair Stockler 27/07/2007 at 14:26

    Uma coisa tipo “Dr. Jekyll e Mr. Hyde” literário?

  • Saint-Clair Stockler 27/07/2007 at 14:28

    Olha, Tibor, não acredito, não, nessa hipótese. Com o Bemveja o Sérgio estaria dando um tiro no próprio pé (isso porque sou um mocinho delicado e sensível, já que a vontade era de dizer “um tiro no próprio saco”)

  • Rafael 27/07/2007 at 14:28

    “Paranóia e Mistificação” é um artigo extremamente bem escrito, mordaz e cruel – diria, um texto brilhante. Não foi à toa que causou tanto rebuliço e polêmica.

    Não é, portanto, para ficar guardado no fundo da gaveta.

    Oxalá, os críticos fossem assim, ferinos, lançando farpas aguçadas contra tudo e contra todos, beirando ao sádico.

    Antes isso ao insípido, inodoro e incolor estilo impessoal que tomou conta das resenhas hagiográficas dos semanários.

  • Alice 27/07/2007 at 14:29

    E pensar que um homem cosmopolita como Bemveja deve ter estado em Paris em 68!

  • Tibor Moricz 27/07/2007 at 14:30

    Descobrimos, ao menos desconfiamos, que Bemveja não é Bemveja. Ele não é ele. Não sendo, portanto, não existe. Impossível trocar idéias com quem não é.

  • Alice 27/07/2007 at 14:32

    É Rafael,
    Foi por este texto que tivemos o modernismo.
    Foi ele que demonstrou que havia uma nova visão no ar.
    Por isto os modernistas se deram conta que poderiam fazer aquela miséria em 22.
    O texto é muito bom sim.
    Condenava cubismo, impressionismo, futurismo… Eu acho o máximo.

  • Liliputiana 27/07/2007 at 14:34

    Se me for permitido opinar, gostaria de sugerir dois nomes como possíveis pessoas por trás da máscara “Bemveja”:

    Marcelo Moutinho (se for um homem)
    Simone Campos (se for uma mulher)

    Abraços a todos, sobretudo ao Sérgio.

  • Bemveja 27/07/2007 at 14:40

    Vou considerar as sugestões Saint-Clair, eu não sabia dessa tetralogia do Esdras do Nascimento não.
    Sobre livros brasileiros no exterior: todo ano, sem exceção, as casas editoriais da Europa compram ficção brasileira em Frankfurt. Por que essa produção passa despercebida no continente mais alfabetizado do mundo? Porque os livros são insípidos, não têm atrativos nem intelectuais nem popularescos ( à exceção de uma Bruna Surfistinha ocasional). Não há conspiração, existe apenas falta de material interessante. Repito: se temos arquitetos e pesquisadores (áreas que dependem de disciplina mas também de muita criatividade), além de músicos eruditos, grupos de dança etc consagrados mundialmente, é preciso atentar aos erros cometidos por nossos escritores que levaram a essa marginalização da literatura brasileira. Outra coisa: reconhecimento é algo que ocorre sem muita racionalidade. Ninguém liga p/ W.G.Sebald na Alemanha, no RU ele é exaltado; Paul Auster vende mal nos EUA, é praticamente idolatrado na França; mas o fato é que bons escritores têm, sim, força suficiente para obter espaço, se não em seu país, pelo menos em algum lugar onde haja leitores.

    Alice, eu aceito integrar esse Conselho Editorial com as seguintes condições:
    -a editora terá de chamar-se “Aristarco Tinhorão Books”;
    -pgto em euros por pág. avaliada; e
    -só serão publicados autores de países onde os aeroportos funcionam.

  • Rafael 27/07/2007 at 14:53

    Alice,

    Eu pessoalmente considerado os Modernistas de 22 uma fraude.

    Nada contra a literatura moderna, não. Adoro James Joyce, um dos maiores escritores de todos os tempos (tenho reservas em relação a Finnegans Wake), acho que o início do Século XX, com Eliot, Yeats, Fernando Pessoa, Antônio Machado, Valery, Rilke e tantos outros, foi o mais profícuo na poesia desde o Barroco (época de Shakespere e do Siglo de Oro da literatura espanhola)…

    Já o Modernismo de 22 foi, repito, uma fraude, um fenômeno de marketing habilidosamente construído por Mário de Andrade.

    Sejamos francos, a literatura brasileira pouco deve aos modernistas de 22. A chamada “segunda geração modernista” (sic) nada tem a ver com os moleques paulistas que a precederam. Graciliano Ramos e José Lins do Rego, para pegar dois nomes representativos, não receberam nenhuma influência da dupla Mário/Oswald.

    É certo que Manuel Bandeira participou indiretamente do evento, porém sua estética é antes pós-romântica que moderna. É certo que Mário de Andrade influenciou muito Carlos Drummond de Andrade, porém essa influência foi mais epistolar (Mário de Andrade palpitava sobre os poemas de CDA nas correspondências que trocavam) que literária.

    O Monteiro Lobato, que era um espírito modernista em vários aspectos (na literatura, não muito; como educador e agitador cultural, bastante mesmo), acabou injustamente sendo um bode-expiratório, graças ao senso de oportunidade de Mário de Andrade.

  • Alice 27/07/2007 at 14:54

    Claro Bemveja,
    Pagamento em Euros.
    Mas a produção é a brasileira. Dá para trocar o nome para “Aristarco Tinhorão Livros”? Só para dar uma cor local.
    Logo você pode ficar onde está. O livros serão enviados eletronicamente. Do contrário eu vou falir.

  • Alice 27/07/2007 at 14:59

    Rafael,
    Deixemos de lado o modernismo.
    Lobato censura o cubismo, o impressionismo e o futurismo. A arte para ele se resume em Leubach, Praxíteles, Rubens, Rafael, Reynolds, Rodin e Zuloaga.
    Nem o Renoir se salva.
    Impressionismo, cubismo e futurismo é visão teratológica. Arte de gente doida. Ele equiparou os artistas à doentes mentais.
    Hitler fez o mesmo com a tal da “arte degenerada”.
    Mesmo na França Lobato iria odiar a arte de 17 e 20.
    Se em 20 ele ainda não aprovava o impressionismo é muito esquisito. Paradoxalmente aceita Rodin. Certamente não viu o Balzac do Rodin.

  • Alice 27/07/2007 at 15:12

    Por página avaliada não.
    São 10,000 euros por livro indicado.
    Proposta final.

  • Rafael 27/07/2007 at 15:15

    Alice,

    Os antigos romanos sabiamente diziam que “de gustibus non est disputandum” – gosto não se discute. Não gostar de cubismo, futurismo, impressionismo é um direito de qualquer cidadão. Monteiro Lobato tinha uma opinião negativa sobre essas escolas e a externou num artigo brilhantemente escrito. Admiro o artigo, porque escrito de forma modelar, admiro a coragem de arrostar os modismos que chegavam da Europa, admiro a independência de espírito – ainda que não endosse completamente a visão estética das coisas.

    Ademais, existe acaso uma verdade estética que se afirma e se impõe sobre outras verdades estéticas? Que a visão de Monteiro Lobato era, àquela altura, conservadora e atrasada, isso é inegável. Porém, pode-se dizer que essa visão era “errada” ou “certa”?

    Estamos hoje obrigados a tomar o multiculturalismo, por exemplo, como uma verdade que deve nortear nossa produção literária e artística?

    Francamente, a comparação de Monteiro Lobato com Hitler é extemporânea. Hitler mandava queimar livros e banir artistas; Monteiro Lobato escrevia artigos e lutava exclusivamente no terreno das idéias.

    Você sabia que Monteiro Lobato editou vários livros do mais radical dos modernistas, o Oswald de Andrade?

    Você sabia que a reação inicial de Mário de Andrade na famosa exposição de Anita Malfatti foi cair na gargalhada?

  • Marcelo Moutinho 27/07/2007 at 15:49

    Liliputiana: não sou eu, não. Não tenho sequer as referências que ele coloca aqui. E tbm não escrevo nada sem assinar.

  • Alice 27/07/2007 at 16:56

    Rafael,
    Eu não gosto, você gosta.
    Você sabia que o Roberto Pontual tem um estudo magnífico sobre o movimento de 22?
    Você sabia que o Di Cavalcanti….
    Você sabia que o Secretário de Estado de São Paulo…
    Também tenho um monte de reis, damas, valetes e azes para levar esta discussão em que se quer convencer o outro da forma mais eloquente possível. Não gosto disso.
    Não. Este tipo de discussão eu não vou levar.
    Aliás, para o meu gosto, está ficando irrespirável palpitar por aqui.
    Parece que estamos no meio da Inquisição.
    E outra coisa,
    Eu achei o cúmulo que o Sérgio não tenha defendido, não tenha escrito uma linha sequer a respeito do ataque à Daniela. Afinal de contas ele postou um texto sobre ela. É como convidar alguém para ir a sua casa. Ela veio aqui, se expressou e foi devidamente destratada.
    Acho que o Blog está correndo um sério risco em tratar a literatura, os literatos, e, pelo vistos as artes, e artistas da maneira como está.
    Espero estar enganada.
    Havia aqui um clima de discussão saudável em que todos expressavam suas idéias normalmente e se conversava, se trocava idéias e figurinhas.
    Assim… como o Saint-Clair sublinhou acima.
    Como está é improdutivo e pode acabar ferindo pessoas do meio. Aliás já feriu.
    Participo de um grupo de pessoas de visões dispares a respeito de arte. E todos se respeitam.
    Acho que falta respeito e um pouco de carinho.
    Nossa! Coisa cafona.
    É! Eu sou chata e cafona. Eu não quero esquecer que atrás deste teclado tem alguém com os mesmos problemas que eu.
    E falta amor também. Amor à literatura. Amor à quem faz a literatura.
    Amor ao ser humano que é afinal sobre quem todas as literaturas tratam.

  • Fellini 27/07/2007 at 17:07

    Faltou amor! Faltou carinho! E também afago, delicadeza, apreço, cuidado, desvelo… e biscoitinhos de polvilho, e sequilhos, e bombocados… E faltou principalmente elogiar… Pode-se até criticar, mas tem que ser, no máximo, na base do bate-e-assopra, que é pra não ferir suscetibilidades… Não, vc não é chata, Alice… Vc é apenas infantil, carente, exageradamente maternal… Só isso.

  • O Inquisidor 27/07/2007 at 17:17

    HAHAHAHAHAHAHA… essa foi na veia! Ou foi na véia??

  • Mindingo 27/07/2007 at 17:36

    É isso aí, moçada, chega de leniência e viadagem.

    A verdade é que o brasileiro quer posar de escritor. O foda é ter que perder tempo escrevendo livro.

  • Ana Z. 27/07/2007 at 17:39

    Obrigada pela resposta, Sérgio.
    Sua análise me fez pensar (pragmática e ingênua, eu sei) no que dá para fazer pela arrumação do ambiente doméstico. Melhorar a recepção de livros e autores me parece o caminho óbvio. Para isso, será preciso interromper o famigerado círculo estabelecido nos seus pontos mais frágeis (ou menos cascudos). A superação da catástrofe educacional é coisa para ter reflexo só em duas ou três gerações (com otimismo). No entanto, formar leitores (ainda que incipientes) é coisa que dá para ser feita já. Os escritores brasileiros contemporâneos estão aí e as publicações são efervescentes. Deve ter escrita para todos os gostos. Seduzir gente para a literatura nacional, portanto, me parece questão de marketing – tarefa para uma cavalar ação conjunta de mídia, editoras e livreiros. Cadê gente lendo nas novelas, na MTV, na Malhação? Cadê os programas sobre literatura na TV aberta? Cadê a publicidade do mercado editorial? Cadê o jornalismo cultural que promove literatura e dá ênfase aos lançamentos nacionais? Quando há vontade e boa estratégia de marketing, vende-se qualquer coisa. Por que não literatura brasileira?
    Um abraço.

  • Alice 27/07/2007 at 18:37

    Sempre a velha covardia blogueira. Os nicks relâmpagos que defendem o status quo.
    Eu já vi um Blog ir para o brejo assim.
    Bem pertinho de vocês.

  • Alice 27/07/2007 at 18:39

    Foi uma honra, imensa honra ter sido assim tratada neste espaço.
    Se eu fosse elogiada eu iria ficar muito preocupada.

  • Alice 27/07/2007 at 18:40

    As pessoas mais brilhantes não mais escrevem por aqui. A exceção de duas pessoas.

  • Alice 27/07/2007 at 18:41

    O resto? O resto é o resto.
    É proibido proibir, é proibido proibir…
    Velha de coração. Mas pica não me falta não.

  • Alice 27/07/2007 at 18:43

    Carente é quem precisa… bem aí ia ficar engraçado mas deixa prá lá…rsrsrsrsrsrsrrs

  • Alice 27/07/2007 at 18:43

    Coitado Sérgio, coitado de você.

  • Sérgio Rodrigues 27/07/2007 at 19:31

    Alice, digamos que vc esteja realmente preocupada com o nível de chacrinha na sala de aula, como diz que está. Tão preocupada que nem se dá conta de que o modo como demonstra sua preocupação eleva a zona à décima potência. Mas se as discussões aqui lhe parecem tão insuportáveis – bom, reconheço que às vezes chegam perto de ser mesmo – é só não participar delas. Fácil, não? Convém não esquecer que o Todoprosa existe antes, durante e depois dos comentários deixados aqui. Pode parecer difícil de acreditar, mas 97% dos leitores não escrevem uma única palavra nesta caixa. Ah, e eu não “defendi” a Daniela Abade porque ela sabe se defender muito bem sozinha – como demonstrou mais uma vez, aliás. Um abraço.

  • Liliputiana 27/07/2007 at 19:35

    Eu só não consigo entender uma coisa, machos dominantes da comunidade: quando vocês estão brincando e fazendo algazarra por aqui, se divertem muito, tá tudo bem em suas cabecinhas (as duas). Basta aparecer uma mulher como a Alice, que ouse discordar de vocês, aí então vocês se unem para o ataque: é mal-amada, mal-comida, precisa de chazinho, florezinhas, carinhos, e por aí vai. Homem é tudo igual, mesmo, hein? Vocês podem, a gente não? Gostaria de imaginar qual seria a reação de vocês se a Alice estivesse elogiando-os…

  • Alice 28/07/2007 at 07:40

    Sérgio,
    Eu me dei conta sim de que o modo de demonstrar minha preocupação aumentou a zona. E foi esta mesmo a minha intenção. Dialogar está impossível. Ainda tem a agravante de eu ser mulher e, como a Liliputiana bem apontou, “mal-amada, mal-comida, precisa de chazinho, florezinhas, carinhos, e por aí vai.”
    Felizmente os homens não sofrem de ejaculação precoce, têm sempre orgasmo 8 na escala richter, sempre saciam suas mulheres, e, jamais falham na hora H.
    As discussões estão insuportáveis pelo que está sendo defendido,
    Mas como você tem formação jornalística eu creio que você não se dá conta da gravidade das idéias aqui defendidas. Nem na ditadura se defendeu o texto “Paranóia e Mistificação” do Monteiro Lobato que eu tenho certeza você nunca leu. Eu li no segundo grau e professores de direita condenavam este texto. Não é a obra de Monteiro Lobato nem o que ele fez o que estava em pauta. Apenas este texto que é semelhante ao do catálogo da exposição “Arte Degenerada” de 1937 em Munich. Este é um exemplo.
    As outras teorias escabrosas que se escondem em comentários, nunca lidos e devidamente interpretados, por pessoas com um pouco mais de conhecimento literário eu teria de chateá-los com uma longa dissertação. Isto o Saint-Clair tenta, tenta, tenta, tenta… coitado.
    Eu sou da área de letras. Sim, a faculdade é muito ruim. Mas a gente estuda muito por conta própria, cria grupos de estudo, faz optativas em outras faculdades, lê além dos autores, teoria, críticos, filosofia, história da literatura, viaja e sempre procura novas perguntas ao invés de apenas ter respostas.
    Eu ainda tenho as artes plásticas como complemento de estudos.
    Já ao jornalista falta esta especificidade motivo pelo qual não sabem distinguir paráfrase de paródia, paródia de caricatura, caricatura de degeneração e por aí vai.
    Jornalistas tendem a se informar em jornais. Geralmente colhem suas idéias em jornais ingleses, franceses, americanos e raramente lêem a literatura específica para o assunto a que se dedicam.
    A grande aspiração de um jornalista é ser “formador de opinião”. Assim ele consegue prestígio, projeção e o respeito de editores e afins.
    Claro que há exceções. Jornalistas como Jorge Pontual, William Waack e até alguns que se dedicam à literatura e conseguem prestar um bom serviço entrevistando autores e deixando que eles falem sobre os seu trabalhos, escrevendo textos sobre os autores que gostam, ou seja, não existe só mediocridade no jornalismo literário brasileiro. Mas são as exceções.
    Quando à defesa da Daniela Abade: sim ela se defendeu. Imediatamente foi destratada novamente de forma machista. É bonita, ergo, vai se dar bem. Você acha que ela iria voltar para se defender a respeito disso? Ela é elegante e não cairia neste ridículo. Mas certamente não gostou.
    Finalmente eu consegui uma coisa de você: pedir que alguém se retire do Blog.
    Fico feliz em ter sido a pioneira e fazer com que você demonstre que não tem sangue de barata e não suporta todos os tipos de comentários.
    Abraços respeitosos, e, talvez eu volte quando o século 21 chegar por aqui.
    Nota: 97% dos leitores não escrevem nem sequer lêem esta caixa. Apenas se informam nos seus posts.

  • Sérgio Rodrigues 28/07/2007 at 09:45

    Alice, uma última observação para ler na viagem: sua discussão com o Rafael sobre o texto do Lobato (que eu li, por sinal; vc ficaria surpresa se soubesse o quanto leu este jornalista ignorante), estopim de sua despirocada final, foi – até vc chutar o balde – cordata, esportiva, civilizadíssima. Não é engraçado? Choque de idéias, como deve ser. Coisa que a internet freqüentemente não é mesmo, bem-vinda à vida real. Tchau.

  • Cezar Santos 28/07/2007 at 21:56

    Que problema tem a literatura brasileira? No geral ela é como a de qualquer país periférico, subdesenvolvido, com os problemas de mercado, etc e tal, sistema educacional rídiculo, o que prejudica tudo.
    No específico, temos livros demais, escritores demais, editoras demais e leitores de menos… Ou seja, problemas pra mais de metro.
    Mas acho que a coisa nem é tão ruim assim, porque a distroção da coisa faz com que gente que escreve uns livros chinfrins sejam incensados como sumidades. E nem estou falando de Paulo Coelho, um fenômeno de mercado.

  • Jonas 29/07/2007 at 01:16

    Bemveja é o Geneton! E a caixa de comentários desse blog é uma reunião inédita de absoluta falta de talento com doses insuportáveis de pretensão. Tinha que ser aqui, e tinha que dar nisso. Que chatice…

  • Nicolas 29/07/2007 at 04:24

    Acho que todos vocês são a mesma pessoa. O Brasil não comporta tantos e tão letrados espíritos. “Tenho múltiplas personalidades, mas procurei um psiquiatra e estamos bem melhores”, dizia uma camiseta gaiata dia desses.

  • Mr. WRITER 29/07/2007 at 16:57

    As coisas serão mais interessantes novamente quando o assunto do post não for mais os comentaristas…. ou suas identidades.
    O que interessa saber quem é o fulano, o ciclano e o beltrano? Isso muda alguma coisa? Isso tem alguma coisa de interessante?
    Bom, quando os egos não estiverem tão inflados e ocupando um lugar diferente do centro do universo, talvez, eu disse apenas talvez, possamos continuar a comentar de uma maneira mais proveitosa do que essa de colocar um ou outro comentarista no centro do mundo.
    Quando isso ocorrer e os comentaristas perceberem que não estão no centro do universo, quem sabe assim eles passem a gostar de ler mais e de tagarelar verborragia menos.
    Agora podem atirar as pedras, como bom herege que sou, aceito meu “castigo” por tamanha blasfêmea: tão somente gostar de ler…

  • Rafael 30/07/2007 at 10:17

    Alice,

    Você escreveu: “Havia aqui um clima de discussão saudável em que todos expressavam suas idéias normalmente e se conversava, se trocava idéias e figurinhas.”

    Respondo: quando me posicionei favoravelmente ao estilo de Lobato no artigo “Paranóia e Mistificação”, não estava senão expressando minha idéia, de forma normal e em tom de conversa. Pensava em entabular uma discussão saudável sobre um texto crítico paradigmático que já foi objeto de inúmeras polêmicas.

    Você escreveu: “Mas como você tem formação jornalística eu creio que você não se dá conta da gravidade das idéias aqui defendidas. Nem na ditadura se defendeu o texto “Paranóia e Mistificação” do Monteiro Lobato que eu tenho certeza você nunca leu. Eu li no segundo grau e professores de direita condenavam este texto. Não é a obra de Monteiro Lobato nem o que ele fez o que estava em pauta. Apenas este texto que é semelhante ao do catálogo da exposição “Arte Degenerada” de 1937 em Munich.”

    Respondo: Expressar admiração pelo estilo beligerante de Lobato naquela famosa peça de crítica é algo assim tão terrível que, sob o manto das palavras, esconde idéias cuja gravidade precisa ser alertada? Repare, cara Alice, que fiz apologia ao estilo e à independência de espírito de Lobato, e não propriamente às suas idéias estéticas (com as quais, diga-se de passagem, não comungo inteiramente).

    Alice, você involuntariamente está assumindo uma posição de completa intolerância. Eu não desferi nenhum ataque pessoal a você nem externei nenhum comentário machista. A única coisa que fiz foi advogar a favor de um artigo que você, numa atitude inquisitorial, não admite, em hipótese alguma, que seja elogiado. Para você, “Paranóia e Mistificação” é um amontoado de palavras indefensável; o apóstata que se insurge contra sua opinião a respeito desse texto é um ser repulsivo, que só merece o opróbrio. Toda a discussão saudável e tolerante começa com a aquiescência a que o outro manifeste uma idéia divergente. Você, claro está, não aceita idéias divergentes.

    Você escreveu: “Participo de um grupo de pessoas de visões dispares a respeito de arte. E todos se respeitam.”

    Respondo: Eu comecei a discutir esse tema com você justamente por reputar sua opinião digna de respeito. Se pensasse o contrário, não gastaria meu escasso tempo com você. E emendo aqui um trecho do “Paranóia e Mistificação”, que, por um insondável desígnio divino, vem muito a propósito:

    Há de ter essa artista ouvido numerosos elogios à sua nova atitude estética. Há de irritar-lhe os ouvidos, como descortês impertinência, esta voz sincera que vem quebrar a harmonia de um coro de lisonjas. Entretanto, se refletir um bocado, verá que a lisonja mata e a sinceridade salva. O verdadeiro amigo de um artista não é aquele que o entontece de louvores e sim o que lhe dá uma opinião sincera, embora dura, e lhe traduz chãmente, sem reservas, o que todos pensam dele por detrás. Os homens têm o vezo de não tomar a sério as mulheres. Essa é a razão de lhes darem sempre amabilidades quando pedem opiniões. Tal cavalheirismo é falso, e sobre falso, nocivo. Quantos talentos de primeira água se não transviaram arrastados por maus caminhos pelo elogio incondicional e mentiroso? Se víssemos na Sra. Malfatti apenas “uma moça que pinta”, como há centenas por aí, sem denunciar centelha de talento, calar-nos-íamos, ou talvez lhe déssemos meia dúzia desses adjetivos “bombons”, que a crítica açucarada tem sempre à mão em se tratando de moças. Julgamo-la, porém, merecedora da alta homenagem que é tomar a sério o seu talento dando a respeito da sua arte uma opinião sinceríssima, e valiosa pelo fato de ser o reflexo da opinião do público sensato, dos críticos, dos amadores, dos artistas seus colegas e… dos seus apologistas.

    Pense a respeito.

  • pérsia 30/07/2007 at 18:30

    Acho que há bons lados aqui pra boas discussões.Como há belas e lidas (algumas) sugestões do Saint-Clair e do seu Sérgio(rs, te contrainterpretaram, hein?). E o texto de Lobato é pra lá de espirituoso e culto, concorde-se ou com ele.

    Mas ao que interessa: Não tem alguma coisa do Ivan Lessa no Bemveja? Não, não tou falando de Londres, vá.

  • M.A.P. 30/07/2007 at 20:01

    Sabe qual é o problema da literatura brasileira? É só olhar a composição da Academia brasileira de letras; esses “eunucos” só escrevem para seus pares.

  • C. Soares 31/07/2007 at 12:34

    será que descobriram a identidade secreta de bemveja? se for mesmo o Ivan, repensarei algumas críticas feitas em um post anterior. e então bemveja, quem afinal de contas é vc? td mundo já sabe que spiderman é peter parker e batman é bruce wayne. só falta agora descobrirmos bemveja? aguardemos as cenas dos próximos capítulos :-)

  • Bemveja 31/07/2007 at 13:23

    Não tem identidade secreta, sou pessoa física, comum, não sou absolutamente nenhum desses citados e meu nome não despertaria nenhuma espécie de “sério? É você?”etc etc. Emito opiniões de leitor. Acho que até existem aqui no todoprosa figuras conhecidas que às vezes fazem comentários curtos sob pseudônimos diversos, mas isso é puramente chute, de modo geral suponho que o público aqui seja de nível muito alto tanto de comentaristas quanto de leitores.

  • C. Soares 31/07/2007 at 21:46

    estou brincando contigo Bemveja. continue tecendo seus comentários. do jeito que está, está ótimo. :-)

  • Pedro Curiango 20/08/2007 at 23:39

    Rafael diz: “Você sabia que Monteiro Lobato editou vários livros do mais radical dos modernistas, o Oswald de Andrade?”
    Tenho a primeira edição de quase todos os livros de Oswald de Andrade, mas nenhum destes que foram editados por Monteiro Lobato. Será que poderia ter mais informação sobre o assunto?

  • PrelKikam 21/08/2007 at 05:54

    enter text? test, sorry

    dfdf767df

  • Rafael 24/08/2007 at 12:10

    Pedro,

    Monteiro Lobato editou, em 1922, o livro “Os Condenados” de Oswald de Andrade. A capa, ironia das ironias, foi desenhada por Anita Malfatti.

    A veracidade da informação pode ser atestada aqui:

    http://lobato.globo.com/lobato_Biografia.asp

    E aqui:

    http://www.itaucultural.org.br/aplicexternas/enciclopedia_lit/index.cfm?fuseaction=biografias_texto&cd_verbete=4942&cd_item=36

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