O Pulitzer ou o público?

17/04/2007

Responda depressa: você preferiria ganhar o prêmio Pulitzer de romance, que dá prestígio e um cheque de dez mil dólares, ou uma vaguinha no “clube de leitura” que mais fabrica best-sellers em todo o mundo? Este dilema o americano Cormac McCarthy não precisou enfrentar. Ficou com os dois. Merece ambos, mas não é preciso muito cinismo para encarar essa historinha como um retrato das mudanças que vêm sendo operadas por nosso tempo nas máquinas de fabricar celebridades literárias.

O autor de “Meridiano sangrento” (Nova Fronteira, esgotado) e “Onde os velhos não têm vez” (Alfaguara, 2006) faturou ontem o prêmio Pulitzer de romance por The road, uma sombria história conduzida por um pai e um filho que vão para a estrada num cenário pós-apocalíptico – a edição brasileira do livro está prometida pela Alfaguara para julho deste ano.

O Pulitzer é um prêmio “sério” e tradicional, criado em 1917. Deve ter na carreira de McCarthy, um autor recluso e de apelo popular limitado pela extrema violência de suas histórias, um impacto desprezível. Prestígio não lhe faltava. Revolução mesmo é a que vem sendo provocada pela surpreendente inclusão de The road no Oprah’s Book Club, o “clube de leitura” da apresentadora de TV Oprah Winfrey, que transforma qualquer título em best-seller instantâneo. O romance desolado de McCarthy, que já estava escolhido antes do prêmio, é o livro da vez. E por isso mesmo acaba de chegar ao primeiro lugar na lista dos mais vendidos do “New York Times”.

Será que sucesso tão garantido tem – faustianamente – um preço? Claro que tem. A obra é submetida pelo Oprah’s Book Club a um escrutínio colegial destinado a reduzi-la a mais um representante dessa geléia geral de nosso tempo, a auto-ajuda. Algumas das provocações lançadas aos leitores do “clube” a propósito do romance (veja a newsletter inteira aqui) deixam isso claro: “Ler The road o fez olhar para o mundo à sua volta de uma forma nova? Você encara seu papel como pai ou mãe de maneira diferente? Pensou em como ‘carregará a tocha’ em sua própria vida?”.

Ah, sim: o autor precisa ainda se submeter a uma daquelas entrevistas de “forte apelo emocional” com a apresentadora. Cormac McCarthy, avesso a conversas com a imprensa, ainda não passou por isso, mas passará. Não consta que esteja reclamando.

(Vale o registro: o Pulitzer de não-ficção foi para o festejado “O vulto das torres”, do jornalista Lawrence Wright, um relato de fôlego sobre a trama de acontecimentos que conduziu ao 11 de Setembro. A edição da Companhia das Letras, que trará Wright à Flip, chega às livrarias esta semana com tradução de Ivo Korytowski e preço de R$ 56.)

55 Comments

  • Tibor Moricz 17/04/2007 at 16:19

    Prefiro uma vaguinha no ‘Clube da Leitura’. Pulitzer? Parece nome de produto de limpeza. Pra mim, não, obrigado.

  • Lucas Murtinho 17/04/2007 at 17:28

    Acho que o ato de levar milhões a ler um livro difícil e recompensador como “The road” parece ser compensa qualquer número de perguntas pouco inspiradas. Sobre a relação entre Oprah e a literatura de prestígio, vale notar o caso de Jonathan Franzen: seu “The corrections” foi escolhido para o clube em 2001 mas, após um artigo em que ele reclamava da presença do símbolo do clube na capa do seu livro, sua entrevista com a apresentadora e o programa dedicado ao livro foram cancelados. Parece que o livro vendeu feito água mesmo assim.

  • Cezar Santos 17/04/2007 at 18:12

    Cormac é um escritor sensacional, um Faulkner redivivo com mais estamina e clareza.
    Mas nem todos vendem a alma para que seus livros estourem na lista dos mais vendidos. Há escritor que acha ridículo aquele sofazinho da Oprah, mesmo garantindo vendas (o Lucas ai em cima lembrou bem do Jonathan Franzen). Outros, a imensa maioria, daria um braço (ou os dois) para estar no tal sofazinho.
    A qual categoria o Cormac pertence?…

  • Noga Lubicz Sklar 17/04/2007 at 18:30

    ser muito lido nunca é ridículo. ridículos, geralmente, são os livros escolhidos para atingir o gosto popular, o que certamente não deve ser o caso de “The Road”. deixemos o preconceito de lado e tomara que o público se beneficie da qualidade. se fosse o meu caso, preferiria os dois: unanimidade de público, e de crítica. Oprah tende ao sensacionalismo populista, mas já vi gente legal por lá, e assuntos interessantes, de vez em quando, também.

  • Cezar Santos 17/04/2007 at 18:41

    Noga,
    eu escrevi que ser muito lido é ridículo?
    Eu escrevi que há escritores que acham ridículo o sofazinho da mulher, porque ao se sentar ali o cara vira uma atração, e como tal obrigado a ser engraçadinho, simpático, espirituoso e até a fazer macaquices (lembra do Tom Cruise?)…
    Tem gente (e não só escritor) que não se submete a isso.
    Quanto a ser preconceituoso, bem, eu sou preconceituoso. Tenho preconceito a imbecilidades, a mau-caratismo, a frescura, a afetação, a desonestidade…e por ai vai…

  • Tibor Moricz 17/04/2007 at 18:58

    Calma gente. Nem você disse que ser lido é ridículo, nem a Noga disse que você disse. Ela só pegou carona no seu raciocínio. Quanto a ser preconceituoso, eu também sou. Detesto aqueles que tem medo de best-sellers.

  • Noga Lubicz Sklar 17/04/2007 at 20:37

    O Tibor tem razão, Cezar, só aproveitei a palavra. O que não concordo é que a atitude deva depender da mídia, ninguém é obrigado a ser o que não é em circunstância nenhuma. O problema é que as pessoas decidem ser assim e acabam se tornando… ridículas.

  • Roberto Schultz 17/04/2007 at 22:29

    Uma discussão como essa fatalmente nos leva ao Paulo Coelho (sem entrar no mérito da Literatura dele, pelo amor de Deus, nem contra e nem a favor…) que entrou à força nesse clubinho. Pagando a publicação do seu primeiro ou primeiros livros e chegando, hoje, onde chegou. No MUNDO. A atitude, em relação a ele, é verdadeiramente messiânica, as pessoas choram abraçadas a ele como se fosse um enviado de Deus ou coisa parecida, inclusive no Irã ou em países impenetráveis aos demais ocidentais. Tem a unanimidade do público (pelo menos de um público MUNDIAL, mesmo que não sejamos nem eu e nem você) e está SE LIXANDO para a crítica. A crítica (inclusive a que se faz neste blog, com algumas manifestações patéticas) é quase sempre blasé e afetada. Adoro ver os imbecis virem com aquele papo de “li Fulano no original” e o original francês ou inglês é “melhor” do que um original espanhol, por exemplo. Foda-se a crítica, que venham os leitores. Só respeito quem eu acho que faça melhor do que eu. O crítico só é crítico porque não consegue escrever nada que preste; não com emoção, com veracidade. Como disse o Rilke no clássico “Cartas a um Jovem Poeta”, deixemos de olhar para fora, para o que dizem. Olhemos para dentro de tal forma que não nos preocupemos com nada que não seja o que sentimos, queremos e conseguimos dizer: “O senhor está olhando para fora, e é justamente o que menos deveria fazer neste momento.”

  • Sérgio Rodrigues 17/04/2007 at 23:01

    Schultz, sua crítica a este blog – a pretexto mal ajambrado de crítica à crítica – fica. A propaganda do seu site, a enésima que você publicaria aqui, não.

  • Roberto Schultz 17/04/2007 at 23:28

    Mal ajambrado? Você achou? Achei ótima.

  • Roberto Schultz 17/04/2007 at 23:29

    Mas está bom assim. Você aceita as minhas e eu aceito as suas. Democracia, finalmente, é isso aí.

  • Sérgio Rodrigues 18/04/2007 at 00:21

    Roberto Schultz: você ter achado ótima diz muito sobre seus padrões de exigência. E não, rapaz, não é que eu “aceite” sua crítica cheia de ressentimento a um espaço que, até seu papelão no episódio Vonnegut, você tratava como sua casa. Apenas não a apaguei. Democracia é mesmo isso aí.

  • Roberto Schultz 18/04/2007 at 00:58

    Beleza, Sérgio. Cada um tem seus próprios “padrões de exigência”. Quero deixar bem CLARO que a crítica à “crítica que se faz neste blog” a que me referi, afetada e blasé, não é exclusivamente a que VOCÊ escreve, embora isso às vezes não te exclua. Assim como não é a crítica que TODOS os outros fazem, tão-somente aquela feita por alguns e, assim mesmo, algumas críticas.

    E aí entra uma longa discussão sobre ressentimentos mútuos que acho que não vale a pena. Qual o pior ressentimento? Não aceitar críticas? O espaço, então, é feito exclusivamente para elogios? Você quer apoiadores incondicionais, é isso? Gente te batendo nas costas?

    Eu sinceramente ficaria DESCONFIADO se me rasgassem seda o tempo todo “Dá-lhe Serjão! Que beleza de comentário! Que pertinente! Você foi ótimo!”, você não? Qual o SEU nível de exigência?

    Se o sujeito entrar e dizer “que bosta aquele livro que você sugeriu” vira, como você me faz parecer, um proscrito?

    Não houve “papelão” no que você chama de “episódio Vonegutt”, apenas ironia, sarcasmo. E um humor escrachado (ou histriônico como disse alguém, acho que o Tibor).

    Em todo o caso ganhamos todos, inclusive maturidade. Volto a dizer, eu poderia entrar aqui com um anônimo(como já vi fazerem) e dizer bobagens. Mas não, entro como eu mesmo.

    E viro, claro, o Judas para todos malharem, inclusive você, porque discordo da maneira teatral e afetada com que alguns (às vezes e nem todos) discutem a Literatura.

    Agora é tarde da noite e estou (você também deve estar) trabalhando. Não tem ninguém lendo, só nós dois. Amanhã durante o dia entra a “tropa de choque” e cai de pau em cima de mim.

    É mais cômodo, assim. Ter em quem bater. Escolher um vilão. A Humanidade apenas se repete. Dizia o Maiakovski: “nada de novo há, no rugir das tempestades”.

  • Daniel Brazil 18/04/2007 at 01:02

    Caramba, como fala bobagem este Schultz!
    Critica os críticos de uma forma tão burramente crítica, que soa apenas como rancor. Deve achar Paulo Coelho melhor que um Carpeaux, e Gasparetto (qualquer um deles) melhor que Antonio Cândido. Como ter algum interesse sobre um pretenso escritor que diz tamanhas besteiras? Quero distância!

  • Roberto Schultz 18/04/2007 at 01:10

    Ah, Daniel, Daniel…leia o que eu disse sobre Paulo Coelho. Mas leia com INTELIGÊNCIA, por favor.

  • Roberto Schultz 18/04/2007 at 01:12

    Quem “carpeaux”, “carpeaux”, quem não “carpeaux” não “carpeia” mais!

  • O VOTO É SECRETO 18/04/2007 at 02:18

    Ai meu saquinho…

    Pela ordem, apelo então para a tão judiada Democracia – meu voto vai para que se barre o IP do cidadão Roberto.

    E que ele vá expressar sua opinião livremente lá no seu próprio blogue. Quem sabe falando sozinho ele aprenda a dar valor a outras coisas além da sua tão alardeada Honestidade. Quem sabe então ele consiga passar a dar valor também a coisas muito caras à convivência em sociedade e, infelizmente, cada vez mais raras (respeito ao próximo, por exemplo).

    Desculpe dar corda, Sérgio, mas já cansei de ver pessoas desculpando sua própria imaturidade, mal-educação, grosseria, falta de tato, ignorância, insegurança, crueldade até, por trás de uma suposta e super-valorizada Honestidade.

    Honestidade não é valor absoluto que se preze. Sozinha, ela não me diz nada. Principalmente quando auto-proclamada.

    Proponho então o plebiscito. Democraticamente.

    E, democraticamente, me dou o direito de manter meu voto secreto.

  • João Paulo 18/04/2007 at 07:59

    Nooossa! Isso é que é esgrimir com as palavras. Que classe!
    Se fôsse comigo já estaria com o punho de renda todo sujo e rasgado de tanto dar na orelha do desafeto.
    Tenho muito que aprender mesmo!

  • Roberto Schultz 18/04/2007 at 08:12

    Não precisa “barrar o IP”, caro O VOTO É SECRETO, basta pedir que não compareça mais.

    Eu sugiro barrar a COVARDIA que é o ANONIMATO.

    Como você já notou, sou homem o suficiente para criticar de peito aberto, com nome e sobrenome. Você, se vestir cuecas, não deve ser lá muito homem, mas um frouxo. Se for mulher, falta-lhe personalidade.

    Seja que “bicho” for você, parece que a sua opção é “puxar-o-saco-do-Sérgio-até-as-últimas-consequências”.

    Qual é a sua esperança? A de que na próxima sessão de autógrafos ou entrevista à Globonews ele cite o seu nome?

    Tem gente que gosta de viver à sombra dos outros.

  • Areias 18/04/2007 at 09:04

    Dá um tempo, Roberto. Não torne teu equívoco uma tragédia. Errar humano é. Voltando ao post original, imagino se, como imitar os americanos é uma lei na tv brasileira, por exemplo, o Faustão falasse algumas vezes em seu programa sobre determinado livro de autor brasileiro (ou não). Poderia haver um rodízio igualitário entre as editoras, pra evitar o jabá. Não precisava entrevista, nem o gordo precisaria ler o livro, apenas decoraria uma sinopse com alguns adjetivos. A questão é: leriam os brasileiros mais por causa disso?

  • Roberto Schultz 18/04/2007 at 09:13

    Areias: Não entendi qual o meu equívoco a que você se refere e nem a tragédia. Mas concordo com você, imitamos feito macacos a TV americana (vide o caso Jô e David Lettermann), assim como imitamos (alô crítica e colonizados, cucarachas que se acham “cidadãos do mundo”!) todo o resto. Para minha surpresa eu, que NÃO ASSISTO ao Faustão, casualmente vi ele fazer isso no último domingo: anunciou dois livros. Um de Direito Penal e outro de ficção. Fiquei tão pasmo que nem lembro qual é esse último. Mas acho que sim, os brasileiros leriam mais por causa disso. Infelizmente (pelos meios, não pelos fins).

  • Areias 18/04/2007 at 09:50

    O equívoco é perder a calma neste espaço virtual. Ocê não dorme não, cara?

  • Roberto Schultz 18/04/2007 at 10:01

    Não perdi a calma, o equívoco é seu (e de outros). Num espaço virtual as palavras não ficam com a devida entonação, então parece que estamos “gritando” ou zangados. Estou calmíssimo. Aliás, me divirto muito com essa polêmica toda. Há que se distinguir a retórica exacerbada de “briga”. Não sou (tão) maluco de brigar com quem é virtual ou, mesmo real, sequer conheço. Apenas exponho meus pontos de vista. Sobre “não dormir”, às vezes, você tem razão, durmo bem pouco. Tenho quatro trabalhos grandes para fazer até sexta-feira, e isso me faz dormir menos. Já estou acostumado. Vir aqui, é a distração. Trabalho escrevendo e me distraio carregando pedras.

  • Mr. Ghost(WRITER) 18/04/2007 at 10:17

    Off-topic
    Essas disputas exacerbadas me deixam um pouco desanimado… venho aqui porque gosto de ler e tenho interesse em conhecer novos autores, novos livros, colher dicas do pessoal, ler relatos e até ouvir um pouco das vastas teorias literárias que alguns aqui alardeiam e propagam como se a maioria as conhecesse… posso parecer ignorante, mas gosto mesmo é de ler e de teoria literária só conheço a que aprendi na nos asnos de escola… sou designer por formação, e não escritor, ou pseudo…
    Bom, o que quero dizer é que nós todos poderíamos ser mais produtivos centrando fogo no post… sei que é normal a fuga do tema, a conversa entre os comentaristas, mas as disputas de ego… nossa, essas me desanimam tanto, pois para quem vem aqui ler algo interessante e lê essas coisas, mesmo por acaso, se desanima… tudo bem, posso passar por cima dos comentários e ler o que me interessa, entretanto fica-se nas réplicas, tréplicas ad infinitum perdendo-se a qualidade do post…
    Acho que isso não leva a nada, ninguém…

  • Mr. Ghost(WRITER) 18/04/2007 at 10:20

    Digo:
    de teoria literária só conheço a que aprendi nos ANOS de escola…

  • Luiz André 18/04/2007 at 10:34

    Sei que a discussão não é esta, e sei que posso até estar errado, mas tenho que dizer: não gostei nada, nadinha mesmo, do Cormac. Comprei “Onde os Velhos não têm Vez” e fui ler com a avidez típica dos que esperam descobrir coisas novas. Claro, tinha lido aqui no site o que o Sérgio escreveu sobre o cara. (E o Sérgio, sem favor, em geral acerta.) Decepção. Decepção total. Já li muito autor chamado “difícil”, mas o Cormac não me pareceu nada disso: só me pareceu confuso, propositadamente confuso. E cansativo. Tive a vaga impressão de que ele não conseguiu ser competente na tarefa de ser inovador ou coisa que o valha. É como se tivesse ficado no meio do caminho entre a simplicidade pura e simples, que pode construir muitos romances bons, e o hermetismo característico de alguns grandes escritores.

  • Roberto Schultz 18/04/2007 at 10:40

    Esses “asnos de escola”, quando a gente erra um termo assim, é uma droga, né Mr. Ghost? E o pior é que isso sempre acontece quando o erro parece ter a ver com o assunto. Já me aconteceu, numa medida judicial, de escrever “ReclaMENTE” ao invés de “Reclamante” (que mentia, aliás) e já vi colegas escreverem, na mesma situação, “Bando” ao invés de “Banco”, numa ação em que atuava A FAVOR (!!!) favor de uma instituição financeira. A pior de todas foi a de um colega que escreveu a um juiz “peido inicial”, ao invés de “pedido inicial”.

    Em todo o caso, voltando ao assunto, a sua intenção (vir aqui e pegar sugestões, críticas literárias, etc..) é legítima e, eu diria, até pura.

    Também não gosto de duelos de ego ou de “intiligência”. Mas acho que a crítica precisa ser exercida, para não se tornar um negócio meloso e adulatório que as pessoas, às vezes, nem se dão conta.

    Sempre cito o Faustão que, por mais salafrário e incompetente que seja o artista convidado, ele sempre anuncia como “o maior não-sei-o-que do Brasil, um dos maiores artistas, o homem mais digno da televisão brasileira”, numa rasgação de seda que incomoda a quem tenha inteligência própria e pense pela própria cabeça e não pela dos outros.

  • joao gomes 18/04/2007 at 10:44

    Entre o Prêmio e o Público eu preferiria o público. porque assim faturaria muito mais. E nem sempre Prêmios trazem público. Não lí nenhum destes ai. Falta-me tempo. Falta-me din-din. Que os privilegiados façam suas resenhas e críticas. Assisto tudo aqui, como diria Quintana, como um “menino por trás da vidraça”.

  • Luiz André 18/04/2007 at 10:50

    Ah, e por falar em discussão, acho que o Ghost está certo: vamos falar de literatura. Vamos falar do que a gente gosta e não gosta, na literatura e nos autores. Mas vamos fazê-lo com calma. Esse é um dos melhores sites que conheço, fonte de muita dica boa. Vale a pena mantê-lo assim.

  • Mr. Ghost(WRITER) 18/04/2007 at 11:03

    Caro Roberto,
    Esses erros de digitação são realmente terríveis… imagina só, digitando anos e acabou saindo um asno… é melhor fazer um adendo corretivo porque no contexto caiu até bem né mesmo?

    Bom, prezado Roberto, concordo com você em relação as críticas, eles precisam ser feitas sim, mas acho que é preciso saber fazer, saber dizer… porque há críticas e críticas… assim: Críticas contrutivas, bem redigidas, embasadas e acima de tudo com intenção de elevar, não reduzir. Essa todo mundo precisa receber e fazer também… o problema é o outro tipo: As destrutivas, ofensivas, humilhantes, degradantes. Essas saõ dispensáveis de se fazer e de se ouvir… e, infelizmente parece que são as dominantes na internet… as desanimadoras…
    Não sou muito fã dessas brigas virtuais, parece que sempre tem alguém disposto a estar esculhambando a opinão do outro, num troca-troca muitas vezes impositivo e sem argumentos coerentes…
    Sei lá, acho que já falei demais…
    Abraços a todos…

  • Mr. Ghost(WRITER) 18/04/2007 at 11:08

    Prezado Luiz,
    Acho que o espírito é esse… o Todoprosa é cadeira cativa para dicas… É civilizado, não só pelo dono da casa, mas pelos seus comentaristas também… vide outros espaços onde a anarquia impera, a falta de educação é a tônica e o palavriado é mais baixo que a altura que há entre a sola de um sapato e o chão…
    Já aqui, bem, a casa é organizada, e as dicas são boas, os cometários bem redigidos e a educação é qualidade, não defeito…
    Vamos cuidar de um espaço que acredito não ser só do Sérgio e sim de todos nós…
    Abraços…

  • Tibor Moricz 18/04/2007 at 12:46

    Pra vocês verem que não precisa de Saint-Clair, Clarice e Tibor pra isso aqui virar a casa da mãe Joana.

  • Roberto Schultz 18/04/2007 at 13:05

    Tibor: recebi um mail hoje de manhã, anônimo, onde o sujeito insinuava que eu e o Sérgio éramos a mesma pessoa.

    Ou seja, o Sérgio teria “plantado” a mim, um personagem, no blog, para gerar polêmica e atrair as atenções. Segundo essa tese, as iniciais “SR”, de Sérgio Rodrigues, seriam as minhas iniciais “RS”, de Roberto Schultz, invertidas.

    A verdadeira Teoria da Conspiração.

    Acho que a situação exige que eu e o Sérgio compareçamos ao “Edney Silvestre Show” (adoro esse nome, o meu abraço para o Edney) da próxima semana onde, juntos, daremos uma entrevista esclarecendo tudo e onde aproveitarei para divulgar meu Romance “A Caixa de Romeo Y Julieta”, ainda sem editora, aquela minha milonga auto-promocional de sempre:

    EDNEY SILVESTRE”Então quer dizer que vocês são duas pessoas diferentes?”

    Roberto Schultz: “olha, “Edeney” (muita gente me chama de “adevogado”, sobretudo em SP, seria a vingança), da minha parte eu sou uno e indivísível, insípido e inodoro, como Deus, mais ou menos…”

    Sérgio Rodrigues: “Mais ou menos. Sou apenas eu. E, claro, alguns heterônimos. Tibor, Noga, Mr Ghost, O VOTO É SECRETO, e mais uns dez”

    EDNEY SILVESTRE: “Bom, pelo menos terminou a polêmica. Agora vocês estão juntos, então?”

    Roberto Schultz: “Sim, estamos”.

    Sérgio Rodrigues: “Humpf.”

    EDNEY SILVESTRE: “E pensam em adotar uma criança?”

    Roberto Schultz: “Pô, “Edeney”, tá me estranhando?”

    Sérgio Rodrigues: “Humpf!”

  • João Marcos 18/04/2007 at 13:08

    “Meridiano Sangrento” é genial. Quando eu crescer, quero escrever daquele jeito.
    Logo no início do “Legado de Humboldt”, von Humboldt diz que o Pulitzer é um prêmio inútil, feito sob medida para puxa-sacos sem talento para escrever. Pelo menos no caso de McCarthy, acho que ele estava errado.

  • Marcelo 18/04/2007 at 13:24

    Caramba! Esse Roberto Schultz vai ter um colapso.

  • Daniel Brazil 18/04/2007 at 13:25

    Li o “Cidades da Planície”, do McCarthy, altamente recomendado por um amigo (escritor, por sinal). Achei chatinho, não me fisgou.

  • Fellini 18/04/2007 at 15:21

    Em meu filme “Roma” há a cena em que uma garotinha fica pulando na mesa de um restaurante lotado, enquanto grita: “- Todo mundo olha a minha calcinha! Todo mundo olha a minha calcinha! Todo mundo olha a minha calcinha!”. Passei a vida tentando entender a espécie humana e só consegui ter certeza de que certos comportamentos sempre se repetem. Os exibicionistas, por exemplo, sempre estão por perto, prontos a subir na mesa da caixa de comentários lotada e ficar gritando: “Pelo amor de Deus, olhem para mim! Pelos amor de Deus, olhem para mim!”. Tsc, tsc, tsc…

  • Pedro Curiango 18/04/2007 at 16:29

    Não tem nada a ver com este assunto, mas é curioso. O assassino da universidade na Virginia escreveu, talvez como exercícios escolares, duas peças de teatro. Não valem nada literariamente, mas se encontram no seguinte site:
    http://news.aol.com/virginia-tech-shootings/cho-seung-hui/_a/richard-mcbeef-cover-page/20070417134109990001

  • Roberto Schultz 18/04/2007 at 16:56

    É, né? Que coisa, não?

  • lionel 18/04/2007 at 19:19

    Pare de comentar e vá escrever, Robertão, senão nunca sairás daqueles textinhos vagabundos do qual teu blog dá amostras.
    Assim fica difícil de publicar. E pare de dar a desculpa de que é por ser gaucho.

  • Roberto Schultz 18/04/2007 at 19:37

    Pare de escrever e vá se preocupar com aquelas vagabundas que estão na sua casa, “lionelzão”, covardão, medrosão, que se esconde atrás de um apelidão.

  • João Paulo 19/04/2007 at 06:59

    Quá, quá, quá. Isso é que são modos literários! Benzadeus!

  • Roberto Schultz 19/04/2007 at 07:58

    Quá-quá-quá, pato, modos literários não excluem os modos HUMANOS. Ninguém precisa ficar “se fazendo” por escrever. Pelo contrário, ser escritor é ser emocional, ser passional, ter o sangue pulsando nas veias. Ou então você FINGE, numa postura estudada e dramática, ser alguém do mundo, culto e refinado, elegante, para que os outros digam “puxa, Fulano leu Goethe no original…”. Não preciso fingir porra nenhuma. Aqui tem sangue pulsando nas veias. E quente.

  • Rafael Rodrigues 19/04/2007 at 10:40

    No fundo, no fundo, qualquer livro edificante termina por ser um livro de auto-ajuda para determinados leitores. Ou não? Existem livros que realmente fazem mudar a nossa maneira de ser e de ver o mundo – mudar pra melhor. Não é essa uma das maiores qualidades da literatura? Mudar as pessoas? Abraços!

  • lionel 19/04/2007 at 10:50

    Meu nome é Rogilio Santos Glosdáulio. Eu não escrevo, não sou escritor. Mas sei reconhecer um escritor ruim quando vejo um.
    Desse jeito só escrevendo com as BOLAS mesmo, que nem o tal do Mirisola.
    Vai escrever, Robertão. Vamo ver se sai alguma coisa que preste.
    Tem algo publicado? Gostaria de ler.

  • Sérgio Rodrigues 19/04/2007 at 10:55

    Caro Rafael, há controvérsias. Na minha experiência os livros de auto-atrapalhação são muito melhores. E acho que a literatura não serve propriamente para nada – o que significa dizer que reduzi-la a qualquer aspecto utilitário que possa ter é uma diminuição. Mas isso é um debate sem fim. Um abraço.

  • Rafael Rodrigues 19/04/2007 at 11:39

    Mas Sérgio, é dos livros de “auto-atrapalhações” que eu estou falando mesmo. No fim das contas eles ajudam bastante. Porque a atrapalhação é tanta que o indivíduo se vê obrigado a tomar uma decisão. E no fim a atrapalhação acaba sendo uma ajuda. hehehehe Digo porque já passei por isso, você sabe. Outrabraço!

  • Roberto Schultz 19/04/2007 at 12:19

    Feliz de quem tem BOLAS para escrever. Você nem isso, covarde. Não tem nada mais irritante do que um homem fraco.

  • Roberto Schultz 19/04/2007 at 12:21

    Ah, e quanto a “desculpa por ser gaúcho”, burrão, você não entendeu. Eu não digo que não sou publicado por ser gaúcho. Não acho que haja discriminação de qualquer tipo. O que eu digo, sempre, e reitero, é que aqui no MEU ESTADO há uma panela que discrimina os próprios gaúchos, uma vez que eles estejam na “turminha”. O que, como se viu, acontece em toda a parte. Mas aqui acontece bastante.

    Encerro aqui a minha participação. Cansei.

  • Roberto Schultz 19/04/2007 at 12:23

    Em tempo, uma correção: “aqui no meu Estado há uma panela que discrimina os próprios gaúchos, uma vez que eles NÃO estejam na “turminha”.

  • Cláudio Soares 19/04/2007 at 13:33

    Desconfio que Literatura seja (para escritores e leitores) questionamento, logo, libertação: real e ilusória. Entendo Saramago que recentemente disse que continua a escrever “para tentar compreender”, mas consciente da possibilidade de acabar os seus dias sabendo o mesmo que antes. Assim é a Literatura: real enquanto dura. Assim tb são os sonhos. Assim tb é a vida.

  • Hefestus 19/04/2007 at 20:55

    Roberto, se é por isso, aqui no Estado (eu também moro em Porto Alegre) tem tanta editora que é também gráfica… É só pagar e publicar. A Age, por exemplo, lança mais 20 todo ano na Feira do Livro.

  • lionel 19/04/2007 at 21:31

    O robertão é tão prolixo. :)

  • João Paulo 20/04/2007 at 06:11

    Desculpe SCHULTZ, mas achei que comentar por aqui só exigia cérebro e conhecimento. Mas se você acha que só precisa de sangue e bolas, tudo bem. Cada um troca o que tem pelo que quer.
    Ainda me chamou de pato o miserável! Vocês viram?
    Cuém, cuém procê SCHULTZ!

  • João Paulo 20/04/2007 at 06:34

    Estou tão indgnado que voltei aqui para dar mais uma espinafrada no SCHULTZ. Lá vai.

    Eu sou pato mas sou feliz!
    E mais pato é quem me diz!

    Pronto. Lavei a alma!
    Conheceu, papudo?

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