Oficinas literárias, a discussão do ano

08/09/2009

Para quem nunca estudou letras nem gostou de ler crítica, é a chance de ter contato, mesmo que resumido, com as principais técnicas, discussões e correntes da história da literatura. Parece burocrático, mas evita a tentação de reinventar a roda. (…)

Para quem está ansioso por mostrar seu trabalho, é a chance de evitar jogá-lo sem filtro num blog ou livro pago do próprio bolso, o que no futuro será fonte de culpa e horror.

(…) oficina não dá talento a ninguém, e sim melhora a técnica, que é o instrumento para levar o talento à página em branco. Não imagino como possa acontecer o contrário, isto é, as aulas castrarem o potencial de alguém.

O escritor gaúcho Michel Laub, que lançou este ano o romance “O gato diz adeus”, é freqüentemente citado como argumento vivo em defesa das oficinas literárias por ter passado, como Cintia Moscovich e Daniel Galera, pelas aulas de Assis Brasil. Agora ele verbaliza o argumento e o desdobra em dez partes, nesta lista sensata publicada pelo jornal “Zero Hora” e republicada em seu blog. Nunca passei por oficina nenhuma, mas tendo a concordar com tudo ou quase tudo. Bom motivo para soprar as brasas da discussão que há pouco tempo andou rolando aqui – e aqui.

Agradeço ao Drex Alvarez pela dica.

20 Comments

  • Rafael 08/09/2009 at 12:25

    O nome oficina é apropriado. Quando meu carro está uma porcaria, faz barulho, enguiça inesperadamente, queima óleo, não freia direito, tem freqüentes e repetidas panes elétricas, sou obrigado a levá-lo para uma oficina, onde recebe um remendo, que dura algumas semanas (quando tenho sorte). A solução evidentemente é trocá-lo por outro zero, na concessionária mais próxima. Até lá, a oficina será aquele sorvedouro de dinheiro, que me consumirá a poupança e a paciência, enquanto maldigo minha lata velha. A oficina é o santuário das causas perdidas.

    Realmente, o nome oficina literária é apropriado.

    Vale

  • Fernando Torres 08/09/2009 at 13:09

    Serve para uns, é tempo perdido para outros. É uma discussão sem fim como “qual o melhor carro para você” ou “você gosta mais de Beatles ou Rolling Stones” ou qualquer coisa subjetiva do gênero.

    A saber, gosto mais de Beatles.

  • Pedro David 08/09/2009 at 14:59

    Sergio, pra mim a questão que sempre se colocou nunca foi o valor das oficinas e sim saber qual oficina é confiável e qual não é…

    A gente sabe que quando estamos falando da arte de lecionar, um grande nome não basta… Então, como saber o que é uma oficina bacana e o que é uma furada ?

    ABS…

  • isaac 08/09/2009 at 15:05

    acho eu que o problema não é a oficina literária em si, mas a qualidade do professor e a inteligência do aluno.

  • Pedro Girau Palau i Fabre 08/09/2009 at 19:06

    Nada disto muda o fato de que o Assis Brasil é um imbecil e finalmente todo mundo se deu conta disso. Conheço vários ex-alunos da oficina dele que estão morrendo de vergonha depois daquele ridículo textículo do Mais!

  • cely 08/09/2009 at 19:47

    Sabe,na tal da” lista sensata” me chamou a atenção o tópico 7.Guerra de Egos! ! Nem precisa de oficina literária não! Basta olhar os comentários dos blogs.Concordo com voce.a menos que os oficiantes não sejam confiáveis,é uma forma de se agregar conhecimento,de se despir da timidez,, de fazer uma auto critica e aprender a dar liberdade aos pensamentos. NInguém vai transformar ninguém em escritor, é verdade, mas muitos talentos podem vir a tona!

  • Tibor Moricz 08/09/2009 at 21:22

    Nunca fiz. Acho que vou entrar em depressão.

  • Daniel Brazil 08/09/2009 at 21:57

    É evidente que a palavra “oficina” designa um lugar de ofício, de trabalho ou aprendizado de uma profissão. Antecede a invenção do automóvel em alguns séculos.
    Oficina literária é coisa nova no Brasil. Quem não fez, desdenha. Quem faz, defende. Como faculdade de jornalismo. Ou sexo. Ou…

  • Sérgio Rodrigues 08/09/2009 at 22:19

    Daniel, isso é simplificar demais a questão. Eu não fiz e não desdenho. Gosto que se veja a literatura como ofício, o apuro técnico como algo que se conquista com o exercício, acho tudo isso uma enorme evolução para uma cultura como a nossa, que ainda prefere apostar tudo na improvisação, na iluminação súbita, no “estalo de Vieira” – ou seja, no que não dá muito trabalho. E ficção dá.

    Nada disso elimina o fato de que ministrar uma oficina literária é mais difícil do que, por exemplo, ensinar alguém a tocar violão – a cartilha não é e nunca será tão clara e indiscutível. E o modismo atual é solo fértil para a picaretagem.

    Recomendo cuidado também com a impressão de que aplaudir a idéia das oficinas significa considerá-las obrigatórias na formação de um escritor. De jeito nenhum. Dá para fazer tudo isso que o Michel diz, e mais um pouco, por conta própria mesmo.

    Abraços a todos.

  • Tibor Moricz 08/09/2009 at 22:39

    Parafraseando o Xerxenesky, já vi muito escritor foda sair dessas oficinas, mas também muito bostão. Ah, tá, bostão mas com uma técnica afiadíssima…rsrsrs

  • Eric Novello 09/09/2009 at 09:43

    É um ambiente de troca de idéias, de conhecimento? Se for um quinto do que a escola de cinema de cinema foi para mim, acho que vale. Lá vou eu de novo. Temos que parar de tratar a literatura como uma coisa santa que só os iluminados divinos conseguem fazer direito. Profissional bom e ruim tem em qualquer profissão. Aqui no país não é profissão, é estado de mendicância, e é só. Muitos dos que se acham fodões demais para participar de uma oficina e falam mal delas se achariam ótimos professores se fossem convidados a palestrar. Empenho vai de cada um. O papel da oficina é debater, ensinar ferramentas. Se alguém vai enfiar o martelo na testa e a serra no cangote, aí já é outra história. Abss!

  • Drex Alvarez 09/09/2009 at 10:34

    Oi Sérgio,

    Concordo com vc. E com o Eric Novello também.

    É simplesmente óbvio que uma oficina literária não vai transformar 100% dos seus alunos em bons escritores. Por melhor que seja. Mas isso vale pra tudo. Aulas de piano à curso de jornalismo (como já foi dito por aí). E a generalidade disso anula o argumento.

    Acho que a grita vem mesmo dessa visão romântica do ato de escrever. Esperar a musa, escrever com o estômago. Nada contra o talento e a inspiração. Mas creio que uma oficina pode ajudar muito na parte da disciplina (ou da transpiração…) e da técnica. Coisas que nossa cultura tropical talvez despreze um pouco.

    Estelionato pode haver se há qualquer promessa de vender talento e glória. Acho difícil alguém ainda cair nesse conto. E, bem, se o professor da oficina não parar de falar besteira, aí a culpa é do professor, e não do conceito. Levanta e vai embora, fazer o quê.

  • Eric Novello 09/09/2009 at 13:33

    Uma tirinha da clarinha que tem a ver com o papo:

    http://bichinhosdejardim.com/historia-da-inspiracao/

    rs. Abss!

  • Alexandre 09/09/2009 at 17:45

    Escritor tem que ser mimados, e por isso fazem oficina, é bom para bater papo, todo escritor razoável, publicado ou não, se sabe escritor e foge de oficinas onde idiotas deslembram a possibilidade de unir o tempo livre com yoga e literatura. O máximo é ler Francine Prose, agora dá pra pegar mulher, ganhar dinheiro. Todo escritor que faz isso devia se sentir meio pastor, promete o inviso e improvável. Eu faria é só chamar que eu faço.
    Amém

  • Alexandre 09/09/2009 at 17:46

    Perdoe os erros de digitacao

  • Mr. WRITER 09/09/2009 at 17:50

    Bom, é a modinha da vez dos últimos anos… os novos escritores que o digam.
    Que nem cursos livres de filosofia.

    E fecho com o Eric.

  • gianna 09/09/2009 at 18:38

    Prefiro pensar no termo em inglês, workshop: é lugar de trabalho, não de conserto, como uma oficina mecânica.
    Ensinar a escrever é tão difícil como ensinar a tocar violão.
    Domesticar um talento, disciplinar a inspiração, nunca é tarefa fácil, nem para o aluno nem para o professor.
    Nunca fiz mas adoraria.

  • MDV 09/09/2009 at 18:42

    Se o critério para julgar as oficinas for os livros do Laub, então não tem mais discussão: pelo fim das oficinas… hehe abs

  • Daniel Brazil 10/09/2009 at 21:48

    Desculpe a demora da resposta, Sérgio, percalços da vida.
    Você observou bem que uma mensagem de três linhas é uma simplificação. Sem dúvida, principalmente, num tema novo e rico como esse. Mas não fiz juízo de valor, repare. Também acredito que pode ser útil pra muita gente. Ninguém nasce sabendo, certo? (me perdoe a obviedade…). Se tivesse 20 anos, almejasse ser escritor, (e não me considerasse um gênio acima de coisas terrenas, como “aprendizado”), certamente faria uma dessas oficinas.

  • MIRIAM COUTINHO 11/10/2009 at 00:17

    ERA ESTE O LIVRO QUE MINHA IRMÃ LIA AGATHA CRHISTIE E MEU CUNHADO SAGITÁRIO QUERIAM ME MATAR MEU MEDICO SAGITÁRIO POEQUE AS ESTRELAS MATAM OS CORAIS MEDUSA QUE É O VERDADEIRO CLIMA E NÃO CENTAURO OLHODO QUE CAUSA QUEBRANTO E CHAMAM MEDUSA DE FEIA E MÁ E NÃO PASSA DE FEITIÇO E BATUQUE QUE DESEQUILIBRA

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