Os maiores da língua espanhola

29/03/2007

A revista colombiana “Semana” ouviu 81 críticos, escritores e editores para elaborar uma lista dos cem melhores romances da língua espanhola dos últimos 25 anos – o mesmo período que o “New York Times” arbitrou para fazer sua lista de americanos, ano passado, noticiada na época aqui.

Ganhou “O amor nos tempos do cólera”, de Gabriel García Márquez, com “A festa do Bode”, de Mario Vargas Llosa, em segundo lugar. Esses dois não param tão cedo de se bicar.

Até aí, estamos no terreno dos medalhões. A notícia fica mais interessante quando se descobre, em terceiro e quarto, dois livros do mesmo autor: “Os detetives selvagens” e “2666”, do grande – e, pelo visto, em fase de crescimento – Roberto Bolaño (1953-2003). O sujeito ainda se deu ao luxo de emplacar um terceiro título, a novela “Estrella distante”, na 14a posição.

33 Comments

  • Bernardo Brayner 29/03/2007 at 19:05

    É, a obra de Bolano vem mesmo sendo reconhecida. Já estava na hora.

  • Saint-Clair Stockler 29/03/2007 at 19:11

    Estou lendo em e-book “Los detectives salvajes”. Hilário. O Bolãno era um gênio. Estilisticamente, bem diferente tanto do Garcia Marquez quanto do Llosa.

  • Clarice 29/03/2007 at 19:36

    “Porque, en últimas, este es ante todo un homenaje a la palabra escrita, a la palabra que civiliza, que reflexiona, que enriquece a las sociedades. La palabra de un buen escritor.”
    Que inveja.

  • Roberson 29/03/2007 at 20:43

    Eu te disse, eu te disse, eu te disse.

  • Marcus 29/03/2007 at 21:33

    aqui no Brasil só o panaca do Marcelo Coelho falou mal do Detetives, o que, no caso do ‘crítico’, apenas depõe a favor do livro. É o tipó de livro que além de sua riqueza literária, podemos carregar por toda a vida, acabei a leitura no último mês e toda a oportunidade que tenho, converso com um amigo sobre ele, sobre o Bola, como carinhosamente chamamos gênio visceral.

  • Paulo (outro Paulo) 29/03/2007 at 21:43

    Eu tô muito curioso pra ler o Bolaño. Li uma entrevista dele logo antes de morrer e achei um muito interessante. Gostaria de perguntar aos colegas dessa commentbox qual livro é a melhor introdução a Bolaño? Aviso que não tenho medo de livros volumosos, não quero saber qual o livro “mais leve”, e sim o melhor Bolaño.

  • Cezar Santos 29/03/2007 at 21:44

    Estou lendo o Detetives, mas confesso que Noturno do Chile me surpreendeu mais. Detetives é uma espécie de “O Apanhador no Campo de Centeio” mais apimentado, sexual… mas, sinceramente, acho que poderia ter umas 300 páginas menos…, bem, deixe eu concluir a leitura para ter opinião mais fundada.

  • Cezar Santos 29/03/2007 at 21:51

    Puxa, nem uma obra do Onetti entre os 100?

  • Sérgio Rodrigues 29/03/2007 at 22:24

    Cezar: tem Onetti sim, embora os últimos 25 anos não incluam seu auge. ‘Cuando ya no importe’, lançado um ano antes de sua morte em 1994, aparece em vigésimo lugar.

    Quanto a ‘Detetives’ ser uma espécie de ‘O apanhador no campo de centeio’ e poder ter 300 páginas a menos, eu não poderia discordar mais. O livro de Salinger, que me pareceu ótimo quando garoto mas hoje acho muito superestimado, no máximo lustra as botas que Belano sujou com a poeira do deserto de Sonora. ‘Os detetives selvagens’ não poderia ter nem uma palavra a menos. Acho que é a primeira vez que digo isso de um texto tão volumoso.

  • Marco Polli 30/03/2007 at 00:50

    Vale destacar na lista o argentino Juan Saer, com três obras.

  • Marco Polli 30/03/2007 at 01:09

    Javier Marías também aparece bastante.

    Alguém poderia se dar ao trabalho de contar quantos livros desses livros foram publicados no Brasil. (Aí, que preguiça!). É um indicador aproximado de quanto o nosso mercado editoral estaria “antenado” com a literatura em espanhol.

  • Thiago Maia 30/03/2007 at 03:14

    A ausência que me importa é a de Teu é o reino, original de 1997, do cubano Abilio Estévez, romance lançado pela Globo em 2002.
    É uma história polifônica, da genealogia Faulkner-Llosa-Dourado, mas também debochada e muito sensual. Comete-se grosseiro engano, na orelha do próprio livro, quando é dito que se trata também de realismo mágico: é tudo ironia do Abilio, gozação (com muita classe).
    Um livro excelente.

  • Roberto R. 30/03/2007 at 06:59

    Gosto do Bolaño, é ótimo escritor e tal, mas essa eleição me cheira a modismo. Terceiro e quarto lugares? Então tá. Quanto ao comentário do Sérgio sobre o Salinger… Ah, deixa pra lá.

  • LuizFernandoGallego 30/03/2007 at 08:51

    Antonio Muñoz Molina aparece com 3 livros, os de 1987 e de 1991, eu não conheço. Estranhei a ausência de “Carlota Feinberg”, muito mais interessante do que “Plenilunio”, ao meu ver. Amigos que leram “Sefarad” dele, também traduzido por aqui (assim como “Carlota” e “Luia Cheia”) gostaram muito. Do Villa-Matas também gostei mais do que foi traduzido primeiro por aqui cujo título me escapa no momento.

  • ROBERTO SCHULTZ 30/03/2007 at 09:52

    Não conheço Bolano (ou “Bolaño”?), ainda. Mas voto em Vargas Llosa (“As Travessuras da Menina Má” está excelente, o velho Llosa voltou com fúria); em Eduardo Galeano (“O Livro dos Abraços” dou de presente a todo mundo); Cabrera Infante (sobretudo “Humo Puro”, porque gosto de charutos), Mario Benedetti; o grande Juan Gélman (“Amor que serena, termina”?) e o desbocado e magnífico Pedro Juan Gutierrez, cubano.

  • ROBERTO SCHULTZ 30/03/2007 at 09:55

    Como bom precipitado que sou, li rapidamente a matéria e entendi “escritores em língua espanhola” e não “romances”. Enfim, dei o meu palpite.

  • Cezar Santos 30/03/2007 at 09:58

    Sergio,
    Que bom que gostos/pontos de vista são divergentes, né?
    Detetives é um baita livro, sim. Apanhador no campo é outro baita livro e, ao contrário de vc, não acho que seja superestimado, pelo contrário. Dei-o há alguns dias para minha filha de 16 anos ler e ela amou.
    Não acho que em termos de qualidade (fabulação literária) exista distância entre os dois livros. São duas obra maravilhosas que se tangenciam em termos de tema, salvadas as diferenças de estilo e de época em que foram perpetradas, o que também influencia na feitura.
    LuizFernandoGallego, o primeiro do Vila-Matas traduzido por aqui foi, salvo engano, o Viagem vertical, um livro bom. Continuo achando que o melhor do Matas é o Bartleby, esse sim, fascinante (e olha que já li praticamente todos dele, com exceção do último). O mal de Montano, por exemplo, foi uma decepção pra mim…

  • romano 30/03/2007 at 10:14

    incrível, nenhum do Sábato? muito estranho isso…

  • romano 30/03/2007 at 10:16

    ops. apenas dos últimos 25 anos… certo?

  • Cezar Santos 30/03/2007 at 10:18

    romano,
    Listas são assim mesmo…arbitrárias ao extremo. Faltam coisas impossíveis, entram coisas impossíveis…
    Na verdade, cada um tem sua lista, concorda?

  • Tibor Moricz 30/03/2007 at 10:36

    Vou fazer um agradecimento público: Obrigado, Cláudio, pelo Los detectives salvajes que você mandou pra mim. Foi um presente valioso.

  • Claudio Soares 30/03/2007 at 11:21

    Não por isso Tibor. Sugiro a vc e aos demais interessados em Literatura Latino-Americana fazerem uma consulta ao http://www.esnips.com . Vários dos livros (em formato e-book) sugeridos pelo “Semana” poderão ser encontrados por lá: Los detectives salvajes, 2666, Bartleby y Compañia, El Desbarrancadero, Santa Evita, La fiesta del chivo, entre outros.

  • Elias Ribeiro Pinto 30/03/2007 at 11:28

    A lista dá margem a diversos e, em alguns casos, divergentes comentários. Mas não posso deixar de manifestar meu entusiasmo com a inclusão do notável Fernando del Paso, autor não só do listado Notícias do Império (Record), mas também deste exuberante Palinuro do México (acho que pela Difel, não sei em que estante navega meu exemplar).

  • Claudio Soares 30/03/2007 at 11:35

    * Literatura Hispano-Americana.

  • Flávio Xavier 30/03/2007 at 16:18

    EStou procurando alguma coisa da Alejandra Pizarnik… Achei na Tematika por 18 dólares (livro mais frete), alguém conhece esse site? ou tem alguma outra dica?

  • Claudio Soares 30/03/2007 at 18:36

    Alguns números sobre o post “Os maiores da língua espanhola” (obrigado MS-Excel):

    Números por países:

    Espanha 32,Argentina 23,Colômbia 13,Chile 10,México 10,Peru 4,Cuba 2,Uruguai 2,Venezuela 2,Guatemala 1,Paraguai 1

    Os campeões (cada um com três indicações):

    Antonio Muñoz Molina (ESP), Gabriel García Márquez (COL), César Aira (ARG), Diamela Eltit (CHI), Javier Marías (ESP), Juan José Saer (ARG), Roberto Bolaño (CHI)

  • Luís Nascimento 30/03/2007 at 18:56

    Eu li errado ou realmente não tem Cem Anos de Solidão nessa lista? Seria hors- concours, o romance, ou será que ele vendeu demais para estar numa relação dessas? E tem Memórias de Minhas Putas Tristes ???!!!!??!!

    Estranhos critérios…

  • Sérgio Rodrigues 30/03/2007 at 20:07

    Luís: ‘Cem anos’ foi lançado há 40 anos. E a lista é dos últimos 25.

  • elisa 30/03/2007 at 21:37

    “Doy por vivido todo lo soñado”, somente eu li? será que eu gostei tanto porque era um reflexo do “amor da minha vida” do momento?

  • Marco Polli 30/03/2007 at 23:34

    Usando a busca do Submarino, L. Cultura e Estante Virtual (sebos), contei o livros que possuem edições brasileiras disponíveis. Cheguei a 43 obras publicadas, um número até maior do que eu esperava. Muitos livros estão aí, mas não ficamos sabendo ou não damos atenção.

    Vale notar que as 57 obras
    não-publicadas não correspondem a 57 autores inéditos no Brasil. Primeiro por haver mais de uma obra por determinados autores. Segundo porque alguns deles possuem outras obras editadas aqui que não as incluídas na lista.

  • Luís Nascimento 02/04/2007 at 19:28

    Ops…
    Essa foi digna de sorvete na testa…

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