Os mais traduzidos

26/06/2008

Em primeiro lugar, Walt Disney. Em segundo, Agatha Christie.

Para provar que a língua inglesa é forte mas não é tudo, o pódio é completado por Jules Verne.

Em quarto lugar, à frente de Shakespeare, uma surpresa saborosa: Lênin.

A lista completa dos cinqüenta autores mais traduzidos do mundo desde 1932 segundo a Unesco, com o número de edições em línguas estrangeiras de cada um, pode ser consultada aqui. (Via blog da “New Yorker”.)

Como curiosidade, está valendo. Não tenho nada contra essa promiscuidade de ficção e não-ficção, literatura “literária” e de massa. Mas que há algo de profundamente injusto em pôr a corporação do empresário Disney para brigar com autores de verdade, há.

43 Comments

  • Isabel Pinheiro 26/06/2008 at 12:59

    Pois é: desde quando Disney é considerado escritor? Se os livros que reproduzem em papel seus desenhos animados entram nessa lista, que pelo menos o devido crédito seja dado: histórias da tradição oral que a Disney adaptou e contos de fada Perrault e Andersen, pra ficar só em dois, extremamente suavizados para não comprometer a audiência infantil e para provocar lágrimas nos pais…

  • Chico 26/06/2008 at 14:29

    Obrigado pela dica Sergio. Acabei ficando curioso sobre as linguas mais traduzidas… o portugues eh lingua mais traduzida, atras de 17 outras tantas. Somos batidos pelo tcheco, noruegues, latim, e grego antigo.

    Entretanto, somos a setima lingua que mais traduz.

    [sonoplatia de barbas em molho] Ou seja, traduzimos mais que os russos e italianos mas nao necessariamente somos mais traduzidos. Em termos bem toscos, importamos mais que exportamos.

    Bem, mas como o que esta em jogo eh a qualidade, esses argumentos sao irrelevantes.

  • João Alcântara de Meireles 26/06/2008 at 15:40

    Sérgio
    Creio que o Lênin perde o sabor e deixa de surpreender, se considerarmos que a sua marca deve ser creditada à edição obrigatória na Ex União Soviética e todos os Paises satélites, onde o comunismo era doutrina.

  • Sérgio Rodrigues 26/06/2008 at 15:51

    João Alcântara: é claro que edições oficiais ajudam a engordar a conta. Mas é um erro achar que o alcance de Lênin se resumiu a isso. Dê uma olhada, se tiver paciência, na lista completa das edições dele (clicando em seu nome na lista da Unesco). Todas as línguas do mundo estão ali. Destaque, assim de relance, para o espanhol – de onde aliás foram feitas por tabela as primeiras traduções brasileiras, que por causa disso transformaram camponês em campesino.

  • João Carlos 26/06/2008 at 16:34

    Fiquei intrigado com a “surpresa saborosa”. Poderia explicar melhor a razão desse seu estado?

  • Sérgio Rodrigues 26/06/2008 at 16:41

    João Carlos: não. Mas fique à vontade para cotejar com o post abaixo e diagnosticar esquizofrenia.

  • Fábio Santiago 26/06/2008 at 21:07

    seria muito bom se pudessemos encontra na lista: Dante, Proust, Cervante, Machado, Borges, Joice e outros grandes.
    mesmo assim sabendo que eles não são tão traduzidos, sei que em portugues (minha lingua) podemos encontra-los, e pra mim isso já é o suficiente. viva os nossos poucos tradutores!

  • Evanildo Carvalho 26/06/2008 at 21:07

    Essa listinha é mais uma daquelas que visa promover alguém de forma discutível. Nada a ver e nenhum proveito à cultura, aliás desserviço ao hábito da leitura sausável.
    Em tempo, a Bíblia é o Livro mais traduzido do mundo.
    Graças a Deus.
    Lembrem-se do nome Ellen Gould White e do Livro ” The Great Controversy Between Christ and Satan”, no Brasil Traduzido como “O Grande Conflito”, minha sugestão de leitura.

  • Mariza 27/06/2008 at 01:36

    Segundo informação já lida por mim. a qual faz sentido, o livro mais traduzido é a Bíblia e o idioma seria o aramaico, além do mais Walt Disney, apesar de ter sido o gênio cinematográfico, jamais foi escritor. O que foi publicado e, posteriormente, traduzido, foram os contos de fadas que sofrerem um ajuste para se adequarem ao estilo de filme.

  • denny yang 27/06/2008 at 05:32

    ue`… e o Paulo Coelho???!

  • Isabel Pinheiro 27/06/2008 at 08:32

    Pelo que eu entendi vendo o site da Unesco, a lista é de autores mais traduzidos, certo? E não de livros. A Bíblia, portanto, não conta. Abs,

  • Sérgio Rodrigues 27/06/2008 at 08:49

    É isso aí, Isabel. Autores, não livros. Tudo indica que a Unesco, mesmo tendo forçado a barra com Disney, achou que escalar Deus no papel já seria demais.

  • Francisco Carlos Mayer 27/06/2008 at 08:51

    Lista sem muita importância. Basta verificar que entre os citados só alguns foram mestres nessa arte.

  • doriana 27/06/2008 at 09:12

    É complicado.

  • joesse de paula 27/06/2008 at 09:36

    e eu pensava que fosse a biblia

  • Fernando Torres 27/06/2008 at 09:39

    Senti falta de Paulo Coelho na lista. Independente de merecimento, mas daquele velho argumento de ser o autor mais traduzido no mundo. Entendo que a lista é uma perquisa desde 1932, mas há se vão uns 15 anos que ouço esse argumento.

  • Sérgio Rodrigues 27/06/2008 at 10:11

    Fernando: essa briga é para autores com quase um século de permanência sob os holofotes. Não sei se os números de Paulo Coelho são realmente esses, mas de toda forma ser o autor mais traduzido do mundo em determinado ano ou mesmo década é pouco. Coelho já mostrou que é um fenômeno nos sprints, mas vai precisar de tempo e resistência para chegar lá, se chegar.

    Mayer, não entendi seu comentário: mestres em que arte? A de vender?

  • Rafael 27/06/2008 at 10:31

    Posso estar maluco, mas acredito que ao número de traduções, por mais expressivo que seja, não segue necessariamente que o autor seja o mais lido. Por exemplo: até onde saiba, há apenas uma tradução do Código da Vinci no Brasil; Ulisses conta com duas traduções; o primeiro, não tenho dúvidas, teve mais leitores que o último, embora James Joyce o tenha escrito há quase cem anos, ao passo que Dan Brown perpetrou seu thriller poucos anos atrás.

  • sara 27/06/2008 at 10:44

    Pô cara, um internauta não saber quem é Lênin??????
    E o pior: o outro citar Paulo Coelho???????
    aai meu deus quando seremos um país esclarecido?……

  • Djako 27/06/2008 at 10:44

    O bom disso tudo é que gera polêmica. A lista em si é apenas mais uma lista, se bem que tenha menos utilidade do que qualquer lista telefônica. Enfim….

  • Anderson 27/06/2008 at 11:24

    Ué? Estou louco ou vi a Bíblia na lista, dividida em velho e novo testamento?

  • Marcia Santos 27/06/2008 at 11:25

    Sara, seremos um país esclarecido qdo pessoas como vc esclarecer o fato e ajudar!! Críticar nem sempre ajuda!!

  • joão alcantara 27/06/2008 at 11:33

    Lênin é uma saborosa surpresa só mesmo na cabeça desse animal!

  • nelson eduardo ferreira 27/06/2008 at 11:42

    essa lista é tão sem nexo que coloca Lenin á frente de
    Marx a influencia de Marx foi enorme no campo da literatura, Lenin nem é considerado escritor. o que tem
    escrito em seu nome só foi publicado anos após sua morte.

  • C. S. Soares 27/06/2008 at 11:43

    Curiosa lista. Ótima para almanaques. Seguem alguns nomes (e respectivas posições) aleatoriamente pinçados: Marquez, 55; Dafoe, 64; Conrad, 94; Hugo, 100; Jung, 124; Nabokov, 143; Proust, 146; Coelho, 166; “Readers Digest”, 144;

    PS: para mostrar mais posições, basta, na URL da UNESCO, alterar top=50 para, por exemplo, top=200

  • C. S. Soares 27/06/2008 at 11:45

    * Dafoe=Defoe, claro.

  • C. S. Soares 27/06/2008 at 11:55

    Agora, sério, é pífia (e preocupante), tal qual o absurdo primeiro tempo do Flu anteontem, a participação de escritores brasileiros e portugueses na lista: além do Coelho, entre os 1000 primeiros, temos Amado, 294; Saramago, 320, e um ou outro mais… Olha, é preocupante em um mundo globalizado.

  • Rodolfo 27/06/2008 at 11:55

    Pessoal, é só uma lista. Curiosa, como as listas costumam ser. Não vejo motivos para agressões (dificilmente vejo). Meu destaque vai para os autores vivos que aparecem à frente de gente que já morreu há um bom tempo. Stephen King e Sidney Sheldon (tá vivo, né?) são os dois exemplos mais claros que pude pescar. A mistura entre escritores de literatura, de manifestos e de bulas papais também é curiosa. Elaborada dessa forma, no final das contas, ela diz o quê?

  • C. S. Soares 27/06/2008 at 11:59

    Microsoft Corporation, 492, 3 posições à frente de Carlos Fuentes… que lista, hein?

  • quemvem 27/06/2008 at 12:10

    listas servem só para isso: falar delas e depois esquecer.

  • pedro curiango 27/06/2008 at 12:36

    A lista trata de livros traduzidos “DESDE 1932.” A Bíblia, naquele ano, já tinha sido traduzida para quase todos os idiomas do mundo, razão pela qual se tornaram desnecessárias traduções posteriores. O mesmos e dá, por exemplo, com o “Dom Quixote.” Pelo que entendi, o significado da lista tem a ver apenas com a indústria livreira e não com Literatura.

  • Sérgio Rodrigues 27/06/2008 at 12:39

    A julgar pelos IPs, temos dois Joões Alcântaras aqui. O segundo, cavalgadura internética típica, fica sem resposta. Ao primeiro, vou esclarecer a “surpresa saborosa”: é surpresa porque eu não esperava (bela tautologia, hein?), e saborosa porque, pensando bem, a presença de Lênin faz as primeiras posições traçarem um retrato bem curioso do século 20 – Disney, Agatha Christie, Jules Verne e Lênin. Todos, de alguma forma, mestres da fantasia.

    Nelson: listas são listas são listas, mas sem nexo, acredite, seria Marx, um autor difícil, ter mais traduções do que Lênin, seu principal vulgarizador/divulgador.

    Anderson: tem razão, a Blíblia aparece lá, embora a lista seja de autores. Longe das primeiras posições, mas, como pessoa sensata que evita conclusões precipitadas, não vou atribuir isso a uma decadência da religião. O mais provável é que se deva ao ritmo menos frenético e mais perene das edições.

    Abraços a todos.

  • João Alcântara de Meireles 27/06/2008 at 12:54

    Sérgio
    Ou trata-se de um homonimo, ou estão usando indevidamente o meu nome. O meu questionamento foi elegantee sem juizo de valor.
    Primeiro João Alcântara.

  • Sandro Nascimento 27/06/2008 at 13:06

    Bem lembrado o comentário do Rodolfo; mas diferente do Stephen King; Sidney Sheldon, um dos escritores mais produtivos da literatura americana contemporânea, morreu no dia 30 de janeiro de 2007, em Los Angeles, aos 89 anos, devido a complicações causadas por uma pneumonia. Um abs à tds.

  • Rodolfo 27/06/2008 at 14:50

    Taí. Uma rápida pesquisa cibernética teria evitado que eu ressuscitasse o Sheldon. Até porque, falando em produtividade, se estivesse vivo, ele já teria publicado pelo menos dois livros neste ano. Obrigado pela correção, Sandro!

  • Marco Polli 27/06/2008 at 16:48

    “Disney, Agatha Christie, Jules Verne e Lênin. Todos, de alguma forma, mestres da fantasia.” Essa foi ótima, Sérgio.

    Achei ingteressante a seleção de contos brasileiros feita pela OXFORD:
    http://www.amazon.com/Oxford-Anthology-Brazilian-Short-Story/dp/0195309642/ref=sr_1_4?ie=UTF8&s=books&qid=1214594918&sr=1-4

    Tem 500 páginas e certamente 99% dali foi traduzido para o inglês pela primeira vez. Irônico que não deixaram o Guimarães Rosa participar da Antologia feita pela Ed. Objetiva aqui, mas lá sim, “The Third Bank of the River”. Outra diferença da Oxford é que eles não se importaram de colocar mais de um conto por autor. Assim, Machado, Lispector, Rosa aparecem muito.

  • denny yang 27/06/2008 at 17:58

    acho dificil colocar as analises de Lenine sobre o movimento de crise economico relacionado a guerras de potencias como algo “no campo da fantasia”, visto que seus textos foram muito estudado pelos comunistas-socialistas no XX, ainda até hoje em alguns departamentos, tendo influencia importante sobre o pensamento de esquerda,

  • eu 28/06/2008 at 05:45

    aqui nada tem validade qunado lembrado sobre…

  • eu 28/06/2008 at 05:45

    quando lembrado que

  • eu 28/06/2008 at 05:46

    apesar de tudo acho dificil colocar as analises de Lenine sobre o movimento de crise economico relacionado a guerras de potencias como algo “no campo da fantasia”, visto que seus textos foram muito estudado pelos comunistas-socialistas no XX, ainda até hoje em alguns departamentos, tendo influencia importante sobre o pensamento de esquerda,

  • Fernando Torres 30/06/2008 at 09:54

    Sérgio, andei fuçando no Database da unesco onde estão dispostas as informações acima e me pareceu ressaltar que o Paulo Coelho é o escritor em lingua portuguesa mais traduzido neste periodo desde 1932, mas ainda muito longe desta lista. Dividem o segundo lugar, quase empatados Jorge amado e José Saramago.

  • Shermilla 10/09/2008 at 10:29

    Olá, escrevo sobre literatura para um site e gostaria de saber se há aguma informação precisa a respeito de Paulo Coelho ser o mais traduzido depois de Shakespeare. Foi o que li em vários sites e lendo outras coisas hoje vi que a informação se contradiz: já li que é Sidney Sheldon e também Agatha Christie. Afinal, quem é?

    Abraços. Aguardo resposta.

Social media & sharing icons powered by UltimatelySocial