Plebiscito não torna Macondo uma cidade real

27/06/2006

A cidade natal do colombiano Gabriel García Márquez, a pequena Aracataca, que ele pôs no mapa, não quis sair de casa para lhe retribuir o favor: num plebiscito realizado domingo passado, uma alta taxa de abstenção – leia-se indiferença – impediu que o nome da cidade fosse trocado para Aracataca-Macondo, em referência à localidade fictícia onde se passa a trama da obra-prima de García Márquez, “Cem anos de solidão”. Dos 22 mil eleitores da cidade, apenas 3.600 apareceram para votar, abaixo da metade do mínimo necessário. Notícia completa, em inglês, aqui.

Moral da história? Talvez esta: o brilho da literatura, por mais forte que seja, costuma perder quando confrontado com o sol a pino da vida mundana. Ou ainda: a cidade está ressentida porque faz duas décadas que o escritor não a visita. Ou não, nada disso: rebatizar o lugar como Aracataca-Macondo era uma idéia de jerico mesmo.

16 Comments

  • Raquel 27/06/2006 at 13:14

    Sérgio,
    os moradores fizeram muito bem! Impor a literatura a realidade, ambas perderiam a graça.

  • Bender 27/06/2006 at 14:06

    Bah, que mudança mais sem-graça!

  • Henrique Leão 27/06/2006 at 14:07

    Além de ideia de jerico é de mau gosto. Não mudar o nome da cidade e adicionar outro com hífen é coisa de fresco.
    Mais ainda, esta é o tipo de homenagem que o Gabo deve dispensar.

  • André Pessoa 27/06/2006 at 15:07

    Eu trocaria para Macondo simplesmente.

  • Fábio 27/06/2006 at 16:45

    Mas o que tem se a cidade não quer mudar o nome pra Macondo? Tá, tá certo, o nome da cidade é imortalizado pelo Gabo em uma obra prima, mas esse seria realmente uma homenagem a ele? Ao meu ver a melhor das homenagens seria construir uma biblioteca chamada Gabriel García Márquez nessa tal Aracataca e colocar nela as principais obras do mesmo.

  • joao gomes 27/06/2006 at 16:59

    Se Márquez foi o idealizador de tal ideia acho que é tempo de se recolher aos seus aposentos.

    Os dois nomes nao significam muito.

    O livro sim. A Historia é um mundo de sonho surreal.

  • Fabio Negro 27/06/2006 at 18:22

    Num plebiscito pra mudar o nome do Brasil pra “Pindorama”: você compareceria?

  • joao gomes 27/06/2006 at 18:29

    NUNCA! NEVER! NEVER MORE!

  • Amigo do Blergh 27/06/2006 at 18:35

    Concordo com Fábio. Alem disso, duas décadas sem aparecer na cidade? Putz…
    E o pior, isso cheira a projeto de lei de politico puxa-saco do interior

  • Castro Nunes 27/06/2006 at 18:58

    Além do péssimo nome sugerido – até porque Macondo é, no livro, a anti-cidade -, tem o provérbio bíblico de que nenhum profeta é reconhecido em sua cidade natal. Tudo indica que os aracataquenses(ou seja lá o nome que for) não tenham idéia do que significa ter um cidadão da terrinha como Nobel.

  • Delsio 27/06/2006 at 23:53

    Com a eleição de Lula e sua provável re-eleição eu já estava duvidando que o povo pudesse resistir a pobreza mental!

    Dá-lhe povo de Aracataca!

    No Brasil a coisa tá pior, com certeza! Canso de ver topônimos de ruas com 30 , 40 anos de existência. Consagrados na memória do povo ser mudado para um nome de artista ou político só @#$$$#$ com a cabeça da população e com suas tradições. Bairros e ruas e locais públicos são criados todos os dias no Brasil, que esperem os homenageados!

    Abs.

  • Delsio 27/06/2006 at 23:54

    Aliás estes homenageados não esperam mesmo! :o)

  • Writing Ghosts 28/06/2006 at 03:13

    mudar nome de cidade (que aliás, já tem um bem… “pré-colombiano”, não é mesmo? …ou seria “pré-histórico”?) está me cheirando a plágio internacional…

    explico: que mais nossos vereadores de Sampa fizeram, no primeiro ano do governo Serra, além de sugerir umas dezenas de mudanças de nomes de rua? e isso esteve impresso nos jornais, se me desacreditam…

    coisa de quem não tem mais o que fazer.

  • vilasboas 28/06/2006 at 08:08

    “Contra o mundo reversível e as idéias objetivadas. Cadaverizadas. O stop do pensamento que é dinâmico. O indivíduo vítima do sistema. Fonte das injustiças clássicas. Das injustiças românticas. E o esquecimento das conquistas interiores.”
    (Oswald de Andrade-1890/1954-Manifesto Antropófago)

  • Daniel Brazil 29/06/2006 at 23:27

    Que tal mudar o nome de Recife para Pasárgada?

  • anraphel 30/06/2006 at 02:41

    Há algum tempo, nos Rio Grande do Sul promoveu-se um plebiscito para mudar (ou não) o nome de uma cidade chamada Não me Toque para Campo Real. Ainda que pudesse ser considerado constrangedor, o nome não foi mudado.

    Aracataca é um nome disgramado, mas deve ter fundas raízes antropológicas que o justifiquem e despertem afetividades. Portanto, Macondo deverá ser aproveitado de outra maneira, e eu desconfio que o próprio Garcia Marques concorda.

    Aqui em Salvador continuamos passando o desconforto de uma Câmara Municipal safada (pleonasmo?) ter mudado o nome do Aeroporto 2 de julho (de 1822,data da confirmação da independência do Brasil) para Luiz Eduardo Magalhães, o falecido filho do bandidão-mor ACM.

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